Quando estiver saturado, pare de absorver e comece a criar.

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As rotinas e os hábitos nos levam para coisas boas e ruins, mas nos levam a repetições. E, por isso, estamos sujeitos a nos sentirmos saturados, cansados de uma determinada situação, coisa ou pessoa. Às vezes são nossas memórias que nos assombram ou um vício, um costume ou tendência. Se não estamos satisfeitos com algo, precisamos parar de absorver essa realidade e dar nova função para nós mesmos.

Se estiver insatisfeito com os vídeos do Youtube, por exemplo, seria uma boa hora de começar a fazer seus próprios vídeos. Se o que anda lendo não te agrada, foque-se em escrever textos melhores. Se as músicas não parecem tão boas, torne-se o próximo músico a produzir algo interessante. Você pode sempre transformar a mesmice ao redor em algo que lhe engrandeça e, de quebra, ainda leva algo potencialmente bom para mais pessoas que também estavam buscando novidades.

Eu estou sempre em busca de algo que me surpreenda em qualidade ou estilo. Quero ver o diferente, o incomum. Nem sempre veremos pela frente aquilo que queremos. Se a realidade está desinteressante, podemos recriar a realidade, escrever histórias, inventar personagens e cenários, fazer um desenho, montar uma tirinha de gibi, viajar e explorar outras possibilidades, em outras cidades, com outras pessoas.

Temos as ferramentas na mão e quando não temos muito talento, temos a chance de aprender e desenvolver algo até nos tornarmos melhores. Esse engrandecimento pessoal é não só uma ocupação da mente, mas também do espírito. Dentro de nós pulsa essa força que nos exige oportunidades constantes de expressão. Precisamos abrir as janelas e deixar que as manifestações ocupem seus espaços.

A melhor forma de combater tudo que nos parece saturado, seja na mente ou na sociedade, é colocarmos nossas próprias expressões, com nossas próprias regras e valores. Você é convidado constantemente a cobrir de cores os muros cinzas, dar contraste nos papéis, reunir novas ideias e letras, dar outros sentidos para a internet e os relacionamentos. O que tem feito de seus dias, suas histórias, seus sentimentos e emoções? Como está lidando com o fato de estar livre para um novo dia amanhã? E o que tem feito sobre o dia de ontem que já passou e não volta mais? Está realmente construindo algo no momento presente?

Eu estou em busca dos meus talentos e do empoderamento de qualquer outro ser que queira desenvolver seus próprios. A cada vez que vejo alguém produzindo, sinto que temos solução à caminho. Se alguém me surpreende e me joga uma poesia fora dos velhos moldes ou me conta uma história improvável, meus olhos e ouvidos correm avisar meu cérebro de que portões estão abertos. Me vem um impulso de sorrir e os olhos até chegam a brilhar. Me dá uma vontade de sair pelas ruas, comemorando minha própria esperança pela humanidade.

A diversidade é importante e só é plenamente exercida se todos estiveram manifestando aquilo que gostariam de ver no mundo. O espaço que cada pessoa ocupa dá sentido indispensável para o mosaico que é o todo. A humanidade não se forma por conceitos de afunilamento, pois isso estrangula o próprio conceito de convivência. Quanto mais utilizarmos nossa essência individual para interagir com o coletivo, mais satisfeitos estaremos com nós mesmos.

Eu, por exemplo, quando noto que os grupos do Facebook estão entregando mesmice e banalidade, me coloco em modo de ação automaticamente e busco chacoalhar o meio com alguma piada, com um alguma informação nova, uma poesia, uma gentileza, um jeito novo de apresentar uma imagem ou até mesmo desistindo do grupo e abrindo outro grupo, com outras pessoas, para outros propósitos.

Essa oxigenação que fazemos nos ambientes e situações é também uma oxigenação de nós mesmos, de nossa mente, nossa vontade, nossa esperança , nossos pensamentos, nossos desejos. Isso nos permite reavaliar a vida, a felicidade e nosso bem-estar geral. Acredito que tenha sido Freud que disse que antes de nos diagnosticarmos com depressão, devemos ver se não estamos apenas cercados de idiotas.

É mais ou menos isso que entendo dos contatos gerais. Se as coisas nos parecem ruins demais talvez precisemos repensar o que estamos absorvendo. Você pode passar por todos os lugares e escolher o que de bom extrai de cada um deles. Se você não tem conseguido ver muitas coisas úteis, talvez esteja nos meios errados, cercado de idiotas, como sugere a frase. Talvez os conteúdos ruins, os hábitos ruins e as pessoas ruins sejam, juntos, a combinação fatal que nos adoece o espírito, nos rouba a paciência, nos tira o prazer, nos planta a ansiedade, nos leva embora a vontade de nos expressar. Se o excesso de lixo ocupa demais nossa mente, ficará difícil termos espaço livre para nossas próprias expressões.

