O lado bom da ignorância.

É difícil imaginar que haja algo de positivo na ignorância, mas existe. Quando nos envolvemos com tantas pessoas e situações, observamos detalhes e refletimos sobre como aquilo pode ajudar a um determinado objetivo.

No caso da ignorância, o lado positivo é justamente quando as pessoas espalham ‘acidentalmente’ ideias que ajudam a combater a ignorância no mundo. Um exemplo simples disso é quando alguém gosta de uma música ou banda e, mesmo nunca tendo conhecido suas letras, compartilha tais conteúdos e ajuda a levar essas mensagens adiante, por torná-las mais visíveis diante do público. Ironicamente, há quem divulgue seus próprios inimigos, por assim dizer. Existem, por exemplo, racistas que divulgam bandas cuja letra e postura são de combate ao racismo. Exemplos cômicos desse tipo estão em todo tipo de conteúdo, já que as pessoas que figuram na ignorância das coisas, pouco discernem sobre aquilo que consomem.

Entre os ignorantes, temos eficientes propagadores de conteúdo, já que eles são motivados por impulsos e não por entendimento complexo daquilo com que se deparam. Quando uma pessoa não fala inglês e está diante de uma música em inglês, pode ser levada a gostar do clima da música, da melodia ou mesmo do aspecto visual de um clipe ou do próprio artista. Assim, fica mais propenso a espalhar esse conteúdo, apesar de não ter refletido sobre o que aquela letra carregava. No caso de ser um conteúdo positivo, a ignorância foi útil, por facilitar a propagação. Mas, claro, ocorre também o contrário, quando não temos domínio de um idioma e acabamos compartilhando conteúdos ruins.

De toda forma, não se pode dizer que não exista um lado positivo na ignorância. Durante minha interação com grupos de amigos, especialmente os que estavam voltados a aprendizados específicos de História, Cultura e similares, brincava muito com a expressão ‘easter egg‘, que para os entusiastas de informática refere-se aos elementos surpresas que eram escondidos dentro de softwares (geralmente) pelas mãos daqueles que estiveram envolvidos na programação desses softwares. Na vida, existem muitos ‘easter eggs‘ espalhados em construções, livros, filmes, desenhos animados, relacionamentos, etc. Desde que o ser humano aprendeu o poder da disseminação das coisas populares, percebeu potencial em embutir suas próprias ideias nestas coisas. Se os autores de certos textos sobre práticas de xamanismo, magia sexual e iluminação espiritual, soubessem que seus originais enterrados no deserto seriam selecionados e compilados para compor a bíblia, certamente teriam produzido e enterrado muito mais, devido ao potencial que tal livro teria de ser espalhado junto com seus conteúdos originais pretendidos.

Acredito muito nessa ferramenta e conheço inúmeros casos onde ela é propositalmente usada para facilitar a propagação. Tal como um vírus que se espalha por uma epidemia, através da movimentação de seus portadores. Na época da ditadura, por exemplo, mesmo com a presença da censura nas mídias, muito se conseguiu comunicar fazendo uso de metáforas para assuntos que não poderiam ser comunicados explicitamente. A mensagem sobrevive, segue imune a censura e ainda por cima é propagada por todos de forma irrestrita, já que não é mal vista nem pelos leigos, nem pelos conhecedores. O doce sabor da ignorância, a favor do combate da própria ignorância.

Embora isso seja mais instigante em determinados contextos, é algo completamente corriqueiro em todo tipo de iniciativa pelo mundo. Se você já dividiu uma roda de amigos e ficou sem entender nada sobre uma conversa ou piada, você sabe como é eficiente a chamada ‘piada interna’, onde somente os envolvidos no assunto original conseguem decifrar o que está sendo dito de forma pública. Assim também foi feito em tempos de guerra quando se codificavam textos, sons ou sinais de código morse. Conteúdos importantes também foram embutidos em pinturas e ornamentos de arquitetura. Obras de inúmeros artistas, como Leonardo Da Vinci, por exemplo, trazem detalhes sobre outros assuntos que, aparentemente, não são o tema apresentado publicamente em tais obras. Nas construções tradicionais de igrejas e castelos, por exemplo, você pode encontrar a chamada ‘geometria sagrada’ que remete a simbolismos através de derivações de certas estruturas geométricas, para comunicar princípios e ensinamentos de outra temática que não a da religião em si a qual esses prédios ou instituições propagam publicamente, em teoria. No caso das igrejas, catedrais e muitos dos castelos, é o exato caso de chamarmos tais adições de ‘easter eggs‘, pelo fato de que seus construtores e arquitetos eram os que embutiam esses conhecimentos secretos pra que perdurassem e só fossem notados pelos que estivessem aptos a tal.

