Ganhar livros? Tem novidade na área!

Você que é leitor ou autor, seja de blog, livro ou rótulo de shampoo, agora tem um novo lugar pra interagir. Mas, melhor do que apenas interagir é poder ganhar livros. Sim, isso mesmo. Você entra pro grupo Para Ler no Facebook e já está apto a participar dos sorteios que ocorrem por lá.

Sempre que um autor, editora, mídia ou outra empresa quiser anunciar para o público de leitores, será cobrado um valor simbólico que permita converter na compra de um livro para que o grupo possa presentear um sorteado. Bacana, né? Uma maneira simples e criativa de ajudar tanto leitores quanto escritores.

Uma comunidade de leitores e escritores é bacana, mas uma em que se pode ganhar livros é maravilha. Convido todos vocês aqui do WordPress, da fanpage do Blog no Facebook ou de qualquer outro canto, a participarem do grupo.

Nos vemos lá.
Rodrigo Meyer

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Porque atalhos são mais demorados?

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de 2006 das Pirâmides de Gizé, no Egito, de autoria de Ricardo Liberato.

Observando a sociedade, vemos muita gente a espera de vantagens. Elas querem, de alguma forma, um benefício que as impulsione além. Porém, quando se tornam tão obcecadas por isso, acabam ficando cegas e não discernem bem as ferramentas disponíveis e a eficiência de cada uma. Por vezes querem tudo pra ontem e brilham os olhos de entusiasmo quando veem um atalho pra supostamente conseguir o que se quer. Eis que são fisgadas pela falta de prudência.

Eu sempre costumo repetir que ‘se atalho fosse bom, já seria o caminho principal”. Se existe um trecho a ser percorrido e é possível escolher um trajeto que leve menos tempo do que o trajeto anterior, há de se pensar porque este trajeto é secundário e não o principal. Se as pessoas não usam o menor caminho como principal caminho, é porque há desvantagens no menor caminho. Por algum motivo, o caminho principal se tornou principal pois era o mais estável. Fazendo uma analogia, algumas jornadas de avião requerem uma parada em determinados países e/ou aeroportos específicos como parte da viagem total. Já imaginou se uma viagem que normalmente leva 12 horas, fosse feita em 7 horas, mudando a rota pra uma linha reta de ponto a ponto, sem paradas? Você consegue imaginar as desvantagens e riscos de se fazer uma alteração desse tipo? Pois bem, quem planeja as escalas de voos imagina.

Outro exemplo bem conhecido são as estradas que passam por montanhas. Ao subir ou descer a serra de carro, frequentemente se passa por curvas, algumas bem fechadas. Porque razão a estrada não é uma linha reta do ponto A para o ponto B? Existem alguns motivos. Um deles, talvez menos conhecido, é a estratégia de prevenção de acidentes, impedindo que o motorista passe muito tempo dirigindo em linha reta, pois isso o acomoda na monotonia e pode ser um risco de acidente bem maior do que obrigá-lo a lidar repetidas vezes com curvas e mudanças de direções. O outro motivo disso, é, claro, que para subir a serra, ângulos menos íngremes são mais fáceis de serem superados pelo carro. Você não verá ninguém brincar de alpinista pilotando um carro, a menos que seja um show de façanhas mortais. E para que se suba gradualmente uma montanha, o vai e vem das curvas conecta a estrada em cada gradação de elevação.

De maneira simplista, tendemos a acreditar que o caminho mais curto é melhor, mas na verdade, a menor distância e tempo não significam melhor caminho e, na verdade, quase sempre não são de fato mais rápidos. Imagine um carro tentando subir a montanha em linha reta. Certamente ele passará tanto tempo tentando sair do chão que seria o último a chegar no destino, se é que conseguiria chegar. E essa é a analogia que deve se carregar pra outras situações da vida.

Tudo que parece muito fácil ou cheio de benefícios adicionais, requer uma atenção sobre como isto será disponibilizado. Há algum tempo atrás lia com sorriso no rosto a notícia de que haviam conseguido o feito do teletransporte. Sim, sob um laboratório, conseguiram transferir madeira de um local ao outro, porém, o processo utilizado não reagrupou decentemente a madeira no destino final, deixando sua composição toda bagunçada, apesar de ter sido um sucesso o teletransporte em si. Esse é um exemplo de como tentar encurtar distâncias por atalhos tem problemas atrelados. Quando finalmente conseguirem executar um teletransporte com segurança, provavelmente este atalho se tornará o caminho principal. Se hoje, pegamos ônibus, trens e aviões para ir de um canto ao outro, talvez no futuro, faça mais sentido usar o teletransporte. Mas enquanto ele não for estável, não será o caminho principal escolhido pelas pessoas e, enquanto for mero atalho, não será tão bom ou útil quanto um caminho principal.

Saindo um pouco desses exemplos com distâncias e transportes, imagine setores da vida onde as pessoas tendem a desejar atalhos. Elas querem, por exemplo, enriquecer mais rapidamente do que apenas esperar que o trabalho ao longo dos anos traga algum retorno financeiro. Elas querem ter um relacionamento sem ter a premissa das fases de envolvimento com as pessoas, do conhecimento, da amizade, etc. Tudo isso só ressalta o despreparo e a ingenuidade dessas pessoas. A ansiedade em ter mais em menos tempo, faz as pessoas atropelarem a ética, a segurança ou outros valores que vão impactar na hora do processo ou desfecho. É o caso, por exemplo, quando as pessoas querem descartar o aprendizado pra ir direto para prática. Vejo muita gente entrar pra uma profissão da noite pro dia, sem estudar o necessário. Caem de paraquedas, desejando que a compra de um simples equipamento ou crachá, lhes farão profissionais habilitados. Com alguma sorte, as pessoas se apercebem da perda de tempo que isso representa. Terão, em algum momento, que voltar ao zero pras estudar o que não estudaram e, certamente, gastando mais tempo e mais dinheiro pra retificar a imagem negativa, os tropeços profissionais por conta do desconhecimento do que se faz, e assim por diante.