Ao absorver qualquer coisa, não acumule. Use a transformação útil que pode ter daquilo e siga para o próximo momento. Fazendo uma analogia com a internet, ao abrir um link no navegador, aproveite o conteúdo e feche o conteúdo logo após. Faça a reflexão pelo tempo que for necessário e depois liberte-se desse peso. Converta em coisas novas como ações. Não deixe que isso fique plasmando insatisfação ou culpa em sua memória. O tempo passa e só você se prejudica com algo que carrega e não vê utilidade. Se você se obriga a carregar algo, talvez esteja supervalorizando uma ideia, lugar ou pessoa. E se não te faz bem, será que realmente lhe vale tanto?

Claro que, às vezes, não estamos devidamente prontos para receber as coisas de que precisamos e, então, nos sentimos engasgados, como uma rua apertada que não tem espaço para muitos carros ou pessoas. Às vezes queremos dar fluxo para muitas coisas em nossas vidas, mas travamos porque somos estreitos demais. Nesse caso, somos nós que precisamos nos alargar. Sente em frente ao espelho sem pressa e sem resistência e responda pra si mesmo se você está cansado de comer ou seu estômago que encolheu demais? É a luz, por si só, que te incomoda os olhos ou é você que estava tempo demais na escuridão? Os estímulos e cobranças sociais são pressões ou você que está fragilizado demais pra corresponder à eles? Será que somos realmente tão melhores que aquilo que vemos ao redor? Precisamos saber, seja lá qual for a resposta.

Se eventualmente suas reflexões te levam a sonhar mais e a buscar ajuda pra concretizar isso, então parece que o bem-estar vai predominar. Mas se você constantemente se refugia nos mesmos hábitos e nas mesmas pessoas que, claramente, não te levaram à nenhum lugar relevante de satisfação pessoal, psicológica, social, familiar, intelectual ou artística, então parece que o bem-estar não virá disso. Permita-se conversar consigo mesmo e responda essas perguntas. Tente se encontrar e veja quais caminhos te ajudam a subir e quais são apenas a velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete e futuramente ter um entulho pesado pra limpar, pela negligência acumulada ao longo dos meses e anos.

Para ir pra frente, pode contar comigo.

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Rodrigo Meyer

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De quem é a culpa pelos rumos de um país?

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de Marc Schlumpf, tirada em 3 de maio de 2009 do “Landsgemeinde”, uma das mais antigas formas de democracia direta que ainda são praticadas em lugares na Suíça.

Ainda que governos interfiram no andamento das coisas em um país, quem permite a existência ou permanência desse governo, é o povo. Mesmo em situações de invasão e golpes, o desfecho de qualquer país está diretamente relacionado com o quanto somos permissivos. Se nos recusarmos a manter certos tipos de políticos no governo, estaremos protegidos de outros oportunistas.

Na Islândia, o Partido Pirata conseguiu reverter uma situação inaceitável, tendo o povo como núcleo da transformação. Reunidos em defesa de si mesmos, demitiram todo o governo, sem nenhuma exceção. Simplesmente se livraram de tudo que ali existia. Além disso, prenderam cerca de 26 banqueiros. Essa decisão que muitos países acham incrível e impraticável, aconteceu por lá como resposta à corrupção. Uma vez que não aceitavam aquilo, uniram-se e tomaram uma iniciativa curta e direta, sem meios termos.

Mas porque outros países não fazem o mesmo? A diferença crucial está na população. A Islândia não é composta de brasileiros, nem de americanos. Ela é formada de islandeses. De onde vem esse engajamento e união dos moradores da Islândia? Vem de tudo aquilo que construíram ao longo do tempo pra si mesmos. Cultura entre as pessoas e valorização do indivíduo, dentro das escolas, das famílias e da sociedade em geral. Houve um esforço sincero de avanço nas questões sociais e psicológicas de cada pessoa e uma infinidade de avanços sociais como resultado de todo o verdadeiro interesse em construírem um ambiente bem-sucedido, onde todos se sintam interessados em continuar apoiando os benefícios e, portanto, apoiando a si mesmos.