Desde sempre a humanidade ajuda a combater a ignorância sem sequer saber que está trabalhando pra tal objetivo. Quando você se entusiasma por filmes como Matrix, por exemplo, é levado a memorizar e espalhar a cultura em torno do filme, tendo muita informação carregada junto, em detalhes como o nome de um personagem, de uma nave ou o simbolismo por trás de uma cena. Embora tenhamos uma suposta liberdade de comunicar nossos pensamentos e ideias, nem sempre isso será conveniente, pois muita gente leiga poderá se opor e até boicotar determinados conteúdos, se souberem que algo ali possa estar conflitando com sua bolha de impressões sobre a realidade ou mesmo de seus objetivos e interesses principais. Assim, a eficiência no ‘easter egg‘ é justamente passar desapercebido do público comum e depender de outros conhecimentos pra ser encontrado e/ou decifrado. Assim, enquanto a maioria das pessoas não estão prontas pra absorver o conteúdo escondido, elas se ocupam em propagar o conteúdo geral, fortalecendo, assim, a longevidade da informação anexada.

Há um ditado que diz que a melhor forma de esconder um tesouro é deixá-lo exposto. Isso mostra que a maior eficiência no sigilo de uma informação depende tão somente do nível de compreensão das pessoas. Se muita gente passa por uma pedra na rua e não vê nada de relevante nela, nunca terão a intenção de procurar tesouros em algo tão improvável. Por vezes, algo muito popular é banal o suficiente pra se tornar o melhor disfarce ou esconderijo para algo importante. Costumo sempre espalhar a frase “nunca subestime algo ou alguém pela aparência, pois um rei pode se disfarçar de mendigo se lhe for conveniente”. Uma metáfora simples pra dizer que, muito conteúdo de valor pode estar escondido em textos, letras de música, pinturas, softwares, sites, construções, conversas, etc. Aliás, oportuno momento pra dizer quanta coisa incrível eu absorvi na interação com moradores de rua. Enquanto muita gente os evita por conta de suas roupas gastas ou sujas, pessoas sem preconceito podem ter a grata oportunidade de traçar conversas incríveis, pra conhecer histórias, personalidades, conhecimentos, visões de mundo, etc.

Lembro, com sorriso no rosto, das diversas vezes em que vi pessoas na internet compartilhando músicas que basicamente falavam de assuntos aos quais elas mesmas se opunham ideologicamente. Um bom exemplo de como um conteúdo bem construído ou fácil de ser espalhado contagia até mesmo os inimigos a levar nossa mensagem adiante. Eu chamo isso de ‘colocar o inimigo pra trabalhar’. Sempre repito isso por onde passo, pois acredito muito no potencial dos ignorantes de serem úteis para o combate da ignorância no mundo. Sempre coloque os inimigos a seu favor e os faça trabalhar pela sua ideia, sua mensagem, sua arte, seu trabalho, seu objetivo, etc. Por eles não estarem cientes daquilo que estão espalhando junto, estarão mais favoráveis para a ação, sem defesa, sem resistência, sem críticas. Mas, ao mesmo tempo, tome cuidado com essa ideia, pois assim como é usada para espalhar o bem também é para espalhar todo tipo de entulho. Disfarçados e embutidos atrás de instituições, empresas, religiões, ideologias, discursos políticos, estão inúmeras armadilhas para fisgar incautos para que disseminem junto os discursos de ódio, o racismo, o machismo, a xenofobia, o consumismo, a exploração humana e animal, a normalização da degeneração da ética e da justiça, etc.

Portanto, em conclusão, mesmo que a ferramenta esteja acessível, é preciso saber usá-la e não ser vítima dela mesma quando estiver diante de outros utilizadores. Assim, a melhor recomendação é sempre se abster da ignorância e pensar por conta própria, ter independência e disposição pra buscar conhecimento e não ser apenas um papagaio que tudo repete sem reflexão, sem entendimento. Esteja diante dos conteúdos com um olhar curioso e com a mente aberta e neutra. Eliminando os preconceitos de sua mente, você estará apto a descobrir tesouros escondidos na própria realidade e até em você mesmo. Seja como aqueles poucos que não ignoram a pedra na rua por classificá-la como banal. Olhe pra realidade como uma infinitude de coisas e situações abarrotadas de potencial para serem algo mais. Permita-se ouvir uma música e refletir o que aquela letra comunica além das aparências iniciais.

