O tempo que você não tem, lhe foi roubado.

O tempo, além dos ciclos naturais das estações do ano e o movimento dos astros, é também uma construção social. E dentro dessa construção social é comum de vermos as pessoas criarem construções derivadas desse modelo. O tempo é relativo, mas também tem seu fator concreto. Mais importante do que entender o que é o tempo, é saber o que você faz dele.

Quando as pessoas dizem que não possuem tempo para determinada atividade, geralmente isso significa o oposto na realidade. O que ocorre é que as pessoas que sentem-se sem tempo, por vezes, estão apenas cegas de si mesmas, justamente por estarem ocupando o tempo delas com coisas superficiais e que não são reais prioridades. Quando elas notam alguma coisa da qual elas gostariam ou precisariam muito fazer e se apercebem sem tempo, é preciso refletir que outras coisas estão preenchendo o tempo a ponto de não haver espaço para algo que se quer muito

O dia na Terra tem em torno de 24 horas. É bastante tempo para o modo como estamos acostumados a experimentar nossas rotinas. Uma pessoa comum dentro da média, acorda pela manhã, segue para o trabalho ou estudo, pausa para almoçar, encerra o dia lá pelas 19h00 e retorna pra casa ou segue para alguma atividade de cunho pessoal. Considerando o percurso triste de muitos lugares, isso pode se arrastar por mais algumas horas de transporte. Com alguma sorte essa pessoa vai conseguir dormir as recomendadas 8 horas de sono, pra acordar à tempo de ir pro trabalho ou estudo no dia seguinte.

Se você segue essa rotina descrita acima, é muito provável que você esteja cansado. Seu trabalho te ocupa o dia todo, se levar em conta a soma do transporte, da refeição e do sono que te mantém vivo pro próprio trabalho. Em nenhum desses horários você teve lazer ou algum prazer incluso. É provável que não tenha tido sequer o tempo necessário para se questionar sobre sua condição atual e suas possibilidades paralelas. Como buscar alternativas, quando tudo que você tem é a rotina te algemando à um modelo que te cansa e te ocupa o dia todo?

Se você teve tempo e oportunidade pra ler esse texto, provavelmente você está com uma margem nos seu horário ou então teve a grata oportunidade de folgar por alguns dias na semana inicial do ano. Talvez, ainda, você tenha insônia e, ao invés de cumprir suas 8 horas de sono, você se cansa ainda mais diante da internet, em busca de atender o chamado da mente. Eu não tenho como prever com exatidão qual a sua situação, mas posso lhe dizer algo importante sobre tudo isso. Em qualquer cenário que você estiver, uma coisa não muda: o dia continuará tendo 24 horas e você tem nas mãos escolhas e responsabilidade para colocar na balança. Vejamos.

Se você é uma pessoa solteira, sem responsabilidade com cônjuge, filhos e nem lhe é requerido cuidados mais constantes e presenciais para seus pais ou parentes, você já está em vantagem em relação a muita gente. O Brasil é um país onde raramente as pessoas alcançam qualidade de vida e, por isso, mais atribuições de responsabilidade acabam por se tornar um fardo que faz muita gente desistir ou transbordar em condutas e sentimentos indesejados. Se lhe foi dada a condição da escolha sobre esses aspectos da vida, sinta-se agradecido, pois a maternidade ou paternidade, o cuidado de enfermos ou a aceitação de um trabalho que rouba todas as horas do dia em troca de um salário que custeia apenas a sobrevivência, é uma triste realidade de grande parte da sociedade.

Nessa altura você deve estar se perguntando, como é que pode haver tempo de sobra, se acabei de mostrar que a maioria das pessoas não dispõem de tempo suficiente. A verdade é um contexto mutável e não algo fixo e eterno. Se nos apercebermos de nossas funções no mundo, do nosso esforço, nosso potencial, nosso valor, nosso trabalho, nossas relações com o tempo, com as pessoas e com a sociedade, teremos condições de estimular em nós um senso crítico sobre o que não parece justo, certo ou realista sequer. Quando você se dá conta de que está trabalhando simplesmente pra continuar vivo para o próprio trabalho, você está sendo, em certa forma, escravizado pelo trabalho, apesar da ilusão do salário. Digo isso porque seu salário não é dado para você exatamente, mas custeia apenas sua alimentação, sua moradia, seu transporte e evita que você amanheça morto no dia seguinte e deixe de trabalhar por quem “precisa” da sua fracionada mão-de-obra. Se aperceba que você não usufrui do seu salário para nada que seja destinado à você mesmo, como o seu aprendizado, seu lazer, seu relacionamento afetivo com as pessoas, sua exploração da espiritualidade, o cuidado com a saúde do seu corpo e mente, a elaboração de uma rede firme e saudável de amizades, uma pausa para pensar o mundo, pensar você, pensar a vida, questionar os caminhos e os porquês. Perceba que num modelo de vida apertado assim, ocupando todas suas 24 horas, o tempo lhe é roubado. E se lhe roubam o tempo, é porque você tem tempo de sobra pra ser roubado. Ficou mais claro?

Todos nós temos, tivemos e sempre teremos 24 horas do nosso dia, para fazermos nossas escolhas. É claro que, diante de certas responsabilidades éticas, escolhemos, por exemplo, não negligenciar os cuidados com filhos e família, não subestimar o salário que nos permite dar assistência e sobrevivência para aqueles a quem tutelamos e/ou amamos ou simplesmente para cumprir nosso instinto de sobrevivência e nos mantermos vivos e à salvo nas necessidades mais básicas da Pirâmide de Maslow. Mas, acima das urgências de respirar, urinar, comer, se proteger do frio e do calor, dormir, se manter vivo e com o máximo de saúde possível, temos um outro patamar de realidade, que é talvez igualmente importante por mais que não seja exatamente o motivo da nossa sobrevivência como seres orgânicos.

Além da sobrevivência, temos o viver. Viver é infinitamente diferente de sobreviver. Enquanto o sobrevivente pulsa o coração e mantém ativa as ondas cerebrais para ser tachado de vivo, a pessoa que realmente quer viver e não apenas sobreviver, precisa encontrar função e satisfação além da manutenção do organismo, afinal o ser humano não é apenas o próprio corpo. Ser um ser humano é, antes de tudo, ser dotado de uma individualidade, uma consciência, uma personalidade, uma vontade (e aqui permita-me listar também a Vontade, com ‘V’ maiúsculo, em referência a essência de um indivíduo, como anunciado por uma certa vertente de conhecimento). Viver é, sobretudo, abandonar a servidão da sobrevivência e desfrutar a vida ao lado de seus potenciais e anseios. Existimos para nossos próprios propósitos e não temos que nos sujeitar a nenhum modelo imposto de sociedade, trabalho ou relacionamento. As premissas do mundo, são criações de outros seres humanos, tão comuns e/ou especiais como qualquer outro. Somos todos iguais e o problema na administração do nosso tempo e valor está justamente em alguém ser subjugado por outro, pra que o outro faça o que quer do tempo dele, enquanto a vítima segue pressionada a não ter nada, a não ser nada, a não poder querer nada.

As pessoas que detém 24 horas do seu tempo, tem um tesouro nas mãos. Deveriam fazer bom proveito disso, pra não acabarem infelizes, com sentimento de derrota, frustradas, deprimidas, doentes ou distantes dos seus potenciais, sonhos e responsabilidades. Escolhemos vender a nossa força de trabalho, pois acreditamos pouco na nossa autonomia. Desde que eu me conheço por gente, sempre almejei e sempre fui um profissional autônomo. Trabalhar para os outros nunca me foi uma opção a ser considerada. Claro que se eu me sentisse sem nenhuma segurança ou esperança, viria o pensamento de me sujeitar à exploração do trabalho convencional, afinal tentamos sempre nos mantermos ao menos vivos pela sobrevivência e depois pensamos em viver. Mas, enquanto me foi dada a oportunidade de escolher minha própria vida, escolhi arcar com a responsabilidade de viver na incerteza dos ganhos como autônomo, mas desacorrentado da falsa promessa de estabilidade de um salário mensal em uma empresa. Não me arrependo jamais de ter escolhido o meu caminho.

Eu não posso dizer que você tenha as mesmas condições que eu para tomar essa decisão assim, da noite pro dia, mas posso te contar da experiência de inúmeras outras pessoas em diversos contextos sociais e familiares. Posso te dizer que há pessoas que mesmo tendo uma vida relativamente confortável, escolheram ir para as ruas, para morar e explorar a realidade paralela, como também conheço os que abandonaram as ruas ou o risco de estar morando nelas, para coletar materiais recicláveis descartados, para construir sua própria autonomia na vida, sua moradia, seu tempo livre, sua relativa paz. Sorriso no rosto de pessoas tão distintas falam mais sobre quem elas são por dentro, do que o cenário que deduzimos no mundo físico delas. Para algumas pessoas, certas atividades parecem degradantes, para outras é a oportunidade de se sentirem livres. Obviamente, a sensação de encaixe e satisfação dessas pessoas não anula o fato de que outras muitas sentem-se invisibilizadas ou maltratadas pela vida exatamente por estarem na condição ou cenário em que estão. Para muita gente o abandono familiar, a miséria, a ausência de um lar além do improviso nas calçadas, é uma realidade dolorosa que as pessoas tentam contornar por meio da transformação de significado da vida, mas que, quando não conseguem, caem no abuso de álcool e outras drogas, como fuga de suas próprias realidades.