O Brasil, contudo, é o inverso disso. Aqui o individualismo reina e nada temos em investimentos de psicologia, sociologia, educação, cultura e afins. O paraíso da Islândia não é um acaso, não é sorte e não é algo mágico que sempre existiu firme e forte. Países como a Holanda estão fechando presídios por ausência de presos. A criminalidade some e como consequência o controle social torna-se menos necessário. Qual é a mágica? Países como a Noruega, por sobrarem tantas vagas em presídios, chegam a importar presos, como forma de contribuir com outras comunidades ao mesmo tempo em que dão alguma serventia pras estruturas que já existem.

Mas a obtenção desses benefícios sociais não depende exatamente dos políticos ou governos. Quem dá abertura pra que essa realidade seja planejada e desenvolvida é a população, que determina aquilo que aceita ou não nos postos de trabalho, na sociedade ou fora dela. Unidos entre eles mesmos, eles decidem o que querem pra todos. Debates e conversas abertas entre todos os interessados vão apontar à eles se devem investir na raiz dos problemas ou se devem enxugar gelo, como muitos outros países fazem.

Certos países se beneficiam de um paraíso que eles mesmos se determinaram a construir. Já se perguntou quais são os países que possuem menos presídios, melhores escolas, índice zero em analfabetismo e fome? Quais são os países que estão derrubando corrupção e fechando presídios? Porque estão fazendo isso? Como estão conseguindo chegar nesse nível de solução social? Seria mágica? Será que demandou muito dinheiro? A verdade é que quando você para de enxugar gelo, você não joga dinheiro no lixo comprando pano toda vez que ele encharca. Investir certo da primeira vez economiza dinheiro ao invés de demandar mais gastos. Mas, os corruptos e exploradores querem continuar a vender panos para países como o Brasil, que passam a vida enxugando gelo e continuam na mesma situação há séculos. E é a população que permite que esses exploradores existam.

Entendo que boa parte dos brasileiros e da população mundial geral não possuem noção de potencial próprio, de união ou de cultura. Não há como esperar que estes desejem imitar a Islândia, por exemplo. Falta em muitos por aqui, infelizmente, vontade de honestidade própria ainda. Como poderemos, então, cobrar que os políticos sejam honestos? Que sentido teria um brasileiro corrupto querer demitir um governo corrupto? Que moral possui um brasileiro desse tipo pra cobrar qualquer coisa em seu próprio país? Onde se aceita o erro, não se cobra a correção. A equação não é mais complexa que isso. O povo é, portanto, o responsável pela situação de seu próprio país.

Claro que podemos nos dar as mãos, nos ajudar e começar a reverter isso. Podemos, se quisermos, repensar valores, repensar a ética, repensar os dramas psicológicos, as estruturas familiares, o desempenho educacional, o interesse pelo aprendizado, as transformações individuais e coletivas por meio de acompanhamento, apadrinhamento, amizades positivas, engrandecimento dos acertos, empoderamento das pessoas, valorização do indivíduo, inserção das pessoas nos meios sociais, reintegração das pessoas por meio de reabilitação física, emocional, psicológica, social, intelectual, funcional, entre tantas outras coisas.

Há muito trabalho pra se fazer e não serão os governos corruptos que terão interesse de ajudar nesse progresso. Muito pelo contrário. O que eles puderem fazer pra ampliar a miséria e a desigualdade social, farão, pois isso ajuda alguns poucos em termos de poder e dinheiro. A miséria dá lucro, a violência dá lucro, a ignorância dá lucro. Um país derrotado e afundado como o Brasil é uma mina de ouro pra uns poucos, na velha prática de se enxugar gelo.

Claro que as saídas não ocorrem da noite pro dia, mas isso não é uma deixa pra você voltar ao conformismo ou a desistência do tema. Pelo contrário. Sabendo que há muito pela frente, você precisa ser duas vezes mais engajado na transformação das pessoas. Pegue uma pessoa da sua família, do seu círculo de amigos, do seu meio social, do seu trabalho ou colégio e plante suas sementes. Você tem o potencial de fazer algo para alguns e deve se juntar à mais gente que faça o mesmo. Juntos estarão transformando multidões. A progressão matemática da união é a diferença entre gotas tentando lavar um quintal com lama em comparação com gotas unidas, formando uma enxurrada de água. Separados somos frágeis e pouco eficientes, mas juntos somos poderosos.

Não incentive as pessoas que batalham pela desistência da luta. Essa luta delas é, muitas vezes, fruto de más reflexões ou até mesmo ações coordenadas por quem quer dissuadir as pessoas da ação de transformação. Quando alguém tenta montar coletivos de transformação social, empoderamento e similares, logo isso começa a deixar corruptos inseguros, pois se muita gente fica consciente e engajada, podem acabar varrendo pra fora o entulho do país. A Islândia fez isso e quase nenhum país ou mídia teve interesse de anunciar o fato. Não houve nenhuma discussão sobre uma das ocorrências que considero mais relevantes no mundo moderno.

