Perdemos o que abandonamos.

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de 2007, de autoria de Majorly, da ruína da prisão de Birkenau / Auschwitz, na Polônia.

Muitas das coisas na vida são baseadas num sistema de reciprocidade. É natural e automático que as pessoas queiram benefícios pra suas vidas, porém quando elas deixam de fazer o necessário em troca, elas acabam percebendo o distanciamento, o insucesso, etc. Um exemplo fácil é quando uma pessoa leva uma vida de pouco uso do cérebro e incorre em uma velhice com sinais de esclerose, demência, Mal de Alzheimer, entre outros. Médicos recomendam que as pessoas levem uma vida intelectual mais ativa para assegurar que futuramente não estejam nesses cenários citados. É claro que não é apenas a falta do exercício mental que leva pra esses desfechos. As doenças podem ter inúmeros fatores e boa parte é influenciada pela genética em tom de predisposição. Mas, em paralelo à isto, ocorre o chamado ‘fator ambiental’, que é só um nome bonito pra dizer que contextos, substâncias e ocorrências ao longo do crescimento da pessoa em sociedade (ou fora dela), podem funcionar como gatilhos que impulsionam ou ativam as doenças e características do corpo e da mente vindas da predisposição genética ou geradas de forma isolada ao longo da vida.

Se observarmos com um mínimo de atenção, logo vemos que isso se estende para inúmeros outros setores da vida. As amizades, por exemplo, se não cultivamos e não damos o devido valor, com o tempo deixam de existir. Aqueles números massivos de pessoas que os usuários nutrem nas redes sociais ou até mesmo “pessoalmente”, acabam se tornando só mais um número, se não houver um contato real, profundo e constante. A interação humana ganha sentido e valor quando ela consegue deixar um rastro no tempo. Claro que às vezes sentimos que algo já tem grande valor, mesmo que tenha sido breve, porém isso só se mantém intenso se for levado adiante. Perdemos facilmente os amigos, conhecidos, contatos de trabalho, simplesmente porque deixamos de participar da realidade deles e, consequentemente, eles da nossa.

Nos relacionamentos amorosos, vê-se bem como o abandono e o descaso, acabam por gerar a perda desse relacionamento. Mesmo que unidos pela formalidade ou um teto, inúmeros casais deixam de dividir cumplicidade, felicidade, amor e respeito, simplesmente porque alí já não era nutrido nada disso há muito tempo e adoeceu como um prédio em ruínas por falta de manutenção. O desgaste que vemos nas relações com as pessoas e o mundo são exemplos constantes para podermos observar e aprender que quando não somos mais ativos em algo, perdemos o direito da companhia, do desfrute, do amor, da alegria, do prazer, do significado, etc.

Outro exemplo de como perdemos pelo desuso, são os dons, talentos, habilidades ou similares. Se você é um artista e fica sem criar por muito tempo, é natural que você se torne menos capaz ou que tenha mais dificuldade para chegar nos mesmos resultados de antes. Tudo na vida exige que estejamos engajados o tempo todo, para não ficarmos pra trás. Se levarmos esse conceito para cenários políticos e sociais, também podemos perceber que negligenciar certos assuntos do país ou mundo, acaba nos tirando os benefícios, a qualidade de vida, as conquistas, as liberdades. Este ano, no Brasil, vimos como a ausência do pensamento crítico, da desconstrução dos preconceitos e da Educação em geral, pode gerar a ausência de todo ambiente sadio dessas temáticas. De tanto as pessoas negligenciarem a Educação, por exemplo, estão hoje, aos montes, aplaudindo um ignorante, que é fortemente embasado por um outro pseudo-intelectual que diz coisas insanas como “a Terra é plana” e sentem-se felizes de fazer parte de uma quadrilha que, em última instância, são tão ou mais ignorantes que seus próprios seguidores. Isso mostra que, se as pessoas não fazem uso do intelecto, o intelecto deixa de estar disponível pra elas. E quando isso ocorre, é só tristeza, pois não poderão perceber sua própria condição.

Ao menos nos outros setores da vida, nossas perdas podem ser um pouco mais fáceis de se notar, já que nem sempre comprometem a percepção e a intelectualidade. Um artista inativo, por exemplo, pode até reduzir suas habilidades em algum momento, mas, se tudo estiver bem com seu intelecto, ele saberá reconhecer sua condição, as causas disso e, se quiser, retornar para a condição anterior, treinando e se fortalecendo.

Nos últimos tempos eu estive distante de várias atividades práticas, mas nunca das temáticas em si. A Fotografia, por exemplo, que tive de pausar a prática, nunca deixou de fazer parte da minha realidade. Estive sempre aprimorando, estudando, vendo, compartilhando e pensando em Fotografia. Isso mantém minha mente ocupada com as informações, de maneira que o distanciamento não se concretiza. Enquanto sua mente estiver recebendo estímulos para uma determinada área do cérebro, para um certo assunto ou modelo de atividade, aquilo lhe será fortalecido automaticamente. Alguns gostam de fazer uma analogia entre o cérebro e um músculo, pois de maneira simbólica, o cérebro também pode “atrofiar” por falta de uso / exercício. A questão é que a mente humana é muito mais que simplesmente a parte orgânica. A estrutura invisível que não vemos é, talvez, a parte mais poderosa da nossa mente. É por meio dos nossos pensamentos e da organização das nossas sinapses em constelações de significado, que conseguimos definir se teremos uma mente mais poderosa, mais capaz, mais diversa, mais resistente ou se seremos levados a caminhos de degradação.

Gosto de associar a perda de vitalidade / saúde física e mental com a perda de direitos em geral, inclusive os direitos sociais e políticos. Se analisarmos os dois universos sob o mesmo preceito difundido à pouco, veremos que a inação de muitos diante de si mesmos e do mundo, os leva pra um caminho sórdido de Síndrome de Estocolmo, onde são manipulados por seus próprios opressores a se tornarem fiéis escravos, cegos e ignorantes de tudo que lhes ocorre de ruim. Não é de se espantar que recentemente, diante do desastre das Eleições de 2018, regadas à muita fraude, corrupção e Fake News, tenha surgindo a expressão ‘gado demais’ pra definir essa massa de eleitores sendo encaminhados para o abate social e intelectual, em troca de absolutamente nada. O triste é que, pela inação de uns, o prejuízo se estende também para os que sempre lutaram pelo uso e manutenção de seus direitos.

Por isso, fica a lição de que preservar e exercitar é sempre a melhor saída pra você não terminar ignorante, viciado, preconceituoso, fraco, equivocado, inexperiente, sem traquejo, doente, descontrolado e sem razão. Se você não quer se tornar um entulho na sociedade é preciso dedicar-se firme à sua própria transformação, dia após dia. Todo segundo que você abandona o seu potencial, você cava sua própria miséria. Seu sucesso pessoal (que é só o qual você tem algum controle), está relacionado com as ações que você faz pra si e pro mundo, numa relação de observação, contemplação, troca, ação, compreensão, transmutação, etc.

Tão importante quanto não ser teu próprio fardo, é não ser um fardo pra outras pessoas. Empenhe-se em ser alguém melhor todos os dias, longe de falácias, longe de discursos prontos, de bordões viciados e vazios, longe de pessoas mal intencionadas que transbordam ódio e reinam na escassez da intelectualidade, do bom-senso e da utilidade ao mundo. Fuja pra longe daquilo que te reduz, porque no final das contas, tudo que você vai precisar hoje, lá na frente e sempre, é estar de pé e pleno, mesmo que hoje você não ache nada disso tão preocupante ou iminente. As maiores desgraças da humanidade foram justamente as que foram negligenciadas e tratadas inicialmente como ‘não tão problemáticas’, ‘não tão absurdas’, ‘não tão nocivas’, ‘não tão extremas’ até que fosse tarde demais. O arrependimento foi certo e o passado não pode ser desfeito. Então faça algo de bom no momento presente e todos sairão ganhando, inclusive você.

Rodrigo Meyer – Author

Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

Escrever ou não escrever? Eis a questão.

Quem lida com a escrita, certamente já se deparou com momentos onde não se sente disposto, inspirado ou com facilidade para escrever. Às vezes também paira alguma incerteza sobre a qualidade ou relevância do que se cria. Tudo isso é natural e não é diferente a nenhum tipo ou nível de autor. Penso, inclusive, que essas situações são ótimos sinais para mudarmos nossa visão do nosso momento pessoal. Enquanto estivermos, de certa forma, barrados para a escrita, devemos acatar esse distanciamento e exercer outra atividade ou até mesmo nenhuma.

Quando nos colocamos a escrever de maneira forçada, caímos na ilusão de acreditar ser produtividade. Na verdade não produzimos mais, pois não progredimos ou não demos continuidade ao que estávamos exercendo quando motivados e satisfeitos. Cumprir quantidade ou periodicidade não é garantia de qualidade e, portanto, isso não é um aumento real da produção. É muito mais produtivo poupar esforços para brilhar no próximo momento favorável, do que estar constantemente tentando fazer a diferença com algo que, no final, não será recebido pelo público e pelo autor como uma diferença de fato, exceto, provavelmente, para pior. Uma queda na qualidade é algo comum e até aceitável se houver uma certa constância no que se faz. Contudo, se notar que está diante de um episódio muito destoante de sua média de criação, é melhor mudar o foco e deixar o tempo resolver.

