Quem são os apoiadores de Bolsonazi?

Inicialmente, antes das eleições do final de 2018, o quadrilheiro saiu do anonimato e ganhou fama, em especial pela repugnância e polêmica de suas afirmações em uma ou outra mídia, com ajuda de uma gangue de crianças de não mais que 13 ou 15 anos de idade. A imaturidade de todos, inclusive do referenciado, uniu essas pessoas em uma ideia em comum que era a de autoafirmação diante da sensação de serem completos imbeciloides diante da vida séria, adulta, etc. Enquanto adolescentes de 13 anos tentavam se sentir adultos, fracassavam tanto quanto seu bandido de estimação, Bolsonazi.

As afirmações racistas, machistas, homofóbicas, de incentivo ao crime, violência, milícia, extermínio de pobres, ódio de classes, ridicularização de vítimas, somaram-se com aquele aspecto patético de pseudo-masculinidade atrelado a armas e bandidos fardados do Exército e da Polícia Militar, culminando numa fácil aceitação por esse público de adolescentes mal resolvidos com a puberdade, com inconsistência / fraqueza mental, covardia, insegurança psicológica e uma criação social moldada por famílias desestruturadas, cheias de vícios de conduta, de ética e outras mazelas. Não demorou muito pra que essa sopa de desgraça, alimentasse a mídia onde esses adolescentes improdutivos mais gastavam tempo: a internet.

Por muito tempo, essa catástrofe midiática foi vista apenas como uma moda patética. Mas foi justamente a visibilidade ao trágico e cômico que deu espaço pra que uma figura que era anônima na política há quase 30 anos, ganhasse repercussão. Passou a figurar em mais programas de televisão, em notícias, memes, etc. Uma vez famoso por todo lixo que proferia em palavra e conduta, chamou atenção de um novo público que se juntaria à ele: adultos conservadores, bandidos fardados, racistas, neonazistas, milicianos, quadrilheiros, estupradores, traficantes, estelionatários, burgueses corruptos e qualquer um que se sentisse representado pelos crimes que ele enaltecia.

A cada vez que ele elogiava um bandido fardado em qualquer mídia, essa classe se sentia finalmente protegida e acolhida, com respaldo de alguma figura pública famosa. Isso dava a certeza de que poderiam aumentar e perpetuar seus crimes e condutas com a chance de ainda serem condecorados, melhor pagos, enaltecidos em mídias e normalizados como o padrão de realidade. Se antes tinham que se esconder nas intervenções nas favelas pra cobrar propina, pedágio, traficar armas e drogas, assassinar inocentes, forjar cenas de tiroteio pra justificar assassinatos de inocentes, agora poderiam simplesmente fazer isso em qualquer lugar, de qualquer maneira. E fizeram, como mostra o episódio em que o exército disparou 80 (oitenta) tiros contra um carro de uma família inocente, seguido do comentário do Bolsonazi de que o exército não havia feito aquilo.

Não demorou nada pra que parentes e cônjuges cúmplices desses bandidos fardados entrassem em defesa daquele idoso fétido que discursava em favor do crime, sob a fachada falsa de repúdio ao que eles chamavam (e apenas chamavam) de crime em si. Enquanto defendiam a invasão pesada nas favelas, sobre o pretexto de combater o tráfico, na verdade encobriam o fato de que as próprias UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), na verdade eram os próprios controladores do tráfico de drogas local, tanto na parte do dinheiro, das armas, quanto das drogas, movimentando fortunas gigantescas simplesmente pela facilidade que o cargo lhe conferia. Uma estratégia comum entre os frouxos e covardes, que precisam se esconder atrás de um colete a prova de balas, uma viatura, um distintivo / cargo / profissão, um pseudo-aval do governo para terem acesso a algum poder sobre os outros, por meio do crime, corrupção, violência e patetice. Munidos não só de balas e armas, tinham também um salário oficial seguido de uma fortuna paralela vinda da corrupção da própria “profissão”. Enquanto isso as elites continuavam a traficar com seus helicópteros com meia tonelada de cocaína ou, como vimos mais tarde, pelo próprio avião da FAB (Força Aérea Brasileira), levando cocaína para o exterior junto com a comitiva do “presidente” Bolsonazi.

Tal realidade sempre existiu e, com o passar do tempo, foi citada e homenageada. A cada crime cometido por um destes bandidos fardados, Bolsonazi ou um de seus familiares, logo se pronunciava em admiração e proteção, tentando criar uma imagem social de que ser bandido era o ápice da grandeza de um indivíduo. Aquela visão falha, frouxa e tragicômica de masculinidade que nunca figurou além de pseudo-masculinidade. A insegurança nesse quesito foi o alicerce pra construir um modelo imaginário que atingisse ainda mais apoiadores, por meio de afinidade com o problema. Agora já não precisava ser apenas bandido fardado pra se sentir pertencente ao grupo de “valores” que Bolsonazi protegia. Se ele figurasse ao lado de amigos condenados por estupro, por exemplo, logo atiçava os olhos de estupradores para se sentirem parte do time. Se ele saía à público pra humilhar mulheres, os machistas erguiam as mãos em saudação à um similar. Se a humilhação fosse pra gays e lésbicas, os homofóbicos (muitos deles, homossexuais não assumidos publicamente e muito mal resolvidos com o tema) batiam a mão no peito de orgulho por ver que alguém os ajudava a encobrir essa condição deles.

