Um alerta de Esquerda pra Esquerda.

Durante esses tempos de disputa política, em especial após as Eleições de 2018-2019, acompanhamos o aumento do caos, devido aos imensos escândalos de corrupção, fakenews (notícias falsas), casos de ódio, disseminação de crimes de todo tipo e uma manifestação torta e desregrada pela internet. Esse cenário já é bem conhecido por ambos os lados dessa disputa polarizada que se tornou o Brasil nos últimos anos, mas algo tem me incomodado de forma igual ou até maior. Estou me referindo a certa ingenuidade por parte de diversas mídias e grupos da Esquerda que, embora desejem atuar como resistência, estão, ao meu ver, um tanto despreparados para entender o real motivo da ascensão do fascismo no Brasil e no mundo e o motivo pelo qual parte da população brasileira atrelada ao desgoverno do quadrilheiro Bolsonazi ainda permanece em apoio à ele, apesar de todos os crimes vinculados.

Sempre que vejo uma mídia decepcionada com o desgoverno do Brasil de 2019, predomina por lá um discurso de que os absurdos que a quadrilha de Bolsonazi tem manifestado são fruto de uma crença do próprio Bolsonazi e seus aliados em teorias da conspiração. Citam, por exemplo, que essa turma de fascistas se posicionam contra as coisas por acreditarem em ideias como terraplanismo, nazismo de esquerda, marxismo cultural, ideologia de gênero entre outras asneiras (infelizmente a lista é imensa demais pra citar num artigo só). Temos que deixar claro algumas coisas sobre isso:

Primeiramente, esses vagabundos que tomaram de assalto o Brasil não possuem crença alguma em coisa nenhuma. São céticos a tudo e todos e tudo que os importa é poder, violência, racismo, machismo, homofobia, corrupção e a perpetuação da ignorância no Brasil e no mundo para que se torne cada vez mais fácil manipular e explorar as pessoas enfraquecidas por essa ignorância. Porém, pra que possam fazer essa conexão entre a figura de poder deles e a massa de manobra na população, eles precisam se valer de ícones na linguagem da comunicação que evidenciem uma direção, uma ideologia e uma cultura, facilitando pra que, consciente e inconscientemente, as pessoas se sintam representadas e compreendam aquilo que lhes é proposto como figura e ideia de poder.

Por exemplo, quando a extrema-direita discursa insinuando que as escolas estão distribuindo a chamada “cartilha gay” ou “kit gay”, ela faz uso de duas mentiras (a mentira de que existe esse tal material e segundo de que a finalidade dele seria a de convencer pessoas a se tornarem homossexuais) para que a presença dessa ideia absurda em contato com pessoas com tendências preconceituosas, medos e muita ignorância as façam acreditar nessa lorota e, quase que automaticamente, se posicionarem em favor da extrema-direita e contra as figuras opostas (homossexuais, professores, grupos de direitos humanos, causas sociais, etc).

Uma vez que você tenha entendido esse exemplo da estrutura ou modus operandi da extrema-direita nos discursos criminosos e falsos que ela faz, basta estender isso pra todo e qualquer tema que eles lidam. Foi assim quando tentaram negar o aquecimento global, o incêndio na Amazônia, a própria corrupção no desgoverno da quadrilha, os crimes cometidos contra seus opositores políticos, o histórico criminoso e pouco punido da ditadura militar no Brasil, o machismo, o racismo, a homofobia, o ódio de classes, a xenofobia, a matança de indígenas, a destruição do meio-ambiente para favorecimento do agronegócio, o trabalho escravo, trabalho infantil, o tráfico de drogas, tráfico de armas, tráfico humano, o aumento do feminicídio, os vínculos criminosos da corporação militar nas polícias e exércitos, a corrupção e o desmantelamento das instituições do país como a Justiça, a censura nas mídias (comerciais, cinema, jornalismo, shows de música, etc), o assassinato de inimigos nas diversas esferas do poder, etc.

Poderíamos ficar dias listando aqui tudo que está vinculado às ações criminosas do desgoverno, porém seria mais eficiente listar o que não faz parte da lista. Pra simplificar, bastaria dizer que praticamente todo e qualquer assunto que chega ao conhecimento da extrema-direita e que não favorece a eles no objetivo de poder e controle das massas, eles geram uma narrativa absurda contrária para disseminar uma versão conveniente da realidade que, embora não acreditem, é super útil no objetivo de perpetuação da corrupção, poder e manipulação do público. Simples assim.

Chega desse papo de que eles estão indo longe demais nos absurdos por estarem convencidos dessas ideias e teorias da conspiração. Simplesmente não estão, mas é útil a eles discursar como se estivessem. Quando, por exemplo, eles sabem exatamente o que é Feminismo e sabem claramente que isso anula o projeto de machismo, combatendo o estupro, o abuso, as desigualdades entre gêneros, os privilégios de homens imbeciloides que se beneficiam de todo esse lixo, é claro que eles vão se opor pra perpetuar os benefícios e crimes a que eles são favoráveis. Não se espante, portanto, de ver que essas figuras estão atreladas a estupradores, feminicidas e outros tipos de escórias. Para fazer valer essa perpetuação criminosa eles vão usar artifícios clássicos como mentir sobre quem são e como agem as mulheres feministas, por exemplo, denegrindo sua imagem, forjando situações em que elas pareçam absurdas, exageradas ou equivocadas. Vão distorcer palavras, contextos e até mesmo dados técnicos de estatística, pra reforçar a ideia falsa que eles intencionam construir no discurso frente ao público deles.

Não se pode ser ingênuo de achar que isso é de fato a crença deles, menos ainda de que essa suposta crença é fruto de uma visão cega sobre a realidade. É extremamente o inverso. É por terem uma visão claríssima da realidade é que conseguem se posicionar contra a realidade, arquitetando discursos e contextos que os favoreçam em termos de corrupção, poder, crime, preconceitos, etc.

A pessoa que realmente tem interesse de aprender sobre um assunto para mudar seus pensamentos equivocados, ela simplesmente senta a bunda na cadeira e lê sobre o assunto insistentemente, até conseguir entender todos os pontos, questionando tudo e todos a todo momento. O sujeito que não tem muito interesse de questionar de tal maneira, certamente está acomodado no aprendizado pois é muito mais conveniente manter os próprios defeitos, sejam eles o racismo, a homofobia, a conivência com a violência gratuita, a criminalidade, a corrupção, etc.

Quais são as chances de você convencer um nazista de que xenofobia e racismo é algo absurdo, abominável e sem nenhum fundamento ou lógica? Zero. Você jamais vai convencer alguém desse meio a mudar essas posturas, exatamente porque essas posturas não são baseadas em lógica. É diferente de, por exemplo, tentar mostrar à um matemático que a equação dele está errada, demonstrando motivos matemáticos para o erro, justamente porque entre matemáticos, a lógica é desejada e é a base de toda a argumentação, tanto da pessoa que cometeu o erro quando da que vem pra apontar e corrigir o erro. Percebe?

Portanto, de nada adiantará você convencer um estuprador sobre feminismo, ou de convencer um racista sobre o combate ao racismo. Nenhuma figura que faz o que faz de forma consciente, sem empatia alguma, aceitará alguém que venha tentar mudá-lo, brecá-lo ou apontá-lo contra a parede. O termo “psicopata”, embora popularmente seja utilizado pra descrever um serial killer (matador em série), não se limita a isso. Um psicopata, basicamente é alguém que age de forma egoísta em seus próprios interesses, sem se importar com ninguém. É alguém que, por exemplo, vê as pessoas como algo totalmente irrelevante e sem valor diante da busca dele por um objetivo ou satisfação pessoal. Você encontrará facilmente essas pessoas em relacionamentos abusivos, em empresários, em pseudo-líderes religiosos, em políticos, juízes, bandidos fardados (alguns chamam de policiais), etc.

O indivíduo que não sente nenhuma culpa, remorso ou impulso de resistência diante do ato de prejudicar as pessoas é basicamente um psicopata. As pessoas só se tornam recuperáveis quando há a premissa de que podem desenvolver o arrependimento diante dos erros cometidos contra outras pessoas ou contra o mundo. Alguém que assiste crianças inocentes sendo assassinadas por bandidos fardados e consegue relativizar isso e falsamente sugerir que as vítimas não eram inocentes, basicamente é um psicopata, uma pessoa sem empatia alguma. O mesmo pode ser dito de quem assiste uma população negra ser dizimada e preterida na sociedade e não demonstra nenhum incômodo por esse crime e a disseminação disso em nível estrutural. A conivência nesses casos demonstra não a mera incompreensão da realidade, mas uma indiferença com as vítimas, uma falta de empatia e uma colaboração aberta ao erro.

Diferente dos psicopatas, em outro grupo de pessoas, há os que cometem erros por uma série de contextos em que foram submetidas e é evidente que, como tudo na humanidade, flui em graus. Há pessoas que, por exemplo, aceitam roubar, mas não aceitam matar. Entre os que roubam, há quem o faça por falta de opção ou até mesmo por uma deformação do contexto. Nem sempre são pessoas que ignoram o valor do outro. Muitas das vezes são pessoas que só estão tentando situações extremas como instinto da própria sobrevivência. Se ético ou não é outra história. Mas é bem diferente você tratar pessoas que estão em uma situação por uma série de contextos que nem elas mesmas gostariam de estar, com pessoas que, sistematicamente e irrestritamente, estão e gostam de estar nessas condutas, principalmente as extremas, uma vez que, no caso de psicopatas, a falta de empatia também estabelece uma ausência de limites sobre até onde as pessoas podem errar contra os outros em benefício próprio.

Citemos, por exemplo, o caso do golpe na democracia do Brasil, onde pessoas claramente psicopatas tomaram o governo sem nenhum arrependimento de terem colocado milhões de brasileiros de volta à miséria e pobreza, de terem incentivado direta e indiretamente a matança e estupro de milhares de pessoas, como também de ter colocado tantas outras em situação deplorável de desemprego, doença sem suporte, corte de direitos básicos, falta de dignidade humana em diversos setores e assuntos, entre outras coisas. Quem faz uma ação nessa direção sem nenhum pudor, freio, incômodo ou arrependimento, está frio o suficiente pra ser tachado de psicopata. Relembremos, por exemplo, a desgraça que foi o nazismo na Alemanha resultando em uma atrocidade tamanha que jamais conseguiremos apagar o estigma gerado ao país. O nazismo virou sinônimo do que há de pior no mundo e a vergonha que uma nação carrega por ter se envolvido em apoio é um tema sensível a eles até hoje. Para o que acontece no Brasil de 2018-2019 com a trituração da Constituição Federal e da Democracia no país, as ações e narrativas problemáticas que, em certos pontos, geraram danos irreversíveis configuram um crime contra a humanidade em vários níveis. A sede por poder a qualquer custo, não levando em conta nada nem ninguém, é o que faz um desgoverno cheio de psicopatas encontrarem respaldo em um eleitorado totalmente vinculado pela cultura em torno dos mesmos crimes e discursos. Essa sim é a única e real doutrinação ideológica que vem sendo plantada e encontrando muitos frutos, uma vez que o terreno está fértil, como todo terreno cheio de esterco está.

Pra finalizar, eu gostaria de esclarecer que eu compreendo a intenção de diversas mídias da Esquerda em tentar elucidar o cenário político e social do Brasil e do mundo, mas estou olhando de forma racional em como essas mídias estão falhando na percepção precisa dos problemas ou na origem dos problemas. Sem que se saiba exatamente o que está ocorrendo, é difícil ou até impossível de combater o inimigo. Se observamos que fakenews (notícias falsas) estão sendo espalhadas pela Direita, o papel da esquerda precisa ser mais do que apenas lamentar ou tentar esclarecer os fatos de forma verdadeira. É preciso identificar qual a real intenção por trás de quem cria essas mentiras e cortar essa ingenuidade de que disseminam essas informações por mera crença e não por que sabem abertamente que é mentira mas vai servir ao propósito deles. Por isso, peço encarecidamente às mídias todas da Esquerda que saiam um pouco dessa ideia viciada de que o que falta é informação. Não falta informação alguma. Pelo contrário. Sobra informação e a Extrema-Direita tem até mais informação que a própria Esquerda, se observarmos que eles saem na frente na criação das fake news (notícias falsas) surpreendendo a todos da Esquerda com tamanho absurdo e pauta. Se a Esquerda é surpreendida com essas asneiras, é sinal de que os dados preexistem na análise e compreensão por parte da Direita e, mais do que isso, são rapidamente convertidos numa ação contra a Esquerda pra tentar frear, denegrir, mentir ou desmentir, ridicularizar, minimizar, ameaçar, anular, censurar, etc. Enquanto a Esquerda continuar no papel de achar que tudo não passa de falta de instrução, vai levar chapéu dia e noite com cada vez mais desgraças acontecendo na prática, uma vez que nem as mídias e iniciativas da Esquerda dão conta de expor o ponto fraco e a origem doentia e fraudulenta da Direita.