Começar a falar de tempo e terminar falando de classes sociais é o tipo de realidade que precisa ser visitada mais vezes por aqueles que não perceberam a conexão entre assuntos aparentemente desconexos. O texto não desvia sequer do título. O texto tenta suscitar na sua mente consciente, aquilo que o seu inconsciente já sabe. Por meio das críticas e exemplos que trago, eu espero com sinceridade que você levante um dia e perceba que há valor no seu indivíduo, por mais que a vida tenha insistido em mentir pra você, em te reduzir ou te desacreditar. A vida, de um modo mais subjetivo, são as relações humanas pelo mundo. É o que fazemos uns com os outros que determina como será a vida de cada um. Qualidade de vida nada mais é que manter relações positivas e justas entre as pessoas que interagem em um mesmo ambiente. Se cada indivíduo estiver são e feliz, acaba por descobrir que todos possuem 24 horas do dia pra serem cada vez melhores, num nundo cada vez mais consistente, sem ódio, sem preconceito, sem separação de classes, sem pressão, sem guerra sem coisas desnecessárias que ocupam o tempo de muitos.

E nem vou entrar na questão, por hoje, do desperdício de tempo de atividades como a obrigatoriedade ilusória de sair todo fim-de-semana, de dedicar horas do seu dia pra assistir passivamente a timeline do Facebook, Instagram e Youtube. Essa crítica da vida pós-internet é tão conhecida quanto a própria internet e as pessoas são conscientes disso mesmo quando incorrem no vício que elas não gostariam pra si. Disso já falei em outros textos e, se necessário, voltarei com abordagens diferentes futuramente. Retomemos a linha do pensamento.

Após você ter se apercebido do necessário, é hora de fomentar suas mudanças no coletivo. Sozinho, talvez faça boas coisas, mas em conjunto, poderá fazer coisas maiores. Se tornar livre no seu próprio mundo, pode ser uma bela conquista, mas estimular para que todo o mundo seja o seu e de todos os demais, pode ser a melhor coisa que você já fez. Encontre-se com as pessoas que pensam de maneira similar com a sua, esclareça os pontos falhos sobre o assunto, divida apoio, esteja lá para empoderar, para deixar um sorriso, um novo modelo de vida, um teor de esperança, um perfume de vitalidade, um pensamento que vá além da opinião e que permita que mais pessoas sintam-se engajadas como você a querer mais da vida do que apenas sobreviver. De início isso poderá ocupar boa parte do seu tempo, mas é uma boa maneira de ocupá-lo, bem melhor do que se enforcar em horas e mais horas de trabalho sem significado, pra que seu patrão compre um carro novo, reforme a casa, viaje pra praia, abra outra empresa e siga enriquecendo às custas do seu suado trabalho.

Me parece mais justo que você escolha pros seus dias a incerteza no final do mês, porque só se torna difícil quando pouca gente está fazendo. Se todos estivéssemos vivendo em um cenário de trocas entre autônomos pelo mundo todo, seríamos todos livres para sermos quem quiséssemos ser. Seriamos livres para pensar, ler, sentir, escrever, desenhar, construir, sonhar, viver. Viver! Vamos redescobrir o sentido da vida, olhando exatamente para os lugares onde ela não está. Se não há vida no seu trabalho ou nas suas relações sociais, mas apenas sobrevivência, é hora de repensar. Tudo bem se você concluir que não é uma mudança boa para você ou que você não tem os contextos necessários para tomar essa decisão. Eu não estou aqui pra te julgar. Eu vim exatamente pra lhe enxergar, dizer que você existe, que você importa e que você deve ser livre o máximo que puder. Tudo que eu posso fazer por você, na posição em que estou é te provocar reflexões, abrir as portas do meu mundo e sorrir diante da reciprocidade e sintonia que houver. Eu não posso tomar as decisões por ninguém e nem mesmo cobrar as pessoas para que tomem qualquer decisão na vida delas. Somos indivíduos e, como tal, há uma vida em cada um de nós, uma autonomia, uma responsabilidade própria, uma liberdade, um hall de escolhas e ações. Exerça sua individualidade, seja o protagonista da sua vida.

Obrigado pelo seu tempo e espero que o meu tempo dedicado nesse texto tenha gerado algo de útil pra você também, pois foi útil pra mim e só seria uma troca se fosse útil à ambos. Isso é o que fiz desse pequeno momento do meu dia e tenho certeza que ele vai me render mais tempo livre em algum momento lá na frente. Eu escolhi viver e escrevo porque é isso que eu desejo fazer.

Rodrigo Meyer – Author

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Sobre cercar-se de gente produtiva.

De forma simplista, a ideia de cercar-se de gente produtiva já parece interessante, afinal quando pensamos em pessoas produtivas, imaginamos algo positivo, mesmo sem nos atentarmos aos detalhes do que está sendo classificado como ‘produtivo’ nestas hipotéticas pessoas. Todo mundo, a princípio, acharia vantajoso estar cercado de tal gente. Contudo, na prática, isso pouco ocorre e, na verdade, muita gente descobre que não tem real apreço por gente produtiva. Faz-se necessário, então, explicar um pouco sobre as vantagens que este tipo de pessoa traz e, a partir disso, quais as vantagens que absorvemos por nos rodearmos delas, além de, claro, tornar esse processo espontâneo.

Pessoas produtivas são aquelas que estão sempre envolvidas em alguma criação, trabalho, ideia ou iniciativa. São as pessoas que estão sempre colocando pensamentos em prática, transformando sonhos e vontades em algo concreto. Estou falando, por exemplo, da pessoa que converte um sonho em uma série de desenhos, que observa o mundo e escreve sobre ele, que coleta material reciclável e converte em produtos reutilizáveis, que organiza ações de ajuda social, que conserta objetos quebrados, que restaura uma informação útil que estava perdida, que intervém em uma briga pra defender ou apoiar uma vítima, etc. Aqui são alguns pouquíssimos exemplos de gente produtiva no mundo. Mas, nem de longe isso resume a totalidade e diversidade do que são as pessoas produtivas. Existe algo de muito especial nestas pessoas e isso a gente só nota quando começa a identificar muitas delas e a perceber o que elas possuem em comum.

Enquanto alguns evitam o contato com pessoas produtivas, eu fixo meus olhos brilhantes sobre elas e agradeço pela oportunidade de conhecê-las. Fico feliz em saber o que cada pessoa faz, não apenas na profissão e estudos, mas, principalmente, nos hobbies, porque é o que a pessoa, aparentemente, ama fazer e de onde se pode, provavelmente, extrair oportunidades interessantes para atividades conjuntas a curto ou médio prazo. É fácil imaginar, por exemplo, que uma pessoa que compõem música, tenha maiores chances de se interessar por alguma proposta sua que envolva edição de som, restauração de instrumentos musicais ou mesmo de participar de um blog ou livro sobre arte. Por outro lado, se esta mesma pessoa fosse pouco produtiva, seria indício de que ela não está verdadeiramente engajada nessa atividade, seja por falta de tempo, de estrutura ou de paixão suficiente. Por isso, é importante diferenciar quem apenas está conectado à um assunto e quem realmente é produtivo nesse meio. Em uma analogia, uma coisa é o usuário comum de computador e outra, bem diferente, é o entusiasta de antiguidades da informática que vai tão fundo nisso que chega a restaurar os equipamentos para utilizá-los novamente, mesmo que tenha que aprender a soldar placas de circuito e a restaurar a cor envelhecida do plástico, sem desanimar se precisar reaprender comandos de um software estranho.

Mas, algo que sempre se vê em comum em pessoas produtivas é que elas nunca estão engajadas apenas em um tipo de atividade ou assunto. Como se estivessem eternamente curiosas e inquietas, se desdobram em tantas outras faces pra aprender segundas, terceiras e quartas profissões, outros idiomas, outros talentos, etc. São as pessoas que estão sempre à um passo de uma nova viagem, de um novo curso, de um novo livro, de uma nova conversa, outra amizade, outra cidade, outro modo de ver a vida. Essas pessoas estão sempre caminhando pra inúmeras direções, mas, sobretudo, estão consolidando cada uma dessas atividades. São pessoas, geralmente, de muito talento e esforço. Se dedicam muito em estudar e dominar um assunto com excelência suficiente pra serem admiradas. E é aí que entram as trocas. Pessoas assim, possuem a grata oportunidade de converter suas vantagens em mais vantagens. Quando você une dois entusiastas da Música, por exemplo, de repente tem-se uma banda por surgir. Ou, ainda, quando você é um talento na Fotografia e conhece um bom ator ou modelo que também aprecia Fotografia, você tem ali o caminho facilitado para falar disso, propor projetos fotográficos e ideias onde ambos possam fazer algo novo disso tudo, porém juntos.

Parcerias, como se pode ver, são frutíferas quando as pessoas possuem alguma afinidade. E pra que aumentem as chances de encontrar afinidades com alguém, nada melhor do que ter muitas áreas de interesse e estar em contato com pessoas que também possuem interesses diversos. Em um jogo invisível de tentativa e erro, vamos conhecendo pessoas, seus planos, seus sonhos, sua personalidade, suas manias, seus gostos, suas invenções e, quando menos se espera, estamos atuando junto em busca de satisfazer nossa curiosidade, completando incertezas, deixando questionamentos ou até mesmo apontando uma solução. É muito mais provável que estas interações resultem em um novo projeto, trabalho, produto ou até mesmo em um novo hobbie muito mais incrementado ou divertido. Por vezes, é a brecha que faltava pra que alguém elevasse o nível de uma prática que já fazia sozinho.