Coloque-se no mundo como se estivesse decifrando códigos ou como se estivesse tentando estar por dentro da realidade em tempos de censura. Você verá que uma obra é sempre muito mais do que parece. Não digo que todo criador tenha embutido propositalmente algum segredo ou significado adicional em suas expressões, mas com certeza toda obra carrega algo de oculto, mesmo que seja apenas por ação inconsciente ou por tradição, tal como um arquiteto moderno que, mesmo se eventualmente não souber do simbolismo da geometria sagrada, poderá replicá-la pela tradição da estética. E mesmo quando não é este o caso, expressões tem sempre algo extra que podemos aprender, se tivermos com os olhos prontos. Até mesmo diante do vazio e do banal, há o que se extrair. Foi exatamente assim que descobri que mesmo na ignorância havia algo de positivo. Eis tudo o que ela me permitiu encontrar.

Rodrigo Meyer

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Você sabe o que é Obsolescência Programada?

Este conceito e prática são muito utilizados tanto em produtos materiais, serviços, quanto em conceitos de cultura, moda, educação e outros fenômenos da expressão e interação humana. Dentro de sociedades pautadas pelo lucro, há um incentivo imenso pra que as pessoas passem a consumir cada vez mais. Para isso, as indústrias planejam para que seus produtos se tornem obsoletos cada vez mais cedo, para que as pessoas tenham que comprar atualizações ou novas versões destes mesmos produtos. Isso é a Obsolescência Programada e está presente também em outros setores da vida humana que não só o de compras de bens e serviços.

Se alguém lança uma geladeira no mercado e a população compra, este produto supre os fabricantes por um tempo, mas a fome constante por mais lucro os faz buscar métodos de propositalmente reduzir a eficiência e durabilidade dessa geladeira, para que dentro de um certo período de tempo, ela deixe de funcionar ou deixe de se adequar para as funções esperadas pra algum tempo a frente. As pesquisas científicas são pautadas para descobrir meios de se ter componentes com uma duração prevista. Assim, sua geladeira pode começar a soltar peças, a mudar a coloração de certas partes, a trincar, a parar de resfriar adequadamente, a vazar ou a perder a eficiência no consumo de energia. Esses são só alguns dos exemplos da gama infinita de possibilidades que estão atrelados a Obsolescência Programada.

No campo da informática isso é ainda mais drástico, devido a combinação entre recursos virtuais (internet, software, etc) com os recursos que permitem esse consumo (celulares, computadores, pentes de memória, acessórios, etc). Imagine, por exemplo que você tem um computador. Ele funciona bem, porém você deseja jogar um novo game que está na moda com gráficos mais recentes e necessidades maiores de processamento. Seu computador, então, já não será mais tão útil, devido as limitações de desempenho.

Sua opção seria a de comprar um novo computador e se adequar as necessidades que o novo game traz. Isso em si, pode não ser necessariamente Obsolescência Programada, mas, em paralelo a isso, os fabricantes podem colocar limitações de compatibildiade, propositalmente para que modelos antigos de software ou hardware não sejam adequados para determinada finalidade. Obrigar os usuários a fazer mais compras é uma das principais maneiras da indústria lucrar com algo que não tem uma demanda tão alta assim, a princípio. A demanda é forjada, estimulando os usuários a quererm pertencer a uma determinada realidade ou grupo.

A Obsolescência Programada também pode ser subjetiva, quando, por exemplo, uma empresa lança um modelo de celular novo, com praticamente nenhuma inovação substancial, mas deixa o público desejoso de adquirir, apenas por se tratar do modelo mais recente, uma vez que o status do modelo, do preço e da hierarquia do produto em relação aos antecessores, traz prestígio social em uma sociedade que valoriza mais produtos e aparências do que pessoas e valores humanos. A indústria explora muito bem essa fragilidade de muitos consumidores e estimula essa visão de pensamento na sociedade, pra que acreditem que isso é ‘vencer’ na vida.

Em resumo, as coisas podem se tornar obsoletas por várias razões. Elas podem quebrar rápido, ficarem incompatíveis com necessidades e acessórios novos ou não se adequarem mais ao padrão de status criado e desjado. As pessoas compram novos produtos em decorrência de designs ‘mais atuais’, funcionalidades novas, desempenhos maiores, vício ou compulsão em ter cada vez mais, entre outras coisas. Você já deve ter conhecido muita gente que compra livros sem nunca lê-los, apenas pela compulsão de tê-los dispostos numa estante. Também já deve ter visto colecionadores que acumulam qualquer versão levemente diferente de um determinado item, sem nenhum motivo além da compulsão em colecionar. Essas pessoas podem chegar ao extremo de adquirir centenas de produtos idênticos, onde a única diferença é um número de série diferente ou uma sequência coincidente destes números. Essa estratégia é muito utilizada pela indústria do cinema e do entretenimento, pra vender artigos para fãs colecionadores. A indústria em torno de um filme famoso costuma render muito mais dinheiro do que a comercialização do filme em si.