Menos ingenuidade e mais ações e mídias combativas, investigativas e que façam um importante serviço de esmiuçar o miolo do problema e não só debater e lamentar os efeitos da permanência da quadrilha de corruptos no mundo. O mundo está infestado de gente adoecida em diversos sentidos, mas como dizia Martin Luther King, ativista negro: “O que me incomoda não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Rodrigo Meyer – Author

Anúncios

Quem são os apoiadores de Bolsonazi?

Inicialmente, antes das eleições do final de 2018, o quadrilheiro saiu do anonimato e ganhou fama, em especial pela repugnância e polêmica de suas afirmações em uma ou outra mídia, com ajuda de uma gangue de crianças de não mais que 13 ou 15 anos de idade. A imaturidade de todos, inclusive do referenciado, uniu essas pessoas em uma ideia em comum que era a de autoafirmação diante da sensação de serem completos imbeciloides diante da vida séria, adulta, etc. Enquanto adolescentes de 13 anos tentavam se sentir adultos, fracassavam tanto quanto seu bandido de estimação, Bolsonazi.

As afirmações racistas, machistas, homofóbicas, de incentivo ao crime, violência, milícia, extermínio de pobres, ódio de classes, ridicularização de vítimas, somaram-se com aquele aspecto patético de pseudo-masculinidade atrelado a armas e bandidos fardados do Exército e da Polícia Militar, culminando numa fácil aceitação por esse público de adolescentes mal resolvidos com a puberdade, com inconsistência / fraqueza mental, covardia, insegurança psicológica e uma criação social moldada por famílias desestruturadas, cheias de vícios de conduta, de ética e outras mazelas. Não demorou muito pra que essa sopa de desgraça, alimentasse a mídia onde esses adolescentes improdutivos mais gastavam tempo: a internet.

Por muito tempo, essa catástrofe midiática foi vista apenas como uma moda patética. Mas foi justamente a visibilidade ao trágico e cômico que deu espaço pra que uma figura que era anônima na política há quase 30 anos, ganhasse repercussão. Passou a figurar em mais programas de televisão, em notícias, memes, etc. Uma vez famoso por todo lixo que proferia em palavra e conduta, chamou atenção de um novo público que se juntaria à ele: adultos conservadores, bandidos fardados, racistas, neonazistas, milicianos, quadrilheiros, estupradores, traficantes, estelionatários, burgueses corruptos e qualquer um que se sentisse representado pelos crimes que ele enaltecia.

A cada vez que ele elogiava um bandido fardado em qualquer mídia, essa classe se sentia finalmente protegida e acolhida, com respaldo de alguma figura pública famosa. Isso dava a certeza de que poderiam aumentar e perpetuar seus crimes e condutas com a chance de ainda serem condecorados, melhor pagos, enaltecidos em mídias e normalizados como o padrão de realidade. Se antes tinham que se esconder nas intervenções nas favelas pra cobrar propina, pedágio, traficar armas e drogas, assassinar inocentes, forjar cenas de tiroteio pra justificar assassinatos de inocentes, agora poderiam simplesmente fazer isso em qualquer lugar, de qualquer maneira. E fizeram, como mostra o episódio em que o exército disparou 80 (oitenta) tiros contra um carro de uma família inocente, seguido do comentário do Bolsonazi de que o exército não havia feito aquilo.

Não demorou nada pra que parentes e cônjuges cúmplices desses bandidos fardados entrassem em defesa daquele idoso fétido que discursava em favor do crime, sob a fachada falsa de repúdio ao que eles chamavam (e apenas chamavam) de crime em si. Enquanto defendiam a invasão pesada nas favelas, sobre o pretexto de combater o tráfico, na verdade encobriam o fato de que as próprias UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), na verdade eram os próprios controladores do tráfico de drogas local, tanto na parte do dinheiro, das armas, quanto das drogas, movimentando fortunas gigantescas simplesmente pela facilidade que o cargo lhe conferia. Uma estratégia comum entre os frouxos e covardes, que precisam se esconder atrás de um colete a prova de balas, uma viatura, um distintivo / cargo / profissão, um pseudo-aval do governo para terem acesso a algum poder sobre os outros, por meio do crime, corrupção, violência e patetice. Munidos não só de balas e armas, tinham também um salário oficial seguido de uma fortuna paralela vinda da corrupção da própria “profissão”. Enquanto isso as elites continuavam a traficar com seus helicópteros com meia tonelada de cocaína ou, como vimos mais tarde, pelo próprio avião da FAB (Força Aérea Brasileira), levando cocaína para o exterior junto com a comitiva do “presidente” Bolsonazi.

Tal realidade sempre existiu e, com o passar do tempo, foi citada e homenageada. A cada crime cometido por um destes bandidos fardados, Bolsonazi ou um de seus familiares, logo se pronunciava em admiração e proteção, tentando criar uma imagem social de que ser bandido era o ápice da grandeza de um indivíduo. Aquela visão falha, frouxa e tragicômica de masculinidade que nunca figurou além de pseudo-masculinidade. A insegurança nesse quesito foi o alicerce pra construir um modelo imaginário que atingisse ainda mais apoiadores, por meio de afinidade com o problema. Agora já não precisava ser apenas bandido fardado pra se sentir pertencente ao grupo de “valores” que Bolsonazi protegia. Se ele figurasse ao lado de amigos condenados por estupro, por exemplo, logo atiçava os olhos de estupradores para se sentirem parte do time. Se ele saía à público pra humilhar mulheres, os machistas erguiam as mãos em saudação à um similar. Se a humilhação fosse pra gays e lésbicas, os homofóbicos (muitos deles, homossexuais não assumidos publicamente e muito mal resolvidos com o tema) batiam a mão no peito de orgulho por ver que alguém os ajudava a encobrir essa condição deles.

Quando figuravam nas notícias as ações de extermínio, estupro, assassinato e desova de corpos, de forma massiva e aleatória por parte dos bandidos fardados da “polícia” e “exército”, uma classe burguesa aplaudia simplesmente por ver que pobres e negros estavam sendo eliminados do planeta. Pouco se importavam que o ideal racista deles fosse um crime triplo de racismo, assassinato e apologia ao crime. Sentiam-se livres pra falar, afinal, dejetos similares já foram falados publicamente em todo canto, repercutindo nas redes sociais. O Brasil se sentiu finalmente bem representado, por uma figura que enaltecesse a elite corrupta, a classe média corrupta que almejava ser rica como a elite e uma classe pobre corrupta, que, enganada pela classe média e pela burguesia, eram a força motriz de suas próprias mortes e desgraças. Nasceu o tragicômico “pobre de direita”, a figura que acreditava que a miséria em que ele estava inserido era culpa apenas dele e que ele poderia sair dessa condição, apenas se esforçando. Ironicamente, nenhum deles saiu da condição de miséria, senão pela corrupção ou outras formas de crime, tal como o exemplo dado por seus exploradores acima.

A elite branca, composta de todo tipo de inúteis que jamais trabalharam na vida, alimentados pela exploração do capital e da força de trabalho alheia, receptores de heranças (incluindo as gordas heranças de militares e antigas famílias beneficiadas por doações de terras pelos governos corruptos das épocas de ditadura militar e monarquia), agora tinham uma marionete útil que lhes servia facilmente. Montados em grandes mídias de pseudo-jornalismo, rádios, canais de televisão e outras empresas de fachada pra extensa e contínua lavagem de dinheiro, puderam investir esse excesso de dinheiro, contra os seus opositores, controlando como e quando as peças do jogo seriam movidas por essa regra mundialmente difundida, chamada ‘poder financeiro’. Cada vez mais tinham a possibilidade do dinheiro comprar decisões favoráveis na “Justiça”, de abafar delatores, de comprar o assassinato de seus opositores, de comprar espaços nas mídias para inserção de seus pontos de vista, de fundar instituições de lavagem cerebral (e também de dinheiro) como as pseudo-Igrejas, que em inúmeros casos estavam atreladas ao tráfico de drogas e armas, evasão de dinheiro pro exterior, acobertamento de estupradores e/ou pedófilos e todo tipo de banditismo esperado por um grupelho de pessoas que viram no Brasil o potencial para montarem em cima da população otária, para usurpar dinheiro e outros benefícios, sem precisarem sequer se esforçar pra isso, já que os próprios explorados estavam cada vez mais mergulhados na chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde passam a admirar e proteger seus próprios opressores.

Com tamanha facilidade da perpetuação do crime, com o tempo a realidade foi se tornando saturada e insustentável, uma vez que todo o massacre gerou também um risco de reação explosiva de resistência. Então encontraram uma solução emergencial que foi o golpe político na democracia, para controlar de vez tudo e todos. Eliminaram a primeira resistência a todo esse entulho, ao inventar um crime para atribuírem à presidente da época, Dilma Rousseff. Sendo claro a inexistência do crime, tiveram que forjar uma análise jurídica do caso, sob os votos comprados na Câmara e dos acordos políticos de bastidores, como sinalizado no áudio vazado das conversas que se tornaram meme na internet falando de “estancar a sangria” por meio de “um grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”. Tempos depois pudemos perceber a aplicação prática disso, ao ver como as estâncias de julgamento do ex-presidente Lula o tiraram da elegibilidade das eleições de 2018, sob a alegação de crime, por meio de uma denúncia forjada, um julgamento comprado e manipulado por interesses políticos, sem nenhum alvo real e concreto em termos de crime e provas, mas que, por meio de um teatro midiático e o apoio da quadrilha Bolsonazi, ficaram validados e cimentados pela corrupção de mídias, políticos, instituições públicas, delatores comprados, delegados e juízes assassinados, além do caso histórico do extermínio de Marielle Franco que, justamente, denunciava a ação criminosa dos bandidos fardados. Pudemos constatar o ocorrido, quando veio à tona recentemente os vazamentos das conversas do “juiz” Sérgio Moro, conhecido como Marreco de Curitiba, forjando o processo e a condenação de Lula por meios de acordos. Graças a mídia “The Intercept”, pudemos ter acesso a essas conversas vazadas comprovando a corrupção que já sabíamos mas aina não tínhamos provas.

O desgoverno chegou ao “poder” e cumpriu o esperado pelos seus idealizadores e financiadores. Entregou o país para os americanos, privatizando tudo o que fosse possível, desvalorizando e vendendo em troca de nada, conferindo um lucro astronômico para acionistas e burgueses de dentro e fora do Brasil, atrelados a esse modelo corrupto de fascismo, conservadorismo, ódio de classes, racismo, neonazismo, machismo, incitação ao estupro, veneração ao banditismo militar e tudo aquilo que cansamos de ver e saber estar atrelado a essa classe que toma de assalto os espaços políticos e públicos pra ganhar uns anos a mais de vida nadando na fortuna que nunca tiveram competência, mérito e coragem de conquistar por meio de trabalho e inteligência. Basicamente um atestado de frouxidão nunca visto antes. O clássico clichê (redundância proposital) da estupidez humana, que, na ganância por dinheiro fácil e diante da barreira de um Q.I. estrondosamente insuficiente para as ações cognitivas mais simples, tiveram que se render ao crime, ao fascismo e a violência para se apossarem do que queriam.

Passaram-se alguns poucos dias da “posse” do desgoverno atual em 2019 e o nível de desemprego aumentou pra números recordes, junto com a taxa de suicídio. A criminalidade disparou, os casos de corrupção aumentaram não só em número de casos, mas em volume de dinheiro envolvido. Somente alguns desses casos já conseguiram atingir o patamar dos trilhões em corrupção. Somados todos, o número seria incalculável para a noção média atual. O Brasil é recordista em arrecadação de impostos, em corrupção, em pobreza, em lavagem cerebral, em sonegação de impostos, em lavagem de dinheiro, em exploração do trabalho, em usurpação do dinheiro em instituições pseudo-religiosas, no tráfico de droga e armas e em qualquer outro crime que você quiser incluir na lista. Somos um pseudo-país, fazendo pseudo-política, para que uma porcentagem minúscula de frouxos seja beneficiada.

Atualmente nossa alimentação está tomada por 269 novos venenos adicionados na agricultura, entre eles diversos que são altamente letais e cancerígenos. Esse veneno está presente inclusive nas torneiras das casas, segundo o mapa da água e tem como objetivo claro e direto, o extermínio da população mais pobre, seguido da oportunidade de lucro fácil em cima de um problema que nunca existiu, exceto como barreira pro banditismo da burguesia. A aposentadoria não será mais possível aos brasileiros úteis, que terão que trabalhar até o dia da morte, já que a idade média de longevidade é inferior à idade estabelecida pela reforma da previdência. Diversas classes especiais de beneficiários da previdência foram simplesmente removidos, mas não por que falta dinheiro para mantê-los e sim porquê o objetivo é explicitamente matá-los depois de escravizá-los ao máximo possível pelo trabalho, com um salário indigno sem direito a nenhuma aposentadoria, enquanto todo esse montante arrecadado pela instituição, é direcionado pra engordar os benefícios já gordos da classe que menos paga impostos no país: políticos, militares, banqueiros, grandes mídias e burgueses em geral. Enquanto o modelo prático é o do dinheiro fácil tirado à força da massa pobre, incitam a população idiotizada a repetir o discurso da meritocracia, a mesma meritocracia que eles nunca irão seguir, até porque sabem tanto que não existe e não funciona, que tiveram que desistir de tentar e se envolver com o crime pra obter qualquer “vantagem” financeira e política.

