Redefina os padrões daquilo que não te agrada.

Estar vivo, dentro ou fora da sociedade já nos coloca em um cenário em que precisamos observar e reagir diante das coisas. Tudo que nos cerca e também o que nós mesmos somos, passa pela nossa crítica. Para muita coisa, nossa análise passa desapercebida, pois são rotineiras. Mas para outras coisas, focamos uma grande atenção, principalmente sobre o que nos desagrada.

No campo das pequenas coisas, podemos reagir em desprazer pelo excesso de luz, de calor, da chuva, do céu nublado, do cansaço ou preguiça de cumprir uma atividade mais produtiva no nosso dia, a insatisfação com uma roupa que desbotou, um tropeço na calçada, a falta de bateria suficiente no celular, uma caneta que falha quando precisamos escrever, o barulho inconveniente na rua e por aí vai. Esses são alguns exemplos de coisas que nos traz algum incômodo, mas pouco significativo. Poucas vezes reagimos de forma mais consistente pra planejar mudanças sobre esses cenários. Não é algo que nos demanda muita ação, nem que nos priva de viver o total da nossa vida em outras coisas maiores.

No campo das grandes coisas estão nossas críticas mais incisivas, mesmo que nem sempre coerentes ou justas. Nossa visão sobre as pessoas, sobre o mundo, sobre a sociedade, sobre a política, sobre as relações de trabalho, de ensino, de aprendizado. Estão neste grupo o nosso dinheiro, nossas relações emocionais, nossos medos, nossos traumas, nossas doenças, os vícios, os erros, os acertos, as superações, as conquistas dos nossos objetivos materiais ou de outros setores da vida, nossa segurança, nossa satisfação em estar vivo ou em contato com o mundo com ou sem socialização. Muita coisa é pesada em graus diferentes para cada pessoa, mas certamente esses são exemplos muito comuns de faces da realidade e do nosso ser, que observamos com um grau maior de atenção, mesmo que tenhamos a visão distorcida ou a incompreensão do que cada uma dessas coisas de fato é para nós ou como funcionam.

Por tudo isso, entre pequenas e grandes coisas, nós estamos sempre traçando críticas sobre os padrões. Podemos, por exemplo, estabelecer que um determinado modelo de trabalho é nocivo e que gostaríamos que fosse diferente. A crítica sozinha é só um pensamento ou uma expressão dele, mas pra que algo mude, requer alguma ação. Você pode começar a transformar tudo o que não gosta no mundo, por meio do seu próprio exemplo. Seja vocẽ a mudança que gostaria de encontrar pelo caminho. Um bom caso, fácil de lembrar, foi quando Linus Torvald, um programador, decidiu fazer algo que julgasse melhor do que o que havia de estabelecido em sistemas operacionais. Foi assim que nasceu o Linux, um kernel (uma espécie do miolo de um sistema operacional) que hoje é tão aplaudido pela qualidade e pelo viés open-source e gratuito do projeto, que é a opção da um imenso número de empresas e usuários domésticos pelo mundo todo. Ainda que empresas grandes como Microsoft, Apple, Google e outras, tenham alcançado um enorme mercado nessas temáticas, Linus Torvald agiu e criou aquilo que achava necessário ser criado. O importante não é o tamanho do seu sonho e nem o retorno massivo do seu projeto. Importa mais é que você esteja satisfeito em ter transformado uma face da realidade em algo melhor que atendesse aos seus padrões, às suas expectativas e necessidades.

Em qualquer setor da vida, devemos ter igual iniciativa, transformando o modo como fazemos arte, reestabelecendo o significado da arte, colocando nossos textos e opiniões à frente e ao lado de outros para gerar contraste e renovação, ter uma estratégia inovadora para lidar com nossas amizades, nosso círculo de trabalho, as redes sociais. Temos que conseguir olhar pra um livro mal escrito ou incompleto e conseguir propor uma versão, o seu acréscimo ou supressão. Transforme as coisas e estabeleça o seu nível de qualidade. É importante não se contentar fácil com uma comida sem sabor e ir atrás de temperá-la ou criar seu próprio prato. Quando ocupamos uma casa, personalizamos ela ao nosso gosto. É isso que faz dela o nosso lar. Nascemos nus e desajeitados, crescemos cercados de pessoas nos dizendo como ser, o que acreditar, o que vestir ou comer. E com o tempo, vamos criando pequenos atritos e insatisfações, à medida em que ganhamos identidade, autonomia e percepção sobre nós mesmos. Passamos a querer nossas próprias coisas, do nosso próprio jeito, para nossa própria satisfação.

