Voltas e recomeços.

Depois de dias sem postar, estou de volta com este texto. Aproveito o contexto pra discutir o próprio tema ‘recomeço’ e deixar algumas reflexões.

Por mais que desejemos uniformidade ou constância no nosso bem-estar, a maioria de nós passará por momentos difíceis e por diversos imprevistos. Mas nem todo imprevisto é ruim em si. A vida costuma se apresentar de forma inconstante, porque as pessoas são inconstantes e a própria Natureza é pouco dominada diante de sua grandeza e complexidade. O mais sensato é nos lapidarmos pra adquirir alguma habilidade de resiliência, como uma árvore que retorna para sua posição original depois de ser envergada pelo vento forte.

Por vezes, não é fácil entender e aceitar as coisas como elas são ou parecem ser. Temos sempre que estar um passo adiante da nossa zona de conforto, pois mesmo quando saímos de uma zona de conforto inicial, expandimos essa zona e a cada vez precisamos dar um novo passo pra não ficarmos acomodados naquilo que conquistamos. Eu tenho sentido que fiz grandes progressos por me colocar sempre em desafios. A vida se torna mais difícil quando queremos algo, porém se desistirmos,  a aparente facilidade disso nos mostra que apenas abdicamos de tentar e que não tentar exige nenhum esforço.

Encarei muitas situações incômodas desde sempre, mas sempre estive observando a realidade e a mim mesmo para poder compreender minhas opções. Quanto mais conhecemos o funcionamento das coisas, mais fácil se torna perceber onde e como podemos contornar os problemas. Alguns veem isso como criatividade. Eu acho que é apenas o curso natural das coisas quando se busca saídas. Existe uma frase que diz que ‘a necessidade é a mãe da invenção’.

Tem chegado a hora de eu me reinventar. Estou em busca de recomeços porque preciso deles. Recomeçar pode ser perturbador, porque somos levados de volta ao zero e temos que construir tudo novamente. Mas, por outro lado, temos conosco a experiência e a sabedoria que adquirimos em nossas outras empreitadas. Cada fase da minha vida eu dediquei esforço concentrado em certas atividades e áreas de estudo e tive a oportunidade de mergulhar em muita prática. Eu adquiri o tal de know-how que é tão importante em qualquer setor da vida.

Hoje, tentando maneiras novas de chegar na estabilidade e bem-estar, começo a olhar ao meu redor e a descobrir quais outras coisas estão ao meu alcance. Que outras ferramentas ou maneiras diferentes de usá-las poderão fazer a diferença pra mim? Fico imaginando as pessoas perseguindo sonhos alheios que não as pertencem e vejo muita gente dedicar esforço, tempo e até dinheiro em contextos que são natimortos. Aquilo que as pessoas descobrem tardiamente tende a ser algo obsoleto, pois tudo hoje em dia é muito passageiro. Vejo as pessoas se inspirando em ideias que já não podem mais prosperar ou que já estão saturadas de gente tentando.

Pensar o novo e estar à frente é sair dessa bolha de imitação das massas. Por mais que alguém esteja fazendo sucesso em algo, não significa que imitá-los será garantia de sucesso pra você também. Algumas pessoas iniciaram suas empreitadas em outros tempos, quando aquilo ainda fazia sentido ou quando aquilo ainda era novo o suficiente pra que houvesse pouca gente fazendo e muita gente interessada na novidade. E, atualmente, em um momento em que isso já atingiu um ápice de possibilidades, o futuro já está em outras coisas.

Você pode arriscar a sorte e tentar fazer mais do mesmo. Mas é muito mais garantido investir naquilo que será a próxima realidade, o próximo boom. Mas, não é tão fácil descobrir em que direção isso está. Não sabemos ao certo como será o futuro e nem como nós conseguiremos ou não nos posicionar nestas novas realidades. Tudo que podemos fazer é estarmos flexíveis, de mente aberta e sempre engajados em fazer cada vez mais coisas, arriscar o incerto, tentar o diferente, se permitir ao novo. Mudar pode nos tirar da zona de conforto, mas também pode ser a nossa única chance de conquistarmos algum outro conforto menos ilusório.

A maioria das pessoas não lida bem com a realidade. Elas não aceitam bem o estado em que estão, mas se esquecem que grande parte dessa realidade, às vezes, é fruto das próprias escolhas dessas pessoas. Quando alguém recusa insistentemente a olhar pra verdade diante do espelho e lapidar-se ao necessário, não há como esperar resultados positivos e grandes elogios adiante. Se nada fazem pra se tornarem melhores, como podem querer que o mundo as veja como melhores? Talvez entre eles, numa confusa troca de ilusões, possam brincar de ídolos versus fãs. Mas, fora dessa alucinação coletiva de mal gosto, a verdade é que valem igualmente pouco e vivem igualmente infelizes, sem vida própria e sem motivo válido. São pouco úteis, embora aparentem ser os mais requisitados.

Tão importante quanto saber recomeçar é aceitar com tranquilidade as situações fora do ideal. Não significa se conformar e nem mesmo idealizar isso, mas sim sentir-se bem, apesar disso. Há possibilidade de bem-estar em situações que acharíamos improváveis. Temos que reavaliar nossos padrões, nossas referências e nos colocar com outros olhos e outros sentidos diante das coisas. Algo parecido com aquele ditado que diz que ‘quando a vida te dá limões, faça uma limonada’.

Para seguir adiante com ou sem recomeços, é preciso entender quem se é, como o mundo funciona e quais seus limites e objetivos reais. Faça uma lista, mesmo que mental, de prioridades e estabeleça quais delas são mutáveis. Às vezes o que achamos ser imprescindível para o bem-estar hoje, pode ser descoberto como inútil ou até mesmo prejudicial.

