Quem são os apoiadores de Bolsonazi?

Inicialmente, antes das eleições do final de 2018, o quadrilheiro saiu do anonimato e ganhou fama, em especial pela repugnância e polêmica de suas afirmações em uma ou outra mídia, com ajuda de uma gangue de crianças de não mais que 13 ou 15 anos de idade. A imaturidade de todos, inclusive do referenciado, uniu essas pessoas em uma ideia em comum que era a de autoafirmação diante da sensação de serem completos imbeciloides diante da vida séria, adulta, etc. Enquanto adolescentes de 13 anos tentavam se sentir adultos, fracassavam tanto quanto seu bandido de estimação, Bolsonazi.

As afirmações racistas, machistas, homofóbicas, de incentivo ao crime, violência, milícia, extermínio de pobres, ódio de classes, ridicularização de vítimas, somaram-se com aquele aspecto patético de pseudo-masculinidade atrelado a armas e bandidos fardados do Exército e da Polícia Militar, culminando numa fácil aceitação por esse público de adolescentes mal resolvidos com a puberdade, com inconsistência / fraqueza mental, covardia, insegurança psicológica e uma criação social moldada por famílias desestruturadas, cheias de vícios de conduta, de ética e outras mazelas. Não demorou muito pra que essa sopa de desgraça, alimentasse a mídia onde esses adolescentes improdutivos mais gastavam tempo: a internet.

Por muito tempo, essa catástrofe midiática foi vista apenas como uma moda patética. Mas foi justamente a visibilidade ao trágico e cômico que deu espaço pra que uma figura que era anônima na política há quase 30 anos, ganhasse repercussão. Passou a figurar em mais programas de televisão, em notícias, memes, etc. Uma vez famoso por todo lixo que proferia em palavra e conduta, chamou atenção de um novo público que se juntaria à ele: adultos conservadores, bandidos fardados, racistas, neonazistas, milicianos, quadrilheiros, estupradores, traficantes, estelionatários, burgueses corruptos e qualquer um que se sentisse representado pelos crimes que ele enaltecia.

A cada vez que ele elogiava um bandido fardado em qualquer mídia, essa classe se sentia finalmente protegida e acolhida, com respaldo de alguma figura pública famosa. Isso dava a certeza de que poderiam aumentar e perpetuar seus crimes e condutas com a chance de ainda serem condecorados, melhor pagos, enaltecidos em mídias e normalizados como o padrão de realidade. Se antes tinham que se esconder nas intervenções nas favelas pra cobrar propina, pedágio, traficar armas e drogas, assassinar inocentes, forjar cenas de tiroteio pra justificar assassinatos de inocentes, agora poderiam simplesmente fazer isso em qualquer lugar, de qualquer maneira. E fizeram, como mostra o episódio em que o exército disparou 80 (oitenta) tiros contra um carro de uma família inocente, seguido do comentário do Bolsonazi de que o exército não havia feito aquilo.

Não demorou nada pra que parentes e cônjuges cúmplices desses bandidos fardados entrassem em defesa daquele idoso fétido que discursava em favor do crime, sob a fachada falsa de repúdio ao que eles chamavam (e apenas chamavam) de crime em si. Enquanto defendiam a invasão pesada nas favelas, sobre o pretexto de combater o tráfico, na verdade encobriam o fato de que as próprias UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), na verdade eram os próprios controladores do tráfico de drogas local, tanto na parte do dinheiro, das armas, quanto das drogas, movimentando fortunas gigantescas simplesmente pela facilidade que o cargo lhe conferia. Uma estratégia comum entre os frouxos e covardes, que precisam se esconder atrás de um colete a prova de balas, uma viatura, um distintivo / cargo / profissão, um pseudo-aval do governo para terem acesso a algum poder sobre os outros, por meio do crime, corrupção, violência e patetice. Munidos não só de balas e armas, tinham também um salário oficial seguido de uma fortuna paralela vinda da corrupção da própria “profissão”. Enquanto isso as elites continuavam a traficar com seus helicópteros com meia tonelada de cocaína ou, como vimos mais tarde, pelo próprio avião da FAB (Força Aérea Brasileira), levando cocaína para o exterior junto com a comitiva do “presidente” Bolsonazi.