Com esse networking especial você está facilitando sua vida em todos os setores, sem saber em qual deles vai ter mais sucesso inicialmente, mas certamente será alguém mais satisfeito com a vida, porque terá preenchido seu tempo e sua mente com coisas e pessoas que realmente lhe instigam a ser e fazer mais. E mesmo que sua produtividade não cresça atrelada à uma parceria com estas outras pessoas, ainda sim será graças à elas que você terá desenvolvido seu caminho isolado.

Muito do que eu aprimorei em informática, por exemplo, se deu pela interação com pessoas que tinham afinidades comigo em outras áreas em comum. A troca de experiências possibilitou que ambos dessem o melhor de si em algo e recebessem o esforço do outro igualmente. É o milagre da multiplicação. Somar é fácil, mas multiplicar é arte. Ao longo da vida, estive em contato com muita gente, ficando particularmente encantado quando notava que a pessoa tinha disposição mental pra permear mundos diferentes, assuntos desconexos entre si e manter clareza em tudo que se propunha a investigar, estudar, compartilhar ou praticar. Isso me faz pensar que, em última análise, o sucesso dessas pessoas está atrelado a um enorme esforço que só é possível pelo imenso prazer que elas possuem em dedicar muitas horas em algo. E não seria exatamente essa paixão que faz delas pessoas produtivas em suas áreas de interesse? Penso que sim.

Pessoas comuns, torcem pro dia acabar logo, mas pessoas produtivas, não estão sequer olhando pro relógio. Conta-se que Albert Einstein, frequentemente, se trancava no quarto por dias, isolando-se de tudo e todos, até que pudesse sair dali com a resposta que precisava. Seu networking se deu, indiretamente, pelo contato com invenções que via e estudava durante seu trabalho no órgão de registros e patentes. Algo similar ocorria com Nikola Tesla que se motivava a descobrir novas possibilidades com a eletricidade, devido a discordância no trabalho de outros inventores e empreendedores. Não tão diferente, em tempos mais modernos, ocorreu o mesmo com os criadores da Google, Larry Page e Sergey Brin, o criador da Microsoft, Bill Gates, e o criador do Linux, Linus Torvalds. E de maneira bem clara, vemos que eles concretizaram suas ideias pelo apoio de pessoas que estavam profundamente relacionadas com seus hobbies e trabalhos tão incomuns.

Talvez você nãos visualize de imediato ou tão facilmente as conexões possíveis entre as coisas que você faz ou gosta com as oportunidades que isso pode lhe render junto à outras pessoas. Mesmo assim, as oportunidades estão potencialmente presentes. Você precisa simplesmente dedicar tempo em viver um contexto diverso, desde que toda essa diversidade faça sentido pra você e seja espontânea. É muito possível que o estudo de idiomas, por exemplo, lhe renda contato com pessoas que já viajaram ou que gostariam de viajar. E quantas outras conexões se formariam, se o sonho de viagem de algumas dessas pessoas fosse pelo apreço em História, por exemplo? Quanto mais diverso é um indivíduo, mais caminhos lhe surgem. Quanto mais caminhos são absorvidos, mais produtivo o indivíduo se torna. Por fim, quanto mais produtivo, mais chances tem na troca com outros indivíduos produtivos e diversos. Sucesso garantido, pra uma vida que pode até não render dinheiro, mas provavelmente vai lhe manter vivo no melhor sentido do termo.

Dito tudo isso, cabe à você descobrir seus potenciais, seus campos de interesse e definir suas estratégias, por assim dizer, de como se relacionar ou permear o mundo das pessoas e assuntos que lhe parecem úteis. Mas, acima de tudo, esteja lá por verdadeiro gosto no que faz ou pensa, porque os insights e as oportunidades serão sempre frutos ocasionais e quase aleatórios de sua própria dedicação incansável e do seu mergulho despretensioso que lhe reverte suficiente prazer.

Rodrigo Meyer

Nenhuma ignorância ficará impune.

Independente dos sistemas sociais e das interações humanas, tudo aquilo que existe, traz consigo a inevitável consequência de sua existência. E o que isso quer dizer? Quer dizer que se existe uma fruta pendurada em uma árvore, haverá um momento em que ela cairá do galho ou será digerida por algum pássaro. Da mesma maneira, se uma pessoa chacoalha uma árvore carregada de frutos, alguns frutos poderão cair. Assim como nenhuma ação fica sem reação, a ignorância humana também não percorre sem consequências diretamente relacionadas.

Se pegarmos exemplos simples, já conseguimos demonstrar esse fato. Imagine que uma pessoa tente construir uma casa, porém sem nenhum domínio de engenharia, construção ou mesmo de física básica e empírica. Visualize uma pessoa tentando erguer 3 andares de pedras pesadíssimas, apenas apoiadas numa base frágil de bambu. O simples fato da pessoa desconhecer as propriedades de resistência do bambu, a torna ignorante nessa tentativa e traz como consequência a impossibilidade do feito e/ou um terrível acidente com as pedras quebrando o bambu e vindo toda obra ao chão.

Na vida, nem tudo que exige noção, conhecimento e controle da ignorância, são tarefas tão óbvias como estas. Ainda que estejamos em uma época dito “tecnológica”, ainda temos que enfrentar muita ignorância que sobrevive ou renasce do passado. A informação precisa chegar pra todos, porém vivemos tempos difíceis onde até a pouca informação começa a faltar e falhar. As pessoas já começam a crer, novamente, em ideias como ‘Terra plana’, resgatando um culto à ignorância que parece ser o centro de suas vidas. Haveria tempo pra simplesmente criticar essas pessoas, porém isso não contribuiria em nada para a melhoria do cenário. Deixemos que as críticas vazias fiquem somente entre os ignorantes. Tomemos pra nós, se objetivamos alguma melhora no mundo, o papel de transformar as pessoas ao nosso redor. Ainda que seja difícil fazer despertar o interesse pela cultura, sabedoria, intelectualidade, noção, razoabilidade, realidade, verdade, educação, etc., precisamos, pelo menos, tentar.

Tudo na vida tem um preço intrínseco que é dado automaticamente, conforme cada pessoa interage na realidade. Seja lá quem for e como for, tudo que for feito, pensado ou intencionado, trará uma proporcional consequência. Assim sendo, nada mais inteligente e útil do que tentar pautar suas ideias, ações e intenções em coisas coerentes, produtivas, positivas, que vão te retornar benefícios ao invés de prejuízos, que vão te abrir caminhos ao invés de lhe fechar portas, que vão lhe tornar alguém mais esclarecido ao invés de alguém mais facilmente enganado, que vão lhe dar mais paz ao invés de lhe tornar alguém que muito odeia e se torna inconveniente por isso.

Você pode jogar pedras para o alto, livremente. A liberdade é justamente poder fazer o que se quer, mesmo que seja uma idiotice completa. Contudo, em toda liberdade existe o preço da responsabilidade com a colheita obrigatória das consequências. Nada que fazemos vem sem consequências, mesmo que elas demorem a chegar ou a serem notadas. Inclusive, é justamente entre os ignorantes que estão as pessoas que menos notam a consequência das coisas, sendo isso, portanto, o principal motivo pelas decisões pouco inteligentes destes indivíduos. Quando assistimos conteúdos de humor, rimos, muitas vezes, das trapalhadas que o ser humano consegue fazer ou dizer. De alguma forma, rimos daquilo que nos parece incabível demais pra ser levado a sério. Contudo, séries de desenho animado como “Os Simpsons”, nos faz lembrar que grande parte da sociedade real é passível de piada. Se procurarmos com um pouco mais de sinceridade, certamente encontraremos em muitos de nós, inúmeras atitudes, pensamentos ou intenções, que nos tornam ridículos. Sabendo disso, precisamos estar preparados para lidar com essas questões, muito além do simples ato de rir e esquecer de tudo após o fim de um episódio televisivo.

A ignorância é o que faz, por exemplo, uma pessoa ser vítima fácil de uma notícia falsa ou um estelionatário. Quem desconhece a realidade, acaba por ser como um papel em branco que tudo aceita. Aquele que nada conhece sobre a vida, não tem parâmetros e nem memória pra se orientar sobre o que é suspeito, estranho, problemático, falho, inverídico, perigoso, etc. A criança que nunca viu o fogo agir, certamente, corre o risco de queimar a mão diante da curiosidade pela chama luminosa. O esclarecimento sobre os perigos do fogo e a reiteração de que o fogo é perigoso, através das demonstrações de como ele sobreaquece tudo, como ele destrói as coisas e como ele pode sair de controle se for negligenciado, são formas de instruir uma criança ou leigo sobre o funcionamento do fogo, o uso correto desta ferramenta e as precauções diante do tema. De maneira semelhante, instruir pessoas na sociedade sobre todas as demais questões, as ajudará a lidar melhor naquilo que elas não possuem, inicialmente, nenhuma prática ou afinidade.

