O lado bom da ignorância.

É difícil imaginar que haja algo de positivo na ignorância, mas existe. Quando nos envolvemos com tantas pessoas e situações, observamos detalhes e refletimos sobre como aquilo pode ajudar a um determinado objetivo.

No caso da ignorância, o lado positivo é justamente quando as pessoas espalham ‘acidentalmente’ ideias que ajudam a combater a ignorância no mundo. Um exemplo simples disso é quando alguém gosta de uma música ou banda e, mesmo nunca tendo conhecido suas letras, compartilha tais conteúdos e ajuda a levar essas mensagens adiante, por torná-las mais visíveis diante do público. Ironicamente, há quem divulgue seus próprios inimigos, por assim dizer. Existem, por exemplo, racistas que divulgam bandas cuja letra e postura são de combate ao racismo. Exemplos cômicos desse tipo estão em todo tipo de conteúdo, já que as pessoas que figuram na ignorância das coisas, pouco discernem sobre aquilo que consomem.

Entre os ignorantes, temos eficientes propagadores de conteúdo, já que eles são motivados por impulsos e não por entendimento complexo daquilo com que se deparam. Quando uma pessoa não fala inglês e está diante de uma música em inglês, pode ser levada a gostar do clima da música, da melodia ou mesmo do aspecto visual de um clipe ou do próprio artista. Assim, fica mais propenso a espalhar esse conteúdo, apesar de não ter refletido sobre o que aquela letra carregava. No caso de ser um conteúdo positivo, a ignorância foi útil, por facilitar a propagação. Mas, claro, ocorre também o contrário, quando não temos domínio de um idioma e acabamos compartilhando conteúdos ruins.

De toda forma, não se pode dizer que não exista um lado positivo na ignorância. Durante minha interação com grupos de amigos, especialmente os que estavam voltados a aprendizados específicos de História, Cultura e similares, brincava muito com a expressão ‘easter egg‘, que para os entusiastas de informática refere-se aos elementos surpresas que eram escondidos dentro de softwares (geralmente) pelas mãos daqueles que estiveram envolvidos na programação desses softwares. Na vida, existem muitos ‘easter eggs‘ espalhados em construções, livros, filmes, desenhos animados, relacionamentos, etc. Desde que o ser humano aprendeu o poder da disseminação das coisas populares, percebeu potencial em embutir suas próprias ideias nestas coisas. Se os autores de certos textos sobre práticas de xamanismo, magia sexual e iluminação espiritual, soubessem que seus originais enterrados no deserto seriam selecionados e compilados para compor a bíblia, certamente teriam produzido e enterrado muito mais, devido ao potencial que tal livro teria de ser espalhado junto com seus conteúdos originais pretendidos.

Acredito muito nessa ferramenta e conheço inúmeros casos onde ela é propositalmente usada para facilitar a propagação. Tal como um vírus que se espalha por uma epidemia, através da movimentação de seus portadores. Na época da ditadura, por exemplo, mesmo com a presença da censura nas mídias, muito se conseguiu comunicar fazendo uso de metáforas para assuntos que não poderiam ser comunicados explicitamente. A mensagem sobrevive, segue imune a censura e ainda por cima é propagada por todos de forma irrestrita, já que não é mal vista nem pelos leigos, nem pelos conhecedores. O doce sabor da ignorância, a favor do combate da própria ignorância.

Embora isso seja mais instigante em determinados contextos, é algo completamente corriqueiro em todo tipo de iniciativa pelo mundo. Se você já dividiu uma roda de amigos e ficou sem entender nada sobre uma conversa ou piada, você sabe como é eficiente a chamada ‘piada interna’, onde somente os envolvidos no assunto original conseguem decifrar o que está sendo dito de forma pública. Assim também foi feito em tempos de guerra quando se codificavam textos, sons ou sinais de código morse. Conteúdos importantes também foram embutidos em pinturas e ornamentos de arquitetura. Obras de inúmeros artistas, como Leonardo Da Vinci, por exemplo, trazem detalhes sobre outros assuntos que, aparentemente, não são o tema apresentado publicamente em tais obras. Nas construções tradicionais de igrejas e castelos, por exemplo, você pode encontrar a chamada ‘geometria sagrada’ que remete a simbolismos através de derivações de certas estruturas geométricas, para comunicar princípios e ensinamentos de outra temática que não a da religião em si a qual esses prédios ou instituições propagam publicamente, em teoria. No caso das igrejas, catedrais e muitos dos castelos, é o exato caso de chamarmos tais adições de ‘easter eggs‘, pelo fato de que seus construtores e arquitetos eram os que embutiam esses conhecimentos secretos pra que perdurassem e só fossem notados pelos que estivessem aptos a tal.

Desde sempre a humanidade ajuda a combater a ignorância sem sequer saber que está trabalhando pra tal objetivo. Quando você se entusiasma por filmes como Matrix, por exemplo, é levado a memorizar e espalhar a cultura em torno do filme, tendo muita informação carregada junto, em detalhes como o nome de um personagem, de uma nave ou o simbolismo por trás de uma cena. Embora tenhamos uma suposta liberdade de comunicar nossos pensamentos e ideias, nem sempre isso será conveniente, pois muita gente leiga poderá se opor e até boicotar determinados conteúdos, se souberem que algo ali possa estar conflitando com sua bolha de impressões sobre a realidade ou mesmo de seus objetivos e interesses principais. Assim, a eficiência no ‘easter egg‘ é justamente passar desapercebido do público comum e depender de outros conhecimentos pra ser encontrado e/ou decifrado. Assim, enquanto a maioria das pessoas não estão prontas pra absorver o conteúdo escondido, elas se ocupam em propagar o conteúdo geral, fortalecendo, assim, a longevidade da informação anexada.