Tal realidade sempre existiu e, com o passar do tempo, foi citada e homenageada. A cada crime cometido por um destes bandidos fardados, Bolsonazi ou um de seus familiares, logo se pronunciava em admiração e proteção, tentando criar uma imagem social de que ser bandido era o ápice da grandeza de um indivíduo. Aquela visão falha, frouxa e tragicômica de masculinidade que nunca figurou além de pseudo-masculinidade. A insegurança nesse quesito foi o alicerce pra construir um modelo imaginário que atingisse ainda mais apoiadores, por meio de afinidade com o problema. Agora já não precisava ser apenas bandido fardado pra se sentir pertencente ao grupo de “valores” que Bolsonazi protegia. Se ele figurasse ao lado de amigos condenados por estupro, por exemplo, logo atiçava os olhos de estupradores para se sentirem parte do time. Se ele saía à público pra humilhar mulheres, os machistas erguiam as mãos em saudação à um similar. Se a humilhação fosse pra gays e lésbicas, os homofóbicos (muitos deles, homossexuais não assumidos publicamente e muito mal resolvidos com o tema) batiam a mão no peito de orgulho por ver que alguém os ajudava a encobrir essa condição deles.

Quando figuravam nas notícias as ações de extermínio, estupro, assassinato e desova de corpos, de forma massiva e aleatória por parte dos bandidos fardados da “polícia” e “exército”, uma classe burguesa aplaudia simplesmente por ver que pobres e negros estavam sendo eliminados do planeta. Pouco se importavam que o ideal racista deles fosse um crime triplo de racismo, assassinato e apologia ao crime. Sentiam-se livres pra falar, afinal, dejetos similares já foram falados publicamente em todo canto, repercutindo nas redes sociais. O Brasil se sentiu finalmente bem representado, por uma figura que enaltecesse a elite corrupta, a classe média corrupta que almejava ser rica como a elite e uma classe pobre corrupta, que, enganada pela classe média e pela burguesia, eram a força motriz de suas próprias mortes e desgraças. Nasceu o tragicômico “pobre de direita”, a figura que acreditava que a miséria em que ele estava inserido era culpa apenas dele e que ele poderia sair dessa condição, apenas se esforçando. Ironicamente, nenhum deles saiu da condição de miséria, senão pela corrupção ou outras formas de crime, tal como o exemplo dado por seus exploradores acima.

A elite branca, composta de todo tipo de inúteis que jamais trabalharam na vida, alimentados pela exploração do capital e da força de trabalho alheia, receptores de heranças (incluindo as gordas heranças de militares e antigas famílias beneficiadas por doações de terras pelos governos corruptos das épocas de ditadura militar e monarquia), agora tinham uma marionete útil que lhes servia facilmente. Montados em grandes mídias de pseudo-jornalismo, rádios, canais de televisão e outras empresas de fachada pra extensa e contínua lavagem de dinheiro, puderam investir esse excesso de dinheiro, contra os seus opositores, controlando como e quando as peças do jogo seriam movidas por essa regra mundialmente difundida, chamada ‘poder financeiro’. Cada vez mais tinham a possibilidade do dinheiro comprar decisões favoráveis na “Justiça”, de abafar delatores, de comprar o assassinato de seus opositores, de comprar espaços nas mídias para inserção de seus pontos de vista, de fundar instituições de lavagem cerebral (e também de dinheiro) como as pseudo-Igrejas, que em inúmeros casos estavam atreladas ao tráfico de drogas e armas, evasão de dinheiro pro exterior, acobertamento de estupradores e/ou pedófilos e todo tipo de banditismo esperado por um grupelho de pessoas que viram no Brasil o potencial para montarem em cima da população otária, para usurpar dinheiro e outros benefícios, sem precisarem sequer se esforçar pra isso, já que os próprios explorados estavam cada vez mais mergulhados na chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde passam a admirar e proteger seus próprios opressores.

Com tamanha facilidade da perpetuação do crime, com o tempo a realidade foi se tornando saturada e insustentável, uma vez que todo o massacre gerou também um risco de reação explosiva de resistência. Então encontraram uma solução emergencial que foi o golpe político na democracia, para controlar de vez tudo e todos. Eliminaram a primeira resistência a todo esse entulho, ao inventar um crime para atribuírem à presidente da época, Dilma Rousseff. Sendo claro a inexistência do crime, tiveram que forjar uma análise jurídica do caso, sob os votos comprados na Câmara e dos acordos políticos de bastidores, como sinalizado no áudio vazado das conversas que se tornaram meme na internet falando de “estancar a sangria” por meio de “um grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”. Tempos depois pudemos perceber a aplicação prática disso, ao ver como as estâncias de julgamento do ex-presidente Lula o tiraram da elegibilidade das eleições de 2018, sob a alegação de crime, por meio de uma denúncia forjada, um julgamento comprado e manipulado por interesses políticos, sem nenhum alvo real e concreto em termos de crime e provas, mas que, por meio de um teatro midiático e o apoio da quadrilha Bolsonazi, ficaram validados e cimentados pela corrupção de mídias, políticos, instituições públicas, delatores comprados, delegados e juízes assassinados, além do caso histórico do extermínio de Marielle Franco que, justamente, denunciava a ação criminosa dos bandidos fardados. Pudemos constatar o ocorrido, quando veio à tona recentemente os vazamentos das conversas do “juiz” Sérgio Moro, conhecido como Marreco de Curitiba, forjando o processo e a condenação de Lula por meios de acordos. Graças a mídia “The Intercept”, pudemos ter acesso a essas conversas vazadas comprovando a corrupção que já sabíamos mas aina não tínhamos provas.

