Voltas e recomeços.

Depois de dias sem postar, estou de volta com este texto. Aproveito o contexto pra discutir o próprio tema ‘recomeço’ e deixar algumas reflexões.

Por mais que desejemos uniformidade ou constância no nosso bem-estar, a maioria de nós passará por momentos difíceis e por diversos imprevistos. Mas nem todo imprevisto é ruim em si. A vida costuma se apresentar de forma inconstante, porque as pessoas são inconstantes e a própria Natureza é pouco dominada diante de sua grandeza e complexidade. O mais sensato é nos lapidarmos pra adquirir alguma habilidade de resiliência, como uma árvore que retorna para sua posição original depois de ser envergada pelo vento forte.

Por vezes, não é fácil entender e aceitar as coisas como elas são ou parecem ser. Temos sempre que estar um passo adiante da nossa zona de conforto, pois mesmo quando saímos de uma zona de conforto inicial, expandimos essa zona e a cada vez precisamos dar um novo passo pra não ficarmos acomodados naquilo que conquistamos. Eu tenho sentido que fiz grandes progressos por me colocar sempre em desafios. A vida se torna mais difícil quando queremos algo, porém se desistirmos,  a aparente facilidade disso nos mostra que apenas abdicamos de tentar e que não tentar exige nenhum esforço.

Encarei muitas situações incômodas desde sempre, mas sempre estive observando a realidade e a mim mesmo para poder compreender minhas opções. Quanto mais conhecemos o funcionamento das coisas, mais fácil se torna perceber onde e como podemos contornar os problemas. Alguns veem isso como criatividade. Eu acho que é apenas o curso natural das coisas quando se busca saídas. Existe uma frase que diz que ‘a necessidade é a mãe da invenção’.

Tem chegado a hora de eu me reinventar. Estou em busca de recomeços porque preciso deles. Recomeçar pode ser perturbador, porque somos levados de volta ao zero e temos que construir tudo novamente. Mas, por outro lado, temos conosco a experiência e a sabedoria que adquirimos em nossas outras empreitadas. Cada fase da minha vida eu dediquei esforço concentrado em certas atividades e áreas de estudo e tive a oportunidade de mergulhar em muita prática. Eu adquiri o tal de know-how que é tão importante em qualquer setor da vida.

Hoje, tentando maneiras novas de chegar na estabilidade e bem-estar, começo a olhar ao meu redor e a descobrir quais outras coisas estão ao meu alcance. Que outras ferramentas ou maneiras diferentes de usá-las poderão fazer a diferença pra mim? Fico imaginando as pessoas perseguindo sonhos alheios que não as pertencem e vejo muita gente dedicar esforço, tempo e até dinheiro em contextos que são natimortos. Aquilo que as pessoas descobrem tardiamente tende a ser algo obsoleto, pois tudo hoje em dia é muito passageiro. Vejo as pessoas se inspirando em ideias que já não podem mais prosperar ou que já estão saturadas de gente tentando.

Pensar o novo e estar à frente é sair dessa bolha de imitação das massas. Por mais que alguém esteja fazendo sucesso em algo, não significa que imitá-los será garantia de sucesso pra você também. Algumas pessoas iniciaram suas empreitadas em outros tempos, quando aquilo ainda fazia sentido ou quando aquilo ainda era novo o suficiente pra que houvesse pouca gente fazendo e muita gente interessada na novidade. E, atualmente, em um momento em que isso já atingiu um ápice de possibilidades, o futuro já está em outras coisas.

Você pode arriscar a sorte e tentar fazer mais do mesmo. Mas é muito mais garantido investir naquilo que será a próxima realidade, o próximo boom. Mas, não é tão fácil descobrir em que direção isso está. Não sabemos ao certo como será o futuro e nem como nós conseguiremos ou não nos posicionar nestas novas realidades. Tudo que podemos fazer é estarmos flexíveis, de mente aberta e sempre engajados em fazer cada vez mais coisas, arriscar o incerto, tentar o diferente, se permitir ao novo. Mudar pode nos tirar da zona de conforto, mas também pode ser a nossa única chance de conquistarmos algum outro conforto menos ilusório.

A maioria das pessoas não lida bem com a realidade. Elas não aceitam bem o estado em que estão, mas se esquecem que grande parte dessa realidade, às vezes, é fruto das próprias escolhas dessas pessoas. Quando alguém recusa insistentemente a olhar pra verdade diante do espelho e lapidar-se ao necessário, não há como esperar resultados positivos e grandes elogios adiante. Se nada fazem pra se tornarem melhores, como podem querer que o mundo as veja como melhores? Talvez entre eles, numa confusa troca de ilusões, possam brincar de ídolos versus fãs. Mas, fora dessa alucinação coletiva de mal gosto, a verdade é que valem igualmente pouco e vivem igualmente infelizes, sem vida própria e sem motivo válido. São pouco úteis, embora aparentem ser os mais requisitados.

Tão importante quanto saber recomeçar é aceitar com tranquilidade as situações fora do ideal. Não significa se conformar e nem mesmo idealizar isso, mas sim sentir-se bem, apesar disso. Há possibilidade de bem-estar em situações que acharíamos improváveis. Temos que reavaliar nossos padrões, nossas referências e nos colocar com outros olhos e outros sentidos diante das coisas. Algo parecido com aquele ditado que diz que ‘quando a vida te dá limões, faça uma limonada’.

Para seguir adiante com ou sem recomeços, é preciso entender quem se é, como o mundo funciona e quais seus limites e objetivos reais. Faça uma lista, mesmo que mental, de prioridades e estabeleça quais delas são mutáveis. Às vezes o que achamos ser imprescindível para o bem-estar hoje, pode ser descoberto como inútil ou até mesmo prejudicial.

Se não tivermos olhos sinceros pra dentro de nós mesmos e para a sociedade ao nosso entorno, seremos sempre a marionete manipulada que caminha pro abismo com um sorriso no rosto, acreditando ter sido levada ao ápice. Se você não entende bem porque está subindo, você não está no controle e talvez só esteja sendo erguido para um salto livre no abismo. O mesmo pode ser dito pra quem não sabe porque está caindo. Há uma frase que diz que ‘a realidade é do tamanho da sua mente’.

“Errar é humano, repetir o erro é burrice.”

Rodrigo Meyer

Silêncios são melhores que ruídos.

Quando o assunto é comunicação e interação, muita gente acredita que diante da impossibilidade de fazer o completo e/ou ideal, qualquer coisa é melhor que nada. E não é bem assim. Vamos pegar a música como analogia. Se você não pode criar algo harmonioso que valha a pena ser ouvido, qualquer tentativa insuficiente não ficará no meio do caminho entre péssimo e ótimo. Um chiado de rádio fora do ar nunca foi 50% bom na escala de música. Tudo que não cumpre bem-estar a quem recepciona, não está minimamente aceitável para aquela finalidade.

Outra analogia seria a própria matemática para a Engenharia. Não tente construir uma peça com medida diferente da necessária ou fora da margem de tolerância. Se aquilo não cumpre a função mínima necessária, não servirá. Não existe como dizer que uma roda cortada ao meio como uma meia-lua, possa ter metade da função de uma roda plena. Aceite.

Por características pessoais, os ruídos são bem mais incômodos pra mim do que pra maioria das pessoas. Entro em profunda irritação com sons estridentes, berros, cães latindo insistentemente, alarmes, muitas pessoas falando ao mesmo tempo e todo tipo de desastre de comunicação. Independente das minhas características, pode-se analisar a questão do ponto de vista da necessidade e eficácia.

Você nunca verá, por exemplo, chover ouro e soluções quando um cachorro passa 4 horas incessantes latindo. O cachorro é o que menos tem culpa nisso. Ele age instintivamente reagindo em defesa de algum suposto estranho ou inimigo, fazendo o papel ao qual ele se vê encaixado, protegendo o território dele.

Você nunca verá alguém com verdadeiro interesse em aprender ou ensinar, debatendo qualquer pseudo-conversa que seja, por meio de gritaria ou com todos falando ao mesmo tempo. Isso não leva a resultado positivo nenhum e é apenas total perda de tempo mesmo. Pessoas que podem escolher como se portar e agem com essas práticas, estão dando vazão pra própria imbecilidade e descontrole. Essa impulsividade descontrolada nunca fez o salário de ninguém aumentar de forma lícita, nem nunca fez com que uma ideia fosse melhor compreendida por ninguém. É só uma chateação a mais de gente que não tem noção e respeito pelos ambientes onde está.

Você também já deve ter visto situações onde as pessoas aumentam o som do carro em tal altura, que pra tal feito precisam de amplificadores e baterias adicionais. Não satisfeitos de apenas gastarem o dinheiro em vão, tentam fazer isso com algo que importuna a quase todo mundo por onde passa. Quem faz isso tem a mentalidade equivocada de que chamar a atenção é sinônimo de sucesso, mas a única verdade que podemos extrair disso tudo é que pessoas assim, com complexo, que precisam colocar uma melancia na cabeça pra aparecer, só conseguem repelir as outras pessoas enquanto atrai somente pessoas vazias e complexadas como essas. Forçar alguém a ouvir o que você está ouvindo não é só egoísmo e necessidade de chamar atenção pra si, mas é uma das formas garantidas de confirmar sua imbecilidade. Não seja essa pessoa, a menos que seu foco seja em fracassar. Se for esse o caso, fracasse longe dos ouvidos de quem não tem culpa pelas suas questões mal resolvidas.

Então, quando você notar que não consegue apresentar algo agradável aos demais, prefira o silêncio. Não consegue evitar que seu alarme dispare todos os dias, pois não tem tempo ou vontade de consertar o defeito? Desligue o alarme, pois se o alarme não está cumprindo a função real dele, então ele não te serviu de absolutamente nada e não faz sentido gastar eletricidade com algo 100% inútil. Poupe o ouvido de seus vizinhos e seja alguém menos detestável.

Quando não conseguir conversar de maneira agradável com alguém, feche a boca e fique em absoluto silêncio. Observar e ouvir vão te dar opções muito valiosas pra compreensão de inúmeras coisas sobre a vida e as pessoas, mesmo que as pessoas estejam simplesmente falando bobagens. Aliás, quando as pessoas estiverem desinteressantes pra você, sinta-se no direito de mudar de companhia, de ambiente, etc. Você não é obrigado a debater com alguém ou ouvir o que as pessoas tem a dizer. Se todas as pessoas do mundo soubessem o valor do silêncio, menos conversas desgastantes seriam traçadas em vão.