Há um ditado que diz que a melhor forma de esconder um tesouro é deixá-lo exposto. Isso mostra que a maior eficiência no sigilo de uma informação depende tão somente do nível de compreensão das pessoas. Se muita gente passa por uma pedra na rua e não vê nada de relevante nela, nunca terão a intenção de procurar tesouros em algo tão improvável. Por vezes, algo muito popular é banal o suficiente pra se tornar o melhor disfarce ou esconderijo para algo importante. Costumo sempre espalhar a frase “nunca subestime algo ou alguém pela aparência, pois um rei pode se disfarçar de mendigo se lhe for conveniente”. Uma metáfora simples pra dizer que, muito conteúdo de valor pode estar escondido em textos, letras de música, pinturas, softwares, sites, construções, conversas, etc. Aliás, oportuno momento pra dizer quanta coisa incrível eu absorvi na interação com moradores de rua. Enquanto muita gente os evita por conta de suas roupas gastas ou sujas, pessoas sem preconceito podem ter a grata oportunidade de traçar conversas incríveis, pra conhecer histórias, personalidades, conhecimentos, visões de mundo, etc.

Lembro, com sorriso no rosto, das diversas vezes em que vi pessoas na internet compartilhando músicas que basicamente falavam de assuntos aos quais elas mesmas se opunham ideologicamente. Um bom exemplo de como um conteúdo bem construído ou fácil de ser espalhado contagia até mesmo os inimigos a levar nossa mensagem adiante. Eu chamo isso de ‘colocar o inimigo pra trabalhar’. Sempre repito isso por onde passo, pois acredito muito no potencial dos ignorantes de serem úteis para o combate da ignorância no mundo. Sempre coloque os inimigos a seu favor e os faça trabalhar pela sua ideia, sua mensagem, sua arte, seu trabalho, seu objetivo, etc. Por eles não estarem cientes daquilo que estão espalhando junto, estarão mais favoráveis para a ação, sem defesa, sem resistência, sem críticas. Mas, ao mesmo tempo, tome cuidado com essa ideia, pois assim como é usada para espalhar o bem também é para espalhar todo tipo de entulho. Disfarçados e embutidos atrás de instituições, empresas, religiões, ideologias, discursos políticos, estão inúmeras armadilhas para fisgar incautos para que disseminem junto os discursos de ódio, o racismo, o machismo, a xenofobia, o consumismo, a exploração humana e animal, a normalização da degeneração da ética e da justiça, etc.

Portanto, em conclusão, mesmo que a ferramenta esteja acessível, é preciso saber usá-la e não ser vítima dela mesma quando estiver diante de outros utilizadores. Assim, a melhor recomendação é sempre se abster da ignorância e pensar por conta própria, ter independência e disposição pra buscar conhecimento e não ser apenas um papagaio que tudo repete sem reflexão, sem entendimento. Esteja diante dos conteúdos com um olhar curioso e com a mente aberta e neutra. Eliminando os preconceitos de sua mente, você estará apto a descobrir tesouros escondidos na própria realidade e até em você mesmo. Seja como aqueles poucos que não ignoram a pedra na rua por classificá-la como banal. Olhe pra realidade como uma infinitude de coisas e situações abarrotadas de potencial para serem algo mais. Permita-se ouvir uma música e refletir o que aquela letra comunica além das aparências iniciais.

Coloque-se no mundo como se estivesse decifrando códigos ou como se estivesse tentando estar por dentro da realidade em tempos de censura. Você verá que uma obra é sempre muito mais do que parece. Não digo que todo criador tenha embutido propositalmente algum segredo ou significado adicional em suas expressões, mas com certeza toda obra carrega algo de oculto, mesmo que seja apenas por ação inconsciente ou por tradição, tal como um arquiteto moderno que, mesmo se eventualmente não souber do simbolismo da geometria sagrada, poderá replicá-la pela tradição da estética. E mesmo quando não é este o caso, expressões tem sempre algo extra que podemos aprender, se tivermos com os olhos prontos. Até mesmo diante do vazio e do banal, há o que se extrair. Foi exatamente assim que descobri que mesmo na ignorância havia algo de positivo. Eis tudo o que ela me permitiu encontrar.

Rodrigo Meyer

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A vida é um experimento. Como proceder?

Pensando na vida de forma abstrata ou não, você sempre chega a ideia de que a vida sempre nos coloca em teste. Nossa vivência, nossas capacidades, fraquezas e atitudes determinam como vamos sobreviver a tudo isso. E mais do que sobreviver, como vamos conseguir viver bem individualmente sem eliminar o potencial de bem estar dos demais.

A vida é esse grande experimento. Não importa se você olhe a vida pelo aspecto estritamente físico e humano, com as condições sociais ou do ponto de vista filosófico. Serve igualmente a quem vê pelo lado espiritual ou místico. O que importa é que todo ser vivente está em busca de satisfação, bem-estar. O ser humano, em específico, busca, também, sentido. Se não obtemos nada do que pressupomos como essencial para desfrutarmos de uma vida digna, é claro que entramos em colapsos e esquemas de ‘válvulas de escape’ para contornar a situação equivocada. O ser humano, na maioria das vezes cria seus próprios problemas. A maioria da humanidade está falhando miseravelmente no experimento mais simples que existe: viver.

A falha ocorre ao esperar da vida prazer enquanto planta desprazer. Ocorre quando as pessoas que desejam respeito, plantam desigualdade e opressão. Ocorre quando as pessoas que querem paz, plantam a guerra. Ocorre quando as pessoas que esperam um mundo menos ignorante, cultivam a ignorância e o desprezo por qualquer tipo de lapidação. O ser humano falha miseravelmente ao tentar exigir do espaço social e da vida aquilo que ele, dia após dia, recusa ofertar. Esse egoísmo na vida, os coloca diante de cenários que eles mesmos não querem no final. É óbvio que ninguém quer desprazer, mas ainda vivemos tempos onde precisamos dizer o óbvio.

Não passam no teste as pessoas que perdem a lógica e a empatia ao entupir seus filhos e parentes de comida e conforto, ao mesmo tempo em que nada se importam com qualquer outro ser que esteja passando fome e descaso. Não faz nenhum sentido bancar o suposto agente da “segurança”, ao mesmo tempo em que se é o maior motivo de insegurança e revolta social. Não faz sentido nenhum almejar que as pessoas tenham mentes tranquilas e condutas melhores, se tudo que ofertam socialmente é motivo para usarmos das ‘válvulas de escape’ e do revide.