O desgoverno chegou ao “poder” e cumpriu o esperado pelos seus idealizadores e financiadores. Entregou o país para os americanos, privatizando tudo o que fosse possível, desvalorizando e vendendo em troca de nada, conferindo um lucro astronômico para acionistas e burgueses de dentro e fora do Brasil, atrelados a esse modelo corrupto de fascismo, conservadorismo, ódio de classes, racismo, neonazismo, machismo, incitação ao estupro, veneração ao banditismo militar e tudo aquilo que cansamos de ver e saber estar atrelado a essa classe que toma de assalto os espaços políticos e públicos pra ganhar uns anos a mais de vida nadando na fortuna que nunca tiveram competência, mérito e coragem de conquistar por meio de trabalho e inteligência. Basicamente um atestado de frouxidão nunca visto antes. O clássico clichê (redundância proposital) da estupidez humana, que, na ganância por dinheiro fácil e diante da barreira de um Q.I. estrondosamente insuficiente para as ações cognitivas mais simples, tiveram que se render ao crime, ao fascismo e a violência para se apossarem do que queriam.

Passaram-se alguns poucos dias da “posse” do desgoverno atual em 2019 e o nível de desemprego aumentou pra números recordes, junto com a taxa de suicídio. A criminalidade disparou, os casos de corrupção aumentaram não só em número de casos, mas em volume de dinheiro envolvido. Somente alguns desses casos já conseguiram atingir o patamar dos trilhões em corrupção. Somados todos, o número seria incalculável para a noção média atual. O Brasil é recordista em arrecadação de impostos, em corrupção, em pobreza, em lavagem cerebral, em sonegação de impostos, em lavagem de dinheiro, em exploração do trabalho, em usurpação do dinheiro em instituições pseudo-religiosas, no tráfico de droga e armas e em qualquer outro crime que você quiser incluir na lista. Somos um pseudo-país, fazendo pseudo-política, para que uma porcentagem minúscula de frouxos seja beneficiada.

Atualmente nossa alimentação está tomada por 269 novos venenos adicionados na agricultura, entre eles diversos que são altamente letais e cancerígenos. Esse veneno está presente inclusive nas torneiras das casas, segundo o mapa da água e tem como objetivo claro e direto, o extermínio da população mais pobre, seguido da oportunidade de lucro fácil em cima de um problema que nunca existiu, exceto como barreira pro banditismo da burguesia. A aposentadoria não será mais possível aos brasileiros úteis, que terão que trabalhar até o dia da morte, já que a idade média de longevidade é inferior à idade estabelecida pela reforma da previdência. Diversas classes especiais de beneficiários da previdência foram simplesmente removidos, mas não por que falta dinheiro para mantê-los e sim porquê o objetivo é explicitamente matá-los depois de escravizá-los ao máximo possível pelo trabalho, com um salário indigno sem direito a nenhuma aposentadoria, enquanto todo esse montante arrecadado pela instituição, é direcionado pra engordar os benefícios já gordos da classe que menos paga impostos no país: políticos, militares, banqueiros, grandes mídias e burgueses em geral. Enquanto o modelo prático é o do dinheiro fácil tirado à força da massa pobre, incitam a população idiotizada a repetir o discurso da meritocracia, a mesma meritocracia que eles nunca irão seguir, até porque sabem tanto que não existe e não funciona, que tiveram que desistir de tentar e se envolver com o crime pra obter qualquer “vantagem” financeira e política.