Não consegue compor uma música? Cante no chuveiro, cante só pra você, mentalmente ou simplesmente não cante. Que tal transformar sua inabilidade pra cantar em uma dança ou texto? Ou então, se quer persistir na música, aprenda os meios de torná-la melhor. Incentivo completamente que as pessoas busquem seus talentos e desenvolvam suas habilidades, mas não há necessidade de estorvar ninguém com barulhos que não agregam nada. Quando as pessoas tem o mínimo de noção e perdem o egoísmo, superando complexos e fraquezas, fazem um melhor papel na sociedade, estorvam menos e se tornam mais úteis e queridas. Todos saem ganhando.

Os ruídos também estão presentes em outras formas que não o som. Chama-se de ruído tudo aquilo que é secundário e inconveniente. Um ruído é um estímulo ou conjunto de estímulos que fica em torno de algo ou alguém. Excesso de fios e placas numa cidade podem ser considerados ruídos. Chuvisco e granulações em imagens são ruídos. Também são ruídos toda diversidade de pequenas coisas que ocorrem pelo mundo que, quando somadas, tornam-se uma malha de incômodos que destoa da experiência pura ou limpa de algo. Pra quem é mais antenado com a área de Design Gráfico, já deve ter ouvido o termo ‘clean‘ pra se referir a um estilo de gráfico mais “limpo”, com menos elementos ou até mesmo ‘minimalista’. A experiência se torna mais agradável pros olhos e pra mente quando você simplifica e reduz o excesso de informação, a poluição visual e o excesso de estímulos, seja em cores, variações de fontes, quantidade de imagens, formas, texto, texturas, etc. É o caso de dizer que ‘menos é mais’, uma frase bem famosa no meio de criação.

Juízo, pessoal. Nos vemos em breve.

Rodrigo Meyer

Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer

A ilusão da casta dos intelectuais.

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia para o filme “The Heavenly Body” (1944) da MGM feita por funcionários, sem especificações da autoria. A atriz fotografada, Hedy Lamarr (nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler) foi também a inventora do sistema de comunicação que se tornaria posteriormente o Wi-Fi.

As sociedades se acostumaram com a terrível convenção de que intelectuais são uma casta entre os humanos que foi predestinada a pensar, enquanto os outros apenas abaixam a cabeça em sinal de respeito. Que terrível. Todo ser humano é um intelectual, querendo ou não. Somos todos predestinados a pensar. A diferença é que nem todas as pessoas aceitam isso, a princípio. É evidente que temos diferenças culturais e sociais e a mente humana é extremamente complexa para explicarmos facilmente porque alguns se engajam mais que outros.

Com tanto que todos estejam entretidos em experimentar a vida, mesmo que amargamente com suas dores e distanciamentos, já se colocaram no papel de intelectual, pois se colocaram no papel de humanos. Humanos pensam, assim como os demais animais, cada um à sua maneira, mediante suas necessidades do momento. Quando inventaram essa casta invisível de humanos intelectuais, certamente tentaram abrir caminho para um poder operado através do status.

Recentemente vimos tantos casos de pessoas de fama pelo tal intelecto, que mostram-se apenas muito conhecedoras de palavras, porém com ideias e éticas que apodrecem com extrema facilidade. Se vendem por um punhado de vaidade e quando menos esperam, já não estão pensando nada de relevante. Misturado à estes, está também o falso intelectual, um indivíduo que, embora não tenha nenhum apreço em pensar e aspirar cultura, corre expor rótulos em si mesmo, para se engrandecer como ser inteligente.

O status que corrói à ambos desmascara um problema maior por trás que é a profunda ignorância. É sempre bem lembrado que inteligência, cultura e valor, não estão relacionados à escolaridade que o indivíduo teve. Há pessoas geniais que sequer foram alfabetizadas e há pessoas que, embora tenham se diplomado em universidades, chegam a assustar de tanto absurdo que jorram pela boca sobre aquilo que “pensam”.

No Brasil, país que perpetua a malandragem, é comum ouvirmos as pessoas dizerem idiotices como “você sabe com quem está falando?”. A pergunta almeja engrandecer o autor, mas faz o inverso. Expõem a pequenez do indivíduo, o ridiculariza diante de sua ignorância e soberba. Por trás de profissões tidas como especiais e acima da lei, as pessoas julgam que são o ápice do valor e até da inteligência. Pobres estas pessoas que tudo tentaram em vão na vida, até o ponto em que tiveram que apelar para crachás simbólicos de cargos imaginários dentro de uma hierarquia sonhada em um mundo inconsistente que só existe na mente dessas pessoas. Devem enfrentar uma enorme batalha interna, lutando contra monstros imaginários, todos os dias. Ou talvez estejam apenas ignorando o caos interno com preguiça de lutar.

A cultura e a intelectualidade estão acessíveis à qualquer indivíduo. Os pré-requisitos são simples: havendo saúde mental suficiente e vontade, absorve-se tudo aquilo que se pretende. Não há restrições sociais ou financeiras. O pensamento ainda é gratuito e não depende de ninguém. Você pode, se assim quiser, sentar-se e ver a mágica acontecer instantaneamente. É evidente que, ter tempo livre ajuda, afinal, é difícil pensar e absorver cultura enquanto sua mente está totalmente voltada para o trabalho obrigatório, por exemplo. Mas, mesmo assim, ainda é possível pelo menos iniciar seus momentos e ir até onde as circunstâncias permitem. O que não se pode dizer é que a intelectualidade vem de uma gravata, um diploma ou uma profissão lida socialmente como mais valorosa.

Antigamente cientistas eram pessoas comuns que levavam suas paixões ao extremo. Muitos deles eram pobres. Pintores clássicos de obras que hoje estão valendo milhões pelos museus, passaram a vida em pobreza e às vezes até sem valor social. Escritores atemporais que iniciaram seus livros em outros tempos, nos marcaram a alma com ideias e contextos que custamos a ter na modernidade. Estamos regredindo coletivamente em um certo desmerecimento de nós mesmos, de nossos próprios potenciais. Precisamos nos reconectar com nosso prazer em explorar o mundo.

Sei que parece confortável acabarmos nossos dias sempre atrás das mesmas coisas, tendo as mesmas ideias, as mesmas frases e os mesmos olhares. Mas esse conforto aparente pode ser uma tremenda ilusão. Esse mecanismo de defesa do ser humano pode ser uma receita eficiente de manter-se longe dos traumas e da possível infelicidade ao chocar-se com a realidade. Pensar é perigoso, pois nos leva a conclusões nem sempre boas sobre a vida e nós mesmos. Muita gente evita se aprofundar nas autorreflexões, pois sabe que se cavar muito, encontrará vazios enormes e outras coisas terríveis.

A velha busca pelo V.I.T.R.I.O.L. pode nos deixar inseguros, tal como quem cava demais o chão de uma casa e desestabiliza os alicerces da mesma. Mas é preciso mergulhar até o íntimo de nós mesmos, de nossa mente e de nosso espírito para entendermos, superarmos e voltarmos fortalecidos de tudo aquilo. É uma maneira de fiscalizarmos nossos alicerces e reformarmos aquilo que estava insólito para retornarmos à superfície com uma casa mais firme que antes, que nos entregue paz em habitá-la, sem medo do que ela possa ter ou ser. A vida, com isso, pode se tornar mais divertida, mais iluminada, mais densa, mais interessante. Quanto mais progredimos em nós mesmos, mais sentimos vontade de ver o mundo ao redor buscar o mesmo. Não as mesmas coisas, claro, mas a mesma busca individual para as transformações, sejam lá quais forem.

Acredito, contudo, que o primeiro passo para fazermos esse progresso é reconhecermos nossa ignorância nas coisas. Não é saudável para a equação mentir sobre nossas aspirações e personalidade. Não diga ser um leitor se não tiver apreço pela leitura. Não diga que gosta de cinema, se o tema não te desperta curiosidade. Não diga que é apaixonado por Fotografia, se gosta de ver apenas a estética e nada além. Não se anuncie nos formulários de redes sociais como alguém que adora conversar, se você for monossilábico.

Não procure impressionar ninguém com seus hobbies, sua área de formação educacional, sua profissão ou seu repertório musical, por exemplo. Isso tudo é falsa intelectualidade. E você pode exercer sua intelectualidade sem esses apelos falsos. Você pode simplesmente impressionar qualquer outro indivíduo, apenas sendo você mesmo e tendo suas opiniões, suas reflexões, seus gostos, sua personalidade, seu jeito de ser e fazer as coisas. O parâmetro social é ilusório. E quando você tenta mostrar que está alinhado à algo que não está, você destaca o inverso do que pretendia e prejudica à si mesmo, afasta as pessoas e se mostra desinteressante tanto pelo caráter quanto pelo que pulsa na mente.

Deixe que sua intelectualidade venha naturalmente, com suas próprias necessidades e interesses. Não procure forçar interesse naquilo que não tem. Mas lembre-se que pode, se quiser, desenvolver as coisas das quais não tem muito talento. Já escrevi sobre isso em outros textos, sugerindo que as pessoas precisam cobrir os pontos fracos que possuem para que fiquem mais completas. Ayrton Senna dizia, por exemplo, que pilotos de corrida precisam malhar o corpo, pra ter resistência física. Muitos se impressionariam que isso fosse importante num esporte em que se pratica sentado dentro de um carro, mas muitos não sabem que corridas longas como as de Fórmula 1, são provas que exigem muito mais resistência física do que habilidade técnica para controlar o carro. Um corpo saudável pode ser a diferença entre uma corrida subitamente encerrada ou mesmo perdida por distrações advindas da fadiga. Para o ser humano, quanto mais completa for a equação, melhor serão os resultados e a própria experiência.

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Rodrigo Meyer

Quando estiver saturado, pare de absorver e comece a criar.

As rotinas e os hábitos nos levam para coisas boas e ruins, mas nos levam a repetições. E, por isso, estamos sujeitos a nos sentirmos saturados, cansados de uma determinada situação, coisa ou pessoa. Às vezes são nossas memórias que nos assombram ou um vício, um costume ou tendência. Se não estamos satisfeitos com algo, precisamos parar de absorver essa realidade e dar nova função para nós mesmos.