Pessoalmente tive inúmeros desses momentos, inclusive um bem recente. Há uma semana, aproximadamente, pausei a escrita, pois me sentia cansado pelo calor excessivo e o barulho recorrente na vizinhança. Embora eu seja apaixonado por escrever, a situação ideal é importante pra eu conseguir ser rápido e assertivo no meu modo costumeiro de produzir, na organização das ideias e no resultado final pretendido para determinado tema. Coincidência ou não, assim que tirei o foco da escrita e me voltei pra algumas de minhas outras atividades, me vi muito mais criativo e disposto por lá. Talvez a desmotivação em uma determinada área de criação seja um sinal de que outra área está clamando pra ser executada. Alternando de uma atividade pra outra, sinto como se estivesse sempre vencendo, cada momento em uma coisa diferente. Isso, no final das contas, me deixa satisfeito com o meu histórico de criação geral.

Isso me fez lembrar de uma analogia com algo que descrevi em outro texto, sobre as curvas nas estradas serem projetadas para quebrar a monotonia gerada pela constância da linha reta, pois obriga o motorista a fazer movimentos diferentes de um lado pra outro e controlar outros aspectos da direção com mais atenção. Na vida, penso que seja semelhante. Quando nos colocamos muito tempo em uma certa atividade, é preciso tirar férias ou buscar um momento de lazer. Isso nada mais é que mudar o foco para outra coisa da qual precisamos ou gostamos de fazer. Até mesmo pela Psicologia e Filosofia, fala-se que o ser humano se motiva pelos desafios e novidades e que quando se cai na mesmice, a mente parece perder a concentração ou disposição.

Inúmeras vezes me vi buscando solução pra um projeto e quando não vinha com facilidade, arrastava horas em vão até a desistência. Mas, com uma noite de sono ou uma mudança no período de criação, a solução brotava como mágica. Este seria o cenário ideal pra quem lida com criação, embora saibamos que nem sempre teremos essa liberdade, se tivermos que cumprir a tarefa por trabalho. Nas minhas atividades profissionais, sempre ocorria de agendar uma data com algum cliente e, quando estava próximo do dia, ficava torcendo pra que o cliente ligasse desistindo ou reagendando. Um disparate aos olhos de alguns, mas pra mim era a coisa mais sensata. Isso porque, fora das condições ideais, ninguém ali teria o melhor resultado para o dia. Muito melhor do que cumprir datas é satisfazer o cliente e a nós mesmos. Deixar uma marca positiva envolve não só o resultado do trabalho, mas também o modo como estamos durante o processo para atender as pessoas e compartilhar um bom semblante e uma impressão positiva sobre quem somos e o que fazemos. E, se pararmos pra pensar, isso vale pra todas as áreas da vida, independente se é trabalho ou relacionamento pessoal.

Tenho visitado muito conteúdo pela internet e a proporção de conteúdo ruim encontrada, obviamente, supera facilmente as coisas úteis. Torna-se raro encontrar um texto harmonioso, um assunto incomum, um humor criativo, uma foto que não seja mais do mesmo, uma arte que se possa chamar de ‘autoral’ de verdade, etc. Há vezes em que fico com a impressão de que estou diante de uma falha nos sites, tamanha é a quantidade de coisas que se repetem em tempo real. Pude ver um exemplo triste disso ao montar meu espaço no Pinterest. Visitando o feed para encontrar fotos de determinados temas, vi inúmeros usuários que dispunham de cópias de uma mesma imagem, mas alimentando o site como se aquilo fosse uma inserção nova. Uma coisa é usar o recurso da plataforma pra agrupar e organizar as imagens encontradas numa apresentação simbólica das referências em um álbum (pois é esse o propósito do site) e outra, completamente diferente, é absorver conteúdo do próprio site para recolocar ao ar um novo arquivo mas com o mesmo conteúdo. E quando não são as tais cópias, são imagens com muita semelhança, nas cores, na ideia, no ângulo, na luz, no estilo, etc.

O resumo: o mundo não está criando, só está reproduzindo. Isso é o que acontece quando as pessoas não estão inspiradas a fazer, mas precisam, a todo momento, preencher lacunas imaginárias na internet ou na vida. É a compulsão por criar, sem criar. Vejo isso de forma mais evidente no Youtube, por conta dessa nova tendência de mídia e de trabalho. Por lá, na esperança de atingirem cada vez mais tempo de visualização e dinheiro, as pessoas estão vivendo para a internet full time. Esse excesso de produção de “conteúdo” tem gerado uma tonelada de tráfego de dados desnecessários. Em algum tempo os servidores dessas plataformas serão um cemitério bizarro dos efeitos da compulsão humana em gerar. Do outro lado da moeda, as coisas úteis estão sob risco. Recentemente assisti a notícia de que fanáticos “religiosos” estavam destruindo peças históricas de Nimrud, a antiga cidade síria. Monumentos de valor incalculável viraram pó diante de explosivos e marretas. Enquanto nada se cria de útil, destrói-se o que já foi criado. Nesse ritmo o mundo será um imenso vazio, dentro e fora das cabeças humanas. Estamos cavando nossa própria extinção, como se soubéssemos, consciente ou inconscientemente, que não somos dignos de estar aqui.

Essas situações tristes da vida nos ensina algo que corrobora com o tema inicial desse texto. Mostra que forçar-se a preencher lacunas apenas para crescer infinitamente é o exato caso das células cancerígenas. Sem propósito e sem utilidade, tomam o corpo até a morte. Por essa razão, diante de momentos pouco interessantes, eu faço pausas com o maior orgulho. Paro de escrever, de pintar, de ler ou até de socializar. Volto quando tenho algo relevante pra dividir, algo proveitoso pra mim e pros outros, que seja fruto de uma sincera vontade de expressar, com disposição, com capacidade, com qualidade, com sentido, etc. Na ausência de uma expressão útil em algum momento na vida, um hiato vale ouro.

Rodrigo Meyer

O que causa seus bloqueios criativos?

Um assunto recorrente nas área de criação, como é o caso da Literatura, são os chamados ‘bloqueios criativos’. As pessoas se sentem sem inspiração ou ideias para concretizar uma tarefa relacionada a criação. Talvez lhes falte mais do que criatividade ou talvez estejam sobrecarregadas de outros aspectos que impedem que a criatividade flua. Façamos uma reflexão sobre isso.

O ser humano é, por essência, um ser criativo. Nascemos em determinado contexto e aplicamos nossa percepção de mundo para compreendê-lo, dominá-lo e mudá-lo. Em parte, isso é a expressão da nossa criatividade, a capacidade do ser humano de criar coisas novas, diferentes, úteis ou que suscitem transformações. Está ao nosso alcance o potencial de cumprir essa criatividade sempre que for necessário. Contudo, o modo como vivemos pode interferir na fluidez desse processo.

Quando eu era criança, gostava muito de escrever. Era bem comum juntar um punhado de folhas, nem que fossem destacadas de uma agenda telefônica. Gostava de me sentar sozinho e transpor minha imaginação ou meus dramas para o papel. Se isso refletia qualidade é outra história e, para fins de criatividade, não importa, pois o aspecto essencial daquele processo permanecia sendo a criatividade. Hoje em dia, muitas pessoas atribuem o termo “criativo” para algo que pareça genial ou muito bem elaborado. Mas não é isso que deve representar o exercício da criatividade. Ser criativo é estar simplesmente dando vazão para a criação. Em oposição a isso, temos aquela sensação de vazio ou embargo, como se não conseguíssemos executar nada. Perceba que, o simples fato de concretizar uma criação é um ato criativo, é expressão de criatividade, fazendo oposição ao vazio e a inação.

Com o passar do tempo, eu acumulei muitos manuscritos. Não existia computador na época e tardou o meu encontro com uma máquina de escrever. Eu escrevia entre cadernos, bordas de livros, página avulsas e até pelos vidros embaçados do espelho. Anotava tudo que me brotasse na mente. Executar esses processos me permitia colocar tudo pra fora. Filtrar o que era bom ou proveitoso para algo, era outro momento. Mas, assim que despejava aquelas ideias pra fora da mente, cumpria um processo e eliminava um peso ou incômodo, mesmo que fossem sutis. Esse hábito de estar sempre criando me permitiu olhar o mundo com novos olhos, pois estava sempre à um passo além do nada anterior. Mesmo que muitas de minhas ideias nunca tivessem gerado nenhum fruto, elas nunca brotaram em vão, já que o próprio processo de colocá-las pra fora me foi útil.

Bloqueios criativos existem e parecem desconectar nossa mente das coisas e das ideias. É como se estivéssemos em um mundo diferente e que não pudéssemos mais interpretá-lo ou dominá-lo a nosso favor. Quando isso acontece, é preciso entender quais são as condições necessárias pra que uma ação criativa aconteça. Não se pode esperar que as coisas surjam magicamente apenas por desejarmos que os resultados surjam. Embora isso seja parte de uma equação maior de motivação, o ato criativo depende, apenas, da necessidade de se criar algo. Pode parecer óbvio, mas, infelizmente, muita gente não se atenta a isso. Vejo muita gente idealizando um futuro onde possam se tornar tão criativas quanto outras pessoas às quais elas admiram, como se isso fosse um dom milagroso. A criatividade colocada em prática é nada mais que cumprir a necessidade de se criar algo. Quando nos sentimos compelidos a fazer algo, isso traz, automaticamente, a tal criatividade.