Quando figuravam nas notícias as ações de extermínio, estupro, assassinato e desova de corpos, de forma massiva e aleatória por parte dos bandidos fardados da “polícia” e “exército”, uma classe burguesa aplaudia simplesmente por ver que pobres e negros estavam sendo eliminados do planeta. Pouco se importavam que o ideal racista deles fosse um crime triplo de racismo, assassinato e apologia ao crime. Sentiam-se livres pra falar, afinal, dejetos similares já foram falados publicamente em todo canto, repercutindo nas redes sociais. O Brasil se sentiu finalmente bem representado, por uma figura que enaltecesse a elite corrupta, a classe média corrupta que almejava ser rica como a elite e uma classe pobre corrupta, que, enganada pela classe média e pela burguesia, eram a força motriz de suas próprias mortes e desgraças. Nasceu o tragicômico “pobre de direita”, a figura que acreditava que a miséria em que ele estava inserido era culpa apenas dele e que ele poderia sair dessa condição, apenas se esforçando. Ironicamente, nenhum deles saiu da condição de miséria, senão pela corrupção ou outras formas de crime, tal como o exemplo dado por seus exploradores acima.

A elite branca, composta de todo tipo de inúteis que jamais trabalharam na vida, alimentados pela exploração do capital e da força de trabalho alheia, receptores de heranças (incluindo as gordas heranças de militares e antigas famílias beneficiadas por doações de terras pelos governos corruptos das épocas de ditadura militar e monarquia), agora tinham uma marionete útil que lhes servia facilmente. Montados em grandes mídias de pseudo-jornalismo, rádios, canais de televisão e outras empresas de fachada pra extensa e contínua lavagem de dinheiro, puderam investir esse excesso de dinheiro, contra os seus opositores, controlando como e quando as peças do jogo seriam movidas por essa regra mundialmente difundida, chamada ‘poder financeiro’. Cada vez mais tinham a possibilidade do dinheiro comprar decisões favoráveis na “Justiça”, de abafar delatores, de comprar o assassinato de seus opositores, de comprar espaços nas mídias para inserção de seus pontos de vista, de fundar instituições de lavagem cerebral (e também de dinheiro) como as pseudo-Igrejas, que em inúmeros casos estavam atreladas ao tráfico de drogas e armas, evasão de dinheiro pro exterior, acobertamento de estupradores e/ou pedófilos e todo tipo de banditismo esperado por um grupelho de pessoas que viram no Brasil o potencial para montarem em cima da população otária, para usurpar dinheiro e outros benefícios, sem precisarem sequer se esforçar pra isso, já que os próprios explorados estavam cada vez mais mergulhados na chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde passam a admirar e proteger seus próprios opressores.

Com tamanha facilidade da perpetuação do crime, com o tempo a realidade foi se tornando saturada e insustentável, uma vez que todo o massacre gerou também um risco de reação explosiva de resistência. Então encontraram uma solução emergencial que foi o golpe político na democracia, para controlar de vez tudo e todos. Eliminaram a primeira resistência a todo esse entulho, ao inventar um crime para atribuírem à presidente da época, Dilma Rousseff. Sendo claro a inexistência do crime, tiveram que forjar uma análise jurídica do caso, sob os votos comprados na Câmara e dos acordos políticos de bastidores, como sinalizado no áudio vazado das conversas que se tornaram meme na internet falando de “estancar a sangria” por meio de “um grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”. Tempos depois pudemos perceber a aplicação prática disso, ao ver como as estâncias de julgamento do ex-presidente Lula o tiraram da elegibilidade das eleições de 2018, sob a alegação de crime, por meio de uma denúncia forjada, um julgamento comprado e manipulado por interesses políticos, sem nenhum alvo real e concreto em termos de crime e provas, mas que, por meio de um teatro midiático e o apoio da quadrilha Bolsonazi, ficaram validados e cimentados pela corrupção de mídias, políticos, instituições públicas, delatores comprados, delegados e juízes assassinados, além do caso histórico do extermínio de Marielle Franco que, justamente, denunciava a ação criminosa dos bandidos fardados. Pudemos constatar o ocorrido, quando veio à tona recentemente os vazamentos das conversas do “juiz” Sérgio Moro, conhecido como Marreco de Curitiba, forjando o processo e a condenação de Lula por meios de acordos. Graças a mídia “The Intercept”, pudemos ter acesso a essas conversas vazadas comprovando a corrupção que já sabíamos mas aina não tínhamos provas.

O desgoverno chegou ao “poder” e cumpriu o esperado pelos seus idealizadores e financiadores. Entregou o país para os americanos, privatizando tudo o que fosse possível, desvalorizando e vendendo em troca de nada, conferindo um lucro astronômico para acionistas e burgueses de dentro e fora do Brasil, atrelados a esse modelo corrupto de fascismo, conservadorismo, ódio de classes, racismo, neonazismo, machismo, incitação ao estupro, veneração ao banditismo militar e tudo aquilo que cansamos de ver e saber estar atrelado a essa classe que toma de assalto os espaços políticos e públicos pra ganhar uns anos a mais de vida nadando na fortuna que nunca tiveram competência, mérito e coragem de conquistar por meio de trabalho e inteligência. Basicamente um atestado de frouxidão nunca visto antes. O clássico clichê (redundância proposital) da estupidez humana, que, na ganância por dinheiro fácil e diante da barreira de um Q.I. estrondosamente insuficiente para as ações cognitivas mais simples, tiveram que se render ao crime, ao fascismo e a violência para se apossarem do que queriam.