Pessoas ao redor do mundo estão fazendo seus papéis, conforme o poder de união que conseguem entre as pessoas. O brasileiro, enquanto for pouco receptivo para a ajuda, se verá longe da solução de seus próprios problemas. A cada vez que alguém estende as mãos, passa pelo Brasil toda uma oportunidade de surpreendermos o mundo. Não adianta ficar acomodado, esperando as coisas mudarem sozinhas ou pela ação dos outros. A sua ação é tão indispensável quanto a dos demais. A equação que funciona não é alguns fazendo e outros olhando. É preciso que todos façam seu papel e aceitem a interação proposta. Só assim você verá seu esforço ser revertido em algo que efetivamente funciona.

Em todos os textos, estou aqui estendendo minhas mãos em muitos sentidos. Através dos contatos que estamos traçando dentro e fora da internet, com os mais variados tipos de pessoas, nas mais variadas situações de vida, vamos construindo uma teia, uma rede de contatos. Sei que grande parte das pessoas sequer poderão acessar a internet para desfrutar dos textos, mas para os que podem, cabe o compartilhamento dos aprendizados, levando tudo isso ao maior número possível de pessoas.

Já escrevi em textos anteriores, sobre a importância de iniciativas no trabalho e nos estudos, promovendo acesso e função para nossos trabalhos e habilidades. Precisamos fazer algo mais de nossos talentos e conhecimentos, permitindo que eles sejam também ferramentas de transformação social. É muito mais interessante viver na Islândia do que no Brasil. Então façamos do Brasil uma Islândia ou qualquer outra coisa que entendermos como um ideal para nosso povo.

Somos mais de 200 milhões de pessoas atualmente. Você se pergunta quantas dessas pessoas tem condições e vontade de habitar espaços livres? Quantas delas buscam status e dinheiro como forma de se isolarem dos demais ao invés de buscarem a equalização da qualidade de vida pra todos? Quantos estão preferindo morar encarcerados na própria casa, por falta de interesse de resolver os problemas sociais pela raiz? Querem enxugar gelo a vida toda ou querem desfrutar do bem-estar da Holanda, Islândia, Noruega e afins? Pense diferente, pense melhor, pense pra frente, pense que você pode ser a diferença na equação. Mude a si mesmo e o mundo ao redor magicamente abre alguns caminhos bem tranquilos para retribuir.

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Rodrigo Meyer

Se estiver com medo de perder, perderá mais uma vez.

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A imagem que ilustra esse texto é parte da fotografia feita de Alberto Santos Dumont, por Zaida Ben-Yusuf.

Até onde eu sei, ninguém quer fracassar. Falhar é algo que incomoda a todos, apesar de muitos não saberem bem como lidar com isso e acabarem incentivando o problema por negligência, desconhecimento, preguiça, medo, vício ou estupidez.

Algo que custa a sumir das equações da vida é o medo. As pessoas tem medo de quase tudo e às vezes nem sabem que aquilo que possuem é medo. O medo de perder, por exemplo, faz muita gente sequer agir. Já escreveram que a única maneira de não errar é não fazer nada. Mas eu discordo, pois até sem fazer nada, erra-se. Aliás, erra-se principalmente por não fazer nada. O medo de perder antecipa perdas. É contraditório?

Imagine que uma pessoa está com medo de fracassar nos estudos. Sem saber, essa pessoa já fracassou. O que era pra ser uma vitória, um prazer e um aprendizado sadio, já não é, desde o momento em que o medo chegou. Também ocorre de perder todo o potencial, por desgastar-se inutilmente em questionamentos, dúvidas e temores que de nada somam pra clarear a realidade. Acabam ansiosas, medrosas, passivas, omissas, cheias de proteções e barreiras que nunca as coloca diante do necessário. Essas pessoas sufocam a si mesmas e dizem que assim o fizeram por medo de fracassar. E não estão fracassando de maneira igual ou pior com o desfecho dessa conduta? Estão.

Frequentemente os problemas psicológicos e os dilemas da vida caem nessas contradições. E por não fazerem sentido é que são patológicos. Se fossem saudáveis e naturais, fariam todo sentido e ninguém tentaria tratar. Ninguém busca ajuda para felicidade, sorrisos e bons momentos. Essas são coisas naturais e saudáveis. Os problemas começam quando criamos monstros que não queremos e mesmo assim os criamos. O medo é um desses monstros. Ele nada acrescenta, à menos que seja pra uma situação real de defesa da vida ou baseada em fatos dos quais a pessoa tem autonomia pra tomar uma decisão sobre.

