A morte da Vereadora Marielle Franco.

O Ministério dos Fatos adverte: Esse texto pode fazer gente que veste a carapuça ficar nervosinha. Ao primeiro sinal dos sintomas, busque ajuda psiquiátrica.

Marielle Franco, vereadora do PSOL-RJ foi executada no dia 14 de Março de 2018, por volta das 21h30. O motivo, como se pode deduzir facilmente pelo cruzamento das notícias é simplesmente ter sido honesta. Sabemos, honestidade nesse mundo não é tolerada.

No dia 28 de Fevereiro de 2018, Marielle Franco foi nomeada relatora da comissão que iria acompanhar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro, pra assegurar que não houvesse abusos, extermínios e outros crimes por parte da quadrilha fardada.

Logo depois, em 10 de Março de 2018, Marielle denuncia a violência “policial” em Acari. E por fim, em 14 de Março de 2018, ela é executada depois de sair de um evento. A criminalidade da quadrilha fardada já está tão arraigada no Brasil e em vários países do mundo, que neste episódio de execução, os executores não tentaram sequer maquiar a situação. E isso você pode notar ao comparar dois trechos desta notícia da mídia suja do G1 da suja Globo, os quais transcreverei abaixo:

No sábado (10), Marielle fez uma postagem no Twitter reclamando da ação dos PMs em Acari: “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu ela.

Na reportagem alguém deve ter enfiado um sorvete na testa ao afirmar estes dois próxima parágrafos contraditórios:

Parágrafo 1: “fontes da polícia dizem que todos os indícios, até o momento, indicam que o crime se trata de um assalto.”

Parágrafo 2: “Segundo as primeiras informações da PM, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Eles fugiram sem levar nada. “

Ou a “polícia” é muito burra ou é conivente com a execução. O que não impede que sejam as duas coisas. É o primeiro caso de assalto mágico onde não há assalto. Deve ser um tipo muito especial de alucinação. Mas, não. Tendo um pouco de uso da massa cefálica (o que falta a todos os fascistas), se nota que tem todas as características de um acobertamento de um crime, como sempre ocorreu aos montes, não só no Brasil como em diversos países do mundo.

Se foi retaliação por ela dizer verdades contra bandidos fardados? Precisa mesmo responder o que todo mundo tá cansado de ver e saber? A quadrilha fardada mata todo dia, por pura preguiça e falta de coragem de virar gente. A propósito, as balas  disparadas estavam registradas em nome da polícia. Entendeu ou quer que desenha?

Se ainda estiver com dificuldade de entender, eu te explico. Quando foi proposta essa intervenção no Rio de Janeiro, o “General” Vila Boas disse a seguinte frase:

“Militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”.

Se você ainda é novo do lado de fora da bolha, eu presto essa ajuda e te explico. A chamada “Comissão da Verdade” foi uma Comissão prestada depois do período da Ditadura brasileira, onde se apurava os crimes cometidos por essa corja de fascistas que tomaram o poder. Nos tempos atuais, com essa intervenção no Rio de Janeiro, a alusão à “Comissão da Verdade” é um modo de dizer que, querem continuar cometendo crimes, mas sem serem investigados e penalizados por isso. Vou resumir melhor pra você. É como se alguém dissesse: “Me deixa estuprar, torturar, matar, executar, esconder corpo na vala e disseminar nazismo, mas por favor, não me investiga não. Eu não quero ser exposto como o maior fracasso da humanidade, que não teve coragem de prestar uma única vez na vida.”

Entendido isso, voltemos ao todo do caso, da morte da vereadora Marielle Franco. Essa execução reflete uma condição que se espalhou feito câncer no país. Sabe quando você comeu cocô e foi pras ruas se masturbar na frente de militares? Então, isso empoderou esses bandidos a sentirem respaldo em seus crimes. Não que antes eles não cometessem, mas agora, sentem-se tão livres pra cometer, que já nem se preocupam mais em esconder isso da mídia. Na verdade eles querem mesmo é deixar claro que estão fazendo e continuarão a fazer, simplesmente porque são fascistas declarados, bandidos e, majoritariamente, nazistas.

Cada vez que você se lambe de tesão ao se roçar na tela do computador ou da televisão assistindo projeto de gente se anunciando com polêmicas em torno da violência, discursos de ódio, ódio de classes e todo tipo de circo, você está endossando o crime. Não temos nenhuma dúvida de que você sabe que faz isso. Nossa certeza maior é justamente de que faz porque sabe. Seu apreço pelo crime, corrupção e violência estão profundamente marcados em sua expressão diária, quando você exerce seu racismo, enaltece a violência e julga as pessoas como bandido, apenas pra desviar o dedo dos verdadeiros bandidos, aqueles, vestindo aquela farda imunda, com uma energia pútrida de carnificina, rancor, ódio, analfabetismo, xenofobia, racismo, machismo, psicopatia e um mar de outras coisas que embrulham o estômago de qualquer pessoa saudável.

O sonho de muita gente da classe média, é ver negro e pobre sendo exterminados. E pra tentar se esconder depois de um pensamento imundo desse, tenta enganar os trouxas plantando falácias e manipulações nas mídias, especialmente nas redes sociais, mostrando fotos isoladas de um ou outro morador que, já acostumado com aquele nojo da presença dos militares, segue a vida inexpressivo, de tão cansado ou, então, de uma ou duas crianças que pulam rindo em uma foto, não porque estão em acordo com o genocídio intencionado naquela área, mas porque, provavelmente, nada refletem sobre o dano que está por vir. Por muito menos, negros da periferia e da favela, são também executados por motivo nenhum, desde que algum bandido fardado tenha interesse de fazer isso, apenas colocando uma arma plantada na cena do crime, pra alegar que houve troca de tiros, mesmo quando as câmeras os flagram plantando a arma, sem tiroteio algum.

Mas, pra você que tem fetiche por bandido, especialmente os mais periculosos, e que tem ojeriza a gente honesta, eu te trago uma solução: Vá junto com os bandidos fardados a todos os eventos que eles frequentam, inclusive no estupro de moradores, na execução aleatória de pessoas por “esporte”, nas reuniões de nazismo e também nos encontros nefastos com seus próprios parentes. Vocês já possuem grandes afinidades. Agora só falta perder a covardia diante da realidade e ir encarar um dia de crimes ao lado dessa quadrilha. Muito puxado pra você? Tá mais confortável vomitar ódio só nas passeatas corruptas filmadas ao vivo pela corrupta Rede Globo, onde a quadrilha se segura pra tentar não cometer nenhum crime diante das câmeras ao vivo da emissora que apoiou abertamente a ditadura no Brasil? Poxa. Compreensível. Eu também não esperava mais de você. Eu nunca espero boa coisa de gente que tá degradada a ponto de ter fetiche sexual por bandido de alta periculosidade. Mas a boa notícia é que nos presídios ainda é permitido visitas. Então há sempre a possibilidade de se unirem, ainda mais se for presídio militar, onde é praticamente um hotel de cinco estrelas pra amontoar bandido que nem a própria corporação quis deixar pra fora (talvez pra evitar concorrência nos “negócios, se é que você me entende.).

A Economia do Brasil não caiu, ela despencou de uma altura incalculável, tal como um meteoro que veio de outra galáxia e caiu no buraco mais profundo da Terra. Desde a chegada do corrupto do Temer, diversas pessoas foram mortas quando tentavam fazer denúncias e investigações contra essa quadrilha de frouxos impotentes que se apoderou de Brasília. Temer, Cunha, Aécio e toda a corja em todos os setores, incluindo imbeciloides do Judiciário, estavam há uma infinidade de tempo mamando na corrupção através da política e foi tão somente por isso que honestos foram tirado do caminho. Você não pode se esquecer daquela conversa dos patifes onde a solução que eles propunham era “… um acordo com o Judiciário, com tudo.”. E fizeram.

Sabemos que o brasileiro médio não é politizado. A alienação é uma marca do brasileiro. A passividade e a conivência com a corrupção é imensa. Não se pode esperar que uma população que venera violência, opressão, sexismo e outros desvios de conduta como a própria corrupção, irão se engajar contra os demais que fazem isso nas empresas, na política e na polícia. Vão é se calar e chorar a miséria de país em que vivem. Quando você furta tv à cabo, quando você sonega imposto, quando você nota troco a mais e não devolve, quando você paga pra um criminoso te livrar das multas de trânsito junto ao Detran, quando você paga propina pra um bandido fardado liberar seu carro, quando você compra produtos roubados apenas porque é mais barato, você está sendo criminoso tanto quanto os demais, seja lá em que cargo estejam.

O problema nunca foi os diferentes valores financeiros da corrupção. Quem aceita roubar é ladrão igual. Não é coincidência, pois, que todos aqueles que discursaram a favor do Golpe (equivocadamente chamado de Impeachment), estavam envolvidos em corrupção. Entendeu ou quer que desenha? Posso desenhar, tenho habilidade com gráficos e ilustrações. O problema real está na base que constitui a população. Quem são as pessoas que estão sendo geradas e formadas nas famílias, nos grupos de amigo, nas escolas, nos espaços públicos, nas mídias, etc? Você já parou pra pensar na deformação do psicológico das pessoas? Vamos falar das causas do problema ou vamos ignorar tudo? Eu sempre escolhi falar da causa dos problemas e nunca ignorá-los, justamente porque não quero enxugar gelo. As pessoas não devem usar o racismo e o ódio que elas aprenderam e desenvolveram como pretexto pra suas “opiniões” e ações sociais, pois essa visão já está distorcida por um profundo desvio psicológico. Se cada indivíduo não reformar a si mesmo e virar gente, o país sempre será o bordel, o cassino e o campo de guerra do mundo. A maioria das pessoas lá fora, olham o Brasil como um banheiro aberto, onde se pode deixar 100 kg de fezes e sair. Também é o lugar onde muita gente vem pra estuprar crianças aliciadas para a prostituição destinada, majoritariamente, para estrangeiros. É também aqui que inúmeras pessoas sem índole chegam para se sentirem “em casa”, por pura afinidade com o que esse pedaço de terra (que nem de longe é país).

Enquanto vocês aplaudem a si mesmos como um exemplar da escória, o cronômetro corre e o tempo de vocês chega. O sonho de todo fraco e fascista é ver os honestos se tornarem minoria, nem que pra isso tenham que executá-los um a um, ou mesmo em massa. A pobreza e a miséria é uma dessas ferramentas de redução, a violência urbana em geral é outra, mas existem inúmeras mais. Somente uma pessoa que se odeia muito e é absurdamente covarde precisa reduzir um honesto pra se sentir finalmente acima de alguma coisa na vida, mesmo que seja por meio da matança. É o fraco, o frouxo, o acéfalo, o infeliz, que se entope de remédios pra acordar e dormir, que se joga atrás de muros pra almoçar por medo de lhe verem presente alí, vestindo farda de quadrilha, assim como a classe média e alta que tudo extorquem dos demais. Essa gente tem ojeriza a fazer esforço pra melhorar. São, basicamente, incapazes de buscar ajuda, simplesmente porque ficaram tão cegos com suas pseudo-ideologias plantadas, que não sabem como cortar as cordas da marionete que são.