E é tão somente por toda essa afinidade com o crime, violência, opressão, machismo, homofobia, fraqueza mental, insegurança, masculinidade frágil, Q.I. limitadíssimo e falta de perspectiva pessoal e social, que uma parcela podre da população brasileira apoiou e segue apoiando a quadrilha Bolsonazi, assim como todos os demais grupos sociais que fazem parte, direta ou indiretamente, dos “benefícios” que a quadrilha os concede, por meio de acordos criminosos nos campos políticos, midiáticos, financeiros, militares, etc. Se você, ingenuamente, achou que era por combate à corrupção o ódio dessas pessoas contra as figuras como Dilma, Lula (frequentemente avaliados como Centro-Esquerda ou até mesmo apenas Centro) ou a qualquer figura posicionada no espectro da Esquerda ou em posição qualquer que seja que se oponha à quadrilha Bolsonazi, então lamento pela sua ingenuidade. Não existe bandido ideologicamente convicto que seja contra a criminalidade ou corrupção. Basta ver que, durante o teatro tragicômico que foi a chegada do desgoverno Bolsonazi em 2019, o que não faltou foi notícia de eleitor assumido do quadrilheiro “eleito”, figurando em crimes de tráfico de drogas, assassinato, estupro, sonegação de impostos, desvio de verbas, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e o que mais você quiser listar como crime. Basicamente a realidade é uma só: se foi eleitor de Bolsonazi é bandido ou admira e faz apologia ao banditismo, o que dá no mesmo. Se uma figura que se declara e/ou se alia com neonazistas, homofóbicos, racistas, machistas, milicianos, estupradores, traficantes, estelionatários e afins, discursa na mídia abertamente e atrai o interesse de voto de um indivíduo, então esse indivíduo não se opõem aos crimes por ele praticados, mencionados, aplaudidos, abafados, homenageados, elogiados, ostentados, perpetuados e normatizados. O eleitorado de uma escória desse tipo, torna-se igualmente criminoso por endossar os crimes e por ter uma mente completamente voltada para a validação desses ódios, preconceitos, violências, crimes e fraquezas. O eleitorado que se sente representado por uma escória, vê na figura da escória um espelho, uma identificação.

A boa notícia é que ninguém precisa estagnar a mente e pode melhorar o Q.I. e a conduta, aprimorando sua reflexão, sua moral, sua percepção da realidade, etc. Alguém que passou a vida passando vergonha tentando contornar as fraquezas e incompetências por meio da violência, dinheiro e criminalidade, pode, agora, se quiser, tentar conquistar uma realidade positiva e estável pro coletivo, tentando ser alguém decente, com pensamentos e condutas decentes. O Brasil, na era do governo Lula chegou a ser a sexta maior economia do mundo e agora, somos uma piada internacional, listados abaixo de 250 no ranking. O Brasil não ganhou nada, perdeu tudo e talvez tenha perdido o mais importante: a possibilidade de reverter o quadro à tempo. Os desfechos tristes na economia, no trabalho, na educação, no meio-ambiente, no clima, na previdência, na democracia e na estabilidade mínima social, deram um golpe letal no país que, finalmente, conforme alguns países gostariam que fosse, está sem governo, sem projeto de nação, sem resistência, sem oposição, pronto pra ser entregue e sugado. Sempre que uma ditadura é instaurada no Brasil (mesmo as que são maquiadas de democracia), tenha certeza de que quem financia ela são os Estados Unidos com ajuda dos burgueses do Brasil. É assim que eles chegam no objetivo financeiro e de poder, pra continuarem controlando esse quintal (talvez um mero banheiro de beira de estrada), chamado Brasil, onde eles podem vir, levar todo ouro, petróleo, ciência, tecnologia, recursos naturais, dinheiro advindo da mão-de-obra escrava altamente lucrativa e voltar sem esforço nenhum, sem precisar morar nesse buraco trágico e insustentável.

Pra você que se opõem a quadrilha Bolsonazi e a todo esse modelo sujo e frouxo, cabe a você a ação direta. Nada menos que a ação direta será eficiente ou suficiente. Tudo menos que a ação direta será mera piada entra os cochichos da própria quadrilha que pouco se importa com a repercussão dos estragos feitos e que, com orgulho, ainda anunciam que estão só começando. Se você for passivo demais a ponto de baixar cabeça pra essa escória, então você será parte do problema. Converta seu cansaço dessa situação asquerosa em ação direta engajada, inteligente, consistente, contínua e inegociável. Faça o seu melhor ou sua vida será a pior possível. Uma frase do ativista negro Martin Luther King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Organize-se em favor da liberdade.

Rodrigo Meyer – Author

2019: o ano em que o Brasil morreu.

Chegamos no ano de 2019 onde tudo se revelou tragicômico no Brasil. Uma massa de pessoas despolitizadas, completamente alheias à realidade, foram responsáveis diretas para a facilitação da chegada do atual desgoverno. O que alivia um pouco é saber que, nestas eleições atípicas de 2018/2019, o eleito não ganhou por maioria de votos, mas por maioria de votos válidos. Na prática isso significa que a maioria da população continua figurando como não apoiadora do atual desgoverno, ao menos por meio do voto. Contudo, há também um lado triste nisso, pois por omissão do voto ou por anulamento do voto, facilitaram pra que, mesmo com poucos votos, o incompetente desgoverno ganhasse por votos válidos. Figuramos com um número enorme de pessoas que não puderam votar, devido a uma inédita regulamentação sobre telemetria que impunha prazos pra coleta de digitais dos eleitores e impedia os atrasados de terem direito ao voto. Uma parcela de descontentes, preferiu pagar a multa do que votar, se esquecendo que essas eleições eram atípicas e precisavam de um posicionamento claro, ainda que não tivessem grande apreço pelos candidatos em geral. Já não se tratava mais de escolher um candidato, mas simplesmente de garantir que, entre eles, um único fosse eliminado.

Mas, considerando o desastre cultural e educacional da população brasileira média, foi praticamente esperado que, na primeira oportunidade, transformariam o cansaço com a política em uma ação impensada, pouco ou nada politizada, inconsequente e acompanhada de inúmeras cicatrizes difíceis de serem apagadas. A entrada do atual desgoverno deu brecha para um número colossalmente maior de corrupção, violência, prejuízo social, político e democrático. Assistimos o desmonte do país logo nos primeiros dias e a cada mês que cruzamos no ano de 2019, o grupelho que invadiu a política do país, transformou o Brasil, direta e indiretamente, num palco de piadas nacionais e internacionais, tamanha a catástrofe e ignorância despejadas. Todo o idiotismo acumulado por gerações encontrou vazão na marionete que simbolizou essa descarga de dejetos em cima do Brasil.

O brasileiro, que já era, há muito tempo, tido como o povo mais mal-educado de toda a internet, conseguiu ir além ao sentir respaldo e representatividade para a parte da população que era justamente a mais ignorante, imatura, corrupta, violenta e inapta a estar em contato social (tanto presencialmente, quanto pela internet). A leva de reacionários e/ou imbeciloides que foram manipulados a sustentar o atual desgoverno (por Síndrome de Estocolmo ou cumplicidade no crime), figuraram em infindáveis notícias de crimes de racismo, estupro, estelionato, assassinato, homofobia, feminicídio, machismo e outras ilegalidades. Direta ou indiretamente serviram de aval para neonazismo, disseminação de ‘fake news‘ (notícias falsas), aumento da destruição de direitos trabalhistas, comprometimento da educação, aniquilação do meio ambiente, envenenamento em massa dos alimentos e da água de consumo nacional, deterioração dos serviços públicos em geral, entrega da tecnologia, dos recursos e das empresas públicas ao setor privado, em especial para a mão dos estrangeiros (basicamente para os Estados Unidos), tornando-se, assim, a maior e pior piada de mal gosto que qualquer país ou pessoa já presenciou em qualquer era e lugar desse planeta. Simples assim.

O Brasil conseguiu colocar à frente do desgoverno, algo ou alguém que, diante de um discurso em outros países, conseguiu arrotar meia-dúzia de palavras em um evento onde esperava-se que, pelo menos, discursasse por 45 minutos. Não tendo nada para dizer, pois, aparentemente, sequer pensa, mostrou ao planeta que o Brasil não é um país a quem uma pessoa com sanidade possa querer ter relações políticas ou comerciais, enquanto o atual desgoverno vigorar. Estrangeiros gravaram na mente que o Brasil talvez nem seja um país de verdade, pois já não se leva a sério. Vivenciamos em 2019 o reflexo de um anterior golpe na democracia e, pior do que isso, estamos diante de uma massa aparentemente passiva, acomodada em não lutar contra isso tudo que está corroendo o passado, o presente e o futuro do Brasil.

O brasileiro médio, ainda que avesso a essa postura nojenta do atual desgoverno e os respectivos eleitores deste, não parece estar nada engajado em reverter a situação com urgência. Estão tão anestesiados pela desgraça que reina cada vez mais no país, que desviam facilmente a atenção para as futilidades do esgoto que escorre pela tela da televisão e pelo humor empobrecido da internet. Acabam ainda mais ignorantes, menos politizados, mais ansiosos, infelizes, deprimidos, doentes, vítimas, nulos, capados de qualquer potencial e com uma pretensa esperança de fuga para melhores trabalhos ou estudos, esquecendo que nada disso será possível no Brasil de 2019. Quando se dão conta da urgência em sair do território e recomeçar a vida em outro país, já é um tanto tarde para a maioria, que desperdiçou massa cefálica, tempo e dinheiro com coisas que não colaboram pra que tenham um posicionamento digno lá fora. Ficam a espera de um milagre dentro ou fora do Brasil, mas esquecem que não haverá milagre algum enquanto a ação não ocorrer. Ficam mastigando as superficialidades, as asneiras, as mentiras, as atuações porcas de um mundo fracassado habitado por pessoas fracassadas. Querem o sucesso, sem ter que buscar o sucesso também (e primeiro) em si mesmos, enquanto pessoas, enquanto intelectuais, enquanto trabalhadores, estudantes, parceiros de relacionamento, indivíduos políticos, etc.

Como consequência dessa inércia, estão cavando tempos ainda mais sombrios, não só pelos próximos meses de desgoverno, mas pelos atos desastrosos irreversíveis que vão repercutir em qualquer momento do futuro. Quando estiverem em guerra por água ou quando estiverem sendo dizimados pela miséria e violência, não haverá força popular que seja suficiente pra reverter a situação instaurada. Rios e solos envenenados não podem ser desfeitos. Pessoas mortas não ressuscitam. Cultura de violência, racismo, machismo, homofobia e mistura de pseudo-religião com pseudo-política, tornam-se modelos tirânicos contra gerações, simplesmente porque cultiva o aval da própria população para manutenção desse ódio e ignorância, através dos discursos tóxicos herdados nas famílias, nas escolas, nos espaços de trabalho, nas mídias, nas pseudo-literaturas, até que tudo esteja tão arraigado no inconsciente que se torne inevitável a propagação desse câncer de idiotismo.

Talvez lhe incomode a sinceridade, mas, quando todo e qualquer país estiver figurando em qualidade de vida exemplar, o Brasil, infelizmente, ainda será um buraco de desgraças. Se você tem esperanças de que o Brasil melhore, talvez conheça pouco dos dados por trás desse circo. Talvez ignore que a corrupção está em todos os setores e níveis e que, por isso mesmo, jamais, em momento algum, será permitido que ela seja reduzida ou eliminada. Sobra ao Brasil apenas a perpetuação do crime, do ódio, do controle, da opressão, da roubalheira, da violência, da destruição de tudo e todos. Em troca de uma miséria em dinheiro, alguns inúteis encarnados na Terra fazem qualquer negócio. Ingênuo aquele que vê com positividade o futuro do Brasil, apostando simplesmente no frágil nascimento de uma resistência política, de uma melhoria nas relações sociais ao lado das minorias, com o empoderamento de classes sociais marginalizadas. Eu desprezo o pessimismo e o positivismo. Sou eterno defensor do realismo.

Se te incomoda que eu descreva a desgraça que o Brasil é e será, não deve tentar mudar a mim, mas a si mesmo. A aversão com a desgraça nacional não deve ser motivo para não querer enxergá-la tal como ela é, mas exatamente vê-la e enojar-se o suficiente para querer mudá-la com urgência. Se no teu discurso predomina a esperança aleatória por dias melhores, sem nenhuma ação direta e urgente, então nada do que você disser ou pensar será útil ou suficiente para reverter o Brasil de 2019. E quanto mais tempo demorar pra agir, mais difícil será para conseguir ser efetivo nas eventuais próximas ações diretas. O tempo está passando e o desgoverno está montando nas costas de todos. Quando estiver acorrentado e sem opções de resistência, será tarde demais para concordar comigo e tomar iniciativas coletivas de ação e reação. Não deixe para amanhã o que só pode ser feito hoje.