Inúmeros são os motivos pra não se buscar atalhos. Ignorar isso não vai te fazer chegar na frente. Embora o empirismo deva ser incentivado, ele nunca pode ser exercido com negligência. Uma coisa é você se colocar a fazer algo novo e experimentar as condições, o processo, os resultados e aprender sobre qual a melhor forma de se fazer ou não tal coisa. Outra, completamente diferente, é se colocar a fazer, buscando especificamente por redução de tempo, de impacto ou de custo. Você pode embrulhar uma pintura à óleo com a tinta ainda fresca, mas certamente vai borrar toda tinta em contato com a embalagem e gastará muito mais tempo pra refazer. Se não tiver disposição pra esperar a tinta secar, terá que aprender algum processo seguro que seque essa pintura em menos tempo. Nesse processo, talvez você descubra que deixar a tela próximo de uma fogueira ajuda a secar mais rápido, porém pode, eventualmente, descobrir que o calor intenso do fogo destrói os pigmentos da tinta ou causa rachaduras nas pinceladas. São essas pequenas possíveis reflexões que devem se fazer antes de promover um atalho a caminho principal.

Durante o avanço da sociedade, muita coisa mudou de processo e pudemos visualizar melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas. Mas, em paralelo a isso, sempre se buscou refinar esses processos a fim de se garantir segurança e consistência nos resultados. Pra se viver de maneira inteligente, é preciso respeitar o tempo e o processo das coisas, especialmente no que diz respeito a saúde física e relacionamentos. Tudo que o ser humano deseja ser, ter ou fazer, precisa passar por um filtro simples de reflexão sobre motivos, resultados esperados e resultados obtidos. Assim que paramos de desejar o impossível, paramos de bater a cara no muro. Isso serve não só pra para proteger a nós mesmos de nossa ansiedade e descontrole, mas aos demais ao nosso redor que terão que lidar com o modo como vivemos em sociedade. Quando as pessoas se tornam mais realistas sobre o que desejam e fazem, o mundo se torna mais agradável de se viver, mais estável, mais tranquilo e mais seguro. A partir dessa base sólida é que se constrói a novidade, o futuro.

Vale citar até mesmo países que conquistaram avanços sociais únicos, simplesmente por nunca darem o passo maior que a perna e fortaleceram suas bases ao longo da história antes de desejarem ser o que hoje finalmente são. Assim como uma pirâmide, o maior tempo e esforço é no planejamento da estrutura e na construção da enorme base. É com essa visão que se chega ao cume das possibilidades, das invenções, dos progressos no estudo, etc.

Isso não significa, porém, que você deva se tornar desestimulado a progredir ou a ir além. É exatamente o inverso. É, exatamente, por deixar de buscar atalhos que evitará de andar em círculo ou de cair. Economizar tempo na vida é exatamente percorrer o caminho certo desde o início, pra não ter que refazer o percurso. Invista em você e respeite o valor de sua pessoa e do seu tempo. Nunca se sabote escolhendo opções tentadoras que, no final da contas, são só ilusões e prejuízos. Há uma frase que diz “Se algo está muito fácil, você está fazendo errado.”. Fica a reflexão.

Rodrigo Meyer

O que causa seus bloqueios criativos?

Um assunto recorrente nas área de criação, como é o caso da Literatura, são os chamados ‘bloqueios criativos’. As pessoas se sentem sem inspiração ou ideias para concretizar uma tarefa relacionada a criação. Talvez lhes falte mais do que criatividade ou talvez estejam sobrecarregadas de outros aspectos que impedem que a criatividade flua. Façamos uma reflexão sobre isso.

O ser humano é, por essência, um ser criativo. Nascemos em determinado contexto e aplicamos nossa percepção de mundo para compreendê-lo, dominá-lo e mudá-lo. Em parte, isso é a expressão da nossa criatividade, a capacidade do ser humano de criar coisas novas, diferentes, úteis ou que suscitem transformações. Está ao nosso alcance o potencial de cumprir essas criatividade sempre que for necessário. Contudo, o modo como vivemos, pode interferir na fluidez desse processo.

Quando eu era criança, gostava muito de escrever. Era bem comum juntar um punhado de folhas, nem que fossem destacadas de uma agenda telefônica. Gostava de me sentar sozinho e transpor minha imaginação ou meus dramas para o papel. Se isso refletia qualidade é outra história e, para fins de criatividade, não importa, pois o aspecto essencial daquele processo permanecia sendo a criatividade. Hoje em dia, muitas pessoas atribuem o termo “criativo” para algo que pareça genial ou muito bem elaborado. Mas não é isso que deve representar o exercício da criatividade. Ser criativo é estar simplesmente dando vazão para a criação. Em oposição a isso, temos aquela sensação de vazio ou embargo, como se não conseguíssemos executar nada. Perceba que, o simples fato de concretizar uma criação é um ato criativo, é expressão de criatividade, fazendo oposição ao vazio e a inação.

Com o passar do tempo, eu acumulei muitos manuscritos. Não existia computador na época e tardou o meu encontro com uma máquina de escrever. Eu escrevia entre cadernos, bordas de livros, página avulsas e até pelos vidros embaçados do espelho. Anotava tudo que me brotasse na mente. Executar esses processos me permitia colocar tudo pra fora. Filtrar o que era bom ou proveitoso para algo, era outro momento. Mas, assim que despejava aquelas ideias pra fora da mente, cumpria um processo e eliminava um peso ou incômodo, mesmo que fossem sutis. Esse hábito de estar sempre criando me permitiu olhar o mundo com novos olhos, pois estava sempre à um passo além do nada anterior. Mesmo que muitas de minhas ideias nunca tivessem gerado nenhum fruto, elas nunca brotaram em vão, já que o próprio processo de colocá-las pra fora me foi útil.

Bloqueios criativos existem e parecem desconectar nossa mente das coisas e das ideias. É como se estivéssemos em um mundo diferente e que não pudéssemos mais interpretá-lo ou dominá-lo a nosso favor. Quando isso acontece, é preciso entender quais são as condições necessárias pra que uma ação criativa aconteça. Não se pode esperar que as coisas surjam magicamente apenas por desejarmos que os resultados surjam. Embora isso seja parte de uma equação maior de motivação, o ato criativo depende, apenas, da necessidade de se criar algo. Pode parecer óbvio, mas, infelizmente, muita gente não se atenta a isso. Vejo muita gente idealizando um futuro onde possam se tornar tão criativas quanto outras pessoas as quais elas admiram, como se isso fosse um dom milagroso. A criatividade colocada em prática é nada mais que cumprir a necessidade de se criar algo. Quando nos sentimos compelidos a fazer algo, isso traz, automaticamente, a tal criatividade.