Se não tivermos olhos sinceros pra dentro de nós mesmos e para a sociedade ao nosso entorno, seremos sempre a marionete manipulada que caminha pro abismo com um sorriso no rosto, acreditando ter sido levada ao ápice. Se você não entende bem porque está subindo, você não está no controle e talvez só esteja sendo erguido para um salto livre no abismo. O mesmo pode ser dito pra quem não sabe porque está caindo. Há uma frase que diz que ‘a realidade é do tamanho da sua mente’.

“Errar é humano, repetir o erro é burrice.”

Rodrigo Meyer

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Silêncios são melhores que ruídos.

Quando o assunto é comunicação e interação, muita gente acredita que diante da impossibilidade de fazer o completo e/ou ideal, qualquer coisa é melhor que nada. E não é bem assim. Vamos pegar a música como analogia. Se você não pode criar algo harmonioso que valha a pena ser ouvido, qualquer tentativa insuficiente não ficará no meio do caminho entre péssimo e ótimo. Um chiado de rádio fora do ar nunca foi 50% bom na escala de música. Tudo que não cumpre bem-estar a quem recepciona, não está minimamente aceitável para aquela finalidade.

Outra analogia seria a própria matemática para a Engenharia. Não tente construir uma peça com medida diferente da necessária ou fora da margem de tolerância. Se aquilo não cumpre a função mínima necessária, não servirá. Não existe como dizer que uma roda cortada ao meio como uma meia-lua, possa ter metade da função de uma roda plena. Aceite.

Por características pessoais, os ruídos são bem mais incômodos pra mim do que pra maioria das pessoas. Entro em profunda irritação com sons estridentes, berros, cães latindo insistentemente, alarmes, muitas pessoas falando ao mesmo tempo e todo tipo de desastre de comunicação. Independente das minhas características, pode-se analisar a questão do ponto de vista da necessidade e eficácia.

Você nunca verá, por exemplo, chover ouro e soluções quando um cachorro passa 4 horas incessantes latindo. O cachorro é o que menos tem culpa nisso. Ele age instintivamente reagindo em defesa de algum suposto estranho ou inimigo, fazendo o papel ao qual ele se vê encaixado, protegendo o território dele.

Você nunca verá alguém com verdadeiro interesse em aprender ou ensinar, debatendo qualquer pseudo-conversa que seja, por meio de gritaria ou com todos falando ao mesmo tempo. Isso não leva a resultado positivo nenhum e é apenas total perda de tempo mesmo. Pessoas que podem escolher como se portar e agem com essas práticas, estão dando vazão pra própria imbecilidade e descontrole. Essa impulsividade descontrolada nunca fez o salário de ninguém aumentar de forma lícita, nem nunca fez com que uma ideia fosse melhor compreendida por ninguém. É só uma chateação a mais de gente que não tem noção e respeito pelos ambientes onde está.

Você também já deve ter visto situações onde as pessoas aumentam o som do carro em tal altura, que pra tal feito precisam de amplificadores e baterias adicionais. Não satisfeitos de apenas gastarem o dinheiro em vão, tentam fazer isso com algo que importuna a quase todo mundo por onde passa. Quem faz isso tem a mentalidade equivocada de que chamar a atenção é sinônimo de sucesso, mas a única verdade que podemos extrair disso tudo é que pessoas assim, com complexo, que precisam colocar uma melancia na cabeça pra aparecer, só conseguem repelir as outras pessoas enquanto atrai somente pessoas vazias e complexadas como essas. Forçar alguém a ouvir o que você está ouvindo não é só egoísmo e necessidade de chamar atenção pra si, mas é uma das formas garantidas de confirmar sua imbecilidade. Não seja essa pessoa, a menos que seu foco seja em fracassar. Se for esse o caso, fracasse longe dos ouvidos de quem não tem culpa pelas suas questões mal resolvidas.

Então, quando você notar que não consegue apresentar algo agradável aos demais, prefira o silêncio. Não consegue evitar que seu alarme dispare todos os dias, pois não tem tempo ou vontade de consertar o defeito? Desligue o alarme, pois se o alarme não está cumprindo a função real dele, então ele não te serviu de absolutamente nada e não faz sentido gastar eletricidade com algo 100% inútil. Poupe o ouvido de seus vizinhos e seja alguém menos detestável.

Quando não conseguir conversar de maneira agradável com alguém, feche a boca e fique em absoluto silêncio. Observar e ouvir vão te dar opções muito valiosas pra compreensão de inúmeras coisas sobre a vida e as pessoas, mesmo que as pessoas estejam simplesmente falando bobagens. Aliás, quando as pessoas estiverem desinteressantes pra você, sinta-se no direito de mudar de companhia, de ambiente, etc. Você não é obrigado a debater com alguém ou ouvir o que as pessoas tem a dizer. Se todas as pessoas do mundo soubessem o valor do silêncio, menos conversas desgastantes seriam traçadas em vão.

Não consegue compor uma música? Cante no chuveiro, cante só pra você, mentalmente ou simplesmente não cante. Que tal transformar sua inabilidade pra cantar em uma dança ou texto? Ou então, se quer persistir na música, aprenda os meios de torná-la melhor. Incentivo completamente que as pessoas busquem seus talentos e desenvolvam suas habilidades, mas não há necessidade de estorvar ninguém com barulhos que não agregam nada. Quando as pessoas tem o mínimo de noção e perdem o egoísmo, superando complexos e fraquezas, fazem um melhor papel na sociedade, estorvam menos e se tornam mais úteis e queridas. Todos saem ganhando.