Também podemos ver traços de Obsolescência Programada na cultura, nas modas, na música, nos filmes, nos hábitos de entretenimento, etc. Ocorre, por exemplo, de gravadoras forjarem bandas sem qualidade real, mas que, com estratégias de apelo a moda, terão, propositalmente, uma existência meteórica, ou seja, muito rápida, passageira, gerando muita demanda e frenesí pelo público-alvo. São criadas para suprir apenas a moda da ocasião e arrecadar dinheiro com shows, produtos, livros, eventos, promoções envolvendo o consumo de revistas e outros produtos, etc. De certa forma tudo isso vai se tornar obsoleto em um curto espaço de tempo e depois terão de inventar / apoiar outra banda ou estilo musical pra gerar uma nova febre / moda de consumo impulsionada pela exploração das fraquezas de adolescentes, crianças e até mesmo de adultos.

Enquanto o ser humano médio for sensível a banalidades e não se resolver por dentro sobre as questões que o motivam a consumir desenfreadamente, a desejar status e compra de bens e serviços superficiais, ele não estará imune da exploração a que é submetido a vida inteira. As pessoas se acostumam com a Obsolescência Programada, pois, embora achem difícil aceder ao consumo tantas e tantas vezes, elas se esforçam e encontram meios para isso, pois preferem estar inclusas pelo consumismo, do que ser a exceção em um grupo. Se esquecem, porém, que se todas elas se negassem a esse consumismo desenfreado, não seriam nem mesmo exceções mais.

Um exemplo clássico de Obsolescência Programada foi quando, no Brasil, os padrões (formatos) de tomadas e plugues elétricos foram mudados de dois pinos para três pinos. Uma mudança simples e sem necessidade, que fez com que todos os consumidores tivessem que substituir em suas casas e comércios, todas as tomadas para o novo padrão, senão não conseguiriam usar eletrônicos novos, devido a fabricação dos plugues incompatíveis com as tomadas antigas. Isso alimenta a compra de uma quantidade gigantesca de tomadas, adaptadores, cabos, plugues e até mesmo de novos equipamentos eletrônicos que se adequem com os padrões atuais. A indústria agradece a cooperação com o bolso dela, mas benefício mesmo não há para o consumidor.

Lembre-se: Apoie os pequenos. Os grandes não precisam mais.

Rodrigo Meyer

Esse é o título. O texto vem a seguir.

Tão importante quando o texto em si, são os títulos que os representam. Quando você entra em uma livraria e se depara com toda aquela profusão de capas, algo te puxa a atenção pra um livro em particular. Você começa sendo guiado pela capa ou lombada e logo em seguida confere o título pra ver do que se trata. É o título que pode te fazer querer consumir aquele livro ou não. É ele a fronteira entre a capa e o conteúdo. E isso serve também pra conteúdos na internet, como as imagens de miniatura de um link compartilhado e sua respectiva descrição / título que acompanha.

Um título eficiente precisa comunicar um pouco do que o texto vai trazer e ter alguma criatividade pra não ser um rótulo técnico e banal que poderia, facilmente, ser substituído por uma sequência de números ou um código de barras. Existem títulos que são muito mais persuasivos para levar as pessoas a ler um livro ou clicar em um link de conteúdo. Mas, muitas vezes, esses títulos fazem uso de sensacionalismo. Para títulos assim (e também para as imagens que os apresentam), chamamos popularmente na internet atual de “click bait”, ou seja, uma isca de cliques. Basicamente tentam atrair a pessoa com algo muito ‘apetitoso’, despertando não só a curiosidade como um micro-prazer em explorar aquela curiosidade. Contudo, o motivo de seu nome é descoberto a partir daí, pois depois de clicar pra ver o conteúdo, percebe-se que não era tudo aquilo e que o título superestima o momento e conteúdo, transformando ervilhas em elefantes e biribinhas de festa junina em explosões atômicas. E a decepção vem, mas já é tarde demais, pois você já absorveu o conteúdo, deixando sua visualização naquela mídia.

Em tempos onde as pessoas vivem de estatísticas pra suas monetizações de conteúdo, atrair incautos pra suas mídias sensacionalistas é quase que uma unanimidade. De maneira similar, impressos como os tabloides americanos e alguns jornais brasileiros, alicerçaram suas rendas na venda desses entulhos sensacionalistas. As pessoas se impactavam pelo absurdo e adquiriam o material pra sanar a curiosidade.