E é tão somente por toda essa afinidade com o crime, violência, opressão, machismo, homofobia, fraqueza mental, insegurança, masculinidade frágil, Q.I. limitadíssimo e falta de perspectiva pessoal e social, que uma parcela podre da população brasileira apoiou e segue apoiando a quadrilha Bolsonazi, assim como todos os demais grupos sociais que fazem parte, direta ou indiretamente, dos “benefícios” que a quadrilha os concede, por meio de acordos criminosos nos campos políticos, midiáticos, financeiros, militares, etc. Se você, ingenuamente, achou que era por combate à corrupção o ódio dessas pessoas contra as figuras como Dilma, Lula (frequentemente avaliados como Centro-Esquerda ou até mesmo apenas Centro) ou a qualquer figura posicionada no espectro da Esquerda ou em posição qualquer que seja que se oponha à quadrilha Bolsonazi, então lamento pela sua ingenuidade. Não existe bandido ideologicamente convicto que seja contra a criminalidade ou corrupção. Basta ver que, durante o teatro tragicômico que foi a chegada do desgoverno Bolsonazi em 2019, o que não faltou foi notícia de eleitor assumido do quadrilheiro “eleito”, figurando em crimes de tráfico de drogas, assassinato, estupro, sonegação de impostos, desvio de verbas, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e o que mais você quiser listar como crime. Basicamente a realidade é uma só: se foi eleitor de Bolsonazi é bandido ou admira e faz apologia ao banditismo, o que dá no mesmo. Se uma figura que se declara e/ou se alia com neonazistas, homofóbicos, racistas, machistas, milicianos, estupradores, traficantes, estelionatários e afins, discursa na mídia abertamente e atrai o interesse de voto de um indivíduo, então esse indivíduo não se opõem aos crimes por ele praticados, mencionados, aplaudidos, abafados, homenageados, elogiados, ostentados, perpetuados e normatizados. O eleitorado de uma escória desse tipo, torna-se igualmente criminoso por endossar os crimes e por ter uma mente completamente voltada para a validação desses ódios, preconceitos, violências, crimes e fraquezas. O eleitorado que se sente representado por uma escória, vê na figura da escória um espelho, uma identificação.

A boa notícia é que ninguém precisa estagnar a mente e pode melhorar o Q.I. e a conduta, aprimorando sua reflexão, sua moral, sua percepção da realidade, etc. Alguém que passou a vida passando vergonha tentando contornar as fraquezas e incompetências por meio da violência, dinheiro e criminalidade, pode, agora, se quiser, tentar conquistar uma realidade positiva e estável pro coletivo, tentando ser alguém decente, com pensamentos e condutas decentes. O Brasil, na era do governo Lula chegou a ser a sexta maior economia do mundo e agora, somos uma piada internacional, listados abaixo de 250 no ranking. O Brasil não ganhou nada, perdeu tudo e talvez tenha perdido o mais importante: a possibilidade de reverter o quadro à tempo. Os desfechos tristes na economia, no trabalho, na educação, no meio-ambiente, no clima, na previdência, na democracia e na estabilidade mínima social, deram um golpe letal no país que, finalmente, conforme alguns países gostariam que fosse, está sem governo, sem projeto de nação, sem resistência, sem oposição, pronto pra ser entregue e sugado. Sempre que uma ditadura é instaurada no Brasil (mesmo as que são maquiadas de democracia), tenha certeza de que quem financia ela são os Estados Unidos com ajuda dos burgueses do Brasil. É assim que eles chegam no objetivo financeiro e de poder, pra continuarem controlando esse quintal (talvez um mero banheiro de beira de estrada), chamado Brasil, onde eles podem vir, levar todo ouro, petróleo, ciência, tecnologia, recursos naturais, dinheiro advindo da mão-de-obra escrava altamente lucrativa e voltar sem esforço nenhum, sem precisar morar nesse buraco trágico e insustentável.

Pra você que se opõem a quadrilha Bolsonazi e a todo esse modelo sujo e frouxo, cabe a você a ação direta. Nada menos que a ação direta será eficiente ou suficiente. Tudo menos que a ação direta será mera piada entra os cochichos da própria quadrilha que pouco se importa com a repercussão dos estragos feitos e que, com orgulho, ainda anunciam que estão só começando. Se você for passivo demais a ponto de baixar cabeça pra essa escória, então você será parte do problema. Converta seu cansaço dessa situação asquerosa em ação direta engajada, inteligente, consistente, contínua e inegociável. Faça o seu melhor ou sua vida será a pior possível. Uma frase do ativista negro Martin Luther King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Organize-se em favor da liberdade.

Rodrigo Meyer – Author

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A receita do caos e a esperança.

A imagem que ilustra esse texto é uma adaptação de uma fotografia de 7 de Maio de 2006 feita em um evento de Democracia Direta, em Glarus, na Suíça.

É difícil não falar de política quando tudo na vida do homem em sociedade é política, querendo ou não. Ao falar do ser humano, temos que, necessariamente, falar sobre política. Mas, engana-se quem pensa que política é somente aquilo que compõem a esfera das ideologias partidárias, dos planos de governo, das eleições e das decisões e repercussões dos assuntos ministrados pela classe dos chamados ‘políticos’.