Se estiver insatisfeito com os vídeos do Youtube, por exemplo, seria uma boa hora de começar a fazer seus próprios vídeos. Se o que anda lendo não te agrada, foque-se em escrever textos melhores. Se as músicas não parecem tão boas, torne-se o próximo músico a produzir algo interessante. Você pode sempre transformar a mesmice ao redor em algo que lhe engrandeça e, de quebra, ainda leva algo potencialmente bom para mais pessoas que também estavam buscando novidades.

Eu estou sempre em busca de algo que me surpreenda em qualidade ou estilo. Quero ver o diferente, o incomum. Nem sempre veremos pela frente aquilo que queremos. Se a realidade está desinteressante, podemos recriar a realidade, escrever histórias, inventar personagens e cenários, fazer um desenho, montar uma tirinha de gibi, viajar e explorar outras possibilidades, em outras cidades, com outras pessoas.

Temos as ferramentas na mão e quando não temos muito talento, temos a chance de aprender e desenvolver algo até nos tornarmos melhores. Esse engrandecimento pessoal é não só uma ocupação da mente, mas também do espírito. Dentro de nós pulsa essa força que nos exige oportunidades constantes de expressão. Precisamos abrir as janelas e deixar que as manifestações ocupem seus espaços.

A melhor forma de combater tudo que nos parece saturado, seja na mente ou na sociedade, é colocarmos nossas próprias expressões, com nossas próprias regras e valores. Você é convidado constantemente a cobrir de cores os muros cinzas, dar contraste nos papéis, reunir novas ideias e letras, dar outros sentidos para a internet e os relacionamentos. O que tem feito de seus dias, suas histórias, seus sentimentos e emoções? Como está lidando com o fato de estar livre para um novo dia amanhã? E o que tem feito sobre o dia de ontem que já passou e não volta mais? Está realmente construindo algo no momento presente?

Eu estou em busca dos meus talentos e do empoderamento de qualquer outro ser que queira desenvolver seus próprios. A cada vez que vejo alguém produzindo, sinto que temos solução à caminho. Se alguém me surpreende e me joga uma poesia fora dos velhos moldes ou me conta uma história improvável, meus olhos e ouvidos correm avisar meu cérebro de que portões estão abertos. Me vem um impulso de sorrir e os olhos até chegam a brilhar. Me dá uma vontade de sair pelas ruas, comemorando minha própria esperança pela humanidade.

A diversidade é importante e só é plenamente exercida se todos estiveram manifestando aquilo que gostariam de ver no mundo. O espaço que cada pessoa ocupa dá sentido indispensável para o mosaico que é o todo. A humanidade não se forma por conceitos de afunilamento, pois isso estrangula o próprio conceito de convivência. Quanto mais utilizarmos nossa essência individual para interagir com o coletivo, mais satisfeitos estaremos com nós mesmos.

Eu, por exemplo, quando noto que os grupos do Facebook estão entregando mesmice e banalidade, me coloco em modo de ação automaticamente e busco chacoalhar o meio com alguma piada, com um alguma informação nova, uma poesia, uma gentileza, um jeito novo de apresentar uma imagem ou até mesmo desistindo do grupo e abrindo outro grupo, com outras pessoas, para outros propósitos.

Essa oxigenação que fazemos nos ambientes e situações é também uma oxigenação de nós mesmos, de nossa mente, nossa vontade, nossa esperança , nossos pensamentos, nossos desejos. Isso nos permite reavaliar a vida, a felicidade e nosso bem-estar geral. Acredito que tenha sido Freud que disse que antes de nos diagnosticarmos com depressão, devemos ver se não estamos apenas cercados de idiotas.

É mais ou menos isso que entendo dos contatos gerais. Se as coisas nos parecem ruins demais talvez precisemos repensar o que estamos absorvendo. Você pode passar por todos os lugares e escolher o que de bom extrai de cada um deles. Se você não tem conseguido ver muitas coisas úteis, talvez esteja nos meios errados, cercado de idiotas, como sugere a frase. Talvez os conteúdos ruins, os hábitos ruins e as pessoas ruins sejam, juntos, a combinação fatal que nos adoece o espírito, nos rouba a paciência, nos tira o prazer, nos planta a ansiedade, nos leva embora a vontade de nos expressar. Se o excesso de lixo ocupa demais nossa mente, ficará difícil termos espaço livre para nossas próprias expressões.

Ao absorver qualquer coisa, não acumule. Use a transformação útil que pode ter daquilo e siga para o próximo momento. Fazendo uma analogia com a internet, ao abrir um link no navegador, aproveite o conteúdo e feche o conteúdo logo após. Faça a reflexão pelo tempo que for necessário e depois liberte-se desse peso. Converta em coisas novas como ações. Não deixe que isso fique plasmando insatisfação ou culpa em sua memória. O tempo passa e só você se prejudica com algo que carrega e não vê utilidade. Se você se obriga a carregar algo, talvez esteja supervalorizando uma ideia, lugar ou pessoa. E se não te faz bem, será que realmente lhe vale tanto?

Claro que, às vezes, não estamos devidamente prontos para receber as coisas de que precisamos e, então, nos sentimos engasgados, como uma rua apertada que não tem espaço para muitos carros ou pessoas. Às vezes queremos dar fluxo para muitas coisas em nossas vidas, mas travamos porque somos estreitos demais. Nesse caso, somos nós que precisamos nos alargar. Sente em frente ao espelho sem pressa e sem resistência e responda pra si mesmo se você está cansado de comer ou seu estômago que encolheu demais? É a luz, por si só, que te incomoda os olhos ou é você que estava tempo demais na escuridão? Os estímulos e cobranças sociais são pressões ou você que está fragilizado demais pra corresponder à eles? Será que somos realmente tão melhores que aquilo que vemos ao redor? Precisamos saber, seja lá qual for a resposta.

Se eventualmente suas reflexões te levam a sonhar mais e a buscar ajuda pra concretizar isso, então parece que o bem-estar vai predominar. Mas se você constantemente se refugia nos mesmos hábitos e nas mesmas pessoas que, claramente, não te levaram à nenhum lugar relevante de satisfação pessoal, psicológica, social, familiar, intelectual ou artística, então parece que o bem-estar não virá disso. Permita-se conversar consigo mesmo e responda essas perguntas. Tente se encontrar e veja quais caminhos te ajudam a subir e quais são apenas a velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete e futuramente ter um entulho pesado pra limpar, pela negligência acumulada ao longo dos meses e anos.

Rodrigo Meyer

De quem é a culpa pelos rumos de um país?

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de Marc Schlumpf, tirada em 3 de maio de 2009 do “Landsgemeinde”, uma das mais antigas formas de democracia direta que ainda são praticadas em lugares na Suíça.

Ainda que governos interfiram no andamento das coisas em um país, quem permite a existência ou permanência desse governo, é o povo. Mesmo em situações de invasão e golpes, o desfecho de qualquer país está diretamente relacionado com o quanto somos permissivos. Se nos recusarmos a manter certos tipos de políticos no governo, estaremos protegidos de outros oportunistas.

Na Islândia, o Partido Pirata conseguiu reverter uma situação inaceitável, tendo o povo como núcleo da transformação. Reunidos em defesa de si mesmos, demitiram todo o governo, sem nenhuma exceção. Simplesmente se livraram de tudo que ali existia. Além disso, prenderam cerca de 26 banqueiros. Essa decisão que muitos países acham incrível e impraticável, aconteceu por lá como resposta à corrupção. Uma vez que não aceitavam aquilo, uniram-se e tomaram uma iniciativa curta e direta, sem meios termos.

Mas porque outros países não fazem o mesmo? A diferença crucial está na população. A Islândia não é composta de brasileiros, nem de americanos. Ela é formada de islandeses. De onde vem esse engajamento e união dos moradores da Islândia? Vem de tudo aquilo que construíram ao longo do tempo pra si mesmos. Cultura entre as pessoas e valorização do indivíduo, dentro das escolas, das famílias e da sociedade em geral. Houve um esforço sincero de avanço nas questões sociais e psicológicas de cada pessoa e uma infinidade de avanços sociais como resultado de todo o verdadeiro interesse em construírem um ambiente bem-sucedido, onde todos se sintam interessados em continuar apoiando os benefícios e, portanto, apoiando a si mesmos.

O Brasil, contudo, é o inverso disso. Aqui o individualismo reina e nada temos em investimentos de psicologia, sociologia, educação, cultura e afins. O paraíso da Islândia não é um acaso, não é sorte e não é algo mágico que sempre existiu firme e forte. Países como a Holanda estão fechando presídios por ausência de presos. A criminalidade some e como consequência o controle social torna-se menos necessário. Qual é a mágica? Países como a Noruega, por sobrarem tantas vagas em presídios, chegam a importar presos, como forma de contribuir com outras comunidades ao mesmo tempo em que dão alguma serventia pras estruturas que já existem.

Mas a obtenção desses benefícios sociais não depende exatamente dos políticos ou governos. Quem dá abertura pra que essa realidade seja planejada e desenvolvida é a população, que determina aquilo que aceita ou não nos postos de trabalho, na sociedade ou fora dela. Unidos entre eles mesmos, eles decidem o que querem pra todos. Debates e conversas abertas entre todos os interessados vão apontar à eles se devem investir na raiz dos problemas ou se devem enxugar gelo, como muitos outros países fazem.

Certos países se beneficiam de um paraíso que eles mesmos se determinaram a construir. Já se perguntou quais são os países que possuem menos presídios, melhores escolas, índice zero em analfabetismo e fome? Quais são os países que estão derrubando corrupção e fechando presídios? Porque estão fazendo isso? Como estão conseguindo chegar nesse nível de solução social? Seria mágica? Será que demandou muito dinheiro? A verdade é que quando você para de enxugar gelo, você não joga dinheiro no lixo comprando pano toda vez que ele encharca. Investir certo da primeira vez economiza dinheiro ao invés de demandar mais gastos. Mas, os corruptos e exploradores querem continuar a vender panos para países como o Brasil, que passam a vida enxugando gelo e continuam na mesma situação há séculos. E é a população que permite que esses exploradores existam.

Entendo que boa parte dos brasileiros e da população mundial geral não possuem noção de potencial próprio, de união ou de cultura. Não há como esperar que estes desejem imitar a Islândia, por exemplo. Falta em muitos por aqui, infelizmente, vontade de honestidade própria ainda. Como poderemos, então, cobrar que os políticos sejam honestos? Que sentido teria um brasileiro corrupto querer demitir um governo corrupto? Que moral possui um brasileiro desse tipo pra cobrar qualquer coisa em seu próprio país? Onde se aceita o erro, não se cobra a correção. A equação não é mais complexa que isso. O povo é, portanto, o responsável pela situação de seu próprio país.