Assim, o bloqueio criativo seria como a consequência da falta de necessidade de se criar. É muito difícil inventar o que não se precisa, por isso, tudo que se inventa é pautado nas necessidades humanas. A roda para o transporte, a lâmpada para a luz, o detergente para desengordurar. Se não temos, dentro de nós, motivos para criar, não temos também, as guias para este processo, ou a pauta dessa criação. O que vamos escrever, pintar ou inventar, se não precisamos de nada? Querer resultado sozinho é querer o impossível. Mas, se tivermos na mente uma necessidade observada na nossa vida, nossa mente ou nosso mundo, aí temos algo com o que lidar, um caminho com começo e destino. Criar, então, torna-se a tentativa de ligar esses dois pontos entre a necessidade e a sugestão de solução ou mesmo de pesquisa. Independente de resultados em tempo e/ou qualidade, estaremos criativos enquanto estivermos ativos na criação.

No campo da Literatura vi muita gente desistir da criação de livros, pois diziam não conseguir começar. Isso nunca me desceu pela garganta. Pra mim, não existe essa ideia de que não se pode começar algo. Talvez as pessoas desistam de tentar, por não encontrarem algo que lhes pareça satisfatório, pronto e acabado. E esse é o maior entrave pra quem deseja exercitar a criatividade. Escrever um livro, por exemplo, consiste, basicamente, em ter algo pra contar, mesmo que você não goste do resultado inicial. É permitido errar, errar novamente e seguir errando até descobrir que tentar e errar ajuda a compreender o que se pode fazer de diferente. Se você está tentando encontrar uma carta no baralho, cada vez que você encontra as indesejadas, vão aumentando suas chances de encontrar a carta certa. E é só isso que precisamos fazer nas nossas tentativas de criar qualquer coisa. Aprende-se muito errando, mas só erra quem faz alguma coisa. Siga criando, coloque em prática suas necessidades e verá como tudo começa a ser um constante jogo de ligar pontos. Mas nunca se esqueça que sem a necessidade, você não terá nada além de uma folha em branco e uma mente frustrada.

Essa é a dica que eu dou pra quem deseja trazer a novidade, criar um poema, escrever um artigo, fazer um desenho, cantar uma música, cozinhar algo novo, decorar a casa ou programar um software. Não importa em qual atividade você esteja, não haverá nada de consistente pra se buscar, se não houver, antes, uma demanda consistente por algo, uma necessidade por um serviço, um produto, uma expressão de ideia, um ativismo, etc. Tudo que o ser humano faz é pautado nos impulsos diante das necessidades pessoais ou do mundo. Tais necessidades, claro, podem estar vinculadas a aspectos emocionais, racionais ou de qualquer outra natureza. Então, se você achar que está com bloqueio criativo, pergunte-se qual é a necessidade que você tem para aquela criação. O mundo precisa dela? Você tem uma razão pessoal pra expressar aquilo? Às vezes nossa necessidade em determinado momento é de silêncio. Nem tudo na vida é só criação; o mundo também é feito de pausas, contemplações e até de destruições. Harmonize-se com um estilo de vida mais realista para evitar frustrações.

Rodrigo Meyer

A receita é estar em dia.

Sobreviver com disposição diante do excesso de estímulos está muito relacionado em como você organiza e gerencia o mundo, antes que ele te invada descontroladamente. Com tantas pessoas, tantos ruídos, placas, sons, luzes, carros, comércios, produtos, links, vídeos, livros, ideias, memórias, nossa mente acaba se saturando pelo excesso e tende a falhar. Às vezes a mente humana lida com os excessos buscando simplificações, reduzindo o tempo de atenção ou a complexidade em algo.

Em placas de trânsito, por exemplo, busca-se reduzir o máximo possível da complexidade das formas e cores, já que os motoristas terão pouco tempo pra processar cada uma delas. Pra que facilite ao cérebro do motorista compreender o que fazer nas ruas e estradas, as placas sintetizam imagens e encurtam informações de texto, se posicionando com uma certa margem de distância para que o movimento do carro seja compensado. Além disso cores ajudam a interpretar mais rapidamente o conteúdo, uma vez que nos habituamos a estas combinações. No restante da vida, nem sempre haverão planejamentos a nossa disposição, então teremos que fazer nosso próprio controle das situações.

Quando se abre o navegador do computador, por exemplo, começamos visitando um site, mas logo nos deparamos com um link, uma foto, uma conversa e, mais sites começam a abrir em paralelo com aquilo que gostaríamos de ver ou guardar pra um momento mais oportuno. Em pouco tempo, aquela tela minimalista com um único site, se torna uma biblioteca bagunçada de conteúdos. Às vezes as pessoas mantém aberto até mesmo um conteúdo já visitado, pela praticidade de tê-lo ali pra uma conferência, um compartilhamento futuro, etc. Sem perceber, elas se afogam em uma malha confusa de dados que não as ajuda a ir pra frente. Ficam com os pés presos nessa malha e estão quase sempre irritadiças por isso.

Este tipo de situação pode ocorrer em diversos setores da vida. O grande segredo pra se livrar dessa tensão gerada pelo acúmulo é, exatamente, não permitir o acúmulo. Assim que fizer proveito de um conteúdo, você já pode descartá-lo para ir ao próximo momento, próxima tarefa. Estar em dia com cada um desses conteúdos, te faz perceber que, na verdade, você ganha mais tempo. Torna-se mais eficiente em criar, pensar, interagir e viver, pois dedica menos tempo mental e/ou físico em cada uma dessas atividades. Quando você percebe que está completando uma tarefa com menos tensão e menos esforço, seu cérebro sente-se recompensado por aquela atividade e permanece em um estado melhor para a próxima tarefa. Isso se torna uma sequência de bem-estar associada a sua produtividade e é isso que você vai adorar ter ao lembrar do quanto você tem feito por você mesmo, diante da imensidão de coisas que existem ao redor.

Para muitas pessoas a satisfação pessoal advém do cumprimento dessas metas. E para que as pessoas possam chegar felizes em seus objetivos, elas precisam limpar o caminho para não tropeçar na desorganização ou na desmotivação que isso causa. Um ambiente favorável é aquele onde não temos que nos preocupar com excesso de estímulos para serem processados. Neste tipo de ambiente clean pode-se perceber um aumento substancial do seu bem-estar físico e mental. Não é uma garantia de que você vá se tornar uma pessoa feliz, mas com certeza vai concretizar melhor suas tarefas e isso pode ser um ponto valioso pra te entusiasmar a fazer mais e/ou melhor. Para muitas pessoas, isso ajuda a tornar-se mais satisfeito e feliz.