Estamos sempre buscando soluções pra esse mundo desinteressante e desnecessário, onde as pessoas insistem em oferecer a própria merda em que ela e todos os demais terão de comer. Essas pessoas não pensam que a melhor saída (e também a mais óbvia) seria oferecer aquilo que se espera receber, pois sempre receberemos pra nós o mundo que deixarmos existir. Teremos que lidar com nossa existência, as consequências dessa existência e os rastros de tudo que fizemos, falamos, pensamos, desejamos, criamos ou mesmo daquilo que deixamos de fazer, falar, pensar, desejar, criar, etc.

Falha miseravelmente a sociedade que não consegue se olhar no espelho com sinceridade pra varrer daquela carcaça toda a sujeira desnecessária que a impede de enxergar com clareza. A medida em que se limpam, percebem que a realidade não é suja quando as pessoas não estão sujas. O que torna o mundo um lugar imundo são as próprias pessoas. Transferimos para a realidade do mundo a nossa realidade interior. Somos construtores de realidades, somos plantadores de sementes. Nossa existência impacta diretamente e indiretamente em tudo e todos. Se não cuidarmos de quem somos, não estaremos cuidando de nada no mundo, por mais que muitos desejem se enganar com a ideia de que fizeram algo de relevante.

De nada serve limpar um azulejo de um banheiro, se ao mesmo tempo você sujar outro. A equação permanece a mesma. Se quer ter o prazer de entrar em um banheiro limpo, terá que mudar imediatamente a estratégia e começar a agir com lógica e sinceridade. Se quer mesmo limpar, não pode sujar. Limpe mais e suje menos. Mude de lado, mude de postura. Isso exige reavaliar suas próprias ideias, conceitos e preconceitos. Comece a quebrar paradigmas, falácias, tabus, repetições de papagaios marionetes e comece a verificar com profundidade se o que você está propagando como ideia e atitude, procede. Quase sempre as pessoas só fazem o terrível papel de ‘idiota útil’. Não seja esse.

Como proceder? Diz-se que ‘difícil é fazer o simples’. Mas, independente da filosofia por trás destas e outras coisas, fique com a proposta de que o mundo é reflexo do que nós somos. Não importa o que você acha que consegue fazer. Tudo que você precisa fazer é ser sincero ao olhar pra suas próprias atitudes, ideias e ideais e começar a eliminar de si tudo aquilo que não contribui pra um ambiente melhor, tanto pessoal quanto coletivo. Se vai conseguir tudo de imediato é outra história, mas se não tentar, tornou a falhar miseravelmente. A tentativa é mais urgente. Conseguir virá depois. Tentar é obrigação de todos. Faça sua parte e deixe o futuro para o momento dele.

Nem sempre tenho disposição pra escrever. Às vezes me recolho pra não ter que lidar com certas obviedades. E, por vezes, ironicamente, eu mesmo saio da curva daquilo que espero, por não ter a paciência e/ou esperança necessárias pra plantar o que precisa ser plantado aqui. Me falta disposição pra lidar com uma sociedade que dá tiro no próprio pé desde sempre e que depois de tantos mil anos ainda não aprendeu a livrar o próprio pé do desnecessário tiro. Será que o ser humano é ensinável? Com quem ou o que precisaremos fundir o ser humano pra que ele absorva melhor entendimento, melhor existência, melhores capacidades e interesses nessa vida toda, dentro e/ou fora da Terra?

Chega de textos por hoje. Corram pro espelho imediatamente e só saiam de lá quando tiverem compreendido a direção necessária pra se viver bem individualmente e em coletivo. Aqueles que quiserem trilhar essas mudanças, contem comigo. Aos desistentes que não querem sequer tentar, não fiquem atrapalhando o caminho, pois eu e quem estiver do meu lado iremos passar.

Rodrigo Meyer

Evitando a autossabotagem nos conselhos.

Imagine-se ouvindo um conselho do qual você concorda, mas ao invés de fazer algo a respeito, ignora o conselho. É o mesmo que ir ao médico e ouvir que precisa estancar o sangramento pra não morrer, concordar com esse fato, mas, ao invés de agir pra estancar o sangramento, ignorar o médico e continuar a vida como se nada tivesse acontecido. O que isso denota?

Se a pessoa entende que o melhor pra ela é determinada coisa e simplesmente ignora tal coisa, ela está optando por não se ajudar, optando por ignorar a razão. Pode-se concluir, então, que essa pessoa não se gosta, não se ama. Ao se enxergar como alguém que não merece tal cuidado ou benefício, deixa de aderir ao necessário pra se ver bem, feliz, saudável, em paz, etc. Se estivesse em posição contrária, com amor-próprio, seria a primeira a se interessar por todo bem-estar pessoal diante de qualquer situação.

Quando uma pessoa não se acha merecedora o suficiente, ela sabota a si mesma. É o caso quando escolhe, consciente ou inconscientemente, ser passada pra trás, ser explorada quando não precisa, se entupir de produtos e conteúdos ruins, degradar-se diante de situações ou pessoas, cercar-se de pessoas sem qualidade, aceitar prejuízos sem reagir, acomodar-se diante dos malefícios que chegam até si, entre tantas outras coisas.

Conselhos, como eu já disse outras vezes, é algo totalmente inútil, pois as pessoas só fazem aquilo que querem fazer. A liberdade de decidir nossas próprias vidas, nos dá a brecha de ignorarmos conselhos, mesmo quando concordamos com eles. Você já deve ter visto, por exemplo, médicos que não possuem hábitos saudáveis. Isso mostra que conhecer o que é adequado pra uma situação não é o suficiente pra que as pessoas tomem uma ação positiva sobre o assunto. De maneira semelhante, a pessoa que detém o conhecimento por um conselho e não faz uso desse conselho pra agir, está ignorando a potencial ajuda para seu problema.

A mente humana é muito mais complexa do que um computador. Não basta apresentar dados e lógica, pois as pessoas detém outras questões em suas mentes. O campo dos sentimentos, os traumas, complexos, medos e outras inúmeras variáveis de suas personalidades, vão influir em como essas pessoas lidam com seus próprios problemas. Diz-se que algumas pessoas são acomodadas diante das situações e por isso não resolvem suas barreiras. Em parte isso é verdade. Deixa de ser verdade, apenas quando a pessoa não detém as condições pra fazer as mudanças que gostaria. Todo aquele que tiver condições de fazer algo sobre o problema que tem, está responsável por esse problema tanto quanto pela escolha da inação ou da ação contrária ao benefício.