Claro que podemos nos dar as mãos, nos ajudar e começar a reverter isso. Podemos, se quisermos, repensar valores, repensar a ética, repensar os dramas psicológicos, as estruturas familiares, o desempenho educacional, o interesse pelo aprendizado, as transformações individuais e coletivas por meio de acompanhamento, apadrinhamento, amizades positivas, engrandecimento dos acertos, empoderamento das pessoas, valorização do indivíduo, inserção das pessoas nos meios sociais, reintegração das pessoas por meio de reabilitação física, emocional, psicológica, social, intelectual, funcional, entre tantas outras coisas.

Há muito trabalho pra se fazer e não serão os governos corruptos que terão interesse de ajudar nesse progresso. Muito pelo contrário. O que eles puderem fazer pra ampliar a miséria e a desigualdade social, farão, pois isso ajuda alguns poucos em termos de poder e dinheiro. A miséria dá lucro, a violência dá lucro, a ignorância dá lucro. Um país derrotado e afundado como o Brasil é uma mina de ouro pra uns poucos, na velha prática de se enxugar gelo.

Claro que as saídas não ocorrem da noite pro dia, mas isso não é uma deixa pra você voltar ao conformismo ou a desistência do tema. Pelo contrário. Sabendo que há muito pela frente, você precisa ser duas vezes mais engajado na transformação das pessoas. Pegue uma pessoa da sua família, do seu círculo de amigos, do seu meio social, do seu trabalho ou colégio e plante suas sementes. Você tem o potencial de fazer algo para alguns e deve se juntar à mais gente que faça o mesmo. Juntos estarão transformando multidões. A progressão matemática da união é a diferença entre gotas tentando lavar um quintal com lama em comparação com gotas unidas, formando uma enxurrada de água. Separados somos frágeis e pouco eficientes, mas juntos somos poderosos.

Não incentive as pessoas que batalham pela desistência da luta. Essa luta delas é, muitas vezes, fruto de más reflexões ou até mesmo ações coordenadas por quem quer dissuadir as pessoas da ação de transformação. Quando alguém tenta montar coletivos de transformação social, empoderamento e similares, logo isso começa a deixar corruptos inseguros, pois se muita gente fica consciente e engajada, podem acabar varrendo pra fora o entulho do país. A Islândia fez isso e quase nenhum país ou mídia teve interesse de anunciar o fato. Não houve nenhuma discussão sobre uma das ocorrências que considero mais relevantes no mundo moderno.

Pessoas ao redor do mundo estão fazendo seus papéis, conforme o poder de união que conseguem entre as pessoas. O brasileiro, enquanto for pouco receptivo para a ajuda, se verá longe da solução de seus próprios problemas. A cada vez que alguém estende as mãos, passa pelo Brasil toda uma oportunidade de surpreendermos o mundo. Não adianta ficar acomodado, esperando as coisas mudarem sozinhas ou pela ação dos outros. A sua ação é tão indispensável quanto a dos demais. A equação que funciona não é alguns fazendo e outros olhando. É preciso que todos façam seu papel e aceitem a interação proposta. Só assim você verá seu esforço ser revertido em algo que efetivamente funciona.

Em todos os textos, estou aqui estendendo minhas mãos em muitos sentidos. Através dos contatos que estamos traçando dentro e fora da internet, com os mais variados tipos de pessoas, nas mais variadas situações de vida, vamos construindo uma teia, uma rede de contatos. Sei que grande parte das pessoas sequer poderão acessar a internet para desfrutar dos textos, mas para os que podem, cabe o compartilhamento dos aprendizados, levando tudo isso ao maior número possível de pessoas.

Já escrevi em textos anteriores, sobre a importância de iniciativas no trabalho e nos estudos, promovendo acesso e função para nossos trabalhos e habilidades. Precisamos fazer algo mais de nossos talentos e conhecimentos, permitindo que eles sejam também ferramentas de transformação social. É muito mais interessante viver na Islândia do que no Brasil. Então façamos do Brasil uma Islândia ou qualquer outra coisa que entendermos como um ideal para nosso povo.

Somos mais de 200 milhões de pessoas atualmente. Você se pergunta quantas dessas pessoas tem condições e vontade de habitar espaços livres? Quantas delas buscam status e dinheiro como forma de se isolarem dos demais ao invés de buscarem a equalização da qualidade de vida pra todos? Quantos estão preferindo morar encarcerados na própria casa, por falta de interesse de resolver os problemas sociais pela raiz? Querem enxugar gelo a vida toda ou querem desfrutar do bem-estar da Holanda, Islândia, Noruega e afins? Pense diferente, pense melhor, pense pra frente, pense que você pode ser a diferença na equação. Mude a si mesmo e o mundo ao redor magicamente abre alguns caminhos bem tranquilos para retribuir.

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Rodrigo Meyer

As máscaras do ser humano.

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Em um efeito bola-de-neve terrível, a humanidade mediana alimenta as pessoas com seus próprios complexos e traumas. Ao invés de solucionar e superar os problemas, despejam reações doentias como expressão dessas condições anteriores. E, claro, isso forma mais doentes. A desarmonia é o único resultado e todos ficam infelizes. Não é algo inteligente ou útil de se fazer. A boa notícia é que nada precisa ser assim.

O ser humano reage com máscaras para tudo que ele não tem interesse de manifestar com sinceridade. É assim em quase todos os temas da vida. Você verá, por exemplo, pessoas usando religiões como pretexto ou fachada para pensamentos opostos. Verá estas fachadas servirem como desculpa pra cegueira reforçada e pro ódio generalizado, tanto quanto servem pra acobertar crimes e os justificá-los.

Em certos países, por exemplo, “igrejas” ao estilo das que temos no Brasil, como estruturas de captação de dinheiro e disseminação de ódio, são totalmente proibidas de sequer entrar no país. No Brasil, a prática é permitida e até incentivada, uma vez que não há cobrança de impostos para se abrir um a quadrilha dessas, desde que estejam sob a fachada de uma religião ou igreja, pois podem, assim, justificar toda e qualquer movimentação ilícita de dinheiro e até certas práticas além.

Assim sendo, os maiores interessados nesse tipo de crime ficam altamente interessados em abrir “igrejas” pra essas finalidades. Bandidos como são, não me surpreende em nada que estas mesmas pessoas figurem em notícias de estupro, assassinato, tráfico de drogas, corrupção na política, disseminação de ódio e violência, formação de todo tipo de grupos de apoio à criminosos e práticas criminosas.

O público que adentra pra muitas dessas religiões e igrejas, pouco está interessado nos princípios pregados pela figura central. Em tempos onde esses aglomerados dizem, por exemplo, que são cristãos, é incoerência pura que detestem plenamente toda e qualquer pessoa que tenha atitudes, ideologias ou práticas como as de Jesus Cristo. No uso mais elementar da lógica, não se pode atribuir à essas pessoas nenhuma proximidade ou gosto pelo cristianismo, visto que não possuem igual proximidade e gosto pela figura que o referencia: Jesus. Se Jesus voltasse, certamente seria perseguido e morto pelos próprios “cristãos” de hoje em dia, tamanho o contraste dos ideais.

Mas, máscaras são usadas livremente, pois o que se pretende com esses crachás e práticas não tem nada de espiritualidade ou ideologia religiosa. Essa fraqueza em admitir os motivos reais vem da insegurança e instabilidade do ser humano adoentado que, munido de muitos complexos e traumas, teve uma vida saturada de abusos, fracassos, incômodos e tristezas. Mas ao invés de resolvê-los, escolheu despejar ódio em quem não tinha nada que ver com isso. Eis o porquê tantas dessas pessoas são figuras que tudo apontam e reprimem no outro, assim não precisam focar os olhos em si mesmas. Camufla-se o preconceito com uma citação bíblica ou um discurso de um bandido vestido de pastor, por exemplo. É conveniente.

Também são igualmente comuns as máscaras políticas. Engana-se enormemente quem acredita haver interesses ideológicos sólidos por trás da maioria das escolhas de vertentes políticas. Assim como em muitas partes do mundo, no Brasil, a simples distinção entre Esquerda e Direita, já não tem nada a ver com escolhas de caminhos políticos para gestão social. As pessoas adotam o termo “direita” sem nem ao menos saber o que isso significa. Para elas, ser direita é apenas a forma de se opor à Esquerda, seja lá o que isso represente.

Se alguém, por interesses obscuros, quiser dizer que algo é ruim, basta associá-lo ao outro “time” nessa dualidade e fazer com que toda massa de um lado apoie qualquer coisa e combata qualquer coisa. E essa imbecilidade vem do fato de que elas não estão lá por ideais políticos, mas apenas por medo e ódio, seguindo cegamente o que sequer conhecem. Então veste-se a máscara de um ou outro “posicionamento” para formar um “time” entre a dualidade pretendida e defender isso ferrenhamente como, infelizmente, ocorre com os times de esporte em várias partes do mundo. O famoso “eu versus o outro”, independente de quem eu seja e de quem seja o outro. É, por si só, hilário, apenas de se ler. Imagine na prática! (Esse vídeo pode te ajudar a rir ou vomitar mais).

Máscaras também são utilizadas nas profissões. É lindo adotar um nome que esteja em alta, na moda, que renda status ou até uma noção despojada de vida. Por muito tempo, as profissões de arquiteto, engenheiro, médico, advogado e empresário, eram o ápice da nobreza e quem não seguisse por esses cursos era mal visto e desprezado pela família. Ainda hoje isso existe, pois essa cobrança social (dentro e fora das famílias) é passada de geração pra geração como um papagaio que repete eternamente o que é e o que não é bom de se ser, fazer ou ter, segundo o que ouviram a vida toda.

E o problema de se vestir tais máscaras é que por trás desses supostos títulos de médicos ou advogados não se encontram os verdadeiros profissionais. Atrás da máscara de um médico, pode-se encontrar, infelizmente, todo tipo de bandido desinteressado em cumprir com seu juramento de salvar vidas. Desde pessoas que defendem a morte de pacientes por questões de “oposição política”, de racismo, de machismo, até situações onde o descumprimento da profissão é generalizado, tornando-se apenas uma fachada para cometer crimes rotineiros, como foram muitos casos de estupradores (inclusive de crianças) que adentraram na área médica pra viabilizar tais objetivos.