Quando há uma ditadura declarada, a ação de combate a ela é mais fácil. Por isso, em pouco tempo os fascistas entenderam que a melhor forma de perpetuar a ditadura era se infiltrando na democracia. Desde o fim da ditadura no Brasil, estamos vivendo tempos de semi-democracia, pois na prática, ainda existe censura, execução, sequestro, estupro, tortura, violência, corrupção e poder nefasto aliado a quadrilha dos fardados. Enquanto o brasileiro não tomar vergonha na cara e se rebelar contra os crimes, vai viver em situações cada vez piores. Inúmeras pessoas, assim que tiveram a oportunidade, largaram esse bordel e foram viver em qualquer outro país de verdade. Não, Estados Unidos não é um deles. Falo de país, não de escritório de gerência do bordel que é o Brasil. Isso tenderá a aumentar. Porém, há alguns problemas nisso.

Justamente os que não podem sair do Brasil, são os pobres. O extermínio deles será a ação desejada quando tudo perder o rumo e as pessoas deixarem de lutar por mudanças. Quando a gente dá um passo pra frente e volta 300 passos, fica claro que não estamos sendo úteis na luta, não porque nossa iniciativa não é boa e bem estruturada, mas porque não se pode limpar um banheiro em um dia e minutos depois chegam os fascistas pra despejar 6 caminhões de fezes até vazar pelas portas e janelas. A matemática é simples: onde tem fascismo, não tem progresso. Ou se elimina os fascismo ou se convive com o retrocesso. A exemplo disso, a Alemanha fez um bom trabalho de reestruturação da população e da cultura, depois do trágico evento da Segunda Guerra Mundial. Simplesmente os alemães se sentiram tão envergonhados com o histórico de Nazismo associado ao país, que fizeram uma imensa ação de educação a partir das crianças mais pequenas, em escolas e famílias, além de iniciativas públicas diversas, incluindo museus sobre o Holocausto. Ações que remetam, de alguma forma, ao fascismo, por mais simples que sejam, incorrem em prisão. As crianças e as gerações posteriores, conseguiram plantar uma cultura de diversidade, de respeito e uma absoluta não aceitação de fascismo e racismo. Berlim, por exemplo, é considerada um pólo mundial de diversidade, onde as pessoas se sentem livres pra manifestar isso nas artes, nas subculturas, no seu jeito de ser, no seu lifestyle, no jeito de se vestir, etc. Não só em Berlim, mas praticamente todo canto da Alemanha, é possível encontrar pessoas tatuadas ocupando cargos diversos, sem sofrer nenhuma descriminação por isso. Não estou dizendo que seja o paraíso, mas certamente não é o lugar onde o fascismo tem vez.

Quando todos os demais países do mundo tiverem se emancipado, o Brasil ainda terá, pelo menos, mais 5 mil ou 10 mil anos pra chegar próximo deles. Espero, de coração, que minha previsão esteja errada, mas estando certo ou errado, de uma coisa eu sei: eu não estarei vivo pra saber o resultado. Quando eu morrer, certamente o Brasil continuará sendo uma ruína com um enorme neon dizendo “Bem vindo ao bordel mais barato e imundo do planeta. Não garantimos satisfação, mas por esse preço irrisório, você não tem direito de reclamar.”

Informações adicionais:

1. BBC Brasil: Tudo aponta pro envolvimento de bandidos fardados.

Assim como outras milícias pra calar quem denuncia bandido fardado, essa teria sido mais uma. As balas do crime pertencem a polícia.

2. Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, planta fake news.

Defecou pela boca ao inventar, por extrema má intenção, que Marielle não teria sido morta por retaliação da quadrilha fardada que ela denunciou, mas sim pelo Comando Vermelho, sugerindo que ela teria envolvimento. Nada pode ser mais imundo vindo de quem ocupa o cargo de Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Sim, os fascistas e corruptos estão principalmente nos cargos que lhes conferem poder. É assim que podem vomitar e rir da cara dos honestos que eles simplesmente odeiam.

3. Marcelo Adnet fala sobre quem tenta menosprezar ou ignorar o ocorrido.

Um tapa na cara de muita gente que só cita “outras mortes” quando é conveniente menosprezar uma em específico, exatamente esta única que lutou por todas as outras.

4. Vídeo da mídia ‘Quebrando o Tabu’ resume o ocorrido com uma reflexão.

O vídeo faz a comparação exata com a retaliação retratada no filme “Tropa de Elite” do cineasta José Padilha. Ele mesmo deixou o Brasil, quando, por conta da repercussão do filme, começou a ser perseguido e ameaçado de morte. Sabemos que a história sempre se repete. Honestidade pra quem é bandido fardado, nunca foi aceita.

5. Em Portugal, a Deputada Catarina Martins faz menção a execução de Marielle.

O fedor do fascismo no Brasil é sentido também em outros cantos do mundo. Portugal, apresenta menções sobre o ocorrido.

6. Nos Estados Unidos, o fascismo na execução de Marielle também é notado.

É ótimo ver que está tendo repercussão em todo canto. É triste ver que passamos vergonha em ser o país desse ocorrência. Enquanto uma pessoa foi executada por denunciar bandidos fardados, há gente até mesmo que expressa riso e deboche ao fato. Indignos de estar na Terra. Mas isso raramente saberão, porque possuem aversão de olhar pro póprio espelho com sinceridade.

7. Em ato de memória à Marielle Franco, um fascista surge. Veja o vídeo.

Dia 15 de Março de 2018, houve um ato em memória de Marielle Franco e contra o extermínio do povo negro. Ao final do ato, eis que surge um fascista com punho erguido, empurrando os manifestantes, falando palavras de ordem, querendo que ninguém encostasse nele. Ué? Ele quer respeito, mas não respeita os outros? Que cérebro fraco é esse que não desfaz essa contradição? Obviamente gerou revolta nos manifestantes e a resposta a isso você confere no vídeo da Arrow News, no link acima. Fascistas não passarão.

8. Tente não rir: Ministro Raul Jungmann sugere que a munição da Polícia Federal atrelada a morte de Marielle, foi furtada nos Correios em 2006 e 12 anos depois foi usada na execução.

Alegação absurda do Ministro foi rebatida pelos Correios. Além disso, por padrão, como os Correios são empresa pública, qualquer situação que envolva arma, munição, drogas e outros itens proibidos no tráfego postal dos Correios são encaminhadas à própria Polícia Federal. Agora resta saber se o eventual próprio criminoso vai se auto-investigar.

9. MBL – Movimento Bandido Livre, como é de se esperar de bandidos, propaga mentiras contra Marielle Franco.

No Brasil, a Direita, em geral, não tem ideologia alguma, exceto o banditismo. Enveredados pela corrupção, pela violência, pela difamação, pela incitação ao ódio, ao crime, ao racismo, ao machismo e ao ódio de classes, tentam arquitetar todo tipo de situação que favoreça à eles receber um pouco mais de dinheiro corrupto e manipulação das massas sem autonomia de pensamento, pra se fortalecerem como “líderes”.

10. Morte de Marielle repercute também na Argentina. Veja o vídeo.

Diferente das mídias brasileiras, o canal C5N da Argentina associou a morte da vereadora à intervenção federal no Rio de Janeiro e responsabilizou o desgoverno Temer.

11. Diante da morte de Marielle, deputados europeus pedem suspensão de negociação com o Mercosul.

A vergonha que o Brasil passa por atropelar questões óbvias em outras partes do mundo, causa mais retrocesso em todos os setores. Isso aqui nunca foi país. É só um bordel do pior tipo, do mais barato e sujo que existe.

12. Pra quem reclama “onde está o direito dos policiais”, vê se aprende alguma coisa com esse vídeo.

Gregório Duvivier explica, pra quem, em 2018, ainda não teve entendimento do óbvio, por pura preguiça ou por má fé mesmo. Dispenso, contudo, a divulgação de Karnal, até porque ou é ingênuo ou mal intencionado, uma vez que anuncia partidarismo escrachado como ação imparcial por parte de pseudo-juíz. No mais, o vídeo é muito útil.

13. Dono de site que amplificou notícias falsas sobre Marielle, admite ser um vendido para a ‘guerra política’.

E o que não falta é reacionário que tem ojeriza a estudar, compartilhando conteúdo falso por pura conveniência, só pra não ter que admitir a realidade pútrida da qual eles fazem parte e são um dos maiores responsáveis.

14. Testemunhas da execução de Marielle dão detalhes e dizem que bandidos fardados da PM as expulsaram do local ao invés de ouvir o testemunho.

15. Globo associa Flávio Bolsonaro ao assassinato de Marielle Franco.

16. Família Bolsonaro por trás do assassinato de Marielle Franco?

17. Flávio Bolsonaro foi o único deputado que votou contra conceder medalha Tirandentes a Marielle Franco.

“Nos anos de 2003 e 2004, o filho de Jair Bolsonaro (PSL) propôs homenagens ao ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e ao major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, presos na manhã desta terça-feira (22), suspeitos de integrar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora do PSol.”

18. Mãe de foragido suspeito da morte de Marielle Franco, trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro e foi citada pelo Coaf.

19. O elo entre Flávio Bolsonaro e a milícia investigada pela morte de Marielle.

20. Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete mãe e mulher de miliciano suspeito da morte de Marielle.

“A mãe do ex-capitão do Bope, que é amigo de Fabrício Queiroz, é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta do ex-assessor.”

21. PM e ex-PM são presos pelo assassinato de Marielle Franco.

“Sargento reformado da Polícia Miliar, Ronnie Lessa, teve a prisão preventiva decretada.”. Resta saber que foi o mandante do crime.

22. Quando houver mais links, publicaremos.


Rodrigo Meyer

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Muita demanda, pouca oferta.

O ser humano, geralmente, está em busca de alguma oportunidade de se destacar em uma atividade, mas as pessoas, frequentemente, possuem preguiça ou desinteresse para específicas atividades ou áreas de estudo e, justamente por isso, estas oportunidades sobram pra quem tenha disposição e interesse de ocupá-las. É como diz a expressão: “A preguiça de uns é o trabalho de outros.”.

Quando tive a oportunidade de entrar pra faculdade de Ciências da Computação, foi interessante ver quão poucas turmas e cursos haviam pra esse segmento. A sala começou com mais de 40 alunos e gradualmente foi esvaziando. No final do curso sobraram apenas umas 5 pessoas que se diplomaram e foram elas que colheram os frutos disso, ao poder brilhar em suas carreiras. Da única pessoa que eu conhecia e mantinha contato nessa fase pós-faculdade, sei que a pessoa fez ótimo proveito da carreira. Estudou pra valer, se concentrou no necessário e teve trabalhos interessantes, inclusive com a oportunidade de reinvestir em si mesma para novos cursos, viagens e aprendizados. Em resumo, em uma sala onde nem todos estavam dispostos a seguir naquela profissão ou estudo, alguns estavam e, por isso, saíram na frente.