Assim, o bloqueio criativo seria como a consequência da falta de necessidade de se criar. É muito difícil inventar o que não se precisa, por isso, tudo que se inventa é pautado nas necessidades humanas. A roda para o transporte, a lâmpada para a luz, o detergente para desengordurar. Se não temos, dentro de nós, motivos para criar, não temos também as guias para este processo ou a pauta dessa criação. O que vamos escrever, pintar ou inventar, se não precisamos de nada? Querer resultado sozinho é querer o impossível. Mas, se tivermos na mente uma necessidade observada na nossa vida, nossa mente ou nosso mundo, aí temos algo com o que lidar, um caminho com começo e destino. Criar, então, torna-se a tentativa de ligar esses dois pontos entre a necessidade e a sugestão de solução ou mesmo de pesquisa. Independente de resultados em tempo e/ou qualidade, estaremos criativos enquanto estivermos ativos na criação.

No campo da Literatura vi muita gente desistir da criação de livros, pois diziam não conseguir começar. Isso nunca me desceu pela garganta. Pra mim, não existe essa ideia de que não se pode começar algo. Talvez as pessoas desistam de tentar, por não encontrarem algo que lhes pareça satisfatório, pronto e acabado. E esse é o maior entrave pra quem deseja exercitar a criatividade. Escrever um livro, por exemplo, consiste, basicamente, em ter algo pra contar, mesmo que você não goste do resultado inicial. É permitido errar, errar novamente e seguir errando até descobrir que tentar e errar ajuda a compreender o que se pode fazer de diferente. Se você está tentando encontrar uma carta no baralho, cada vez que você encontra as indesejadas, vão aumentando suas chances de encontrar a carta certa. E é só isso que precisamos fazer nas nossas tentativas de criar qualquer coisa. Aprende-se muito errando, mas só erra quem faz alguma coisa. Siga criando, coloque em prática suas necessidades e verá como tudo começa a ser um constante jogo de ligar pontos. Mas nunca se esqueça que sem a necessidade, você não terá nada além de uma folha em branco e uma mente frustrada.

Essa é a dica que eu dou pra quem deseja trazer a novidade, criar um poema, escrever um artigo, fazer um desenho, cantar uma música, cozinhar algo novo, decorar a casa ou programar um software. Não importa em qual atividade você esteja, não haverá nada de consistente pra se buscar, se não houver, antes, uma demanda consistente por algo, uma necessidade por um serviço, um produto, uma expressão de ideia, um ativismo, etc. Tudo que o ser humano faz é pautado nos impulsos diante das necessidades pessoais ou do mundo. Tais necessidades, claro, podem estar vinculadas a aspectos emocionais, racionais ou de qualquer outra natureza. Então, se você achar que está com bloqueio criativo, pergunte-se qual é a necessidade que você tem para aquela criação. O mundo precisa dela? Você tem uma razão pessoal pra expressar aquilo? Às vezes nossa necessidade em determinado momento é de silêncio. Nem tudo na vida é só criação; o mundo também é feito de pausas, contemplações e até de destruições. Harmonize-se com um estilo de vida mais realista para evitar frustrações.

Rodrigo Meyer

Desistir de tudo pode ser o começo do sucesso.

As pessoas estão acostumadas com a ideia equivocada de que sucesso significa, necessariamente, ganhar dinheiro na vida e se tornar conhecido a partir disso (às vezes invertendo essa ordem). É óbvio que, em sociedades onde o bem-estar vem através do dinheiro, ganhar dinheiro é útil. Contudo, essas sociedades não são os únicos modelos de existência e, claro, não são necessariamente os melhores.

Independente disso, falemos, então, de outras inúmeras possibilidades para definir ‘sucesso’. Entende-se que sucesso é conseguir aquilo que se quer e, por isso, compreender bem o que você quer e porque quer isso, será o começo de sua jornada tentando conseguir. De repente você olha pro mundo ao redor, percebe algumas pessoas, aparentemente, ganhando dinheiro e ficando famosas fazendo inutilidades na televisão ou internet e, então, pode lhe ocorrer a nada brilhante ideia de que isso possa ser uma alternativa pra você que se sente esquecido do mundo, precisando de seus bem mais que 15 minutos de fama e um bom dinheiro que contraste com sua pobreza inicial.

Num primeiro momento, parece muito lógico e interessante se enveredar por essa admiração da fama superficial e de tais métodos de ganhar dinheiro. E mesmo que você realmente queira isso pra sua vida, lembre-se que isso não é sinônimo de sucesso, pois se tudo que você deseja na sua vida é ter dinheiro e fama, sinto em lhe dizer, mas você não conheceu nem 0,00000000000000000001% da vida e provavelmente o pouco que conheceu, pode estar tão equivocado que compromete todo o restante. Então, fique atento.

Uma vez que você tenha entendido que sucesso tem que, necessariamente, ser mais que a busca por coisas superficiais que são frutos de traumas, complexos e imaturidades, é hora de compreender-se enquanto pessoa e tentar resolver, antes, todos esses problemas. Superando isso tudo, você começa a enxergar o mundo com novos olhos. É quando surgem opções mais coerentes, mais úteis e mais realistas.

Durante muitos e muitos anos eu me via insistindo em certas atividades e não aceitava bem a ideia de ter que desistir delas. Antes que eu não tivesse qualquer escolha pra controlar os próximos caminhos a seguir, eu comecei a mudar meu foco e fui preparando terreno para outras atividades que eu pretendia tentar. Sentia que tinha largado algo importante pra mim, mas entendi que isso não significava uma perda, mas uma oportunidade de um dia eu voltar mais tarde e desenvolver aquilo com mais condições.

Atualmente, tudo que tenho feito de novo, está alinhado com minhas possibilidades. Tenho sido extremamente realista e larguei um histórico gigante pra recomeçar do zero em outros campos, de novas maneiras, com novas formas de pensar. Desenvolvi, nos últimos tempos, maior confiança sobre mim mesmo, redobrei minha autoestima e fiquei mais engajado em aprimorar todos os aspectos das novas atividades. Ao contrário de quem eu era em outros tempos, hoje eu tenho uma experiência adquirida que me permite entender claramente as falhas cometidas nas atividades anteriores e como eu posso iniciar novos projetos de forma que sejam muito mais assertivos.

Eu nunca teria tempo e visão clara pra essa nova fase, caso eu tivesse preso às tentativas desgastantes e infrutíferas das atividades anteriores. Reconhecer que aquilo não iria pra frente naquele contexto e aceitar bem que deveria largar tudo, foi o começo de uma transformação de desapego ao passado. É como ter jogado rabiscos na lixeira e colocado um novo bloco de papel sobre a mesa no qual vou poder construir uma nova realidade, com tudo que eu já sei que devo evitar ou investir.

Tem dado certo, embora seja um começo. Todo começo é difícil, mas, entre tudo que aprendi, aprendi que difícil não é problema, mas solução. Se é difícil fazer, pouca gente está fazendo e se pouca gente faz, quem faz, tá em vantagem. Ser realista sobre as coisas e ter um pouco de entusiasmo pelas coisas novas é papel crucial pra você transformar um fim em um recomeço.

Tenho que dizer que, aquilo que eu não via acontecendo há quase 20 anos, finalmente está se construindo agora. Não sei dizer o quanto isso é cedo ou tarde, pois pra mim que já me angustiei demais com o passado, toda mudança pra melhor parece ser sempre em boa hora. Quando a gente precisa de algo, ocorrer em qualquer tempo é melhor que não ocorrer. E, por isso, estou motivado em tentar e descobrir o que essas novas atividades me reservam.

Antes, se me propusessem fazer exatamente o que hoje faço, eu diria que não daria certo ou que eu não teria chances. Mas esse pessimismo era apenas um bloqueio forjado como um pretexto para não ter que tentar. Eu não estava emocionalmente preparado pra fazer e, por isso, acabava preferindo lamentar do acaso do que encontrar o caminho para minha disposição em agir. Agora, ciente de inúmeras ferramentas e conhecimentos, estou me posicionando e deixando eu mesmo de queixo-caído por tanta coisa eficiente e bem-recebida pelas pessoas ao redor.

Embora tenha encontrado, ainda, uma ou outra pessoa pelo caminho que estão perdidas na mesmice da conduta e pensamento, tive uma postura mais útil diante delas. Ao invés de me ver com menos opções, entendi que onde as pessoas estão falhando, eu posso ocupar para acertar. Preencher uma necessidade, fazer o diferente, inovar, ser melhor, é algo que sempre quis, mas não entendia bem como fazer dar certo.

Não foi tão fácil como simplesmente acordar um dia, olhar pra trás e ter alí tudo explícito sobre como eu deveria ser a partir de agora. Na verdade, me exigiu muito esforço, muitas horas de estudo, de análise, muita leitura, muitas observações, muitos anos de reflexão sobre cada porém da vida, das pessoas, da sociedade, da mente, de mim mesmo, das minhas condições, das condições dos contextos passados e dos contextos atuais. Comparar o passado com o presente é difícil, pois a cada 3 meses novas coisas surgem e tudo que tínhamos planejado pode já não ser tão eficiente ou necessário. Então, eu tive que mudar o modo de encarar essa limitação, pra que não acabasse novamente frustrado de não poder ter o que queria.