A humanidade usa máscaras o tempo todo. Ela tenta parecer melhor, mais honesta, mais espiritualizada, mais culta, mais forte, mais nobre, mais viva, mais bonita, mais jovem, mais interessante, com mais poder de influência, mais noção da realidade. Mais, mais, mais. E, debaixo das máscaras, apenas menos, menos e menos. E o próprio uso constante das máscaras apodrece o que há de bom por baixo. O constante sufocamento pela fachada, elimina gradualmente as chances de algo bom sobreviver naquela pessoa. E assim contaminam-se até o ponto de não mais se reconhecerem senão pela imagem da máscara. E quebram a cara, claro, ao se chocarem com todo tipo de realidade, pois a verdade não muda, apenas porque alguém se fantasia. Usar a foto de um pássaro amarrada no rosto, não faz ninguém voar e no primeiro penhasco despenca sem volta.

Abandonar as máscaras o quanto antes é benefício pra própria pessoa. É sem elas que terá oportunidades de se realizar como ser humano, encontrar seus talentos na vida, suas verdadeiras preferências e gostos, suas ideologias, suas filosofias, seus valores, suas práticas, suas realidades e outras pessoas que igualmente vivem essas realidades, sem máscaras. O “clubinho” das pessoas verdadeiras ainda não é popular, mas podemos sempre ampliar esse grupo e mudar o jogo. Basta querermos.

Assim que abandonamos uma máscara, entramos automaticamente pro lado das pessoas que lutam por espaços gratificantes de se viver. E será cada vez mais fácil viver nesse lado, se mais pessoas estiverem lá, pra apoiar e interagir. Difícil mesmo é socializar às cegas com todo tipo de ódio e violência que brota nesse carnaval de máscaras nada parisiense. Deixe as máscaras apenas para jogos temporários de diversão. Verá como é bem mais interessante e produtivo dividir a realidade dessa forma. As máscaras sociais, por status ou pra acobertamento de falhas de conduta, prática ou pensamento, não trazem benefícios pra ninguém. Comece se amando hoje mesmo e transforme-se numa pessoa melhor pra si mesmo. Ao fazer isso, você se torna melhor também para os outros que terão que conviver com você e, certamente, eles começarão a retribuir isso pra você. Seja inteligente na sua escolha.

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Rodrigo Meyer

Explicando a televisão para um alienígena.

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Muita gente mora na Terra e desconhece as coisas das quais consome. A televisão é uma recordista nesse sentido. A maioria das pessoas que assistem não conhecem exatamente o que ela é. São, portanto, as vítimas perfeitas. Então a explicação que daríamos à um alienígena, pode servir muito bem para os terráqueos que ainda se veem presos à essa caixa.

Se um extraterrestre chegasse na Terra curioso pra saber pra que servem algumas coisas daqui, cedo ou tarde eu teria que falar da televisão, pois, infelizmente, é uma das coisas mais populares no mundo todo. Seria obrigado a explicar que temos Síndrome de Estocolmo em níveis estratosféricos. Talvez eu espante o alienígena com a descrição do telespectador encantado pela televisão ou, no máximo, o deixe interessado de invadir a Terra por ser um ambiente tão fácil de ser controlado. Deixaria a seguinte explicação à ele:

Veja, aqui na Terra inventaram algo sublime que foi a transmissão de imagens de um ponto à outro. Televisão é, em resumo, uma visão à distância, pois podemos conectar uma captação em um lugar e fazê-la visível em outro. A invenção é ótima, mas o que fizeram com ela foi catastrófico. Assim como a descoberta da divisão do átomo foi algo notório, mas o uso das bombas atômicas foi o trágico desfecho. Em tudo que o ser humano torto toca, ele entorta, para se adequar à sua ignorância, sua má índole e assim por diante. Com a televisão não foi diferente.

Passaram-se longas décadas, mas ainda é assim. A televisão evoluiu em tecnologia, mas não em função. Ela continua sendo um aparelho que se coloca na frente dos olhos para ter uma dose diária de vazio, manipulação, opressão, preconceito, aprisionamento da mente, estímulos de consumo de produtos absolutamente desnecessários e modelagem da mente para que os consumidores enxerguem tudo isso com bons olhos ao invés de se opor.

Sejam canais abertos ou pagos, o entulho é o mesmo. Te entregam com imagem,som e mensagens subliminares, reportagens falsas, notícias editadas para favorecer criminosos, ruídos para ocupar sua mente o dia todo e evitar que você aproveite o silêncio para pensar e olhar pra dentro de si mesmo. Também gastam bilhões nisso, pois o retorno é garantido. Como é algo que funciona bem e as pessoas assistem com gosto, diversas empresas buscam a televisão para anunciar produtos, serviços e ideologias. Lá se espalha tudo que se queira, com tanto que se pague bem e que seus ideais estejam alinhados com a opressão da emissora que vai transmitir a programação.

Os canais são muitos, mas todos eles são praticamente a mesma coisa. A ilusão de diversidade é uma meta. Na verdade, essas mídias competem todo dia pra ver quem ganha mais audiência, pois audiência é lucro. Se mais gente se predispõem a levar chicotada nos olhos e apreciar cada vez mais os períodos de propaganda entre uma manipulação e outra, mais consumo acontece e todos ficam satisfeitos com o sucesso da prática de exploração.

Você poderia imaginar que, sendo esses conteúdos tão ruins e sendo vantajosos apenas para os exploradores, que eles devem ser oferecidos gratuitamente para que não haja a barreira financeira com o público. Mas não demorou muito pra que eles tentassem cobrar das próprias vítimas pela manipulação que elas sofriam. E fizeram isso tão bem que os preços até subiram. Chamam de televisão paga ou televisão à cabo. Ela também é transmitida por satélite. Os canais por lá são outros que não estão na televisão aberta e, por isso, muita gente acredita que são canais especiais, com conteúdos especiais. Mas, mesmo estando pagando por eles, os canais são até piores, pois se tornaram especializados. Agora a manipulação chega mais fundo, encontra mais pessoas, e as manipula de forma mais eficiente.

Enquanto na televisão aberta o conteúdo é mais genérico e, sendo gratuito, geralmente entregue aos pobres, na televisão à cabo, tenta-se colocar conteúdos para uma classe que pretende pagar pela chicotada nos olhos. As mensalidades da tv paga sobem sempre de preço e se você deseja comprar o pacote mais barato de canais, te entregam somente os canais que ninguém quer assistir, pois assim você já gasta um dinheiro em vão logo no começo pra ficar insatisfeito e desejar pagar mais dinheiro pra ter pacotes com outras opções de canais. E assim você avança no gasto proporcionalmente. Se desejar ter canais específicos, vai precisar, praticamente, comprar planos completos, onde você financia 90% dos canais que não quer assistir para ter acesso à 10% de canais que realmente quer assistir. E o preço, claro, fica tão desproporcional que a exploração fica notória até pros mais cegos.

Quando as pessoas percebem que estão jogando dinheiro no lixo, os canais e empresas de acesso, recorrem à uma boa propaganda, mostrando que jogar dinheiro no lixo é o máximo do valor, do luxo e da qualidade de vida. Poder ostentar 500 canais de televisão e assistir apenas 2 é como comprar uma plantação de arroz para comer só uma colher dele. A ostentação do poder aquisitivo, nesse público, é defendida como ideal de vida, como algo de qualidade. E, claro, sem cultura como são, concordam e repetem essa mentira aos quatro cantos do planeta.

Nos canais da televisão aberta, jogam imagens e notícias de violência, mas com uma edição. Seria mais ou menos como dizer que todo Universo é branco, apenas porque filmam o sol, com a câmera desregulada e dizem que tudo que há no Universo é aquela luz branca ocupando a tela toda. Não pensantes como são, os telespectadores agradecem pela notícia falsa e pedem mais. Saem nas ruas acreditando que 1% é mais importante que 99%. Passam a acreditar que a bicicleta de rodas quadradas é o padrão das bicicletas pelo mundo todo. Há muita eficiência na manipulação dos fatos, pois as pessoas foram acostumadas a acreditar que Fotografia e Vídeo são reflexos da realidade, por conta do realismo gráfico dessas mídias. Elas são capazes de confundir uma novela ou filme com realidade.

Por aqui na Terra, especialmente em países mais pobres, você verá telespectadores que saem na rua e encontram atores que interpretaram vilões e lhes xingam, como se o ator fosse um vilão na vida real. Essa associação entre televisão e realidade é tanta que as pessoas dão como fato qualquer notícia que apareça por lá. No rádio, que não é tão diferente da televisão, muitas coisas nesse sentido marcaram época de tão ridículas. Orson Welles que o diga, quando narrou uma ficção no rádio, onde contava a invasão alienígena. As pessoas que ouviam, acreditaram como se fosse real e se desesperaram. Foi um caos generalizado. Isso mostra que, a falta de cultura pode fazer as pessoas não distinguirem ficção de realidade.

O investimento de cada telespectador nas mídias e nos equipamentos são constantes. Uma televisão antigamente mal chegava nas 14 polegadas e com o tempo elas foram ficando maiores e mais sofisticadas. Atualmente a disputa é por televisões cuja imagem tenha o máximo de definição possível, mesmo que 99% de todo conteúdo que é transmitido nela, não tenha essa qualidade para ser aproveitada. É como comprar uma Ferrari pra dirigir numa rua esburacada em um engarrafamento de metrópole. Custou caro e nunca sairá do lugar na velocidade que tem potencial de sair. É apenas um gasto inútil mesmo. Mas tem dado muito certo. Os modelos mais caros continuam a ser os mais desejados.

Sobre detalhes da programação eu teria que dizer aos poucos, pois posso acabar te fazendo vomitar ou te fazer dormir de tanto tédio. Tentarei. Pela manhã os falsos jornais, tentam dizer em que você deve se interessar, como deve pensar, com o que deve se indignar e quais outras coisas você deve ver com bons olhos. Te dão um ‘bom dia’ falso enquanto te exploram e riem da sua cara. De tarde fazem a mesma coisa, lá pela hora do almoço, quando muita gente senta-se pra comer enquanto trava o pescoço em posição pra assistir televisão. É perfeito, pois como estão comendo, a resistência à manipulação é ainda menor. Alguns até sorriem diante de cada chicotada nesse horário. Talvez a combinação do prazer da comida barata e super temperada causa uma associação de prazer com as imagens vistas, similar ao que acontecia em certa cena do filme “Laranja Mecânica”, onde o personagem tinha os olhos presos para que ficassem abertos diante de cenas passando adiante.