Para se estar em dia com as coisas, é preciso entender que não teremos como abraçar o mundo de uma vez só e que está tudo bem, afinal essa premissa é a mesma para todo ser humano. Temos que ser conscientes de que o volume de estímulos tende sempre a ser maior do que cada pessoa é capaz de gerenciar. Então, é preciso filtrar o máximo possível com base na necessidade e qualidade. Elimine do seu campo aquilo que não está em uso no momento. Feche as abas de navegador depois de visualizar o conteúdo; procure manter-se desconectado de sites e aplicativos que emanam alertas de mensagens ou atualizações; desligue o celular durante uma tarefa de criação ou concentração; limpe sua mesa de trabalho e guarde tudo que não for utilizar na sua próxima tarefa; mantenha seus livros guardados com algum critério, para que sejam fáceis de encontrar futuramente; mantenha suas tarefas domésticas em dia, como a louça e roupas lavadas, a arrumação do quarto, etc. Enfim, faça seu cérebro perceber um contexto simples na vida, pra que você possa dedicar seu esforço no progresso de outras atividades, ao invés de dispersar energia com o que costumeiramente fica sem ser resolvido.

A mente consciente não percebe grande parte das coisas, mas a mente inconsciente sabe que determinado objeto está em cima da mesa, que determinado livro não terminou de ser lido, que as roupas no varal não foram recolhidas, que a louça ainda não foi lavada e que aquelas abas do navegador ainda permanecem ativas, mesmo que você sequer possa ver todas no estreito espaço da sua tela. Tudo isso acaba perturbando a mente e enfraquece nossa disposição em ser e fazer.

Através do minimalismo, conquistei muito progresso pessoal. Quando não tive mais que me preocupar com um quarto cheio de objetos, uma casa cheia de móveis e uma vida cheia de estímulos desnecessários, minha mente finalmente focou naquilo que era importante pra minha vida. Essa mudança trouxe, inclusive, um bem-estar e facilidade em cumprir as tarefas secundárias de menor importância, como lavar a roupa, a louça, se programar pra ir pagar as contas ou almoçar. Quando tudo isso se torna organizado e simplificado, não se torna uma obrigação chata, mas apenas um momento rápido e fácil. E se sua mente vai bem ao longo dessas centenas de pequenas situações, seu dia se torna um bloco de sucesso. É basicamente isso que te dá tempo e motivação pra fazer algo um pouco maior, já que agora sua vida e sua mente possuem espaço. Mente zen, vida zen. Quando você reduz o tamanho do mundo, formigas podem se tornar gigantes. Crescer como pessoa e progredir em suas atividades, seja trabalho, arte, hobby, estudo ou relacionamentos, está muito relacionado com as suas prioridades e em como você está tranquilo para gerenciar as coisas menores ao redor. Começar a desenhar em uma folha em branco é muito mais fácil do que ter que apagar uma folha primeiro pra só depois poder reutilizá-la.

Rodrigo Meyer

Você tem ídolos apenas na Música e Cinema?

Quando falamos em cultura, existe uma tendência das pessoas na atualidade associarem isso a um combinado restrito de música e cinema. É como se todo o restante da expressão cultural sequer existisse. Eventualmente, em menor quantidade, algumas pessoas falam sobre comida, literatura, arquitetura, gírias, hábitos, festividades, folclore, personagens históricos, tradições familiares, tradições locais, costumes, figurinos, modos de socialização, de trabalho, metas, lifestyle, etc. Raras vezes vi alguém incluir como cultura autores contemporâneos de filme ou livro e ainda menos de pensadores ou filósofos que não fossem aqueles bizarros convenientemente forjados pela chamada ‘grande mídia’ para tentar encobrir a triste realidade da ignorância humana.

Navegue por aplicativos ou redes sociais e verá que as principais possibilidades para podemos expressar nossa personalidade diante da nossa cultura está, praticamente, restrita a esporte, música, cinema, televisão e marcas de produtos. Desde algum tempo o Facebook permite destacar ‘restaurantes’ como um dos grupos de informações de nossos profiles. Sejamos realistas: uma rede social desse tamanho lida com a média do público e a tendência de conduta. Como esperado, onde se fala muito de futebol, basquete, baseball e outros esportes populares no mundo ou em grandes regiões, há um espaço reservado pro usuário expressar sua apreciação ou apoio a times, instituições ou eventos relacionados a isso. Em contrapartida, você não verá o formulário das redes sociais, principalmente as que são tão grandes quanto o Facebook, indagarem aspectos “irrelevantes” da vida dos usuários como, por exemplo, seus ídolos na Filosofia ou  suas temáticas de estudo. Para a maioria deles, é mais importante e coerente saber aquilo que as pessoas geralmente estão coletivamente envolvidas. E, por isso mesmo, as redes sociais retratam apenas a limitação dos próprios usuários.

Contudo, o mundo virtual não é o único lugar onde podemos expressar ou exercer nossa cultura ou personalidade. Mas, mesmo offiline, ainda é difícil permear certas áreas da vida ao interagirmos com as pessoas, seja numa conversa ou dividindo atividades. Os campos de interesse da maioria das pessoas parece sumir a cada ano. Infelizmente essa não é apenas a minha visão dos fatos. Em 2016 uma pesquisa mostrava que praticamente metade da população brasileira não lia e que boa parte dessas pessoas nunca compraram um livro sequer na vida. Engana-se quem pensa que isso está relacionado aos preços dos livros, pois outras formas de conteúdos, mídias, produtos e serviços tiveram alta. É comum vermos as pessoas se dobrarem pra conseguir ver um ídolo da música, assistir a um show ou mesmo pagar o caro e péssimo serviço de internet pra poder consumir alguns vídeos de seus youtubers preferidos. Afinal, pra onde está indo o foco da humanidade em termos de cultura?

Não tenho tanta propriedade pra falar de todos os países, mas tenho uma noção geral de como anda a humanidade, por conta do que se torna mainstream em determinados países e acabam por se tornar internacionais e icônicos na televisão, internet e até mesmo na rotina diária de alguns locais, devido a globalização. Como se não bastasse estarem restritos a vídeo e música, grande parte do que consomem é de origem estrangeira, principalmente Estados Unidos e Inglaterra. Antes da internet, absorvíamos cultura estrangeira através de lentas inserções avulsas de viajantes, o que podia levar até 20 anos pra transportar a realidade de uma época para outra região do mundo. No Brasil, foi exatamente isso que ocorreu com o que chamamos de ‘Anos 80’, por exemplo.