Uma vez que consegui estudar o necessário, observar o necessário, desfrutar das condições psicológicas necessárias e de ter bem claro na minha mente consciente as coisas que eu realmente gostaria e precisaria criar, foi quando eu deixei de ser um mero sonhador e me tornei um construtor. Dia após dia eu estou construindo, colocando as coisas no lugar, sem me preocupar com o tamanho da construção. Estou fazendo o papel necessário em cada momento, em cada dia, como quem coloca os tijolos para formar as paredes de uma casa. Se você não entende porque está adicionando aqueles tijolos, então é sinal de que a casa não foi planejada e você não está realmente envolvido em construir, mas apenas em sonhar.

Desejar sucesso sem fazer o necessário pra alcançá-lo é inútil. Nada ocorrerá na sua vida se você mesmo não construir. Talvez você se entusiasme com grandes muros e casas preexistentes, mas talvez não veja que, por trás daquilo, exigiu-se muita ação e muito mais conhecimento que ação. Deve sempre ter em mente que muitas construções aparentemente erguidas, são só alucinações ou frágeis castelos de areia que se vão quando chega a onda do mar. Por isso, mesmo que você acredite que a vida é fácil, pare e pense em como são os bastidores disso tudo e onde estão ou estarão as pessoas no futuro, depois de terem erguido seus pseudo-impérios na lama. Tudo que tem uma base frágil, um dia desmorona. Tempo perdido e esforço mal investido.

Se você sente-se desconfortável com a situação atual, não tenha medo de tentar coisas novas. Comece sempre com a recomendação que eu mais dou pra toda e qualquer pessoa, que é olhar com sinceridade pra frente do espelho e procurar aceitar as críticas realistas sobre suas capacidades, dificuldades, virtudes e defeitos. Tenha coragem e honestidade pra olhar pra tudo isso e tomar uma ação coerente, decente e útil pra mudança. Não se importe com as pessoas tentando te influenciar a fazer o fácil ou o mais do mesmo. Seja vivo o suficiente pra não começar e terminar a vida como mais um que não vai à lugar nenhum.

Quando falo aqui dessas vitórias e mudanças, estou me referindo a toda e qualquer atividade ou estilo de vida ao qual você tenha percebido como adequados, depois daquela quebra de ilusões. Esse recomeço deve ser algo novo, senão é só continuidade do passado que já vinha dando errado. Recomeço é novidade, é diferença, é acréscimo, é divergência e uma lista de eventos ainda desconhecidos pra você descobrir.

Algumas pessoas começaram suas jornadas procurando um emprego, uma escola, um curso universitário e, de repente, depois de andarem em círculo, se deram conta de que, pra elas, nada daquilo estava sendo útil ou suficiente pra elas estarem realmente onde e como gostariam de estar. Não me surpreende que tanta gente troque, no meio do caminho, de profissão, de curso universitário, de relacionamentos, de cidades e de tantas outras coisas. Precisam mesmo trocar, substituir o que não funciona, mas antes de se reconectar, precisam aprender sobre os erros da conexão anterior, senão estarão só atirando no escuro, sem poder mirar.

Você pode descobrir, de repente, que fazer sucesso pra você, seja esvaziar sua casa e sair viajando pra todos os lugares que sempre quis. Talvez o sucesso que você tanto queria no passado não lhe satisfaça mais com sua nova capacidade de visão do presente. Coloque-se sempre acima e à frente de você e observe-se, entenda-se, aceite-se, transforme-se, recrie-se. Se você perceber que o que você faz está te estagnando ou te destruindo, é hora de mudar. Enquanto muita gente passa a vida insistindo, o sábio procura ser ágil e se reposiciona antes da casa desabar.

Tive bons momentos no passado que carregarei comigo hoje e sempre. Mas, recomeçar não impede nada disso. Na verdade recomeçar é, inclusive, a melhor maneira de se apaziguar com o passado e tirar proveito de cada coisa boa e colocar como ingrediente no presente, desde que haja espaço e utilidade para que continuem a manter tudo bom. Muitas vezes a intenção de certas coisas ou pessoas são boas, mas, na prática, não resultam em bons momentos. Então, é preciso saber isolar e desviar da parte que for indesejável e manter-se sempre sadio e firme, pra continuar construindo.

Sei que muitos de vocês possam ter levantado alguma curiosidade sobre quais seriam essas novas coisas, mas, a dica mais importante que eu aprendi sozinho na vida é que não se deve falar de seus projetos, se não quiser que eles deem errado. Apenas construa e vá todo dia adiante na sua lista de tarefas rumo ao seu objetivo maior. Tire o foco do dinheiro e das superficialidades da vida e verá que o sucesso ficará mais próximo de ser alcançado. Trabalhe pesado e trabalhe em silêncio. Faça as coisas surgirem de repente, surpreendendo. Seja você mesmo o futuro, começando desde já.

Rodrigo Meyer

O que fazer contra o desemprego?

A imagem que ilustra este texto é parte da obra fotográfica de autoria de Dorothea Lange, de 1936, sobre crise econômica.

Quando eu era criança, não conseguia imaginar nenhuma profissão da qual eu me sentisse propenso pra quando chegasse na fase adulta. Embora sempre muito criativo e imaginativo, minhas realidades falavam muito mais de abstrações e sentimentos do que de qualquer coisa menor. Descobrir uma profissão, pra quem sequer tinha certeza desse conceito como útil ou promissor, era difícil. E não era o tipo de ‘difícil’ bom que instigava a mente a explorar em busca de respostas de mistérios.

Diversas vezes eu tentava contornar a fraqueza da realidade, forjando sonhos, imaginando que, com alguma sorte e empenho, eu me veria criando coisas incríveis e figurando em estilos de vida idealizados e estereotipados. Crianças sonham sem culpa. É isso que elas fazem de melhor. Quando adolescente, ficou bem claro que alguns sonhos eram pequenos demais pra continuarem ativos. Com bem menos glamour, eu imaginava, então, invenções menos poéticas, mas igualmente incríveis. Estava lá, inventando máquinas e eletrônicos na tentativa de solucionar a limitação do que já existia no tema.

Verdade seja dita, eu não estava muito distante da realidade possível. Muitos anos depois, tive a surpresa de ver algumas de minhas ideias, finalmente, ganhando forma em projetos da Google e outras grandes empresas de tecnologia. Obviamente que não sou nenhum gênio da informática e nem exatamente um visionário ou inventor de grande notoriedade. Tudo que eu fazia era me concentrar com seriedade nas minhas próprias curiosidades sobre as coisas. Eu me permitia ajustar as ideias conforme elas fossem invalidadas por algum detalhe técnico não percebido inicialmente.

Quando olho pra esses pequenos talentos da minha juventude, fica fácil perceber que, com algumas pessoas a mais e dinheiro injetado para pesquisas, alguma daquelas coisas sairiam do campo das ideias e trariam alguma utilidade além da diversão. Mas não posso dizer que, por isso, eu seria promissor nesse tipo de trabalho, como um profissional. Eu era muito mais um explorador de possibilidades na mente, um pensador e um entusiasta, do que qualquer outra coisa. Não me via estudando o necessário pra certas exigências do mercado de trabalho da época. Em verdade, eu abominava os modelos e as regras das quais não me pareciam eficientes ou úteis.

Meu alívio, em certo sentido, foi saber que, depois de tantas mudanças drásticas no campo da tecnologia, principalmente da informática, as grandes empresas do setor passaram a ter uma visão de trabalho mais viva, mais diversificada, mais subjetiva, mais moderna, mais flexível, mais acessível e mais interessante pra quem não se enquadrasse exatamente como um matemático de formação para o setor da computação. Grandes tempos são esses que vivemos hoje. Podemos cogitar, por exemplo, aprender arte através de algum curso  de dentro das empresas. E sobre cargos, talvez estejamos prestes a ver filósofos serem desejados para empresas que irão viver de entender as necessidades humanas para ofertar tecnologia eficiente.

Escrevi diversas coisas sobre assuntos correlacionados com estes e, depois de já ter aberto algumas portas para reflexão, hoje venho contar sobre como lido com todo esse excesso de possibilidades na vida em um mundo onde, na maior parte do tempo, nem eu, nem a maioria de nós todos, poderá ver grandes oportunidades surgirem para abrandar um monstro chamado: desemprego.

Muito se fala de sofrimento, de injustiças, de carências e defasagens da mente e da vida. Somos seres sociais e, como tais, buscamos opções para amenizar essas dores e frustrações por termos falhado diante dos ideais que plantamos ou que a sociedade passou a nos cobrar. Ter um trabalho significa, entre tantas coisas, a possibilidade de sentir-se um pouco mais incluso na sociedade, mais útil, mais seguro e mais esperançoso pela própria vida.

É evidente que o desemprego tira das pessoas as garantias e seguranças que elas tanto precisam pra ficarem de pé enquanto mentes. Não é nada fácil cruzar os dias sabendo que não há solução pra algo que, contudo, não pode esperar pra ser solucionado. Muitos dos desempregados ou mesmo os que, apesar do emprego, estão completamente endividados e/ou falidos, olham pro trabalho com olhos ansiosos e cheios de desejo. Querer trabalhar se torna algo tão intenso que atropelamos muitas das regras básicas de convivência harmônica. É duro ter que admitir o vazio quando tudo que a sociedade exige de nós é que tenhamos meios de existir de maneira independente.

