Redefina os padrões daquilo que não te agrada.

Estar vivo, dentro ou fora da sociedade já nos coloca em um cenário em que precisamos observar e reagir diante das coisas. Tudo que nos cerca e também o que nós mesmos somos, passa pela nossa crítica. Para muita coisa, nossa análise passa desapercebida, pois são rotineiras. Mas para outras coisas, focamos uma grande atenção, principalmente sobre o que nos desagrada.

No campo das pequenas coisas, podemos reagir em desprazer pelo excesso de luz, de calor, da chuva, do céu nublado, do cansaço ou preguiça de cumprir uma atividade mais produtiva no nosso dia, a insatisfação com uma roupa que desbotou, um tropeço na calçada, a falta de bateria suficiente no celular, uma caneta que falha quando precisamos escrever, o barulho inconveniente na rua e por aí vai. Esses são alguns exemplos de coisas que nos traz algum incômodo, mas pouco significativo. Poucas vezes reagimos de forma mais consistente pra planejar mudanças sobre esses cenários. Não é algo que nos demanda muita ação, nem que nos priva de viver o total da nossa vida em outras coisas maiores.

No campo das grandes coisas estão nossas críticas mais incisivas, mesmo que nem sempre coerentes ou justas. Nossa visão sobre as pessoas, sobre o mundo, sobre a sociedade, sobre a política, sobre as relações de trabalho, de ensino, de aprendizado. Estão neste grupo o nosso dinheiro, nossas relações emocionais, nossos medos, nossos traumas, nossas doenças, os vícios, os erros, os acertos, as superações, as conquistas dos nossos objetivos materiais ou de outros setores da vida, nossa segurança, nossa satisfação em estar vivo ou em contato com o mundo com ou sem socialização. Muita coisa é pesada em graus diferentes para cada pessoa, mas certamente esses são exemplos muito comuns de faces da realidade e do nosso ser, que observamos com um grau maior de atenção, mesmo que tenhamos a visão distorcida ou a incompreensão do que cada uma dessas coisas de fato é para nós ou como funcionam.

Por tudo isso, entre pequenas e grandes coisas, nós estamos sempre traçando críticas sobre os padrões. Podemos, por exemplo, estabelecer que um determinado modelo de trabalho é nocivo e que gostaríamos que fosse diferente. A crítica sozinha é só um pensamento ou uma expressão dele, mas pra que algo mude, requer alguma ação. Você pode começar a transformar tudo o que não gosta no mundo, por meio do seu próprio exemplo. Seja vocẽ a mudança que gostaria de encontrar pelo caminho. Um bom caso, fácil de lembrar, foi quando Linus Torvald, um programador, decidiu fazer algo que julgasse melhor do que o que havia de estabelecido em sistemas operacionais. Foi assim que nasceu o Linux, um kernel (uma espécie do miolo de um sistema operacional) que hoje é tão aplaudido pela qualidade e pelo viés open-source e gratuito do projeto, que é a opção da um imenso número de empresas e usuários domésticos pelo mundo todo. Ainda que empresas grandes como Microsoft, Apple, Google e outras, tenham alcançado um enorme mercado nessas temáticas, Linus Torvald agiu e criou aquilo que achava necessário ser criado. O importante não é o tamanho do seu sonho e nem o retorno massivo do seu projeto. Importa mais é que você esteja satisfeito em ter transformado uma face da realidade em algo melhor que atendesse aos seus padrões, às suas expectativas e necessidades.

Em qualquer setor da vida, devemos ter igual iniciativa, transformando o modo como fazemos arte, reestabelecendo o significado da arte, colocando nossos textos e opiniões à frente e ao lado de outros para gerar contraste e renovação, ter uma estratégia inovadora para lidar com nossas amizades, nosso círculo de trabalho, as redes sociais. Temos que conseguir olhar pra um livro mal escrito ou incompleto e conseguir propor uma versão, o seu acréscimo ou supressão. Transforme as coisas e estabeleça o seu nível de qualidade. É importante não se contentar fácil com uma comida sem sabor e ir atrás de temperá-la ou criar seu próprio prato. Quando ocupamos uma casa, personalizamos ela ao nosso gosto. É isso que faz dela o nosso lar. Nascemos nus e desajeitados, crescemos cercados de pessoas nos dizendo como ser, o que acreditar, o que vestir ou comer. E com o tempo, vamos criando pequenos atritos e insatisfações, à medida em que ganhamos identidade, autonomia e percepção sobre nós mesmos. Passamos a querer nossas próprias coisas, do nosso próprio jeito, para nossa própria satisfação.

Nosso corpo, nossas roupas, nossa casa, nossos espaços simbólicos na internet, nossas artes, nossas falas, nossos pensamentos, nossas análises e estudos sobre o mundo, nossas viagens, nossas amizades e tudo que se conecta, de alguma forma, em qualquer grau, conosco, está alí pra ser visto, filtrado e transformado ou recriado. Quando você chega por aqui e se depara com um texto, você não é obrigado a concordar com nada e é, inclusive, incentivado a fazer tua própria interpretação e a ser também um escritor. Seja autor da sua vida, seja o protagonista de sua história, sua mensagem, sua realidade. Crie o seu mundo e apresente seu mundo ao outros. Viver só faz sentido se você acredita muito naquilo que você é e faz. Do contrário, o mundo lhe parecerá um fardo, pois estará sempre tendo que se sujeitar ao que é alheio e não te agrada. O mundo se torna melhor, quando você experimenta ele da sua própria maneira. E pode ser que a sua maneira seja algo interessante pra mais gente também.

Se você pode, comece hoje a dançar, a cantar, a desenhar, a escrever, a caminhar, a aprender algo novo, a ensinar algo para o mundo. Converse da tua própria maneira, com as tuas manias, tuas gírias, teu tom de humor, teus temas preferidos ou até mesmo o silêncio, caso lhe agrade. O padrão de qualidade das coisas, não precisa ser algo que você espera sentado e torce pra dar certo. Você precisa, antes de tudo, torcer pra você mesmo dar certo. Os outros estão fazendo as coisas ao modo deles (ou talvez não) e você não precisa embarcar no modo de ninguém, se isso não contempla suas exigências. Eu, por exemplo, quando me cansei de ver a inundação de conteúdos que eu não acreditava nem valorizava, fui atrás de ser eu mesmo um criador de conteúdo. E quando fazemos isso em sinceridade, pode ter certeza que vai prosperar. As mensagens se espalham, porque elas tocam alguém em algo sutil, mas muito poderoso, que é a conexão interior com uma verdade, com um sentido, com algo subjetivo, com algo inconsciente. O valor de uma pintura, por exemplo, não está necessariamente na qualidade técnica, mas sim em coisas como o traço, a mensagem, o estilo, o seu jeito transparecendo numa série de obras, etc. Isso cativa pessoas por algo que é quase invisível ou pouco compreensível, mas acontece e é poderoso o suficiente pra agradar, pra envolver, pra motivar, pra gerar aceitação. É isso que faz algo ser novo e forte.