Está nas mãos de boa parte dos brasileiros, expurgar o câncer que cresceu sobre o país. Caso não reaja de forma drástica e imediata, será tarde demais. Se já não tenho esperanças pela mudança do Brasil, agora perco as esperanças no próprio brasileiro. Já deixo de me solidarizar com essa população marcada por pessoas débeis, sem nenhum posicionamento definido, passivos, frouxos, sem união, desorganizados, acomodados, fúteis e preguiçosos. Poderia alimentar esperança pela melhoria do brasileiro, mas manterei sempre o realismo. Contra fatos não há argumentos. Olhe para o Brasil de 2019 e me diga onde estão os corruptos, fascistas e racistas que não estão expostos em praça pública para decapitação em massa. Um povo que é injustamente violentado por um grupelho de bandidos de paletó ou farda e assistem essa ruína calados, estão colaborando para essa injustiça, seja por covardia, por medo, passividade ou Síndrome de Estocolmo. E, enquanto estiverem nessa condição, serão, infelizmente, merecedores do desgoverno e caos que recaem sobre suas cabeças. Espero que esse modelo de população não prospere, pois desse mato infestado de inação não surgirá nada além de mais desgraça pro país. Eu lavo as minhas mãos e me isento de apoiar ou ter esperança por um povo que não se ajuda, não se move, não se coloca como prioridade no enfrentamento do desgoverno. Tão culpados quanto os carrascos, são as vítimas caladas. Tem uma frase de Martin Luther King, ativista negro, que diz: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Rodrigo Meyer – Author

A receita do caos e a esperança.

A imagem que ilustra esse texto é uma adaptação de uma fotografia de 7 de Maio de 2006 feita em um evento de Democracia Direta, em Glarus, na Suíça.

É difícil não falar de política quando tudo na vida do homem em sociedade é política, querendo ou não. Ao falar do ser humano, temos que, necessariamente, falar sobre política. Mas, engana-se quem pensa que política é somente aquilo que compõem a esfera das ideologias partidárias, dos planos de governo, das eleições e das decisões e repercussões dos assuntos ministrados pela classe dos chamados ‘políticos’.

Em verdade, todo ser é um ser político e não apenas os engravatados que ocupam cargos oficiais em um governo. Quisera eu não precisar falar de política, um dia após o 1º Turno das Eleições brasileiras. Seria tão mais fácil e agradável seguir a vida pensando no próximo livro, na próxima ilustração, no trabalho, na companhia dos amigos, nas viagens e nos prazeres adiados a tanto tempo. Mas, por isso mesmo, é importante erguer os punhos e direcionar um pouco mais de energia, mesmo sabendo o quão desgastante é lidar com a situação do Brasil.

Desde o “descobrimento” do Brasil, com a invasão dos portugueses, a tomada de nossos bens, a destruição e/ou apropriação da cultura indígena e dos negros, em paralelo a escravização destes, até os momentos ditos ‘modernos’, que de modernos não possuem nada, ficamos em situações vergonhosas, desastrosas e incompatíveis com qualquer sonho de progresso que atribuímos aos chamados ‘países de primeiro mundo’. O Brasil tentou por muitas vezes reverter sua própria condição, apostando em iniciativas que nasceram de baixo pra cima, das gerações de pessoas empobrecidas pela exploração, netos dos netos de muita dor e pouco respeito recebido. O Brasil se formou, basicamente, pelo trabalho de quem sobreviveu ou deu a vida por uma esperança de mudança. As pessoas que mudaram esse país, goste você ou não, não foram os banqueiros, nem as pessoas que sistematicamente receberam heranças de nobres, que por sua vez, só se tornaram assim ricos (porque nobres mesmo nunca foram), pela exploração das pessoas. Tempos depois, ainda vemos isso acontecer, sob outros métodos e cenários. Agora, relativizam até mesmo os direitos e salários conquistados, na busca por um retorno à época em que as pessoas tinham o que comer, mas eram escravizadas. Estamos em um país quebrado financeiramente, mas mais do que isso, quebrado moralmente.

Mas, por hoje, não vim falar exatamente desse tipo de política, muito menos sobre economia e mercado. Embora seja verdade que isso tudo é importante, porque é a consequência atual que vivemos, temos que compreender, antes, como chegamos no caos. E pra entender isso, precisamos lembrar de tudo que tentam omitir ou apagar diariamente.

Há alguns dias eu lia o depoimento de um rapaz que quando adolescente sentia orgulho de apoiar um determinado pensamento, chegando a admirar uma figura de liderança desse meio na política brasileira. Os anos se passaram e ele despertou de uma imensa ilusão. Não foi tão simples quanto esperar o tempo passar. Foi necessário que ele tivesse a decência de se valorizar o suficiente pra se desvencilhar de falácias e má informação. Teve que estudar História, Política e se empenhar na sua própria compreensão, descobrindo os motivos que o faziam ter falta de empatia e uma conduta e/ou pensamento simplista demais para os problemas do mundo. Tal rapaz discursava em seu depoimento de arrependimento como um pedido de ‘mea culpa‘, se retratando sobre o seu passado e explicando o erro cometido que culminou na atual mudança de postura.

É bonito ver que uma pessoa, sozinha, por assim dizer, apenas com a ajuda de sua própria curiosidade e força de vontade, conseguiu refletir sobre si mesmo, seus erros, a causa de seus pensamentos equivocados, seus transtornos, seus medos, suas inseguranças e seus preconceitos sobre o mundo. Munido de informações sobre si mesmo, ele percebeu que o melhor caminho era munir-se também de informações aprofundadas sobre o mundo. Eis que nasce alguém novo, disposto a aprender ao invés de replicar bordões e ilusões. Eis que nasce alguém questionador que pensa sozinho e não depende de ninguém ditando o que ele precisa fazer ou pensar. Eis que surge alguém que realmente tem potencial de transformar o mundo.

Observando esse caso isolado de transformação, logo podemos notar que as mudanças são possíveis, mas depende de um esforço sincero. Quando você busca a liberdade de entender mais daquilo que não conhecia, você transforma preconceitos em conhecimentos, ilusões em dados realistas. O inverso disso, sendo a estagnação pura ou o retrocesso, aniquila o potencial humano de se lapidar, de melhorar, de progredir, de evoluir, de adquirir conhecimento e de quebrar os preconceitos. O Brasil chegou num estágio de sufocamento social onde corremos o risco de tristes novos desmembramentos dos fatos que ocorreram, principalmente, de 2014 pra frente. Durante estes anos recentes, o Brasil se viu em uma guerra de corrupção imensa, onde até os que deveriam ser responsáveis pelas prisões, figuraram em crimes de corrupção e prisão (vide o caso do apelidado ‘Japonês da Federal’, pra citar apenas um das centenas de envolvidos). Cruzamos por um processo fraudulento de Impeachment, com votos comprados entre os políticos, recoberto com a certeza de que a corrupção continuaria ainda mais vigorosa, apesar da ‘Operação Lava Jato’. Áudios vazados mencionavam que a corrupção só conseguiria seguir adiante se houvesse “um acordo com o Judiciário, com tudo.”. De lá pra cá, nunca se viu tanta parcialidade, hipocrisia, corrupção e banalização da vida. Viciados em corrupção e dinheiro, os políticos aproveitaram o caso generalizado pra agir ainda mais, já que era tanta confusão, que ninguém teria tempo pra discernir todas as falcatruas que estavam ocorrendo em paralelo.

Enquanto o brasileiro assistia entusiasmado pelas cenas dos próximos capítulos nas sagas diárias dos telejornais ou dos sites de notícias na Internet, os políticos riam em dobro, matando delatores, juiz e até mesmo o delegado que investigava a morte deste juiz. Em uma sucessão de crimes pra queima de arquivo, o recado foi dado: após o aval dos corruptos na Justiça e na Política, todos estariam segurando seus ossos de forma incondicional, tivesse ou não que matar alguns pra isso. Com o juiz, Sérgio Mouro, o mesmo que recebe ilicitamente salário acima do teto permitido por lei, diversos casos convenientemente foram ignorados por ele. Em se tratando de seletividade e hipocrisia, esse parece ganhar de muitos outros. Abraçou de forma notória o partidarismo e fez todo o possível pra inventar um cenário que corroborasse com a teoria que ele e sua turma escolheram pra pintar a caveira de certas figuras políticas. Tanto fez e tanto recebeu respaldo da mídia, que conseguiu não só forjar a condenação de Lula, como mobilizar um mar de incautos a expandir a semente do ódio que nutriam pelo PT.

Tais pessoas, enviesadas pela ideia de que o Partido dos Trabalhadores (PT) representava automaticamente uma ideia ou consenso abraçado por todos os políticos que ali estavam inscritos, formaram um grande número de brasileiros que não tinham disposição de aprender ou discutir verdadeiramente os assuntos políticos, criaram um muro de ignorância, exatamente ao sentido real de ignorar algo. Ignoraram fatos, ignoraram a manipulação política que sofreram, ignoraram as pendências internas de si mesmos, ignoraram as falácias cometidas, o ódio pregado e até mesmo as ‘fake news’ criadas e compartilhadas massivamente pela internet e até mesmo pelas mídias ditas ‘convencionais’. O brasileiro aprendeu de forma completamente distorcida e limitada, que bastava ter ódio à um monstro imaginário e tudo ficaria bem. Foi exatamente esse cenário desastroso de desafeto pelo estudo e reflexão da política que cultivou uma plateia sedenta por manipulação, por discursos de ódio compatíveis, por uma plantação ostensiva de falácias e conceitos pré-fabricados que levasse o eleitor a ficar tão indignado com o cenário desenhado por alguns ao ponto de começaram a achar válido ideias descabidas como, por exemplo, dar voz, poder e espaço pra figuras completamente despreparadas e mal intencionadas como a do candidato à presidência de 2018, Jair Bolsonaro.

Mas, engana-se novamente, quem pensa que esse espaço nasceu simplesmente da repetição sistemática dos discursos de ódio contra os governos anteriores. Esta repetição foi, se muito, apenas o embrulho de um contexto prévio muito maior que estava sendo gestado no brasileiro. Descobrimos em 2018 um abismo aparentemente sem precedentes, composto de um número grande de pessoas abertamente cegas sobre valores e dignidade humana, adeptas de um discurso aberto de xenofobia, racismo, machismo, homofobia, ódio de classes e uma alusão fictícia e pré-fabricada de um suposto combate aos regimes totalitários comunistas. Muito se nota disso, quando se percebe que essas pessoas desconhecem até mesmo que Comunismo nunca se resumiu aos citados regimes totalitários que visualizamos na União Soviética ou em outros exemplos similares. As pessoas que apontam ódio ao Comunismo, tentam, em vão, alçar do fundo da História um cenário que não tem nenhuma conexão com os ideais abraçados pela diversificada esquerda no Brasil e em vários povos do mundo. Independente de qual seja seu posicionamento ideológico, é um poço de ignorância acreditar que é suficiente pautar seus discursos e pensamentos em algo que você simplesmente desconhece e, mais do que isso, replica um discurso se posicionando ardorosamente sobre, sem nem mesmo poder ter coerência ou respaldo de fatos. E quem sai perdendo com isso, além de você mesmo, são todos os demais na sociedade que vão ter que mastigar as consequências da falta de informação, das mentiras e preconceitos plantados, do ódio gerado e, claro, da manipulação ainda mais feroz dos corruptos e sedentos por poder, em cima, justamente, desses que nada sabem sobre aquilo que os está explorando e manipulando no campo da política (pra dizer o mínimo).

Perceba que é natural e sensato as pessoas terem pensamentos diversos, desde que estejam sempre almejando conhecer ao invés de reduzir preconceituosamente uma suposta oposição que desconhecem. Na vida política, em espaços democráticos, por exemplo, vê-se algo em comum com modelos de diferentes vertentes políticas, que é justamente a concordância em se fazer uso dos mecanismos políticos em comum pra preservar, antes de tudo, o direito de todos terem espaço possível na política, restringindo, paralelamente e automaticamente, as opções que derrubam e ameaçam a democracia, como é o caso do fascismo. Por essa simples razão, vertentes ideológicas até mesmo fora do campo da democracia, ainda encontram sintonia com os democratas, no sentido de manterem, pelo menos, o antifascismo como requisito. Não tarda muito pra que as pessoas olhem estas informações apontadas e fiquem assustadas ou receosas sobre o que isso possa significar. Tantas e tantas vezes já se foi feito o discurso depreciativo sobre a auto-gerência ou o Anarquismo, que as pessoas já se esqueceram de que é exatamente nestes modelos que você tem liberdade e autonomia, inclusive pra pensar por conta própria. Ser livre exige muita responsabilidade e, se você recusa ou minimiza o valor de uma ideia que prega justamente a liberdade, você está minando a sua própria liberdade e sua própria coerência. Ao se pautar pelo cerceamento do seu próprio pensamento, você está admitindo um encurtamento de seus potenciais de reflexão, de decisão de sua própria vida e da sua capacidade em ser quem você realmente quer ser.