Mas, a verdade é que na maioria dos casos, só conseguiremos reverter certos cenários, solicitando ajuda de terceiros e encontrando mãos estendidas durante os momentos mais urgentes. Quando penso em soluções para o desemprego na sociedade, penso, antes de tudo, em opções individuais. Não consigo imaginar que algo tão dramático seja visto friamente  pelos olhos de planilhas e roteiros. Isso simplesmente não é eficiente, no final das contas, pois há contas e contas. A realidade prática deve contabilizar verdades incômodas que muitas vezes são ignoradas pelas pessoas, apesar de serem mais gritantes e óbvias que as complexas equações matemáticas por trás de toda essa estratégia socioeconômica.

Claro que, em cenários confortáveis, pode-se deixar fluir qualquer uma dessas teorias. As ideias existem exatamente para serem experimentadas na mente como um doce novo que nos é apresentado numa viagem à um país distante. Mas, quando grande parte das pessoas no mundo estão enfrentando pobreza, miséria, desemprego, abandono, doença, violência, preconceito e descaso, não é sensato pensar que, desemprego é meramente uma questão econômica.

Ciente desde jovem de minhas condições peculiares, me antecipei à tudo e todos e fui construindo meu pequeno mundo paralelo com meu próprio  plano de trabalho. Sempre almejei ser autônomo, por não me ver enquadrado em nenhum dos outros falhos modelos convencionais. Jamais poderia conceber empregos onde eu não poderia ter controle sobre quem eu era, o que fazia, como fazia e porque fazia. Jamais me entregaria tão profundamente com minhas habilidades e focos pra coisas das quais sequer concordava.

Olhando as pessoas ao redor, me enojava de vê-las vislumbrando cargos em empresas reconhecidamente corruptas e/ou antiéticas. Algumas alegariam que, sonhos são sonhos e ficam acima de todos os poréns. Pra mim, tal pretexto pra ignorar a própria fraqueza é pura imbecilidade e covardia diante dos defeitos de conduta e pensamento. Talvez, pra essas pessoas todas, que facilmente se veriam vestindo crachás em alguma quadrilha maquiada de empresa, a ética nunca tenha sido algo tão sério a ponto de levarem isso pra vida prática. No campo das ideias, a poesia vibra nas falas bonitas, mas quando o dia começa e não se pode mais brincar ou ensaiar, é que vemos quem são as pessoas de verdade e o que elas acreditam de fato.

Novamente e toda vez, desemprego nunca será fácil em um ambiente onde o trabalho é socialmente colocado como uma premissa de socialização e dignidade. Você pode, por exemplo, sair em busca de semáforos e pessoas dispostas a doar alguma esmola, mas não será tratado com dignidade pela maioria das pessoas. Um bom teste de sociedade e filtro sobre a qualidade das pessoas é colocá-las para agir diante de situações contrárias, como ‘pobreza’ e ‘riqueza’, por exemplo. É fácil ver que tudo muda, porque as pessoas, interesseiras e preconceituosas, mudam.

É difícil falar de desemprego num país que trata o trabalho como oportunidade pra escravidão, opressão, abuso, corrupção, criação de propósitos questionáveis em produtos ou serviços que, na maioria das vezes, mais degradam do que servem à sociedade. É difícil propor soluções quando os maiores culpados dessas situações não estão nem um pouco interessados em reverter o dano causado. É difícil falar de qualquer coisa útil, pra uma sociedade que venera a inutilidade e se esconde covardemente atrás do silêncio, da negligência, da hipocrisia, das fugas, dos discursos de ódio tão ou mais baratos que os que os que os geram.

Minha melhor proposta ao desemprego não está em nenhum livro de Economia ou Ciências Políticas. Talvez esteja, de relance, em algum de Antropologia ou na orelha de algum livro pouco lido de Sociologia, Drama ou Ficção. São só especulações, mas, porque não? Aqui vão.

Para o desemprego, ou melhor, para os desempregados, recomendo a organização, a união das pessoas e a separação das ferramentas, potenciais e inabilidades. Assim, com um pouco desse raio-x das pessoas contra a chapa da vida, poderemos ver onde há um osso trincado e um órgão em bom estado. Olhando pra dentro de cada pessoa, de suas características únicas ou quase exclusivas, poderemos fazer dessas buscas, uma jornada mais divertida, menos estressante e mais inclusiva.

Sugiro, sobretudo, que os desempregados nunca se calem diante dos que estão confortavelmente ocupando seus postos de trabalho, inclusive os que detestem explicitamente aquilo que fazem. Deixem o assunto pulsar, porque, contra fome e empobrecimento, gritar ajuda a ocultar os ruídos do corpo a falhar.

Com um pouco mais de sinceridade, dormir também ajuda muito, pois quem dorme se esquece que tem fome, mesmo que leve um certo tempo pra mente convencer ao resto do organismo que há meios de deitar, fechar os olhos e, por algum tempo, apagar.

Recomendo aos cansados e aos machucados que busquem alegria no meio dessa dor. Mas também não vou pedir que pintem de rosa a vida cinza, pois pra lutar contra inimigos é preciso ter na ponta da língua o gosto do rancor. Eu recomendo revides criativos, dribles e um pouco daquela velha tática de pensar mais em si mesmo e nos seus aliados, do que em pessoas que, embora pareçam parentes ou até mesmo estejam por perto, não fazem nenhuma positiva diferença quando as coisas apertam.

Recomendo que se isole das pessoas invejosas, das pessoas tóxicas, das pessoas idiotizadas, dos fracos, dos preguiçosos, dos imaturos e dos gratuitamente odiosos. Recomendo que se livre dessa bagagem inútil e siga o caminho com o mínimo possível de peso nas mãos e nas costas. Tente ser alguém que produz e melhora, mesmo quando tem um furacão carregando tudo lá fora.

Penso que a criatividade seja indispensável. Então, se você realmente precisa de opções diferentes das quais está acostumado, não adianta ficar atrás de dicas, livros e vídeos de quem só vai querer ganhar dinheiro em cima do seu desespero por estar sem trabalho. Concentre-se mais no desenvolvimento específico dos seus estudos e talentos e verá que, enquanto muitos estão chorando, outros estão vendendo lenços. Ofereça soluções e as pessoas serão gratas pelo seu aparecimento, seu esforço criativo ou de trabalho. É um bom momento pra construir algo diferente, talvez até mesmo irreverente, mesmo que, no início, possa parecer confuso ou com cara de que não vai dar certo.

Outro ponto poderoso nessas fases da vida é ter gente interessada em dividir ideias e esforços uns com os outros, sem o egoísmo trágico de só aceitarem trabalhar pra si mesmos, sem nunca estender a mão ou doar um pouco de tempo pra experimentar alguma ação que apoie o sonho de outra pessoa, com trabalhos ou produtos que, num primeiro momento, possam não ser exatamente o que você idealizava. Esqueça um pouco o ideal, pois em tempos de crise e desemprego, você precisa, primeiro, conseguir voltar ao seu estado normal e, só então, começar a esculpir alguma ideia melhor, maior ou mais alinhada com seus valores e o seu potencial.

A vida poderia ser justa, se as pessoas tivessem noção do que ela é e do que ela facilmente poderia ser. Mas não é lamentando isso ainda não acontecer que iremos conseguir fortalecer nossos contextos pessoais. Quando o assunto é o agora, você não pode se ver desperdiçando tempo em sonhos que não poderão ser concretizados. Agora deixemos de lado toda essa fala abstrata e vamos apontar ações concretas pra alguns possíveis casos.

Você já convidou alguém da sua lista de contatos para comprar material pra revenda em um atacado? Já se abriu para a possibilidade de fazer arte, artesanato, conteúdos patrocinados? Propôs alguma atividade em duas ou três pessoas do seu círculo de convivência para estampar roupas, ilustrar livros, trocar comida por bebida ou roupas usadas por uma conta de internet viva por mais 30 dias? Entende onde quero chegar?

Sei que cada pessoa tem sua própria realidade e existem todos níveis de desemprego e pressões sociais. A realidade única de cada um, pode, eventualmente, não chegar a contemplar essas opções específicas propostas, mas, com certeza, de alguma outra forma, sempre poderão listar opções diferentes do que simplesmente o lamento e o choro diante do ‘não’. Quando a vida fechar as portas na sua cara, esquive-se da maçaneta, bote o pé entra a porta e o batente e tente. Faça algo do qual possa, pelo menos, sentir-se orgulhoso e tranquilo, simplesmente por ter  consciente na sua mente que você tentou tudo que estava ao seu alcance e que, caso as coisas não saiam como o desejado, você não se sentirá inútil ou derrotado. Grandes heróis são os que enfrentam as batalhas da vida de cabeça erguida, mesmo que, ao final, não saiam vitoriosos daquela específica condição.

Digo isso porque, no final das contas, o que importa não é se você conseguiu ter um emprego ou não, mas sim se você se manteve digno, tranquilo e alinhado até o último segundo possível de ação ou reação. Está tudo bem errar, como também está tudo bem sucumbir ao excesso de problemas depois de tanto lutar. Isso é força, isso é coragem, isso é grandeza, isso é que é viver de verdade. Muitos dos outros, por mais que não lhe pareça, fracassam todos os dias em coisas infinitamente menos complicadas e menos dolorosas, apesar dos seus empregos, seus confortos e luxos, reforçados com seus salários injustamente pagos para estes que não possuem as mais necessárias qualificações pra vaga de trabalho da vida: dignidade, visão e serventia. Aqui serventia está representando o sentido de ‘utilidade’.