Em verdade, todo ser é um ser político e não apenas os engravatados que ocupam cargos oficiais em um governo. Quisera eu não precisar falar de política, um dia após o 1º Turno das Eleições brasileiras. Seria tão mais fácil e agradável seguir a vida pensando no próximo livro, na próxima ilustração, no trabalho, na companhia dos amigos, nas viagens e nos prazeres adiados a tanto tempo. Mas, por isso mesmo, é importante erguer os punhos e direcionar um pouco mais de energia, mesmo sabendo o quão desgastante é lidar com a situação do Brasil.

Desde o “descobrimento” do Brasil, com a invasão dos portugueses, a tomada de nossos bens, a destruição e/ou apropriação da cultura indígena e dos negros, em paralelo a escravização destes, até os momentos ditos ‘modernos’, que de modernos não possuem nada, ficamos em situações vergonhosas, desastrosas e incompatíveis com qualquer sonho de progresso que atribuímos aos chamados ‘países de primeiro mundo’. O Brasil tentou por muitas vezes reverter sua própria condição, apostando em iniciativas que nasceram de baixo pra cima, das gerações de pessoas empobrecidas pela exploração, netos dos netos de muita dor e pouco respeito recebido. O Brasil se formou, basicamente, pelo trabalho de quem sobreviveu ou deu a vida por uma esperança de mudança. As pessoas que mudaram esse país, goste você ou não, não foram os banqueiros, nem as pessoas que sistematicamente receberam heranças de nobres, que por sua vez, só se tornaram assim ricos (porque nobres mesmo nunca foram), pela exploração das pessoas. Tempos depois, ainda vemos isso acontecer, sob outros métodos e cenários. Agora, relativizam até mesmo os direitos e salários conquistados, na busca por um retorno à época em que as pessoas tinham o que comer, mas eram escravizadas. Estamos em um país quebrado financeiramente, mas mais do que isso, quebrado moralmente.

Mas, por hoje, não vim falar exatamente desse tipo de política, muito menos sobre economia e mercado. Embora seja verdade que isso tudo é importante, porque é a consequência atual que vivemos, temos que compreender, antes, como chegamos no caos. E pra entender isso, precisamos lembrar de tudo que tentam omitir ou apagar diariamente.

Há alguns dias eu lia o depoimento de um rapaz que quando adolescente sentia orgulho de apoiar um determinado pensamento, chegando a admirar uma figura de liderança desse meio na política brasileira. Os anos se passaram e ele despertou de uma imensa ilusão. Não foi tão simples quanto esperar o tempo passar. Foi necessário que ele tivesse a decência de se valorizar o suficiente pra se desvencilhar de falácias e má informação. Teve que estudar História, Política e se empenhar na sua própria compreensão, descobrindo os motivos que o faziam ter falta de empatia e uma conduta e/ou pensamento simplista demais para os problemas do mundo. Tal rapaz discursava em seu depoimento de arrependimento como um pedido de ‘mea culpa‘, se retratando sobre o seu passado e explicando o erro cometido que culminou na atual mudança de postura.

É bonito ver que uma pessoa, sozinha, por assim dizer, apenas com a ajuda de sua própria curiosidade e força de vontade, conseguiu refletir sobre si mesmo, seus erros, a causa de seus pensamentos equivocados, seus transtornos, seus medos, suas inseguranças e seus preconceitos sobre o mundo. Munido de informações sobre si mesmo, ele percebeu que o melhor caminho era munir-se também de informações aprofundadas sobre o mundo. Eis que nasce alguém novo, disposto a aprender ao invés de replicar bordões e ilusões. Eis que nasce alguém questionador que pensa sozinho e não depende de ninguém ditando o que ele precisa fazer ou pensar. Eis que surge alguém que realmente tem potencial de transformar o mundo.

Observando esse caso isolado de transformação, logo podemos notar que as mudanças são possíveis, mas depende de um esforço sincero. Quando você busca a liberdade de entender mais daquilo que não conhecia, você transforma preconceitos em conhecimentos, ilusões em dados realistas. O inverso disso, sendo a estagnação pura ou o retrocesso, aniquila o potencial humano de se lapidar, de melhorar, de progredir, de evoluir, de adquirir conhecimento e de quebrar os preconceitos. O Brasil chegou num estágio de sufocamento social onde corremos o risco de tristes novos desmembramentos dos fatos que ocorreram, principalmente, de 2014 pra frente. Durante estes anos recentes, o Brasil se viu em uma guerra de corrupção imensa, onde até os que deveriam ser responsáveis pelas prisões, figuraram em crimes de corrupção e prisão (vide o caso do apelidado ‘Japonês da Federal’, pra citar apenas um das centenas de envolvidos). Cruzamos por um processo fraudulento de Impeachment, com votos comprados entre os políticos, recoberto com a certeza de que a corrupção continuaria ainda mais vigorosa, apesar da ‘Operação Lava Jato’. Áudios vazados mencionavam que a corrupção só conseguiria seguir adiante se houvesse “um acordo com o Judiciário, com tudo.”. De lá pra cá, nunca se viu tanta parcialidade, hipocrisia, corrupção e banalização da vida. Viciados em corrupção e dinheiro, os políticos aproveitaram o caso generalizado pra agir ainda mais, já que era tanta confusão, que ninguém teria tempo pra discernir todas as falcatruas que estavam ocorrendo em paralelo.