A autossabotagem é muito comum e grande parte das pessoas estão em situações das quais não precisariam estar. Precisam, portanto, se resolverem primeiro, do ponto de vista psicológico, para superarem traumas e complexos e passarem a desenvolver amor-próprio. A partir do amor-próprio, agir em favor de si mesmas será algo natural e automático. A medida em que as pessoas se colocam como prioridade e como merecedoras de bem-estar, elas não se permitem ter nada menos que isso e fazem uso de todas as oportunidades que surgirem pra melhoria de suas próprias realidades e condições.

Você pode achar fantasioso demais, porém, existem pessoas que largam empregos caso haja qualquer chance de serem promovidas ou de ganharem salários melhores. Para alguns, isso beira a insanidade, mas existem pessoas que tem um pavor, consciente ou inconsciente de levarem vidas melhores e se sabotam pra evitar que desfrutem das melhorias, recusando tudo que possa lhes colocar em vantagem. Os motivos podem ser diversos, como, por exemplo, não ter coragem de agir com outras questões que poderão surgir caso elas não tenham mais o pretexto da pobreza financeira. Munidas do insucesso, elas se escondem atrás desse pretexto pra não agirem em questões como divórcio, mudança de postura sobre certas pessoas, entre outras coisas.

As “razões” por trás de uma conduta variam de pessoa pra pessoa. Somente uma análise profunda de si mesmo, com sinceridade, diante do espelho ou de um profissional de terapia, poderia resolver essas questões que só tomam nosso tempo e nossa qualidade de vida. É difícil admitirmos pra nós mesmos que estamos sendo autores de nossa própria desgraça, principalmente quando sequer precisaríamos passar por certas situações. Sobe um sentimento de vergonha por sabermos que poderíamos ter feito diferente e não fizemos. O comodismo não nos causa orgulho e paz. Só nos sentimos bem se tudo que estamos fazendo está de acordo com nossos ideais.

No que você tem se sabotado ultimamente ou ao longo de sua vida? Já se perguntou as razões de seus medos, inseguranças, traumas e inações? Como anda seu apreço por si mesmo? Há mudanças precisando ocorrer pra que toda humanidade se veja capaz de ser e ter coisas boas, de maneiras boas, por motivos bons. Se cada um fizer sua parte, uma realidade paradisíaca é garantida.

Rodrigo Meyer

Não tenho medo da morte. E você também não precisa ter.

Se tem algo que é natural e que certamente vai acontecer pra todos, é a morte. Nascemos e morremos e isso não tem razão nenhuma pra ser um drama. O medo que as pessoas tem da morte é um exagero adicionado ao instinto de sobrevivência. Uma coisa é você tentar preservar sua existência e outra, completamente diferente, é ter medo de morrer.

Falar de morte é um tabu em praticamente todas as sociedades. Posso dizer que isso não torna o tabu normal, apenas mostra como a humanidade, em sua maioria, está enfraquecida em seu próprio modelo criado. Se alimentam de medos, traumas, inseguranças e, quando isso viraliza a ponto de quase todos estarem nesse padrão, tendem a achar inaceitável tocar no tema sem um afastamento, medo ou desprezo. Não consigo imaginar bobagem maior.

Como eu disse inicialmente, o instinto de sobrevivência é diferente do medo da morte. Ele é, por exemplo, o que te faz correr quando um prédio desmorona perto de você. Você tenta ficar vivo pelo maior tempo possível, sofrendo o mínimo possível. Não há prazer no sofrimento que esses episódios catastróficos proporcionam e também não há nenhuma necessidade de passarmos por eles passivamente. Mas se você deixa de sair de casa com medo de que um prédio possa cair ao seu lado, então você precisa buscar ajuda psicológica.

Eu sei, perfeitamente, que em algum momento morreremos todos. Pode ocorrer subitamente, como em um acidente de carro, por exemplo. Pode ser gradual, como em uma enfermidade que termine em óbito. Pode ser algo um pouco mais previsível, como morrer de velhice ou até mesmo de forma planejada como um suicídio.

A medida em que as pessoas vão lendo este assunto, posso imaginar o desprazer de muitos, afinal é mesmo um assunto tabu pra muita gente. A humanidade não lida de forma confortável com a morte. De alguma forma é como se a morte fosse a representação de algo tenebroso que não deve nem mesmo ser mencionado. Eu não penso assim. A morte não muda por falarmos ou não dela. Aliás, falar dela, pode ser o começo de uma grande transformação pessoal sobre como lidar com sua própria vida.

Algumas instituições de cunho filosófico e espiritual ritualizam simulações teatrais de morte como forma de propor reflexões aos participantes sobre as questões da vida, os valores e até mesmo sobre sua própria análise do que venha a ser a partida da vida pro que, eventualmente, haja depois disso. Outros grupos, festejam a morte dando a ela um status de entidade, como se ela estivesse, de alguma forma, sendo personificada. Ela é tão natural e recorrente que as representações e simbolismos acerca do fim da vida deixaram uma vastidão de cultura em torno do tema.

Por ser o momento de transição entre a vida e o suposto momento seguinte, a morte sempre esteve envolta de mistérios. Pelo fato de nosso corpo morrer, encerramos as análises mais concretas nesse último momento de vida. Assim, médicos e cientistas validam a morte com base na ausência das características que são comuns durante a vida, tal como o pulso, respiração ou atividade cerebral. A partir do momento que um corpo é declarado morto, entra-se em território desconhecido e tudo adiante, então, torna-se especulação.