Em situações difíceis como a do Brasil nos diversos setores, é preciso, mais do que tudo, investir pesado na transformação das pessoas, no discernimento da realidade, na valorização de si mesmas, na valorização do raciocínio, do conhecimento, da intelectualidade, do embasamento, do discurso, da reflexão e do preparo pra que estas pessoas transformadas sejam também agentes de transformação nos próximos indivíduos. É desse ciclo perpétuo que extrairemos alguma chance de nos tornarmos um coletivo que consegue desfrutar de cada vez mais qualidade de vida. Qualquer país com qualidade de vida (e, claramente, Estados Unidos e Brasil não são um deles), o investimento no que realmente importa é a prioridade sempre. No Brasil, a maioria dos políticos, por questões de agenda ideológica, parece ter como principal atividade a desvalorização de tudo que é urgente, justamente para enfraquecer a mente do brasileiro médio, tornando-o mais fácil de ser controlado e subjugado. É tarefa constante para tais políticos mencionados, ampliar, dia após dia, os mecanismos de cerceamento da autonomia, do aprendizado, da liberdade e da reflexão, tal como os exploradores da vida alheia que colocam cabrestos em cavalos e similares, para melhor poder conduzi-los até o destino, sem que os animais se distraiam com os perigos que os circundam. Aliado ao cabresto, está o freio, um mecanismo covarde colocado na boca do cavalo, que tensiona a língua para que ele desista de uma reação livre, pelo condicionamento à punição que é controlada pelas rédeas do explorador que o monta.

Para se ver próximo da tão sonhada liberdade e qualidade de vida, é preciso se aproximar de tudo que alguém lhe oferece rumo à transformação do seu ser. De nada adiantará ter acesso à uma Universidade, por exemplo, se sua consciência política e social é nula. De nada servirá um salário, se lhe falta discernimento sobre como fazer bom proveito do dinheiro. Toda conquista social deve incluir avanços paralelos em todos os setores. Entender seus direitos, seus valores e seus potenciais, lhe ajudará a tomar decisões mais inteligentes e úteis em tudo que você for fazer ou falar. Quando você tem bem claro na sua mente quais são as prioridades em determinado assunto, você consegue agir de forma coerente, se afastando da ignorância e, portanto, das consequências tristes dela. Em resumo, você ganha qualidade de vida, colhe coisas úteis por saber como plantar coisas úteis. Essa regra de realidade nunca vai mudar. Quanto mais você aprende, mais você reforça essa verdade. E quanto mais verdades um coletivo conhece, mais força tem pra exigir o necessário.

Se você observar a sociedade ao redor, verá um mar de gente errando e errando muito. Embora hajam todos os níveis de equívoco em uma sociedade, se a maior parte da população fica largada ao acaso, o grau dos erros começam a subir pra todos em velocidade espantosa. Por isso, a base é sempre a prioridade de uma ação. Você deve sempre tentar apoiar e instruir as pessoas que estão iniciando a jornada na vida. Repassar seu conhecimento e suas ferramentas de transformação para crianças, adolescentes, cidadãos que estão começando a ter noção de História, de Política, de Sociologia, de Economia, de Trabalho ou qualquer tema primário que afete ele diretamente em sua existência no coletivo. Você nunca conseguirá fazer uma pessoa vencer a si mesma, se negar-lhe o direito de se conhecer e de conhecer o mundo. Se a informação e o esclarecimento não chega em todos os cantos, é papel dos detentores da informação, levar isso a quem não tem. Mas, esteja atento! Isso não pode ser, jamais, um pretexto para o nefasto papel de levar ainda mais alienação às pessoas. Você não pode usar o pretexto da informação, para iludir pessoas, desinformá-las sobre a verdade, convencê-las a força de suas crenças ou preferências pessoais, fomentar pensamentos equivocados ou preconceitos, entre outros lixos tóxicos. Há uma frase de Paulo Freire que diz:

“Quando a educação não é libertadora, a vontade do oprimido é de ser opressor.”

A liberdade conquistada, quando realmente é uma liberdade, visa transformar o entorno em um coletivo igualmente livre. Aquele que desperta de alguma ilusão qualquer que seja, caso veja-se livre pela visão obtida, deseja que o próximo também tenha o direito a esta percepção. Mas, entenda que o direito não é um dever. Retornamos para a ideia de que as pessoas devem ser livres inclusive para errar, senão não é liberdade de fato. Montar uma casa em cima de um frágil bambu é um direito, mas tal ignorância de ato não virá sem uma consequência automática, como já explicado inicialmente. Dito tudo isso, quando uma pessoa conquista o direito de pensar o que quiser, ela arca com as consequências da gerência que faz de seus próprios pensamentos e atos derivados. Agora comece a pensar na consequência de tapar os olhos e a mente diante dos riscos de uma casa em cima de um bambu; de idolatrar políticos imorais que financiam notícias falsas pra tirar proveito fácil de ignorantes que acreditam em tudo; de pseudo-jornalistas que plantam o medo e a discórdia na população ignorante que torna-se facilmente reativa e inconsequente; dos carrascos que riem da cara de seus apoiadores que são pisados e usados em benefício próprio, etc.

A ignorância nunca lhe trará nada de bom, apenas prejuízos. Você nunca se verá livre, próspero, satisfeito, feliz ou com qualidade de vida, por manter-se ignorante sobre as coisas. Não conheço ninguém que prefira ser enganado por um estelionatário ou alguém que prefira ter a casa ruindo ao chão. Se ninguém quer levar prejuízo, porque é que algumas pessoas continuam fazendo as decisões erradas? Porque será que continuam construindo casas em cima de bambus e continuam desinformadas sobre a vida que lhes usa e abusa? A resposta é simples e direta: a ignorância está presente. A boa notícia é que ninguém precisa se contentar com a ignorância, podendo sempre dar espaço pra que ela venha a ser limpa, transformada e substituída em algo que agregue conhecimento, noção, valores, princípios, dignidade, compreensão, visão, velocidade de reação, etc. Quando você investe em você mesmo, se livrando da ignorância, você entende, entre outras coisas, que você é livre pra pensar sozinho, pensar fundo, pensar diferente, pensar de forma mais complexa e completa. Quando você rejeita a ignorância, você se ajuda, você constrói sua vida de maneira mais realista e assertiva. Foi assim com o pedreiro que aprendeu a fazer colunas e vigas, a montar lajes e paredes e a discernir a quantidade necessária de concreto, pra consolidar uma ideia de projeto. Tão importante quanto sonhar / desejar ter a casa construída, é saber como funciona a construção e quais os assuntos que você vai precisar dominar antes de se arriscar debaixo de toneladas de concreto.

Com essa analogia da construção, coloque-se no papel de morador de sua própria vida. Comece a construir sua sociedade, seu bairro, sua escola, sua família, seu grupo de trabalho, seu círculo de amizades, seu espaço de informação e apoio na internet, suas fontes de aprendizado, seu espaços para exercer arte, cultura, reflexão, interpretação de texto, interpretação da realidade, observação crítica e observação criteriosa. Comece a tomar voz para si e comece a ser independente. Como diz o ditado popular, a plantação é opcional às vezes, mas a colheita é sempre obrigatória. Então, escolha com muito carinho as sementes que você vai plantar, porque lá na frente, mesmo que você não tenha capacidade ainda de perceber, virão as consequências de tudo que você foi, fez, pensou, disse e apoiou. Não se deixe levar pelas coisas simplistas, evitando, assim, ser enganado e tropeçar justamente nos problemas que tentaram te vender como soluções. Abra o olho, senão vão implementar ainda mais projetos pra te manter em uma ignorância ainda mais funda. O sonho de muitos exploradores é ver seus explorados convencidos de que não estão sendo explorados, mas apoiados. As vítimas que se deixam levar por essa imensa ilusão, são descritas como tendo a chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde o oprimido admira seu próprio opressor.

Esse texto se encerra subitamente, justamente pra criar o espaço necessário pra você exercitar sua autonomia e começar a completar o espaço com seus próprios pensamentos, a reflexão de tudo que aqui foi apontado e a oportunidade de, talvez, começar a planejar melhor o que é que você vai construir no presente, pra não se ver ainda mais derrotado no futuro. Seja lá qual for sua condição, estarei aqui pra continuar meu papel de luta, de esforço pela informação. Desejo que todos um dia, cedo ou tarde, encontrem-se no meio da realidade e consigam, pelo menos, compreender que precisam mergulhar mais a fundo e com sincera autonomia, pra conseguir chegar no bem-estar pessoal e coletivo que desejam, mesmo que estejam perdidos por uma vida confusa de conflitos e sentimentos desconexos, mesmo que tenham caído no equívoco do vício pelo ódio gratuito, pelas ações violentas ou desonestas. Se não é possível mudar as sementes plantadas no passado é, porém, possível escolher quais sementes plantar no presente e ter uma colheita melhor no futuro. Faça sua parte e, se precisar, solicite ajuda, sem precisar sentir vergonha, medo ou qualquer outra coisa que seja uma barreira pra sua mudança. Obrigado por ler e até breve.

Rodrigo Meyer

Quem é que avalia a genialidade de um gênio?

A imagem que ilustra esse texto, retrata Albert Einstein em seu escritório na Universidade de Berlim.

Quando olhamos os acontecimentos do passado, vez ou outra nos deparamos com figuras que foram classificadas, em algum momento, como gênios. Às vezes cientistas, filósofos, escritores, diretores de cinema, políticos, artistas, etc. A princípio, parece natural que alguém se destaque em determinado setor e seja apontado como um nome importante, uma personalidade de grande conhecimento, sabedoria ou estratégia naquilo que faz ou propõem. Ideias inovadoras surgiram derivadas da iniciativa destes que foram apontados em destaque como inteligentes, vanguardistas, líderes ou gênios. Mas, fica a a pergunta: quem é que avalia a genialidade de um gênio? Pressupondo que o gênio esteja acima da média das pessoas, sua genialidade só poderia ser compreendida por alguém de igual ou superior condição. E se fosse feito por alguém de superior condição, deixaria de enxergar, talvez, como gênios os que estão abaixo de seu patamar. Pensando estritamente na questão da hierarquia simples dos graus, um gênio está sempre acima dos que estão abaixo e, portanto, não cabe aos que estão abaixo medir ou compreender sua genialidade.