Desligue-se dos medos, da inação, da repetição, do ‘mais do mesmo’, das fraquezas, dos complexos, das inseguranças, dos vícios, das manias prejudiciais pra sua vida e comece a ser verbo. Comece a fazer as coisas, a ser, aprender, sentir, criar, ver, entender, transformar. Enfim, viva a sua vida. Você é um indivíduo e o seu modo de fazer as coisas é e sempre será único. Há espaço para infinita diversidade no Universo. As pessoas podem aplaudir e apoiar coisas diferentes simultaneamente, sem que nenhuma delas perca o valor que tem. O valor das coisas está embutido nelas pelo que elas são e não por nenhum tipo de comparação ou competição. Satisfaça-se, porque tua satisfação renova o sentido da sua vida, tira o peso e pode ser inspiração pra outras pessoas.

Rodrigo Meyer – Author

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O tempo que você não tem, lhe foi roubado.

O tempo, além dos ciclos naturais das estações do ano e o movimento dos astros, é também uma construção social. E dentro dessa construção social é comum de vermos as pessoas criarem construções derivadas desse modelo. O tempo é relativo, mas também tem seu fator concreto. Mais importante do que entender o que é o tempo, é saber o que você faz dele.

Quando as pessoas dizem que não possuem tempo para determinada atividade, geralmente isso significa o oposto na realidade. O que ocorre é que as pessoas que sentem-se sem tempo, por vezes, estão apenas cegas de si mesmas, justamente por estarem ocupando o tempo delas com coisas superficiais e que não são reais prioridades. Quando elas notam alguma coisa da qual elas gostariam ou precisariam muito fazer e se apercebem sem tempo, é preciso refletir que outras coisas estão preenchendo o tempo a ponto de não haver espaço para algo que se quer muito

O dia na Terra tem em torno de 24 horas. É bastante tempo para o modo como estamos acostumados a experimentar nossas rotinas. Uma pessoa comum dentro da média, acorda pela manhã, segue para o trabalho ou estudo, pausa para almoçar, encerra o dia lá pelas 19h00 e retorna pra casa ou segue para alguma atividade de cunho pessoal. Considerando o percurso triste de muitos lugares, isso pode se arrastar por mais algumas horas de transporte. Com alguma sorte essa pessoa vai conseguir dormir as recomendadas 8 horas de sono, pra acordar à tempo de ir pro trabalho ou estudo no dia seguinte.

Se você segue essa rotina descrita acima, é muito provável que você esteja cansado. Seu trabalho te ocupa o dia todo, se levar em conta a soma do transporte, da refeição e do sono que te mantém vivo pro próprio trabalho. Em nenhum desses horários você teve lazer ou algum prazer incluso. É provável que não tenha tido sequer o tempo necessário para se questionar sobre sua condição atual e suas possibilidades paralelas. Como buscar alternativas, quando tudo que você tem é a rotina te algemando à um modelo que te cansa e te ocupa o dia todo?

Se você teve tempo e oportunidade pra ler esse texto, provavelmente você está com uma margem nos seu horário ou então teve a grata oportunidade de folgar por alguns dias na semana inicial do ano. Talvez, ainda, você tenha insônia e, ao invés de cumprir suas 8 horas de sono, você se cansa ainda mais diante da internet, em busca de atender o chamado da mente. Eu não tenho como prever com exatidão qual a sua situação, mas posso lhe dizer algo importante sobre tudo isso. Em qualquer cenário que você estiver, uma coisa não muda: o dia continuará tendo 24 horas e você tem nas mãos escolhas e responsabilidade para colocar na balança. Vejamos.

Se você é uma pessoa solteira, sem responsabilidade com cônjuge, filhos e nem lhe é requerido cuidados mais constantes e presenciais para seus pais ou parentes, você já está em vantagem em relação a muita gente. O Brasil é um país onde raramente as pessoas alcançam qualidade de vida e, por isso, mais atribuições de responsabilidade acabam por se tornar um fardo que faz muita gente desistir ou transbordar em condutas e sentimentos indesejados. Se lhe foi dada a condição da escolha sobre esses aspectos da vida, sinta-se agradecido, pois a maternidade ou paternidade, o cuidado de enfermos ou a aceitação de um trabalho que rouba todas as horas do dia em troca de um salário que custeia apenas a sobrevivência, é uma triste realidade de grande parte da sociedade.

Nessa altura você deve estar se perguntando, como é que pode haver tempo de sobra, se acabei de mostrar que a maioria das pessoas não dispõem de tempo suficiente. A verdade é um contexto mutável e não algo fixo e eterno. Se nos apercebermos de nossas funções no mundo, do nosso esforço, nosso potencial, nosso valor, nosso trabalho, nossas relações com o tempo, com as pessoas e com a sociedade, teremos condições de estimular em nós um senso crítico sobre o que não parece justo, certo ou realista sequer. Quando você se dá conta de que está trabalhando simplesmente pra continuar vivo para o próprio trabalho, você está sendo, em certa forma, escravizado pelo trabalho, apesar da ilusão do salário. Digo isso porque seu salário não é dado para você exatamente, mas custeia apenas sua alimentação, sua moradia, seu transporte e evita que você amanheça morto no dia seguinte e deixe de trabalhar por quem “precisa” da sua fracionada mão-de-obra. Se aperceba que você não usufrui do seu salário para nada que seja destinado à você mesmo, como o seu aprendizado, seu lazer, seu relacionamento afetivo com as pessoas, sua exploração da espiritualidade, o cuidado com a saúde do seu corpo e mente, a elaboração de uma rede firme e saudável de amizades, uma pausa para pensar o mundo, pensar você, pensar a vida, questionar os caminhos e os porquês. Perceba que num modelo de vida apertado assim, ocupando todas suas 24 horas, o tempo lhe é roubado. E se lhe roubam o tempo, é porque você tem tempo de sobra pra ser roubado. Ficou mais claro?