Mas a vida é múltipla. Quando saímos de uma área ou nem sequer entramos nela, temos a oportunidade de ir pra outra atividade. Contudo, algumas atividades são tão comuns, que estão saturadas. É o caso da área de Direito, onde muita gente se forma, mas a seleção da OAB filtra, por prova, os melhores, justamente pra não saturar o mercado de gente que vai acabar não tendo espaço pra exercer a profissão pretendida. Diversas outras áreas também se tornaram “febre”, por assim dizer, deixando áreas menos comuns com menos interessados e, portanto, com menos concorrência. A concorrência em si não é ruim, mas quando o mercado se satura exclusivamente de umas poucas profissões, isso desestabiliza a sociedade, pois o mundo não precisa só de meia dúzia de tipos de profissionais, serviços ou produtos. Então, a diversidade é mais saudável e útil para a própria sociedade, tanto coletivamente, quanto pelo benefício pessoal de conseguir se estabelecer profissionalmente como indivíduo.

A realização pessoal de muita gente acaba revista quando notam que, embora gostem de uma determinada área, não conseguem sobreviver com a realidade do mercado gerada em um contexto de saturação ou de desvalorização. Ocorre, também, das pessoas terem expectativas muito otimistas sobre determinada profissão ou área de estudo e acabarem frustradas ao descobrir que, na prática, não é tão glamouroso como pensavam. Tudo isso gera uma adequação quase que automática, colocando pessoas indispostas para fora de uma atividade e segurando as que se adequaram. Não há problema algum em se descobrir incompatível ou desinteressado com determinada área. Tudo que temos que fazer é exatamente nos descobrir, pra podermos fazer escolhas mais assertivas. Foi assim comigo quando abandonei a faculdade de Ciências da Computação por ver que não estava apto a lidar com tanta matemática enquanto ainda tinha que tentar absorver os princípios da computação em si. Admiro quem consegue e sigo interessado pela área, mas só volto à mergulhar nela se eventualmente me sentir apto a lidar com a quantidade de matemática que me freou na época.

Ao invés de me sentir frustrado, eu segui para outro curso. Fiz a faculdade de Comunicação Social e realmente me senti entretido o suficiente pra chegar até o final das aulas. Foi uma experiência muito boa pra mim, especialmente pelos professores que conheci e pelos momentos divididos entre as pessoas da época, pelos corredores, bares e casas noturnas. Mas, meu objetivo neste curso, por já ter conhecimento na área, não era ter determinados tipos de emprego como era pra todos os demais alunos. Pode-se dizer que fui a ‘ovelha-negra’ do curso, mas sigo tirando proveito e trabalhando com isso exatamente no espaço deixado pelos demais. Enquanto eles tentam ocupar uma área que, pra mim, era insatisfatória, discordante e saturada, eu escolhi atuar justamente onde ninguém tinha olhos ou interesse: apoiar pessoas, causas e pequenos negócios com ajuda do conhecimento que eu tinha. Apesar de não ter dinheiro pra gerir minhas próprias iniciativas nesses meios, consegui alavancar muito bem minhas mídias e ideias, até o ponto onde elas só não progrediram pra algo maior, por essa barreira financeira. Isso mostra que ocupar uma área onde outros não querem, pode ser bastante próspero, desde que haja suficiente apoio inicial.

Usando um dos exemplos que eu conheço, por conta da minha proximidade com o tema, cito a própria área de programação e TI, onde os salários propostos pelas empresas podem chegar a fantásticos R$ 100 mil reais por mês, justamente porque existe tanto potencial na informática e tão poucos programadores disponíveis, que um salário alto é a forma que encontraram de tornar a área atraente pra que mais pessoas se formem em computação, análise de sistemas ou alguma coisa relacionada a TI, podendo, assim, ocuparem as vagas que as empresas mais valorizam atualmente. Dessa escassez, pode-se encontrar até mesmo oportunidades como ter o curso de faculdade bancado pela empresa que pretende lhe contratar ou mesmo de ter uma vaga de trabalho praticamente garantida já no segundo ano de faculdade. Além disso, inúmeros brasileiros são tentados a trabalhar como programadores no exterior, justamente pelo combo salário + qualidade de vida de determinado país (frequentemente na Europa) ou, então, por poder estar em uma empresa renomada internacionalmente como Google, Microsoft ou Facebook.

É claro que estar ausente desse mercado não é, por si, sinônimo de preguiça. Há pessoas que simplesmente se esforçaram ao máximo pra tentar, mas não conseguiram, por inúmeras razões possíveis. Algumas pessoas não possuem condição de bancar um curso até o fim, outras não conseguem passar na seleção de uma faculdade pública e outras simplesmente podem ter se visto destoantes do tipo de estudo ou realidade de determinada área ou profissão.

Contudo, em várias outras atividades da vida cotidiana, é sim a preguiça de uns que abre portas para outros profissionais. Quando as pessoas não querem ter que lavar a própria louça, o carro ou casa, estão abrindo uma demanda pra que outras pessoas façam isso. Geralmente, em nossa sociedade discriminatória, esses trabalhos são evitados pelas pessoas com mais renda, renegando as pessoas de menor renda a aderirem a esses trabalhos que ninguém quis fazer, por demanda e por falta de capacitação ou espaço pra outras funções. Assim como existem muitas pessoas que ocupam as vagas de diarista, faxineiro, gari ou lixeiro, por exemplo, por não terem estudos suficientes pra pleitear vagas com exigências maiores de formação escolar, também existem as que migram pra essas áreas quando se veem desempregadas nas áreas em  que estudaram e se formaram, seja por saturação do mercado ou por algum revés pessoal. Fato é que, em ambos os casos, onde muita gente não estiver interessada de fazer algo, alguém virá pra fazer. O grande porém é que em países que discriminam as pessoas e os serviços, a remuneração dessas áreas tende a ser precária, como é o caso do Brasil. Em alguns países no exterior, profissões como a de lixeiro são uma das mais bem remuneradas, justamente porque as pessoas reconhecem a importância desse trabalho, cientes de que, sem isso, estariam no caos. Em tais países, existem lixeiros com faculdade, casa própria, dinheiro excedente pra viajar o mundo, etc.

Há muita coisa que é relativamente fácil de se aprender e executar, mas que muita gente evita, por que tem preguiça mesmo. Quando as pessoas não pensam por conta própria, por exemplo, abrem um enorme espaço pra que colunistas de pseudo-mídias ocupem e determinem o que é que as pessoas devem “pensar”, “concluir” ou replicar aos demais como “adequado” ou “correto”. Outro prejuízo se vê quando as pessoas deixam de exercer seu potencial artístico, por exemplo, ficando sujeitas a serem meras fãs passivas de algum artista. Isso não é saudável e, por vezes, pode ser apenas uma forma de você gastar muito dinheiro pra que outra pessoa faça o que você teve preguiça de se envolver. Noto isso em inúmeros casos de famílias que optam abertamente por babás na criação dos filhos, ficando completamente omissas da função na maternidade e paternidade. Consigo entender a inscrição de filhos pequenos em creches ou em  episódios isolados de tutoria com babás, mas se isso é o padrão de uma família na maioria dos dias, certamente comprometerá a relação entre pais e filhos.

Eu, ao contrário da tendência no mundo, sou daqueles que gosta da fazer tudo (ou quase tudo) por mim mesmo. Eu amo limpar a minha casa, organizar as minhas coisas, solucionar um problema do computador, seja em hardrware ou em software, cozinhar pra mim e, eventualmente, pros outros, fazer as compras no supermercado, pagar as contas, me enveredar pela minha expressão artística e literária, ler e estudar aquilo que ainda não domino pra impor, eu mesmo, tais benefícios aos meus projetos e necessidades. Me propus a estudar Idiomas, Culturas, História, Sociologia, Psicologia, noções gerais e básicas de Medicina, Direito e diversas outras áreas do conhecimento. De certa forma, estar ativo em todas essas coisas, pra finalidades pessoais de conhecimento e lapidação, me motivam ao invés de me deixar em preguiça. Aliás, se eu tivesse 8 mãos e estabilidade financeira, faria muito mais. Por vezes, deixei de expandir minhas ideias, simplesmente porque era, no meu contexto, impossível de se fazer.

Mas, a verdade é que eu não tenho como criticar os preguiçosos, afinal é por conta deles que sobra espaço pra que os demais façam algo, criando suas carreiras e tirando seu sustento na vida. É ótimo que o mundo seja diverso, desde que as pessoas sejam conscientes de que quando escolhem não estudar e não fazer as coisas por conta própria, terão que remunerar bem quem remou contra a maré da sociedade e decidiu estudar e fazer tal coisa. Então, é preciso, pra ontem, valorizar os fotógrafos, os cozinheiros, os lixeiros, os designers gráficos, os pintores, os professores, os músicos, etc. Ou seja, se você gosta e precisa de algo que você não domina, terá que valorizar quem domina, senão tal área tenderá a ficar precarizada até sumir ou se degenerar em qualidade. Se você não investe um valor justo pra que um profissional viva dignamente e possa estudar e se aprimorar na carreira pra te oferecer sempre um serviço cada vez melhor, você está, basicamente, plantando uma realidade onde os serviços e profissionais serão cada vez piores e mais raros. E, se eles se tornam piores, não trazem bom retorno pra quem os contrata. No caso de se tornarem raros, podem se tornar caríssimos e restritos somente aos que realmente entendem o valor daquilo, ao mesmo tempo em que podem pagar por tal valor.

Então, para não dar tiro no próprio pé, é preciso saber sustentar uma modelo de trabalho com remuneração justa. A lógica é simples, mas muita gente não tem paciência ou apreço pra se ver diante dessa realidade incômoda todo dia, por isso raramente refletem sobre essa urgência. E, se muitos não refletem, lembre-se, alguém vai ocupar esse vazio e refletir por eles. Espero que tais substitutos sejam sempre pessoas bem intencionadas e capazes, pois, do contrário, o mundo acabará mergulhado em realidades cada vez piores, como ocorre no Brasil, por exemplo, onde empresas, mídias, políticos e personalidades ditam a asneira conveniente que desejam pra manipular e extrair lucro e poder em cima dos incautos na população.

Inclusive, o fato de muitos não saberem diferenciar uma pessoa capacitada e correta de uma fraude é a demonstração de como tal pessoa se absteve tanto tempo da autonomia de pensamento dos assuntos do mundo, que acabou criado e moldado pelos que vieram pra moldar e ditar a realidade trágica dessa pessoa. E claro, entre indivíduos mal intencionados, um dos primeiros objetivos é fazer o público apontá-lo como líder ou referência, assim ele pode continuar controlando as pessoas com a própria aprovação delas. Alguém que vive esse cenário onde é usado e mesmo assim apoia ou defende seu opressor, diz-se que a pessoa tem Síndrome de Estocolmo. Depois de tudo isso, afinal, de que lado você quer estar?