Seja do ponto de vista científico ou espiritual, são poucas as respostas sobre o assunto e por isso, podemos dar mais certeza e confiança na vida do que no que a morte nos deixa. No final das contas, o medo da morte é tão somente o medo do desconhecido. De maneira similar, as pessoas geralmente possuem um medo sobre o Universo e questões sobre vida extraterrestre. Por muito tempo o Universo sempre foi uma vastidão misteriosa não explorada que nos fazia pensar, mas que nunca nos trazia uma resposta satisfatória. Diante disso, fenômenos, aparições ou teorias que envolvem a entrada ou saída desse misterioso céu escuro, nos deixa inquietos, no mínimo.

O medo do desconhecido nos coloca num papel pouco proveitoso. Ficamos ansiosos, pois nosso cérebro tende a querer compreender o que se apresenta diante de nós e se algo não se soluciona de forma satisfatória, ele fica em um esforço infinito diante disso. Essa busca por resposta sem conclusão é a ansiedade. Isso é basicamente a cena de um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Ele nunca alcançará seu próprio rabo, pois quanto mais avança, mais seu rabo “foge”.

O que muita gente faz pra contornar a ansiedade diante da morte é determinar uma resposta pra entregar ao cérebro quando estiver diante desse desconhecido. Ao não saber a resposta, coloca opções e elege uma para acreditar. Dessa forma se você colocar para seu cérebro a ideia de que depois da morte, você vai estar em Vênus, dançando suas músicas preferidas, então sua mente se sente confortável por saber a resposta, independente de ser real ou não. Outras pessoas preferem simplesmente crer que depois da morte tudo se encerra e nada mais ocorre e assim também aquietam a ansiedade do cérebro, dando uma resposta. Seja lá que resposta dermos, sempre será uma maneira de contornar o desconhecido e não cair em um surto de ansiedade. Nossa mente torna-se criativa para resolver o que a inquieta.

Embora não tenhamos que ter medo algum da morte, isso não significa que você deva propagá-la ou ser permissivo diante de atos perigosos. A razão é simples: uma vez que somos humanos com nosso instinto de preservação e que isso não é opcional, todo nosso bem-estar está pautado em certas condições e premissas. É compreensível que não consigamos, por exemplo, nos sentir bem se estivermos em situações de risco a vida, como, por exemplo, pendurados em um penhasco ou diante de uma área que está sendo bombardeada. A própria ansiedade que esses momentos geram pro nosso cérebro, por impactar em nosso instinto de sobrevivência, nos deixa em estados alterados. As químicas de adrenalina e outras nos fazem ter reações praticamente automáticas.

Diante disso, me vem a mente vídeos de pessoas corajosas andando tranquilamente por topos de prédios, sem nenhuma proteção, filmando saltos entre bordas e todo tipo de ação que julgamos extrema. Para muitos de nós isso causa aflição e ansiedade, pois imaginamos o perigo de queda e morte. Reconhecemos nas alturas, assim como em outros contextos, o ingrediente da morte em potencial. Isso figura na mente humana e de grande parte dos animais, como uma memória herdada que já está impregnada em nossas espécies, ao longo das gerações. Desde que diversas pessoas foram morrendo diante de cenários similares, fomos aprendendo o que era perigoso ou não. E assim, torna-se compreensível o medo ou aflição diante de alturas, especialmente quando não há uma proteção ampla.

Mas, pessoas no mundo todo superam ou mudam suas mentes diante desses padrões, quando, por exemplo, controlam ou anulam a ansiedade diante de um salto de paraquedas, a proximidade com animais peçonhentos como algumas cobras ou o controle emocional diante de um incêndio. Acredito que, a medida em que controlamos melhor nossa mente, vamos nos tornando menos vítima do lado pejorativo dos nossos instintos. Ter instinto é bom e faz parte do nosso progresso em vários sentidos, mas se tivermos capacidade de burlar exageros em prol do nosso próprio bem-estar, melhor.

Proponho que vivamos de forma mais intensa, com menos receios, menos medos, menos ansiedade. Incertezas sempre existirão sobre inúmeras coisas, mas isso não precisa ser motivo pra ficarmos apreensivos. Também devemos evitar pessimismo e otimismo e nos concentramos na realidade. Viver o momento presente é algo que exige que abandonemos expectativas sobre o futuro e que superemos traumas do passado. Pelo que posso observar do mundo e de minha própria jornada, a melhor receita pra ficar em paz é desfrutar o momento presente.

Sensatos os vikings que festejavam quando alguém morria, afinal era sinal de que completou mais uma etapa na evolução. Morrer é natural e triste mesmo é viver sofrendo. Se você sente saudade de um amigo ou ente querido que faleceu, tenha em mente que o que vocês vivenciaram durante a vida é o que oferta valor entre as pessoas e se isso já foi feito e compartilhado, não há pesar. Se pra você a vida se encerra com a morte do corpo físico, todo o momento que vocês poderiam ter pra desfrutar a companhia um do outro era aquele e tudo se cumpriu. E se você acredita que haja algum evento posterior a morte, estará vivenciando as possibilidades de interação em algum momento, de alguma forma, e este estágio da vida no corpo foi apenas uma fase concluída.

Quando lembro de alguém do meu passado ou que faleceu, tenho recordações dos bons momentos vividos. Isso só me traz alegrias e nenhuma dor. Não tenho remorsos ou dramas a serem superados pelo fato dessas pessoas não estarem presentes fisicamente em meus dias. Não estou, de forma nenhuma, condenando a emoção diante desses momentos onde nos sentimos separados de pessoas que estimávamos bastante. Tudo isso é parte de nossa realidade como seres humanos e nosso afeto está muito relacionado a querer proteger e ver bem as pessoas com quem criamos vínculos. Dessa forma, tendemos a sofrer, por extensão do instinto de sobrevivência, pelo dano a vida de uma outra pessoa. É isso que nos torna humanos e nos deixa emocionados diante da dor alheia, por exemplo. De maneira similar, a felicidade de alguém que estimamos nos tranquiliza e nos contagia, deixando um sentimento de alegria e bem-estar.