Passaram-se alguns poucos dias da “posse” do desgoverno atual em 2019 e o nível de desemprego aumentou pra números recordes, junto com a taxa de suicídio. A criminalidade disparou, os casos de corrupção aumentaram não só em número de casos, mas em volume de dinheiro envolvido. Somente alguns desses casos já conseguiram atingir o patamar dos trilhões em corrupção. Somados todos, o número seria incalculável para a noção média atual. O Brasil é recordista em arrecadação de impostos, em corrupção, em pobreza, em lavagem cerebral, em sonegação de impostos, em lavagem de dinheiro, em exploração do trabalho, em usurpação do dinheiro em instituições pseudo-religiosas, no tráfico de droga e armas e em qualquer outro crime que você quiser incluir na lista. Somos um pseudo-país, fazendo pseudo-política, para que uma porcentagem minúscula de frouxos seja beneficiada.

Atualmente nossa alimentação está tomada por 269 novos venenos adicionados na agricultura, entre eles diversos que são altamente letais e cancerígenos. Esse veneno está presente inclusive nas torneiras das casas, segundo o mapa da água e tem como objetivo claro e direto, o extermínio da população mais pobre, seguido da oportunidade de lucro fácil em cima de um problema que nunca existiu, exceto como barreira pro banditismo da burguesia. A aposentadoria não será mais possível aos brasileiros úteis, que terão que trabalhar até o dia da morte, já que a idade média de longevidade é inferior à idade estabelecida pela reforma da previdência. Diversas classes especiais de beneficiários da previdência foram simplesmente removidos, mas não por que falta dinheiro para mantê-los e sim porquê o objetivo é explicitamente matá-los depois de escravizá-los ao máximo possível pelo trabalho, com um salário indigno sem direito a nenhuma aposentadoria, enquanto todo esse montante arrecadado pela instituição, é direcionado pra engordar os benefícios já gordos da classe que menos paga impostos no país: políticos, militares, banqueiros, grandes mídias e burgueses em geral. Enquanto o modelo prático é o do dinheiro fácil tirado à força da massa pobre, incitam a população idiotizada a repetir o discurso da meritocracia, a mesma meritocracia que eles nunca irão seguir, até porque sabem tanto que não existe e não funciona, que tiveram que desistir de tentar e se envolver com o crime pra obter qualquer “vantagem” financeira e política.

E é tão somente por toda essa afinidade com o crime, violência, opressão, machismo, homofobia, fraqueza mental, insegurança, masculinidade frágil, Q.I. limitadíssimo e falta de perspectiva pessoal e social, que uma parcela podre da população brasileira apoiou e segue apoiando a quadrilha Bolsonazi, assim como todos os demais grupos sociais que fazem parte, direta ou indiretamente, dos “benefícios” que a quadrilha os concede, por meio de acordos criminosos nos campos políticos, midiáticos, financeiros, militares, etc. Se você, ingenuamente, achou que era por combate à corrupção o ódio dessas pessoas contra as figuras como Dilma, Lula (frequentemente avaliados como Centro-Esquerda ou até mesmo apenas Centro) ou a qualquer figura posicionada no espectro da Esquerda ou em posição qualquer que seja que se oponha à quadrilha Bolsonazi, então lamento pela sua ingenuidade. Não existe bandido ideologicamente convicto que seja contra a criminalidade ou corrupção. Basta ver que, durante o teatro tragicômico que foi a chegada do desgoverno Bolsonazi em 2019, o que não faltou foi notícia de eleitor assumido do quadrilheiro “eleito”, figurando em crimes de tráfico de drogas, assassinato, estupro, sonegação de impostos, desvio de verbas, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e o que mais você quiser listar como crime. Basicamente a realidade é uma só: se foi eleitor de Bolsonazi é bandido ou admira e faz apologia ao banditismo, o que dá no mesmo. Se uma figura que se declara e/ou se alia com neonazistas, homofóbicos, racistas, machistas, milicianos, estupradores, traficantes, estelionatários e afins, discursa na mídia abertamente e atrai o interesse de voto de um indivíduo, então esse indivíduo não se opõem aos crimes por ele praticados, mencionados, aplaudidos, abafados, homenageados, elogiados, ostentados, perpetuados e normatizados. O eleitorado de uma escória desse tipo, torna-se igualmente criminoso por endossar os crimes e por ter uma mente completamente voltada para a validação desses ódios, preconceitos, violências, crimes e fraquezas. O eleitorado que se sente representado por uma escória, vê na figura da escória um espelho, uma identificação.

A boa notícia é que ninguém precisa estagnar a mente e pode melhorar o Q.I. e a conduta, aprimorando sua reflexão, sua moral, sua percepção da realidade, etc. Alguém que passou a vida passando vergonha tentando contornar as fraquezas e incompetências por meio da violência, dinheiro e criminalidade, pode, agora, se quiser, tentar conquistar uma realidade positiva e estável pro coletivo, tentando ser alguém decente, com pensamentos e condutas decentes. O Brasil, na era do governo Lula chegou a ser a sexta maior economia do mundo e agora, somos uma piada internacional, listados abaixo de 250 no ranking. O Brasil não ganhou nada, perdeu tudo e talvez tenha perdido o mais importante: a possibilidade de reverter o quadro à tempo. Os desfechos tristes na economia, no trabalho, na educação, no meio-ambiente, no clima, na previdência, na democracia e na estabilidade mínima social, deram um golpe letal no país que, finalmente, conforme alguns países gostariam que fosse, está sem governo, sem projeto de nação, sem resistência, sem oposição, pronto pra ser entregue e sugado. Sempre que uma ditadura é instaurada no Brasil (mesmo as que são maquiadas de democracia), tenha certeza de que quem financia ela são os Estados Unidos com ajuda dos burgueses do Brasil. É assim que eles chegam no objetivo financeiro e de poder, pra continuarem controlando esse quintal (talvez um mero banheiro de beira de estrada), chamado Brasil, onde eles podem vir, levar todo ouro, petróleo, ciência, tecnologia, recursos naturais, dinheiro advindo da mão-de-obra escrava altamente lucrativa e voltar sem esforço nenhum, sem precisar morar nesse buraco trágico e insustentável.