Os ruídos também estão presentes em outras formas que não o som. Chama-se de ruído tudo aquilo que é secundário e inconveniente. Um ruído é um estímulo ou conjunto de estímulos que fica em torno de algo ou alguém. Excesso de fios e placas numa cidade podem ser considerados ruídos. Chuvisco e granulações em imagens são ruídos. Também são ruídos toda diversidade de pequenas coisas que ocorrem pelo mundo que, quando somadas, tornam-se uma malha de incômodos que destoa da experiência pura ou limpa de algo. Pra quem é mais antenado com a área de Design Gráfico, já deve ter ouvido o termo ‘clean‘ pra se referir a um estilo de gráfico mais “limpo”, com menos elementos ou até mesmo ‘minimalista’. A experiência se torna mais agradável pros olhos e pra mente quando você simplifica e reduz o excesso de informação, a poluição visual e o excesso de estímulos, seja em cores, variações de fontes, quantidade de imagens, formas, texto, texturas, etc. É o caso de dizer que ‘menos é mais’, uma frase bem famosa no meio de criação.

Juízo, pessoal. Nos vemos em breve.

Rodrigo Meyer

Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer

A ilusão da casta dos intelectuais.

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia para o filme “The Heavenly Body” (1944) da MGM feita por funcionários, sem especificações da autoria. A atriz fotografada, Hedy Lamarr (nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler) foi também a inventora do sistema de comunicação que se tornaria posteriormente o Wi-Fi.

As sociedades se acostumaram com a terrível convenção de que intelectuais são uma casta entre os humanos que foi predestinada a pensar, enquanto os outros apenas abaixam a cabeça em sinal de respeito. Que terrível. Todo ser humano é um intelectual, querendo ou não. Somos todos predestinados a pensar. A diferença é que nem todas as pessoas aceitam isso, a princípio. É evidente que temos diferenças culturais e sociais e a mente humana é extremamente complexa para explicarmos facilmente porque alguns se engajam mais que outros.

Com tanto que todos estejam entretidos em experimentar a vida, mesmo que amargamente com suas dores e distanciamentos, já se colocaram no papel de intelectual, pois se colocaram no papel de humanos. Humanos pensam, assim como os demais animais, cada um à sua maneira, mediante suas necessidades do momento. Quando inventaram essa casta invisível de humanos intelectuais, certamente tentaram abrir caminho para um poder operado através do status.

Recentemente vimos tantos casos de pessoas de fama pelo tal intelecto, que mostram-se apenas muito conhecedoras de palavras, porém com ideias e éticas que apodrecem com extrema facilidade. Se vendem por um punhado de vaidade e quando menos esperam, já não estão pensando nada de relevante. Misturado à estes, está também o falso intelectual, um indivíduo que, embora não tenha nenhum apreço em pensar e aspirar cultura, corre expor rótulos em si mesmo, para se engrandecer como ser inteligente.

O status que corrói à ambos desmascara um problema maior por trás que é a profunda ignorância. É sempre bem lembrado que inteligência, cultura e valor, não estão relacionados à escolaridade que o indivíduo teve. Há pessoas geniais que sequer foram alfabetizadas e há pessoas que, embora tenham se diplomado em universidades, chegam a assustar de tanto absurdo que jorram pela boca sobre aquilo que “pensam”.

No Brasil, país que perpetua a malandragem, é comum ouvirmos as pessoas dizerem idiotices como “você sabe com quem está falando?”. A pergunta almeja engrandecer o autor, mas faz o inverso. Expõem a pequenez do indivíduo, o ridiculariza diante de sua ignorância e soberba. Por trás de profissões tidas como especiais e acima da lei, as pessoas julgam que são o ápice do valor e até da inteligência. Pobres estas pessoas que tudo tentaram em vão na vida, até o ponto em que tiveram que apelar para crachás simbólicos de cargos imaginários dentro de uma hierarquia sonhada em um mundo inconsistente que só existe na mente dessas pessoas. Devem enfrentar uma enorme batalha interna, lutando contra monstros imaginários, todos os dias. Ou talvez estejam apenas ignorando o caos interno com preguiça de lutar.

A cultura e a intelectualidade estão acessíveis à qualquer indivíduo. Os pré-requisitos são simples: havendo saúde mental suficiente e vontade, absorve-se tudo aquilo que se pretende. Não há restrições sociais ou financeiras. O pensamento ainda é gratuito e não depende de ninguém. Você pode, se assim quiser, sentar-se e ver a mágica acontecer instantaneamente. É evidente que, ter tempo livre ajuda, afinal, é difícil pensar e absorver cultura enquanto sua mente está totalmente voltada para o trabalho obrigatório, por exemplo. Mas, mesmo assim, ainda é possível pelo menos iniciar seus momentos e ir até onde as circunstâncias permitem. O que não se pode dizer é que a intelectualidade vem de uma gravata, um diploma ou uma profissão lida socialmente como mais valorosa.

Antigamente cientistas eram pessoas comuns que levavam suas paixões ao extremo. Muitos deles eram pobres. Pintores clássicos de obras que hoje estão valendo milhões pelos museus, passaram a vida em pobreza e às vezes até sem valor social. Escritores atemporais que iniciaram seus livros em outros tempos, nos marcaram a alma com ideias e contextos que custamos a ter na modernidade. Estamos regredindo coletivamente em um certo desmerecimento de nós mesmos, de nossos próprios potenciais. Precisamos nos reconectar com nosso prazer em explorar o mundo.