Quando chegar a sua hora, minha hora ou a hora de qualquer ser, procure voltar a sua atenção para o que você tem feito da sua vida, pois se tem algo que é recorrente em pessoas que estão próximas do momento de morte é o arrependimento sobre quem foram e como viveram. Chovem palavras de perdão, amor, desculpas e surge um brilho de consciência que os fazem ver que pesar na Terra é a maior perda de tempo, pois a morte chega pra todos e, portanto, enquanto estivermos vivos, é a única e melhor hora pra fazermos o melhor pra desfrutar de bons momentos e ver todo mundo bem e feliz. Façamos, então, nossas melhores ações, com nossas melhores posturas diante de tudo e de todos. Qualquer coisa diferente disso, é ignorar as estatísticas das pessoas infelizes em seus últimos dias de vida. Seja lá o que venha ou não venha depois da morte do corpo, viva seus dias pra ficar de consciência tranquila. Sua vida vai ser construída em cima de como você se sente diante da realidade. Você pode escolher a tranquilidade e o sorriso ou o incômodo no caos. Controle sua mente ou será controlado.

Rodrigo Meyer

Quem tem tempo livre é privilegiado.

Diante do tédio ou até da solidão, as pessoas podem pensar que esse aparente vazio de atividades ou pessoas é um desprazer ou problema. Mas olhando pro tema de forma mais fria, o tempo livre que advém de certos estilos de vida ou contextos acabam por ser um privilégio.

Em um mundo conturbado onde faltam condições boas de trabalho e socialização, as pessoas, muitas vezes, estão sem tempo para nada. Lhes falta tempo para digerir a comida, para conversar, para pensar, para sentir prazer, para dormir, para viver. Amarradas pelo trabalho excessivo ou por um trabalho que as obriga a permanecer disponíveis por muito tempo, sem poderem ir pra outro lugar ou sem poder iniciar outra atividade, essas pessoas ficam sugadas por realidades pouco proveitosas.

Muitas pessoas acreditam que o benefício do salário ou simplesmente a “sorte” de terem um emprego enquanto muitos estão desempregados, é motivo suficiente pra aceitarem essa ausência de tempo livre. Se esquecem (ou desconhecem) que existem inúmeras outras formas de trabalho. Talvez não resultem no ilusório status como ser um engravatado que vai ao escritório todos os dias ou que preencha uma fantasia mal estruturada como a de trabalhar em algo que elas julguem mais divertido, mais importante ou mais digno, mesmo quando não procede.

Muita gente escolhe encerrar seu tempo extra preso ao trabalho e outras pessoas, por falta de opção ou por não verem as opções que existem. Permanecem em trabalhos que lhes toma muito esforço físico, mental e/ou emocional e lhes deixa com pouco tempo livre pra qualquer coisa de cunho pessoal, como os prazeres, os descansos, os pensamentos, as reflexões, os momentos de cultura, as abstrações sobre a vida, etc.

Uma vida sem tempo livre, torna-se, portanto, uma vida improdutiva. Produz-se o máximo possível dentro do trabalho em que se exerce, mas, ao final das contas, pouco se produz em prol da sociedade ou de si mesmo como indivíduo. O coletivo adoece do ponto de vista social enquanto que os patrões se fortalecem com modalidades de trabalho que pouco tem a ver com pessoas, mas muito tem a cobrar sobre resultados, vendas, dinheiro e uma perseguição alucinada por lucro às custas de quem precisa de empregos pra sobreviver e não quem está disposto a ser uma peça colaborativa em uma atividade por escolha própria.

É tão verdade isso que raros são os países que tentaram alternativas sociais e econômicas como foi o caso da Finlândia, com a ideia de tornar o trabalho facultativo no país. Imagine uma sociedade onde cada pessoas recebe um valor mensal independente de trabalhar ou não. Você pode pensar que receber dinheiro sem trabalhar pode fazer as pessoas desistirem de trabalhar, mas a verdade é que o que se observou é que as pessoas continuam trabalhando, porém, como a renda é igual para todos, as pessoas escolhem trabalhar com o que gostam e não com o que “precisam”. Livres das amarras de seus empregos, elas decidem lidar com aquilo que possuem mais prazer, aptidão ou que lhes faça mais sentido.

É nesse ponto que precisamos tocar. Em outros países, onde isso não é aplicado, as pessoas não possuem tempo para fazer o que realmente acham prioridade, porque sobreviver se torna uma prioridade ainda não garantida, que só é conseguida através da aceitação de um emprego, mesmo que não seja o emprego ideal, afinal, sem emprego a pessoa não tem renda para bancar sua existência em um mundo onde essa é a moeda de troca para os bens e serviços na sociedade.

Mas, ao invés de focar em questões específicas dessas políticas, quero destacar o valor por trás do tempo em si. É deste tempo que muitos não possuem, que vem a oportunidade de, por exemplo, meditarem, criarem arte, se envolverem mais com a vida de seus filhos e parentes, expressarem suas ideias em um livro ou qualquer outra mídia, realizarem seus sonhos e vontades de conhecer outros países e realidades, dedicar tempo para servir a sociedade de forma mais assertiva e constante, como no caso de ONGs ou iniciativas de ajuda social menos formal.

Pense em como a sociedade seria muito mais engajada em se resolver e se entender. Muito mais seria produzido, sem desconforto, sem que seus tempos sejam desperdiçados com o que elas não querem fazer ou não julgam ser uma prioridade pra seus ideais de vida, tanto pessoalmente quanto coletivamente.

Pensar o mundo e mudar paradigmas humanos sobre a existência, passa, invariavelmente, por decisões criativas e inovadoras de se ver o próprio modelo social, o sistema político, o sistema econômico e os modelos sociais e culturais de uma região. A medida em que essas mudanças trazem opções e não pressões, as pessoas passam a entender que o valor humano não é uma utopia distante do bem-estar coletivo. Na verdade, descobrem que, caso se organizem bem, todo mundo pode viver confortavelmente tanto no sentido financeiro e material quanto no sentido de suas aspirações pessoais, sua realidade como indivíduo, sua personalidade, suas questões e dramas emocionais e psicológicos, a medida em que tem uma abertura maior para opções em sua própria vida, podendo resolver outras questões com mais dedicação, menos pressão e maior suporte.