Pra você que se opõem a quadrilha Bolsonazi e a todo esse modelo sujo e frouxo, cabe a você a ação direta. Nada menos que a ação direta será eficiente ou suficiente. Tudo menos que a ação direta será mera piada entra os cochichos da própria quadrilha que pouco se importa com a repercussão dos estragos feitos e que, com orgulho, ainda anunciam que estão só começando. Se você for passivo demais a ponto de baixar cabeça pra essa escória, então você será parte do problema. Converta seu cansaço dessa situação asquerosa em ação direta engajada, inteligente, consistente, contínua e inegociável. Faça o seu melhor ou sua vida será a pior possível. Uma frase do ativista negro Martin Luther King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Organize-se em favor da liberdade.

Rodrigo Meyer – Author

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Crônica | Os três bandidos.

Ela, a quem chamarei de Fabiana apenas, para suprimir a identidade, era daquelas que adorava enaltecer a polícia e criticar bandidos. Porém, Fabiana comprava câmeras roubadas, apenas porque lhe convinha, era mais barato do que ter que trabalhar pra adquirir uma. Fabiana se sentia empoderada em criticar gente como ela mesma: bandidos. No fundo, eram todos unidos. em uma mesma cadeia de processos. O ladrão de câmeras roubava as pessoas usando armas conseguidas, direta ou indiretamente, com a própria polícia. O tráfico de armas sempre a serviço de mais e mais criminalidade. Fabiana alimentava tudo isso, desnecessariamente. Quando colocada diante da contradição, espumava de raiva por dentro a ponto de arquitetar ideias patéticas como inventar preferências por carreiras como na Polícia Científica. Por dentro eu ria, ao mesmo tempo em que lamentava a ignorância saturada. Que gente fraca, quanta desonestidade em um ser só. Como poderia caber? E o que são estas pessoas senão esse falso crachá de moralidade, só pra justificar ódio e egoísmo? O crime? Sempre esteve ao lado destes. Honestidade não é o forte de quem é peça indissociável do crime. Fabiana deve estar se amargando essa hora, mesmo depois de anos, ao lembrar que não tinha argumento válido pra sua ideia e conduta. Fabiana queria comprar câmeras de quem rouba câmeras, mas não queria que roubassem a câmera dela. Fabiana é muita gente. Fabiana é o câncer da ignorância que mata a sociedade todo dia.

Rodrigo Meyer

Honestidade na Segurança Pública?

No Brasil, assim como na maioria dos países do mundo, as instituições de polícia são sinônimo de crime. A diversidade e intensidade de crimes cometidos é tanta que é praticamente indissociável o nome das corporações e dessas profissões em si com tudo o que é abominável. Mas, como também somos um país minado por falta de Cultura e Educação, por aqui também figura uma massa gigantesca de pessoas que sequer sabem discernir entre realidade e ficção ou entre realidade e falácia, ainda mais quando as mídias e os grupelhos políticos usam a própria população como marionetes para assumir um determinado pensamento no lugar destes que não tem autonomia para pensar. É por essa razão que surgem, por exemplo, discursos do tipo “Nem todos são assim. Tem policial honesto.”. Então deixa eu esclarecer algumas coisas bem primárias pra quem ainda é leigo no assunto ‘Segurança Pública’ ou pra quem acha que não é leigo, mas está afundado em equívocos e cegueiras. Falaremos, já de início, de dois tipos de desonestidade. Quais são:

Desonestidade consciente

Primeiro vamos estabelecer que uma parte dos indivíduos dessas instituições já se enquadram automaticamente na desonestidade clássica, por figurarem conscientemente em atos criminosos. Casos não faltam pra exemplificar e, inclusive, muitos registros até se perdem, tanto na vida real quanto na internet, por conta da própria tentativa destes de ocultar os resultados. Mas quem vive o suficiente em torno da realidade, repudiando crime e fascismo, está sempre antenado com o que está ocorrendo dia após dia.

Desonestidade (talvez inconsciente)

Seja por ignorância ou simplesmente por hipocrisia, alguns podem não chegar a ver a extensão da realidade sobre o que são e no que se envolvem. É possível ver figuras se exaltando de raiva ao verem dedos apontados em suas caras, depois de passarem uma vida iludidos na ideia de que eram honestos. Mas será que sabem o que é honestidade? Primeiro, se uma pessoa se classifica como honesta e é contrária a desonestidade, a premissa básica dessa pessoa precisa ser, necessariamente, não compactuar, não ser conivente, não participar e não divulgar aquilo que é desonesto. Partindo desse princípio simples de lógica, que até uma criança pode entender, comecemos esclarecendo algumas coisas:

O ingresso nesse tipo de atividade é facultativo, inclusive no Exército, onde, apesar de haver a obrigatoriedade de se apresentar à Junta de Alistamento, é permitido se recusar a servir por motivo de objeção de consciência. Se é facultativo o ingresso nesse tipo de atividade, então é claro e simples que todo e qualquer indivíduo que entra, faz porque quer, afinal, outras atividades remuneram igual ou melhor e não oferecem os riscos e as corrupções atrelados, majoritariamente, a essa atividade.