Nosso corpo, nossas roupas, nossa casa, nossos espaços simbólicos na internet, nossas artes, nossas falas, nossos pensamentos, nossas análises e estudos sobre o mundo, nossas viagens, nossas amizades e tudo que se conecta, de alguma forma, em qualquer grau, conosco, está alí pra ser visto, filtrado e transformado ou recriado. Quando você chega por aqui e se depara com um texto, você não é obrigado a concordar com nada e é, inclusive, incentivado a fazer tua própria interpretação e a ser também um escritor. Seja autor da sua vida, seja o protagonista de sua história, sua mensagem, sua realidade. Crie o seu mundo e apresente seu mundo ao outros. Viver só faz sentido se você acredita muito naquilo que você é e faz. Do contrário, o mundo lhe parecerá um fardo, pois estará sempre tendo que se sujeitar ao que é alheio e não te agrada. O mundo se torna melhor, quando você experimenta ele da sua própria maneira. E pode ser que a sua maneira seja algo interessante pra mais gente também.

Se você pode, comece hoje a dançar, a cantar, a desenhar, a escrever, a caminhar, a aprender algo novo, a ensinar algo para o mundo. Converse da tua própria maneira, com as tuas manias, tuas gírias, teu tom de humor, teus temas preferidos ou até mesmo o silêncio, caso lhe agrade. O padrão de qualidade das coisas, não precisa ser algo que você espera sentado e torce pra dar certo. Você precisa, antes de tudo, torcer pra você mesmo dar certo. Os outros estão fazendo as coisas ao modo deles (ou talvez não) e você não precisa embarcar no modo de ninguém, se isso não contempla suas exigências. Eu, por exemplo, quando me cansei de ver a inundação de conteúdos que eu não acreditava nem valorizava, fui atrás de ser eu mesmo um criador de conteúdo. E quando fazemos isso em sinceridade, pode ter certeza que vai prosperar. As mensagens se espalham, porque elas tocam alguém em algo sutil, mas muito poderoso, que é a conexão interior com uma verdade, com um sentido, com algo subjetivo, com algo inconsciente. O valor de uma pintura, por exemplo, não está necessariamente na qualidade técnica, mas sim em coisas como o traço, a mensagem, o estilo, o seu jeito transparecendo numa série de obras, etc. Isso cativa pessoas por algo que é quase invisível ou pouco compreensível, mas acontece e é poderoso o suficiente pra agradar, pra envolver, pra motivar, pra gerar aceitação. É isso que faz algo ser novo e forte.

Desligue-se dos medos, da inação, da repetição, do ‘mais do mesmo’, das fraquezas, dos complexos, das inseguranças, dos vícios, das manias prejudiciais pra sua vida e comece a ser verbo. Comece a fazer as coisas, a ser, aprender, sentir, criar, ver, entender, transformar. Enfim, viva a sua vida. Você é um indivíduo e o seu modo de fazer as coisas é e sempre será único. Há espaço para infinita diversidade no Universo. As pessoas podem aplaudir e apoiar coisas diferentes simultaneamente, sem que nenhuma delas perca o valor que tem. O valor das coisas está embutido nelas pelo que elas são e não por nenhum tipo de comparação ou competição. Satisfaça-se, porque tua satisfação renova o sentido da sua vida, tira o peso e pode ser inspiração pra outras pessoas.

Rodrigo Meyer – Author

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É possível preferir piorar?

O ser humano, geralmente, é cheio de contradições, falhas e outros problemas que bloqueiam o progresso dele mesmo. Algo bem comum na sociedade são os indivíduos que escolhem, conscientemente, piorar. Mas será que isso é real? É bem real e te trago exemplos pra poder explicar porque isso ocorre.