Sei que parece confortável acabarmos nossos dias sempre atrás das mesmas coisas, tendo as mesmas ideias, as mesmas frases e os mesmos olhares. Mas esse conforto aparente pode ser uma tremenda ilusão. Esse mecanismo de defesa do ser humano pode ser uma receita eficiente de manter-se longe dos traumas e da possível infelicidade ao chocar-se com a realidade. Pensar é perigoso, pois nos leva a conclusões nem sempre boas sobre a vida e nós mesmos. Muita gente evita se aprofundar nas autorreflexões, pois sabe que se cavar muito, encontrará vazios enormes e outras coisas terríveis.

A velha busca pelo V.I.T.R.I.O.L. pode nos deixar inseguros, tal como quem cava demais o chão de uma casa e desestabiliza os alicerces da mesma. Mas é preciso mergulhar até o íntimo de nós mesmos, de nossa mente e de nosso espírito para entendermos, superarmos e voltarmos fortalecidos de tudo aquilo. É uma maneira de fiscalizarmos nossos alicerces e reformarmos aquilo que estava insólito para retornarmos à superfície com uma casa mais firme que antes, que nos entregue paz em habitá-la, sem medo do que ela possa ter ou ser. A vida, com isso, pode se tornar mais divertida, mais iluminada, mais densa, mais interessante. Quanto mais progredimos em nós mesmos, mais sentimos vontade de ver o mundo ao redor buscar o mesmo. Não as mesmas coisas, claro, mas a mesma busca individual para as transformações, sejam lá quais forem.

Acredito, contudo, que o primeiro passo para fazermos esse progresso é reconhecermos nossa ignorância nas coisas. Não é saudável para a equação mentir sobre nossas aspirações e personalidade. Não diga ser um leitor se não tiver apreço pela leitura. Não diga que gosta de cinema, se o tema não te desperta curiosidade. Não diga que é apaixonado por Fotografia, se gosta de ver apenas a estética e nada além. Não se anuncie nos formulários de redes sociais como alguém que adora conversar, se você for monossilábico.

Não procure impressionar ninguém com seus hobbies, sua área de formação educacional, sua profissão ou seu repertório musical, por exemplo. Isso tudo é falsa intelectualidade. E você pode exercer sua intelectualidade sem esses apelos falsos. Você pode simplesmente impressionar qualquer outro indivíduo, apenas sendo você mesmo e tendo suas opiniões, suas reflexões, seus gostos, sua personalidade, seu jeito de ser e fazer as coisas. O parâmetro social é ilusório. E quando você tenta mostrar que está alinhado à algo que não está, você destaca o inverso do que pretendia e prejudica à si mesmo, afasta as pessoas e se mostra desinteressante tanto pelo caráter quanto pelo que pulsa na mente.

Deixe que sua intelectualidade venha naturalmente, com suas próprias necessidades e interesses. Não procure forçar interesse naquilo que não tem. Mas lembre-se que pode, se quiser, desenvolver as coisas das quais não tem muito talento. Já escrevi sobre isso em outros textos, sugerindo que as pessoas precisam cobrir os pontos fracos que possuem para que fiquem mais completas. Ayrton Senna dizia, por exemplo, que pilotos de corrida precisam malhar o corpo, pra ter resistência física. Muitos se impressionariam que isso fosse importante num esporte em que se pratica sentado dentro de um carro, mas muitos não sabem que corridas longas como as de Fórmula 1, são provas que exigem muito mais resistência física do que habilidade técnica para controlar o carro. Um corpo saudável pode ser a diferença entre uma corrida subitamente encerrada ou mesmo perdida por distrações advindas da fadiga. Para o ser humano, quanto mais completa for a equação, melhor serão os resultados e a própria experiência.

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Rodrigo Meyer

Quando estiver saturado, pare de absorver e comece a criar.

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As rotinas e os hábitos nos levam para coisas boas e ruins, mas nos levam a repetições. E, por isso, estamos sujeitos a nos sentirmos saturados, cansados de uma determinada situação, coisa ou pessoa. Às vezes são nossas memórias que nos assombram ou um vício, um costume ou tendência. Se não estamos satisfeitos com algo, precisamos parar de absorver essa realidade e dar nova função para nós mesmos.

Se estiver insatisfeito com os vídeos do Youtube, por exemplo, seria uma boa hora de começar a fazer seus próprios vídeos. Se o que anda lendo não te agrada, foque-se em escrever textos melhores. Se as músicas não parecem tão boas, torne-se o próximo músico a produzir algo interessante. Você pode sempre transformar a mesmice ao redor em algo que lhe engrandeça e, de quebra, ainda leva algo potencialmente bom para mais pessoas que também estavam buscando novidades.

Eu estou sempre em busca de algo que me surpreenda em qualidade ou estilo. Quero ver o diferente, o incomum. Nem sempre veremos pela frente aquilo que queremos. Se a realidade está desinteressante, podemos recriar a realidade, escrever histórias, inventar personagens e cenários, fazer um desenho, montar uma tirinha de gibi, viajar e explorar outras possibilidades, em outras cidades, com outras pessoas.

Temos as ferramentas na mão e quando não temos muito talento, temos a chance de aprender e desenvolver algo até nos tornarmos melhores. Esse engrandecimento pessoal é não só uma ocupação da mente, mas também do espírito. Dentro de nós pulsa essa força que nos exige oportunidades constantes de expressão. Precisamos abrir as janelas e deixar que as manifestações ocupem seus espaços.