Rodrigo Meyer

Quem parou de rir, parou de ir.

Quem já foi afetado pela doença da depressão ou conhece alguém que esteve ou está em similar situação, sabe como isso interfere drasticamente nos progressos gerais desse indivíduo. Pessoas com imenso potencial acabam subaproveitadas quando a depressão lhes toca, afinal ninguém consegue se engajar tanto nas atividades, se não sente prazer pela vida. Em situações mais brandas que a depressão (embora até ela tenha nuances), as pessoas podem estar com distimia, que é um transtorno depressivo com sintomas menos severos que a depressão em si, porém mais duradouro. De qualquer forma, seja lá qual for o momento, intensidade e duração com que deixamos de rir sinceramente na vida, estamos parando de caminhar.

Quando uma pessoa tem depressão por muitos anos, pode acabar criando uma imagem mental de si mesma completamente distorcida, por associar o histórico de vida com sua personalidade ou realidade nata. Entender a diferença entre o estado depressivo e o modo “normal” de ser, é uma tarefa difícil, principalmente se você praticamente não teve bons momentos desde a infância. A ausência de parâmetros de felicidade por longos períodos pode interferir na compreensão desse estado ou realidade, em termos de comparação com o estado depressivo. Embora as pessoas saibam que estão tristes, desmotivadas e sendo sugadas pela própria depressão, a felicidade e o prazer parecem coisas impossíveis de se conseguir ou até mesmo abstratas demais pra serem concebidas. Mas é importante lembrar que essa percepção de pouca ou nenhuma esperança é tão somente uma distorção gerada pela própria depressão. Indivíduos deprimidos, possuem uma alteração cerebral sobre o sistema químico, bloqueando ou não aproveitando as químicas que estão direta e naturalmente relacionadas a sensação de prazer. A grosso modo, seria como dizer que o sujeito está imune a felicidade, independente das coisas que acontecem ao redor.

Mas, esse não é um texto apenas sobre depressão. É muito mais abrangente que isso. A grande realidade que precisamos ver aqui é que, por qualquer que seja o motivo, se tivermos um modelo de vida e pensamento que nos priva do riso, estamos ativando outros fracassos na vida. Dizem que sorrir abre portas e que rir é uma das conexões mais intensas que o ser humano consegue traçar socialmente. Temos esse hábito social em comum com os macacos e alguns estudos mostram que algumas outras espécies de animais fazem proveito consciente de certas substâncias, para fins recreativos, assim que entendem a relação entre prazer e consumo. É também visto em algumas espécies, algo que, antes, achava-se ser algo exclusivo dos humanos: a realização do sexo por prazer e não só por instinto de reprodução.

De forma geral, pra todos os seres, sentir prazer pela vida é basicamente a mesma coisa que aproveitar o potencial de si mesmos e da própria vida, seja lá o que ela seja. Uma vez que não sabemos ao certo o que fazemos e quais propósitos realmente temos nessa existência misteriosa, tudo que temos de garantia são nossos sentidos e percepções da realidade. Nossa presença social e também como indivíduos cobra de nós que estejamos mais do que em harmonia, cobra de nós que estejamos felizes o suficiente pra fazer valer os momentos vividos. Embora muita gente tenha tido uma vida longeva em estados menos entusiasmados, é fato que, na média, a tendência é que as pessoas com pouco prazer pela vida levem um estilo de vida mais destrutivo, menos saudável, com diversas somatizações. Quando a mente não vai bem, muito disso se transforma em implicações no corpo físico. Especula-se, por exemplo, que doenças como o câncer estão intimamente relacionadas com outros quadros e experiências, entre eles, as emoções contidas. Pessoas que estão amarguradas ou insatisfeitas por muito tempo, podem acabar somatizando esses e outros dramas em um câncer, devido ao desequilíbrio do sistema imunológico.

O lado bom da vida se expressa pelas coisas que nos dá diversão, felicidade, prazer e motivação em continuar a ser e fazer, especialmente quando permite que outros indivíduos ao redor experimentem esse contexto, tal como se todos estivessem compartilhando de uma mesma festa. Pessoas felizes constroem sociedades com grande interesse de preservar e fomentar felicidade. Através da empatia podemos dividir com outras pessoas as alegrias e dramas. As emoções humanas são possíveis de serem compreendidas e replicadas, em certo sentido, para que outra pessoa sinta aquilo. Essa conexão que temos configura um padrão natural e sadio, pois isso promove o bem-estar nas relações humanas e deixa as portas abertas para que os indivíduos possam exercer suas vidas com satisfação, liberdade e desejo em viver mais. Quando essa conexão não existe ou é altamente corrompida, as pessoas começam a não se importar umas com as outras, gerando um ambiente de desprezo, infelicidade, ódio, violência e pouco ou nenhum respeito e/ou valorização pelas demais pessoas.

Um padrão de vida que externaliza hábitos nocivos pra si e pros outros, invariavelmente, reforça um desequilíbrio que nasceu internamente no indivíduo, devido a inúmeras possíveis origens, inclusive, diversas delas, externas. Sociedades que oprimem, por exemplo, plantam a própria ruína, uma vez que geram pessoas insatisfeitas, infelizes e reativas a opressão. A receita garantida de aumentar problemas, ao invés de solucionar. A ausência do riso ou da felicidade, está intimamente ligada ao fracasso das expressões humanas, afinal realizamos tudo em dependência da motivação da própria vida. Precisamos ver sentido ou ter imenso prazer, ou perdemos a disposição ou interesse de desenvolver ou participar de algo. É assim que a vida deixa de ser uma opção interessante quando somos afetados pela depressão e, exatamente por isso, muitos depressivos podem vir a se tornar suicidas.

Embora pareça óbvio, ainda estamos em tempos em que obviedades precisam ser ditas. Então fica a mensagem de que ser feliz e estar em paz é melhor do que estar infeliz e incomodado. Mesmo que as pessoas digam que querem uma boa vida pra elas mesmas, elas se esquecem de que em nenhum momento conseguirão isso através da violência, da corrupção, da guerra, da opressão, do preconceito, da desconfiança, da perda de qualidade, da má educação e da valorização de arquétipos destrutivos. Enquanto as pessoas estiverem enaltecendo pessoas, instituições ou ideias que reduzem o ser humano em seu potencial de felicidade e bem-estar geral, estarão freando a própria sociedade e a si mesmas, impedindo que desfrutem de um ambiente favorável. O nome disso é “atirar no próprio pé e se queixar da dor.”.

Aquele que não é capaz de entender que é parte inseparável da equação, não conseguirá perceber que seu estado doentio é parte do que bloqueia e impede a sociedade de ser plena e satisfatória. Assim como o desequilíbrio nas químicas afeta o cérebro do deprimido, indivíduos desequilibrados em certos aspectos sociais afetam a sociedade. Partes adoentadas ou danificadas não cumprem a mesma função em uma máquina, seja ela um cérebro, um motor ou uma sociedade. Se não estamos rindo e expressando prazer, estamos sofrendo e estagnando, tanto individualmente quando coletivamente.

O próprio sentido de família e amizade, embora abstratos, explica como e porquê o ser humano depende de bons momentos pra conseguir existir coletivamente e ver sentido em si mesmo como peça dessa engrenagem maior. No fundo, tudo o que o ser humano são deseja é estar bem e compartilhar o bem. Qualquer desvio dessa premissa, confere, por vários motivos, patologias psicológicas ou psiquiátricas que devem ser devidamente cuidadas para não transbordar impactos e prejuízos aos demais indivíduos. Em teoria, as sociedades já fazem esse controle, ao estabelecer vigília, tratamento ou detenção a sociopatas ou a indivíduos que, de alguma forma, estão inaptos a viver em sociedade. Porém, bem longe do ideal, a realidade prática é que, ao invés das pessoas inadequadas e perigosas estarem controladas, elas figuram entre os cargos de maior relevância e impacto na sociedade. Não deveria ser surpresa nenhuma de que há uma lista interminável de criminosos de todo tipo, na política, na polícia, no comando de corporações, em pseudo instituições religiosas, etc. E é exatamente por estarem livres pra agir, que deixam esse legado tóxico ao mundo, em tudo e todos que tocam. Não é, portanto, exagero classificar esse tipo de membro da sociedade como um câncer que afeta as células sadias e destrói a saúde geral do organismo ou sociedade.

Sempre ouvimos a expressão “rir é o melhor remédio.” e de fato é. Se pudéssemos escolher clicar em um botão e mudarmos automaticamente para um padrão de felicidade, certamente faríamos. Ninguém gosta de sofrer. E se ninguém é feliz sofrendo, isso inclui não só o próprio indivíduo, como todos os demais. Ser racional e fazer uso da lógica a favor do próprio bem-estar emocional, físico e social é lutar extensamente para que nosso ambiente ao redor seja melhor, mais feliz, mais livre, com mais riso e menos dor. Trabalhos conscientes nesse sentido, incluem desde cidadãos comuns que escolhem um jeito de viver e de se expressar mais positivo, até indivíduos que entram pra alguma causa ou ação social que visa amenizar o sofrimento e suscitar mudanças de ação e de pensamento. Iniciativas como os ‘Doutores da Alegria’, que visitam pacientes em hospitais, vestidos de médicos-palhaços, ajudam os enfermos a se reposicionarem diante da própria situação e terem mais disposição de enfrentar seus dilemas. Estar doente é um contexto duro de se experimentar e sob isolamento ou pouco prazer, pode tornar-se um fator crucial na piora do quadro clínico.

Outras ações, como as que ocorrem em algumas ONGs ou iniciativas avulsas de assistência social, podem ser gratificantes a quem tenha visão sobre a teia que somos, mas também pode impactar bastante, uma vez que plantar a ajuda quase sempre implica em absorver a dor alheia por conta da empatia e do convívio contínuo em ambientes e contextos de sofrimento, guerra, doença, abandono social, etc. São frequentes as notícias de depressão entre psicólogos, médicos, psiquiatras, professores e ativistas sociais. Muitas vezes a mudança é tão gradual ou camuflada pela própria atividade, que eles não se dão conta do desfecho drástico a que estão submetidos quando afetados emocionalmente e psicologicamente por aquele ambiente. Por razão similar, estudantes de Psicologia, por exemplo, precisam ter alta antes de serem liberados para exercer a profissão. Embora seja altamente necessário e sensato tal filtro, na prática isso é feito de forma simbólica, distribuindo no mercado uma multidão de profissionais sem uma verdadeira alta de seus quadros psicológicos, sendo um terrível risco a saúde psicológica dos pacientes e, portanto, da sociedade em si. Pelo simples motivo de que você não colocaria um estuprador para atender pacientes que foram vítimas de estupro, você não colocaria certos formandos para clinicarem na área da Psicologia.