Você já deve ter visto inúmeras pessoas que idealizam algo para a vida delas, porém, são levadas a descumprir esse ideal, simplesmente porque é mais cômodo, conveniente, fácil ou momentaneamente mais interessante seguir por um caminho diferente. A pessoa pode estar enfrentando um problema de saúde, por exemplo, mas ao invés de tomar as precauções necessárias pra evitar a piora ou até mesmo para solucionar tal problema, ela pode vir a escolher a perpetuação de hábitos que pioram a saúde dela. Alguns diriam que isso tem relação com a chamada ‘lei do menor esforço’, onde o cérebro se pauta em decisões ou processamentos que sejam mais fáceis de serem cumpridos, seja do ponto de vista da complexidade do raciocínio, seja do ponto de vista físico e prático do dilema. É assim que, por exemplo, é muito mais tentador quebrar uma dieta alimentar para comer o que é mais gostoso, apesar de ser mais calórico e/ou menos saudável, do que se manter firme no objetivo proposto. O mesmo ocorre quando estamos diante da meta de fazer exercícios físicos e somos tentados a simplesmente procrastinar, adiar ou dormir.

Que o ser humano tenta sempre buscar atalhos, isso nós sabemos. Se pudermos fazer sempre o mais fácil, melhor. Porém, nem tudo que é mais fácil entrega os mesmos objetivos e é aí que mora o problema. Aquilo que evitamos de fazer por preguiça ou comodismo, acaba por ser uma autossabotagem. Mesmo que saibamos que estamos escolhendo piorar em algo, podemos ser compelidos a tomar essa decisão, simplesmente porque sabemos que a mudança positiva que queríamos requer ação, iniciativa e engajamento. Por essa simples razão, muita gente se vê desistindo de suas metas, pois acaba ficando desmotivado ou acomodado.

Quando a autoestima de um indivíduo está afetada por alguma situação prévia, como um trauma, um complexo, uma depressão, um evento marcante ou algum desvio psicológico que interfere na correta percepção de si mesmo, acaba sendo bastante provável que as decisões tomadas sobre melhora, terminem sendo focadas na piora, já que esse quadro específico deixa as pessoas desmotivadas ou acomodadas. Você já deve ter visto, por exemplo, uma pessoa enfrentando a doença da depressão, tendo que tentar controlar outros setores da sua vida, mas acabar em uma rotina que parece acobertar o estilo de vida depressivo, por assim dizer. Embora não seja uma regra, muitas pessoas em depressão podem ter a decisão do isolamento, da desistência da escola ou de cursos e até mesmo do trabalho em alguns casos. Ainda que essas pessoas desejem bem-estar pra si mesmas, a doença da depressão muda substancialmente a motivação e a percepção de valor e prazer nas coisas, de forma que ela acaba, por esses motivos, provavelmente escolhendo itens de piora pra seu estilo de vida. Alguns passam a beber mais, outros enveredam por outros tipos de droga e alguns outros lidam com essa dor através do consumo exagerado de comida ou mesmo da supressão drástica de alimentação.

Claro que, para casos como este de depressão e transtornos psicológicos mais específicos, os indivíduos afetados praticamente não possuem controle de decisão, afinal tudo acontece de forma tão intensa, automática e encadeada, que os efeitos colaterais de seu problema inicial se tornam praticamente indissociáveis do problema em si. Mas, para outros tipos de indivíduos, fora desses quadros, a escolha em piorar pode ser o reflexo simples do comodismo. Feitas essas distinções importantes, é preciso erguer uma bandeira de responsabilidade e de incentivo para as melhores opções de comportamento e pensamento. Uma vez que sabemos que algo pode nos tornar melhores, temos que compreender se estamos seguros e com autoestima suficiente para seguir esse caminho. É hora de nos cobrarmos com mais seriedade, pra não cairmos naquele repetitivo ‘meme’ nas transições de ano, onde muita gente brinca com a ideia de que fez dezenas de planos no ano passado, mas que não cumpriu nenhum e repassará os planos para o ano seguinte. De maneira semelhante quando adiamos uma dieta para a próxima semana ou mês que vem, muita coisa em nossa vida é deixada de lado, simplesmente porque não é tão fácil como gostaríamos que fosse. Estou ciente de que não é nada fácil ter motivação, especialmente quando nossas vidas são uma sequência de pressões, cobranças, problemas e insucessos acumulados. Estamos tão cercados de dramas em outros setores e momentos que, sempre que tentamos fazer uma decisão mais útil, ficamos tão instáveis que é fácil tombar para o erro ou desistir da ação.