De noite, quando muitos chegam do trabalho, sentam-se no sofá ou na cama mesmo e a primeira coisa que fazem é ligar a máquina de opressão. A televisão ganha um status novo agora. Ela tem até um tal de “horário nobre” onde a disputa por audiência é mais acirrada, pois toda massa chegou em suas casas e estão ávidos por um pouco mais de manipulação. A sede por exploração é tanta que os telespectadores chegam a brigar nas famílias pra ver quem detém a posse do controle remoto, um aparelho que “facilita” a vida do explorado, por poder ligar, desligar e alternar os canais sem ter que se levantar. Isso ajuda a ser manipulado mais vezes e de forma mais precisa, pois ele mesmo ajusta a maneira com que deseja receber o chicote nos olhos. Funciona tão bem que nunca se abandonou esse acessório nas televisões, mesmo depois de tanta tecnologia percorrida.

As programações em horário nobre, de nobre não possuem nada. Mas se dessem o nome verdadeiro, não seriam o que são: manipulação extrema. As novelas são histórias mal escritas, mas repletas de boas manipulações. A história em si importa pouco, mas o que se mostra por cima dela tem grande importância para os manipuladores. Despejam, por exemplo, a ideia de que o pobre deve sempre ser omisso, pacato e aceitar sua condição, pois se assim o fizer, haverá uma recompensa posterior. Claro que na vida real é o inverso, mas a fantasia das novelas transforma essa visão facilmente. Nas novelas, você pode ver as pessoas acordando 11 horas da manhã e dedicarem quase duas horas para um tranquilo café da manhã em uma casa ensolarada, tomando um suquinho de laranja sorridentes. É tanta tranquilidade que parece um cemitério diante de um sol glorioso.

O reforço da ideia de que vulgaridade, ignorância, fama e valor, andam lado a lado é algo constante, durante as 24 horas de transmissão. Programas que encarceram voluntários para serem filmados comendo, dormindo, tomando banho, defecando ou tendo conversas frívolas ganham muita audiência e gera, inclusive, fãs alucinados por cada um desses anônimos que rapidamente ganham a oportunidade de se destacarem socialmente pois se tornaram os novos ídolos de uma massa que carecia de gente vazia pra admirar. São admirados, sobretudo, porque possuem uma imagem dentro dos padrões que a mídia vende como os únicos aceitáveis e também porque figuraram na televisão, o palco onde só “grandes pessoas” aparecem. É um show de horrores, no pior sentido do termo.

Os desenhos animados que são comprados pra serem distribuídos para crianças e adultos, visam  alimentar estereótipos, sexismo, violência e tudo que não for proveitoso pro engrandecimento humano ou pro raciocínio. A diversão é tão ruim que frequentemente precisa usar um recurso artificial de risadas gravadas, pra estimular no cérebro humano a “vontade” de rir do que assistem. Dessa maneira, conseguem rir de qualquer coisa, independente de ser ou não engraçado. Programas de stand-up comedy ficaram na moda nos últimos tempos e tem sido uma boa maneira de fingir que a televisão tá entregando algo de útil. Se as pessoas estão rindo, então parece ser algo para o benefício delas. Mas a ilusão está no fato de que, infelizmente, foram colocadas pra rir de violência, de racismo, de machismo, de todo tipo de preconceito e conduta deplorável. O humor real não tem espaço por lá e quem tenta fazê-lo não consegue muito sucesso, pois está no reino errado, com os telespectadores errados. O público que consome televisão não quer informação, diversão ou reflexão. Lá, quanto mais inútil for o conteúdo, mais desejado é.

Os programas de entrevista são acordos por interesse. Pessoas que estavam esquecidas, pagam algum valor para aparecerem em certos programas e voltarem a ter visibilidade. Quase sempre é mero pretexto pra divulgar trabalho, produto ou serviço ou recolocar alguma pessoa insignificante de volta na memória das pessoas, como se nunca tivesse deixado de ser lembrado e desejado. As pessoas não se importam de ver mais do mesmo. Pode-se contar a mesma piada infinitas vezes e repetir os filmes toda semana por décadas. Elas vão até interpretar isso como vantagem. Para alguns, isso lhes permite assistir aquele conteúdo que perderam da última vez. E tudo bem se já tiverem assistido sessenta ou setenta vezes o mesmo filme ou episódio de série, pois elas gostam de relembrar as cenas, imitar as falas que já sabem de cór ou tirar um pouco de prazer com a nostalgia de um conteúdo tão antigo.

Cada país tem seus pontos fortes na manipulação. No Brasil, calhou de ser a transmissão de partidas de Futebol. Um clássico da ‘taxa de retenção’, que faz qualquer youtuber ficar com inveja. O telespectador consegue ficar quase duas horas assistindo pessoas jogando bola. Cientes do excesso, algumas empresas começaram a fabricar televisões próprias pra isso, colocando iluminação  na parte traseira da televisão de forma que projete um tom similar ao que estiver passando na tela. Se o indivíduo estiver horas assistindo um gramado verde na transmissão de Futebol, ficará com a vista menos cansada de olhar o contraste daquele retângulo verde luminoso enorme no meio da parede branca. Então uma transição mais suave funciona como um cabresto, que mantém o telespectador mais confortável e concentrado somente na programação, sem distrações ou incômodos que o tirem do ambiente.

O mais curioso nessas transmissões de Futebol é que quem assiste não está participando do jogo e, mesmo virando torcedor fanático, nunca chega a receber absolutamente nada do time ou dos jogadores que faz questão de patrocinar. Há, inclusive, quem se disponha a ir pedir fotos e autógrafos para jogadores que saíram da cadeia por assassinato e ocultação de cadáver. Isso deixa claro, que fama e crime não precisam se afastar. As pessoas não ligam se você for um assassino, estuprador ou um ladrão. Tudo que importa é que você é famoso e já apareceu na televisão. Outro caso que comprova isso foi quando pessoas quiseram tirar fotos junto à um famoso ladrão que estava em fuga por um aeroporto. Reconhecer um criminoso na rua e saber que já o viram na televisão é o ápice do dia de um telespectador comum.

Mas, claro, a programação não se resume só nisso. Há também muito sexo, mais sexo e sexo até onde não deveria haver sexo. Entre um sexo e outro, inserem uma coleção variada de sexo. Quando as pessoas se cansam de ver sexo, eles mudam um pouco o foco e transmitem sexo com micro-censuras, onde se colocam tarjas ou efeitos de desfoque nas imagens para ocultar o que passaram o resto do tempo destacando. Estipulam limites, pois senão o telespectador pode acabar se interessando mais em fazer sexo do que ver sexo pela televisão. Então as emissoras controlam a intensidade e frequência dos estímulos.

Claro que isso constrói a ideia de que corpos e sexualidade não possuem nenhum valor que precise ser respeitado, mas isso gera lucro, então é feito. Violência doméstica, machismo, estupro e todo tipo de efeito brota de uma cultura acostumada a menosprezar relações e pessoas, mas a televisão nunca fala disso, a menos que seja para um nicho específico onde haja demanda por esse tema, afinal, lucrar sempre vai bem na visão das emissoras. Mas claro que, até certo ponto, pois se as pessoas se engajam demais, elas abandonam a televisão e começam a seguir adiante com suas lutas, absorvendo e produzindo cultura real e útil.

Apesar de todo estímulo a estupidez, ao sensacionalismo, a maledicência, ao escárnio com a vida humana, aos preconceitos, as opressões, às induções de consumo de lixos caros, à disseminação de ódio, de falácias, de protecionismo à bandidos, corruptos e todo tipo de entulho social, abre-se espaço para coisas boas também. Você deve estar curioso pra saber, não é? A brecha que toda emissora não consegue controlar bem é a incompletude de sua mídia. Como elas são transmissoras de programação específica para aparelhos televisores, os computadores e celulares quase não os consomem. Poucos aparelhos que não são televisores, possuem a função de transmitir essa programação. Os computadores de mesa, exigem, geralmente, equipamento adicional para captar sinal de televisão e os celulares mais convencionais não oferecem essa possibilidade. A razão pra televisão não ter ido para esses outros aparelhos é que eles não são tão fixos e limitados como a televisão e dão margem pro usuário se dispersar.

Na internet, por exemplo, as pessoas podem assistir à um vídeo no Youtube à qualquer hora e, por isso, elas não estão presas à um sofá ou horário que as faça ficar horas de frente pra área do vídeo. Claro que, contudo, muitos passam horas de frente pro navegador “assistindo” o Facebook, o que é igualmente prejudicial se mal utilizado. No fim, o que muitas pessoas fazem ao sair da televisão e ir pro computador ou celular é apenas mudar o estilo da chicotada no olho. Alguns mais aficionados por interação e tecnologia podem acabar preferindo apertar botões para controlar a intensidade e o fluxo do próprio desperdício de vida. Isso traz uma sensação de autonomia, mesmo que seja falsa.

A internet, por um tempo, imaginou-se ser a grande ameaça para a televisão. Um espaço onde as pessoas teriam total liberdade de escolher o que absorver e, mais do que isso, ter a chance de elas mesmas criarem conteúdos para o mundo, fez a televisão se sentir frágil, pois ela nem permitia interação e o pouco que permite hoje em dia é tão superficial que nem dá pra chamar de interação. Esse medo que a televisão tem da internet é tão real que muitos canais passaram a incluir conteúdos próprios da internet pra dentro da televisão. Se as pessoas passam horas vendo vídeos que viralizaram na internet, que tal levar esses vídeos para serem descarregados na tela do telespectador? É como pagar duas vezes pelo mesmo conteúdo e, de quebra, manter firme e forte o império da manipulação. Com o tempo, as emissoras foram se adequando e levando um pouco da televisão pra internet e um pouco da internet pra televisão. Agora isso está fundido de tal maneira, que não se ampliou a diversidade, mas só se diversificou as formas de se replicar a mesmice.