Outro aspecto importantíssimo nessa equação é que ninguém que de fato seja honesto tem interesse em entrar pra um sistema, grupo, instituição, organização, atividade ou qualquer outra coisa, depois de estar ciente de que o conjunto está contaminado por corruptos. Seria como entrar pra SS Nazista e ser ingênuo o suficiente pra achar que você vai descumprir ordens desonestas ou abusivas, denunciar superiores ou outros membros da corporação, apenas porque você é o tal ‘honesto sobrevivente’ naquele contexto. Tenho pena de quem pensa raso assim. Provas disso, por exemplo, foi quando a policial militar Andreia Pesseghini (reveja o caso aqui) denunciou 18 outros policiais militares por assaltos a caixas eletrônicos e terminou assassinada junto com o resto da família. Não foi diferente quando Marielle Franco (veja o caso aqui), na função de acompanhar e denunciar os assassinatos, abusos e irregularidades na intervenção em Acari – RJ, cumpriu seu papel e foi executada. A munição estava registrada em nome da Polícia.

É fácil ver que em um ambiente que está tomado por corrupção e impunidade, o crime reina e quem ousa remar contra a maré, corre o risco de ser silenciado. Além disso, inúmeras outras pessoas são rebaixadas de cargo ou simplesmente ignoradas nas suas tentativas de denúncias contra as próprias corporações. Existe até mesmo a premissa em certas instituições de que não se pode denunciar um superior. Com esse pretexto de hierarquia e uma corregedoria falha e muitas vezes intimidada, somente os ingênuos acham que estarão dentro do círculo de criminosos sem serem cúmplices ativos ou passivos dessa criminalidade.

Dentro dessas instituições floresce uma horda de neonazistas assumidos, racistas, assassinos, traficantes de armas, traficantes de drogas, estupradores e todo tipo de bandidagem. E não há nada pra nos surpreendermos com isso, uma vez que a realidade, tanto na própria ação das polícias quanto na imagem gerada socialmente, suscita uma conexão imediata entre crime, fascismo e os desejosos por isso. Mas não são quaisquer criminosos que se enveredam por esse meio, mas sim os que, especificamente, reconhecem-se tão covardes e frouxos que precisam se esconder atrás de um salário, uma farda, uma viatura, uma arma, um colete a prova de balas, uma corporação e uma “licença” artificial plantada para perpetuar poder e opressão sobre as pessoas, como se fosse um cidadão de classe especial ou de melhor valor. Tudo isso lhes confere uma certa segurança e praticidade que eles jamais teriam se fossem bandidos comuns.

E para manter o status quo da criminalidade interna junto com a criminalidade social em geral, os desonestos conscientes manipulam os desonestos inconscientes para atingir os próprios objetivos. Portanto não há como ser honesto e ao mesmo tempo estar sendo parte da engrenagem que movimenta a desonestidade. Um exemplo claro disso é esta notícia:

1. Traficantes mandavam em patrulhas, escalas e transferências de PMs.

Quando as pessoas que mandam no seu trabalho são criminosas e você acata as ordens, você está sendo um desonesto passivo, além de completamente inútil em sua função primária. Na ocasião em que tiveram a ideia de colocar as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), certamente riram da cara da ingenuidade do brasileiro, pois não demorou a surgir a notícia de que isso foi apenas uma ótima oportunidade pra se gerar ainda mais crime, onde rendia mais de R$ 100 mil reais por mês de corrupção, como uma espécie de pedágio. Difícil á saber a quem denunciar, pois fardados e não fardados inúmeras vezes trocam de posição na hierarquia prática da criminalidade. E aqui vão alguns exemplos:

2. Sargento do Exército é preso por fornecer armas ao tráfico.

3. Homem preso com 19 fuzis no Rio é militar do Exército.

4. Ex-Comandante de UPP no Rio recebia R$ 60 mil Reais em propina, pra facilitar o trabalho de outros criminosos.

É tragicômico ver que muitos dos que se consideram honestos dentro dessas instituições são apenas subordinados numa hierarquia, seguindo ordens. Na Polícia Militar, por exemplo, greves são proibidas e o próprio sistema que constitui a “formação” dos policiais é vergonha pura com muita humilhação e violência, justamente pra deixar claro aos que ingressam, que ali eles estão pra servir aos superiores e não a população. Aquele que entra pra uma instituição sabendo disso e não escolhe a imediata saída, é cúmplice dessa desonestidade. E, por isso mesmo é que figuram em casos icônicos de espancamento e prisão de inocentes em manifestações populares e também nas manifestações de professores. Quem se vê obrigado a baixar a cabeça pra ordens como essas (ou se sente compelido a fazer com ou sem ordem dada), é um desonesto. Difícil é dizer que alguém esteja inconsciente de uma decisão ou ato desse tipo, uma vez que é preciso de muito sendo de realidade pra escolher, cegar alguém com bala de borracha, matar alguém asfixiado por gás lacrimogênio vencido, atropelar manifestantes ou simplesmente forjar um crime qualquer para o pretexto de prender alguém.