Em todos os momentos que eu tive que permanecer de pé, enfrentando depressão, preconceitos, pressão familiar, pressão social, me vi tropeçando e desistindo. Isso alimentou ainda mais esses cenários tóxicos ao redor e virou uma bola-de-neve de problemas. Encontrar motivação pra ser quem eu queria ser e fazer o que eu realmente queria fazer, me custou muitos anos de transmutação. Essa alquimia interna a qual pouca gente fala e que é tão essencial a todo e qualquer ser, é que vai permitir que ativemos em nós os gatilhos para a motivação nas atividades ou objetivos. Desde algum tempo, sempre que algo se torna ruim demais na minha vida, eu me sinto desafiado a reverter aquilo a meu favor. É como se eu olhasse pra trás e soubesse que o que mais me estragou foi eu ter aceitado entrar nesse círculo vicioso de desmotivação e inação, cada vez que surgia uma barreira. Nem sempre teremos como escolher o que fazer de nossas vidas, especialmente se estivermos enfrentando contextos específicos como a doença da depressão, mas, devemos sempre procurar por opções em cada cenário e ver o que conseguimos fazer de melhor por nós mesmos. Não tenho todas as chaves e respostas para uma vida sem problemas. Este, certamente não sou eu. Mas tenho respostas claras e diretas sobre quem eu sou, como o mundo está e quais os erros mais clássicos que a maioria de nós já fez, faz ou continuará a fazer por um bom tempo. Se pudermos, pelo menos, refletir e decidir algo sobre esses aspectos, já seremos pessoas muito melhores que as da geração anterior. Negligenciar as pequenas mudanças, apenas porque não podemos ser perfeitos, é o mesmíssimo problema daqueles que escolhem piorar, por acharem que o caminho da mudança requer ação ao invés do comodismo. Fazer a diferença, conforme mostra a própria História da Humanidade, começa em pequenas iniciativas sinceras, que acabam por crescer em um efeito bola-de-neve.

Em conclusão, faça o seu melhor hoje, seja lá qual for este melhor possível ao momento e isso já será um passo valioso pra que amanhã ou daqui alguns meses e anos, você consiga passos muito mais estáveis, confiantes e ousados. Não vim lhe prometer o paraíso, mas você pode viver melhor do que antes, se tomar essa decisão a seu favor.

Rodrigo Meyer

Sobre empoderar-se.

Diversos grupos humanos ou tipos de pessoas passam por situações de desafio na vida, onde podem acabar depreciados indevidamente pelos outros e/ou por si mesmos. Diante dessa irrealidade, coletivos, famílias, grupos de amigos ou colegas de espaços na internet, frequentemente estão no papel de tentar desconstruir e reverter a visão depreciativa que foi plantada e, então, alicerçar sobre os indivíduos uma noção positiva sobre si mesmos. Tudo isso soa excelente e, a princípio, é exatamente isso que deve ser construído no geral. Contudo, precisamos falar sobre detalhes e nuances desse processo, para entender papeis, lugares, momentos, direções, significações, espaços, equívocos, entre outras coisas.

Quando se fala em empoderamento, especialmente nos tempos modernos de lutas sociais e pessoais em evidência nas mídias e nos espaços de apoio, cultura e educação, geralmente estamos falando em reconstruir um pensamento, uma visão ou um sentimento sobre o indivíduo (ou um coletivo) que, até então, sentia-se aquém de seus potenciais, valores, direitos, etc. Para deprimidos, mães solteiras, mulheres, idosos, enfermos, cadeirantes, neuro-diversos, homossexuais, trans, desempregados, como também determinadas etnias, classes sociais, nacionalidades e qualquer pessoa que disponha de qualquer característica ou condição que lhe afete, no sentido de reduzir a autoestima, a inclusão ou a sensação de valorização e respeito na sociedade, quando se usa a ideia de empoderamento, normalmente isso vem acompanhado de uma tradicional carga de reforços positivos com o objetivo de corrigir e enaltecer o que antes estava equivocado e desmerecido, por assim resumir.

Mas, é preciso pontuar que nesta iniciativa, deve-se vigiar de dentro pra fora o tipo de intervenção ou resultado que se está fazendo na mente ou na sociedade. Quando olhamos pra dentro de nós mesmos em busca de uma imagem melhor, não podemos simplesmente descartar os parâmetros de nossa própria realidade ou mesmo o respeito diante daquilo que consideramos um ideal. Da mesma forma que não devemos nos subestimar nem subestimar os outros, não devemos nos superestimar nem superestimar os outros. E qual é a medida realista para cada caso? Por sermos diversos, cada pessoa tem uma realidade e condição diferente, e é sobre esta realidade em particular que o indivíduo deve pautar sua reflexão ou parâmetro para entender quem é e o que deve ajustar para se expressar tal como é.