Que é certo que existem pessoas diferentes no mudo, isso não há de se negar, mesmo que quisessem. É verdade, também, que muitos dos que foram apontados como especiais em qualidades ou setores, de fato figuram como alguém que detém características e ações acima da média, fora do convencional. Portanto, se isso não muda, então há de haver mudança no modo como interpretamos a constatação da genialidade e da chamada “média da sociedade”. É o momento onde deve-se levar em conta que, entre as pessoas medianas, ou seja, entre as pessoas que detém pouca ou nenhuma variação se comparadas com a maioria de uma população, o parâmetro de classificação são elas próprias. Isso significa que uma pessoa mediana é apta a reconhecer outra pessoa mediana e fazer constatações sobre a similaridade entre estas. E, embora não sejam os alegados ‘gênios’, conseguem, por contraste, diferenciar uma pessoa mediana de um gênio, por conta de não conseguir enquadrar os ‘gênios’ no grupo das pessoas medianas. Em resumo, o simples fato de uma pessoa não se enquadrar no padrão mediano esperado, pode render à ela o título de gênio. E, claro, os gênios não são tidos como abaixo da média, pelo simples fato de que as pessoas medianas, por sua vez, já conseguiram compreender e classificar, a grosso modo, as pessoas que estão abaixo da média / abaixo delas.

Até aqui, pensamentos simples foram dispostos, dados óbvios ou quase óbvios foram esmiuçados a fim de deixar registrado o embasamento para o que desenvolverei a seguir.

Numericamente, a população mundial é sempre tida como mediana, mesmo que ao longo da evolução e história tenham desenvolvido habilidades, conhecimentos e tecnologias. Conforme a humanidade sobe de patamar em conjunto, a média humana também sobe. Bastaria citar que a capacidade do homem pré-histórico, deduz-se, era menor do que a do homem moderno, deixando claro que houve uma progressão coletiva. Assim como as pessoas medianas evoluem, os gênios também, seja pelo progresso individual, seja pela melhoria na capacidade de reconhecimento, aceitação e inclusão das figuras ‘geniais’ em destaque no coletivo mediano. De certa forma, o “gênio” só aparece quando as massas medianas estão minimamente prontas a notá-los e reconhecê-los. Quando digo isso, não significa que os “gênios” deixam de existir se não forem notados, mas que passam a figurar publicamente em destaque dotados do título de genialidade concedido quando há esse suporte das pessoas ditas ‘comuns’.

Há uma frase que diz “para os micróbios, o corpo humano é o Universo”. Muitos de nós, inclusive, nos sentimos particularmente assim, quando olhamos pra imensidão de estrelas, enquanto estamos presos em um planeta do qual não podemos sequer vê-lo por completo, sem ter que agrupar registros e lembranças ao longo de uma extensa e lenta caminhada por todos os cantos geográficos. Na questão da intelectualidade (ou da ‘genialidade’ se preferir), seguimos admirando qualquer coisa que nos pareça maior, porém somente até o ponto em que conseguimos compreender. Ou seja, para um leigo em astronomia, a Lua e o céu estrelado visível é a totalidade do Universo concebido, da mesma forma que a inteligência humana é vista até os limites da observação simples pelas pessoas de inteligência mediana. Ironicamente, a inteligência artificial tem mais chances de potencializar a si mesma do que o próprio ser humano que a criou. Fica a dúvida se isso é mérito da genialidade de quem desenvolveu a inteligência artificial na informática ou se é um acaso da própria Matemática fazendo o que nasceu pra fazer: formar potencial em si mesma de forma infinita, aguardando apenas a compreensão dos humanos.

Para a Matemática, os humanos são derivados e inferiores. Não somos infinitos em potencial e nem temos a precisão nata dela. Somos parte do que ela faz e do que ela é, mas temos pouco conhecimento e controle sobre ela. Precisamos, rapidamente, terceirizar nossas funções cerebrais pra que máquinas, robôs e computadores façam a difícil tarefa de tentar abraçar a imensidão de dados e complexidade das variáveis que dão realidade para a realidade. Em última análise, o Universo é simplesmente a manifestação completa, infinita e precisa de si mesmo, sendo, pelo menos até o momento, demasiado para a compreensão racional do parco ser humano. Nos limitamos, portanto, a contemplar o Universo não pelo que conhecemos dele, mas justamente pelo fato de que não é possível conhecer por completo o que é infinito. Tudo que se pode dizer do infinito é que ele é mais do que se pode compreender, por mais que se compreenda um tanto a mais a cada dia. O infinito é inatingível. Por outro lado, fora dessa poesia filosófica da cosmologia, nos limitando a falar superficialmente da realidade do ser humano e das nossas consciências enquanto cérebros formados e alimentados por conhecimentos, genética e químicas, tudo que sabemos sobre a genialidade humana é que ela é, a princípio, infinita em potencial, porém sem nos deixar ver quão longe ela pode chegar.

De forma divertida e mesmo assim, aparentemente, bem realista, Albert Einstein dizia:

“Só existem duas coisas infinitas: o universo e a ignorância humana. Mas eu não estou bem certo da primeira.”

Einstein, geralmente visto e classificado com um gênio na humanidade, em seu provável posto de visão, nota as falhas da humanidade e, mais do que isso, brinca com a ideia de que a ignorância humana é tanta que alcança a infinitude, mas que, por outro lado, nem o próprio Universo, a que se supõem ser necessariamente infinito, recebe de Einstein o título de infinito com todas as certezas, uma vez que o cientista reconhece a limitação dele em relação a infinitude do Universo, não podendo, portanto notá-la ou comprová-la, provavelmente pelo simples fato de que o infinito não é mensurável, uma vez que não tem limites a serem auferidos em definitivo. Essa simples afirmação de Einstein, nos coloca em reflexão sobre o que podemos observar, compreender, dominar e superar. De certo, a ignorância humana deveria ser possível de ser superada, mas, uma vez que compreendemos a infinitude das coisas, para qualquer direção que seja, recebemos como consequência o fato der que não se pode nunca superar em definitivo uma limitação. Isso vai de encontro ao que disse Sócrates, o filósofo grego:

“Só sei que nada sei.”

Sócrates, de maneira similar à Einstein, reconhece sua ignorância relativa, uma vez que vislumbra do alto da montanha de conhecimento e esclarecimento que subiu, todo o imenso horizonte além ao qual nunca sequer havia tocado ou visto de maneira tão abrangente e integrada. Assim, quando um astrônomo olha para a imensidão do Universo, entende, pelo menos, que aquele infinito é impossível de ser superado, por mais que se avance em estudos e explorações de mais e mais áreas. É preciso que alguém saia da condição de leigo, para erguer-se um pouco acima da multidão para constatar uma obviedade que antes não era percebida. Embora sejam obviedades depois de percebidas, eram ignoradas pelas massas, simplesmente porque difícil mesmo é enxergar o simples. Na vida, as pessoas seguem tentando ver as coisas como se dominassem o Universo, mas não dominam sequer a própria bolha de convívio em seu planeta, seu país, seu bairro, suas casas, suas famílias, seus relacionamentos e o interior de suas próprias mentes. Para não me prolongar demais, encerro esse parágrafo apenas dizendo que aquele que não reconheceu sua própria ignorância é o mais ignorante de todos.

Filosofar sobre a genialidade humana, principalmente quando elencamos só figuras clássicas, praticamente extraídas do mainstream, resulta em um texto um tanto quanto simplista. É verdade, contudo, que não se pode querer abarcar todo um assunto e nem mesmo se aprofundar tão mais longe que isso, quando estamos em um formato de mídia que exige ser conciso e objetivo. Um texto em um blog cumpre sua função enquanto conteúdo digital absorvível em certo contexto e tempo. Há muito que se falar sobre os potenciais humanos, as mudanças de paradigmas, as tecnologias, os aprendizados técnicos e práticos, as sabedorias, as filosofias, as propostas intelectuais e ideológicas de indivíduos e coletividades. Reconhecer que há essa imensidão pela frente é justamente fazer o mesmíssimo papel de Einstein e Sócrates de entrar com a progressão, sem deixar de reconhecer a própria limitação. Enquanto eu escrevo, eu dou voz para minha ignorância, mas também adiciono um pouco de reflexão, sabedoria e transformação a qualquer outro que desejar navegar junto em cada ideia anunciada. No final das contas, o ser humano encontra conforto na oportunidade de se ver acompanhado de outras figuras que acrescentem algum conforto ou que instiguem nele a curiosidade sobre algum tema ou sobre si mesmo. Desvendar os mistérios e as infinitudes dentro e fora de nós, nos permite tocar aquela área de contemplação das coisas geniais, sejam elas próprias ou alheias. É sustentando as discussões sinceras que conseguimos lapidar nossas limitações e sair dos cenários que não apreciamos. Podemos nunca nos vermos como completos, mas nosso desejo constante é tapar nossas incompletudes, mesmo que isso seja uma tarefa infinita. Só não deseja este mergulho constante, quem ainda não conseguiu enxergar em si mesmo a completa ignorância diante da infinita sabedoria. Perto da infinitude do Universo, somos explicitamente insuficientes, mas é exatamente por isso que não podemos parar de nos lapidarmos, senão corremos o risco de nos tornarmos incompatíveis com a coletividade que nos rodeia. Quando os absurdos da ignorância humana não fazem mais parte da maioria de um coletivo, os ignorantes acabam por ser dominados e afastados das questões que demandam competência.