Orgulho-me de não ser tão desnecessário quanto a maior parte das empresas e empresários, dos supostos profissionais e dessa gente toda que, de cadeira em cadeira, carimbam com a bunda uma suposta carreira rumo à um ápice de idêntico ou pior isolamento, dor, depressão, morte e silêncio. E viva o grande nada! Obrigado! De nada!

Rodrigo Meyer

Uma vida ruim dá um bom filme.

O ser humano é sensível a todo tipo de emoções e, por vezes, está em busca de bons momentos, risadas e prazeres. Mas, existe satisfação também diante de conteúdos dramáticos, de dor e pesar. Desde que compreendemos as realidades sociais e as sensibilidades humanas, nos interessamos de absorver conteúdos que falem de tudo isso. Talvez sejam formas de solidarizarmos com pessoas ou ideias próximas daquela realidade ou mesmo de acessar nossas próprias dores interiores e nos vermos representados, compreendidos e considerados.

Não sei exatamente quais são os fatores que nos levam a degustar um filme, livro ou quadro que traga dramas e sentimentos tristes. Mas fazemos isso e gostamos disso. Isso não significa necessariamente apreço pelo sofrimento em si. É a experiência de ver a retratação do tema que nos aproxima desses conteúdos.

Muita gente já disse o mesmo e eu endosso a ideia de que uma vida ruim sempre dá um bom filme. A tragédia humana é um bom conteúdo pra ser exposto e compartilhado em uma obra. Somos pegos pelos braços e colocados diante de situações intensas que nos obriga a sentir o mesmo que sentiram os personagens, artistas e autores. Somos levados a sofrer por alguns instantes a mesma realidade difícil de algo ou alguém.

Relatos de guerra, de violência, de abuso sexual, de solidão, de loucura, de abuso de drogas, de abandono familiar, de prostituição, de fugas, sumiços, mortes, traições, medos, inseguranças, complexos, doenças. Tanta coisa pode ser listada e tanta coisa esquecemos de incluir, pois são imensas as possibilidades. Quase tudo na vida humana é um drama, um dilema, uma dor ou uma história de horror. Queremos sempre buscar entendimento dessas realidades, mas, acima de tudo, experimentamos a conexão direta com a emoção dessas realidades. Nos sobe um impulso imediato de empatia ou até mesmo de culpa, remorso, memória e percepção de nossas próprias posições de vítimas.

Por diversas vezes me vi encantado por filmes e livros de dramas pessoais. Essa recorrência óbvia na minha caminhada pelos conteúdos me fez produzir também. Alguns de meus primeiros ingressos na Literatura, por exemplo, se deu com temáticas densas de dramas ficcionais com imensa inspiração em fragmentos da realidade do mundo em geral. Acredito que todo autor, independente do segmento de sua criação, é um organizador de uma certa ‘colcha de retalhos’ onde utiliza a ferramenta de seu talento e cultura pra exprimir, de alguma forma, esses pedaços que permeiam a sociedade desde sempre. É difícil dissociar uma obra qualquer de um profundo conhecimento humano.

Por darem vazão fácil pra uma boa história, os dramas humanos às vezes são romantizados na mente das pessoas como boas formas de se levar a vida. Claro que, em geral, nada disso é saudável ou mesmo fornecedor dos resultados esperados. Mas, ocorre com certa frequência a aproximação das obras com a realidade das pessoas. É o caso de relembrar aquela frase que questiona se a vida imita a arte ou a arte imita a vida. Ocorrem as duas coisas o tempo todo. São inúmeros os casos de pessoas que sentem-se encantadas por um certo ‘glamour’ que imaginam a certos contextos de vida. Romantizam facilmente a dor como se uma vida feliz e tranquila não fosse intensa o suficiente pra ser memorável. Existe sim uma competição de dramas, onde é mais interessante aquele que sofreu mais em sua vida.

Para muita gente, inserir-se como vítima constante nos meios onde socializa, de certa forma, é como lhe conferir um status de personagem em uma boa história. As pessoas querem construir versões idealizadas de suas vidas, porém pelo viés de uma história de drama. O drama parece vencer, de longe, qualquer outro roteiro ficcional para inspiração da vida real das pessoas. A que isso se deve?

Diz-se que o ser humano só consegue ser feliz se tiver objetivos a alcançar. A estagnação de seus esforços pra conseguir algo, pode deprimi-lo. Em países onde certos aspectos da qualidade de vida já são facilmente alcançados, tende a aumentar o índice de suicídio e depressão. É um sinal de reação ao fato de que as pessoas não possuem ambições de progresso mais, que tudo está “tristemente” resolvido e que elas já não se sentem mais diante de uma competição que as faça buscar mais, melhorar, etc.

Pensando nisso, me surgiu a hipótese de que a busca pelos dramas humanos tenha relação com isso. Seria como se desejássemos absorver ou vivenciar realidades piores pra nos manter entretidos e ativos para a busca de soluções e melhorias. Em uma analogia rápida, é como se um profissional que tem satisfação em lapidar diamantes, sinta-se entediado e triste por só encontrar diamantes já finalizados, sem oportunidade de precisarem da ação dele pra qualquer melhoria. É como se uma vida feliz, por alguma razão, nos deixasse com a sensação de sermos inúteis em vida.

Claro que existe muito prazer em desfrutar felicidades e bons momentos, mas note que mesmo na comédia dos cinemas, há uma tendência a rirmos da imbecilidade dos personagens e não de desfrutarmos momentos ao lado deles. Somos sempre espectadores da fraqueza humana, das coisas bizarras, das cenas patéticas, das coisas desajeitadas, das falhas e insuficiências humanas. Não deixam de ser dramas humanos também, apesar de uma ótica diferente e talvez graus bem distintos dos dramas ‘convencionais’.

Não lembro se de fato já li algo sobre, mas tenho em mente a ideia de que a própria comédia surgiu derivada do drama. Será que somos realmente criadores de segmentações da expressão humana ou apenas descobrimos formas preexistentes de contemplar características humanas preexistentes, como, por exemplo, o apreço ao próprio caos? Como humanos, será que somos tendenciosos a querer nos ver sempre em situações difíceis? Será que, no final das contas, a felicidade e o prazer puro são utopias para a realidade? Em situações assim, cabe muito bem estudar Filosofia, Sociologia, Psicologia, Arte e permear muitos mundos, seja pelo Cinema, Literatura ou pela vivência direta com as pessoas, afinal a vida é uma grande obra em andamento a ser descoberta pouco a pouco. Acredito que a experiência de vida pode dar muitas respostas, mas também suscita muitas novas perguntas. No final das contas, nunca alcançamos a razão e sempre ficamos numa infinita dúvida sobre tudo.

Não sei se isso te ajuda, mas dizem que só a Arte salva. Tentemos.

Rodrigo Meyer

Esse é o título. O texto vem a seguir.

Tão importante quando o texto em si, são os títulos que os representam. Quando você entra em uma livraria e se depara com toda aquela profusão de capas, algo te puxa a atenção pra um livro em particular. Você começa sendo guiado pela capa ou lombada e logo em seguida confere o título pra ver do que se trata. É o título que pode te fazer querer consumir aquele livro ou não. É ele a fronteira entre a capa e o conteúdo. E isso serve também pra conteúdos na internet, como as imagens de miniatura de um link compartilhado e sua respectiva descrição / título que acompanha.

Um título eficiente precisa comunicar um pouco do que o texto vai trazer e ter alguma criatividade pra não ser um rótulo técnico e banal que poderia, facilmente, ser substituído por uma sequência de números ou um código de barras. Existem títulos que são muito mais persuasivos para levar as pessoas a ler um livro ou clicar em um link de conteúdo. Mas, muitas vezes, esses títulos fazem uso de sensacionalismo. Para títulos assim (e também para as imagens que os apresentam), chamamos popularmente na internet atual de “click bait”, ou seja, uma isca de cliques. Basicamente tentam atrair a pessoa com algo muito ‘apetitoso’, despertando não só a curiosidade como um micro-prazer em explorar aquela curiosidade. Contudo, o motivo de seu nome é descoberto a partir daí, pois depois de clicar pra ver o conteúdo, percebe-se que não era tudo aquilo e que o título superestima o momento e conteúdo, transformando ervilhas em elefantes e biribinhas de festa junina em explosões atômicas. E a decepção vem, mas já é tarde demais, pois você já absorveu o conteúdo, deixando sua visualização naquela mídia.

Em tempos onde as pessoas vivem de estatísticas pra suas monetizações de conteúdo, atrair incautos pra suas mídias sensacionalistas é quase que uma unanimidade. De maneira similar, impressos como os tabloides americanos e alguns jornais brasileiros, alicerçaram suas rendas na venda desses entulhos sensacionalistas. As pessoas se impactavam pelo absurdo e adquiriam o material pra sanar a curiosidade.

Uma vez que os criadores de conteúdo sabem como as pessoas vão lidar com esse tipo de mídia, tornam-se responsáveis eticamente perante seu público. É extremamente difícil criar um título pra qualquer coisa que seja. Interpretar um valor, um evento, um livro, um vídeo ou filme do cinema, exige compreensão da essência por trás de toda aquela mensagem. Às vezes uma sequência de conteúdos é absorvida com entusiasmo, porque o autor dos conteúdos é mais forte do que qualquer título. Se Bill Gates lançasse um livro escrito “Livrinho 1 – por Bill Gates”, as pessoas teriam curiosidade de saber o conteúdo desse livro, pois independente do título, o autor é alguém relevante tanto pra fãs quanto pra opositores. As pessoas querem saber o que o homem mais rico do mundo tem a dizer. Talvez o título ruim possa ser até mesmo um motivador adicional para a curiosidade, pois não se espera que um milionário não consiga algo melhor pra suas mídias. Mas, se você é um anônimo e está tentando ganhar visibilidade no meio, você dependerá muito da sua melhor apresentação de suas mídias.