Eu nunca fui muito fã de televisão. Meu foco sempre esteve mais em filmes específicos, alguns pouquíssimos desenhos de humor e o resto eu torcia pra que pegasse fogo o quanto antes. Não consumo televisão há muito e muito tempo e já venho soltando minhas amarras dos cantos da internet que não somam nada pra minha liberdade e crescimento. Esse é um trabalho difícil. Se tivesse que recomendar conteúdo para as pessoas, eu teria imensa dificuldade, pois são tão poucos, que a lista que ofereci há 10 anos atrás ainda continua sem novas inserções. Terei prazer em trazer textos futuros pra indicar filmes, livros, sites, artistas, escritores, coletivos de empoderamento, sugestões de atividade e aprendizado fora desses alicerces mais comuns e, quem sabe, ajudar mais gente a participar do ato urgente de falir esse amontoado de emissoras. Basta que cessem o consumo de todo esse lixo e passem mais tempo se desintoxicando desses vícios psicológicos. Com o tempo a Síndrome de Estocolmo pode ir amenizando até o ponto em que a chicotada no olho comece a causar dor e não prazer. E, quem sabe, a dor te faça sair dali e começar a cobrar o fim de seus próprios opressores.

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Rodrigo Meyer

O dinheiro te liberta ou te prende?

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Considerando as dificuldades sociais que a maioria da população passa, é compreensível que busquem por mais dinheiro. As pessoas querem melhores condições de vida, mais saúde, que não lhes falte comida, conforto, prazer. Mas será que lidamos bem com o dinheiro? Saberíamos usá-lo corretamente se tivéssemos mais? Podemos descobrir isso avaliando o que já fazemos com o pouco dinheiro que temos. O modo como enxergamos dinheiro acaba sendo o mesmo, independente da quantidade.

Se, por exemplo, vivemos por aparência e status, nosso dinheiro acaba indo embora rapidamente, mesmo que não seja tão pouco. Um salário some se o modo de vida inclui comprar marcas apenas pelo status ao invés de comprar produtos pela sua finalidade real. Você poderia comprar dezenas de produtos ao invés de comprar apenas um que promove status. Se seu dinheiro vai embora em bobagens assim, então o dinheiro não te liberta, apenas te prende.

Costumamos dizer, por humor ou verdadeira crença, que dinheiro traz felicidade. E pode até ser que seja verdade, em certo sentido, pois na sociedade atual o dinheiro compra certas facilidades pra nossa vida e nos permite fazer mais coisas. Embora isso possa nos trazer alguns prazeres, será que ele nos faz feliz de fato? Há diferença entre prazer e felicidade? Há sim. Um dia você acabará colidindo com o termo “hedonista fatigado”. O hedonismo é caracterizado pelo prazer como filosofia de vida, mas até um hedonista pode se ver cansado disso em algum momento. A razão pra tal é que prazer e felicidade não são a mesma coisa e mesmo rodeado de supostos prazeres, podemos nos encontrar sem felicidade. Pode-se especular, então, que esses prazeres não são prazeres reais.

O dinheiro pode te comprar uma cadeira melhor e seu corpo agradece. O dinheiro pode comprar uma casa maior onde os moradores não fiquem o tempo todo se esbarrando e tenham privacidade. O dinheiro compra viagens, comidas mais elaboradas, eletrônicos, cursos, móveis, artes, cirurgias e o que mais listarmos como importante pra uma vida que se avalie como sendo de qualidade. Mas qual é o limite entre qualidade de vida e escravidão perante o dinheiro?

O dinheiro te prende quando você começa a ter o que não precisa, comprar por impulso e até atropelar outras pessoas para obtenção de mais dinheiro ou ainda usar o dinheiro que tem pra controlar pejorativamente a vida de outro(s). O dinheiro te prende quando você começa a pensar que não consegue viver bem, apesar de já ter todo tipo de conforto. O dinheiro te prende quando você se torna uma pessoa que usa da ascensão financeira pra compensar suas fraquezas psicológicas, seus medos, seus complexos, sua raiva e assim por diante.

Existem casos onde um indivíduo passa a juventude toda em condições sociais ruins e ao conseguir algum dinheiro posteriormente, ostenta como forma de dizer ao mundo que agora é a vez dele de ter poder, de ter tudo aquilo que ele não tinha antes. Mas ostentar ultrapassa o limite do conforto e passa a ser uma conduta fraca e adoentada onde uma pessoa se enterra em um mar de coisas desnecessárias. Isso acontece como reação quase que automática do complexo que essa pessoa sente. Ela se sentia inferiorizada e com pouco valor na sociedade e transfere para os bens materiais toda a compensação disso. Como vivemos numa sociedade que superestima os bens materiais, o dinheiro e o status, esses elementos se tornam a ferramenta mais comum de “compensação” para as fraquezas humanas.

É assim que um cordão de ouro pra fora da roupa passa a ser mais importante que um cordão de aço por dentro da roupa. Mostrar que custou caro e deixar que todos vejam que você está usando porque tem poder de compra, é a tal compensação pretendida para quem tem complexo de seus passados. E isso precisa ser analisado e equilibrado, porque não beneficia ninguém, nem à você mesmo. E, da mesma forma que muitos tiveram juventudes difíceis financeiramente, a ostentação não ajuda a mudar essas realidades para outras pessoas. Ao contrário, quando alguém ostenta um cordão de ouro (ou diversos deles), faz as pessoas pobres sentirem-se tristes, menosprezadas, inferiores, incapazes. Também tira a oportunidade dessa realidade mudar, pois ao invés dessa fortuna ajudar pessoas a saírem da pobreza, converte-se em coisas sem função real, como cordões de ouro.

Tão mais interessante ao se ganhar dinheiro é buscar coisas reais, com função e, dentro das possibilidades, ajudar quem precisa sair das situações em que julgamos indignas pro ser humano. Estender uma mão quando se tem dinheiro, traz uma inabalável felicidade. Devemos tentar, mesmo que nossa “fortuna” seja pouca como um trocado que não nos pesa e que pode servir como refeição pra quem passa fome e frio pelas ruas. O seu dinheiro ajuda a quem? Se está escravo dele, não ajuda nem à você mesmo.

Progredir na vida é o que todos nós devemos almejar. E nem sempre isso é sinônimo de se obter mais dinheiro. Qualidade de vida não tem, necessariamente, relação direta com isso. Os padrões sociais e os modelos de política que adotamos pra gerir os grupos de pessoas em uma sociedade são escolhas e diversos modelos podem levar à um bem-estar coletivo. Não deixe de olhar as possibilidades e entenda que ser feliz é a prioridade do jogo.

Às vezes escuto pessoas especulando o que fariam se ganhassem o prêmio da loteria. Chega a ser engraçado de tão trágico. Há tão pouca noção do potencial do prêmio que as pessoas pensam naquele montante gigantesco como a oportunidade de comprar um carro, uma casa, quando na verdade o prêmio permitiria comprar uma frota inteira de carros e quase um bairro todo de casas. E, claro, ninguém precisa de 200 carros e 200 casas. Então o que farão com o dinheiro que sobra depois de comprar uma ou duas casas e os carros que pretende efetivamente usar? Será que gastariam tudo em chicletes e pizzas? Falta percepção da grandeza numérica, mas também falta noção do poder social que o dinheiro tem. As pessoas não conseguem prever a imensidão de vidas que o dinheiro pode salvar ou ajudar a crescer.

É plausível, porém, os momentos em que pessoas que tiveram ascensão financeira, dedicam-se à ajudar organizações de saúde, de combate à pobreza, de apoio à vítimas de abuso ou simplesmente abrindo possibilidades diretas pra que as pessoas deixem o cenário da pobreza. Quem tem dinheiro, tem poder. E o poder deve ser usado para, entre outras coisas, melhorar o ambiente em que vivemos e as relações que traçamos. É muito mais agradável viver numa sociedade em que as pessoas todas podem ter acesso à ensino de qualidade, comida saudável, roupas confortáveis, segurança física e emocional, lazer, cultura, espaço para desenvolver seus talentos e vontades. E se abrirmos essas oportunidades pra mais gente, certamente elas retribuirão isso quando elas mesmas também estiverem em uma condição melhor.

Todos podemos estar lado a lado e vencer igualmente. Existe um termo que vem se popularizando no mundo que é “ubuntu”. Refere-se ao conceito de união, de vencer junto pelo esforço coletivo ao invés da disputa egoísta. Lembro-me de uma anedota onde um fotógrafo viajou pro exterior para uma comunidade onde haviam muitos problemas sociais, fome e miséria. Tentando agradar e preencher o tempo até seu horário de viagem de volta, ele pegou um punhado de doces e propôs uma brincadeira com as crianças. Aquela que chegasse primeiro em uma certa árvore distante, ganharia todos os doces. Para surpresa do fotógrafo, as crianças se deram as mãos e foram andando calmamente até a árvore. Chegaram todas juntas, sem cansaço, sem brigas, sem problemas. Todas elas, por direito, chegaram primeiro e repartiram todos os doces que ganharam. O fotógrafo, viciado pelo conceito de disputa nas sociedades, aprendeu o termo “ubuntu”. Leve isso consigo ao pensar o valor do dinheiro e das coisas na vida. Felicidade pode ser tão simples quanto fazer a coisa certa do modo certo. Dizem que uma felicidade dividida é uma felicidade ampliada.

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Rodrigo Meyer

Não dependa da sorte.

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As pessoas que passam por dificuldades na vida, podem contar com muitas ferramentas para tentar mudanças, mas não devem ficar dependentes da sorte. Isso significa que você pode incluir a sorte no pacote, mas não deve depender dela pra desenvolver sua vida, mesmo porque além de relativa pra muitos, se ela vem, não é sempre e nem pra todos. Então, deixe essa inconstância e imprevisibilidade de lado e se concentre nas coisas que está efetivamente fazendo para mudar sua situação.

Se você anda triste, sem motivação ou até mesmo se enfrenta um caso de depressão, você precisa conhecer um pouco mais do seu problema, de si mesmo e das origens dessa situação. Não adianta esperar que as coisas simplesmente se resolvam magicamente com o tempo. Se você esperar sem fazer nada, o tempo irá agravar seus problemas.

Se você enfrenta algum problema de saúde ou está tentando alterar seu peso ou aparência, ações precisam ser tomadas. Você deve rever suas práticas, hábitos e se engajar em contextos que sejam indicados pra sua situação. Reclamar não ajuda, com certeza e, por vezes, o estímulo pra se fazer mudanças está em nós mesmos, mediante a forma como enxergamos nosso valor, nosso potencial e o quanto realmente estamos prontos pra começar a revolução que precisamos pra nós.