Todos nós temos, tivemos e sempre teremos 24 horas do nosso dia, para fazermos nossas escolhas. É claro que, diante de certas responsabilidades éticas, escolhemos, por exemplo, não negligenciar os cuidados com filhos e família, não subestimar o salário que nos permite dar assistência e sobrevivência para aqueles a quem tutelamos e/ou amamos ou simplesmente para cumprir nosso instinto de sobrevivência e nos mantermos vivos e à salvo nas necessidades mais básicas da Pirâmide de Maslow. Mas, acima das urgências de respirar, urinar, comer, se proteger do frio e do calor, dormir, se manter vivo e com o máximo de saúde possível, temos um outro patamar de realidade, que é talvez igualmente importante por mais que não seja exatamente o motivo da nossa sobrevivência como seres orgânicos.

Além da sobrevivência, temos o viver. Viver é infinitamente diferente de sobreviver. Enquanto o sobrevivente pulsa o coração e mantém ativa as ondas cerebrais para ser tachado de vivo, a pessoa que realmente quer viver e não apenas sobreviver, precisa encontrar função e satisfação além da manutenção do organismo, afinal o ser humano não é apenas o próprio corpo. Ser um ser humano é, antes de tudo, ser dotado de uma individualidade, uma consciência, uma personalidade, uma vontade (e aqui permita-me listar também a Vontade, com ‘V’ maiúsculo, em referência a essência de um indivíduo, como anunciado por uma certa vertente de conhecimento). Viver é, sobretudo, abandonar a servidão da sobrevivência e desfrutar a vida ao lado de seus potenciais e anseios. Existimos para nossos próprios propósitos e não temos que nos sujeitar a nenhum modelo imposto de sociedade, trabalho ou relacionamento. As premissas do mundo, são criações de outros seres humanos, tão comuns e/ou especiais como qualquer outro. Somos todos iguais e o problema na administração do nosso tempo e valor está justamente em alguém ser subjugado por outro, pra que o outro faça o que quer do tempo dele, enquanto a vítima segue pressionada a não ter nada, a não ser nada, a não poder querer nada.

As pessoas que detém 24 horas do seu tempo, tem um tesouro nas mãos. Deveriam fazer bom proveito disso, pra não acabarem infelizes, com sentimento de derrota, frustradas, deprimidas, doentes ou distantes dos seus potenciais, sonhos e responsabilidades. Escolhemos vender a nossa força de trabalho, pois acreditamos pouco na nossa autonomia. Desde que eu me conheço por gente, sempre almejei e sempre fui um profissional autônomo. Trabalhar para os outros nunca me foi uma opção a ser considerada. Claro que se eu me sentisse sem nenhuma segurança ou esperança, viria o pensamento de me sujeitar à exploração do trabalho convencional, afinal tentamos sempre nos mantermos ao menos vivos pela sobrevivência e depois pensamos em viver. Mas, enquanto me foi dada a oportunidade de escolher minha própria vida, escolhi arcar com a responsabilidade de viver na incerteza dos ganhos como autônomo, mas desacorrentado da falsa promessa de estabilidade de um salário mensal em uma empresa. Não me arrependo jamais de ter escolhido o meu caminho.

Eu não posso dizer que você tenha as mesmas condições que eu para tomar essa decisão assim, da noite pro dia, mas posso te contar da experiência de inúmeras outras pessoas em diversos contextos sociais e familiares. Posso te dizer que há pessoas que mesmo tendo uma vida relativamente confortável, escolheram ir para as ruas, para morar e explorar a realidade paralela, como também conheço os que abandonaram as ruas ou o risco de estar morando nelas, para coletar materiais recicláveis descartados, para construir sua própria autonomia na vida, sua moradia, seu tempo livre, sua relativa paz. Sorriso no rosto de pessoas tão distintas falam mais sobre quem elas são por dentro, do que o cenário que deduzimos no mundo físico delas. Para algumas pessoas, certas atividades parecem degradantes, para outras é a oportunidade de se sentirem livres. Obviamente, a sensação de encaixe e satisfação dessas pessoas não anula o fato de que outras muitas sentem-se invisibilizadas ou maltratadas pela vida exatamente por estarem na condição ou cenário em que estão. Para muita gente o abandono familiar, a miséria, a ausência de um lar além do improviso nas calçadas, é uma realidade dolorosa que as pessoas tentam contornar por meio da transformação de significado da vida, mas que, quando não conseguem, caem no abuso de álcool e outras drogas, como fuga de suas próprias realidades.

Começar a falar de tempo e terminar falando de classes sociais é o tipo de realidade que precisa ser visitada mais vezes por aqueles que não perceberam a conexão entre assuntos aparentemente desconexos. O texto não desvia sequer do título. O texto tenta suscitar na sua mente consciente, aquilo que o seu inconsciente já sabe. Por meio das críticas e exemplos que trago, eu espero com sinceridade que você levante um dia e perceba que há valor no seu indivíduo, por mais que a vida tenha insistido em mentir pra você, em te reduzir ou te desacreditar. A vida, de um modo mais subjetivo, são as relações humanas pelo mundo. É o que fazemos uns com os outros que determina como será a vida de cada um. Qualidade de vida nada mais é que manter relações positivas e justas entre as pessoas que interagem em um mesmo ambiente. Se cada indivíduo estiver são e feliz, acaba por descobrir que todos possuem 24 horas do dia pra serem cada vez melhores, num nundo cada vez mais consistente, sem ódio, sem preconceito, sem separação de classes, sem pressão, sem guerra sem coisas desnecessárias que ocupam o tempo de muitos.

E nem vou entrar na questão, por hoje, do desperdício de tempo de atividades como a obrigatoriedade ilusória de sair todo fim-de-semana, de dedicar horas do seu dia pra assistir passivamente a timeline do Facebook, Instagram e Youtube. Essa crítica da vida pós-internet é tão conhecida quanto a própria internet e as pessoas são conscientes disso mesmo quando incorrem no vício que elas não gostariam pra si. Disso já falei em outros textos e, se necessário, voltarei com abordagens diferentes futuramente. Retomemos a linha do pensamento.