E onde quero chegar com isso? Gostaria, se possível, conduzir os passos desse texto até o ponto em que você possa perceber que, ter se prestado ao papel sórdido de marionete não fará ninguém ser realmente alguém com potencial de transformar sua própria vida em algo melhor, incluindo nisso, claro, a transformação do seu país. Aqueles que verdadeiramente querem ver uma solução para os problemas do país, precisam, antes de tudo, estarem munidos da autonomia necessária pra pensarem sozinhos, por conta própria, sem apoio de muletas oportunamente criada por manipuladores que vão sugar sua moral, sua índole, seu dinheiro, sua força, seu poder de discernimento, sua educação, sua empatia, seu senso de percepção sobre a aproximação de problemas e até mesmo sobre a percepção do grau dos problemas ao redor. Não seja essa pessoa que cresce sendo levado pelas ideias de qualquer um, espumando seu ódio em discursos rasos que não podem sequer ter comprovação ou respaldo da realidade. Não seja a pessoa que passa vergonha desnecessária na internet e nas conversas de mesa, tentando ensinar a História que nem mesmo você teve paciência de estudar. Faça como o citado sujeito do depoimento que teve a grandeza de rever seus equívocos e começou a estudar política com seriedade, justamente por não aceitar continuar na cegueira, na manipulação, no prejuízo causado pela corrupção dos políticos e nas mentiras e iniciativas nefastas criadas por aqueles que exploram sua mente, seu trabalho, sua família, sua esperança, sua dignidade, sua individualidade e seu valor como ser humano.

Nos próximos momentos, chegaremos ao 2º Turno das Eleições 2018, onde as pessoas precisarão deixar um pouco mais claro aquilo que elas não aceitam pro futuro de si mesmas. Infelizmente, em um cenário como o atual, não tenho como ficar feliz em descrever ou apontar as opções, justamente porque sei que temos opções rivalizadas demais pra conseguir flexibilizar. De um lado temos o que deveria ser inaceitável: um candidato que representa os absurdos do fascismo, com apoio aberto ao horror da Ditadura, tendo como discurso, a homenagem à torturadores, o preconceito violento contra negros, gays, mulheres, índios e minorias em geral. Fosse este qualquer outro candidato de direita concorrendo às eleições, não teria erguido em grande parte da população (não só do Brasil) um repúdio automático expresso em manifestações ao redor do mundo. Você pode achar que essa rejeição é mais um plano mirabolante conspirado por um político opositor, um partido ou um grupo de viés ideológico, mas engana-se duas vezes. E é por não se permitir compreender a fundo quem são as pessoas que expressaram claramente a não aceitação do fascismo como opção política, que você acaba manipulado mais uma vez pelo seu próprio opressor. Ainda que você simpatize ou solidarize com algumas das supostas ideias pregadas ou discursadas por Bolsonaro, precisa, antes de tudo, entender o que te levou a esse desespero que te jogou à um equívoco na interpretação da realidade, no aprendizado sobre fatos históricos, no que é benéfico ou eficiente pra transformação da corrupção do país ou até mesmo no que é útil pra aproximação da sua ideologia na vida até você. Se hoje você pode pensar com liberdade sobre todas essas questões, é porque livros não foram queimados, rasgados ou confiscados, ideias na internet, no rádio e em outras tantas mídias, não foram censuradas, espetáculos de música ou teatro não estão controlados, etc.

Uma figura tão polarizada como a deste candidato do PSL, ao lado de outra figura que tem sido vista como um mascote do Partido dos Trabalhadores (PT), fez com que os ânimos ficassem aflorados. O Brasil conseguiu cair em um contexto de anti-PT muito grande, onde até mesmo a figura de um ex-prefeito que cumpriu resultados na sua gestão, tem sido visto com maus olhos por muitos que aderiram aquela ideia fácil de seguir o vento dos discursos de ódio que pressionaram os últimos presidentes do Brasil. Esse tipo de polarização impensada, coloca na balança figuras com pesos completamente diferentes. Você pode até mesmo não achar ideal o potencial do candidato do PT à presidência e suas propostas de governo, mas o que você não pode negar é que, entre as opções que restaram, ele é o único que pode lhe assegurar a continuidade da sua própria liberdade de escolher próximos candidatos em próximas eleições. Feliz ou infelizmente, em 2018 passamos por eleições atípicas neste primeiro turno e seguirá sendo uma eleição atípica no segundo turno. Diferente de outros anos de eleição, o atual momento nos colocou pra escolher algo muito além do que planos de governo ou até mesmo de ideologia partidária. Estamos diante de um cenário que pode comprometer gravemente a democracia, extirpando ela à força ou maquiado de meios “legais”. Um candidato que não reconhece a legalidade e a democracia, que acredita que pode resolver problemas da grandeza do país por meio da violência, não é só uma pessoa violenta e sem empatia, mas alguém que desconhece sobre como as coisas realmente funcionam. O Brasil já vive um caos generalizado desde a colonização e tudo tem se agravado dia após dia, por falta de investimentos suficientes nas áreas que realmente importam. Negligenciar a base e a causa dos problemas não vai resolver os problemas existentes, vai ampliá-los e ainda trazer novos problemas. Esse é o perigo que muita gente notou e quis distância de forma incondicional.

Você tem nas mãos a oportunidade de tolerar um governo que não aprecia tanto, mas que será tua opção possível na democracia, pra rejeitar o fascismo embutido na única figura que restou como concorrente deste. Infelizmente, quando o mundo fica polarizado, as pessoas ficam apenas com duas opções e isso é desastroso. Queira pra si, sempre, ter todas as opções possíveis e imagináveis. Isso é liberdade, isso é, até mesmo, ser liberal e ter a possibilidade de definir e discutir ideias. Lembre-se que, por mais que você pense pelo ódio, quando você, eventualmente, descobrir que se arrependeu, talvez não encontrará mais as portas abertas pra sair de onde você nunca quis ter entrado. Pense nisso e lembre-se que eu dediquei meu tempo escrevendo tudo isso, justamente porque nenhum dos dois candidatos que figuram no 2º Turno, são alinhados com os meus valores e ideais, mas, certamente, entre estes dois há um deles em que escolho tolerar e esperar pelas próximas Eleições e o outro eu não concordo de maneira nenhuma em ter que engolir, sem opção, fruto de um eleitorado manipulado que venceu pelo ódio e não pelas ideias, pela disseminação das ‘fake news’ que rodeiam a internet há muito mais tempo do que a candidatura de ambos. Eu escrevi esse imenso texto, por me opor sistematicamente ao fascismo e à qualquer porta aberta para tal. Escrevi, porque acredito que boas ideias e ações honestas valem mais do que corrupção e violência. E, finalmente, escrevi tudo isso, porque estudei, porque me permiti pensar sozinho e porque não aceito nada menos que a minha liberdade. Almejo continuar, vivo, respeitado, com espaço para pensar, escrever, refletir, discutir, mudar, evoluir, construir o que possa ser melhor não só pra mim, mas também pra você. Se a sua estrela não brilha, por favor, não tente apagar a minha. Eu prefiro me dispor a ajudar a fazer a sua estrela brilhar também. Liberdade é onde todos tem a oportunidade de vencer, horizontalmente. Opressão é onde um “vence” os demais verticalmente.

Rodrigo Meyer – Author

Você é vítima de click bait?

Click bait é o termo em inglês para “isca de clique”. Como o nome sugere, é exatamente uma armadilha para tentar conseguir um clique do usuário na internet. Embora este termo e contexto específico seja algo próprio da internet, a essência por trás disso é antiquíssima em todo tipo de mídia, comércio e afins.

O que está por trás do click bait é a a ideia de que você precisa atrair pessoas para um “conteúdo” por meio de recursos artificiais que sejam apelativos a curiosidade ou ao impulso pouco controlado das pessoas. Isso ocorre com facilidade quando o público em questão é idiotizado o suficiente pra não ter esse filtro ou controle sobre si mesmo diante do que lhe é apresentado.

As formas mais comuns de click bait são: títulos sensacionalistas, títulos falsos, títulos dúbios, títulos de teor sexual, títulos agressivos, títulos contendo nome de personalidades como principal e/ou único recurso, além de imagens com expressões faciais exageradas, montagens sensacionalistas, etc.

A mesmíssima coisa pode ser vista em mídias impressas, televisões, comerciais, trailers de filmes do cinema ou até mesmo nos anúncios em voz ou texto dos supermercados. Contudo, a internet conseguiu massificar essa conduta, em razão do acesso instantâneo a milhares de usuários com uma única publicação, piorando, ainda mais, por conta da opção de compartilhamento e do hankeamento automático desses conteúdos em plataformas como Youtube e Facebook. A medida em que usuários incautos e pouco instruídos escolhem consumir esse material, as redes sociais interpretam essa crescente demanda por aquilo e dão visibilidade extra para o conteúdo, gerando um efeito bola de neve. É basicamente isso que fez uma horda de inúteis ganharem milhões às custas da ignorância alheia, fabricando entulho, não acrescentando absolutamente nada de útil e monetizando não só a si mesmos, como a própria plataforma junto com inúmeros outros anunciantes que vivem de empurrar anúncios e produtos para a massa.

Muita gente tem vergonha em admitir que usa do click bait em suas mídias, porque estão cientes de que as pessoas começam a se conscientizar do fenômeno que, por si só, é uma forma indigna de explorar a fragilidade alheia. Em um mundo onde muita gente não tem discernimento, cultura, educação e estrutura psicológica o suficiente pra saber desviar e recusar esse tipo de prática oportunista, é, no mínimo, um desserviço à sociedade e ao progresso da população. Mas, obstinados por lucro a qualquer custo, com pouca ou nenhuma ética, aceitam se dobrar a muitas práticas para chegar ao tão sonhado dinheiro.

Tão ruim quanto praticar o click bait ou ser vítima dele, é ter a tal Síndrome de Estocolmo que torna tais vítimas em defensoras dos próprios opressores, no caso, os criadores de “conteúdo”. Uma vez que se tornam cegas, viram uma massa de manobra vazia, moribunda e com uma mesma personalidade distorcida e mal constituída, moldada sobre preceitos pouco ou nada determinados, quase sempre seguindo a ilógica “lógica” do “porque sim”. Sem autonomia de pensamento e um fanatismo declarado, tornam-se os idiotas perfeitos para cumprir o papel de massa que faz esse enorme mecanismo funcionar. Enquanto alguns raros se tornam milionários, todo o restante da população, segue na mesma condição precária ou até pior. Gastam seu tempo nutrindo a vida alheia, ao invés da própria, pois, lhes parece muito mais interessante a fantasia fabricada nas mídias do que a própria realidade sórdida.

O mesmo conceito por trás disso é o que fomenta pessoas dispostas a ler tabloides ou revistas / sites de fofocas. Há uma frase que diz:

“Idiotas discutem sobre pessoas, inteligentes discutem sobre ideias.”

Além desse mecanismo psicológico onde o indivíduo prefere observar a vida alheia para desviar o foco da própria vida / realidade, existe também outro fator por trás dessas práticas. Quando o ser humano se torna adoentado em sua sensibilidade, empatia e bons valores, facilmente começa a apreciar o caos, como uma espécie de vingança pelos próprios dissabores vividos. É uma forma de vivenciar, através de cenas e ocorrências, uma tentativa (mesmo que falha) de esvaziar tais frustrações dentro de si. É o caso, por exemplo, quando uma pessoa foi alvo de um assalto e, por não ter lidado bem com o ocorrido, passa a ver prazer em toda cena em que um assaltante é mostrado em situação degradante ou de desproporcional violência. É um tipo de sadismo desenvolvido que dá espaço, por exemplo, pra um consumo fácil de toda e qualquer mídia que se anuncie com extremismos na imagem ou título. A armadilha está feita e os adoentados tem ingresso vip pra digerir as farpas e as toxinas dessa isca que os matará.

É evidente que o click bait não é apenas ruim pelo ato de enganar as pessoas para verter fluxo de visualizações nas mídias, mas também é um terrível dano pela ausência de conteúdo relevante ou saudável. É uma maneira garantida de encaminhar uma massa de gente para um abatedouro mental que, por vezes, repercute também na saúde física. Um lifestyle baseado nisso não resulta em um raciocínio melhor, nem em uma formação de visão apropriada sobre a vida, o mundo, as questões sociais, a própria realidade pessoal e muito menos sobre as próprias mídias. Tudo isso encaminha as pessoas para um modelo clássico de sobrevivência, mas não de vida em si. É um ato de desperdício do tempo, da saúde, do dinheiro, do potencial intelectual e de tudo que estiver, direta ou indiretamente, relacionado com os hábitos de vida em sociedade.

Em última análises, se arrastar por esse modelo de absorção de “conteúdo” é a maneira garantida de não absorver nenhum conteúdo real e ainda ser subjugado como cidadão de segunda classe, em diversos sentidos. Toda e qualquer história de sucesso que você pinçar sobre superação, aprimoramento e reposicionamento diante da sociedade, passa, necessariamente, por essa transformação de dentro pra fora. Exemplos ótimos da cultura do rap nacional, especialmente advindo das favelas e periferias, ensinam a importância de se discutir a sociedade, o sistema, as mídias, as condições da própria população, de cada indivíduo, etc. É este preparo que dá suporte para transformações a favor da própria população, pois se depender dos envenenados pelo preconceito de classes, pelo racismo, pelo fascismo e pelos corruptos, você não terá suporte nenhum, exceto se for pra piorar ainda mais.