A sorte não conta muito na hora de fazer uma prova, um exame, um teste, uma visita ao médico. A sorte não influi quando a realidade está negligenciada. Se você não está tentando proporcionar as condições certas para os seus objetivos, eles possivelmente não vão tocar a campainha da sua casa como num filme de ficção. Mas isso não é motivo pra desanimar. É exatamente se colocando no papel da realidade que você começa a aceitar o espelho, ver com clareza os seus pontos fracos e fortes e tomar decisões em termos de ação.

Evite andar em círculos, sempre deixando de lado aquelas coisas que supostamente são importantes pra você: seus sonhos, suas vontades, seus desejos, seus ideais, suas alegrias, suas amizades.

Quando nos tornamos preparados pra caminhar, temos que estar cientes de quem somos e que potencial temos. Será que vamos mesmo andar ou vamos desistir mais uma vez? Eu me vi desistindo tantas vezes no passado e a única coisa que coletei disso foi desprazer e arrependimento. Hoje eu jamais me deixaria na mesma situação. Não importa o que os outros digam, a falta de apoio que recebo ou mesmo as barreiras que se colocam diante das situações. Eu digo sim pra mim e faço mesmo quando não estou no cenário ideal. Essa perseverança e motivação própria é fruto de estar psicologicamente pronto para se engajar nos próprios planos. Essa determinação é, sobretudo, amor próprio.

As pessoas tentarão te colocar pra baixo, porque a luz ofusca quem está na escuridão. Desacostumados pelas coisas boas, tudo que floresce parece vivo demais. Mas eu não me importo mais. Não se deve viver procurando agradar os descontentes. O que se pode fazer por eles é deixar seu exemplo, seu sorriso, a lembrança de seus momentos. Você pode ajudar muita gente a subir, mas apenas se você mesmo não tornar a cair. E, por isso, nunca aceite que a vida seja menos do que o entusiasmo que você sente em fazer as coisas.

Acorde no seu horário preferido sempre que puder, faça as escolhas que pode, na direção do que ambiciona. Se você gosta de arte e te recriminam por seus gostos ou escolhas, troque de sintonia, mude de ares, mude de pessoas. Ambientes melhores e maiores estão por vir, se você realmente tiver vontade de existir. Eu não posso garantir jamais que tudo será fácil e rápido. Geralmente é sempre o inverso, mas isso não é problema pra quem está buscando de verdade.

Eu não pude contar com a sorte. Ela nunca esteve presente. Respeito muito mais a observação dos cenários, das pessoas, do mundo, das realidades. Respeito a transformação pessoal, a educação, a sintonia entre as pessoas, a mudança de hábitos e o esforço de cada um. Até mesmo quando esperamos que alguém venha nos ajudar, precisamos estar aptos pra receber essa ajuda. Eu mesmo, carrego um lema pra vida: só ajude quem quer ser ajudado.

Não adianta esperarmos sentados pela iniciativa de fora, se a nossa própria conduta e pensamentos estão impedindo as melhoras. Se você está passando por qualquer dificuldade na vida, saiba estar aberto a receber. Isso significa que você precisa transformar-se minimamente ao ponto em que as pessoas possam chegar até você, possam te conhecer, possam entender seu problema, estender uma mão, oferecer uma oportunidade e te encaixar em algo que seja apropriado pra ambos.

E a sorte não vem se você fecha as portas e tinge tudo com um tom de desconfiança, desprazer e arrogância. As relações humanas devem ser simples. E se você não for igualmente simples, acabará espantando as mãos mais generosas. Aprende-se muito em atividades de Serviço Social (que inclusive é um curso universitário), tomando contato com as pessoas nas mais diferentes situações de necessidade de ajuda. Isso demonstra a importância que é fazermos alguma coisa diante das situações próprias e alheias, tomar uma iniciativa fora do campo das ideias e ir principalmente para a ação, para a mudança.

Escolher agir ao invés de se cobrir de atalhos, simbolismos e outras firulas pode ser um bom modo de levar a vida. E tudo bem se você não souber no momento como começar as suas transformações. A vida está aí pra ser dividida e as conversas serem feitas, as informações serem aprendidas e as portas ficarem mais abertas e mais bonitas. Há opções pra quase todos os problemas e até para os problemas sem solução pode-se fazer alguma coisa boa, como por exemplo, aceitar, superar e mudar o foco e a visão.

Eu sei que queremos tudo pra ontem e estamos muito cansados de vivenciar os desprazeres. Todos nós queremos trabalho, conforto, carinho, dinheiro, conhecimento, prazer e tempo livre que não seja tédio e agonia. Sei que todos nós queremos o melhor pra nossas vidas, mas a sorte não sabe e não faz muito por nós. Ela gosta mesmo é de chegar vez ou outra pelo acaso, sem muita regularidade. Bom mesmo é confiar no nosso esforço, traçar boas conversas, boas amizades, estar entre as melhores oportunidades. Precisamos engrandecer a qualidade de nosso pensamento, nossos hábitos e nossos momentos.

Eu desperdicei tanto tempo nos lugares errados e com as pessoas erradas que jamais me permitirei perder meu maior tesouro: o próprio tempo. Hoje, se eu pudesse recriar meu passado, faria tudo mais cedo e recusaria de cara todas as superficialidades nas relações, nos estudos, na diversão. Desprendemos muita energia e sentimento por situações que não valem tudo aquilo. Tiramos o foco da nossa própria saúde e acreditamos que só nos resta determinadas opções. E estamos, claro, repetidamente errados.

Comecei a me ver acertando, quando eu larguei de vez os velhos pensamentos pessimistas, as reclamações sobre a vida. Me foi mais valioso estar sozinho do que mal acompanhado. Me livrar das pessoas que nada queriam, nenhum propósito tinham e só estavam vagando pela vida, feito zumbis, tirando nossa atenção em busca de nossa energia. E sem perceber, você gasta mais da metade da sua vida toda sem nunca se permitir conhecer quão alto você realmente alcança. Os sonhos são pequenos porque as mentes sonham pouco. E param de sonhar com tanta frequência, que já não acreditam muito que viver é coisa boa. Tudo em que tocam ganha um ar amargo e esquisito que não nos motiva nem mesmo a encerrar a vida. Ficamos presos entre a dor e a morte e nem pra isso podemos contar com a sorte.

Temos que ser agradecidos pelas pessoas que seguram nossa mão com firmeza e prometem dar toda força que puderem pra tentar nos levantar. Temos que ser gratos e também retribuirmos isso com nossas atitudes. Esqueçam essa ideia de que dinheiro resolve tudo, porque isso é, na verdade, o motivo de tanta gente se ver entristecida pela vida. O que resolve mesmo é estarmos envolvidos com sinceridade uns com os outros, dando aspecto de família pra sociedade e formando amizades além daquela fina camada superficial.

As pessoas já não se permitem mais conversar, abraço saiu de moda e, se for apertado, chega a constranger. As pessoas tem medo de acordar e dizer ‘bom dia’, medo de parecerem idiotas ou ingênuas. E tudo querem da vida, mas nada querem dar. Elas querem que caia do céu uma fortuna todo dia, mas quando é a vez delas, elas não podem te ajudar. Essas inverdades cobram da gente um preço amargo e às vezes sem volta. Se você se deixa contaminar por essas pequenas coisas hoje, amanhã elas se tornam normais e você piora um pouco mais. Se não breca suas fraquezas com ação, em pouco tempo seu mundo fica viciado, cheio de falácias e desculpas pra continuar acomodado.

Eu não estou dizendo que você conseguirá tudo sozinho. É exatamente o contrário. É juntando-se aos demais, com sinceridade, que você conseguirá extrair algum retorno das suas tentativas. Os dilemas pessoais podem continuar sendo pessoais, mas você pode, eventualmente, sentir-se animado a trabalhar sozinho por inspiração de um abraço que recebeu, um sorriso que viu, uma memória agradável ou a certeza de que pode contar com alguém na hora do aperto. Essas facilidades da vida são construídas por cada um de nós, se assim quisermos, se assim permitirmos. Elas não vem do acaso, não são trazidas pela sorte. Não são anjos que batem na nossa porta oferecendo amizades, embora diversos amigos possam ter papéis tão dignos e relevantes que chegamos a vê-los como seres especiais.

Mas, quer saber? Essa especialidade que enxergamos em quem nos ajuda não é da pessoa. Exageramos nossos elogios e nossa visão admirada por algo que não vemos todos os dias. É verdade que você não encontra essas pessoas aos montes. E é sobre isso que precisamos por nossos olhos. A escassez dessas pessoas é reflexo de como estamos levando nossas vidas humanas. A inação que nos compete está tomando forma todos os dias e formando uma sociedade que não admiramos. Deixamos de ser “anjos”, porque escolhemos ignorar por completo tudo aquilo que poderíamos fazer por alguém o mesmo tanto que poderíamos receber. Viver em sociedade é, sobretudo, troca. E se as relações não forem profundas e sinceras o suficiente, as trocas também não serão. Quem perde com isso? Você, eu e todos nós, mesmo que não tenhamos nada a ver com isso.

Se você prometer que vai mudar eu te apoio. Mas se você demonstrar ação, eu te abro um sorriso, estendo a mão. Eu estou querendo ser surpreendido pelas pessoas. Quero ver quem vai poder dizer que a vida está injusta. Se você me mostrar que tem valor e que o fracasso veio apesar de você ter tentado, aí sim eu estarei do seu lado. Posso não ter todas as soluções que você precisa e nem pretendo, mas estarei lá com o pouco que eu tiver. Estou blindado apenas aos oportunistas e gente que só quer facilidades. Eu quero é gente disposta, que esteja pronta pra qualquer proposta. Quero por perto, gente que queira superar os problemas, dar tchau nas asneiras e solidificar o mundo. Eu não quero gente que busca dinheiro, mas pouco se importa com o que está fazendo. Eu não quero desperdiçar meu estoque de risadas com alguém que vai trocar esses dias por um status, um nome na placa do puteiro, um crachá de prata, uma vaga de emprego.

Aprendi que esse tipo de gente dá azar. Esses tiram nossos tesouros, em todos os sentidos, em todo lugar. Essas pessoas não criam, se apropriam. Elas não vencem, compram vitórias. Elas não aprendem, fingem saber e, acima de tudo, não querem mudar, pois pra ser um pouco melhor do que ontem é preciso mais do que teoria e dinheiro, é preciso ação. E como sabemos, ação não dá em qualquer lugar.

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Rodrigo Meyer