Após você ter se apercebido do necessário, é hora de fomentar suas mudanças no coletivo. Sozinho, talvez faça boas coisas, mas em conjunto, poderá fazer coisas maiores. Se tornar livre no seu próprio mundo, pode ser uma bela conquista, mas estimular para que todo o mundo seja o seu e de todos os demais, pode ser a melhor coisa que você já fez. Encontre-se com as pessoas que pensam de maneira similar com a sua, esclareça os pontos falhos sobre o assunto, divida apoio, esteja lá para empoderar, para deixar um sorriso, um novo modelo de vida, um teor de esperança, um perfume de vitalidade, um pensamento que vá além da opinião e que permita que mais pessoas sintam-se engajadas como você a querer mais da vida do que apenas sobreviver. De início isso poderá ocupar boa parte do seu tempo, mas é uma boa maneira de ocupá-lo, bem melhor do que se enforcar em horas e mais horas de trabalho sem significado, pra que seu patrão compre um carro novo, reforme a casa, viaje pra praia, abra outra empresa e siga enriquecendo às custas do seu suado trabalho.

Me parece mais justo que você escolha pros seus dias a incerteza no final do mês, porque só se torna difícil quando pouca gente está fazendo. Se todos estivéssemos vivendo em um cenário de trocas entre autônomos pelo mundo todo, seríamos todos livres para sermos quem quiséssemos ser. Seriamos livres para pensar, ler, sentir, escrever, desenhar, construir, sonhar, viver. Viver! Vamos redescobrir o sentido da vida, olhando exatamente para os lugares onde ela não está. Se não há vida no seu trabalho ou nas suas relações sociais, mas apenas sobrevivência, é hora de repensar. Tudo bem se você concluir que não é uma mudança boa para você ou que você não tem os contextos necessários para tomar essa decisão. Eu não estou aqui pra te julgar. Eu vim exatamente pra lhe enxergar, dizer que você existe, que você importa e que você deve ser livre o máximo que puder. Tudo que eu posso fazer por você, na posição em que estou é te provocar reflexões, abrir as portas do meu mundo e sorrir diante da reciprocidade e sintonia que houver. Eu não posso tomar as decisões por ninguém e nem mesmo cobrar as pessoas para que tomem qualquer decisão na vida delas. Somos indivíduos e, como tal, há uma vida em cada um de nós, uma autonomia, uma responsabilidade própria, uma liberdade, um hall de escolhas e ações. Exerça sua individualidade, seja o protagonista da sua vida.

Obrigado pelo seu tempo e espero que o meu tempo dedicado nesse texto tenha gerado algo de útil pra você também, pois foi útil pra mim e só seria uma troca se fosse útil à ambos. Isso é o que fiz desse pequeno momento do meu dia e tenho certeza que ele vai me render mais tempo livre em algum momento lá na frente. Eu escolhi viver e escrevo porque é isso que eu desejo fazer.

Rodrigo Meyer – Author

Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

Especial | Outros mundos pra se visitar.

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia da Galáxia Andrômeda.

Escrever é uma atividade antiga minha, que deve ter começado lá pelos 7 anos de idade. É algo que eu adoro, mas, nunca consegui ser apenas de uma área só. Além de ser um curioso nato por todo e qualquer assunto, sempre fui hiperativo e, pra mim, estar ocupado e produzindo é quase que um vício. Por isso, hoje trago um pouco mais sobre outras atividades minhas. Cada tópico é um link clicável que direciona para outros blogs dessas outras realidades que eu desenvolvo. Não vou listar todos, porque são muitos, mas estes são os principais:

1. Rodrigo Meyer – Photo

Fui fotógrafo ao longo de 17 anos, desde que cursei Fotografia no SENAC. De lá pra cá foram muitos momentos gratificantes criando e comunicando e meus principais segmentos foram: Ensaio Fotográfico, Retrato, Landscape, Arquitetura, Cobertura de Evento, Fotografia Conceitual. Sempre que possível estive também em manifestações, comunicando a essência e cobrindo os fatos. Pelo blog você pode acessar a guia ‘Portfólio’ do menu e escolher entre as categorias para ver um resumo bem pequeno desses 17 anos de Fotografia.

2. Rodrigo Meyer – Design

Minha outra atividade foi e continua sendo o Design Gráfico. Cruzei pelo curso técnico de Comunicação Visual na EPA e depois fiz a faculdade de Comunicação Social – Publicidade & Propaganda na FMU. Tenho desenvolvido Identidade Visual para mídias digitais e impressas, naming (planejamento de nomes de marcas ou projetos), branding (desenvolvimento de marcas), além de ilustrações, arte gráfica, diagramação de sites, flyers, e muito mais. Também atuo na área da Comunicação em si, orientando e gerindo estratégias de Comunicação de pequenas empresas, ONGs e projetos, pra que sejam assertivas e tenham retorno ao lidar com o público. Parte desse trabalho envolve o suporte e administração de redes sociais como Facebook, Instagram, etc., com base nos algoritmos e regras de cada plataforma, pra alavancar projetos e ter o melhor retorno possível.

3. Rodrigo Meyer – Sound

O contato com as mídias e com a música em si, me colocaram também neste caminho. Comecei a aprender música, piano e órgão, desde uns 11 anos de idade, aproximadamente. Com a dificuldade em ter um piano próprio, acabei transferindo essa necessidade de expressão para a música digital ou a edição de áudio. Criando jingles e vinhetas para vídeos, comecei a resgatar o contato com a música. O blog ainda está pouco alimentado, mas o canal no Youtube tem um pouco mais de conteúdo e há planos de retomar a frequência de publicações em breve. Lá pelos vídeos você encontra letras de música narradas e algumas vinhetas.

4. Rodrigo Meyer – Cine

Junto com o desenvolvimento da Fotografia também me habilitei na criação de vídeos. Saltar dessa atividade pro Cinema em si foi uma das tentativas mais entusiasmadas que tive. Durante todos os anos exercendo a Fotografia, escrevi centenas de roteiros pra filmes de curta-metragem. Contudo, pelas exigências técnicas e financeiras inerentes a esta atividade, ainda estão por concretizar. Espero que algum dia haja a oportunidade de colocar em práticas estas ideias. Enquanto isso não ocorre, a edição de vídeos comuns para mídias próprias ou de terceiros tem sido uma das atividades paralelas. Pelo blog vocês pode aguardar por várias dessas dicas de comunicação e edição em vídeo, linguagem audiovisual, pré-produção, produção e pós-produção pra filmes autorais ou comerciais, além de comentários e resenhas de filmes.