Enquanto o brasileiro assistia entusiasmado pelas cenas dos próximos capítulos nas sagas diárias dos telejornais ou dos sites de notícias na Internet, os políticos riam em dobro, matando delatores, juiz e até mesmo o delegado que investigava a morte deste juiz. Em uma sucessão de crimes pra queima de arquivo, o recado foi dado: após o aval dos corruptos na Justiça e na Política, todos estariam segurando seus ossos de forma incondicional, tivesse ou não que matar alguns pra isso. Com o juiz, Sérgio Mouro, o mesmo que recebe ilicitamente salário acima do teto permitido por lei, diversos casos convenientemente foram ignorados por ele. Em se tratando de seletividade e hipocrisia, esse parece ganhar de muitos outros. Abraçou de forma notória o partidarismo e fez todo o possível pra inventar um cenário que corroborasse com a teoria que ele e sua turma escolheram pra pintar a caveira de certas figuras políticas. Tanto fez e tanto recebeu respaldo da mídia, que conseguiu não só forjar a condenação de Lula, como mobilizar um mar de incautos a expandir a semente do ódio que nutriam pelo PT.

Tais pessoas, enviesadas pela ideia de que o Partido dos Trabalhadores (PT) representava automaticamente uma ideia ou consenso abraçado por todos os políticos que ali estavam inscritos, formaram um grande número de brasileiros que não tinham disposição de aprender ou discutir verdadeiramente os assuntos políticos, criaram um muro de ignorância, exatamente ao sentido real de ignorar algo. Ignoraram fatos, ignoraram a manipulação política que sofreram, ignoraram as pendências internas de si mesmos, ignoraram as falácias cometidas, o ódio pregado e até mesmo as ‘fake news’ criadas e compartilhadas massivamente pela internet e até mesmo pelas mídias ditas ‘convencionais’. O brasileiro aprendeu de forma completamente distorcida e limitada, que bastava ter ódio à um monstro imaginário e tudo ficaria bem. Foi exatamente esse cenário desastroso de desafeto pelo estudo e reflexão da política que cultivou uma plateia sedenta por manipulação, por discursos de ódio compatíveis, por uma plantação ostensiva de falácias e conceitos pré-fabricados que levasse o eleitor a ficar tão indignado com o cenário desenhado por alguns ao ponto de começaram a achar válido ideias descabidas como, por exemplo, dar voz, poder e espaço pra figuras completamente despreparadas e mal intencionadas como a do candidato à presidência de 2018, Jair Bolsonaro.

Mas, engana-se novamente, quem pensa que esse espaço nasceu simplesmente da repetição sistemática dos discursos de ódio contra os governos anteriores. Esta repetição foi, se muito, apenas o embrulho de um contexto prévio muito maior que estava sendo gestado no brasileiro. Descobrimos em 2018 um abismo aparentemente sem precedentes, composto de um número grande de pessoas abertamente cegas sobre valores e dignidade humana, adeptas de um discurso aberto de xenofobia, racismo, machismo, homofobia, ódio de classes e uma alusão fictícia e pré-fabricada de um suposto combate aos regimes totalitários comunistas. Muito se nota disso, quando se percebe que essas pessoas desconhecem até mesmo que Comunismo nunca se resumiu aos citados regimes totalitários que visualizamos na União Soviética ou em outros exemplos similares. As pessoas que apontam ódio ao Comunismo, tentam, em vão, alçar do fundo da História um cenário que não tem nenhuma conexão com os ideais abraçados pela diversificada esquerda no Brasil e em vários povos do mundo. Independente de qual seja seu posicionamento ideológico, é um poço de ignorância acreditar que é suficiente pautar seus discursos e pensamentos em algo que você simplesmente desconhece e, mais do que isso, replica um discurso se posicionando ardorosamente sobre, sem nem mesmo poder ter coerência ou respaldo de fatos. E quem sai perdendo com isso, além de você mesmo, são todos os demais na sociedade que vão ter que mastigar as consequências da falta de informação, das mentiras e preconceitos plantados, do ódio gerado e, claro, da manipulação ainda mais feroz dos corruptos e sedentos por poder, em cima, justamente, desses que nada sabem sobre aquilo que os está explorando e manipulando no campo da política (pra dizer o mínimo).