Como criar um conteúdo que seja atrativo sem tornar-se sensacionalista ou apelativo? Esse é o grande embate. Eu procuro repensar bastante os títulos finais de tudo que eu produzo, mas às vezes essa tarefa pode ser mais demorada do que a criação do próprio conteúdo em si e, por isso, muitas vezes sou obrigado a simplificar e deixar títulos mais diretos que estejam relacionados com o objetivo óbvio do texto. Mas a obviedade não é atraente, não é instigante, não é criativa, não é viva. Por vezes, sem querer, os títulos podem parecer um pouco sensacionalistas, devido a natureza do texto e por como certas menções no título se tornam indispensáveis ou mesmo o caminho mais fácil pra descrever seu conteúdo.

Algumas pessoas se acham geniais por conseguirem administrar bem essa exploração de click baits, mas, na verdade, são apenas pessoas sem ética que aceitam com tranquilidade forjar conteúdos para parecerem mais interessantes do que são e lucrarem com esse crescimento fácil. Pessoas desse tipo, não estão preocupadas se seus conteúdos prestam ou não. O objetivo delas não é entregar conteúdos relevantes, mas apenas te fazer absorver esses conteúdos, plantando em você a curiosidade diante do sensacionalismo. Vê-se claramente que isso dá resultados entre uma população que é pouco regrada e que tem uma ingenuidade e credulidade exacerbada. A idiotice humana sempre rendeu muito lucro e poder para uma minoria de exploradores dessas massas idiotizadas. O ser humano que pouco questiona o que se apresenta diante de si é o candidato perfeito pra endossar conteúdos vazios e ajudar a propagá-los.

Se o seu conteúdo estiver a altura de um título atraente e criativo, é possível que ele seja adequado sem cair em algo apelativo ou com prejuízo da ética. Não existe uma fórmula específica. Há de se colocar no papel do público e imaginar como seria se deparar com o título e imagem de algo pela primeira vez. Que impacto e sentimento aquilo causaria em determinados tipos de pessoas? Que outros valores e sentimentos essa combinação suscita a quem vê? Entender a psicologia por trás do que criamos é importante para sabermos como somos vistos e como impactamos o mundo. Que legado estamos deixando? De que maneira estamos buscando nossas supostas vitórias? Essas reflexões são urgentes. Em tempos de internet onde as pessoas tendem a imitar casos famosos, o exemplo é essencial.

Quando você se sente enganado com um título ou imagem sensacionalistas e apelativos, depois de compreender que o conteúdo está distante da proposta inicial, você reage como? Você endossa essa mídia mesmo assim? Você boicota tal mídia? Você inspira outras pessoas a seguirem caminhos melhores? Qual seu papel no mundo? Se todos tivéssemos equilíbrio e ética naquilo que produzimos, não veríamos necessidade de tentar buscar sucesso por meio do egoísmo que é tentarmos vencer a qualquer custo, mesmo que isso envolva pisar e usar os outros. Comece a repensar sua conduta, porque até mesmo os melhores e maiores prédios que a Engenharia pode produzir, ainda podem ruir se o solo em que estão alicerçados for insuficiente pro peso. Diz-se que quanto mais alto subimos, maior será o dano na eventual queda. Então, suba sem colocar sua qualidade estrutural em risco e tente vencer da forma correta, pelos motivos corretos e ao lado das pessoas e não contra elas. Você não precisa explorar ninguém pra vencer. Lembre-se do conceito de Ubuntu, onde o coletivo trabalha pra vencer junto e não pra competir entre si. Se todos se derem as mãos pra chegar em lugares melhores, nunca faltará apoio e sucesso pra todos. O bem-estar maior é quando não só nós vencemos, mas todos ao nosso lado também. Vencer sozinho é egoísmo. Vencer junto é paraíso.

Rodrigo Meyer

Sem empirismo, tudo fica estagnado.

O empirismo é a ideia da obtenção de conhecimento por meio da experiência, da prática. Quando nos pautamos pelo empirismo, verdades prontas e conhecimentos teóricos mastigados não entram em jogo a menos que seja como suporte pro bom desenvolvimento da própria experiência, mas não interferindo na experiência em si, diretamente.

Como seria o mundo sem o empirismo? Todo conhecimento que foi adquirido em algum momento da humanidade, precisou ser colocado a prova, experimentado, vivido e pensado. Peguemos o exemplo do fogo, por exemplo. Antes do conhecimento teórico sobre suas propriedades, as pessoas tiveram de lidar diretamente com o acaso e descobri-lo de forma empírica. Alguns podem ter, por exemplo, vivenciado a queda de um raio que incendiou uma árvore e, a partir disso, compreenderam as características de luz do fogo, o modo como se propaga e o dano que causa pela sua ação. É possível também, perceber o calor do fogo pela proximidade e entender que em contato com ele ou com uma superfície que foi tomada por ele, queima-se a pele, sente-se dor e assim por diante.

Entre a percepção das características do fogo e a teoria sobre como o fogo reage do ponto de vista da Química e Física, há um grande percurso de conhecimento empírico. Aprendemos muita coisa antes mesmo de sabermos do que é composta uma chama. Descobrimos que, por alguma razão, um milho de pipoca explode mediante calor suficiente. Aprendemos como combater o fogo e a medida em que entendemos como ele funciona em cada contexto, podemos nos considerar dominadores dele. Outra maneira de se absorver conhecimento sobre as coisas é com a parte teórica e o conhecimento prévio de outras pessoas sobre o assunto.

Ambas as maneiras levam ao conhecimento e ambas são importantes. Se abrirmos um livro de Física ou Química, entenderemos algumas regras preestabelecidas sobre como as coisas funcionam em nosso mundo. Essas premissas ditadas em fórmulas e teorias, explicam as coisas com base no que outros estudiosos já firmaram em seus estudos. Ao longo do tempo o conhecimento humano vai sendo registrado e convertido em uma espécie de histórico do saber pelo qual as pessoas se acostumam, tradicionalmente, a endossar sem questionar, geralmente. Com base no que a Matemática explica, somar 1 unidade com outras 2 unidades, resulta em 3 unidades. E o que está por trás dessa afirmação? É possível compreender isso debulhando a própria lógica que a Matemática tem pra lidar com seu próprio objeto de estudo. Mesmo as sociedades que não detém sistemas numéricos, possuem maneiras de lidar com a quantificação de coisas. Claro que, muitas vezes, se o sistema é simplista e restrito a pequenas necessidades culturais, ele pode ser apenas uma contagem física de nós, por exemplo, em substituição aos números imateriais.

O empirismo nos mostra, então, que a prática sempre precede o conhecimento teórico e que, por isso mesmo, é de imensa importância o fortalecimento desse modelo de aprendizado. A exploração do mundo, no sentido de busca de experiências e conhecimentos, é a maneira universal de nos colocarmos diante do desconhecido e suscitar percepções e compreensões acerca das coisas ou de nós mesmos. A curiosidade nata do ser humano para tentar entender sua realidade, o faz analisar as coisas primeiramente com base em suas experiências, sejam elas propositais ou não.

A vivência de qualquer pessoa traz sempre algum conhecimento. O modo como ela traçou conexão com outras pessoas, como observou e analisou pessoas, os sentimentos que teve, as dores que passou, os lugares que frequentou, as coisas que viu e até mesmo o que deixou de ver, podem servir como imensas bibliotecas de conhecimento. Diz-se sempre que devemos respeitar os mais velhos, tanto pelo seu legado na sociedade como pela sua situação de fragilidade, se comparados aos jovens ativos. Muito disso envolve o conceito de que, o tempo vivido é também um valor, embora existam muitas pessoas que não o reconheçam.

O desprezo ao empirismo denota falha no conhecimento e na conduta, tornando a teoria inútil como forma de aprendizado pleno, por limitar a realidade apenas ao que é entregue pronto, sem levar em conta de que tudo aquilo que figura na teoria é originário de conhecimento empírico anterior. As pessoas que dizem ter preferência pelo conhecimento teórico precisam, portanto, agradecer ao empirismo e a todos que se aventuram no empirismo ainda hoje, seja pra questionar certas tradições ou pra explorar assuntos novos e camadas novas dos mesmos assuntos. Assim sendo, quanto mais tempo de vida você tiver e quanto mais realidades você já tiver vivido, mais valor você possui. Ajuizado aquele que reconhece esse teu valor.

Claro que, eventualmente, diversas pessoas cruzam a vida quase que a esmo, sem grande senso de investigação da verdade ou sincera reflexão sobre os assuntos e que, por isso mesmo, tornam-se referência falha, apesar do tempo de vida. Mas, sabendo filtrar de maneira rápida, você já consegue estabelecer uma lista de pessoas que tem história pra contar e sabedoria pra partilhar. Além de tudo isso, é preciso destacar que o conhecimento empírico sobre certos temas, torna o tema mais relevante e/ou intenso, em razão do impacto inerente ao ‘sentir’ aquela realidade diretamente. Por isso, costuma-se dizer que ‘só quem viveu na pele sabe como é …”. Espero ter deixado algumas reflexões pra vocês repensarem os modelos de conduta social, profissional e pessoal.