5. Rodrigo Meyer – Art

Junto com a escrita, a arte visual também sempre esteve comigo desde o começo. Desenhar e pintar eram as minhas atividades preferidas. Cheguei a me aperfeiçoar o suficiente pra conseguir pintar quadros à óleo de paisagens durante a adolescência, com boa autonomia. Adentrei pra cursos de desenho a lápis e depois desenvolvi outras técnicas no curso de Comunicação Visual da EPA, como nanquim, por exemplo. Desenvolvi centenas de criações tradicionais (papel e tela), mas quando me vi distante das minhas telas à óleo me bateu um certo arrependimento e acabei me distanciando da arte um bom tempo. Foi somente na transição para o digital que retomei essa conexão. Há alguns anos concretizei diversas pinturas digitais dos mais variados estilos, indo do abstrato ao realismo. Porém, devido a escassez de tempo, me sinto enferrujado em relação aos anos anteriores. Enquanto eu não monto um álbum de portfólio no próprio blog, tenho mantido essa apresentação no Behance como uma pequena amostra do meu potencial. No Youtube você consegue acessar alguns vídeos de speedpainting com algumas ‘anotações visuais’ de ideias que tive, mas em breve o canal terá surpresas mais profissionais.

6. Rodrigo Meyer – Author

Esse é um dos espaços onde eu concentro uma parte do que eu escrevo e produzo em literatura. Por aqui você pode acompanhar, no momento, publicações diárias (sempre que possível) de artigos que compõem um projeto de cunho social iniciado a pouco tempo, onde mais de 600 temas foram predefinidos e quase 250 textos já estão no ar pra serem lidos. Da infância até hoje, escrevi muitos e muitos poemas, contos e até mesmo alguns livros. Com tamanho apreço pela literatura, tentei ser útil com ela por toda mídia e plataforma que passei. Caminhei pela expressão pessoal, análise social, filosofia e artigos temáticos para mídias próprias e de terceiros, sendo não só um hobby como também uma atividade profissional. Há livros novos pra serem lançados futuramente, mas, por enquanto, você pode acompanhar as novidades pelo blog. Depois deste projeto dos 600 temas, provavelmente, estarei postando minhas poesias, contos, prosas e outros tipos de literatura. Se você gosta de ler e que ter a chance de ganhar livros à sua escolha, entre pro grupo de Facebook ‘Para Ler‘.

7. Foto A

Esse projeto é a versão recente e modernizada de uma longa batalha tentando ensinar Fotografia para outras pessoas. Depois de deixar de lecionar presencialmente, comecei a adaptar os conteúdos para o modo texto. A versão antiga, continha até mesmo vídeos no Youtube com aulas e, provavelmente, todo esse material vai ser reformado para ser apresentado novamente tanto no Youtube quanto no blog. Além de aprender Fotografia, você fica por dentro de notícias, reviews e curiosidades no tema.

8. Arte em Frente

Outro projeto de utilidade pública para os que gostam de conhecimento e cultura, onde garimpo artes e artistas, apresentando não só suas criações, mas suas histórias e peculiaridades. Indo de artistas clássicos do passado até os contemporâneos, em todos os estilos e tipos de arte visual, como pintura à óleo, pintura digital, desenho, graffiti, modelagem 3D, tatuagem e qualquer outro conteúdo de arte. Tem havido uma certa demora em trazer novas postagens, devido a transição de conteúdo de uma antiga plataforma para a atual. Dentro do possível, no tempo livre, apareço com algum post novo. A página no Facebook vem crescendo nos últimos tempos e lá você encontra coisas surpreendentes pra contemplar e compartilhar. Há possibilidade do projeto se expandir para o Youtube também e isso só depende da demanda e engajamento de vocês.

9. Bruxaria 24 Horas

Projeto que já tem muitos anos, com centenas de conteúdos publicados. Com a transição da plataforma antiga para esta atual, o blog já está com todos os textos no ar, mas os posts ainda estão sem imagens de capa, por enquanto. Embora isso não comprometa em nada a qualidade dos conteúdos, em breve serão atualizados com as imagens. Por lá você encontra textos de ocultismo, cultura antiga, paganismo, história, magia e espiritualidade. Um projeto de grande sucesso que  alcançou mais de 9 mil inscritos no Facebook e, caso haja tempo e condições, poderá se expandir pro Youtube.

Outros Projetos

Existem inúmeros outros blogs, páginas, canais de Youtube e outras mídias e atividades que desenvolvo, porém deixarei pra citá-los em outra oportunidade. São conteúdos temáticos em Viagens, Cultura Mundial, Cultura Underground, Astronomia, Psicologia, Sociologia, Ativismo & Causas Sociais, Idiomas, Dança e muito mais.

Sempre que as pessoas ficam cientes desse mar de conteúdos e atividades em que estou envolvido, expressam um ar de surpresa como se fosse um louco exagero de minha parte. A realidade é que me sinto confortável em criar e gerenciar tudo isso, porque há duas coisas em que sou completamente apaixonado: adquirir conhecimento e ser útil ao mundo. E se me pagar um café que seja, já me disponho a fazer muito mais.

Se você está lendo esse texto estritamente pelo reader (leitor) do WordPress, clique aqui para ser redirecionado ao post original e desfrute do conforto e outros benefícios de se estar, de fato, dentro do blog.

Rodrigo Meyer

 

Escrever ou não escrever? Eis a questão.

Quem lida com a escrita, certamente já se deparou com momentos onde não se sente disposto, inspirado ou com facilidade para escrever. Às vezes também paira alguma incerteza sobre a qualidade ou relevância do que se cria. Tudo isso é natural e não é diferente a nenhum tipo ou nível de autor. Penso, inclusive, que essas situações são ótimos sinais para mudarmos nossa visão do nosso momento pessoal. Enquanto estivermos, de certa forma, barrados para a escrita, devemos acatar esse distanciamento e exercer outra atividade ou até mesmo nenhuma.

Quando nos colocamos a escrever de maneira forçada, caímos na ilusão de acreditar ser produtividade. Na verdade não produzimos mais, pois não progredimos ou não demos continuidade ao que estávamos exercendo quando motivados e satisfeitos. Cumprir quantidade ou periodicidade não é garantia de qualidade e, portanto, isso não é um aumento real da produção. É muito mais produtivo poupar esforços para brilhar no próximo momento favorável, do que estar constantemente tentando fazer a diferença com algo que, no final, não será recebido pelo público e pelo autor como uma diferença de fato, exceto, provavelmente, para pior. Uma queda na qualidade é algo comum e até aceitável se houver uma certa constância no que se faz. Contudo, se notar que está diante de um episódio muito destoante de sua média de criação, é melhor mudar o foco e deixar o tempo resolver.