Contudo, quando a ignorância se alastra demais, corre-se o risco de dividir espaços preocupantes com os esclarecidos. Uma sociedade que, por exemplo, é composta de 50% de ignorantes e 50% de esclarecidos, entra num conflito grande tentando dar prevalência para o bom-senso, a verdade e o conhecimento. É nestes cenários catastróficos, que um pouco mais de ignorantes pode acabar por arruinar uma sociedade que, provavelmente, vai tentar gerir o mundo conforme sua limitadíssima visão em oposição aos numericamente derrotados da oposição. Cenários assim podem ser vistos agora mesmo, sem uso de computadores especiais, sem grandes telescópios e sem a necessidade de teorias complexas de gênios como Einstein. Com praticamente nenhum recurso, estamos aptos a ver que, em vários lugares do mundo, as pessoas estão convencidas de que, aquela curta compreensão das coisas, é suficiente pra opinar sobre realidades das quais já foram vistas por pessoas melhor capacitadas. A única dica que posso dar é que procure encontrar sua própria ignorância para poder reconhecê-la. Se você realmente se considera inteligente e apto, vai adorar essa tarefa de observar-se com sinceridade e se, durante a tentativa, descobrir que não quer nem tentar, você já constatou que está inapto. Uma vez inapto, tenha ao menos a qualidade de caráter de deixar essas questões maiores para pessoas maiores e melhor preparadas. Não queira ser o leigo em Astronomia que se considera mais capaz que as pessoas de destaque dessa área. Não queira discordar de uma calculadora antes de ter noção mínima de como a Matemática funciona. Simplesmente não tente vencer naquilo em que você simplesmente não pode. Apenas lapide a si mesmo, amplie seu conhecimento, sua sabedoria e seus métodos de aprendizado. Somente quando se livrar de equívocos primários de lógica e argumentação é que terá os seus primeiros passos válidos rumo à qualquer direção que intente.

Rodrigo Meyer

 

O Brasil atual: muito além da pobreza financeira.

A imagem que ilustra este texto é uma adaptação de parte das gravuras de Gustave Doré em “A Divina Comédia” (1861-1868), onde vê-se Charon chegando para transportar almas través do rio Acheron para o Inferno.

Estamos nos aproximando das próximas eleições do Brasil e, devido aos acontecimentos dos últimos anos na política nacional, estamos atualmente num cenário cada vez mais deplorável, enquanto alguns fingem que querem arrumar tudo isso, porque são covardes demais pra dizer o que realmente querem, ao lado estão os corruptos nadando solto, não investigados ou completamente ignorados pela pseudo-Justiça que passou os olhos por estes, rindo da cara dos apoiadores cegos e/ou cúmplices do crime, usando a velha estratégia de apontar pra qualquer inimigo convenientemente inventado, pra desviar a atenção de si mesmos e de seus atos criminosos. De um lado está o brasileiro médio de direita, o clássico racista, xenófobo, machista, analfabeto político, viciado em dinheiro e violência, se masturbando mentalmente diante do caos. Do outro lado, diametralmente oposto, está uma esquerda cansada de tanto tentar um caminho que, pelo menos, seja tolerável pra todos. Tal tarefa, nada fácil e, por vezes, nada coerente, espantou muitas pessoas pra fora das políticas convencionais e abriu portas para um celeiro de problemas que estavam encubados na sociedade.

O Brasil sempre foi um país de péssima qualidade de ensino e estrutura social. Mesmo nos tempos áureos de quando ‘ensino público’ significava ensino de melhor qualidade que o ensino particular, já se tinha uma defasagem brutal sobre o necessário. Não atoa, nos tornamos o que nos tornamos. Estamos caindo de um abismo dia após dia, tentando nos enganchar em alguma pedra que nos freie um pouco ao menos, porém caímos com velocidade suficiente pra levar até mesmo as pedras do caminho pro fundo do abismo.

Em algum momento, no final de 2015 e 2016, o Brasil se deparou com um teatro que já estávamos à espera de acontecer. A direita brasileira, inconformada em não ter mais espaço pra agir na corrupção com tanta liberdade, começou a forçar este espaço, removendo à força as barreiras. Deu-se início a derrubada do governo que mais investiu em mecanismos de investigação e combate à corrupção. Foi exatamente isso que culminou na cartada final de recusa do governo de Dilma Rousseff e também da candidatura da próxima figura provável a substituí-la em uma eleição, Lula. Assim que os corruptos encontraram algum pretexto para a derrubada desta barreira, vestiram-se de péssimos atores e se posicionaram como heróis pra uma classe de pessoas que ou não compreendiam absolutamente nada de política ou eram perfeitamente cúmplices dos crimes ali praticados em nome da pseudo-necessidade de combater uma má gestão política ou os rumos do país. Atrelados a discursos que transbordavam chavões e frases decoradas criadas pelos seus ventríloquos, os bonecos manipulados se tornaram muitos. Foi basicamente como ver um aglomerado de moscas encontrando fezes em abundância com respaldo forjado da constituição, a mesma constituição que foi rasgada na ocasião do golpe político nomeado de ‘Impeachment’, para dar um ar de legalidade ao feito e dar algum alívio pras marionetes que, de tão covardes, não conseguiriam admitir as verdadeiras intenções, ideologias e modus operandi na vida, já que, pra estes, a fachada é muito mais importante que a realidade. Pra este tipo de gente, não há problema algum em racismo, homofobia, machismo, xenofobia, ódio de classes, corrupção e falsa religiosidade, pois só o que os incomoda é ter que nomear todas essas características com estes reais nomes, ao invés de máscaras inúteis que nem eles e nem os opositores acreditam ou se importam. No fim, só estão tentando completar algum capricho diante do próprio medo de se classificarem como realmente são. De maneira análoga (e isso inclui até mesmo muitos dos já citados), ocorre com os pseudo-cristãos que, na hipótese de retorno de seu suposto ídolo central (Jesus Cristo), o odiariam e o perseguiriam até a morte por tudo que ele é e representa. Ironicamente, as pessoas que mais abominam a ideologia de Cristo, estão entre os que se dizem cristãos. Essa aparente contradição, na verdade se explica pelo fato de que todos estes, na verdade, são completamente ateus, mas encontraram um esconderijo parcialmente conveniente atrás dessas etiquetas, como uma forma de continuar a exercer de forma compulsiva a hipocrisia.

Mesmo que você alegasse à eles que estes rótulos falsos são desnecessários, eles não teriam a minúscula coragem de abandoná-los na hora de forjar um igualmente desnecessário personagem social. Para eles, esse joguete de palavras, bordões, máscaras, etiquetas, nomes e denominações, são puro prazer. É como o prazer de ter algo simples que não exige complexidade de pensamento algum. É o prazer obtido em não precisar pensar uma senha de 8 dígitos segura, enquanto ainda puderem usar uma senha altamente insegura de 2 dígitos. É o mesmo prazer de só terem que se preocupar com a primeira e única definição do dicionário sobre um determinado verbete e, assim, não terem que lidar com a complexidade de significados que ‘fobia’ traz como sufixo de palavras. São as mesmas pessoas que gostam de polir a ignorância com cera de demência, ao tentar dizer que hidrofobia é somente ‘medo de água’, quando na verdade, um material hidrofóbico pode ser, por exemplo, também um material que repele a água. Para os menos esclarecidos, por pura conveniência em continuarem ignorantes e simplistas, um tecido hidrofóbico seria um tecido que tem medo de água, pois tudo que eles aceitaram convenientemente aceitar é que ‘fobia’ só pode representar medo, pois assim facilita a tentativa de inventar argumentação para a ‘homofobia’, por exemplo, bastando citar, pateticamente, que não possuem medo algum de homossexuais, portanto não sendo homofóbicos. Este foi um simples exemplo da estrutura de pensamento que percorre as mentes bizarramente fracas e/ou desonestas dessa massa de manobra que espuma ódio e tristeza, cujos membros continuam deprimidos e infelizes tanto em ver a si mesmos longe de qualquer plenitude, como por ver que suas presenças só visam destruir a conquista alheia. Cientes de que nunca ganham por lado nenhum, precisam, constantemente, compensar essa insatisfação, inventando metas constantes de “vitória”. Para alguns, vencer é ver o opositor atacado, é ver uma feminista estuprada, é ver um pobre morto, é ver um libertário agredido, é ver um opositor preso ilegalmente, é todo mundo odiado por exporem as feridas da sociedade que os frouxos não possuem coragem e/ou competência de resolver.

Atualmente passamos vergonha internacional, por figurar em todos os noticiários  estrangeiros como o país que chafurda no terrível contexto absurdo de ter que escolher se elege pessoas tentando um plano de governo ou elegem uma figura que, sozinho, por conta própria, se orgulha em dizer que não tem nenhuma capacidade de governar, nenhum conhecimento sobre política e que só estará presente em entrevistas e debates para responder estritamente o que achar conveniente, já que notou que passou vergonha imensa ao não saber sequer responder perguntas simples e banais sobre a realidade política do país e as metas e/ou pensamentos para o suposto governo pretendido com estas Eleições de 2018.