Atualmente, o que estiver ocorrendo de tendência cultural em um local, abrangerá simultaneamente os demais países, devido a velocidade com que isso se propaga pelas mídias modernas. Em parte, algo excelente, pois traz diversidade de conteúdos e oxigena o mundo com o que vários tipos de pessoas tem pra oferecer. O ponto negativo disso é que ficamos golpeados com mais do mesmo, já que, em pouco tempo, as pessoas deixam de ter algo realmente próprio pra compartilhar, já que o conteúdo internacional recebido era, basicamente, o mesmo em todos os países. É fácil de resumir isso, fazendo uma analogia com o café: existe água e existe pó de café. Separados, eles são bem diferentes entre si. Mas depois que você os mistura, torna-se a bebida mundialmente conhecida que todos reconhecem o sabor e aparência, mas que já não pode mais ser desfeita pra isolar água e pó. Isso não é necessariamente ruim, pois traz a possibilidade de algo novo e permite que os que tinham apenas água, agora tenham tanto a água pura quanto o café finalizado. Da mesma forma, os que tinham apenas o pó de café, agora teriam também a possibilidade adicional da água. Novos conteúdos, de diferentes culturas e regiões, não são problemas, a princípio, pois são opções adicionais de soluções. Tornam-se um problema somente a partir do momento em que as pessoas se fecham para a criação ou valorização da própria cultura em detrimento do consumo restrito de uma cultura mastigada internacional ou de um país dominante nesse sentido.

Perdemos muito, em termos de cultura, quando abandonamos nosso Cinema em detrimento de grandes produções de Hollywood. Nos tornamos piores leitores e escritores quando abrimos mão da Literatura para focar exclusivamente em filmes, seriados, música e esportes. É evidente que cada pessoa tem preferências diferentes, mas se a ideia é ressaltar a diversidade dos indivíduos, nada mais contraditório do que ter uma massa de humanos, no mundo inteiro, vivendo basicamente sobre as mesmas realidades, os mesmos hábitos de consumo, os mesmos ídolos e áreas de interesse. Diversidade real é encontrar lugares onde as pessoas apreciam filmes americanos ao mesmo tempo em que apreciam outra nacionalidade ou estilo de cinema. Compreende? Se você sair a campo e perguntar para as pessoas quem são seus ídolos no esporte, a maioria conseguirá lembrar das mesmas figuras, provavelmente todas do futebol. Viajando pelo mundo e repetindo a pesquisa, você verá os mesmos nomes sendo citados, uma vez que o Brasil se tornou icônico no mundo pelos jogadores de futebol que começaram aqui e depois partiram pra times de fama internacional.

Tão ruim quanto não conhecer a cultura de outras regiões é conhecer apenas os estereótipos associados a elas. Isso é das coisas mais contraproducentes em cultura, pois já somos imensamente silenciados pelos governos e pelas pressões sociais / familiares. Nos tornamos pessoas moldadas por restrições do que podemos ser, fazer, pensar, ter. Passamos a acreditar nos sonhos alheios e não nos nossos próprios sonhos. Crescemos acreditando que é mais importante e/ou valioso ser fã de um artista da música do que criarmos nossa própria música, do nosso próprio jeito.

Assim como ocorre com a comida, a cultura enlatada também é inferior. A cultura enlatada é industrializada e feita pra ser consumida de forma instantânea e massiva. Talvez seja esse modelo de cultura industrializada que esteja dificultando o surgimento da cultura natural. Corremos o risco de não sabermos distinguir mais o que é artificial de natural. Quando penso nessa ideia, surge na minha mente preocupada a imagem de uma mexerica sem casca, separada em gomos, sendo vendida em uma bandeja de isopor coberta com plástico, pronta para o consumo, para que o fútil consumidor não tenha o “desprazer” de ter que descascar a fruta inteira. Quando me deparei com essa imagem na internet pela primeira vez, comecei a duvidar da capacidade humana. Era pra termos erradicado a fome e miséria no mundo e estarmos nos divertindo com carros voadores e holografia, mas estamos apenas andando pra trás e passando vergonha.

Uns 10 anos atrás, um escritor americano ganhava visibilidade no Brasil. Ainda hoje ouço as pessoas se referirem a ele como algo novo. Consigo entender que cada pessoa descobre os conteúdos ao seu próprio tempo, especialmente se não estiver tão mergulhada em moldes limitadores de moda ou tendência. E é exatamente isso que é o recomendável. É, de certa forma, bom saber que parte das pessoas não está amarrada a determinados modelos de consumo de conteúdo ou mídia. São essas pessoas que de fato estão absorvendo e/ou produzindo cultura natural de uma maneira mais saudável e útil. Essas pessoas é que, frequentemente, podem dividir conosco as ideias ou inspirações de um autor menos conhecido ou até mesmo anônimo. Inúmeras vezes tive minha esperança restaurada ao ver que alguém podia citar nomes na Psicologia além de Freud e Jung. Não se trata de desvalorizar as duas figuras, mas apenas incentivar mais conhecimento, através de outras portas. De maneira igual, está tudo bem conhecer Star Wars, mas o que temos no Cinema além disso? Quando poderemos sentar pra assistir algo que não seja mais do mesmo? Está tudo bem saber quem são os Beatles ou o Legião Urbana, mas quem mais está criando coisas interessantes nas esquinas esquecidas pelo grande público? Percebe?

A cultura, em essência, é tudo aquilo que todos nós podemos gerar, tanto pelos nossos hábitos do dia-a-dia, quanto pelas nossas criações e pensamentos. A cultura é tanto aquele livro que se torna best-seller quanto uma frase escrita em um muro da cidade. Cultura é o ‘arroz com feijão’ tão comum no Brasil, como também aquele prato que cozinhamos pela primeira vez pra tentar surpreender uma visita. É cultura o jeito de se vestir, de falar, de cumprimentar, de trazer algo divertido sobre a própria sociedade ou humanidade. É cultura aquele poema cimentado em um blog, aquele trecho de música autoral do anônimo que ninguém sequer pensaria em pesquisar e aquele projeto de arquitetura rabiscado num papel esquecido na gaveta. Também é cultura aquela turma que se reúne frequentemente num determinado bar, com suas roupas e estilos próprios, seu modo de encontrar entretenimento na noite, suas bebidas, suas piadas, seus planos de viagem, seus abraços, seus pedaços e mais pedaços.