Muitas vezes as pessoas se sentem menos capazes ou menos aceitas para uma determinada tarefa, por exemplo, podendo se afastar de certas tentativas ou interesses, como um resultado de frustração, desistência, vergonha, medo, insegurança ou até mesmo por algum outro motivo que não saiba definir forma e origem. Crescer, dentro desse contexto, é empoderar-se no exato sentido de ganhar poder, o poder que antes não se tinha ou não se sentia ter. Não significa exercer poder sobre os outros, mas descobrir e exercer seu poder sobre si mesmo e sobre as atividades a que tem potencial para tal. É o caso, por exemplo, do indivíduo que se reconhece diante de si mesmo e do mundo, como uma pessoa habilidosa em Comunicação e usa esta habilidades com liberdade e orgulho para ocupar seus possíveis espaços, exercer sua personalidade, seu talento, sua vontade, seu estilo, seu trabalho, seu hobby, etc.

Em uma situação normal, essa habilidade já seria reconhecida e apoiada desde o início ou, pelo menos, não seria negada ou recusada de forma tão incisiva. Mas, em casos onde as pessoas são descriminadas, pode ocorrer ausência de apoio no círculo social, familiar, profissional, de amigos, etc. É nesse momento que a pessoa pode sentir um descompasso entre o que ela é e o que outras pessoas permitem que ela seja. Tal como um pássaro aprisionado em uma gaiola, que, embora tenha o impulso natural de voar, está limitado pelo cárcere. Por vezes, não notamos exatamente o que é que nos desvia de nossos potenciais ou objetivos e, tardamos a descobrir que nos sentíamos inferiores ou tolhidos em nossa expressão, devido a desvalorização desproporcional ou preconceituosa de outras pessoas ou grupos. Isso afeta até mesmo a nossa percepção de quem somos e quem gostaríamos de ser. É como se mudássemos nossa escala de parâmetros de realidade, aceitando como “realidade” um contexto que é, na verdade, ilusório.

É pela repetição que o ser humano detecta padrões em tudo. As condutas, as tendências, os resultados, as chances de vitória ou de fracasso, os conceitos subjetivos do que é bom ou ruim, do que é certo e errado, do que tem ou não valor, do que pode ou não ser feito. Porém, essas repetições podem estar presentes na vida mesmo não conferindo com a realidade. O preconceito e a repetição de padrões equivocados, forja um esquema social que transforma as condições e as oportunidades para determinadas pessoas, mudando completamente o tipo de realidade que elas terão repetidas vezes, até se tornar algum tipo de tendência para um padrão. Isso significa que, por exemplo, se a sociedade nega emprego a cadeirantes repetidas vezes, acabará gerando um grande coletivo deles em situação de desemprego e, em razão disso, torna-se padrão o desemprego acompanhado da condição de cadeirante. Mas perceba que esse padrão é forjado por uma determinada conduta externa e não pela condição do indivíduo em si.

Apesar de esclarecido isso, muita gente não se apercebe dessas amarras sociais e sente como se sua condição atrelada a alguma recusa ou insucesso, fosse algo “compreensível” e “normal”, uma vez que esse parâmetro se tornou comum / massificado na média de como as pessoas ao redor lidaram com o tema. Assim, as pessoas podem se depreciar, antes mesmo de terem tentado uma expressão em algo. Inúmeras vezes vimos frases similares a “eu não tenho nenhuma chance, sou apenas um qualquer, filho de … (insira aqui alguma profissão que normalmente é vista como secundária ou de menor valor na sociedade)”. A autoestima das pessoas vai ruindo a cada vez que elas recebem palavras, ações e recusas por parte das demais, pois o ser humano, como a maioria dos animais, é um ser social e, na exclusão, se vê podado de sua natureza, de sua essência e de seu direito nato de se expressar como indivíduo e como peça encaixada em um coletivo ou sociedade.