Pensar no coletivo é, no final das contas, pensar no bem-estar de cada indivíduo. E sem tempo livre, não temos nada disso. Sem tempo livre, só nos resta obrigações perante a realidade ao invés de nos colocar no papel de pessoas que criam, que expressam, que pensam, que mudam, que se divertem, que fazem o mundo melhor e que fazem de suas próprias vidas algo melhor. Vamos mudar?! Empodere o coletivo de sua região, seu bairro, sua família, seu grupo de amigos, seu espaço de ação pública, seu grupo artístico, suas mídias de iniciativa política, os espaços de educação e reflexão, as ONGs e qualquer outro espaço de interação e ajuda social ou de suporte pessoal. Vamos em frente!

Rodrigo Meyer

O que você faz quando questionam suas fraquezas?

Se alguém evidencia suas fraquezas questionando elas, mesmo que indiretamente e involuntariamente, você é obrigado a tomar consciência de quem você é diante daquele tema e, mais do que isso, quem você é ao lidar com a situação depois disso. Muita gente tenta descontar nos outros essa frustração pelas próprias fraquezas. E isso é a tentativa de varrer tudo pra debaixo do tapete e não ter que lidar com um problema que não é de ninguém ao externo.

A opção mais sensata é aceitar suas falhas, compreendê-las melhor e tomar iniciativas que possam te ajudar a fazer diferente nas próximas vezes. Ninguém tem culpa de suas fraquezas depois que elas já nasceram. Talvez, situações do passado, provavelmente de sua infância, pelas mãos de seus pais ou responsáveis, tenham lhe moldado pro desenvolvimento de suas crises, inseguranças, ignorâncias, preconceitos e falhas em geral. Talvez tenham sido as pessoas de sua comunidade, de seu grupo escolar, religioso ou até mesmo seus contatos de amizade, eventualmente, mal escolhidos pela própria somatória de problemas paralelos e/ou anteriores.

Uma vez que somos aquilo que não gostamos de ser ou que somos aquilo que não nos ajuda a vencer e cruzar a vida com dignidade e tranquilidade, já estamos impactados por questões anteriores que nos deixaram assim. Talvez, o único culpado nessa história, antes de você, sejam as pessoas do seu passado. Mas se elas também falharam, quem falhou para elas se tornarem falhas? Falhou a sociedade, o sistema de ensino, a cultura, a política, a humanidade, os amigos, professores, anônimos e tudo mais que cerca os indivíduos. Falhou a ideologia, os princípios, os valores, o referencial, as escolhas, as opções. Assim, se quisermos resolver os problemas, temos que levar em conta as causas dele e não as consequências óbvias.

Importante para cessar a proliferação desse círculo vicioso de falhas uns com os outros é não jogar peso ou culpa pra cima das pessoas da atualidade que suscitaram suas falhas preexistentes, evitando, assim, de plantar novos problemas nessas pessoas e em si mesmo. Também não precisa definhar colocando toda culpa em si mesmo, afinal já sabe que os contextos anteriores a seu problema, te levaram a ser quem é. Somos seres flexíveis com uma plasticidade fantástica na mente se quisermos transformar nossas ideias e atitudes. Enxergar o problema é metade do caminho. É perceber aquilo que não queremos mais. A partir daí segue uma procura sobre o que queremos de verdade pra substituir aquilo e como alcançaremos isso.

Respostas genéricas não supririam a especificidade de cada caso. Dependendo de quais falhas você tem, qual a intensidade, qual sua personalidade e seus contextos do passado, presente e possibilidades do futuro, as ações a serem tomadas mudam completamente. É sensato fazer autoanálises constantemente. Pause sua vida, sua rotina, para compreender-se melhor, antes de dar novos passos rumo à sua transformação. Esse processo é sempre gradual e de momento e, claro, não existem atalhos. Ou você olha e toca com sinceridade no seu interior ou estará sempre varrendo os problemas pra debaixo do tapete. Nesse caso, estaria varrendo a causa dos problemas, o que é ainda mais drástico.

Se suas mudanças não estão dando resultados satisfatórios, talvez seja hora de buscar ajuda com alguém de fora que possa te orientar. Talvez seja oportuno buscar um profissional da área de psicologia, um terapeuta ou até mesmo a sabedoria de amigos ou parentes mais velhos. Permita-se a oportunidade de realmente acertar e vencer, alinhando-se com seus potenciais.

As fraquezas humanas são muitas e variam em tipo, origem e intensidade. Ninguém está imune a falhar ou a precisar retificar falhas. O convívio em sociedade já nos cobra isso, mas mesmo se estivéssemos sozinhos no Universo, ainda teríamos que lidar com nosso Eu Interior, nossa consciência, nossa voz interna, nossos pensamentos, nossas emoções, sensações, aspirações. Lidar com a existência é uma tarefa árdua que já custou a vida de muitos pensadores ao longo da História.

Nunca saberemos ao certo quais são as chaves para tudo, mas temos que perseguir as práticas e filosofias que nos entregam bem-estar pessoal e coletivo. Precisamos harmonizar, tal como uma peça bem projetada pra figurar em uma decoração de ambientes ou como uma peça mecânica que cumpre a função necessária numa máquina. As coisas e pessoas precisam existir de forma a se obter o melhor resultado dentro dos objetivos, com o menor dano possível. É muitíssimo provável que pessoas ainda mais despreparadas, se coloquem como oposição no meio do seu caminho e que tentem frear sua transformação, especialmente se sua atitude impacta a coletividade em termos de liberdade, bem-estar, expansão da consciência, quebra de paradigmas, empoderamento e independência.

É comum e esperado que os opressores que nos rodeiam tenham recusas intensas sobre qualquer oprimido que tente fugir ao seu controle, tal como o personagem Neo na trilogia de filmes “Matrix”, onde ele é barrado pelo agente Smith, que, no final das contas, é apenas a essência que contamina tantos outros indivíduos que assumem a “aparência” do agente Smith, como se fossem tomadas, convertidas ou assumidas por essa essência que os toca e incorpora nestes. Cabe a nós ficarmos atentos ao tipo de pessoas que tentam nos deixar marcas, sugestões, impressões, ideias, estilos de vida, conceitos, supostos argumentos. Cave fundo na raiz e veja se isso procede, se isso é falho, se isso é reflexo de outros problemas preexistentes e se essas pessoas ou situações não estão, na verdade, querendo que você imite-as apenas pra elas não terem que aceitar que elas mesmas estavam erradas e precisando também serem transformadas. O fraco não costuma aceitar errar sozinho. Muitas vezes ele quer que outras pessoas errem com ele, pra ele poder fingir que isso é um acerto, fechando-se, assim, num grupo onde ele ainda pode ter o benefício psicológico e subjetivo da pertença e aceitação.