Pessoalmente tive inúmeros desses momentos, inclusive um bem recente. Há uma semana, aproximadamente, pausei a escrita, pois me sentia cansado pelo calor excessivo e o barulho recorrente na vizinhança. Embora eu seja apaixonado por escrever, a situação ideal é importante pra eu conseguir ser rápido e assertivo no meu modo costumeiro de produzir, na organização das ideias e no resultado final pretendido para determinado tema. Coincidência ou não, assim que tirei o foco da escrita e me voltei pra algumas de minhas outras atividades, me vi muito mais criativo e disposto por lá. Talvez a desmotivação em uma determinada área de criação seja um sinal de que outra área está clamando pra ser executada. Alternando de uma atividade pra outra, sinto como se estivesse sempre vencendo, cada momento em uma coisa diferente. Isso, no final das contas, me deixa satisfeito com o meu histórico de criação geral.

Isso me fez lembrar de uma analogia com algo que descrevi em outro texto, sobre as curvas nas estradas serem projetadas para quebrar a monotonia gerada pela constância da linha reta, pois obriga o motorista a fazer movimentos diferentes de um lado pra outro e controlar outros aspectos da direção com mais atenção. Na vida, penso que seja semelhante. Quando nos colocamos muito tempo em uma certa atividade, é preciso tirar férias ou buscar um momento de lazer. Isso nada mais é que mudar o foco para outra coisa da qual precisamos ou gostamos de fazer. Até mesmo pela Psicologia e Filosofia, fala-se que o ser humano se motiva pelos desafios e novidades e que quando se cai na mesmice, a mente parece perder a concentração ou disposição.

Inúmeras vezes me vi buscando solução pra um projeto e quando não vinha com facilidade, arrastava horas em vão até a desistência. Mas, com uma noite de sono ou uma mudança no período de criação, a solução brotava como mágica. Este seria o cenário ideal pra quem lida com criação, embora saibamos que nem sempre teremos essa liberdade, se tivermos que cumprir a tarefa por trabalho. Nas minhas atividades profissionais, sempre ocorria de agendar uma data com algum cliente e, quando estava próximo do dia, ficava torcendo pra que o cliente ligasse desistindo ou reagendando. Um disparate aos olhos de alguns, mas pra mim era a coisa mais sensata. Isso porque, fora das condições ideais, ninguém ali teria o melhor resultado para o dia. Muito melhor do que cumprir datas é satisfazer o cliente e a nós mesmos. Deixar uma marca positiva envolve não só o resultado do trabalho, mas também o modo como estamos durante o processo para atender as pessoas e compartilhar um bom semblante e uma impressão positiva sobre quem somos e o que fazemos. E, se pararmos pra pensar, isso vale pra todas as áreas da vida, independente se é trabalho ou relacionamento pessoal.

Tenho visitado muito conteúdo pela internet e a proporção de conteúdo ruim encontrada, obviamente, supera facilmente as coisas úteis. Torna-se raro encontrar um texto harmonioso, um assunto incomum, um humor criativo, uma foto que não seja mais do mesmo, uma arte que se possa chamar de ‘autoral’ de verdade, etc. Há vezes em que fico com a impressão de que estou diante de uma falha nos sites, tamanha é a quantidade de coisas que se repetem em tempo real. Pude ver um exemplo triste disso ao montar meu espaço no Pinterest. Visitando o feed para encontrar fotos de determinados temas, vi inúmeros usuários que dispunham de cópias de uma mesma imagem, mas alimentando o site como se aquilo fosse uma inserção nova. Uma coisa é usar o recurso da plataforma pra agrupar e organizar as imagens encontradas numa apresentação simbólica das referências em um álbum (pois é esse o propósito do site) e outra, completamente diferente, é absorver conteúdo do próprio site para recolocar ao ar um novo arquivo mas com o mesmo conteúdo. E quando não são as tais cópias, são imagens com muita semelhança, nas cores, na ideia, no ângulo, na luz, no estilo, etc.

O resumo: o mundo não está criando, só está reproduzindo. Isso é o que acontece quando as pessoas não estão inspiradas a fazer, mas precisam, a todo momento, preencher lacunas imaginárias na internet ou na vida. É a compulsão por criar, sem criar. Vejo isso de forma mais evidente no Youtube, por conta dessa nova tendência de mídia e de trabalho. Por lá, na esperança de atingirem cada vez mais tempo de visualização e dinheiro, as pessoas estão vivendo para a internet full time. Esse excesso de produção de “conteúdo” tem gerado uma tonelada de tráfego de dados desnecessários. Em algum tempo os servidores dessas plataformas serão um cemitério bizarro dos efeitos da compulsão humana em gerar. Do outro lado da moeda, as coisas úteis estão sob risco. Recentemente assisti a notícia de que fanáticos “religiosos” estavam destruindo peças históricas de Nimrud, a antiga cidade síria. Monumentos de valor incalculável viraram pó diante de explosivos e marretas. Enquanto nada se cria de útil, destrói-se o que já foi criado. Nesse ritmo o mundo será um imenso vazio, dentro e fora das cabeças humanas. Estamos cavando nossa própria extinção, como se soubéssemos, consciente ou inconscientemente, que não somos dignos de estar aqui.

Essas situações tristes da vida nos ensina algo que corrobora com o tema inicial desse texto. Mostra que forçar-se a preencher lacunas apenas para crescer infinitamente é o exato caso das células cancerígenas. Sem propósito e sem utilidade, tomam o corpo até a morte. Por essa razão, diante de momentos pouco interessantes, eu faço pausas com o maior orgulho. Paro de escrever, de pintar, de ler ou até de socializar. Volto quando tenho algo relevante pra dividir, algo proveitoso pra mim e pros outros, que seja fruto de uma sincera vontade de expressar, com disposição, com capacidade, com qualidade, com sentido, etc. Na ausência de uma expressão útil em algum momento na vida, um hiato vale ouro.

Rodrigo Meyer

O jeito certo de se apontar um problema.

Primeiro, vamos esclarecer que crítica é sempre construtiva, porque crítica não é ofensa. Fazer uma crítica é elencar os pontos positivos e negativos de algo e ponderar o que poderia ser diferente, melhor ou que poderia ser suprimido, adicionado, etc. Entendido isso, o melhor jeito de se apontar um problema é deixando, junto, uma sugestão de solução. Desenvolvamos esse assunto.