Uma vez que os criadores de conteúdo sabem como as pessoas vão lidar com esse tipo de mídia, tornam-se responsáveis eticamente perante seu público. É extremamente difícil criar um título pra qualquer coisa que seja. Interpretar um valor, um evento, um livro, um vídeo ou filme do cinema, exige compreensão da essência por trás de toda aquela mensagem. Às vezes uma sequência de conteúdos é absorvida com entusiasmo, porque o autor dos conteúdos é mais forte do que qualquer título. Se Bill Gates lançasse um livro escrito “Livrinho 1 – por Bill Gates”, as pessoas teriam curiosidade de saber o conteúdo desse livro, pois independente do título, o autor é alguém relevante tanto pra fãs quanto pra opositores. As pessoas querem saber o que o homem mais rico do mundo tem a dizer. Talvez o título ruim possa ser até mesmo um motivador adicional para a curiosidade, pois não se espera que um milionário não consiga algo melhor pra suas mídias. Mas, se você é um anônimo e está tentando ganhar visibilidade no meio, você dependerá muito da sua melhor apresentação de suas mídias.

Como criar um conteúdo que seja atrativo sem tornar-se sensacionalista ou apelativo? Esse é o grande embate. Eu procuro repensar bastante os títulos finais de tudo que eu produzo, mas às vezes essa tarefa pode ser mais demorada do que a criação do próprio conteúdo em si e, por isso, muitas vezes sou obrigado a simplificar e deixar títulos mais diretos que estejam relacionados com o objetivo óbvio do texto. Mas a obviedade não é atraente, não é instigante, não é criativa, não é viva. Por vezes, sem querer, os títulos podem parecer um pouco sensacionalistas, devido a natureza do texto e por como certas menções no título se tornam indispensáveis ou mesmo o caminho mais fácil pra descrever seu conteúdo.

Algumas pessoas se acham geniais por conseguirem administrar bem essa exploração de click baits, mas, na verdade, são apenas pessoas sem ética que aceitam com tranquilidade forjar conteúdos para parecerem mais interessantes do que são e lucrarem com esse crescimento fácil. Pessoas desse tipo, não estão preocupadas se seus conteúdos prestam ou não. O objetivo delas não é entregar conteúdos relevantes, mas apenas te fazer absorver esses conteúdos, plantando em você a curiosidade diante do sensacionalismo. Vê-se claramente que isso dá resultados entre uma população que é pouco regrada e que tem uma ingenuidade e credulidade exacerbada. A idiotice humana sempre rendeu muito lucro e poder para uma minoria de exploradores dessas massas idiotizadas. O ser humano que pouco questiona o que se apresenta diante de si é o candidato perfeito pra endossar conteúdos vazios e ajudar a propagá-los.

Se o seu conteúdo estiver a altura de um título atraente e criativo, é possível que ele seja adequado sem cair em algo apelativo ou com prejuízo da ética. Não existe uma fórmula específica. Há de se colocar no papel do público e imaginar como seria se deparar com o título e imagem de algo pela primeira vez. Que impacto e sentimento aquilo causaria em determinados tipos de pessoas? Que outros valores e sentimentos essa combinação suscita a quem vê? Entender a psicologia por trás do que criamos é importante para sabermos como somos vistos e como impactamos o mundo. Que legado estamos deixando? De que maneira estamos buscando nossas supostas vitórias? Essas reflexões são urgentes. Em tempos de internet onde as pessoas tendem a imitar casos famosos, o exemplo é essencial.

Quando você se sente enganado com um título ou imagem sensacionalistas e apelativos, depois de compreender que o conteúdo está distante da proposta inicial, você reage como? Você endossa essa mídia mesmo assim? Você boicota tal mídia? Você inspira outras pessoas a seguirem caminhos melhores? Qual seu papel no mundo? Se todos tivéssemos equilíbrio e ética naquilo que produzimos, não veríamos necessidade de tentar buscar sucesso por meio do egoísmo que é tentarmos vencer a qualquer custo, mesmo que isso envolva pisar e usar os outros. Comece a repensar sua conduta, porque até mesmo os melhores e maiores prédios que a Engenharia pode produzir, ainda podem ruir se o solo em que estão alicerçados for insuficiente pro peso. Diz-se que quanto mais alto subimos, maior será o dano na eventual queda. Então, suba sem colocar sua qualidade estrutural em risco e tente vencer da forma correta, pelos motivos corretos e ao lado das pessoas e não contra elas. Você não precisa explorar ninguém pra vencer. Lembre-se do conceito de Ubuntu, onde o coletivo trabalha pra vencer junto e não pra competir entre si. Se todos se derem as mãos pra chegar em lugares melhores, nunca faltará apoio e sucesso pra todos. O bem-estar maior é quando não só nós vencemos, mas todos ao nosso lado também. Vencer sozinho é egoísmo. Vencer junto é paraíso.