Quando a cultura local está comprometida a ponto de não conseguirmos fomentar ações de fora pra dentro ou do cenário macro para o micro, as ações nascem, da forma que podem, de dentro pra fora e do cenário micro para o macro. Porém, esta tentativa improvisada de resistência traz consigo algumas barreiras, como é de se esperar. Enquanto o coletivo convencional da sociedade ainda não está aberto para determinadas mudanças e realidades, toda iniciativa de empoderamento, chacoalha e incomoda o espaço convencional, porque evidencia nele a inação, o preconceito, as falhas, as fraquezas, etc. A cada vez que alguém se empodera em um grupo ou mesmo individualmente, isso repercute nas demais pessoas, quase que instantaneamente, pois estamos, saibamos ou não, interligados enquanto sociedade. Todo ser que divide este mundo, está agindo e reagindo em um cenário onde toda ação e percepção é compartilhada através dos vínculos nas relações físicas, emocionais, geográficas, profissionais, políticas, etc. Tudo que fazemos ou deixamos de fazer, afeta algo e/ou alguém e isso não pode ser anulado ou coibido, pois é um efeito automático e natural indissociável da existência no mundo.

Entendidas tais premissas, plantar empoderamento, sem levar em conta o cenário, é ignorar planos e objetivos no próprio ato de luta para a transformação da sociedade em favor de uma causa ou grupo. Partindo da premissa de que devemos suscitar mudanças para a realidade que gostaríamos de ver, não podemos acreditar que a repetição de erros já identificados possam, dessa vez, serem usados em tom de acerto. Há uma frase de Paulo Freire que fala exatamente disso:

“Quando a educação não é libertadora, a vontade do oprimido é de ser opressor.”

Por vezes, o empoderamento escapa pelos dedos da mão e as pessoas acabam usando o resgate de si mesmas como uma forma de vingança onde perpetuam um papel ou cenário que, no final das contas, não consolida a transformação desejada e, reforça uma certa validação social, mesmo que inconsciente, de que não há objetivos válidos, apenas lados buscando assumir a opressão, conforme melhor conseguirem se posicionar nessas batalhas imaginárias de tomada de espaços e valores acima de outros.

É claro que, devemos compreender também que o efeito de uma opressão enraizada por muito tempo, fomenta uma explosão de conduta e que deve ser compreendida tal como apontado pela frase que diz “Não se deve confundir a reação do oprimido com a violência do opressor.”, apontando exatamente que, nem toda reação “drástica” é uma violência por si só. A reação para uma ação não é uma ação por si só, mas um resultado da ação inicial do outro. Assim, não se pode esperar controle ou supressão de determinada reação ou vontade de reação, depois de já se ter demonstrado ações ou vontade de ações de forma arbitrária e gratuita. É exatamente isso que explica porque em um cenário de normalidade, não há reação a violência, posto não haver violência inicial para requerer algum tipo de reação. E de igual maneira, para uma violência inicial, a defesa na reação é o esperado, para equiparar em tom de justiça a equação que se desviou da normalidade ao brotar indevidamente. E é este exato caso que explica como e porquê expressões de fascismo não são toleradas. O empoderamento humano, sob a premissa da liberdade e da dignidade humana, combate a “célula cancerígena” no ambiente social, mesmo ainda se tratando de “célula” como as que ainda estão saudáveis.

Considerações importantes para o empoderamento humano exigem reflexão extensa e, certamente, dariam bibliotecas inteiras de conteúdos e questionamentos para mais desenvolvimentos. Enquanto o ser humano estiver cercado desse tipo de ambição de dominar e expor a realidade dos indivíduos, no âmbito pessoal e coletivo, teremos chances de corrigir equívocos não só na origem externa, como também os de origem íntima, como quando nos deixamos levar pela ilusão plantada pelos preconceitos e opressões da sociedade. Da mesma forma que há indivíduos buscando empoderamento para superar esses cenários onde foram vitimados de alguma forma e/ou em algum grau, há também pessoas precisando de extensa transformação para elas mesmas se redescobrirem como pessoas, fora daqueles espaços convencionais onde habitaram por muito tempo, iludidos por poder, violência, preconceito, ganância, etc.