Assim, todos os dilemas que temos em nossa sociedade são mero reflexo das conturbações de cenários menores, como os países e suas gestões, as cidades e suas realidades, as condições de um bairro, o círculo de amigos, o ambiente de trabalho, a composição familiar, os relacionamentos ditos “amorosos” e, por fim, o universo interno do próprio indivíduo. Não se pode analisar a felicidade do mundo, sem antes, pensar extensivamente na felicidade do próprio indivíduo. Sociedades que ignoram o problema das peças, jamais poderão manter a totalidade da máquina estável. Simples assim.

Apesar de estar escrevendo com certa frequência, o que pra mim é relativamente fácil e interessante, por vezes eu não me sinto disposto ou apto a fazer o necessário. Enfrentei depressão a vida inteira e ainda não me vi seguramente distante desse malefício a ponto de dizer que não voltará a ocorrer. Neste meio, diz-se que depressão é o tipo de coisa que uma vez que se tenha, nunca mais há garantias de que não poderá recair. Sou o claro exemplo de quem parou de ir, porque parou de rir. Sempre fui uma pessoa com bastante senso de humor, ironizando o mundo com piadas e comentários sarcásticos, mas, apesar disso, estive infeliz, arrastando a doença da depressão por todos esses longos anos.

Deixar de rir, no sentido de não estar feliz por padrão, me impediu de ter momentos além daquelas exceções onde ria estritamente em determinados casos, especialmente com ajuda de fugas e estilos de vida que me deixassem vagando pelo tempo. A infelicidade me impediu de socializar, de estudar, de trabalhar, de lutar pelos meus objetivos e potenciais. A infelicidade deixou marcas indeléveis no meu histórico e também na minha saúde. Ela me tomou tempo, levou meu dinheiro e cavou um buraco de insatisfação onde eu não encontro mais amparo. Talvez seja a depressão tocando a campainha novamente, talvez seja a minha análise realista de que um ambiente tóxico e cada vez pior não pode ser viável pra quem deseja boas coisas nessa vida. Fico em dúvida, pois sempre me lembro dessa frase de Freud que nunca me canso de repetir:

“Antes de se autodiagnosticar com depressão, verifique se não está apenas cercado de idiotas.”

Quem tenta inventar bem-estar onde não tem, colocando princípios ilusórios de valores ou ideologias, está tão somente aumentando a própria cova. Sociedades que visam controlar aspectos superficiais, ignorando a origem dos problemas, estão apenas enxugando gelo. Se as pessoas realmente quisessem se ver livres e felizes, fariam exatamente o oposto do que está sendo feito coletivamente na maioria dos lugares. Ideologias que se preocupam em apagar incêndios locais com gasolina, sempre terão que lidar com incêndios e incêndios cada vez maiores. A estupidez e o egoísmo nunca foram soluções pra coisa alguma. Discordar disso é ser a prova disso. Premissas básicas de pensamento e relações precisam, necessariamente, incluir felicidade e liberdade sinceras. A felicidade falsa, expressa sem sinceridade pode ser muito mais tóxica que a tristeza sincera. Em depressão, por exemplo, eu continuo fazendo o melhor possível por mim e pelos outros. Mas uma pessoa em expressão insincera da felicidade, só está enganando a si mesma e iludindo milhões de outras pessoas de que a vida consiste nessa busca rasa, inútil, superficial e doentia de coisas que, na verdade, não deixam ninguém feliz de fato.

Se alguém parece satisfeito demais em um contexto inóspito, pode estar com Síndrome de Estocolmo, onde nega o sofrimento ou opressão experimentados, em defesa de seu próprio opressor. A opção menos provável é de estar em paz, apesar do caos percebido ao redor, o que, com plena certeza, é o caso de raríssimas pessoas e, portanto, não é algo que deva ser exigido por padrão. Não cobre das pessoas que elas estejam sempre de bom-humor, entusiasmadas, dispostas a trabalhar e lutar pelos objetivos e potenciais pessoais, enquanto elas estão enfrentando uma batalha inominável de sobrevivência a própria dor, a dor do mundo e a desnecessidade de tudo isso. Sempre que alguém tenta justificar os insucessos de uma pessoa deprimida, a colocando como culpada, eu, como deprimido, me sinto, ao menos, motivado em não ser tão cego e ignorante a ponto de achar que a vida de um indivíduo e sua bela e rosa exceção, tem qualquer relação com a realidade fora dessa bolha. Não tem, nunca terá e discordar não vai te fazer mais consistente nessa ausência de raciocínio e lógica.

Hoje eu simplesmente gostaria de rir, mas a tudo que olho, me parece insosso, desnecessário, sem graça, estúpido e doentio. Tal como alerta Freud, sinto como se estivesse cercado de idiotas e, portanto, com ou sem depressão não me veria em um contexto favorável. Existir nessa realidade intragável me obriga a repetir: melhorem!

As pessoas devem tentar ser o tipo de pessoa que elas gostariam de conhecer. Foi exatamente isso que eu fiz a minha vida inteira, exceto pela depressão que é algo ao qual não escolhemos e pouco ou nada controlamos. Se não puder sorrir para o mundo, tente pelo menos ser útil e sincero, sempre pautar suas ideias e ações em princípios de lógica e bem-estar coletivo, senão acabará infeliz do mesmo jeito e ainda será a razão principal da infelicidade dos demais. Acorde ou será acordado, pois bolhas estouradas não voltam a se regenerar. Aprenda a conviver com a realidade fora da bolha e perceberá que a solução interna é também a solução coletiva.

Rodrigo Meyer

É possível preferir piorar?

O ser humano, geralmente, é cheio de contradições, falhas e outros problemas que bloqueiam o progresso dele mesmo. Algo bem comum na sociedade são os indivíduos que escolhem, conscientemente, piorar. Mas será que isso é real? É bem real e te trago exemplos pra poder explicar porque isso ocorre.

Você já deve ter visto inúmeras pessoas que idealizam algo para a vida delas, porém, são levadas a descumprir esse ideal, simplesmente porque é mais cômodo, conveniente, fácil ou momentaneamente mais interessante seguir por um caminho diferente. A pessoa pode estar enfrentando um problema de saúde, por exemplo, mas ao invés de tomar as precauções necessárias pra evitar a piora ou até mesmo para solucionar tal problema, ela pode vir a escolher a perpetuação de hábitos que pioram a saúde dela. Alguns diriam que isso tem relação com a chamada ‘lei do menor esforço’, onde o cérebro se pauta em decisões ou processamentos que sejam mais fáceis de serem cumpridos, seja do ponto de vista da complexidade do raciocínio, seja do ponto de vista físico e prático do dilema. É assim que, por exemplo, é muito mais tentador quebrar uma dieta alimentar para comer o que é mais gostoso, apesar de ser mais calórico e/ou menos saudável, do que se manter firme no objetivo proposto. O mesmo ocorre quando estamos diante da meta de fazer exercícios físicos e somos tentados a simplesmente procrastinar, adiar ou dormir.

Que o ser humano tenta sempre buscar atalhos, isso nós sabemos. Se pudermos fazer sempre o mais fácil, melhor. Porém, nem tudo que é mais fácil entrega os mesmos objetivos e é aí que mora o problema. Aquilo que evitamos de fazer por preguiça ou comodismo, acaba por ser uma autossabotagem. Mesmo que saibamos que estamos escolhendo piorar em algo, podemos ser compelidos a tomar essa decisão, simplesmente porque sabemos que a mudança positiva que queríamos requer ação, iniciativa e engajamento. Por essa simples razão, muita gente se vê desistindo de suas metas, pois acaba ficando desmotivado ou acomodado.

Quando a autoestima de um indivíduo está afetada por alguma situação prévia, como um trauma, um complexo, uma depressão, um evento marcante ou algum desvio psicológico que interfere na correta percepção de si mesmo, acaba sendo bastante provável que as decisões tomadas sobre melhora, terminem sendo focadas na piora, já que esse quadro específico deixa as pessoas desmotivadas ou acomodadas. Você já deve ter visto, por exemplo, uma pessoa enfrentando a doença da depressão, tendo que tentar controlar outros setores da sua vida, mas acabar em uma rotina que parece acobertar o estilo de vida depressivo, por assim dizer. Embora não seja uma regra, muitas pessoas em depressão podem ter a decisão do isolamento, da desistência da escola ou de cursos e até mesmo do trabalho em alguns casos. Ainda que essas pessoas desejem bem-estar pra si mesmas, a doença da depressão muda substancialmente a motivação e a percepção de valor e prazer nas coisas, de forma que ela acaba, por esses motivos, provavelmente escolhendo itens de piora pra seu estilo de vida. Alguns passam a beber mais, outros enveredam por outros tipos de droga e alguns outros lidam com essa dor através do consumo exagerado de comida ou mesmo da supressão drástica de alimentação.

Claro que, para casos como este de depressão e transtornos psicológicos mais específicos, os indivíduos afetados praticamente não possuem controle de decisão, afinal tudo acontece de forma tão intensa, automática e encadeada, que os efeitos colaterais de seu problema inicial se tornam praticamente indissociáveis do problema em si. Mas, para outros tipos de indivíduos, fora desses quadros, a escolha em piorar pode ser o reflexo simples do comodismo. Feitas essas distinções importantes, é preciso erguer uma bandeira de responsabilidade e de incentivo para as melhores opções de comportamento e pensamento. Uma vez que sabemos que algo pode nos tornar melhores, temos que compreender se estamos seguros e com autoestima suficiente para seguir esse caminho. É hora de nos cobrarmos com mais seriedade, pra não cairmos naquele repetitivo ‘meme’ nas transições de ano, onde muita gente brinca com a ideia de que fez dezenas de planos no ano passado, mas que não cumpriu nenhum e repassará os planos para o ano seguinte. De maneira semelhante quando adiamos uma dieta para a próxima semana ou mês que vem, muita coisa em nossa vida é deixada de lado, simplesmente porque não é tão fácil como gostaríamos que fosse. Estou ciente de que não é nada fácil ter motivação, especialmente quando nossas vidas são uma sequência de pressões, cobranças, problemas e insucessos acumulados. Estamos tão cercados de dramas em outros setores e momentos que, sempre que tentamos fazer uma decisão mais útil, ficamos tão instáveis que é fácil tombar para o erro ou desistir da ação.