Viver em uma sociedade que, basicamente, é composta por gente que odeia uma às outras, tratam-se como mercadorias, vítimas ou pontes, requer ter discernimento suficiente pra não tropeçar nesse lamaçal. Se você não ajudar a si mesmo, você já decretou seu fracasso. As mídias não vão te ajudar e quem te explora pra lucrar às tuas custas quer mais é que você continue ignorante, passivo e fanático. Um idiota constante é o maior aliado na perpetuação do sistema de exploração, pois não só ele é explorado, como também espalha como positiva a ideia da exploração para o resto do mundo. ‘Síndrome de Estocolmo’ é um termo que não vai sair da internet tão cedo, especialmente porque mesmo diante de tanta demonstração explícita dos problemas, as pessoas ainda conseguem tornar cada ano pior que o outro. Se você achou que 2015 foi um ano enojante, certamente repensou isso com a chegada de 2016 e ficou abismado em saber que tinha como surgir ocorrências como as de 2017, o que, certamente, não foi nem um átomo perto da galáxia de fezes que chegou em 2018 (e estamos apenas no terceiro mês). Espere o pior pra 2019, mas, mesmo assim, lembre-se que a culpa de tudo isso é a permissividade de um povo manipulado e sem nenhuma autonomia de pensamento e ação. São marionetes aguardando as cenas dos próximos capítulos, sejam lá quais forem.

Enquanto você se delicia assistindo pessoas defecando, transando e comendo, seja na internet, na televisão, nas mídias impressas ou na vida real, uma meia dúzia de gente está rindo tanto da sua cara, que é possível que à essa hora um ou dois deles já tenha até infartado durante a crise de riso. A melhor arma para o combate dos erros do mundo é a inteligência. Guarde seu tempo, sua saúde, sua atenção e seu dinheiro para coisas que possam lhe fazer alguém melhor e mais preparado pra sair da condição em que está. Pode ser cansativo ou até desencorajador no começo, mas você vai descobrir que, uma vez que dá esse passo com sinceridade, pessoas que você nem imaginava começam a se aproximar de você para investir no seu potencial e dividir apoio. As portas começam a se abrir e você verá como uma realidade ruim tem sempre o outro lado da moeda.

Rodrigo Meyer

A morte da Vereadora Marielle Franco.

O Ministério dos Fatos adverte: Esse texto pode fazer gente que veste a carapuça ficar nervosinha. Ao primeiro sinal dos sintomas, busque ajuda psiquiátrica.

Marielle Franco, vereadora do PSOL-RJ foi executada no dia 14 de Março de 2018, por volta das 21h30. O motivo, como se pode deduzir facilmente pelo cruzamento das notícias é simplesmente ter sido honesta. Sabemos, honestidade nesse mundo não é tolerada.

No dia 28 de Fevereiro de 2018, Marielle Franco foi nomeada relatora da comissão que iria acompanhar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro, pra assegurar que não houvesse abusos, extermínios e outros crimes por parte da quadrilha fardada.

Logo depois, em 10 de Março de 2018, Marielle denuncia a violência “policial” em Acari. E por fim, em 14 de Março de 2018, ela é executada depois de sair de um evento. A criminalidade da quadrilha fardada já está tão arraigada no Brasil e em vários países do mundo, que neste episódio de execução, os executores não tentaram sequer maquiar a situação. E isso você pode notar ao comparar dois trechos desta notícia da mídia suja do G1 da suja Globo, os quais transcreverei abaixo:

No sábado (10), Marielle fez uma postagem no Twitter reclamando da ação dos PMs em Acari: “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu ela.

Na reportagem alguém deve ter enfiado um sorvete na testa ao afirmar estes dois próxima parágrafos contraditórios:

Parágrafo 1: “fontes da polícia dizem que todos os indícios, até o momento, indicam que o crime se trata de um assalto.”

Parágrafo 2: “Segundo as primeiras informações da PM, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Eles fugiram sem levar nada. “

Ou a “polícia” é muito burra ou é conivente com a execução. O que não impede que sejam as duas coisas. É o primeiro caso de assalto mágico onde não há assalto. Deve ser um tipo muito especial de alucinação. Mas, não. Tendo um pouco de uso da massa cefálica (o que falta a todos os fascistas), se nota que tem todas as características de um acobertamento de um crime, como sempre ocorreu aos montes, não só no Brasil como em diversos países do mundo.

Se foi retaliação por ela dizer verdades contra bandidos fardados? Precisa mesmo responder o que todo mundo tá cansado de ver e saber? A quadrilha fardada mata todo dia, por pura preguiça e falta de coragem de virar gente. A propósito, as balas  disparadas estavam registradas em nome da polícia. Entendeu ou quer que desenha?

Se ainda estiver com dificuldade de entender, eu te explico. Quando foi proposta essa intervenção no Rio de Janeiro, o “General” Vila Boas disse a seguinte frase:

“Militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”.

Se você ainda é novo do lado de fora da bolha, eu presto essa ajuda e te explico. A chamada “Comissão da Verdade” foi uma Comissão prestada depois do período da Ditadura brasileira, onde se apurava os crimes cometidos por essa corja de fascistas que tomaram o poder. Nos tempos atuais, com essa intervenção no Rio de Janeiro, a alusão à “Comissão da Verdade” é um modo de dizer que, querem continuar cometendo crimes, mas sem serem investigados e penalizados por isso. Vou resumir melhor pra você. É como se alguém dissesse: “Me deixa estuprar, torturar, matar, executar, esconder corpo na vala e disseminar nazismo, mas por favor, não me investiga não. Eu não quero ser exposto como o maior fracasso da humanidade, que não teve coragem de prestar uma única vez na vida.”

Entendido isso, voltemos ao todo do caso, da morte da vereadora Marielle Franco. Essa execução reflete uma condição que se espalhou feito câncer no país. Sabe quando você comeu cocô e foi pras ruas se masturbar na frente de militares? Então, isso empoderou esses bandidos a sentirem respaldo em seus crimes. Não que antes eles não cometessem, mas agora, sentem-se tão livres pra cometer, que já nem se preocupam mais em esconder isso da mídia. Na verdade eles querem mesmo é deixar claro que estão fazendo e continuarão a fazer, simplesmente porque são fascistas declarados, bandidos e, majoritariamente, nazistas.

Cada vez que você se lambe de tesão ao se roçar na tela do computador ou da televisão assistindo projeto de gente se anunciando com polêmicas em torno da violência, discursos de ódio, ódio de classes e todo tipo de circo, você está endossando o crime. Não temos nenhuma dúvida de que você sabe que faz isso. Nossa certeza maior é justamente de que faz porque sabe. Seu apreço pelo crime, corrupção e violência estão profundamente marcados em sua expressão diária, quando você exerce seu racismo, enaltece a violência e julga as pessoas como bandido, apenas pra desviar o dedo dos verdadeiros bandidos, aqueles, vestindo aquela farda imunda, com uma energia pútrida de carnificina, rancor, ódio, analfabetismo, xenofobia, racismo, machismo, psicopatia e um mar de outras coisas que embrulham o estômago de qualquer pessoa saudável.

O sonho de muita gente da classe média, é ver negro e pobre sendo exterminados. E pra tentar se esconder depois de um pensamento imundo desse, tenta enganar os trouxas plantando falácias e manipulações nas mídias, especialmente nas redes sociais, mostrando fotos isoladas de um ou outro morador que, já acostumado com aquele nojo da presença dos militares, segue a vida inexpressivo, de tão cansado ou, então, de uma ou duas crianças que pulam rindo em uma foto, não porque estão em acordo com o genocídio intencionado naquela área, mas porque, provavelmente, nada refletem sobre o dano que está por vir. Por muito menos, negros da periferia e da favela, são também executados por motivo nenhum, desde que algum bandido fardado tenha interesse de fazer isso, apenas colocando uma arma plantada na cena do crime, pra alegar que houve troca de tiros, mesmo quando as câmeras os flagram plantando a arma, sem tiroteio algum.

Mas, pra você que tem fetiche por bandido, especialmente os mais periculosos, e que tem ojeriza a gente honesta, eu te trago uma solução: Vá junto com os bandidos fardados a todos os eventos que eles frequentam, inclusive no estupro de moradores, na execução aleatória de pessoas por “esporte”, nas reuniões de nazismo e também nos encontros nefastos com seus próprios parentes. Vocês já possuem grandes afinidades. Agora só falta perder a covardia diante da realidade e ir encarar um dia de crimes ao lado dessa quadrilha. Muito puxado pra você? Tá mais confortável vomitar ódio só nas passeatas corruptas filmadas ao vivo pela corrupta Rede Globo, onde a quadrilha se segura pra tentar não cometer nenhum crime diante das câmeras ao vivo da emissora que apoiou abertamente a ditadura no Brasil? Poxa. Compreensível. Eu também não esperava mais de você. Eu nunca espero boa coisa de gente que tá degradada a ponto de ter fetiche sexual por bandido de alta periculosidade. Mas a boa notícia é que nos presídios ainda é permitido visitas. Então há sempre a possibilidade de se unirem, ainda mais se for presídio militar, onde é praticamente um hotel de cinco estrelas pra amontoar bandido que nem a própria corporação quis deixar pra fora (talvez pra evitar concorrência nos “negócios, se é que você me entende.).

A Economia do Brasil não caiu, ela despencou de uma altura incalculável, tal como um meteoro que veio de outra galáxia e caiu no buraco mais profundo da Terra. Desde a chegada do corrupto do Temer, diversas pessoas foram mortas quando tentavam fazer denúncias e investigações contra essa quadrilha de frouxos impotentes que se apoderou de Brasília. Temer, Cunha, Aécio e toda a corja em todos os setores, incluindo imbeciloides do Judiciário, estavam há uma infinidade de tempo mamando na corrupção através da política e foi tão somente por isso que honestos foram tirado do caminho. Você não pode se esquecer daquela conversa dos patifes onde a solução que eles propunham era “… um acordo com o Judiciário, com tudo.”. E fizeram.

Sabemos que o brasileiro médio não é politizado. A alienação é uma marca do brasileiro. A passividade e a conivência com a corrupção é imensa. Não se pode esperar que uma população que venera violência, opressão, sexismo e outros desvios de conduta como a própria corrupção, irão se engajar contra os demais que fazem isso nas empresas, na política e na polícia. Vão é se calar e chorar a miséria de país em que vivem. Quando você furta tv à cabo, quando você sonega imposto, quando você nota troco a mais e não devolve, quando você paga pra um criminoso te livrar das multas de trânsito junto ao Detran, quando você paga propina pra um bandido fardado liberar seu carro, quando você compra produtos roubados apenas porque é mais barato, você está sendo criminoso tanto quanto os demais, seja lá em que cargo estejam.

O problema nunca foi os diferentes valores financeiros da corrupção. Quem aceita roubar é ladrão igual. Não é coincidência, pois, que todos aqueles que discursaram a favor do Golpe (equivocadamente chamado de Impeachment), estavam envolvidos em corrupção. Entendeu ou quer que desenha? Posso desenhar, tenho habilidade com gráficos e ilustrações. O problema real está na base que constitui a população. Quem são as pessoas que estão sendo geradas e formadas nas famílias, nos grupos de amigo, nas escolas, nos espaços públicos, nas mídias, etc? Você já parou pra pensar na deformação do psicológico das pessoas? Vamos falar das causas do problema ou vamos ignorar tudo? Eu sempre escolhi falar da causa dos problemas e nunca ignorá-los, justamente porque não quero enxugar gelo. As pessoas não devem usar o racismo e o ódio que elas aprenderam e desenvolveram como pretexto pra suas “opiniões” e ações sociais, pois essa visão já está distorcida por um profundo desvio psicológico. Se cada indivíduo não reformar a si mesmo e virar gente, o país sempre será o bordel, o cassino e o campo de guerra do mundo. A maioria das pessoas lá fora, olham o Brasil como um banheiro aberto, onde se pode deixar 100 kg de fezes e sair. Também é o lugar onde muita gente vem pra estuprar crianças aliciadas para a prostituição destinada, majoritariamente, para estrangeiros. É também aqui que inúmeras pessoas sem índole chegam para se sentirem “em casa”, por pura afinidade com o que esse pedaço de terra (que nem de longe é país).