Perceba que é natural e sensato as pessoas terem pensamentos diversos, desde que estejam sempre almejando conhecer ao invés de reduzir preconceituosamente uma suposta oposição que desconhecem. Na vida política, em espaços democráticos, por exemplo, vê-se algo em comum com modelos de diferentes vertentes políticas, que é justamente a concordância em se fazer uso dos mecanismos políticos em comum pra preservar, antes de tudo, o direito de todos terem espaço possível na política, restringindo, paralelamente e automaticamente, as opções que derrubam e ameaçam a democracia, como é o caso do fascismo. Por essa simples razão, vertentes ideológicas até mesmo fora do campo da democracia, ainda encontram sintonia com os democratas, no sentido de manterem, pelo menos, o antifascismo como requisito. Não tarda muito pra que as pessoas olhem estas informações apontadas e fiquem assustadas ou receosas sobre o que isso possa significar. Tantas e tantas vezes já se foi feito o discurso depreciativo sobre a auto-gerência ou o Anarquismo, que as pessoas já se esqueceram de que é exatamente nestes modelos que você tem liberdade e autonomia, inclusive pra pensar por conta própria. Ser livre exige muita responsabilidade e, se você recusa ou minimiza o valor de uma ideia que prega justamente a liberdade, você está minando a sua própria liberdade e sua própria coerência. Ao se pautar pelo cerceamento do seu próprio pensamento, você está admitindo um encurtamento de seus potenciais de reflexão, de decisão de sua própria vida e da sua capacidade em ser quem você realmente quer ser.

E onde quero chegar com isso? Gostaria, se possível, conduzir os passos desse texto até o ponto em que você possa perceber que, ter se prestado ao papel sórdido de marionete não fará ninguém ser realmente alguém com potencial de transformar sua própria vida em algo melhor, incluindo nisso, claro, a transformação do seu país. Aqueles que verdadeiramente querem ver uma solução para os problemas do país, precisam, antes de tudo, estarem munidos da autonomia necessária pra pensarem sozinhos, por conta própria, sem apoio de muletas oportunamente criada por manipuladores que vão sugar sua moral, sua índole, seu dinheiro, sua força, seu poder de discernimento, sua educação, sua empatia, seu senso de percepção sobre a aproximação de problemas e até mesmo sobre a percepção do grau dos problemas ao redor. Não seja essa pessoa que cresce sendo levado pelas ideias de qualquer um, espumando seu ódio em discursos rasos que não podem sequer ter comprovação ou respaldo da realidade. Não seja a pessoa que passa vergonha desnecessária na internet e nas conversas de mesa, tentando ensinar a História que nem mesmo você teve paciência de estudar. Faça como o citado sujeito do depoimento que teve a grandeza de rever seus equívocos e começou a estudar política com seriedade, justamente por não aceitar continuar na cegueira, na manipulação, no prejuízo causado pela corrupção dos políticos e nas mentiras e iniciativas nefastas criadas por aqueles que exploram sua mente, seu trabalho, sua família, sua esperança, sua dignidade, sua individualidade e seu valor como ser humano.

Nos próximos momentos, chegaremos ao 2º Turno das Eleições 2018, onde as pessoas precisarão deixar um pouco mais claro aquilo que elas não aceitam pro futuro de si mesmas. Infelizmente, em um cenário como o atual, não tenho como ficar feliz em descrever ou apontar as opções, justamente porque sei que temos opções rivalizadas demais pra conseguir flexibilizar. De um lado temos o que deveria ser inaceitável: um candidato que representa os absurdos do fascismo, com apoio aberto ao horror da Ditadura, tendo como discurso, a homenagem à torturadores, o preconceito violento contra negros, gays, mulheres, índios e minorias em geral. Fosse este qualquer outro candidato de direita concorrendo às eleições, não teria erguido em grande parte da população (não só do Brasil) um repúdio automático expresso em manifestações ao redor do mundo. Você pode achar que essa rejeição é mais um plano mirabolante conspirado por um político opositor, um partido ou um grupo de viés ideológico, mas engana-se duas vezes. E é por não se permitir compreender a fundo quem são as pessoas que expressaram claramente a não aceitação do fascismo como opção política, que você acaba manipulado mais uma vez pelo seu próprio opressor. Ainda que você simpatize ou solidarize com algumas das supostas ideias pregadas ou discursadas por Bolsonaro, precisa, antes de tudo, entender o que te levou a esse desespero que te jogou à um equívoco na interpretação da realidade, no aprendizado sobre fatos históricos, no que é benéfico ou eficiente pra transformação da corrupção do país ou até mesmo no que é útil pra aproximação da sua ideologia na vida até você. Se hoje você pode pensar com liberdade sobre todas essas questões, é porque livros não foram queimados, rasgados ou confiscados, ideias na internet, no rádio e em outras tantas mídias, não foram censuradas, espetáculos de música ou teatro não estão controlados, etc.