Enquanto alguns preferem o conforto de escolher uma profissão desnecessária nos moldes em que ela se apresenta atualmente, o restante da quadrilha agradece pelo reforço dado. Assim é na Polícia Militar, na Polícia Civil, na Polícia Federal, no Exército e também na chamada “Guarda Municipal” ou “Guarda Metropolitana”. Na Polícia Federal, o chamado ‘Japonês da Federal’, ao mesmo tempo em que fingia trabalhar para o combate de crimes, figurava ele mesmo em crimes e acabou preso.

5. Japonês da Federal é preso em Curitiba por facilitar contrabando.

Mas, como nesse meio o crime não é impedimento para “trabalho”, tente não rir ao saber que, mesmo assim, ele segue na atividade:

6. Japonês da Federal, usando tornozeleiras de preso, volta a escoltar presos.

Se você achava que já era difícil denunciar comparsas de dentro dessas quadrilhas, agora sabe que, com ou sem denúncia, eles estão rindo da sua cara. Para eles o crime parece compensar. Você saberia dizer quem realmente está alimentando o crime na sociedade? Serão os criminosos comuns ou será que existe uma guerra inventada para justificar contingente nessas funções? A equação é simples: Se não houver uma sensação de crime na sociedade, por ausência de ocorrências, as polícias se tornam mais figurativas do que necessárias. Mas quando as próprias polícias (incluso o Exército) traficam armas e drogas, alimenta-se um cenário de crimes que justifica uma ação contínua, uma grande circulação de dinheiro, jogos de interesse, disputa de poder e, claro, crimes derivados dessa alimentação. Mas note que, na prática, presídios não são para estes, já que estão lotados apenas dos que cometeram crimes banais.

Tente pensar em como a realidade seria diferente, se as pessoas simplesmente parassem de fabricar crimes na sociedade pra depois fingir que estão a combatê-los, apenas como pretexto pra cometer ainda mais crimes. Seria o paraíso. E alguns países sabem bem disso.

Países como a Islândia, pela primeira vez na história do país, dispararam os 2 únicos tiros, em 2012. E não é a ausência milagrosa de criminalidade que permitiu essa marca excelente, mas justamente por que ao invés de enxugar gelo, a Islândia investiu primeiro nas pessoas e nunca em polícia repressiva ou opressiva, muito menos em matança e fascismo. Aliás crime por lá você não vê nem na polícia, afinal, ninguém gosta de atirar no próprio pé e perder o benefício de se viver em paz. Eles sempre preferiram privilegiar a massa cefálica, a sociologia, psicologia, etc.

Outro caso é a Inglaterra, uma das grandes economias mundiais e com a polícia menos violenta do planeta. Só pra constar, a Inglaterra tem basicamente o tamanho do Estado de São Paulo. E dinheiro não é uma desculpa, afinal o Estados Unidos chafurda em dinheiro e é um país extremamente violento, enquanto que a República Tcheca, que mesmo não sendo uma potência financeira, figura em 6º lugar na lista de países mais pacíficos do mundo. O segredo? Todos esses países que conquistaram esse feito de segurança pública, conseguiram isso com uma chave poderosa chamada “Direitos Humanos”, o mesmo que muitos ignorantes criticam por achar que é aliviar para a criminalidade, quando, na verdade, é a forma mais eficiente de se eliminar a criminalidade. Que curioso não? Não pra mim que estudei o suficiente pra poder falar do tema com tranquilidade, ao invés de repetir bordões falaciosos de gente corrupta, violenta, racista, machista, fascista, opressora, ignorante e sem um pingo de interesse em sentar e ouvir qualquer grama que seja de alguma coisa que lhes possa ensinar a viver melhor.

Fora do hanking dos 10 países que figuram como os mais pacíficos, se você realente quiser fazer diferença no mundo e ajudar pessoas ou servir a sociedade, eu te digo que essas atividades policiais, atualmente, não são, nem de longe, o jeito de se fazer isso. Aliás, é, inclusive, importantíssimo dar o exemplo e deixar de pertencer ou enaltecer esses nichos apodrecidos, pra que some ao time dos que querem ver a Segurança Pública se tornar um assunto real e não só um termo técnico pra mascarar melindres e crimes. Um bom começo pra isso será quando a Polícia Militar no Brasil se desmilitarizar, para que o crime possa ser compreendido e reduzido, ao invés de ser só um fábrica de mais crimes e um clube pra centralizar bandidos. O Brasil é um dos poucos países a ainda arrastar uma polícia militarizada.

7. A Polícia Militar de São Paulo mata mais que criminosos.

8. Em APENAS 5 anos, só a PM de São Paulo matou mais que TODAS as polícias dos Estados Unidos juntas.

9. Conselho da ONU recomenda o fim da Polícia Militar no Brasil.

Pensar em Segurança Pública de verdade exige seguir a receita de sucesso dos países que lideram esse assunto: investir em polícia investigativa e não em polícia repressiva. Investir em Educação, Sociologia, Psicologia e Cultura. Qualquer remendo que não seja na base, será só ‘enxugar gelo’.

Se você não vai ter tempo, disposição, saúde, segurança, estrutura e poder de investigação, pra denunciar e barrar 100% (ou pelo menos a maioria) dos membros corruptos de um grupo, simplesmente não entre pra esse grupo e faça todo seu esforço pra combatê-los do lado de fora. Não se alie àquilo que não faz jus ao ideal da honestidade e do bom-senso. Já existe um número massivo de pessoas nessas atividades e muito poucos do lado contrário, tentando resolver a causa dos problemas ao invés de ser só mais uma peça do problema.