Ainda que eu consiga ver com certa clareza esses dois espaços, jamais poderei negar a mim mesmo a necessidade de dar preferência aos massivamente vitimados por tais opressores, do que aos opressores que são, em última análise, também vitimados por algum outro cenário que os colocaram nesse terrível papel. Tal escolha, além de instintiva é a mais adequada do ponto de vista racional, bastando retornar para a analogia com o câncer e perceber que se quisermos ter alguma chance de salvar o total de um paciente, precisamos ponderar os limites entre a quantidade de células saudáveis, a quantidade de células cancerígenas a serem eliminadas e a resistência para o processo de combate. Assim, quanto mais cedo se intervém no câncer, melhores são as chances de cura, conforme os próprios médicos explicam tais estatísticas. E, para um corpo onde o câncer já se espalhou em tempo e quantidade, torna-se mais difícil ou impossível de reverter o quadro geral. Assim posto, todo esforço de ajuda deve abrir os olhos para prioridades, tempo, quantidade, efeitos, ferramentas e nível de ‘resposta’ do paciente a determinadas iniciativas de tratamento.

É sob esta expectativa que pauto minha estratégia para refletir e reagir ao mundo que me é apresentado. Não espere de mim um produto pronto e acabado, mas também não tome como garantida a falha por padrão, pois estou, constantemente, em batalha por mim mesmo e por tantos outros. Teoricamente, haveria espaço ilimitado para continuar a desenvolver o tema deste texto, porém, já está extenso o suficiente para a média do que tenho ofertado na maioria dos artigos desta mídia. Espero, contudo, poder retornar e pinçar este texto como referência de base para o que de novo eu puder adicionar. Acredito que, construindo a expressão ao longo de todos esse artigos já escritos, exige, proporcionalmente, que os que me leem se pautem pela cruza de informações que se pode ter no total dos textos e não apenas de uma publicação em isolado. Por isso, convido a todos vocês que chegaram até aqui por conta desse tema em específico, que visitem o restante do material, desde o início, assim poderão viajar junto nessa jornada. A minha missão, sobretudo, é sinalizar e apoiar a missão de todos vocês, enquanto houver algum norte em comum. Bem-vindos e obrigado por me “aturar”.

Rodrigo Meyer

Cultura de fachada.

Muitos de nós cresceu ouvindo e admirando Raul Seixas, Cazuza, Legião Urbana e diversos outros nomes marcantes da música. Mas com a vinda da internet, especialmente das redes sociais, onde as pessoas expressam e compartilham massivamente suas realidades, brotou uma terrível conclusão: grande parte das pessoas é um poço de contradição. Vejo gente admirando Legião Urbana, enquanto expressam completa aversão a toda ideia que é expressa nas letras de suas músicas. É intrigante ver as pessoas ouvindo Raul Seixas com imensa admiração e até fazendo covers, ao mesmo tempo em que são desconectados com todo o universo de assuntos, críticas sociais e ideologias apresentados nestas canções.

É inevitável perguntar se essas pessoas realmente apreciam estas músicas ou apenas dizem gostar porque é a única coisa que brota na memória delas com um ar de nostalgia. Certamente muitas destas contraditórias pessoas, parecem estar tão órfãs de cultura que nem a riqueza destas músicas puderam suscitar alguma curiosidade, reflexão ou atenção ao conteúdo. Chamo isso de ‘cultura de fachada’. É como ter um enorme crachá pendurado, mas não ser nada próximo do que o crachá atribui e, pior que isso, ser avesso a tudo que o crachá representa.

Se você pesquisar em redes sociais, verá muita gente passando algumas vergonhas, demonstrando paixão e até fanatismo por conteúdos dos quais elas nada entendem e que, muitas vezes, são expressões opostas ao que elas mesmas são ou apreciam. Muita gente gosta, por exemplo, de citar “Star Wars” como algo incrível e admirável, mas parecem não ter absorvido nada sobre o roteiro e mensagem do filme. É impressionante como uma imagem e um barulho podem angariar muitos admiradores perdidos. Se assemelha muito aquela ideia de que efeitos especiais no cinema vendem mais ingressos do que uma história ou uma boa atuação do elenco.

Não há como negar que a estética de muitos filmes, de muitas artes e até mesmo a sonoridade de muitas músicas são encantadoras por si só, mas isso não significa que se possa estagnar apenas nisso, caso queira admirar os autores e cobrar do mundo um senso de cultura que nem mesmo se tem. As pessoas precisam ter noção do papel de ridículo que fazem ao tentarem parecer críticas, cultas ou envolvidas com uma determinada ideia ou conteúdo a ponto de se expressar como um fã enquanto, ao mesmo tempo, desprezam ou desconhecem tudo que vem dali.