Em todos os momentos que eu tive que permanecer de pé, enfrentando depressão, preconceitos, pressão familiar, pressão social, me vi tropeçando e desistindo. Isso alimentou ainda mais esses cenários tóxicos ao redor e virou uma bola-de-neve de problemas. Encontrar motivação pra ser quem eu queria ser e fazer o que eu realmente queria fazer, me custou muitos anos de transmutação. Essa alquimia interna a qual pouca gente fala e que é tão essencial a todo e qualquer ser, é que vai permitir que ativemos em nós os gatilhos para a motivação nas atividades ou objetivos. Desde algum tempo, sempre que algo se torna ruim demais na minha vida, eu me sinto desafiado a reverter aquilo a meu favor. É como se eu olhasse pra trás e soubesse que o que mais me estragou foi eu ter aceitado entrar nesse círculo vicioso de desmotivação e inação, cada vez que surgia uma barreira. Nem sempre teremos como escolher o que fazer de nossas vidas, especialmente se estivermos enfrentando contextos específicos como a doença da depressão, mas, devemos sempre procurar por opções em cada cenário e ver o que conseguimos fazer de melhor por nós mesmos. Não tenho todas as chaves e respostas para uma vida sem problemas. Este, certamente não sou eu. Mas tenho respostas claras e diretas sobre quem eu sou, como o mundo está e quais os erros mais clássicos que a maioria de nós já fez, faz ou continuará a fazer por um bom tempo. Se pudermos, pelo menos, refletir e decidir algo sobre esses aspectos, já seremos pessoas muito melhores que as da geração anterior. Negligenciar as pequenas mudanças, apenas porque não podemos ser perfeitos, é o mesmíssimo problema daqueles que escolhem piorar, por acharem que o caminho da mudança requer ação ao invés do comodismo. Fazer a diferença, conforme mostra a própria História da Humanidade, começa em pequenas iniciativas sinceras, que acabam por crescer em um efeito bola-de-neve.

Em conclusão, faça o seu melhor hoje, seja lá qual for este melhor possível ao momento e isso já será um passo valioso pra que amanhã ou daqui alguns meses e anos, você consiga passos muito mais estáveis, confiantes e ousados. Não vim lhe prometer o paraíso, mas você pode viver melhor do que antes, se tomar essa decisão a seu favor.

Rodrigo Meyer

O que significa ser libertário?

Ser libertário é ter o pensamento ou a ideologia voltada para a busca e/ou preservação da liberdade dos indivíduos. Exatamente por ter essa premissa de liberdade, que ser libertário não significa deixar livre as pessoas que privam a liberdade alheia. Às vezes, algumas pessoas lançam a ideia de que fascistas ou pessoas em geral que privam a liberdade dos outros, deveriam ter a mesma liberdade de serem e fazerem o que quiserem. E essa tentativa falha de argumento só reforça do porquê fascismo e ignorância são indissociáveis. O fato estrito, simples e direto é que ser a favor de liberdade é exatamente não compactuar com os que se posicionam contra essas liberdades. Fascistas não passarão!

Ser libertário é fruto de uma visão de mundo que nos cobra, automaticamente, uma conduta social bem definida. Uma vez que se entende aquilo que o mundo é, vê-se, também, o que é aceitável e inaceitável em um convívio entre os seres. Sendo o mundo muito diverso, há também diversidade nas composições familiares, na personalidade das pessoas, na formação escolar e educacional, na influência de parentes e amigos, na cultura local, na política, no nível de intelectualidade e de compreensão da realidade e dos assuntos, assim como inúmeros outros fatores que podem transformar um indivíduo em uma pessoa diferente das demais. A única coisa que há em comum em indivíduos mentalmente saudáveis é o desejo natural de manter-se livre. Qualquer desvio do desejo de liberdade já é reflexo de um desvio psicológico, podendo ser originado de algum trauma, complexo ou mesmo confusão decorrente da incompreensão da realidade ou do tema.

Fomentar um pensamento consistente de respeito e bem-estar aos seres, depende, sobretudo, de como as pessoas se apercebem da importância e do significado da própria existência de cada ser e do convívio com outros. Se o indivíduo não estabelece uma conexão mínima de empatia com outro ser, diverge do que é natural e saudável, tanto psicologicamente quanto sociologicamente. Todo estudo que já se tenha feito sobre as relações dos seres, passa, necessariamente, por esse senso de preservação da dignidade, da liberdade, do bem-estar, do direito a vida e ao desfrute de seus potenciais. Qualquer pensamento ou ação que prive os seres dessas realidades natas, compõem uma opressão, um desvio das premissas básicas. Algumas pessoas entendem isso por extensão direta da empatia que possuem e outras, às vezes, tardam a admitir esse impulso natural, precisando do reforço, às vezes, do embasamento lógico e técnico. Mas, de toda forma, ambos chegam a mesma conclusão, pois isso não é questão de opinião individual, mas sim uma premissa natural intrínseca a todos os seres. Exatamente por isso que, indivíduos que figuram em fascismo e opressões em geral, são indivíduos com perturbações e desvios de conduta, de ordem psicológica, podendo ter a origem dessa visão ou conduta em uma variedade de fatores.

Muitas vezes o ser humano adoece de algo chamado ‘hipocrisia’. Podendo se resumir, grosseiramente, como sendo o vício em mentir, a hipocrisia é responsável pela contradição de pessoas que, por exemplo, dizem gostar de animais, ao mesmo tempo em que podem aceitar matá-los para um raso benefício próprio. Nesse caso em específico, entende-se que fatores culturais podem forjar uma naturalidade nesses hábitos coletivos, dando uma falsa sensação de “normal” e “correto” dentro do julgamento que o indivíduo faz de si mesmo naquele contexto. Isso fica ainda mais claro quando olhamos pra história do mundo e vemos que as práticas sociais deploráveis que eram propagadas como “válidas” por determinados grupos, épocas ou governos, só se mantiveram aceitas por outras pessoas, devido a extensa propagação desse modelo artificial como se fosse natural. É exatamente esse o caso de episódios como os raptos de crianças que eram filhos de presos políticos, para serem adotadas por famílias que eram simpatizantes da ideologia dos raptores em questão. Dessa forma, essas crianças eram nutridas com o mesmo vício de pensamento, as mesmas ignorâncias e falácias, preservando, assim, a perpetuação dessa sucessão de adoentados.

É como diz aquela frase: “uma mentira dita mil vezes, se torna uma verdade”. Essa frase refere-se a ideia de que aquilo que se torna tão comum nos ouvidos e na sociedade, acaba não sendo mais refletido pelas pessoas. Tudo aquilo que soa como natural, deixa de ser raciocinado. Ninguém para pra contar quantas vezes piscou os olhos ou qual é o processo específico que faz pra respirar. Tudo isso, por ser natural e intrínseco ao ser humano, é feito de forma automática pelo corpo, não demandando nenhuma interferência do indivíduo. De maneira similar, nas práticas sociais, muita coisa é replicada inúmeras vezes até se tornar tão comum que é vista e aceita sem resistência, sem filtro, sem análise.

Do que conhecemos da conduta humana e da própria história vivida e registrada, o ser humano é facilmente moldado a uma realidade diferente, bastando que seja inserido nesse contexto desde sempre e em um coletivo relativamente fechado e abrangente onde todos ou quase todos seguem, basicamente, o mesmo padrão de “realidade”. Isso é o que explica, por exemplo, as diferenças culturais entre países. Se crescemos em uma família e país onde vestir meias com chinelo é o hábito em comum de todos, provavelmente uma criança nascida nesse cenário seguirá a mesma prática, a mesma tradição. Mas isso não significa, de maneira nenhuma, que as pessoas tenham alguma razão individual pra decisão de usar as meias. Elas podem estar apenas seguindo a tendência coletiva e a tradição desse ato, sem questionar, já que todos que o fizeram, também não questionaram. Mas pra quem não nasceu num ambiente com a mesma influência, o uso das meias com chinelo pode parecer incomum, estranho ou até desconfortável. Tudo é uma questão de hábito e aprovação coletiva.

Sob essas mesmas premissas, um passarinho preso em uma gaiola desde sempre, pode ser levado a acreditar que aquele é o padrão de vida, o ápice de seus potenciais como pássaro. Se ele tem as asas cortadas e é engaiolado, não terá noção do que é expressar-se livremente em voo, pra ser aquilo que ele nasceu pra ser: um pássaro livre, que voa e que expressa seu potencial e sua característica própria. Para o ser humano, não é diferente. Os modelos sociais que privam o indivíduo de sua dignidade, liberdade e potencial, estão transformando esse indivíduo em alguém que pode vir a se acostumar com o padrão estabelecido pra si de pouca valorização. Mas, como o ser humano é um ser inteligente e permeia sociedades próprias que ele mesmo constrói, inclusive em subgrupos dentro de cada sociedade, ele acaba por disseminar reflexões e ideias que recondicionam os indivíduos a refletir sobre suas realidades, seus direitos, suas dignidades, seus valores e potenciais. As ideologias e políticas libertárias carregam exatamente esses objetivos para reforçar os princípios humanos em geral.

Em sociedades adoentadas, “comandadas” e arrastadas por políticos e membros mais convencionais da população, é comum vermos as pessoas desenvolverem uma certa desmotivação, perda da autoestima ou da esperança, sentindo que algo não está tão bem quanto elas acham que deveria estar, apesar de estarem, de certa forma, “acostumadas” com a escassez de vida que lhes cabe. Na verdade essa percepção de incômodo ou de incompletude é justamente a fagulha na memória e no instinto básico humano da busca natural e essencial de valores humanos como a dignidade, liberdade, bem-estar, etc. Se um indivíduo nota que na sociedade existem classes diferentes de pessoas, cabe a este refletir e esmiuçar as origens e motivos dessa diferenciação social. Porque algumas pessoas cometem crimes e ficam impunes e outras são presas? Porque algumas pessoas são mais aceitas nos espaços públicos e outras menos? Porque algumas pessoas recebem mais credibilidade no que falam do que outras? Porque algumas pessoas figuram massivamente nas mídias como exemplo de beleza, sucesso e “positivismo”, enquanto outras não? Enfim, qualquer que seja o viés da observação, é preciso questionar essa distinção e separação de grupos humanos. Quase sempre a origem e motivo disso está justamente nesse padrão de opressão plantado e perpetuado, tentando reduzir certos indivíduos, grupos, ideias ou características, para enaltecer aqueles que fabricam esse modelo artificial de separação.

Da mesma maneira, quando alguém aprisiona um pássaro na gaiola, está fazendo exatamente a mesma coisa, segregando um ser por conveniência própria, para desfrutar de maneira bastante egoísta e sádica, da servidão do pássaro em troca de seu canto ou exposição controlada de sua aparência. Além disso o ato do confinamento reforça a ideia de poder e posse, uma vez que o animal subjugado em uma gaiola é fruto de uma visão distorcida onde a o animal humano exerce domínio sobre outro animal, aproximando pra si um falso crachá de importância, de poder, de posição hierárquica, etc. Há uma frase de Mahatma Gandhi (apesar das polêmicas envolvendo seu nome) que traz uma boa reflexão sobre essa analogia e correlação entre a conduta diante dos animais e os conflitos sociais de humanos contra humanos:

“A grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata seus animais.”