Não existe mundo sem cultura. Tudo que somos é um ato cultural. Deixar a cultura de lado é deixar de exercer nosso próprio potencial humano. A medida em que nos rendemos a mesmice do mundo, nos concentrando somente nos estereótipos e clichês, ficamos menores, mais pobres de coração e de mente. O brilho nos olhos se perde a cada vez que nosso entusiasmo se afoga na repetição de coisas vazias e sem mensagem, pois tais coisas não nos fazem pensar, não nos fazem refletir, não nos incentiva a agir ou mudar, não nos permite exercer intervenções no mundo a nosso próprio favor e não nos desamarra de nossas próprias fraquezas. Tais coisas nos mantém acomodados, convenientemente iludidos e conformados, sem nunca incomodar quem lucra muito dinheiro às custas da nossa falta de percepção da realidade, da nossa precariedade na educação, da ausência de exercício de nossos pensamentos e direitos, como também da nossa facilidade em aceitar a pequenez como opção, pra esse mundo já tão restrito em diversidade. A cada vez que permitimos que o mundo fique menos diverso, damos um voto de incentivo para nossa própria anulação, nossa própria destruição. Nada mais ofensivo  para o ser humano que impedi-lo de sua autêntica transformação. Talvez nossos corpos e mentes estejam se adaptando, mas, definitivamente, não estamos evoluindo.

Rodrigo Meyer

Até que ponto a privacidade importa?

Todo ser humano tem, ou deveria ter, seus momentos pessoais, sua privacidade, seu tempo isolado do restante das pessoas. A depender do modelo de sociedade, isso pode ser mais incisivo ou menos, mas todos nós, em menor ou maior grau, tem ou precisa ter alguma privacidade. Nos tempos modernos, isso pode estar se perdendo devido ao vício em tecnologia em um modelo que incentiva a exposição de dados e a própria imagem.

Nas redes sociais como Facebook, Instagram e similares, parece haver uma disputa por espaço e visualizações que fisga, principalmente, os mais inseguros. As pessoas parecem usar a simbólica aprovação virtual nessas mídias como compensação pela necessidade de se sentirem importantes ou apreciadas na vida real. É uma espécie de efeito colateral da insegurança ou falta  de amor-próprio. A pessoa pode estar carente por atenção e validações positivas, mesmo que sejam apenas representações como o surgimento de um novo inscrito, seguidor ou uma sinalização de ‘like’ em uma mídia ou publicação.

Toda mídia nasce pra ser exposta, mas isso não significa que a exposição precisa ser da pessoa ou de sua privacidade. Uma coisa é um músico fazer um show diante de uma plateia e outra, completamente diferente, é expor publicamente sua rotina, sua imagem fora dos palcos. Mas, vivemos tempos onde os exemplos de sucesso na internet se tornaram uma meta de trabalho pra muita gente. As pessoas querem viver o sonho de poder ganhar dinheiro trabalhando com mídias a partir de suas próprias casas. A princípio isso não tem problema algum, mas começa a ser prejudicial quando as pessoas querem chegar em algum lugar, mas não possuem nada importante para mostrar. Na ausência de uma criação, elas acabam se tornando o próprio conteúdo da mídia.

Parece cômico quando descrevemos isso, mas existem milhares e milhares de pessoas que conquistam visualizações e fãs apenas por se exporem e não por criarem algo. Provavelmente seriam anônimos em tempos anteriores à internet ou às redes sociais virtuais, mas atualmente estão se tornando celebridades que vieram de lugar nenhum e caminham sabe-se lá pra onde. É compreensível que alguém veja um músico, goste do trabalho dele e torne-se interessado de ver seu site, suas fotos ou até mesmo algumas curiosidades de sua vida pessoal, mas o que dizer de alguém que não está produzindo nada? Por qual razão as pessoas estão dando validações à pessoas que ligam suas câmeras de vídeo, gravam qualquer aleatoriedade e sobem esses vídeos para internet em busca de algum sucesso? É preocupante o nível de quem assiste esses “conteúdos” e de que os cria. Estranhamente, essas duas pessoas foram feitas uma para as outras. E são muitas.

Resumidamente, as pessoas descobriram que a mesma curiosidade vazia e doentia que elas possuem das banalidades, outras pessoas também possuem e, então, esse seria um jeito fácil de atrair muita atenção na sociedade, agora que elas podem simplesmente ligar um dispositivo e alcançar milhares de pessoas no mundo, via internet. Com a remuneração vinda de sites como Youtube e similares, as pessoas estão  vidradas em querer chegar o mais rápido possível no objetivo ilusório da fama, da popularidade ou mesmo da riqueza financeira. Isso se torna especialmente danoso quando essas pessoas de fato alcançam essas metas e percebem que é possível ser fútil e ser recompensado com dinheiro, fama ou qualquer que seja o objetivo sonhado pela pessoa. Então, esse sistema incentiva pessoas já enfraquecidas da mente a intensificarem esse modelo de vida. E exemplos não faltam. Recentemente veio à tona o caso de um youtuber que, para conseguir visualizações, apelou para a extrema irresponsabilidade, gravando um vídeo em formato de vlog fazendo sensacionalismo, humor e deboche de uma área no Japão onde costumam ocorrer muitos suicídios. Há algum tempo atrás uma pessoa disparou um tiro em si mesma como forma de “conteúdo” para um vídeo pra internet e acabou morrendo.

Embora a idiotice humana esteja mais evidente nesses casos citados, ela está presente em inúmeras outras situações que talvez sejam menos notadas ou citadas, justamente porque causam menos repercussão social, já que não lidam diretamente com a morte. O ser humano parece ignorar os danos antes que eles se tornem drasticamente um assunto de vida ou morte. Mas você já parou pra pensar em quantas outras coisas “mais leves” essas pessoas já tentaram antes de apelar pra esse tipo de vídeo drástico? Você já pensou no tipo de obstinação que essas pessoas estão atrás de mais e mais visualizações e lucro, a ponto de ignorar qualquer tipo de valor ou racionalidade, usando a imbecilidade como recurso de pseudo-entretenimento, apenas por saberem que sensacionalismo vazio pode finalmente tirá-las da miséria financeira? Que tipo de mensagem isso passa pra humanidade? Que tipo de pessoas serão formadas a partir desse público assistindo isso?