A melhor forma de combater tudo que nos parece saturado, seja na mente ou na sociedade, é colocarmos nossas próprias expressões, com nossas próprias regras e valores. Você é convidado constantemente a cobrir de cores os muros cinzas, dar contraste nos papéis, reunir novas ideias e letras, dar outros sentidos para a internet e os relacionamentos. O que tem feito de seus dias, suas histórias, seus sentimentos e emoções? Como está lidando com o fato de estar livre para um novo dia amanhã? E o que tem feito sobre o dia de ontem que já passou e não volta mais? Está realmente construindo algo no momento presente?

Eu estou em busca dos meus talentos e do empoderamento de qualquer outro ser que queira desenvolver seus próprios. A cada vez que vejo alguém produzindo, sinto que temos solução à caminho. Se alguém me surpreende e me joga uma poesia fora dos velhos moldes ou me conta uma história improvável, meus olhos e ouvidos correm avisar meu cérebro de que portões estão abertos. Me vem um impulso de sorrir e os olhos até chegam a brilhar. Me dá uma vontade de sair pelas ruas, comemorando minha própria esperança pela humanidade.

A diversidade é importante e só é plenamente exercida se todos estiveram manifestando aquilo que gostariam de ver no mundo. O espaço que cada pessoa ocupa dá sentido indispensável para o mosaico que é o todo. A humanidade não se forma por conceitos de afunilamento, pois isso estrangula o próprio conceito de convivência. Quanto mais utilizarmos nossa essência individual para interagir com o coletivo, mais satisfeitos estaremos com nós mesmos.

Eu, por exemplo, quando noto que os grupos do Facebook estão entregando mesmice e banalidade, me coloco em modo de ação automaticamente e busco chacoalhar o meio com alguma piada, com um alguma informação nova, uma poesia, uma gentileza, um jeito novo de apresentar uma imagem ou até mesmo desistindo do grupo e abrindo outro grupo, com outras pessoas, para outros propósitos.

Essa oxigenação que fazemos nos ambientes e situações é também uma oxigenação de nós mesmos, de nossa mente, nossa vontade, nossa esperança , nossos pensamentos, nossos desejos. Isso nos permite reavaliar a vida, a felicidade e nosso bem-estar geral. Acredito que tenha sido Freud que disse que antes de nos diagnosticarmos com depressão, devemos ver se não estamos apenas cercados de idiotas.

É mais ou menos isso que entendo dos contatos gerais. Se as coisas nos parecem ruins demais talvez precisemos repensar o que estamos absorvendo. Você pode passar por todos os lugares e escolher o que de bom extrai de cada um deles. Se você não tem conseguido ver muitas coisas úteis, talvez esteja nos meios errados, cercado de idiotas, como sugere a frase. Talvez os conteúdos ruins, os hábitos ruins e as pessoas ruins sejam, juntos, a combinação fatal que nos adoece o espírito, nos rouba a paciência, nos tira o prazer, nos planta a ansiedade, nos leva embora a vontade de nos expressar. Se o excesso de lixo ocupa demais nossa mente, ficará difícil termos espaço livre para nossas próprias expressões.

Ao absorver qualquer coisa, não acumule. Use a transformação útil que pode ter daquilo e siga para o próximo momento. Fazendo uma analogia com a internet, ao abrir um link no navegador, aproveite o conteúdo e feche o conteúdo logo após. Faça a reflexão pelo tempo que for necessário e depois liberte-se desse peso. Converta em coisas novas como ações. Não deixe que isso fique plasmando insatisfação ou culpa em sua memória. O tempo passa e só você se prejudica com algo que carrega e não vê utilidade. Se você se obriga a carregar algo, talvez esteja supervalorizando uma ideia, lugar ou pessoa. E se não te faz bem, será que realmente lhe vale tanto?

Claro que, às vezes, não estamos devidamente prontos para receber as coisas de que precisamos e, então, nos sentimos engasgados, como uma rua apertada que não tem espaço para muitos carros ou pessoas. Às vezes queremos dar fluxo para muitas coisas em nossas vidas, mas travamos porque somos estreitos demais. Nesse caso, somos nós que precisamos nos alargar. Sente em frente ao espelho sem pressa e sem resistência e responda pra si mesmo se você está cansado de comer ou seu estômago que encolheu demais? É a luz, por si só, que te incomoda os olhos ou é você que estava tempo demais na escuridão? Os estímulos e cobranças sociais são pressões ou você que está fragilizado demais pra corresponder à eles? Será que somos realmente tão melhores que aquilo que vemos ao redor? Precisamos saber, seja lá qual for a resposta.

Se eventualmente suas reflexões te levam a sonhar mais e a buscar ajuda pra concretizar isso, então parece que o bem-estar vai predominar. Mas se você constantemente se refugia nos mesmos hábitos e nas mesmas pessoas que, claramente, não te levaram à nenhum lugar relevante de satisfação pessoal, psicológica, social, familiar, intelectual ou artística, então parece que o bem-estar não virá disso. Permita-se conversar consigo mesmo e responda essas perguntas. Tente se encontrar e veja quais caminhos te ajudam a subir e quais são apenas a velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete e futuramente ter um entulho pesado pra limpar, pela negligência acumulada ao longo dos meses e anos.

Para ir pra frente, pode contar comigo.

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Rodrigo Meyer

De quem é a culpa pelos rumos de um país?

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de Marc Schlumpf, tirada em 3 de maio de 2009 do “Landsgemeinde”, uma das mais antigas formas de democracia direta que ainda são praticadas em lugares na Suíça.