No mundo atual, cheio de cegos e opressores, se não estamos incomodando ninguém com o que dizemos, fazemos e somos, então não estamos dizendo, fazendo e sendo nada de bom. É pelo contraste das situações que você percebe onde está em relação ao outro e qual o contexto total dessa mistura. É olhando de fora desse mosaico que você entende a realidade e decide o que fazer ao voltar pra ela. Para ir pra frente, conte comigo.

Rodrigo Meyer

Precisar ter sempre razão. O que isso significa?

Pra quem estiver com pressa, já adianto a resposta: significa que você está inseguro com sua própria ignorância. Tá sem pressa? Segue o texto.

Muita gente se coloca em um drama desnecessário quando se vê diante de uma situação que pode desconhecer um assunto ou não terminar um debate ao lado da razão ou verdade. Muita gente tem pavor de, eventualmente, estarem erradas ou de simplesmente não saberem algo. E quando ficam inquietas por não estarem sempre certas, muita vezes tentam plantar um desfecho falso só pra que “não” estejam erradas. E aí inventam respostas sobre coisas que não sabem, distorcem conversas, distorcem dados, ocultam, convenientemente, informações que destroem os argumentos que elas tentam forjar e por aí adiante.

São muitas as formas de reação das pessoas que não lidam bem com o fato de nem sempre estarem certas. Algumas pessoas, inclusive, partem pra violência pra exprimir toda a frustração diante daquilo. Mas, porque as pessoas se incomodam tanto em estarem sempre certas? A resposta pra isso está no fato de que pessoas tem complexos psicológicos, especialmente sobre questões que definem “vitória”, mesmo que essas vitórias sejam falsas ou subjetivas. Saber as coisas é algo que a sociedade, em teoria, valoriza e ninguém quer ser visto como um idiota, um inútil ou alguém que a sociedade não valoriza.

Muita gente acredita que o fato de não terem sempre razão significa que, portanto, são, necessariamente, idiotas. Isso não procede, claro. O que faz a pessoa exagerar com essa associação esdrúxula é o complexo psicológico que ela tem e que a faz sentir muita cobrança de si mesmo ou até de enxergar que as pessoas esperam muito dela e que, ao mesmo tempo, ela não se sente capaz de oferecer. Nesse caso em específico, é como se a pessoa se sentisse intelectualmente inferior aos demais, mesmo que esteja na média, por exemplo, ou até que esteja acima da média. E se elas forjarem a ideia de que sempre estão certas, mesmo quando não estão de fato, então elas não precisam lidar com o fato de que não estão. Mas isso funciona mesmo?

Claro que não. Quando alguém me pergunta a distância entre a Terra e uma galáxia recém descoberta pela NASA, é naturalíssimo que eu, como a maioria de nós, não saiba qual é essa distância. Isso não faz de nós idiotas, incultos ou inúteis. E, igualmente, não torna, necessariamente, inteligente ou superior quem dispõem desse dado. Nem toda informação que temos posse nos transforma em mentes geniais ou pessoas poderosas. Você, provavelmente, não sabe quantos fios de cabelo há em média no ser humano. E isso não vai mudar sua vida em absolutamente nada, a princípio. Se você quiser, pode buscar a informação dessa e de outras curiosidades que possam lhe ofertar alívio com a descoberta, afinal, a curiosidade nem sempre vem pra sanar uma necessidade técnica, mas, muitas vezes, sana apenas nossa inquietação humana e subjetiva sobre as coisas.

Quando as pessoas se permitem não saber, aí sim estão prontas pra aprender, pois não encerram os assuntos como se já soubessem de tudo. É a partir da admissão de desconhecimento de algo que temos a deixa pra que alguém divida essa informação conosco ou que busquemos nós mesmos a informação. Se nos colocarmos na postura de fingir saber tudo pra não parecermos menos sábios, inteligentes ou cultos, aí nos tornaremos um pouco mais idiotas de fato, pela postura. E, muitas vezes, essas pessoas até mesmo se recusam a ir buscar a informação que não possuem, apenas pra não dar o braço a torcer pro fato de que não sabiam. E, como se pode ver, isso só agrava o problema.

Ironicamente, as pessoas que menos suportam parecer idiotas, são as que acabam se tornando as que mais se afastam do conhecimento. Quanta perda de tempo! Bastaria que tivessem humildade pra admitir, com tranquilidade, que não sabem de algo e seguir, se quiserem, em busca do conhecimento que lhes falta. Seriam valorizadas pela postura, seriam, de fato, um pouco mais cultas e, provavelmente, combateriam de forma mais eficaz o complexo de sentirem-se inferiores intelectualmente.

Mas, é preciso deixar um adendo importante sobre tudo isso. Embora seja importante que desenvolvamos nosso potencial na educação, no intelecto, na sabedoria, etc., precisamos lembrar que, por motivos diversos, existem níveis variáveis de tudo na sociedade. Algumas pessoas estarão “melhor posicionadas” nesse hanking, de acordo com certos parâmetros de medição e médias. E há casos de síndromes ou outras variações físicas, psicológicas ou psiquiátricas que podem alterar esses índices, quando comparados com as demais pessoas. Devemos compreender essas diferenças e não confundir esses grupos na hora de traçar avaliações e parâmetros. Entendendo isso e conhecendo bem as pessoas com quem estamos lidando, podemos ser mais assertivos e éticos, promovendo inclusão e permitindo que grupos destoantes da média sejam incentivados a desenvolver o melhor pra suas vidas e anseios, com seus potenciais intelectuais, socialização, aprendizado, transformação, qualidade de vida, dignidade, pertença e valoração como indivíduo, seja no âmbito pessoal, social ou familiar.

Como terminar esse texto? Eu não sei. Serve assim?

Rodrigo Meyer