É fácil perceber que o futuro poderá ser assustador em um mundo onde as pessoas farão qualquer coisa por mais visualizações, mais dinheiro e mais atenção. Se elas já aceitam zombar do suicídio ou arriscarem-se a um tiro de arma apenas para atiçar a curiosidade das pessoas sobre aquele vídeo, imagina no que mais estarão dispostas, quando sentirem a pressão da “concorrência” em uma internet cada vez mais acessível, cada vez mais veloz e cada vez mais rasa. Lembre-se que alguns exemplos são apenas casos pinçados na memória dos últimos tempos e que é difícil mensurar quão mais longe isso vai em termos de quantidade e de má qualidade, mas as estatísticas dessas plataformas de “conteúdo” resumem bem pra onde estão indo a atenção social e o dinheiro. Infelizmente as notícias não são boas.

A privacidade morreu desde que as pessoas decidiram preencher formulários sobre seus gostos musicais, suas marcas preferidas, seus hobbies, seus espaços de trabalho, seus telefones, etc. O Facebook é um imenso compilado da vida de cada membro. A medida em que interagem pela exposição de suas privacidades, removem a última barreira entre elas e os anunciantes. Agora, governos e empresas podem ter, facilmente, informações valiosas pra determinar como manejar o público pra um determinado objetivo. Pode soar como alarmista, mas isso já é feito há muito anos na internet e já existia até mesmo, com menor eficácia, nos tempos de televisão. A internet, infelizmente, conecta o próprio consumidor diretamente com as mídias, fazendo ele se tornar um funcionário eficiente que não só entrega todo seus dados de graça como ainda paga pra fazer isso através das caras mensalidades dos serviços precários de acesso à internet.

Antes da era dos reality shows as pessoas se surpreenderiam de ver pessoas se expondo 24 horas por dia diante das câmeras para um grande público. Foi exatamente essa surpresa que atraiu também a atenção problemática para este tipo de programa nas televisões. O sucesso desse tipo de conteúdo inútil abriu um precedente desastroso pras mídias vindouras na internet. Agora as pessoas podem ter seus próprios reality shows feitos de suas próprias casas. Já não se importam de ligar a câmera e se filmarem almoçando, dormindo, usando o banheiro, viajando, interagindo com parentes. Perceba que a crítica não é para as pessoas que sentem-se livres e à vontade diante dessas atividades a ponto de não se importarem de dividir um vídeo com isso. A crítica é sobre as pessoas estarem se forçando a perder uma privacidade que antes tinham vergonha de expor e agora o fazem estritamente pela pressão pessoal e social de ganhar dinheiro e fama com esse acordo. Cada vez mais se permitem serem pisadas e também de pisar em troca do crescimento das estatísticas dessas mídias. Percebe a diferença?

Eu, por exemplo, não me imaginaria correndo atrás de fama e dinheiro usando minha rotina como ponte. Não é com esse tipo de ação que eu pretendo chegar a mais pessoas ou a algum dinheiro. Sendo bem simplista na analogia, a sociedade atual está fazendo com suas vidas pessoais e profissionais o mesmo que a indústria pornográfica fez com o Cinema: substituíram os roteiros e produções por cenas extremadas de algo que muitas pessoas desejarão ver, não pela qualidade, mas pela curiosidade ou impulso. Aliás, diga-se de passagem, o próprio Cinema fez e faz apelos sexuais para engajar plateias. Imagina quão pior está em mídias que já nasceram sem roteiros ou objetivos consistentes. Me desculpe por relembrar, mas o Youtube já foi palco pra uma pessoa beber água com fezes em um vídeo para viralizar em busca de fama. Se isso não é imbecil o suficiente em todos os sentidos, eu não sei mais o que seria.

Diante de tudo isso que foi dito, ficam algumas perguntas: Até que ponto a privacidade importa? Será que as pessoas realmente valorizam a privacidade? O que sobrará pra desvendarmos se tudo nas pessoas já está exposto de maneira automática praticamente? Quem serão essas pessoas daqui alguns anos, tentando se destacar no meio de outros sensacionalismos extremados? Que tipo de saúde psicológica e física essas pessoas terão debaixo desse modelo de vida que está se tornando tendência internacional? Que tipo de vida pessoal e social essas pessoas terão, se tudo que fazem na intimidade é recheio para o trabalho?

Se tornaram escravas por opção ao trabalhar 24 horas por dia, em condições questionáveis, para gerar um conteúdo dispensável, mas que, infelizmente, outras mentes vazias podem ter disposição de absorver pois vivem como zumbis acorrentados na frente de um celular ou computador. Muitas dessas pessoas já não filtram nem mesmo a privacidade sexual, em um mundo onde a troca dos chamados ‘nudes‘ se tornou tão corriqueira que as pessoas acreditam ser necessário e normal. Acostumadas a se exporem em formulários, interações, fotos e vídeos, chegam a cobrar dos outros que façam o mesmo. Uma triste maneira das pessoas se escolherem entre si com base em estereótipos, rótulos, fotos forjadas e todo tipo de alucinação que figura ao lado da realidade aberta dessas pessoas.

Estamos pulando fases importantes da socialização e da descoberta da vida. Nossas premissas de valor e objetivos estão escorrendo por entre nossas mãos, a medida em que tentamos segurar esse mar de ilusões pautadas em status, dinheiro, poder, aceitação, validação pública, etc. Extremamente danoso, extremamente perigoso, extremamente “humano” nos tempos atuais.

Rodrigo Meyer

A diferença entre ideologia e supostos adeptos.

Um erro comum causado pelo preconceito é definir a qualidade de uma ideologia pela qualidade de uma pessoa que se diz adepta de tal ideologia. Não se pode dizer, por exemplo, que a Matemática é uma ideia equivocada, apenas porque um estudioso da matemática leva uma vida pessoal ou pública com condutas pejorativas. São coisas totalmente distintas e isoladas. Neste exemplo, a Matemática nada tem a ver com o indivíduo e, portanto, a qualidade ou veracidade da Matemática independe das características desse indivíduo.