Rodrigo Meyer

O que está por trás da ostentação?

O ser humano sempre se vê preso nos mesmos tipos de problemas. O ser humano é, quase sempre, a própria causa de seus problemas. Poderíamos passar décadas ou séculos apontando cada uma das características do ser humano mediano e não haveria nenhuma mudança essencial. Entre essas características comuns de se encontrar em sociedades doentes está a ostentação, com suas diversas formas.

Há quem ostente riqueza, há quem ostente um título, um cargo, uma profissão, um diploma, um sobrenome. Alguns ostentam conhecimento e há quem ostente até a companhia de alguém em um relacionamento. São inúmeras as coisas que as pessoas escolhem ostentar. Apesar de tanta variedade, o que há por trás de todo tipo de ostentação é a “necessidade” do indivíduo de mostrar ao mundo que ele não é um derrotado perante os parâmetros da sociedade em que vive.

Sociedades onde se planta a ideia de que ter e parecer vale mais do que ser, são sociedades que estão sempre sugerindo aos seus membros que eles são melhores se tiverem mais dinheiro, se tiverem certas profissões, se forem de certas famílias e assim por diante. Quando a pessoa tem um espírito pobre, ou seja, um espírito sem qualidade, ela só consegue se destacar por meio dessas outras coisas. Muitas vezes isso é tão somente complexo psicológico. Pessoas que, por exemplo, tiveram uma vida financeira pobre e, eventualmente, conseguem progredir nesse quesito, se não tiverem uma boa cabeça, começam a ostentar a atual riqueza. É daí que nascem cenas patéticas como os que “investem” seu dinheiro em pilhas de cordão de ouro, apenas pra dizer ao mundo que eles puderam comprar, que são tão ricos que podem desperdiçar o dinheiro em algo sem função real. Não podem nem mesmo alegar que é só pela estética, afinal, inúmeros outros metais não preciosos também servem pra compor um cordão e não são escolhidos.

Situações de complexo surgem também pelo nível educacional ou profissional. Se a pessoa crê que ser médico, advogado ou engenheiro é o ápice de valor profissional, acabam se sentindo superiores aos demais profissionais e enchem o peito pra anunciar que ocupam tais cargos na sociedade. Pobres coitados. Nem diploma ou dinheiro os livra de ter essa alma pobre. Espíritos enfraquecidos como esses estão em toda parte. As sociedades mal constituídas, acabam perpetuando esses medíocres ao endossar os padrões em que eles, e quase todos, se pautam.

É evidente que, se pudermos escolher, tendemos a buscar conforto na vida. Mas o que as pessoas se esquecem é que conforto não pressupõem ostentação. Você pode usar seu dinheiro, por exemplo, pra comer uma refeição completa a sua escolha sem que precise comer em pratos de ouro ou talheres de prata com copos de cristal. Sua refeição não vai ser melhor por causa da ostentação. A ostentação é exatamente o uso do extremamente desnecessário apenas pra se gabar diante do mundo. É o desperdício acentuado como forma de evidenciar poder, riqueza, etc.

Essas pessoas querem, na verdade, que o mundo as olhe como pessoas de valor, depois de elas simplesmente não terem muito valor além das coisas ilusórias e efêmeras das quais se pautam. Querem sentir prestígio social por seus diplomas, por seus carros, por seus jalecos e togas. Querem dizer ao mundo que venceram no jogo da vida, mesmo que esse jogo seja uma versão patética de fantasias, imaturidades, ilusões, padrões sociais inventados e linhas de chegada onde cruza primeiro quem desperdiça mais os recursos da vida, deixando a grande maioria de fora dessas conquistas.

No fim das contas, é um jogo solitário, pois enquanto avançam rumo ao próprio precipício interior, são abandonados pelos seus “inferiores” e quando se cercam de iguais, essas pessoas ainda estão sozinhas, afinal a companhia entre ostentadores é tão somente um pretexto pra dividir momentos de ostentação mútua. Sem muito esforço, vemos eles derraparem até na internet, ostentando seus números de seguidores pelo Twitter, enquanto batem boca com seus “concorrentes” pra decidirem quem é que tem mais prestígio na rede. Se desse pra resumir tudo isso em uma frase, eu diria que é ‘vício em ser patético’.

Se você se encontra em uma dessas situações, busque ajuda psicológica ou pelo menos busque reflexão sincera na frente do espelho. Pra ser melhor de verdade, precisa ter virtudes internas. Comece substituindo tudo que for excessivamente desnecessário por coisas que realmente te ajudem a ser alguém mais útil, mais interessante, mais querido, mais real. Quando você investe seu tempo, dinheiro e conhecimento em tornar-se uma pessoa mais simples e humilde, aí você começa a vencer a maior batalha que existe, que é o combate ao lixo interior. Quando você melhora, a sociedade melhora. E se a sociedade melhora, você e todos desfrutam de uma vida melhor.