Enquanto vocês aplaudem a si mesmos como um exemplar da escória, o cronômetro corre e o tempo de vocês chega. O sonho de todo fraco e fascista é ver os honestos se tornarem minoria, nem que pra isso tenham que executá-los um a um, ou mesmo em massa. A pobreza e a miséria é uma dessas ferramentas de redução, a violência urbana em geral é outra, mas existem inúmeras mais. Somente uma pessoa que se odeia muito e é absurdamente covarde precisa reduzir um honesto pra se sentir finalmente acima de alguma coisa na vida, mesmo que seja por meio da matança. É o fraco, o frouxo, o acéfalo, o infeliz, que se entope de remédios pra acordar e dormir, que se joga atrás de muros pra almoçar por medo de lhe verem presente alí, vestindo farda de quadrilha, assim como a classe média e alta que tudo extorquem dos demais. Essa gente tem ojeriza a fazer esforço pra melhorar. São, basicamente, incapazes de buscar ajuda, simplesmente porque ficaram tão cegos com suas pseudo-ideologias plantadas, que não sabem como cortar as cordas da marionete que são.

Quando há uma ditadura declarada, a ação de combate a ela é mais fácil. Por isso, em pouco tempo os fascistas entenderam que a melhor forma de perpetuar a ditadura era se infiltrando na democracia. Desde o fim da ditadura no Brasil, estamos vivendo tempos de semi-democracia, pois na prática, ainda existe censura, execução, sequestro, estupro, tortura, violência, corrupção e poder nefasto aliado a quadrilha dos fardados. Enquanto o brasileiro não tomar vergonha na cara e se rebelar contra os crimes, vai viver em situações cada vez piores. Inúmeras pessoas, assim que tiveram a oportunidade, largaram esse bordel e foram viver em qualquer outro país de verdade. Não, Estados Unidos não é um deles. Falo de país, não de escritório de gerência do bordel que é o Brasil. Isso tenderá a aumentar. Porém, há alguns problemas nisso.

Justamente os que não podem sair do Brasil, são os pobres. O extermínio deles será a ação desejada quando tudo perder o rumo e as pessoas deixarem de lutar por mudanças. Quando a gente dá um passo pra frente e volta 300 passos, fica claro que não estamos sendo úteis na luta, não porque nossa iniciativa não é boa e bem estruturada, mas porque não se pode limpar um banheiro em um dia e minutos depois chegam os fascistas pra despejar 6 caminhões de fezes até vazar pelas portas e janelas. A matemática é simples: onde tem fascismo, não tem progresso. Ou se elimina os fascismo ou se convive com o retrocesso. A exemplo disso, a Alemanha fez um bom trabalho de reestruturação da população e da cultura, depois do trágico evento da Segunda Guerra Mundial. Simplesmente os alemães se sentiram tão envergonhados com o histórico de Nazismo associado ao país, que fizeram uma imensa ação de educação a partir das crianças mais pequenas, em escolas e famílias, além de iniciativas públicas diversas, incluindo museus sobre o Holocausto. Ações que remetam, de alguma forma, ao fascismo, por mais simples que sejam, incorrem em prisão. As crianças e as gerações posteriores, conseguiram plantar uma cultura de diversidade, de respeito e uma absoluta não aceitação de fascismo e racismo. Berlim, por exemplo, é considerada um pólo mundial de diversidade, onde as pessoas se sentem livres pra manifestar isso nas artes, nas subculturas, no seu jeito de ser, no seu lifestyle, no jeito de se vestir, etc. Não só em Berlim, mas praticamente todo canto da Alemanha, é possível encontrar pessoas tatuadas ocupando cargos diversos, sem sofrer nenhuma descriminação por isso. Não estou dizendo que seja o paraíso, mas certamente não é o lugar onde o fascismo tem vez.

Quando todos os demais países do mundo tiverem se emancipado, o Brasil ainda terá, pelo menos, mais 5 mil ou 10 mil anos pra chegar próximo deles. Espero, de coração, que minha previsão esteja errada, mas estando certo ou errado, de uma coisa eu sei: eu não estarei vivo pra saber o resultado. Quando eu morrer, certamente o Brasil continuará sendo uma ruína com um enorme neon dizendo “Bem vindo ao bordel mais barato e imundo do planeta. Não garantimos satisfação, mas por esse preço irrisório, você não tem direito de reclamar.”

Informações adicionais:

1. BBC Brasil: Tudo aponta pro envolvimento de bandidos fardados.

Assim como outras milícias pra calar quem denuncia bandido fardado, essa teria sido mais uma. As balas do crime pertencem a polícia.

2. Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, planta fake news.

Defecou pela boca ao inventar, por extrema má intenção, que Marielle não teria sido morta por retaliação da quadrilha fardada que ela denunciou, mas sim pelo Comando Vermelho, sugerindo que ela teria envolvimento. Nada pode ser mais imundo vindo de quem ocupa o cargo de Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Sim, os fascistas e corruptos estão principalmente nos cargos que lhes conferem poder. É assim que podem vomitar e rir da cara dos honestos que eles simplesmente odeiam.

3. Marcelo Adnet fala sobre quem tenta menosprezar ou ignorar o ocorrido.

Um tapa na cara de muita gente que só cita “outras mortes” quando é conveniente menosprezar uma em específico, exatamente esta única que lutou por todas as outras.

4. Vídeo da mídia ‘Quebrando o Tabu’ resume o ocorrido com uma reflexão.

O vídeo faz a comparação exata com a retaliação retratada no filme “Tropa de Elite” do cineasta José Padilha. Ele mesmo deixou o Brasil, quando, por conta da repercussão do filme, começou a ser perseguido e ameaçado de morte. Sabemos que a história sempre se repete. Honestidade pra quem é bandido fardado, nunca foi aceita.

5. Em Portugal, a Deputada Catarina Martins faz menção a execução de Marielle.

O fedor do fascismo no Brasil é sentido também em outros cantos do mundo. Portugal, apresenta menções sobre o ocorrido.

6. Nos Estados Unidos, o fascismo na execução de Marielle também é notado.

É ótimo ver que está tendo repercussão em todo canto. É triste ver que passamos vergonha em ser o país desse ocorrência. Enquanto uma pessoa foi executada por denunciar bandidos fardados, há gente até mesmo que expressa riso e deboche ao fato. Indignos de estar na Terra. Mas isso raramente saberão, porque possuem aversão de olhar pro póprio espelho com sinceridade.

7. Em ato de memória à Marielle Franco, um fascista surge. Veja o vídeo.

Dia 15 de Março de 2018, houve um ato em memória de Marielle Franco e contra o extermínio do povo negro. Ao final do ato, eis que surge um fascista com punho erguido, empurrando os manifestantes, falando palavras de ordem, querendo que ninguém encostasse nele. Ué? Ele quer respeito, mas não respeita os outros? Que cérebro fraco é esse que não desfaz essa contradição? Obviamente gerou revolta nos manifestantes e a resposta a isso você confere no vídeo da Arrow News, no link acima. Fascistas não passarão.

8. Tente não rir: Ministro Raul Jungmann sugere que a munição da Polícia Federal atrelada a morte de Marielle, foi furtada nos Correios em 2006 e 12 anos depois foi usada na execução.

Alegação absurda do Ministro foi rebatida pelos Correios. Além disso, por padrão, como os Correios são empresa pública, qualquer situação que envolva arma, munição, drogas e outros itens proibidos no tráfego postal dos Correios são encaminhadas à própria Polícia Federal. Agora resta saber se o eventual próprio criminoso vai se auto-investigar.

9. MBL – Movimento Bandido Livre, como é de se esperar de bandidos, propaga mentiras contra Marielle Franco.

No Brasil, a Direita, em geral, não tem ideologia alguma, exceto o banditismo. Enveredados pela corrupção, pela violência, pela difamação, pela incitação ao ódio, ao crime, ao racismo, ao machismo e ao ódio de classes, tentam arquitetar todo tipo de situação que favoreça à eles receber um pouco mais de dinheiro corrupto e manipulação das massas sem autonomia de pensamento, pra se fortalecerem como “líderes”.

10. Morte de Marielle repercute também na Argentina. Veja o vídeo.

Diferente das mídias brasileiras, o canal C5N da Argentina associou a morte da vereadora à intervenção federal no Rio de Janeiro e responsabilizou o desgoverno Temer.

11. Diante da morte de Marielle, deputados europeus pedem suspensão de negociação com o Mercosul.

A vergonha que o Brasil passa por atropelar questões óbvias em outras partes do mundo, causa mais retrocesso em todos os setores. Isso aqui nunca foi país. É só um bordel do pior tipo, do mais barato e sujo que existe.

12. Pra quem reclama “onde está o direito dos policiais”, vê se aprende alguma coisa com esse vídeo.

Gregório Duvivier explica, pra quem, em 2018, ainda não teve entendimento do óbvio, por pura preguiça ou por má fé mesmo. Dispenso, contudo, a divulgação de Karnal, até porque ou é ingênuo ou mal intencionado, uma vez que anuncia partidarismo escrachado como ação imparcial por parte de pseudo-juíz. No mais, o vídeo é muito útil.

13. Dono de site que amplificou notícias falsas sobre Marielle, admite ser um vendido para a ‘guerra política’.

E o que não falta é reacionário que tem ojeriza a estudar, compartilhando conteúdo falso por pura conveniência, só pra não ter que admitir a realidade pútrida da qual eles fazem parte e são um dos maiores responsáveis.

14. Testemunhas da execução de Marielle dão detalhes e dizem que bandidos fardados da PM as expulsaram do local ao invés de ouvir o testemunho.

15. Globo associa Flávio Bolsonaro ao assassinato de Marielle Franco.

16. Família Bolsonaro por trás do assassinato de Marielle Franco?

17. Flávio Bolsonaro foi o único deputado que votou contra conceder medalha Tirandentes a Marielle Franco.

“Nos anos de 2003 e 2004, o filho de Jair Bolsonaro (PSL) propôs homenagens ao ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e ao major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, presos na manhã desta terça-feira (22), suspeitos de integrar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora do PSol.”

18. Mãe de foragido suspeito da morte de Marielle Franco, trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro e foi citada pelo Coaf.

19. O elo entre Flávio Bolsonaro e a milícia investigada pela morte de Marielle.

20. Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete mãe e mulher de miliciano suspeito da morte de Marielle.

“A mãe do ex-capitão do Bope, que é amigo de Fabrício Queiroz, é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta do ex-assessor.”

21. PM e ex-PM são presos pelo assassinato de Marielle Franco.

“Sargento reformado da Polícia Miliar, Ronnie Lessa, teve a prisão preventiva decretada.”. Resta saber que foi o mandante do crime.

22. Quando houver mais links, publicaremos.


Rodrigo Meyer

Cansaço e comodismo são a mesma coisa?

A imagem que ilustra esse texto é parte da fotografia de autoria de Eslam Ashraf.

Será que há semelhanças entre cansaço e comodismo? Definitivamente não há, mas mesmo assim, por conveniência própria, muita gente gosta de chamar as pessoas cansadas de acomodadas. É apenas um jeito fácil de não ter que pensar no problema real pelo qual aquela pessoa passou a ponto de não estar conseguindo ser mais produtiva ou tão produtiva.

Nossa sociedade espera que sejamos ativos, principalmente pra dar conta das atividades básicas de trabalho e manutenção da vida. Muitas pessoas, infelizmente, perderam suas infâncias, quando tiveram que dar suporte a sua família, trabalhando em casa ou até mesmo fora de casa, pra aumentar um pouco que fosse a renda ou a alimentação. Muitas dessas crianças sem infância, tiveram que trocar a diversão pelo trabalho praticamente forçado, atuando desde jovens em serviços que até para adultos é pesado. Se uma pessoa percorre um histórico desse e em algum momento desenvolve depressão a ponto de não conseguir quebrar a rotina de dormir e acordar, um piano cai sobre suas costas pela opinião preconceituosa e opressiva das pessoas que chamam essa pessoa de ‘acomodada’. Pra piorar o quadro, se essa mesma pessoa tentasse ganhar credibilidade na sociedade, provavelmente não conseguiria, pois ficaria vista como alguém que não se esforça mais.

As pessoas fingem interesse em progresso social, estudo e trabalho, mas na verdade só estão destilando ódio contra as pessoas as quais elas nada sabem ou escolhem não saber. O preconceito de muitos força a visão a permanecer fechada, especialmente quando a realidade que poderia ser vista, evidencia a opressão e o opressor. Quando a realidade anuncia aos gritos os culpados de todo caos, dor e insucesso, as pessoas, acovardadas diante do fato de que não fizeram nada pra favorecer a sociedade, transferem essa culpa ao próprio oprimido, pra tentarem se isentar de qualquer responsabilidade. Não funciona, claro, e ficam irritadas e descontam essa irritação novamente aos seus oprimidos e a quem tenha exposto essa realidade.

As pessoas cansadas estão em toda parte. É a criança recolhendo latinhas de alumínio pra vender na reciclagem e tentar sobreviver, sem saber ao certo onde está sua infância; é o idoso abandonado pela família quando ele mais precisava de apoio; é a pessoa com a doença da depressão, sendo desacreditada na família, na escola, no trabalho, entre os amigos e na sociedade em geral, tentando simplesmente ficar vivo, mas sendo sabotado pelas químicas de seu cérebro; é a mulher que abandona o emprego e os estudos quando enfrenta a sensação de ruína em um estupro; é o desemprego anunciando portas fechadas na cara de pessoas dispostas a trabalhar e que passam meses sem opção alguma de dignidade, por vezes sem sequer conseguir manter-se limpo e com um currículo na mão pra suas próximas tentativas. Aqui eu poderia citar infinitos outros contextos onde as pessoas simplesmente podem se ver cansadas e, de forma nenhuma, acomodadas.