Uma figura tão polarizada como a deste candidato do PSL, ao lado de outra figura que tem sido vista como um mascote do Partido dos Trabalhadores (PT), fez com que os ânimos ficassem aflorados. O Brasil conseguiu cair em um contexto de anti-PT muito grande, onde até mesmo a figura de um ex-prefeito que cumpriu resultados na sua gestão, tem sido visto com maus olhos por muitos que aderiram aquela ideia fácil de seguir o vento dos discursos de ódio que pressionaram os últimos presidentes do Brasil. Esse tipo de polarização impensada, coloca na balança figuras com pesos completamente diferentes. Você pode até mesmo não achar ideal o potencial do candidato do PT à presidência e suas propostas de governo, mas o que você não pode negar é que, entre as opções que restaram, ele é o único que pode lhe assegurar a continuidade da sua própria liberdade de escolher próximos candidatos em próximas eleições. Feliz ou infelizmente, em 2018 passamos por eleições atípicas neste primeiro turno e seguirá sendo uma eleição atípica no segundo turno. Diferente de outros anos de eleição, o atual momento nos colocou pra escolher algo muito além do que planos de governo ou até mesmo de ideologia partidária. Estamos diante de um cenário que pode comprometer gravemente a democracia, extirpando ela à força ou maquiado de meios “legais”. Um candidato que não reconhece a legalidade e a democracia, que acredita que pode resolver problemas da grandeza do país por meio da violência, não é só uma pessoa violenta e sem empatia, mas alguém que desconhece sobre como as coisas realmente funcionam. O Brasil já vive um caos generalizado desde a colonização e tudo tem se agravado dia após dia, por falta de investimentos suficientes nas áreas que realmente importam. Negligenciar a base e a causa dos problemas não vai resolver os problemas existentes, vai ampliá-los e ainda trazer novos problemas. Esse é o perigo que muita gente notou e quis distância de forma incondicional.

Você tem nas mãos a oportunidade de tolerar um governo que não aprecia tanto, mas que será tua opção possível na democracia, pra rejeitar o fascismo embutido na única figura que restou como concorrente deste. Infelizmente, quando o mundo fica polarizado, as pessoas ficam apenas com duas opções e isso é desastroso. Queira pra si, sempre, ter todas as opções possíveis e imagináveis. Isso é liberdade, isso é, até mesmo, ser liberal e ter a possibilidade de definir e discutir ideias. Lembre-se que, por mais que você pense pelo ódio, quando você, eventualmente, descobrir que se arrependeu, talvez não encontrará mais as portas abertas pra sair de onde você nunca quis ter entrado. Pense nisso e lembre-se que eu dediquei meu tempo escrevendo tudo isso, justamente porque nenhum dos dois candidatos que figuram no 2º Turno, são alinhados com os meus valores e ideais, mas, certamente, entre estes dois há um deles em que escolho tolerar e esperar pelas próximas Eleições e o outro eu não concordo de maneira nenhuma em ter que engolir, sem opção, fruto de um eleitorado manipulado que venceu pelo ódio e não pelas ideias, pela disseminação das ‘fake news’ que rodeiam a internet há muito mais tempo do que a candidatura de ambos. Eu escrevi esse imenso texto, por me opor sistematicamente ao fascismo e à qualquer porta aberta para tal. Escrevi, porque acredito que boas ideias e ações honestas valem mais do que corrupção e violência. E, finalmente, escrevi tudo isso, porque estudei, porque me permiti pensar sozinho e porque não aceito nada menos que a minha liberdade. Almejo continuar, vivo, respeitado, com espaço para pensar, escrever, refletir, discutir, mudar, evoluir, construir o que possa ser melhor não só pra mim, mas também pra você. Se a sua estrela não brilha, por favor, não tente apagar a minha. Eu prefiro me dispor a ajudar a fazer a sua estrela brilhar também. Liberdade é onde todos tem a oportunidade de vencer, horizontalmente. Opressão é onde um “vence” os demais verticalmente.

Rodrigo Meyer – Author