A abstenção da violência, da injustiça e do cumprimento cego das regras e tradições forjadas em sociedade, encaminha o ser humano, naturalmente, pra uma visão de coletividade e liberdade, onde as pessoas possam se tornar aquilo que nasceram pra ser. Mas, como já vivemos em um modelo social que replica muitos equívocos a tanto tempo, precisamos reconstruir na mente das pessoas, essa lembrança do que de fato é real ou não, o que é justo ou não, o que é natural ou não, o que é aceitável ou não. Uma das primeiras coisas que me vem na mente, quando falo nessa reconstrução, é o extenso trabalho que tem sido feito na moderna cultura da Alemanha, para varrer quaisquer possibilidades do retorno do trágico histórico de nazismo no qual o país figurou. O evento mundial que se tornou icônico pela organização, sistematização e frieza das práticas, deixou os próprios alemães envergonhados com o tema. Diante dessa percepção do absurdo, a própria comunidade se organizou para se posicionar de forma eficiente contra o fascismo, o nazismo e os preconceitos em geral. As crianças são ensinadas desde pequenas, nas escolas, sobre as mazelas desse período histórico, além de conviverem com inúmeras políticas públicas de combate e punição a qualquer fagulha de propagação relacionada a esse período nefasto. Determinadas expressões ou gestos, podem conferir prisão aos indivíduos. Felizmente, em um levante épico, a Alemanha pós-guerra conseguiu se reconstruir em um modelo de sociedade altamente receptivo a diversidade, sendo um dos países com maior expressão desse senso de respeito a individualidade humana. Essa mudança de postura em toda uma sociedade, só foi possível graças ao extenso trabalho de combate ao fascismo e a reeducação das novas gerações desde pequenas. Se hoje eles desfrutam de um espaço completamente diferente do período nazista, é justamente pela decisão consciente dos grupos de indivíduos de agir para frear esses desvios de conduta e pensamento das gerações anteriores.

Ironicamente, os Estados Unidos, apesar de ter sido o principal destino de milhões de fugitivos da era nazista, hoje acomoda na sua sociedade uma descontrolada proliferação de grupos racistas, xenófobos e nacionalistas, incluindo a expressão declarada de neonazistas ou de grupos específicos como a Ku Klux Klan. Essas contradições culturais  talvez se expliquem exatamente pela ação e inação a cada um dos países. Enquanto na Alemanha pós-guerra se tentou combater os problemas, nos Estados Unidos, parece ter havido uma ação menos engajada e mais flexível, provavelmente devido ao modelo de leis que dá brecha para disseminação de discursos e ideologias de ódio, na tentativa ilusória de que essa liberdade de expressão inclui qualquer expressão. Esse equívoco básico com um desfecho prático trágico, demonstra exatamente porque ser libertário não significa, de maneira nenhuma, ser permissivo com quem é contra a liberdade. O combate aos opressores e aos que lutam por ideologias de combate a liberdade humana, não podem estar livres para tal. Se queremos liberdade, devemos apoiar a liberdade e não o oposto dela. Ser permissivo ao fascismo e as demais opressões, não é reflexo de liberdade, sendo, apenas, o oposto deste objetivo. Entender essa lógica básica foi o que ajudou determinadas culturas e países a praticamente extirparem do seu meio os conflitos e preconceitos humanos, criando um ambiente mais próximo da liberdade e do bem-estar, afinal era esse o objetivo sincero por trás da iniciativa e é esse o desejo humano em essência, desde que ele esteja mentalmente saudável.

A luta pelo avanço das mídias e ideologias de combate ao fascismo ainda tem um longo percurso pela frente, mas já está bastante estruturada no mundo inteiro, de forma muito bem embasada e com amplo apoio popular. A cada dia que passa há menos espaço para o fascismo e ecoa cada vez mais alta a ideia de que fascistas não passarão! Diferente das divergências mais superficiais de gostos ou preferências, o combate ao fascismo é uma premissa que toca a essência do ser e, por isso mesmo, é algo que abrange facilmente todas as culturas e indivíduos, pois para a vida dos seres não há fronteira. Princípios humanos continuam sendo princípios em qualquer lugar do mundo. Aqueles que ainda figuram em opressão e desvio de conduta nesse sentido, enquadram-se tão somente em uma fatia social já classificada, já compreendida como falida, fracassada, adoentada e estúpida. O único caminho que o mundo saudável e instruído propõem a estes grupos adoentados é o remédio da reeducação pela informação e/ou a demonstração clara e objetiva de que tais indivíduos não serão tolerados livremente nos meios de convívio, enquanto insistirem na propagação dessas fraquezas. O mundo é daqueles que evoluem. Quem se acomoda na ignorância, colhe os efeitos disso, permanecendo marionete de outros, passando vergonha, perdendo tempo, felicidade e bem-estar. O que pode ser mais doentio do que atirar no próprio pé e sentir orgulho disso? Reflita.

Rodrigo Meyer

Sobre o medo de morrer.

Sei que muita gente teme a morte, mas certamente não sou uma dessas pessoas. Consigo entender que as pessoas correm da velhice e da morte e, de alguma forma, vê-se que estão apegadas a este mundo de uma forma tal que, deixar de existir e partir pra outra situação nova, totalmente desconhecida, as apavora. Seja lá o que encontremos depois da vida, como uma continuação ou um ‘eterno nada’ silencioso, reafirmando a brevidade da vida, pra quem tem medo da morte, não importa muito quais são as características da morte, além do fato de que nosso corpo simplesmente para de funcionar e, então, apodrece.

Via de regra, temos receio daquilo que não conhecemos. O mistério assombra muita gente. As pessoas se assustam mais com o que não podem ver do que com o que está bem diante delas. É exatamente o caso de quando as pessoas temem um ambiente sem luz, simplesmente porque não sabem o que há neste ambiente. Alguns se aterrorizam com a mera possibilidade das coisas, fazendo valer a ideia de que uma possibilidade já é mais que suficiente pra impactar alguém, mesmo que esteja distante da realidade.

De certa forma, é basicamente isso que constitui o pensamento e crença das pessoas, em torno da religiosidade, espiritualidade ou mesmo das superstições. Quando o homem vivia em cavernas e mal dominava o fogo, aproveitar o dia requeria dele a luminosidade do sol e algum controle sobre o que ele estava vendo e sentindo. Era possível entender facilmente que alguém estava tocando nele, vendo a presença da pessoa próxima de si, mas tornava-se uma incógnita sentir insetos ou pássaros triscando seus corpos no escuro. Dessa incógnita, a mente se assusta, porque ela não conhece e não compreende. Aquilo que ela tenta resolver e não chega em um resultado, gera uma ansiedade e um desgaste imenso para o cérebro. Um mecanismo de proteção automático da mente é evitar o desconhecido. Para tal feito, alguns se agarram em explicações sobre a vida, sobre a morte e/ou o desconhecido em geral.

Nossa mente consciente nada sabe sobre o desconhecido. Tudo que se constrói na mente sobre a vida, a morte ou o invisível, é uma especulação, uma crença, um palpite ou uma tentativa de dar vazão ao desconforto diante do que não se sabe e que se quer muito saber. Para algumas pessoas, a forma encontrada de lidar com a morte, é idealizar ou acreditar que depois do falecimento do corpo, chegaremos a algum local positivo, alinhado com o que julgamos ser de melhor qualidade ou com mais benefícios. As pessoas nunca imaginam, por exemplo, que a suposta continuidade depois da vida corpórea, seja um ambiente pior. Não seria confortável para a mente, saber que está se aproximando de algo ruim. Seria uma situação semelhante de quando os vivos se apavoram com a morte e evitam qualquer coisa que os deixe próximos dela. O medo de envelhecer, em última análise, é exatamente isso. Sabendo que a cada vez que envelhecem, ficam mais próximos do fim da vida, muita gente fica em desprazer de envelhecer, pois é o mesmo que se aproximar da morte. Essa estrutura de pensamento é abrangente e antiga, tanto que a ideia de um inferno como punição para uma vida fora das regras, deixou muita gente com medo dominada. Mas, felizmente, essa não é a única maneira de se encarar a vida.

Muita gente, inclusive eu, não vive com essa preocupação diante da velhice ou da morte. A morte chegará pra todos, sem exceção. Não se pode viver achando que evitará morrer. Não há porque correr da morte, pois ela é um processo natural que já foi presenciada inúmeras vezes. A impressão que tenho é que, ao evitarmos a morte, estamos atribuindo valor no período em que estamos vivos. É interessante pensar que, apesar das catástrofes do mundo, do modo doentio das sociedades e sistemas políticos, as coisas ainda nos parece com um valor tal, que lutamos para não sair disso. É de se pensar que, enquanto estivermos felizes na vida, veremos prazer em continuar fazendo nossas atividades e desfrutando das satisfações em convívio com outras pessoas e até mesmo com os assuntos infinitos que o mundo nos permite tentar conhecer. Talvez seja esse rompante de disposição e prazer que faça muita gente valorizar a vida. Sinceramente, eu ainda não tenho essa resposta e, por enquanto, não tem sido um desconhecimento que me causa angústia nem ansiedade por respostas. A incerteza sobre a vida sempre existiu e as pessoas continuam nascendo e vivendo. A única diferença na qualidade de vida do indivíduo está justamente como ele gerencia esse desconhecimento. A depender de como ele interpreta, supervalorizando ou não o “problema”, isso pode deixá-lo com medo do desconhecido ou não.

A imaginação humana é poderosíssima. Se você apontar pra um ambiente vazio e fizer uma expressão de medo perto de outra pessoa, mesmo que você não tenha visto nada, tanto quanto a outra pessoa não viu, sua encenação de medo vai representar um problema para a pessoa ao lado. Ela vai ler a sua feição e a mente dela vai entender que há algo de perigoso, assustador, ocorrendo no ambiente e, pra ficar ainda mais bizarro, caso ela não tenha visto nada de fato, deixará a mente completamente ocupada tentando preencher essa lacuna. A mente pode simplesmente entrar em pânico ou formar uma imaginação que resolva esse mistério. Entender porque tanta gente possui medo da morte é entender que elas possuem medo do desconhecido e a morte é um dos maiores ‘desconhecidos’ que existem. Estando vivo não se pode experimentar a morte. Logo, esse é um assunto do qual morreremos sem desvendar. Mas porque isso precisa ser um incômodo?

É compreensível que o ser humano, por conta de sua estrutura, carregue consigo vários mecanismos de autopreservação, estando incluso nisso tudo que possa evitar perigos ou situações que, conhecidamente, levam para a morte em si ou para situações próximas, como os ferimentos graves, grandes dores ou doenças debilitantes. O ser humano está configurado geneticamente pra agir com base no seu instinto de sobrevivência. Porém, uma coisa é evitar a morte por conta do instinto e outra coisa é ter medo da morte. Talvez, no meio dessa salada de experiências humanas, morrer tenha cravado em nosso código genético a associação entre morte e medo, como uma estratégia de eficiência pro instinto. Se passamos a temer a morte, certamente ficamos mais engajados em evitá-la ou em lutar para adiá-la o máximo possível. Consigo entender essa possibilidade, mas trago algo a mais. Há nuances desse medo que não são saudáveis e tornam-se, por isso mesmo, uma contradição. Se a pessoa quer viver mais, ela precisa, então, controlar  o medo exagerado da morte. Se passa a vida inteira com medo de morrer, certamente não está tirando proveito real dos momentos da vida, além de estar provocando uma série de problemas na saúde física e mental que vão degradar seu estilo de vida até o ponto em que, problemas derivados serão potenciais motivos para sua morte precoce.