Felizes são as sociedades onde o indivíduo vale por quem ele é e não pelo que ele tem ou parece ser. Se um dia você progredir nos estudos ou enriquecer, não use isso como sinônimo de valor pessoal, pois claramente não é, mesmo que você e grande parte da sociedade finjam o contrário por conveniência.

Rodrigo Meyer

Seja conciso nos textos e na vida.

Na área de Comunicação e na Literatura, aprende-se que um texto melhora muito quando escrevemos o máximo possível de ideias com o mínimo possível de palavras. Isso não significa escrever pouco ou sair cortando o texto aleatoriamente. Ser conciso em um texto é conseguir substituir os rodeios por uma ideia mas criativa e objetiva, sem perder o impacto e profundidade do que se pretendia comunicar. Redatores publicitários, por lidarem muito com essa necessidade, ficariam surpresos com os criativos títulos de vídeos do Youtube e dos links de notícias.

Na falta de espaço e tempo pra despertar a atenção e curiosidade dos usuários, muitas coisas se adaptaram quase que automaticamente pra tornarem-se mais concisas. Nesses casos, contudo, por vezes, o despertar da curiosidade é maior do que a objetividade em um primeiro momento, mas, claro, os conteúdos a que estão vinculados costumam justificar bem os títulos dados. Ótimo exemplo de sucesso na comunicação que deve ser levado também pras outras áreas da vida.

A vida é curta, como sabemos, mas não somente por isso é que devemos ser concisos. Assim como é verdade que ‘tempo é dinheiro’, também é verdade que temos que ter concentração naquilo que é importante. Às vezes desperdiçamos não só tempo e palavras, mas valores, sentidos e resultados pra nossa vida pessoal, emocional, psicológica, etc. As distrações pelo caminho são inúmeras e são propositalmente criadas para tentar nos tirar da liberdade. Fiquemos atentos!

Ser conciso na vida talvez esteja mais relacionado a filtrar melhor aquilo que fazemos, com quem fazemos e porque fazemos. Reduzir excesso de pessoas e coisas sem valor, nos ajudará a ir mais longe com menos peso nas costas, menos amarras e menos distrações. Só temos a ganhar.

O grande plano para tudo isso é iniciar desprendimento sobre as coisas e deixar fluir o que já cumpriu a função no momento. Não acumule passado, não acumule pesos, culpas, medos, pessoas que não agregam mais, lugares que já não fazem sentido, objetos que já não possuem uso ou verdadeira necessidade. Deixe de lado aquilo que, embora barulhento, está vazio por dentro. Comece a direcionar sua visão, pensamento e tempo para as coisas que são verdadeiramente essenciais. É fácil identificá-las.

O essencial e indispensável, ainda que varie um pouco de pessoas pra pessoa, está sempre relacionado a qualidade de vida emocional e psicológica. Essa paz pessoal é construída pela certeza de que você está fazendo o seu melhor no momento. Não podemos fazer tudo que gostaríamos, mas temos que estar de consciência tranquila por ter feito nosso melhor. É o empenho em ser uma pessoa mais digna, mais sincera, mais transparente, mais amiga, mais afetuosa, mais flexível, mais compreensível, mais presente, mais ativa, mais engajada, mais viva, mais saudável, mais tranquila, etc.

No final da história, tudo que vai importar é o que você deixou para as pessoas com quem se relacionou e o que fez de útil para o mundo através das ferramentas que você tinha à disposição em cada ocasião. Não há problema algum de seguir menos ativo se estiver de mãos atadas. Importa mais é seu papel interior, sua vontade e desejo de fazer as coisas serem melhores. E pra que isso não seja tarde demais ou com pouco valor, precisa ser oferecido e absorvido de forma concisa.

Troque as reuniões vazias por conversas ou lembretes. Troque as recepções e visitas intermináveis por uma companhia sincera ao lado de quem você gostaria de ver e estar ao lado. Divida momentos, trabalhos, atividades, prazeres e risadas e preencha sua vida de sentido e satisfação. Muito do caos que temos em nossa mente, por vezes é o descontentamento com o nosso próprio modo de vivenciar a realidade. Precisamos substituir a hipocrisia e as convenções sociais que nos aprisionam nesses desprazeres e partirmos pra contextos mais reais, onde as coisas são mais rústicas, mais simples, mais verdadeiras, mais cruas e intensas. Em resumo: sempre procure fazer a diferença com seus atos e palavras. Observe mais, fale menos, esteja mais presente, apoie mais pessoas, abra-se para mais momentos, baixe a febre da moda e do imediatismo e dê um tiro certeiro ao invés de metralhar a realidade atrás de algum benefício. Desacelere para ir mais rápido.