A imagem ruim que as polícias tem no mundo diante da sociedade não é por mero acaso. A estrutura exposta aponta que, seja lá de que tipo você for, lá dentro você é só uma peça desonesto do quebra-cabeça. Isso sem falar na associação direta entre instituições policiais e o conceito de controle, repressão, vigilância. Tudo isso piora quando entende-se que no sistema atual, as polícias não servem ao cidadão comum, sendo praticamente exclusivas a políticos, empresas, ricos, celebridades e, claro, aos bandidos (desde que aliados, com ou sem farda). Com a corrupção consciente, fica ainda mais evidente esse protecionismo seletivo, quando você assiste manifestações onde neonazistas são recebidos e protegidos pela própria polícia ao invés de serem presos. isso também pode ser visto no modus operandi das ações do dia-a-dia, quando a premissa é tratar negro e pobre como imediato suspeito, por vezes, humilhando, torturando, prendendo ou matando. Nas favelas, o game da matança neonazista é ainda mais ativo, justamente porque é uma área que está, geralmente, escondida das grandes mídias e acaba por ser uma forma fácil dos covardes agirem. A própria execução recente de Marielle Franco, depois de ter denunciado essas matanças e irregularidades nas intervenções de Acarí, no Rio de Janeiro, mostra como a tentativa de frear a máquina do crime é indesejada pelo sistema.

Quer pensar em Segurança Pública? Comece pensando que não há espaço pra denúncias e reformas em um lugar onde quem incomoda com a honestidade é apagado pra não voltar a incomodar. O que existe, inclusive é uma premiação pela corrupção. Não é em vão que os policiais que arrastaram o corpo da auxiliar de serviços gerais, Claudia Silva Ferreira (2014), pelo asfalto com a viatura em movimento, não só estão soltos, como ainda um deles foi promovido. A fonte está aqui. Os dois policiais envolvidos nessa ocorrência (Rodrigo Medeiros Boaventura e Zaqueu de Jesus Pereira Bueno) não foram julgados, seguem “trabalhando” normalmente e desde quando o crime aconteceu, já se envolveram, juntos, em mais 8 mortes. Quando um destes, na época tenente, foi promovido a capitão, ficou a imagem de que o crime parece compensar, bastando que você esteja na quadrilha certa. Não é preciso desenhar. Quem tem olhos, vê.

Quando quiser deixar um legado social sobre combate a criminalidade e melhora da condição humana, faça como Marielle Franco, socióloga (formada em Ciências Sociais com mestrado em Administração Pública), feminista, militante dos Direitos Humanos, política eleita e, atualmente, símbolo de resistência contra o caos generalizado no Brasil, inclusive aos olhos internacionais. Pela vida difícil de quem foi cria da favela, é louvável e gratificante o percurso que teve. Mas, como se sabe, no Brasil, honestidade tem um preço caro. Contudo, honestidade não é algo que se escolhe ter ou não ter. Quem tem, tem e exerce, mesmo que isso seja repreendido cedo ou tarde. O que não se pode é ser um covarde que fica atrás de desculpas pra não fazer o necessário. É preciso ter muita coragem pra ser honesto e não se dobrar às opressões, ao fascismo, às corrupções, às pessoas nefastas e aos modelos sujos de convivência na sociedade.

Pra recusar esse modelo de atividade e também essa contribuição nefasta ao sistema é preciso desenvolver autonomia de pensamento. Honestidade e coragem exige se abster de falácias e começar a argumentar com fatos. Se enraivecer por ter uma verdade apontada não vai tornar ninguém melhor ou mais correto nas ideias e nas condutas, mas apenas vai reforçar o idiotismo, o despreparo e a decadência do próprio coletivo que o gerou. Quem se sente saturado do modelo nocivo e falho das polícias e do Exército no Brasil e no mundo, tem a fácil oportunidade de escolher fazer qualquer outra coisa. Enquanto alguns lutam por mais dignidade no trabalho dentro dessas corporações de polícia, outros lutam por mais dignidade humana, apenas pra poderem sobreviver ou viver, sem pobreza, sem matança, sem violência, sem repressão, sem execução. Por aqui a gente não quer que casos como o de Amarildo (veja aqui.) se tornem esquecidos, pra que nenhum outro inocente acabe morto pela polícia e descartado em um caminhão de lixo, rumo ao lixão. Se as pessoas não se importam nem mesmo de matar inocentes, você acha mesmo que elas estarão preocupadas em matar culpados ou os que elas acham que são culpados? É preciso acordar e estudar.

Por todos esses motivos, as próprias polícias, o Exército e os corruptos do governo e das empresas não tem o menor interesse que a criminalidade acabe. Dá muito lucro continuar enxugando gelo, porque é um trabalho infinito onde cada vez mais poder, dinheiro e contingente é colocado em jogo. E quem não tem amor-próprio nenhum pode acabar achando incrível lutar por essa ilusão que é só um esquema de colocar ingênuo pra morrer na linha de frente, enquanto outros, confortavelmente sentam na cadeira e contam o dinheiro dessa corrupção. Quem participa dessa patifaria, seja como desonesto ingênuo ou como desonesto consciente, é um cúmplice. E cumplicidade ao crime é crime também. Onde está aquela tal de honestidade tão falada por alguns?