Enquanto o brasileiro conquista novos níveis de recusa em vários países da Europa e do mundo, por conta das insanidades ditas, apoiadas e replicadas dentro e fora da internet, os próprios indivíduos que são o motivo desses problemas, estão tão cegos sobre sua própria condição de ignorantes que jamais teriam como parar, sentar e refletir o quanto são inaptos a opinar, pensar, planejar, decidir ou votar sobre qualquer assunto que envolva a realidade. Antes fosse isso uma mera ofensa, dessas que se joga em cima do balcão de um boteco. Seria menos trágico. A realidade é que, ter que dizer essas verdades, não me agrada em nada. É deplorável e desesperador ter que constatar que o brasileiro médio é uma fábrica tragicômica de problemas. E é tão real, que o simples fato de eu explicar isso, faz brotar pessoas argumentando que eu só digo isso pra tentar atacá-los ou adjetivá-los. Mal sabem que, o meu maior sonho, assim como de muitos outros é justamente não precisar mais descrever o brasileiro médio da forma como ele tem sido até hoje. Quisera eu poder escrever um texto ainda em vida, com a grata oportunidade de descrever o brasileiro como alguém que verdadeiramente recusa corrupção, que tem autonomia de pensamento, que consegue argumentar com lógica e se abstém do uso de falácias, bordões, frases fabricadas / frases de efeito, que consegue interpretar um texto ao invés de se transformar numa máquina veloz de deturpação, dedução rasa, equívocos e desprezo pela Literatura, Filosofia, Sociologia, Economia, Política, Ciência, etc.

No ritmo que as coisas estão, eu não tenho muita esperança de que eu verei o Brasil melhorar nos aspectos mais urgentes. Continuaremos a ver as pessoas voltarem pra antes da Idade Média, onde ainda se discutia se a Terra era plana ou não. Estamos cercados de pessoas odiosas, que não somam absolutamente nada em setor nenhum, que pesam imensamente nas costas de todo e qualquer outro ser vivente, ainda que pesem mais em uns que em outros, conforme o nível de contraste de prática e pensamento. Vivemos em tempos onde as pessoas ainda precisam de rótulos e, pior que isso, de rótulos que expressam o oposto do que são. A humanidade cruzou tantas e tantas eras e parece que, de tempos em tempos, regredimos ao passado remoto. Talvez seja isso que explique como tardamos a descobrir estrelas que as civilizações antigas já conheciam bem. Talvez esse seja o motivo de tecnologias antigas precisarem ser redescobertas por já terem ficado perdidas e desaprendidas. Idiomas são mortos, livros se perdem, habilidades são esquecidas e, no final das curtas contas, parece que o ser humano não sabe mais usar a única parte do corpo que verdadeiramente teria algum potencial especial: o cérebro. Estamos abrindo mão da nossa melhor ferramenta de construir um mundo decente que nos provenha conforto e facilidades, em detrimento do nosso vício de continuarmos sendo usados, feito as pessoas com distimia que são carregadas pelas situações, sem um posicionamento marcante ou autônomo. O ser humano parece estar dopado, sendo levado pelas asneiras de meia-dúzia de infelizes que querem o dinheiro e a disposição deles gastas em propagandas “espontâneas” e gratuitas, tal como ocorre na vítima de Síndrome de Estocolmo, que se dispõem a falar bem de seu próprio opressor, simplesmente por estar completamente incapacitada de enxergar sua própria realidade e condição. Na ausência de sensores que lhes acusem a realidade, as pessoas boiam nesse mar de sangue e ignorância, sentindo-se no controle de tudo e dando como “prova” desse controle, as linhas que não partem de suas mãos, mas das mãos dos ventríloquos que lucram (e muito) às custas dos apoiadores. Mais intrigante do que ser um ignorante desonesto rico é ser um ignorante desonesto pobre. Meia dúzia ocupa as pseudo-lideranças e o restante da massa de manobra continua ocupando a base da pirâmide, longe de qualquer verdadeira qualidade de vida.

Não é de se espantar que, nos últimos anos, houve uma onda imensa de migração de brasileiros reacionários, pseudo-patriotas, tentando a vida no exterior, bem longe da imundice que ajudaram a disseminar no Brasil, mesmo sabendo que lá fora teriam condições deploráveis de trabalho e ainda teriam que se contentar calados com governos expressamente contrários a sua ideologia. Os mesmos brasileiros que gritavam contra o projeto “Bolsa Família” no Brasil, simplesmente por este ter sido ampliado pelos governos opositores, desejam ardentemente receber similares benefícios nos países alheios, sem nenhuma objeção ou constrangimento. Isso reflete que a questão nunca foi sobre um verdadeiro posicionamento sobre política ou administração, mas simplesmente o resultado randômico de serem papagaio de piratas a vida inteira, marionetes em território nacional, em um contexto específico forjado que evidenciou que eles foram jogados a vida inteira contra um país deteriorado, contra monstros imaginários, para gastarem o tempo guerreando ao invés de notarem que estavam sendo saqueados e tendo seus direitos e valores eliminados. Com o tempo, se deram conta que andar pra trás não ajudava a chegar em objetivo nenhum e que, na verdade, muitos que se achavam ricos, eram tão pobres quanto os demais a quem eles insistiam em desprezar, odiar e enxergar como inimigos.

Hoje, de forma tragicômica, figuram no exterior, pessoas que largaram seus títulos, diplomas,  faculdades, carros, casas e salários, pra ir viver com rendas mais baixas do que os piores salários praticados no Brasil, simplesmente pra poder ostentar mais uma etiqueta estúpida e ilusória de “morador da Europa”. Será que sabem estes que entre os próprios europeus existe a fuga massiva em busca de outras possibilidades na vida, que não aquelas migalhas que o brasileiro está idolatrando? Em Portugal, por exemplo, os jovens, há muito tempo, saíram pra outros países da União Europeia em busca de trabalho, estudo e outros cenários de existência que lhes parecessem um pouco mais dignos ou de acordo com seus ideais. Ironicamente, nos destinos pra onde estes portugueses normalmente iam, estão os jovens nativos que, igualmente, optaram por sair dali e ir pra outros destinos. A migração em si não é problema algum. As pessoas estão sempre em busca de encontrarem-se em algum canto do mundo. O triste mesmo é a hipocrisia de muitos brasileiros que, vão ser imigrantes na casa alheia, mas despejam ódio e xenofobia contra os imigrantes que chegam no Brasil. Muitas vezes, são os mesmos que aplaudem a expulsão de imigrantes em todos os países, mas se cagam nas calças de serem eles mesmos deportados pra fora, por estarem ilegais em terra alheia, desempregados, implorando pela ajuda e atenção de outras pessoas, apesar de, eles mesmos, nunca terem ajudado ninguém no próprio país em que nasceram. Os mesmos que fechavam os vidros dos carros quando se aproximava um vendedor ou morador de rua, agora sentem-se rejeitados quando um estrangeiro não lhes dá plena confiança se notarem que trouxeram de fora a imundice do fascismo, da falta de educação, do desrespeito, do “jeitinho brasileiro” de descumprir o certo, do machismo, da arrogância, da corrupção e da, já famosa, posição de povo mais mal-educado de toda a internet. O que será que espera esse povo, que não consegue administrar a própria contradição e quer decidir sobre a administração de um país inteiro? Como querem conquistar coisas melhores na vida, se tudo que fazem é cuspir mensagens prontas de teor motivacional, sem que acreditem ou pratiquem uma única vírgula daquilo? Como querem colher salários melhores, se estão lutando pra destruição da própria educação? Como esperam se integrar em uma cultura e sociedade lá fora, se carregam vícios primariamente incompatíveis com o que lá se desenvolve como valor mínimo? Como podem querer emplacar seus diplomas escolares, se, ao mesmo tempo, querem contestar a própria Alemanha sobre o fato do Nazismo ter sido um movimento de direita? Que tipo de terraplanistas são estes que vão querer ocupar cargos de astrônomos em terras alheias sem serem vistos como uma falha social bizarra e aleatória? O que esperam estas pessoas somar se o máximo que fazem é procurar ignorantes do mesmo naipe e grau de distúrbio, pra disseminar seus ódios e preconceitos em manada?

O brasileiro médio não é levado a sério nem dentro e nem fora do Brasil. E se não mudar de postura imediatamente, não vai ser levado a sério nem dentro da Terra. No Brasil faltam muitas coisas, mas o dinheiro é apenas uma delas e, nem de longe, a maior.

Rodrigo Meyer

Motivos para abandonar o Facebook.

Desde o surgimento do Facebook, como um projeto paralelo de universitários, a ideia da rede social já vinha imbuída de polêmicas. Como se não bastasse o nascimento conturbado da rede, a trajetória de fama da plataforma acabou por revelar vários escândalos relacionando vazamento de dados, manipulação de estatísticas e divulgações pagas nada realistas. Em resumo, o Facebook prometia aos olhos dos usuários a oportunidade de finalmente se conectarem, criarem seus espaços e se divulgarem ao mundo, mas logo se viu que nada mais era do que uma grande ferramenta de intermediar os interesses de governos e grandes empresas com a ingenuidade de uma massa de usuários no mundo todo.

Em 2013, conforme esta notícia da CNN, o Facebook servia como fonte de dados para NSA, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos. Além do uso clássico dos registros telefônicos e registros de e-mail, a NSA usava também o Facebook para traçar conexões entre profiles e criar um mapa de conexões entre usuários, conforme dados de Edward Snowden, divulgados pelo New York Times. Mas este está longe de ser o único motivo para se deixar a rede social.