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Rodrigo Meyer

Entenda como o excesso de opções inibe as ações.

A Psicologia é algo tão inseparável das relações humanas em sociedade que basicamente tudo que criamos na comunicação passa pela Psicologia. A exemplo disso, temos o webdesign, o design de interface gráfica e o UX (que pode ser traduzido como a área de estudo e aplicação do ‘user experience’, a experiência do usuário). Dentro dessas áreas profissionais, de acordo com o que sabe-se da Psicologia, adota-se uma redução de opções quando se deseja ampliar a adesão ou acelerar a escolha diante de algo.

Por exemplo, quando você tem um menu em um restaurante que te oferece centenas de opções, você tende a ficar mais indeciso sobre o que escolher e acaba não tomando nenhuma decisão. E se não for obrigado a escolher, pode até mesmo desistir, como no caso de visitas à sites ou escolha de produtos em prateleiras e lojas. É o caso onde a multiplicidade não ajuda a aderirmos à mais coisas. Como quase tudo na vida, menos é mais. A medida em que reduzimos as opções, fica mais fácil escolher.

Quando saímos pra um shopping ou um bairro comercial com várias lojas e vitrines, somos bombardeados com informação demais e nosso cérebro simplesmente não consegue processar todos aqueles impulsos à tempo ou de forma conclusiva e, por fim, isso gera uma ansiedade que nos faz desistir daquilo tudo ou tentar, de forma doentia, aderir ao máximo possível de coisas. De todo jeito, atropelamos etapas e colidimos com as perturbações.

Pra um bom uso do nosso tempo, seria interessante reduzir as opções que temos em tudo. Eliminar do nosso campo de visão (ou definitivamente) os objetos em excesso do nosso ambiente, casa ou trabalho. Reduzir as visitas a espaços de oferta excessiva com hiper-exposição de produções, como são alguns sites de comércio, a maioria dos mercados, shoppings, bares, restaurante por quilo, etc.

Atrás de toda essa profusão de informações, está a tentativa de deixar o consumidor ansioso. Parte deles vai desistir da compra caso ela não seja obrigatória e outra parte vai consumir em excesso. E isso é o que muitos comércios usam como estratégia de indução de compras. Por outro lado, algumas mídias mais elaboradas trabalham de maneira contrária, na tentativa de tirar a dificuldade de escolha do cliente e fazê-lo aderir mais rapidamente à alguma coisa ofertada.

Já imaginou se todos os resultados de busca do Google estivessem listados sem que você fizesse uma busca por palavra-chave? Seria uma infinidade de conteúdos pra serem potencialmente clicados em busca de informação, porém você não teria foco no que deseja escolher e acabaria perturbado por não poder aderir a tudo. É similar quando você tem muita informação no feed de notícias do Facebook e não dá conta de ler tudo. Da mesma maneira ocorre com as abas abertas no navegador que vão se acumulando rapidamente sem que tenhamos lido sequer as primeiras antes de já surgirem tantas outras abas a mais.

Tirar o sobrepeso das costas envolve também limpar esse aspecto psicológico de consumo das coisas, sejam elas produtos, serviços ou informações. Também nos angustiamos por outros excessos na vida e é preciso deixar fluir aquilo que não estivermos fazendo uso no momento. É melhor absorver o que for importante sem manter outras coisas ao redor no chamado stand by.

Viver tranquilo requer uma boa dose de desapego material e essa concentração mental nas atividades e assuntos que forem realmente importantes no momento. A despeito dos relacionamentos, por exemplo, muitas das coisas se harmonizam automaticamente, quando nos concentramos no momento e deixamos de cutucar questões outras, sejam elas do passado ou do futuro. Essa quebra da expectativa e da ansiedade, limpa o caminho e nos dá força pra vivenciar mais intensamente o momento presente. Isso amplia a qualidade desses momentos e portanto melhora, sobremaneira, a qualidade das relações.

Tudo isso pode ser aplicado tanto para coisas, conteúdos, pessoas, relações de trabalho e o que mais você desejar. Não há limites para os benefícios dessa conduta. Comece hoje mesmo uma vida com mais sentido e bem-estar psicológico (e até físico), praticando minimalismo. Carregue consigo o lema “reduzir, reduzir, reduzir”. Assim como costuma-se dizer nas áreas de criação: menos é mais!

Rodrigo Meyer