É muito oportuno poder observar e identificar aquilo que não funciona bem no mundo, nas pessoas, nas situações, em nós mesmos, nos projetos ou nos produtos e serviços, mas o ser humano quando está sobrecarregado, raramente consegue olhar pra algo sem se envolver emocionalmente ou sem reagir de forma desproporcional. Isso faz com que reaja apenas apontando erros, sem deixar solução alguma. E isso, ironicamente, é mais um erro depositado ao mundo. Se queremos ver soluções no lugar dos erros, devemos agir diferente.

Quando observar, por exemplo, um artista apresentando uma obra, você tem a oportunidade de dar seu ponto de vista, citando os aspectos que lhe agradou e aquilo que notou de falho, insuficiente ou incômodo. Algo simples como dizer “Gostei do conceito e das cores e acho que, por ser uma obra mais figurativa, poderia lapidar o volume ou iluminação nesta região, para uma dimensão mais realista ou mais convincente. A proporção da tela parece bem adequada pro tipo de composição e essa região avermelhada me passou a sensação de um ambiente ou momento feliz.”. Está feita uma crítica eficiente e agora o artista terá a oportunidade de refletir sobre isso, estudar o que achar necessário e tentar melhorias nas próximas criações.

Você pode fazer algo similar em tudo onde tiver algo para acrescentar sobre seu entendimento ou suas impressões sobre algo. Claro que nem sempre é preciso prestar sua opinião, mas se desejar colaborar, a crítica é uma opção. Nem sempre as pessoas que vão receber a crítica estão preparadas pra tal. Muita gente no mundo solicita opiniões já esperando ouvir apenas comentários positivos, elogios, etc. Para este tipo de pessoa, não é fácil adicionar informação e geralmente, por isso mesmo, elas estagnam em suas criações. Se notar que alguém não é receptivo a críticas, você pode simplesmente evitar aquela pessoa e dedicar sua atenção, tempo e conhecimento para quem esteja querendo aprimorar algo.

E as críticas não servem apenas pra avaliar uma tela, um texto, um filme, uma música ou uma apresentação de dança. Este recurso é necessário em tudo que vamos fazer, inclusive dentro de nós mesmos, sob nossa própria análise. A crítica, seja lá de onde venha, deve ser sempre a ponderação realista dos detalhes, dos aspectos, das condições. Podemos, por exemplo, olhar pra dentro de nós e refletir que talvez devamos ser mais cautelosos, mais ousados, menos ousados ou que devamos tentar um outro horário de almoço ou de sono. Mas, isso não pode ser algo arbitrário. Deve sempre ter um propósito de esclarecer e aprimorar. Toda solução sugerida deve ter algum embasamento junto ao que foi observado de problema. Talvez a mudança de um hábito pessoal possa ser percebida como necessária depois de nos vermos mais cansados, tristes ou improdutivos no modelo anterior. E se quisermos ajudar a nós mesmos, eis aí uma boa crítica que podemos fazer.

Assim é com tudo no mundo. Você pode dizer isso ao seu companheiro de trabalho, parceiro de relacionamento, amigo, funcionário de uma loja, ao serviço de atendimento ao consumidor de uma empresa, ao produtor de conteúdo na internet, autor de um livro, um parente, etc. Onde houver gente, há o que ser observado e criticado. Dar seu parecer, especialmente quando solicitado, dará a oportunidade do mundo melhorar, se os responsáveis quiserem aprender algo com o que ouvem das pessoas ao redor. Todos saem ganhando com esse tipo de iniciativa. O mundo só se tornou avesso a críticas porque se acostumou a ouvir ofensa no lugar delas e a acreditar que as ofensas eram as tais críticas. É evidente que ninguém estará interessado de ouvir ofensas, mas, como já dito, críticas não são ofensas. Descarte as ofensas e seja desejoso por críticas o tempo todo. É com elas que poderemos notar algo que não víamos e aprender algo novo.

Se durante nossa alfabetização nunca tivessem corrigido nossas trocas de letras na leitura ou escrita, jamais teríamos nos elevado ao nível de poder ler e escrever corretamente ou com facilidade. É por termos nos permitido aprender desde sempre, que superamos os tropeços e inabilidades da infância e pudemos desfrutar de uma posição melhor quando adultos. Independente do ritmo em que cada um vai, o importante é estar aberto para receber e dar críticas sempre que houver espaço pra tal. Nosso papel na sociedade é muito mais do que apenas nos fecharmos em nós mesmos. Viver em sociedade é justamente o oposto da postura de egoísmo, uma vez que tudo que temos, somos e fazemos tem impacto no mundo e é dependente do entorno. A somatória de como cada indivíduo é, determina como o coletivo será. Essa relação de troca útil e harmoniosa entre as pessoas, é o que te dá instrumentos para vencer. E se você deseja crescer, eis aqui a minha crítica ofertada. Espero que ela seja útil pra você fazer seus ajustes.

Rodrigo Meyer

Porque atalhos são mais demorados?

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de 2006 das Pirâmides de Gizé, no Egito, de autoria de Ricardo Liberato.

Observando a sociedade, vemos muita gente a espera de vantagens. Elas querem, de alguma forma, um benefício que as impulsione além. Porém, quando se tornam tão obcecadas por isso, acabam ficando cegas e não discernem bem as ferramentas disponíveis e a eficiência de cada uma. Por vezes querem tudo pra ontem e brilham os olhos de entusiasmo quando veem um atalho pra supostamente conseguir o que se quer. Eis que são fisgadas pela falta de prudência.

Eu sempre costumo repetir que ‘se atalho fosse bom, já seria o caminho principal”. Se existe um trecho a ser percorrido e é possível escolher um trajeto que leve menos tempo do que o trajeto anterior, há de se pensar porque este trajeto é secundário e não o principal. Se as pessoas não usam o menor caminho como principal caminho, é porque há desvantagens no menor caminho. Por algum motivo, o caminho principal se tornou principal pois era o mais estável. Fazendo uma analogia, algumas jornadas de avião requerem uma parada em determinados países e/ou aeroportos específicos como parte da viagem total. Já imaginou se uma viagem que normalmente leva 12 horas, fosse feita em 7 horas, mudando a rota pra uma linha reta de ponto a ponto, sem paradas? Você consegue imaginar as desvantagens e riscos de se fazer uma alteração desse tipo? Pois bem, quem planeja as escalas de voos imagina.