De maneira igual deve-se tratar todas as ideias e ideologias no mundo. Dentro de boas ideias, sempre existiram pessoas que não tinha alinhamento suficiente a tal. Em diversas religiões, por exemplo, vemos, muitas vezes, mensagens de tolerância, bom comportamento, amor ao próximo, transformação pessoal, ao mesmo tempo em que vemos inúmeros casos de pessoas usando o crachá da religião pra cometerem inúmeros crimes e atos contrários aos próprios valores iniciais desta religião. No Brasil, inclusive, reina uma imensidão de hipócritas que se escondem atrás de um suposto cristianismo, pra pautar seus discursos de falsa moralidade e até de posicionamento político. Tragicômico ver, por exemplo, indivíduos que se intitulam cristãos, mas são alinhados com uma posição política de direita, quando, deveriam saber que o próprio Jesus Cristo, esta persona que alguns “cristãos” dizem seguir, é, possivelmente, a pessoa mais de esquerda possível.

No campo da política e das causas sociais, também existem inúmeras contradições berrantes. Entre as pessoas que dizem ser a favor da vida, são frequentes os casos de discursos de violência, pena de morte, entre outras formas de se eliminar a vida. Algumas pessoas dizem ser a favor da liberdade de expressão, desde que essa liberdade seja dada apenas pra elas proferirem discurso de ódio e não pra que todos os indivíduos tenham voz, especialmente os que quase sempre foram ignorados ou silenciados pela sociedade preconceituosa. Também será possível ver algumas pessoas falarem em respeito, desde que somente elas recebam o respeito sem nunca respeitarem os demais. Essas ideologias independem da conduta e do pensamento dos indivíduos. Podem carregar títulos, crachás e até erguer bandeiras para determinado grupo ou ideia, mas, na prática, continuam incoerentes e distantes dessas ideologias.

Por trás desses discursos de fachada, figuram muitas questões sociais, políticas e psicológicas. As pessoas que usurpam de um título ou temática, geralmente fazem isso por decisão fria de controle das pessoas ou por uma certa ignorância generalizada sobre o tema e a vida, de forma que acabam aderindo a estereótipos equivocados e ilusórios de outros indivíduos que fizeram semelhante adesão. É o caso, por exemplo, da pessoa que escolhe determinada religião pra “seguir” ou se dizer adepta, apenas como forma de se enquadrar em um grupo virtual onde reconhece condutas recorrentes que estão alinhadas com suas práticas ou pensamentos reais. Então, mesmo que, por exemplo, determinada religião nada tenha a ver com os ideais morais e políticos de um suposto adepto, ele escolhe essa religião, pois sabe que muitos outros indivíduos similares escolheram aquele rótulo inadequado antes, justamente pra dar nome e falso pretexto pra um encadeamento de ideias ou condutas que são de outro grupo, outro setor ou simplesmente de um aglomerado de indivíduos avulsos.

Um exemplo clássico de patetismo desenfreado é a usurpação da religião pelo grupo racista Ku Klux Klan (por vezes conhecido pela sigla KKK). É duro de acreditar, mas tais indivíduos se consideram cristãos. Imagine só se soubessem que a figura central do Cristianismo, Jesus Cristo, seria uma vítima fácil deles mesmos, posto que esta persona não era um indivíduo de pele clara e muito menos adepto do preconceito e violência. Nos Estados Unidos, de onde se origina essa utópica organização racista, vê-se pessoas alucinando dia e noite, replicando discursos de ódio ao mesmo tempo em que, supostamente, seriam cristãos. Seria pressuposto, pela lógica, que um cristão tivesse afinidade com os ideais e a postura de Jesus Cristo, mas, na verdade, muitos deles, odiariam ou até matariam qualquer indivíduo que tivesse aparência ou postura semelhante a de Jesus. Portanto, não há como dizer que os ideais propagados por Jesus sejam ruins, apenas porque uma quantidade enorme de supostos seguidores fazem exatamente o oposto do que ele propagou. Nem preciso dizer que a própria fundação da Igreja Católica como instituição já é uma aberração pela contradição com a origem do que se convencionou chamar de Cristianismo ou, mais ainda, com as práticas totais e/ou reais da figura de Jesus. Você se surpreenderia com a imensidão da lista de itens que os seguidores póstumos criticam e que na verdade eram as práticas do próprio Jesus.

Saindo um pouco desse exemplo, e abrangendo outros temas, podemos falar também de questões menores e corriqueiras. Você já deve ter visto gente fazer discurso bonito de como é errado e injusto o roubo. Repudiam ladrões, mas não abrem mão de comprar aquela câmera fotográfica advinda de furto ou assalto que estava com um preço mais acessível. Pessoas contraditórias assim são as que querem ter emprego sem serem assaltadas, mas não abrem mão de adquirir televisão por assinatura de forma ilegal, sem pagar pelo serviço. A moralidade pra essas pessoas vale só quando for conveniente e não como um ideal real. Logo a ideologia nada tem a ver de fato com essas pessoas. A ideologia de não roubar passa longe da mente daqueles que aceitam roubar, se for pra benefício próprio e não para perda diante de outro indivíduo. Percebe?

Cabem também nesta estrutura, aqueles que se dizem contra a corrupção, mas são os mesmos que sonegam impostos, furam fila, oferecem propina pra burlar a apreensão do carro, mentem pra uma mídia pra forjar vantagem a determinada ideia ou grupo, entre outras inúmeras possibilidades. No fim das contas essa conduta é o clássico da postura torta de grande parte dos humanos em todo o mundo, em quase todas as eras. Sobra na Terra indivíduos corrompidos, fazendo esse desvio de conduta parecer ser normal, de tão comum que é. Mas, a lógica nos obriga a esclarecer que: comum é diferente de normal. Se muita gente passa a construir rodas quadradas, essa roda não passa a ser normal, mas apenas comum. E pra que estejamos escolados e preparados para a vida, precisamos saber diferenciar uma ideia / ideologia de um indivíduo e/ou suposto adepto / seguidor. Quando você ver alguém criticar uma ideologia política, por conta do que um determinado governo ou país fez ou faz sob aquele rótulo, você já sabe que este alguém pouco ou nada entende do assunto e não tem intelecto e/ou maturidade suficiente pra lidar com tal conteúdo. Para se obter algo sólido e realista, é preciso que o conteúdo venha de alguém que não caia na tolice de misturar uma coisa com outra, pois pré-conceito (origem da palavra ‘preconceito’) e ignorância, que, na prática, são sinônimos, devem ser evitados.

Rodrigo Meyer