O medo pelo medo vira essa peça cômica da contradição desnecessária que vem de lugar nenhum e chega a outro nada. O medo, pode-se dizer, é a menor distância entre dois vazios. Ele consegue nos fazer ir na maior velocidade entre o ponto A e o B, sem nunca saber que viagem é essa, até porque não sabemos a origem, o caminho e o destino. Seria cômico se não fosse trágico. A conscientização do problema é quase que 80% da solução. Saber que nada daquilo é real ajuda muito. Tentar voltar os pés no chão e desfrutar de noção de realidade é de sublime ajuda pro “problema”. E quando, com um pouco de sorte, a pessoa resolve mudar de postura, aí só coisas lindas acontecem. É quando ela deixa de perder repetidas vezes para começar a se dar chances de ganhar. Que belo presente!

Relacionamentos baseados em medo de término (medo de perda), também terminam. Esses relacionamentos começam de maneira equivocada e talvez pelos motivos errados. Acreditar que se pode perder alguém é, por exemplo, validar a ideia de que pessoas são posses ou que são exclusividade para nosso benefício. Quem evita entrar em relações por achar que pode perder, faz exatamente o que não quer: perde. E pior, perde por escolha própria, opta a perda, assina embaixo e carimba duas vezes para garantir que perdeu mesmo. A recusa de um relacionamento incerto é a certeza de não haver relacionamento, de todo jeito. Perder por perder, tem gente escolhendo a garantia e a antecipação do “malefício”.

Em outros temas, o medo de perder nos torna igualmente inconvenientes pra nós mesmos. Quando temos medo de perder dinheiro, podemos acabar perdendo ele todo. Cansei de ver pessoas que evitaram gastar o dinheiro que tinham e chegaram a tal extremo que guardaram a vida toda e acabaram morrendo sem nunca terem feito algo com aquilo. Guardaram dinheiro com qual finalidade? Medo de empobrecer? Levaram uma vida pobre, não usufruíram do potencial e terminaram exatamente como não queriam: pobres.

O medo tem essa função. Bancos vivem do medo. Se os clientes tem medo de serem roubados, botam todo seu dinheiro em uma conta. Se possuem medo de estarem jogando dinheiro fora, guardam o dinheiro em uma poupança. E se tiverem medo de perder até os centavos especiais, investem ainda mais “fundo”, montando um plano de aplicação. E o banco, sem medo de passar a mão no seu dinheiro, vive feliz, desfruta o antes, o agora e o depois. O medo dá lucro de muitas maneiras, exceto para quem o tem.

O medo de perder a felicidade torna as pessoas infelizes. O medo de perder sabedoria, torna as pessoas tolas. O medo de perder beleza, torna as pessoas feias. O medo de perder tempo, faz se precipitarem e acabar perdendo muito mais tempo. O medo de perder a vida, faz não viverem os momentos e perdem a vida toda.  O medo de perder qualquer coisa, nos tira muitas coisas. Saímos sempre perdendo dessa equação. Viver com medo atravanca nosso próprio progresso. Há quem diga até que o medo de perder é, na verdade, o medo de ganhar. Inventando um pretexto para não caminhar em direção ao que se quer, evita-se estar lá em contato com a vitória. Se tal pessoa tiver medo de ganhar, ela fará de tudo pra perder, mesmo que pra isso tenha que inventar o contraditório monstro que é o ‘medo de perder’. Os mecanismos de defesa psicológica do ser humano sempre trazem esses padrões tristes.

Às vezes o ser humano chega a ser chato de tão previsível. Entendo que seja mais fácil notar as incoerências olhando de fora. Mas não custa nada entrarmos em análise de nós mesmos sempre que tivermos tempo livre. E se acharmos que não temos tempo nem pra isso, aí e que precisamos mesmo de uma boa análise. Se as pessoas usassem a coragem que possuem pra falar bobagens, direcionando pra outras atividades mais úteis e urgentes, acho que enxergariam muito mais cedo que o problema não é grande, que não é difícil e que não é pra amanhã. Tudo é possível de ser transformado na mente. Os padrões são aqueles que quisermos ter, se nos permitirmos ser. O cérebro humano como parte física e a mente humana como parte psicológica são altamente flexíveis e com uma capacidade de plasticidade infinita. Tudo que se quiser transformar, há como. Devemos sempre ter coragem e tentar. Vai lá!

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Rodrigo Meyer