Acomodados, mesmo, são os que enxergam essas pessoas com maus olhos, que não param pra notar que elas chegaram em seus limites ou que simplesmente estão em condições que as impedem de fazer qualquer coisa sobre a situação em que estão. A sociedade sujeitou essas pessoas a uma inação ou a uma realidade tal, que somente a sociedade pode resolver e, claro, não quer resolver e não resolve. Acomodados são aqueles que evitam saber que é perfeitamente possível que todas as pessoas no planeta tenham farta comida, renda estável, estudo e uma atividade (profissional ou não) que contemple seu potencial, seus desejos ou objetivos. Acomodados são os que tem fortunas financeiras, privilégio na sociedade e mesmo assim escolhem não fazer bom uso disso com melhor aprendizado sobre si mesmo, sobre o mundo. São acomodados os que, apesar de terem um emprego e estarem plenamente bem de saúde física, fecham os olhos pra quem destoa dessa realidade. Aqui também são inúmeros os casos que poderíamos citar.

Somos uma sociedade hipócrita que enaltece os que fazem muito sem nenhum esforço ou barreira, chamando esses fracassados de líderes, exemplos, etc. Ao mesmo tempo, tornam insignificantes os que, apesar de imenso esforço, não conseguiram sair do buraco em que a própria sociedade os colocou. Se você jogar um peixe em um poço vazio, ele nunca vai sair do fundo, mas se o poço estiver cheio de água, a condição está favorável pra que um peixe ativo consiga permear todo o poço, como bem entender. O que nossa sociedade faz, usando ainda a metáfora do poço, é simplesmente construir um poço e nunca enchê-lo de água. Dessa forma, quem está fora do poço se vangloria de não estar lá embaixo e acusa quem está lá embaixo de ser acomodado demais pra subir. São construtores e donos desses “poços” os banqueiros; os corruptos; os que receberam imensas terras gratuitas do Estado e repassaram essas vantagens aos seus familiares; os herdeiros de pais ricos que nunca trabalharam um dia sequer na vida, bancados por um estilo de vida fácil, onde podem viajar sempre ao exterior, viver de investimentos e negócios abertos por seus parentes, esperarando passivamente o lucro abusivo cair em suas contas bancárias e desperdiçando suas comidas enquanto ofendem a classe trabalhadora em suas pseudo-conversas de mesa. Esses são tremendamente acomodados.

Vencedores, mesmo, são aqueles que permanecem vivos e dignos, apesar da vida dura que levam; os deprimidos que escolhem dormir pra não se suicidarem; os que se recusam a vida criminosa ou antiética, mesmo não vendo nenhuma oportunidade honesta de trabalho; os que escolhem ficar sozinhos, do que se envolver em relacionamentos tóxicos; os que preferem não enganar o público em troca de lucro fácil ou maior; os que não abaixam a cabeça pra violência do Estado e das quadrilhas paramentadas, mesmo sabendo da realidade; os que escolhem ser úteis ao mundo, mesmo tendo plena certeza de que é o mundo que lhes deve utilidade. Outra vez, inúmeros casos se encaixariam aqui.

Se houvesse tempo e menos cansaço, poderíamos listar cada um dos chamados ‘cânceres sociais’ e desmascará-los um a um, nesse nefasto sistema que favorece somente ao desonestos e antiéticos. Não se pode esperar que uma sociedade construída pelos mal intencionados, venha a ser uma construção diferente deles mesmos. Tudo que fazem é encontrar uma brecha fácil e barata pra explorar friamente qualquer outra pessoa que não tenha tido o azar deles em ter nascido em uma família ou contexto social que os coloca como fracassados acomodados em oposição aos que tiveram que optar pela dignidade, trabalho e, infelizmente, pelo pouco retorno dessas decisões em um ambiente onde honestidade e trabalho não são bem valorizados por quem já detém o dinheiro fácil e em grande quantidade, exceto quando a “valorização” é simbólica e ficíticia, reforçando “quão bom” é se esforçar pelo lucro desproporcional da empresa ou do chefe enquanto se ganha um pouco mais de água ou uma cesta-básica adicional pra não se ver morto por fadiga no trabalho.

Enquanto as pessoas acreditarem que não conseguem subir no poço seco por culpa delas mesmas, estarão compactuando com pessoas fracas que riem dessa situação ao mesmo tempo em que olham com nojo e desprezo aos que almejam dignidade. Forma-se, então, uma pseudo-teoria de que existem duas classes de seres humanos. Somente países que fracassaram nos principais temas chegam a tal conclusão absurda. O erro prático acompanha o equívoco de pensamento. Um exemplo de como se pode ser assertivo foi a ideia sugerida pela Suíça, em 2016, conforme esta notícia, que pretendia estabelecer uma renda equivalente a R$ 9 mil reais a todo e qualquer cidadão (R$ 2.270 reais para crianças), sendo o trabalho facultativo, apesar da renda. A ideia partiria do princípio de que todos pudessem ter a mesma renda, sem levar em conta quaisquer outros fatores prévios de riqueza ou status, permitindo um estilo de vida digno a todos. Todo o sistema financeiro para este feito é autossustentável, pois tem como alicerce o chamado “dividendo digital”, que é, a grosso modo, o dinheiro extra que se consegue por trabalho automatizado não-humano (máquinas e robôs), depois de ter feito o pagamento a todos os cidadãos. E engana-se quem pensa que isso acomodaria as pessoas, pois segundo pesquisas feitas à época, a preferência das pessoas era de justamente continuar trabalhando. O motivo, claro, é que uma vez que as pessoas não precisassem mais se sujeitar a empregos que não gostam só pra ter a renda necessária, elas poderiam finalmente trabalhar com aquilo que realmente gostam e ainda seriam pagas pra ter essa liberdade. Essa ideia, embora pareça inovadora, já existe há, pelo menos, 500 anos.

Ideias como a da Suíça, libertariam as pessoas dessa dependência do trabalho e, assim, elas poderiam exercer seus potenciais além desse setor da vida. Nasceriam deste contexto, inúmeros novos autores, artistas, pesquisadores, famílias com mais tempo pra dedicarem a si mesmos, e quaisquer outros tipos que, de outra forma, teriam dificuldade em substituir o trabalho por renda pela atividade por prazer. É como diz aquela frase: “Só é utopia se ninguém fizer.”.

E como seguimos dizendo obviedades nesse mundo enquanto elas ainda forem necessárias, vou registrar esses dois trechos da matéria da BBC:

Produzimos três vezes mais do que conseguimos consumir (…), mas isso não está acessível a todos. A renda mínima é um direito nesse contexto. Por que não tornar a riqueza acessível a todos?“, questiona o porta-voz do movimento pela renda mínima, Che Wagner, em entrevista à BBC Brasil.

É útil promover uma sociedade em que as pessoas tenham a estabilidade para tentar coisas novas (…), é útil dar a liberdade para as pessoas serem criativas. Isso vai ajudar muito a Suíça se for adotado“, opina Che Wagner.

E agora? Quem são os acomodados? A capacidade humana de inventar foi o que lhe poupou esforço ao longo da História. A própria invenção das máquinas e robôs são exemplos clássicos e atuais de como o ser humano pode se isentar do cansaço, se usar a realidade de modo inteligente e a serviço do bem-estar geral. Contudo, essa realidade futurista que estamos sonhando desde a Era Industrial, nunca se estabeleceu corretamente na maioria dos lugares, simplesmente porque as pessoas que almejam status e diferenciação social por meio do dinheiro, do poder, do sobrenome ou do cargo, ainda se acomodam e se acovardam diante dessa ideia frágil que é tentar ser melhor que outro ser humano, mesmo não tendo razão consistente ou qualidade pra tal pretensão. Ironicamente, é exatamente em modelos como esse proposto pela Suíça, que é possível que o ser humano possa, finalmente, ter renda e bem-estar sem ter a obrigatoriedade de trabalhar. Embora seja isso que muitos ricos no Brasil e em outros países pelo mundo desejem, na ideia concebida pela Suíça, além de ser possível, seria dado a todos os cidadãos.

Sendo realista e honesto, se eu tivesse essa liberdade financeira, podendo, inclusive, ser bem menor em valor, eu já teria optado por fazer estritamente o que eu gosto, sem me preocupar se as contas estariam pagas. Essa realidade é possível até mesmo fora dessa ideia suíça, desde que as pessoas se engajem em um sistema de interação realmente fluído. Quando, por exemplo, uma pessoa recebe um dinheiro pra exercer uma determinada atividade, automaticamente ela fica munida de dinheiro pra consumir produtos e serviços de outra pessoa, fazendo as próximas pessoas ficarem munidas de dinheiro pra fazerem o mesmo a outras e outras, sucessivamente. O problema está justamente quando o sistema não é fluído e uma única pessoa despeja uma quantia absurda de dinheiro somente em pessoas, produtos ou empresa que, ao invés de reverter esse dinheiro de volta pro fluxo, retém esse dinheiro por pura megalomania, para estruturar um “império” ainda maior de captação desse recurso. Esse é o exemplo clássico do que vemos hoje na maioria do mundo, onde apenas 8 pessoas detém mais dinheiro do que a metade mais pobre do mundo. Exatamente porque essa conta não fecha é que algumas pessoas ficam de fora do fluxo sadio de dinheiro e enveredam pela pobreza ao invés da igualdade de oportunidades.

Um sistema que é falho e fracassado a ponto de não ter apoio nem da matemática simples, não pode ser tolerado pelas pessoas se elas quiserem ser dignas e inteligentes o suficiente pra experimentarem a realidade aos moldes do que a Suíça suscitou para nossa reflexão em 2016. Aliás, vale lembrar que de 2016 pra cá, o Brasil conseguiu o inimaginável: estragar o que estava bom e piorar mil vezes o que não estava, apenas porque fracassados acomodados na corrupção da Política não tiveram vontade de trabalhar um dia sequer na vida e, se recebessem dinheiro do Estado para trabalho facultativo, ainda sim seriam um câncer, pois recebendo salários altíssimos como os atuais da Política brasileira, nada trabalham e ainda ficam com sede de mais dinheiro pelo caminho da corrupção. Agora que você conhece quem são os vagabundos desse planeta, fortaleça-se junto aos teus semelhantes, junto aos que lutam por ideais dignos e coerentes e fomente o aprendizado, a consciência e a recusa a modelos desnecessários no mundo. Sua inação lhe cobrará um preço caro: a sua própria piora junto com a piora exponencial do coletivo social. Quando você perde, a sociedade toda perde. Somos peças de um quebra-cabeça maior. Se cada indivíduo não estiver conectado ao necessário, nunca se desfrutará da harmonia do quebra-cabeça finalizado.

Há vários meses atrás eu distribuí livros novos gratuitos e, acredite se quiser, alguns supostos leitores de um enorme grupo de leitura, se sentiram incomodados com a prática. Desacostumados eles mesmos com a ideia de doar e dividir, desacreditam nos que fazem isso. Se esquecem que é exatamente entre os que menos tem, que figuram os que mais sabem partilhar. Quem compreende a dureza da miséria ou da injustiça é aquele que provavelmente irá agir contra tais equívocos no mundo. Sempre e toda a vez que eu pude, eu dividi o que eu tinha junto aos que estavam ao meu redor. Não cabe aqui fazer propaganda, porque não fiz mais que a minha obrigação diante dos contextos. Quando tive mais, dividi mais, quando tive menos, dividi menos, mas nunca deixei de dividir. Até mesmo em situações onde passei fome e que nada poderia comprar com 5 ou 10 centavos, optei por doar esse dinheiro a algum mendigo, que sobrevive, justamente, graças a arrecadação fracionada no coletivo. Se tivéssemos uma noção mais clara e menos doentia do mundo, bastaria preferir riqueza ao invés de pobreza e todos nós, poderíamos desfrutar de um mesmo padrão confortável e digno de vida. Não veríamos mendigos, nem bilionários dando declarações esdrúxulas como esta infeliz, herdeira de um império de mineração, que nunca trabalhou na vida pra reter a fortuna que lhe é atribuída hoje e que, mesmo assim, acha que o ideal ao mundo é que qualquer coisa acima de R$ 4 reais por dia é um salário muito caro pra se pagar a um ser humano. Me pergunto, então, se ela viveria o mês com 20 x R$ 4 reais = R$ 80 reais.

Esse tipo de gente acomodada, fraca, doente e mal intencionada só ocupa essas posições distorcidas na sociedade enquanto os próprios membros da sociedade se descuidam do que é importante de conhecer, fomentar e agir. Sei que muitos estão cansado da situação opressiva do mundo, mas se não pode entrar ativamente nessa batalha de combate ao erro, espera-se que, pelo menos, não critiquem nem criem barreiras para os que estão tentando fazer essa luta ocorrer. Cedo ou tarde a idiotice despenca e quanto mais alta estiver, maior será o impacto e mais garantida será a morte.

Rodrigo Meyer