Ainda que governos interfiram no andamento das coisas em um país, quem permite a existência ou permanência desse governo, é o povo. Mesmo em situações de invasão e golpes, o desfecho de qualquer país está diretamente relacionado com o quanto somos permissivos. Se nos recusarmos a manter certos tipos de políticos no governo, estaremos protegidos de outros oportunistas.

Na Islândia, o Partido Pirata conseguiu reverter uma situação inaceitável, tendo o povo como núcleo da transformação. Reunidos em defesa de si mesmos, demitiram todo o governo, sem nenhuma exceção. Simplesmente se livraram de tudo que ali existia. Além disso, prenderam cerca de 26 banqueiros. Essa decisão que muitos países acham incrível e impraticável, aconteceu por lá como resposta à corrupção. Uma vez que não aceitavam aquilo, uniram-se e tomaram uma iniciativa curta e direta, sem meios termos.

Mas porque outros países não fazem o mesmo? A diferença crucial está na população. A Islândia não é composta de brasileiros, nem de americanos. Ela é formada de islandeses. De onde vem esse engajamento e união dos moradores da Islândia? Vem de tudo aquilo que construíram ao longo do tempo pra si mesmos. Cultura entre as pessoas e valorização do indivíduo, dentro das escolas, das famílias e da sociedade em geral. Houve um esforço sincero de avanço nas questões sociais e psicológicas de cada pessoa e uma infinidade de avanços sociais como resultado de todo o verdadeiro interesse em construírem um ambiente bem-sucedido, onde todos se sintam interessados em continuar apoiando os benefícios e, portanto, apoiando a si mesmos.

O Brasil, contudo, é o inverso disso. Aqui o individualismo reina e nada temos em investimentos de psicologia, sociologia, educação, cultura e afins. O paraíso da Islândia não é um acaso, não é sorte e não é algo mágico que sempre existiu firme e forte. Países como a Holanda estão fechando presídios por ausência de presos. A criminalidade some e como consequência o controle social torna-se menos necessário. Qual é a mágica? Países como a Noruega, por sobrarem tantas vagas em presídios, chegam a importar presos, como forma de contribuir com outras comunidades ao mesmo tempo em que dão alguma serventia pras estruturas que já existem.

Mas a obtenção desses benefícios sociais não depende exatamente dos políticos ou governos. Quem dá abertura pra que essa realidade seja planejada e desenvolvida é a população, que determina aquilo que aceita ou não nos postos de trabalho, na sociedade ou fora dela. Unidos entre eles mesmos, eles decidem o que querem pra todos. Debates e conversas abertas entre todos os interessados vão apontar à eles se devem investir na raiz dos problemas ou se devem enxugar gelo, como muitos outros países fazem.

Certos países se beneficiam de um paraíso que eles mesmos se determinaram a construir. Já se perguntou quais são os países que possuem menos presídios, melhores escolas, índice zero em analfabetismo e fome? Quais são os países que estão derrubando corrupção e fechando presídios? Porque estão fazendo isso? Como estão conseguindo chegar nesse nível de solução social? Seria mágica? Será que demandou muito dinheiro? A verdade é que quando você para de enxugar gelo, você não joga dinheiro no lixo comprando pano toda vez que ele encharca. Investir certo da primeira vez economiza dinheiro ao invés de demandar mais gastos. Mas, os corruptos e exploradores querem continuar a vender panos para países como o Brasil, que passam a vida enxugando gelo e continuam na mesma situação há séculos. E é a população que permite que esses exploradores existam.

Entendo que boa parte dos brasileiros e da população mundial geral não possuem noção de potencial próprio, de união ou de cultura. Não há como esperar que estes desejem imitar a Islândia, por exemplo. Falta em muitos por aqui, infelizmente, vontade de honestidade própria ainda. Como poderemos, então, cobrar que os políticos sejam honestos? Que sentido teria um brasileiro corrupto querer demitir um governo corrupto? Que moral possui um brasileiro desse tipo pra cobrar qualquer coisa em seu próprio país? Onde se aceita o erro, não se cobra a correção. A equação não é mais complexa que isso. O povo é, portanto, o responsável pela situação de seu próprio país.

Claro que podemos nos dar as mãos, nos ajudar e começar a reverter isso. Podemos, se quisermos, repensar valores, repensar a ética, repensar os dramas psicológicos, as estruturas familiares, o desempenho educacional, o interesse pelo aprendizado, as transformações individuais e coletivas por meio de acompanhamento, apadrinhamento, amizades positivas, engrandecimento dos acertos, empoderamento das pessoas, valorização do indivíduo, inserção das pessoas nos meios sociais, reintegração das pessoas por meio de reabilitação física, emocional, psicológica, social, intelectual, funcional, entre tantas outras coisas.

Há muito trabalho pra se fazer e não serão os governos corruptos que terão interesse de ajudar nesse progresso. Muito pelo contrário. O que eles puderem fazer pra ampliar a miséria e a desigualdade social, farão, pois isso ajuda alguns poucos em termos de poder e dinheiro. A miséria dá lucro, a violência dá lucro, a ignorância dá lucro. Um país derrotado e afundado como o Brasil é uma mina de ouro pra uns poucos, na velha prática de se enxugar gelo.

Claro que as saídas não ocorrem da noite pro dia, mas isso não é uma deixa pra você voltar ao conformismo ou a desistência do tema. Pelo contrário. Sabendo que há muito pela frente, você precisa ser duas vezes mais engajado na transformação das pessoas. Pegue uma pessoa da sua família, do seu círculo de amigos, do seu meio social, do seu trabalho ou colégio e plante suas sementes. Você tem o potencial de fazer algo para alguns e deve se juntar à mais gente que faça o mesmo. Juntos estarão transformando multidões. A progressão matemática da união é a diferença entre gotas tentando lavar um quintal com lama em comparação com gotas unidas, formando uma enxurrada de água. Separados somos frágeis e pouco eficientes, mas juntos somos poderosos.