Outro exemplo bem conhecido são as estradas que passam por montanhas. Ao subir ou descer a serra de carro, frequentemente se passa por curvas, algumas bem fechadas. Porque razão a estrada não é uma linha reta do ponto A para o ponto B? Existem alguns motivos. Um deles, talvez menos conhecido, é a estratégia de prevenção de acidentes, impedindo que o motorista passe muito tempo dirigindo em linha reta, pois isso o acomoda na monotonia e pode ser um risco de acidente bem maior do que obrigá-lo a lidar repetidas vezes com curvas e mudanças de direções. O outro motivo disso, é, claro, que para subir a serra, ângulos menos íngremes são mais fáceis de serem superados pelo carro. Você não verá ninguém brincar de alpinista pilotando um carro, a menos que seja um show de façanhas mortais. E para que se suba gradualmente uma montanha, o vai e vem das curvas conecta a estrada em cada gradação de elevação.

De maneira simplista, tendemos a acreditar que o caminho mais curto é melhor, mas na verdade, a menor distância e tempo não significam melhor caminho e, na verdade, quase sempre não são de fato mais rápidos. Imagine um carro tentando subir a montanha em linha reta. Certamente ele passará tanto tempo tentando sair do chão que seria o último a chegar no destino, se é que conseguiria chegar. E essa é a analogia que deve se carregar pra outras situações da vida.

Tudo que parece muito fácil ou cheio de benefícios adicionais, requer uma atenção sobre como isto será disponibilizado. Há algum tempo atrás lia com sorriso no rosto a notícia de que haviam conseguido o feito do teletransporte. Sim, sob um laboratório, conseguiram transferir madeira de um local ao outro, porém, o processo utilizado não reagrupou decentemente a madeira no destino final, deixando sua composição toda bagunçada, apesar de ter sido um sucesso o teletransporte em si. Esse é um exemplo de como tentar encurtar distâncias por atalhos tem problemas atrelados. Quando finalmente conseguirem executar um teletransporte com segurança, provavelmente este atalho se tornará o caminho principal. Se hoje, pegamos ônibus, trens e aviões para ir de um canto ao outro, talvez no futuro, faça mais sentido usar o teletransporte. Mas enquanto ele não for estável, não será o caminho principal escolhido pelas pessoas e, enquanto for mero atalho, não será tão bom ou útil quanto um caminho principal.

Saindo um pouco desses exemplos com distâncias e transportes, imagine setores da vida onde as pessoas tendem a desejar atalhos. Elas querem, por exemplo, enriquecer mais rapidamente do que apenas esperar que o trabalho ao longo dos anos traga algum retorno financeiro. Elas querem ter um relacionamento sem ter a premissa das fases de envolvimento com as pessoas, do conhecimento, da amizade, etc. Tudo isso só ressalta o despreparo e a ingenuidade dessas pessoas. A ansiedade em ter mais em menos tempo, faz as pessoas atropelarem a ética, a segurança ou outros valores que vão impactar na hora do processo ou desfecho. É o caso, por exemplo, quando as pessoas querem descartar o aprendizado pra ir direto para prática. Vejo muita gente entrar pra uma profissão da noite pro dia, sem estudar o necessário. Caem de paraquedas, desejando que a compra de um simples equipamento ou crachá, lhes farão profissionais habilitados. Com alguma sorte, as pessoas se apercebem da perda de tempo que isso representa. Terão, em algum momento, que voltar ao zero pras estudar o que não estudaram e, certamente, gastando mais tempo e mais dinheiro pra retificar a imagem negativa, os tropeços profissionais por conta do desconhecimento do que se faz, e assim por diante.

Inúmeros são os motivos pra não se buscar atalhos. Ignorar isso não vai te fazer chegar na frente. Embora o empirismo deva ser incentivado, ele nunca pode ser exercido com negligência. Uma coisa é você se colocar a fazer algo novo e experimentar as condições, o processo, os resultados e aprender sobre qual a melhor forma de se fazer ou não tal coisa. Outra, completamente diferente, é se colocar a fazer, buscando especificamente por redução de tempo, de impacto ou de custo. Você pode embrulhar uma pintura à óleo com a tinta ainda fresca, mas certamente vai borrar toda tinta em contato com a embalagem e gastará muito mais tempo pra refazer. Se não tiver disposição pra esperar a tinta secar, terá que aprender algum processo seguro que seque essa pintura em menos tempo. Nesse processo, talvez você descubra que deixar a tela próxima de uma fogueira ajuda a secar mais rápido, porém pode, eventualmente, descobrir que o calor intenso do fogo destrói os pigmentos da tinta ou causa rachaduras nas pinceladas. São essas pequenas possíveis reflexões que devem se fazer antes de promover um atalho a caminho principal.

Durante o avanço da sociedade, muita coisa mudou de processo e pudemos visualizar melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas. Mas, em paralelo a isso, sempre se buscou refinar esses processos a fim de se garantir segurança e consistência nos resultados. Pra se viver de maneira inteligente, é preciso respeitar o tempo e o processo das coisas, especialmente no que diz respeito a saúde física e relacionamentos. Tudo que o ser humano deseja ser, ter ou fazer, precisa passar por um filtro simples de reflexão sobre motivos, resultados esperados e resultados obtidos. Assim que paramos de desejar o impossível, paramos de bater a cara no muro. Isso serve não só pra para proteger a nós mesmos de nossa ansiedade e descontrole, mas aos demais ao nosso redor que terão que lidar com o modo como vivemos em sociedade. Quando as pessoas se tornam mais realistas sobre o que desejam e fazem, o mundo se torna mais agradável de se viver, mais estável, mais tranquilo e mais seguro. A partir dessa base sólida é que se constrói a novidade, o futuro.

Vale citar até mesmo países que conquistaram avanços sociais únicos, simplesmente por nunca darem o passo maior que a perna e fortaleceram suas bases ao longo da história antes de desejarem ser o que hoje finalmente são. Assim como uma pirâmide, o maior tempo e esforço é no planejamento da estrutura e na construção da enorme base. É com essa visão que se chega ao cume das possibilidades, das invenções, dos progressos no estudo, etc.

Isso não significa, porém, que você deva se tornar desestimulado a progredir ou a ir além. É exatamente o inverso. É, exatamente, por deixar de buscar atalhos que evitará de andar em círculo ou de cair. Economizar tempo na vida é exatamente percorrer o caminho certo desde o início, pra não ter que refazer o percurso. Invista em você e respeite o valor de sua pessoa e do seu tempo. Nunca se sabote escolhendo opções tentadoras que, no final da contas, são só ilusões e prejuízos. Há uma frase que diz “Se algo está muito fácil, você está fazendo errado.”. Fica a reflexão.

Rodrigo Meyer