A bem da verdade, o ideal está num futuro muito muito distante, quando se fala em Brasil. Há países que sequer possuem Exército e a polícia tem um papel mais figurativo do que ativo. Brasil não está apto pra esta etapa e ainda vai se queixar muito da própria desgraça que cultivou. Países como a Holanda estão fechando presídios, faz tempo, por ausência de presos. Há até mesmo o caso de importação de presos de outros países, como forma de tentar desafogar os presídios lotados de determinados países e dar alguma função para os presídios vazios de países onde a criminalidade é quase uma lenda.

Prestar um serviço de utilidade para a população contrasta com a realidade do Brasil onde mulheres estupradas, por exemplo, geralmente não denunciam o ocorrido, porque não querem passar pelo dissabor de serem culpadas nas delegacias, ofendidas pelos policiais, ignoradas, agredidas ou, mais uma vez, assediadas. Essas instituições já não possuem nenhuma credibilidade perante a população comum e isso tende a sumir. O brasileiro já se acostumou a todo tipo de situação e praticamente boceja enquanto o mundo gira. Para alguns locais, dirão que não há viatura disponível, mas mude o discurso e pode ser que, magicamente, brote 20 viaturas em menos de 3 minutos no local. Tudo é uma questão de interesse. Trabalhar, para alguns, depende do contexto. Se não fizer nada for causar uma repercussão grande na mídia e na corporação por negligência básica que gere vexame noticiado e suje ainda mais a imagem imunda da corporação, então aí eles escolhem brincar de trabalhar. Mas se o trabalho for pra algo que facilmente irá ser ignorado por se tratar apenas de um cidadão comum, então dane-se o cidadão e que continue a soneca.

Boas lembranças das aulas de Sociologia, onde, à época, falava-se da realidade de que apenas 14% da favela tinha algum histórico ou conexão com atos ilícitos. Em resumo, favela e crime não tem nenhuma relação direta, exceto na mentalidade idiotizada de racistas e preconceituosos de classe. Ser pobre nunca foi sinônimo de criminalidade. Mas, frequentemente, ser rico, aponta pra incontáveis casos de crime. Agora adivinhe onde os governos e os “líderes” das instituições policiais querem que você atue de forma opressiva? Acertou se disse na comunidade mais pobre e negra do país. Lá onde não há nada pra se combater em criminalidade, é onde eles precisam inventar que há muito a se fazer. Assim podem, por exemplo, ter pretexto pra inserir uma UPP (Unidade Policial Pacificadora) corrupta pra sugar R$ 100 mil reais por mês de corrupção ou mesmo pra alimentar alguns traficantes com armas, pra justificar uma guerra social e dar a oportunidade de neonazistas fardados subirem os morros da favela pra brincar de exterminar negro, mesmo que sejam crianças. Feito um game, são recompensados por matar, por gerar mais corrupção, mais crime e mais lucro. Um lucro temporário, restrito, ilícito, às custas das vidas de todos os demais, que nunca trará segurança pública ou qualidade de vida a ninguém, nem aos próprios corruptos que dormem e acordam ansiosos, sem saber quando vai ser a hora deles de cair.

O mais próximo da honestidade que eu já vi nessas instituições policiais, foi quando um deles, na contramão de todos os demais, tirou o cabresto e resolveu se demitir, por ver que tava lutando do lado errado. Me fale de honestidade quando estiverem em luta pra prender de verdade toda aquela corja que infestou os prédios de Brasília, em golpes, corrupções, acordos com Judiciário, matanças por queima de arquivo, etc. Um cenário que, pra Islândia não é um sonho, mas uma conquista, quando prenderam 26 banqueiros, demitiram todo o governo e seguiram comandando o país de forma exemplar pela própria população. Raramente você verá alguém tocar nesse assunto em outros cantos do mundo, pois isso pode suscitar a vontade de mudança e paraíso, o que, certamente, acabaria com a mamata que os criminosos tentam sustentar.

Me fale de honestidade quando essa honestidade não tiver preço e alguém aceite trabalhar com qualquer outra coisa digna, ganhando igual, menos ou até mais, apenas pra não se dobrar ao que é errado. Não me venha falar de salário, pois a maioria da população ganha um salário indigno e nem por isso escolheram o caminho fraco do crime. E outros, em pobreza pior (senão na miséria), continuam honestos, apesar de tudo. Isso é simplesmente não ter a honestidade vendida, por ter ela como princípio. E princípio não se relativiza, nem fica em segundo plano, por isso chama ‘princípio’, pois sempre vem primeiro.

Eu escolhi não dar tiro no meu próprio pé. Mas todos aqueles que escolheram atirar aleatoriamente ao resto do mundo, já atiraram uma bomba atômica no próprio pé e levaram junto todo o resto da sociedade em uma onda de degeneração da segurança, da qualidade de vida, da dignidade, da esperança, do bom senso, da educação, etc. Longe dessas instituições tem gente corajosa que não se importa se vai viver ou morrer por falar verdades, porque morrer vamos todos nós. É gente que se importa em deixar legado, ser útil a sociedade até o talo. E isso eu faço até com os braços amarrados. Aos inconformados com fatos, podem chorar livremente, mas se tiverem alguma noção, chorem na Cantareira, em São Paulo, pois a seca reina por lá, por culpa do corrupto agronegócio que destruiu a Amazônia e, por isso, os chamados “rios voadores” já não trazem a umidade para regiões como a de São Paulo. Que outros temas você quer debater? Tempo eu tenho.

Pegue mais um link de presente: Gregório Duvivier fala sobre Direitos Humanos.

Rodrigo Meyer