Não incentive as pessoas que batalham pela desistência da luta. Essa luta delas é, muitas vezes, fruto de más reflexões ou até mesmo ações coordenadas por quem quer dissuadir as pessoas da ação de transformação. Quando alguém tenta montar coletivos de transformação social, empoderamento e similares, logo isso começa a deixar corruptos inseguros, pois se muita gente fica consciente e engajada, podem acabar varrendo pra fora o entulho do país. A Islândia fez isso e quase nenhum país ou mídia teve interesse de anunciar o fato. Não houve nenhuma discussão sobre uma das ocorrências que considero mais relevantes no mundo moderno.

Pessoas ao redor do mundo estão fazendo seus papéis, conforme o poder de união que conseguem entre as pessoas. O brasileiro, enquanto for pouco receptivo para a ajuda, se verá longe da solução de seus próprios problemas. A cada vez que alguém estende as mãos, passa pelo Brasil toda uma oportunidade de surpreendermos o mundo. Não adianta ficar acomodado, esperando as coisas mudarem sozinhas ou pela ação dos outros. A sua ação é tão indispensável quanto a dos demais. A equação que funciona não é alguns fazendo e outros olhando. É preciso que todos façam seu papel e aceitem a interação proposta. Só assim você verá seu esforço ser revertido em algo que efetivamente funciona.

Em todos os textos, estou aqui estendendo minhas mãos em muitos sentidos. Através dos contatos que estamos traçando dentro e fora da internet, com os mais variados tipos de pessoas, nas mais variadas situações de vida, vamos construindo uma teia, uma rede de contatos. Sei que grande parte das pessoas sequer poderão acessar a internet para desfrutar dos textos, mas para os que podem, cabe o compartilhamento dos aprendizados, levando tudo isso ao maior número possível de pessoas.

Já escrevi em textos anteriores, sobre a importância de iniciativas no trabalho e nos estudos, promovendo acesso e função para nossos trabalhos e habilidades. Precisamos fazer algo mais de nossos talentos e conhecimentos, permitindo que eles sejam também ferramentas de transformação social. É muito mais interessante viver na Islândia do que no Brasil. Então façamos do Brasil uma Islândia ou qualquer outra coisa que entendermos como um ideal para nosso povo.

Somos mais de 200 milhões de pessoas atualmente. Você se pergunta quantas dessas pessoas tem condições e vontade de habitar espaços livres? Quantas delas buscam status e dinheiro como forma de se isolarem dos demais ao invés de buscarem a equalização da qualidade de vida pra todos? Quantos estão preferindo morar encarcerados na própria casa, por falta de interesse de resolver os problemas sociais pela raiz? Querem enxugar gelo a vida toda ou querem desfrutar do bem-estar da Holanda, Islândia, Noruega e afins? Pense diferente, pense melhor, pense pra frente, pense que você pode ser a diferença na equação. Mude a si mesmo e o mundo ao redor magicamente abre alguns caminhos bem tranquilos para retribuir.

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Rodrigo Meyer

As máscaras do ser humano.

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Em um efeito bola-de-neve terrível, a humanidade mediana alimenta as pessoas com seus próprios complexos e traumas. Ao invés de solucionar e superar os problemas, despejam reações doentias como expressão dessas condições anteriores. E, claro, isso forma mais doentes. A desarmonia é o único resultado e todos ficam infelizes. Não é algo inteligente ou útil de se fazer. A boa notícia é que nada precisa ser assim.

O ser humano reage com máscaras para tudo que ele não tem interesse de manifestar com sinceridade. É assim em quase todos os temas da vida. Você verá, por exemplo, pessoas usando religiões como pretexto ou fachada para pensamentos opostos. Verá estas fachadas servirem como desculpa pra cegueira reforçada e pro ódio generalizado, tanto quanto servem pra acobertar crimes e os justificá-los.

Em certos países, por exemplo, “igrejas” ao estilo das que temos no Brasil, como estruturas de captação de dinheiro e disseminação de ódio, são totalmente proibidas de sequer entrar no país. No Brasil, a prática é permitida e até incentivada, uma vez que não há cobrança de impostos para se abrir um a quadrilha dessas, desde que estejam sob a fachada de uma religião ou igreja, pois podem, assim, justificar toda e qualquer movimentação ilícita de dinheiro e até certas práticas além.

Assim sendo, os maiores interessados nesse tipo de crime ficam altamente interessados em abrir “igrejas” pra essas finalidades. Bandidos como são, não me surpreende em nada que estas mesmas pessoas figurem em notícias de estupro, assassinato, tráfico de drogas, corrupção na política, disseminação de ódio e violência, formação de todo tipo de grupos de apoio à criminosos e práticas criminosas.

O público que adentra pra muitas dessas religiões e igrejas, pouco está interessado nos princípios pregados pela figura central. Em tempos onde esses aglomerados dizem, por exemplo, que são cristãos, é incoerência pura que detestem plenamente toda e qualquer pessoa que tenha atitudes, ideologias ou práticas como as de Jesus Cristo. No uso mais elementar da lógica, não se pode atribuir à essas pessoas nenhuma proximidade ou gosto pelo cristianismo, visto que não possuem igual proximidade e gosto pela figura que o referencia: Jesus. Se Jesus voltasse, certamente seria perseguido e morto pelos próprios “cristãos” de hoje em dia, tamanho o contraste dos ideais.