Tenha em mente que se o conhecimento empírico cessar ou for desvalorizado, encurtamos drasticamente os próximos conhecimentos que terão de passar, necessariamente, pelo empirismo antes de tornarem-se teoria e tradição no conhecimento. Esteja sempre aberto para coisas que não domina no momento e deixe que as pessoas possam expressar o valor de suas experiências nos temas em que foram mais fundo por contra própria. Evite considerar o seu desconhecimento como um sinônimo de suficiência diante de um tema.

Rodrigo Meyer

Como é ser autônomo?

Existem muitas formas de se bancar a vida e uma delas é pelo trabalho. Entre as possibilidades de trabalho, ser autônomo carrega um peso no termo que nem sempre tem. Às vezes as pessoas pensam que um autônomo é um desempregado ou alguém que faz bicos pra sobreviver. Um autônomo, na verdade, é qualquer pessoa que trabalhe por conta própria, que leve seu próprio serviço ou produto adiante, sem depender de um chefe. O autônomo é, portanto, alguém que tem autonomia em seu trabalho.

Passei uns 15 anos da minha vida trabalhando com Fotografia e uns tantos outros mergulhado em Comunicação, Editoração, Vendas, Design Gráfico, Literatura e outras coisas. Acredito que boa parte dos motivos dessa diversidade está na própria dificuldade que é se manter ativo com esse modelo de trabalho. Quando se é autônomo, todo investimento parte do seu próprio bolso e, quase sempre, você não tem a estrutura necessária pra tornar-se, logo de cara, um grande profissional. Todo começo é difícil e requer resiliência. Mesmo se você gostar muito do que faz e tiver persistência, ainda sim pode se ver derrapando pra fora dos seus objetivos.

Diferente do trabalho convencional de carteira assinada, o autônomo não tem garantias de que no final do mês terá a mesma renda. Apesar da aparente liberdade que é gerir seu próprio negócio, ser o único responsável pelo seu trabalho e ter certos confortos como poder decidir suas regras, você não está imune a realidade. Acima de tudo, ser autônomo é lidar diretamente com clientes e ter que assumir responsabilidades em todas as direções. Ficamos responsáveis por gerir nossas finanças, nossa propaganda, nossa captação de clientes, o atendimento aos clientes e potenciais clientes, o portfólio de nossos serviços, nossa imagem pessoal, nossos espaços de trabalho, nossos colaboradores, nosso fluxo e horário de trabalho, nossa produtividade, nossos riscos e instabilidades diante do mercado, etc.

Ser autônomo é ter que conviver com a possibilidade de que lhe faltem clientes pra cumprir a renda suficiente pra bancar as contas do mês. Muitas vezes, nossos períodos de arrecadação sequer são mensais, exigindo que controlemos os gastos de quando entrou renda pra que ele dure pelos períodos onde não houver trabalho. Claro que o trabalho registrado também tem riscos. Uma empresa que se veja em crise ou pressão financeira pode acabar demitindo funcionários para cortar seus gastos. E mesmo quando bem estruturadas, podem acabar recusando certos profissionais com base em suas limitações e currículo. O imprevisto não é exclusividade do autônomo. A suposta “estabilidade” da qual o emprego formal leva fama, não é tão real assim e, dependendo do tipo de trabalho formal, torna-se até a pior opção pra quem busca qualquer grau de estabilidade.

Desde que você aprenda corretamente o caminho pra trilhar, o trabalho autônomo pode ser uma forma eficiente de vencer financeiramente, desde que você não esteja na contramão de certas premissas do próprio mercado de trabalho e da sociedade em que está atuando, o que já é bastante difícil, principalmente se você buscou o trabalho autônomo pra fugir dos problemas do trabalho formal. Eu nunca quis emprego formal e desde pequeno sempre imaginava que as profissões que eu teria, sejam lá quais fossem, seriam sempre empreendimentos próprios. E eu tentei isso de muitas maneiras, embora lamente muito não ter recebido nenhum apoio nunca, mesmo que fosse meramente simbólico e emocional. As coisas poderiam ter sido muito diferentes, o que não impede que, eventualmente, sejam no futuro.

Quando você é autônomo você precisa entender não só da sua atividade técnica específica como também das questões ao redor do seu negócio. Ser gestor de um produto ou serviço e, também, de si mesmo como funcionário, é ter a cabeça fervilhando de barreiras, dúvidas, pressões e necessidades. Criar algo que seja relevante, assertivo, coerente com o momento, sem deixar sua carteira vazia é um desafio grande. Você acaba aprendendo muita coisa com esse jogo de cintura, mas também perde muito dinheiro e oportunidades experimentando o desconhecido e tentando corrigir suas falhas anteriores.

Enquanto empresas possuem uma equipe de funcionários trabalhando cada um em seus departamentos, o autônomo faz o papel de todos esses funcionários e mais diversos outros. É um esforço grande, muitas vezes fonte de exaustão física, mental ou psicológica e deixa muita gente desmotivada ou deprimida, principalmente quando os retornos financeiros não condizem com todo esforço feito.

Se você tiver o azar de escolher uma atividade que não seja compreendida e/ou valorizada pela sociedade, você pode se ver pressionado a mudar completamente seus objetivos de trabalho caso queira ter clientes. Isso significa, muitas vezes, trabalhar com o que não gosta, produzir coisas que não tem a sua personalidade e até mesmo a executar trabalhos que não são de fato os realizados por aquela profissão. Muitas vezes como fotógrafo, por exemplo, as pessoas queriam apenas imagens ao invés de Fotografia e a isso a Fotografia não se presta. Essas situações faziam o trabalho parecer caro demais, similar quando uma pessoa que está procurando por patins, se depara com os custos da produção e viagem de um foguete pela NASA. São coisas totalmente distintas. Aparentemente são meios de transporte, mas os objetivos e utilidades não se aproximam em nenhum grau.

Compreendidas as limitações culturais e educacionais da sociedade, os próximos dramas do trabalho autônomo estão mais relacionados com nossas próprias limitações. Investir em aprendizado, atualização, equipamentos, softwares, livros, mídias e tudo que envolve existir por completo no mercado, exige condições financeiras e empenho em aprender. Como o dinheiro já é escasso no começo, todo progresso vai a passos de tartaruga, porque você não pode, por exemplo, bancar um curso sem antes ter clientes para ter renda suficiente pra bancar suas contas comuns mais a conta desse curso. Resumindo, é aventurar-se em tentar chegar o mais longe possível, com o mínimo de estrutura.

Hoje em dia com as plataformas digitais, como Youtube e Facebook, o próprio modelo preexistente ajuda a guiar os profissionais pro caminho do sucesso. Mesmo assim, ainda são inúmeros os casos de pessoas que, pelo extremo despreparo, não conseguem sobreviver nas atividades iniciadas e passam anos andando em círculo em tudo que tentam criar. As plataformas não te ensinam a vencer, mas te dão trilhas bem consistentes de como permanecer no caminho. O restante depende muito do produto ou serviço e da forma como você faz uso das ferramentas disponíveis pra engajar seus clientes nessa caminhada. Muita gente desperdiça dinheiro, tempo e imagem, seguindo equívocos gigantes por efeito manada. Veem muita gente errando e acreditam que aquela prática é o normal. Imitam e erram também, ampliando o efeito para os próximos incautos.

Mesmo quando o autônomo vence nos seus objetivos, permanece a dureza do próprio trabalho que, a medida em que cresce, precisa ser mantido com cada vez mais empenho, pra não correr o risco de ruir da noite pro dia. A melhor postura pro autônomo que pretende se consolidar é ir formalizando e diversificando seu trabalho, de forma a ter mais garantias, caso algo saia errado em parte de suas atividades. Todo dinheiro conquistado deve levar em conta os riscos e inconstâncias e tentar sempre superar a meta básica como forma de estocar renda para os momentos de escassez.

Eu sou um grande incentivador pra que mais gente se torne autônoma, em diversos nichos. Contudo, sei que boa parte das pessoas possui medo de começar um negócio próprio e elas parecem ter mais medo ainda de dedicar estudo real e profundo pra uma área. Enquanto as pessoas acreditarem que as atividades são fáceis, nunca as executarão de forma efetiva. Negligenciar investimentos em estudo e estrutura é a receita garantida pra fracassar logo no começo. E, infelizmente, muita gente não aprende com o tombo e corre pra debaixo das asas do trabalho formal pra chorar suas dores.

Ser autônomo pode ser um modelo bem divertido de trabalho, se você gosta mesmo do que faz. A grande sacada pra sair na frente é pensar fora da caixa e acreditar de verdade naquilo que você faz e nos objetivos de seu trabalho. Talvez você não se torne rico, mas com certeza cada dia de trabalho estará bem justificado na sua vida. Acredito que pessoas criativas e ousadas abrem portas que muita gente evita ou sequer vê. E por trás de portas pode não haver nada, como também pode haver tesouros incríveis. O bom jogo é explorar as possibilidades e ser uma pessoa flexível, curiosa e aberta pro incomum, pro diferente, pro novo, pro incerto, pro inesperado. Todos que venceram, tentaram. Todos que desistiram, garantiram o fracasso. Escolha seu lado, escolha suas ferramentas e vamos pra ação!

Rodrigo Meyer