Com o extinto Orkut, o Brasil e uma parte do mundo aprendeu um conceito novo de interagir pela internet. Depois do fim dessa plataforma, houve espaço pro Facebook surgir e assumir o lugar. De lá pra cá, nunca havíamos nos expostos tanto na internet, com nossos dados pessoais, informações profissionais, gostos, costumes, personalidades, conexões de amigos e conhecidos, fotos, família e muito mais. Nos tornamos praticamente acessíveis a qualquer pessoa, até mesmo quando nosso profile está em modo fechado ou não-público, uma vez que existem ferramentas que burlam essa limitação tanto individualmente, quanto nos alegados vazamentos massivos que o Facebook faz com os dados dos usuários.

É surpreendente o crescimento rápido da plataforma e em como uma coisa simples, gratuita e, inicialmente, com pouco potencial de utilidade aos usuários, se tornou uma das principais mídias em toda internet. Tão famoso quanto Google ou Youtube, o Facebook parece ter conquistado a simpatia das pessoas. E nisso existe um componente perigoso. Em projetos dessa magnitude, não existe forma milagrosa que torne toda estrutura gratuita. Se por um lado usuários não precisam pagar pra acessar, por outro, alguém está bancando essa conta. E, claro, como em diversos outros meios de comunicação, a gratuidade é concedida em troca de uma cobrança massiva a anunciantes que estão sedentos pelo potencial de se conectarem com usuários. Mas não quaisquer usuários, afinal os algoritmos do Facebook permitem um filtro tão refinado de informações de cada pessoa que é praticamente possível personalizar todos os aspectos para entregar uma comunicação direcionada a cada tipo de indivíduo, elevando a eficiência nos objetivos, sejam eles quais forem. E aí entra um aspecto ainda mais perigoso.

Que as empresas tentam nos empurrar produtos dia e noite, isso não é novidade nenhuma. O problema é que, em escândalo recente, o Facebook foi surpreendido por estar envolvido no beneficiamento da candidatura de Donald Trump, por conta de acesso à dados de 50 milhões de usuários. Com a exploração destas informações de usuários e amigos de usuários, uma empresa, de nome Cambridge Analytica, criou um algoritmo capaz de formar um perfil ainda mais completo das pessoas e, assim, direcionar propaganda política altamente personalizada para eleitores indecisos, o que, certamente, impactou no resultado das eleições americanas. Confira a notícia de 20 de Março de 2018 aqui.

Até o momento, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, não se pronunciou sobre o assunto, seja porque não não tem algo de bom pra dizer em sua defesa ou seja porque não sabe o que fazer diante do escândalo. Com o ocorrido, o Facebook despencou as ações na bolsa e está sendo visto por muita gente como uma mídia sem futuro. Somente no Canadá, mais de 20 milhões de usuários abandonaram o Facebook. O Brasil, infelizmente, por conta da própria cegueira que predomina na média dos cidadãos, provavelmente, será um dos últimos países a sair massivamente da rede. Estes já são motivos suficientes pra se abandonar, mas ainda há muito mais.

Enquanto o Facebook engordava o bolso com bilhões, usuários do mundo todo se viram afundando em crises econômicas, perdendo desempenho em suas carreiras e deturpando o tempo diário diante do computador ou celular. Muita gente mergulhada em depressão, outras tantas desaprendendo severamente as premissas básicas de socialização tanto presencial quanto pela internet e enveredando por um caminho obscuro onde tudo que se tinha era um cabresto azul guiando as pessoas por uma tela cinza de timeline cheia de informações completamente irrelevantes que levavam as pessoas de lugar nenhum a nenhum lugar. Custou pra que as pessoas se dessem conta de que ceder suas vidas pessoais para empresas e usuários do mundo todo não era uma boa opção. Muita gente restringiu o acesso a seus profiles ou até mesmo suprimiu severamente as informações prestadas na internet para evitar esse abuso. Além disso, passar cada vez menos tempo na internet se tornou a meta de vários usuários, como forma de reaver o tempo perdido e investir mais em si mesmos, em suas carreiras e potenciais, principalmente retomando o contato físico e natural com as pessoas e os lugares.

Cada vez que a internet se torna mais e mais acessível, começa a permear pra dentro da rede a mesma diversidade de problemas que existe no mundo real. Desde um bom tempo que o Facebook se tornou alvo de todo tipo de crimes e pessoas mal intencionadas. Entre stalkers (pessoas que observam a vida alheia), estelionatários, divulgadores de notícias falsas, profiles fakes para forjar números e comentários falsos, traficantes de animais e drogas, falsificadores de dinheiro, estupradores, aliciadores para prostituição, pedófilos, além dos populares propagadores de ódio gratuito, fascistas e afins. Um verdadeiro bueiro de desgraça.

E se você é usuário brasileiro, a situação é ainda pior. Pelo mundo todo o brasileiro foi considerado o povo mais mal educado da internet. Não é de se espantar, considerando o nível deplorável nos setores de Cultura, Educação, estrutura familiar, estrutura psicológica e social. Tirar algum proveito da rede social nesse cenário, só se você estiver em busca de trocar chumbo entre usuários igualmente mal intencionados. Quem já se deu conta que a rede afundou não quer nem ouvir o  nome dela.

Uma parcela das pessoas tenta manter o Facebook para fins profissionais, alimentando e divulgando suas fanpages com o intuito de fomentar adesão a seus produtos, serviços, ideias, ONGs, causas sociais e afins. Contudo, mesmo para estes, o cenário nunca foi bom. Há vários anos que o Facebook limitou drasticamente a visibilidade dos conteúdos nas timelines devido a impossibilidade de se apresentar tudo para todos ao mesmo tempo. Para que um usuário consiga visualizar um conteúdo no horário em que ele habitualmente está online e predisposto a vagar pela rede, ele precisa receber uma certa quantidade máxima de conteúdos. Mesmo que cada usuário tenha suas próprias preferências previamente selecionadas em tipo de conteúdo, ainda é algo demasiado pra ser entregue. O que o Facebook faz, então, é suprimir 99% de tudo isso e entregar, geralmente, 1% de conteúdo ao usuário. O critério é basicamente a “relevância” do conteúdo, porém não pela análise do conteúdo em si, mas pelo quanto esse conteúdo já tem de presença numérica em termos de inscritos, visualizações, curtidas, etc. Em resumo, quem já está no topo, é visto, quem não está, é invisível. E, por isso mesmo, recentemente, empresas e criadores de conteúdo abriram um sorriso diante da notícia de uma novidade: a rede social Vero.

Diferente da premissa do Facebook que depende de anunciantes e acordos preocupantes com instituições, a Vero não se mantém com propaganda alguma e, por isso, é uma rede social que vai ser financiada pelos próprios usuários. Mas, anime-se. Os primeiros 1 milhão de usuários terão acesso pleno e gratuito de forma vitalícia e os que vierem depois disso poderão aderir por meio de uma taxa. Se por um lado é ruim que seja pago, principalmente por conta da exclusão de acesso a quem não pode pagar, por outro lado, quem entra tem a oportunidade de desfrutar de um ambiente sem manipulação de algoritmos. Ou seja, se você posta algo, você será visto. Simples assim. É orgânico, é real, é funcional. E é isso que tem atraído muita gente para essa nova ideia. Além disso, considerando o custo repartido entre os usuários, especialmente pela oportunidade de se desenvolver profissionalmente nesse meio, creio que valha a pena o investimento, ainda mais considerando que se a pessoa já tinha acesso pago à internet para acessar Facebook, certamente terá como manter essa nova plataforma.

Eu, como adepto do minimalismo há muitos anos, vim reduzindo tudo que podia em diversos setores da vida. No Facebook não foi diferente. Por razões de trabalho, ainda mantenho um profile e algumas páginas, mas, com toda certeza, o foco é sempre direcionar o fluxo para mídias externas, uma vez que eu já não passo tanto tempo no Facebook, não participo de mais do que dois ou três grupos e já havia previsto a queda dessa ferramenta. Atualmente, opções melhores (ou menos ruins) estão saltando aos olhos, especialmente dos que trabalham com internet ou que querem dar visibilidade e retorno pra seus projetos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Abandonar o Facebook me tirou um peso das costas, desde que comecei o processo de redução de interação e de disponibilidade de dados e conexões com outros usuários. Isso me permitiu trabalhar melhor e de forma muito mais engajada nos meus projetos, tendo repercutido na criação de várias outras mídias próprias, uma volta a produção literária e várias ótimas surpresas que não convém contar antes do momento. Se eu pude fazer isso por mim, você pode pelo menos tentar por você. Alguns dos leitores aqui do blog já não fazem parte do Facebook e talvez isso explique também o engajamento destes nestas outras plataformas e conteúdos. Vamos em frente, porque pra trás sobram destroços.

Rodrigo Meyer

 

Crônica | Aprender ou perder.

Há tempos que não se tinha silêncio pelo bairro. Depois de sucessivas chuvas, devem ter descoberto que ficar em casa, por pior que seja, ainda é melhor que gritar pela rua de manhã até de madrugada. Talvez tenham descoberto que ajudarem a si mesmos seja melhor e, então, foram buscar trabalho, escola ou, pelo menos, ajudar a família em casa. Não. Nada disso. Foi apenas o feriado que esvaziou a cidade. Logo o inferno volta. Faz tempo que não sei o que é andar pela cidade, pois perdi o interesse, desde que parei de fotografar e de consumir. Atualmente eu apenas sonho e tudo que faço me guia pra algum outro lugar bem distante. Eu não sei exatamente pra onde eu vou, mas sei exatamente onde não quero estar. Na vida, todos os passos precisam ser silenciosos, pois estamos sempre rodeados de gente sem luz que anda em círculos pelos moldes do oportunismo. Estão sempre tentando alguma vantagem, mas estão sempre andando pra trás.

Rodrigo Meyer