Eu sempre tive em mente que ter medo da morte é a garantia de pararmos de viver. Se deixamos de fazer as coisas que gostamos, por medo de acabar morrendo, simplesmente paramos de fazer tudo, pois pra morrer basta estar vivo. Imagine, por exemplo, alguém que evita cozinhar, por medo de uma falha no botijão de gás ou medo de uma faca escorregar de sua mão. Embora esse seja um exemplo exagerado, é com essa mesma premissa de lógica que muita gente está deixando de aproveitar o potencial de suas vidas, por medo não só da morte, como de inúmeras outras coisas igualmente ‘banais’, por assim dizer. As pessoas evitam até mesmo quebrar as correntes do sistema que as aprisiona, exatamente pelo medo de que o sistema faça o que está programado para fazer: controlar as pessoas pelo medo da morte. As pessoas se calam diante da realidade, com medo de que algum incomodado venha brecá-las com a morte. Porém, as pessoas se esquecem que, se ninguém tiver medo da morte, inclusive em um cenário onde as mortes de fato ocorram, o próprio sistema de controle pelo medo deixa de funcionar e o objetivo inicial dos opressores desaba. Um sistema só sobrevive se as partes oprimidas cumprem o papel esperado delas no jogo.

Poderia estender essa filosofia pelo viés político e sociológico, mas, por hoje, não é o foco do texto. Queria, a princípio, levantar uma reflexão que é bastante pertinente, ainda mais nos últimos anos onde as pessoas estão começando a se abrir pra certas mudanças de pensamento e de postura. Mesmo que pareça que o mundo está retroagindo na velocidade da luz, alguns passos na direção certa estão ocorrendo e, cada nova geração, carrega um pouco mais de entendimento e liberdade que a geração anterior, mesmo que isso não seja em todas as pessoas. Apesar de ser perfeitamente compreensível e aceitável que as pessoas não consigam concretizar um levante contra seus próprios medos e inseguranças da noite pro dia (principalmente se não houver cumplicidade coletiva), é preciso sempre deixar uma fagulha acesa, pra que o fogo sempre possa ser erguido no momento que for oportuno. Esmiuçar as questões humanas, sobretudo quando toca nessas fragilidades, exige um certo tato pra que possamos trazer mais benefício do que prejuízo ao pinçar um problema e propor uma análise ou solução.

Não existe uma regra de que você deva se transformar na pessoa que eu sou, afastando seu medo da morte. Eu não sei dizer se em algum momento da infância eu tive esse medo e o abandonei ou se sempre fui assim, sem medo de morrer. Claro que isso não significa que eu me exponho em vão a situações desnecessárias. Não ter medo de morrer não significa que tenho ansiedade por morrer. Apenas é algo que não me gera preocupações ou inseguranças. Pra mim está completamente tranquila a ideia de que, em algum momento, seja cedo ou tarde, morrerei por alguma situação. Dalai Lama, em uma de suas frases alerta para o conflito clássico humano, onde as pessoas se tornam depressivas quando vivem demasiadamente no passado ou ansiosas quando vivem demasiadamente no futuro. A solução óbvia, proposta por ele, é viver no momento presente, pois ele é o único momento real. O passado já foi e não podemos mudá-lo, enquanto que o futuro ainda não existe. Em consonância com essa ideia, eu penso que não tenho que lidar com o tema da morte hoje, pois ela é um evento futuro (além de inevitável e natural). Assim, nas minhas mãos está somente o que posso fazer da minha vida hoje e, deste hoje, eu escolhi viver, agir, pensar, me expressar, me engajar naquilo que eu acredito, sem medo de que a mudança positiva que proponho possa ser freada pela minha morte. Lembre-se que não se pode jamais matar uma ideia. Corpos vão, ideias ficam. O mundo muda, cedo ou tarde. Perde tempo, saúde e evolução, aquele que tenta adiar a mudança. Inspirem-se em seus melhores ideais, estejam unidos aos seus semelhantes e façam a mágica acontecer.

Rodrigo Meyer

 

Não alimente o inimigo.

Embora muita gente concorde que na luta por determinadas causas e interesses, haja a necessidade de se combater problemas e fomentar soluções, muita gente ainda cai em um erro clássico que é compartilhar mídias originais dos inimigos pra, supostamente, criticá-los. Simplesmente não faça isso. Fique e te explico porquê.

Por melhor que seja a intenção de criticar e alertar mais pessoas sobre o quão ruim é determinada coisa, você deve fazer isso de maneira eficiente e que não seja como ‘o tiro que saiu pela culatra’. Quando você quiser que determinada mídia seque ou caia no ostracismo, você precisa, sobretudo, não ser parte da força que impulsiona essa mídia. E nas redes sociais, feliz ou infelizmente, o mecanismo que dá maior visibilidade pras coisas depende exatamente dos compartilhamentos e das visualizações que derivam disso e de novos compartilhamentos feitos, num esquema bola-de-neve. Quando nos damos conta, um post praticamente anônimo ganhou repercussão em grande parte da internet e quem nem sabia que uma asneira estava dita, agora sabe junto com diversos outros apoiadores e opositores, que, se compartilharam, ajudaram a tornar isso mais presente na atenção das pessoas, em detrimento de outros conteúdos melhores.

Lembre-se que tudo que há de ruim no mundo, como os preconceitos, os pensamentos equivocados, a violência, os discursos rasos e todo tipo de bobagem, foi replicado justamente por esse mesmíssimo efeito de propagação. Quando você não gosta de algo, há meios pra se falar disso, sem dar espaço pra mídia ou pra pessoa a quem você não concorda. Eis aqui algumas considerações:

Quando você encontrar uma foto que lhe pareça degradante, não há sentido em espalhar ela pra toda internet, com ideias como “vamos compartilhar esse absurdo até que algum responsável tome as providências”. Simplesmente não é assim que você conseguirá o suposto objetivo de fazer parar e de responsabilizar pessoas pelos erros já cometidos. Você não espalha um incêndio na floresta sob a ideia de querer que alguém seja impactado por um continente inteiro pegando fogo pra poder fazer algo sobre isso. Aliás, muitas das vezes quem faz esse tipo de pedido, faz com más intenções, esperando justamente que os incautos espalhem aquilo, objetivando ver o malefício se espalhar mesmo.

De maneira igual, vale pra tudo o mais. Se você encontra um vídeo que é ruim no Youtube ou no Facebook, compartilhá-lo, mesmo que com a boa intenção de fazer uma crítica ou um alerta, vai acabar dando mais visualização e destaque pra esse vídeo e o mecanismo das redes sociais começará a entender que esse vídeo é relevante e começará a ‘hankeá-lo’ melhor em relação a outros conteúdos. Como resultado, um número maior de pessoas verá aquele exato vídeo (por vezes sem ser do seu compartilhamento isolado com a crítica anexa) e, então, outros conteúdos bons que já tinham dificuldade de alcance, somem das timelines por causa do reposicionamento no hanking.  Isso é a receita garantida de plantar o que não se quer e secar as próprias boas sementes daquilo que se queria. Nada mais prejudicial que isso.

Outro detalhe importante é estender essa prática não só pras mídias mas para tudo que esteja relacionado aos contextos, pessoas, empresas ou lugares a que não compactuamos. Se você não quer que um político ganhe fama entre a população, simplesmente pare de colocá-lo nas notícias e nas redes sociais o tempo todo. Se o sujeito ainda é pequeno e anônimo, não faça ele se tornar grande e famoso. Deixe ele secar no ostracismo. Isso é uma lição que ajuda a moldar a própria sociedade sobre o que é válido ou não, o que recebe ou não atenção, o que tem ou não repercussão na internet, etc. Quando você não faz esse filtro, você permite que pessoas estúpidas consigam rapidamente saltar de um post anônimo isolado para uma comunidade que o cerca, o apoia, o endossa e o compartilha. Em pouco tempo, algo minúsculo se torna um problema enorme do qual teremos que lidar, como que um piano adicionado nas costas, pra quem já carregava diversos outros. Não é inteligente compactuar com esse modelo equivocado de lidar com pessoas, mídias, empresas e assuntos.

Saudável e necessário é focar-se naquilo que você quer ver prosperar. Se você quer que as pessoas conheçam mais sobre um determinado assunto, invista nisso, crie uma mídia própria ou compartilhe de uma boa mídia de terceiros aquilo que representa suas ideias, seus valores, seus objetivos. Em paralelo a isso, quando vir conteúdos inaceitáveis como xenofobia, racismo, violência gratuita, machismo e outros entulhos sociais, se esforce pra combater esses espaços pra que eles não voltem a existir e não se espalhem. Se quiser fazer uma crítica a eles, você pode, mas deve usar recursos que isolem completamente a mídia original. Pode, então, por exemplo, fazer um print de uma imagem e repostá-la dentro de um grupo pra que as pessoas possam saber o que ocorreu e, livremente, discutir sobre aquele assunto, entender e agir pra resolver. Outra forma possível é escrever uma matéria citando o assunto, sem que precise divulgar os criticados. Assim você combate o que há de ruim, sem dar visibilidade.

É claro que, muitas vezes, os inimigos já tem uma fama ou repercussão tal que é inviável não citá-los, afinal já são conhecidos pela maioria das pessoas, independente do compartilhamento, então, se referir a eles diretamente é útil. Quando já espalharam feito um câncer ou vírus, a tática já não pode ser apenas evitá-los, sendo preciso, agora, expor os absurdos como forma de usar o próprio peso do inimigo pra derrubá-lo. Tal como no judô, independente do seu porte físico, você pode colocar um oponente ao chão, apenas sendo habilidoso em verter todo o esforço e peso dele a seu favor no movimento, facilitando pra que ele praticamente caia sozinho. Isso é ser eficiente. Nas causas sociais, nas mudanças do mundo e até mesmo na disseminação de educação, seja na família, num debate na internet ou nas escolas, você tem o poder de fazer a coisa certa de um jeito que funcione e não gere mais problemas do que antes.

Se este texto lhe soa útil e realista, faça o papel de espalhá-lo. É assim que coisas melhores ganham mais espaço na memória das pessoas, no inconsciente, nas redes sociais, nos compartilhamentos, nas impressões sobre o mundo, na hora de transmitir valores aos amigos, as próximas gerações, etc. Aprender é indispensável, mas se não compartilhamos aquilo que aprendemos e/ou queremos ver no mundo, não veremos isso se espalhar como realidade. Se você quer MESMO que uma certa realidade positiva se estabeleça no mundo é seu papel fazer parte dessa epidemia proposital de fazer chegar pra mais gente.

Rodrigo Meyer