Mas, máscaras são usadas livremente, pois o que se pretende com esses crachás e práticas não tem nada de espiritualidade ou ideologia religiosa. Essa fraqueza em admitir os motivos reais vem da insegurança e instabilidade do ser humano adoentado que, munido de muitos complexos e traumas, teve uma vida saturada de abusos, fracassos, incômodos e tristezas. Mas ao invés de resolvê-los, escolheu despejar ódio em quem não tinha nada que ver com isso. Eis o porquê tantas dessas pessoas são figuras que tudo apontam e reprimem no outro, assim não precisam focar os olhos em si mesmas. Camufla-se o preconceito com uma citação bíblica ou um discurso de um bandido vestido de pastor, por exemplo. É conveniente.

Também são igualmente comuns as máscaras políticas. Engana-se enormemente quem acredita haver interesses ideológicos sólidos por trás da maioria das escolhas de vertentes políticas. Assim como em muitas partes do mundo, no Brasil, a simples distinção entre Esquerda e Direita, já não tem nada a ver com escolhas de caminhos políticos para gestão social. As pessoas adotam o termo “direita” sem nem ao menos saber o que isso significa. Para elas, ser direita é apenas a forma de se opor à Esquerda, seja lá o que isso represente.

Se alguém, por interesses obscuros, quiser dizer que algo é ruim, basta associá-lo ao outro “time” nessa dualidade e fazer com que toda massa de um lado apoie qualquer coisa e combata qualquer coisa. E essa imbecilidade vem do fato de que elas não estão lá por ideais políticos, mas apenas por medo e ódio, seguindo cegamente o que sequer conhecem. Então veste-se a máscara de um ou outro “posicionamento” para formar um “time” entre a dualidade pretendida e defender isso ferrenhamente como, infelizmente, ocorre com os times de esporte em várias partes do mundo. O famoso “eu versus o outro”, independente de quem eu seja e de quem seja o outro. É, por si só, hilário, apenas de se ler. Imagine na prática! (Esse vídeo pode te ajudar a rir ou vomitar mais).

Máscaras também são utilizadas nas profissões. É lindo adotar um nome que esteja em alta, na moda, que renda status ou até uma noção despojada de vida. Por muito tempo, as profissões de arquiteto, engenheiro, médico, advogado e empresário, eram o ápice da nobreza e quem não seguisse por esses cursos era mal visto e desprezado pela família. Ainda hoje isso existe, pois essa cobrança social (dentro e fora das famílias) é passada de geração pra geração como um papagaio que repete eternamente o que é e o que não é bom de se ser, fazer ou ter, segundo o que ouviram a vida toda.

E o problema de se vestir tais máscaras é que por trás desses supostos títulos de médicos ou advogados não se encontram os verdadeiros profissionais. Atrás da máscara de um médico, pode-se encontrar, infelizmente, todo tipo de bandido desinteressado em cumprir com seu juramento de salvar vidas. Desde pessoas que defendem a morte de pacientes por questões de “oposição política”, de racismo, de machismo, até situações onde o descumprimento da profissão é generalizado, tornando-se apenas uma fachada para cometer crimes rotineiros, como foram muitos casos de estupradores (inclusive de crianças) que adentraram na área médica pra viabilizar tais objetivos.

A humanidade usa máscaras o tempo todo. Ela tenta parecer melhor, mais honesta, mais espiritualizada, mais culta, mais forte, mais nobre, mais viva, mais bonita, mais jovem, mais interessante, com mais poder de influência, mais noção da realidade. Mais, mais, mais. E, debaixo das máscaras, apenas menos, menos e menos. E o próprio uso constante das máscaras apodrece o que há de bom por baixo. O constante sufocamento pela fachada, elimina gradualmente as chances de algo bom sobreviver naquela pessoa. E assim contaminam-se até o ponto de não mais se reconhecerem senão pela imagem da máscara. E quebram a cara, claro, ao se chocarem com todo tipo de realidade, pois a verdade não muda, apenas porque alguém se fantasia. Usar a foto de um pássaro amarrada no rosto, não faz ninguém voar e no primeiro penhasco despenca sem volta.

Abandonar as máscaras o quanto antes é benefício pra própria pessoa. É sem elas que terá oportunidades de se realizar como ser humano, encontrar seus talentos na vida, suas verdadeiras preferências e gostos, suas ideologias, suas filosofias, seus valores, suas práticas, suas realidades e outras pessoas que igualmente vivem essas realidades, sem máscaras. O “clubinho” das pessoas verdadeiras ainda não é popular, mas podemos sempre ampliar esse grupo e mudar o jogo. Basta querermos.

Assim que abandonamos uma máscara, entramos automaticamente pro lado das pessoas que lutam por espaços gratificantes de se viver. E será cada vez mais fácil viver nesse lado, se mais pessoas estiverem lá, pra apoiar e interagir. Difícil mesmo é socializar às cegas com todo tipo de ódio e violência que brota nesse carnaval de máscaras nada parisiense. Deixe as máscaras apenas para jogos temporários de diversão. Verá como é bem mais interessante e produtivo dividir a realidade dessa forma. As máscaras sociais, por status ou pra acobertamento de falhas de conduta, prática ou pensamento, não trazem benefícios pra ninguém. Comece se amando hoje mesmo e transforme-se numa pessoa melhor pra si mesmo. Ao fazer isso, você se torna melhor também para os outros que terão que conviver com você e, certamente, eles começarão a retribuir isso pra você. Seja inteligente na sua escolha.

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Rodrigo Meyer