Em tempos mais drásticos, como em épocas de ditadura, ter uma letra útil e liberada era uma certa dificuldade, afinal a censura predominava. Pessoas muito criativas transformaram a limitação em arte duas vezes. Primeiro pela mensagem em si e depois pela habilidade ímpar de substituir ideias por metáforas. Muita gente, inclusive, ganhou fama exatamente pela importância social de suas letras ou da sua ação política através das letras tentando burlar a censura da ditadura.

Esse descompasso entre consumidores de obras e autores, não é uma exclusividade de uma ou outra época. Mas tornou-se mais evidente com a chegada da internet, porque pudemos finalmente conhecer de perto pessoas de todo canto, em diversos níveis de expressão. Gostaria muito que as pessoas tivessem igual empenho para manifestar tanto os seus detalhes nos formulários de redes sociais quanto para criações próprias de arte ou ofício de algum tipo. Sinto falta de ver mais pessoas descobrirem seus talentos ou de encontrarem em alguma arte ou ofício um meio de expressão mais coordenado ou autoral. Tudo está tão seco e repetitivo, como uma casa noturna que apresenta covers por falta de demanda por música autoral.

Clássicos são ótimos e por isso mesmo se tornaram clássicos. Mas é preciso que mais gente comece a criar, pois senão daqui 5, 10 ou 20 anos, não teremos absolutamente mais nada para chamar de clássico além do que já existia. As pessoas não criam, talvez por medo ou até mesmo por falta de estrutura cultural. Fico um pouco preocupado quando vejo uma juventude investindo grande parte de seus salários pra incrementar sons potentes nos carros, mas sem sequer ter interesse por nenhum instrumento musical. Pode se investir em tudo que se quiser. Da caixa de alto-falantes, uma guitarra, uma passagem de ônibus pra dividir espaço num grupo de canto ou até mesmo fazer melhor uso da internet e correr atrás de algum vídeo que ensine a fazer ou aprimorar alguma arte.

Não digo que todos precisam ser artistas ou autores e nem que precisem gostar de tudo que existe pelo mundo. Aliás, nem mesmo a compreensão das coisas é algo que é obrigação, mas é sempre bom ter bagagem, conteúdo, noção da realidade e um pouco de pensamento crítico sobre a vida, sobre as coisas e, principalmente, sobre si mesmo. Acredito que a melhor forma de conhecermos a situação em que estamos é, também, conhecer o mundo todo, as ideias escondidas nas páginas de um livro novo, de uma música com uma letra que antes passava desapercebida, as conclusões obtidas em conversas numa mesa de bar sobre alguma coisa mais concreta do que o que bordões, piadas infantis, fanatismos e preconceitos. Talvez fosse especialmente útil ao ser humano, falar mais sobre o que é ser esse tal ser humano.

Me lembro que quando criança, tive contato com uma determinada instituição. Nunca havia chegado perto, exceto por ter visto um livro presenteado a outra pessoa e conversas de beira de ouvido. Cresci curioso, instigado a querer saber mais. Não demorou muito pra eu buscar e encontrar informações sobre. Mas pelo que havia aprendido, participar de certos grupos requeria ser convidado, como se fosse descoberto e escolhido. Me sentia apto, pois parecia me enquadrar naquilo que eu acreditava que tal grupo exigia. Mal sabia eu que fantasiei demais, pra um mundo onde as pessoas já não são tão profundas. Somente depois de muitos anos, já adulto e desacreditado, fui saber que uma esmagadora maioria das pessoas que se escondiam atrás desse ar de mistério, na verdade não levavam nem eles mesmos a sério. Foi decepção, claro. Esse era eu tentando encontrar ouro onde não tinha.

Episódios similares marcaram muito a minha mente. Sempre fico imaginando como as pessoas que vivem por estas fachadas desperdiçam as possibilidades incríveis da vida, figurando em instituições, comunidades, plateias de shows, livrarias, salas de cinema e na própria internet, sem terem sequer noção de que nada sabem e nada são. Ficam amortecidas por algum efeito mágico, algum ornamento, algum status, algum possível mérito sem haver de fato, apenas por se fazerem presentes ou vinculadas as coisas das quais elas não degustaram ainda.

Soa engraçado até, como se uma criança viesse falar de experiência de vida. É fácil de fazer tal analogia, especialmente quando se pode dizer que ter cultura de fachada é um ato imaturo também. A irresponsabilidade e o descaso diante das coisas que se faz, absorve ou “pensa” pode ser lida como inaptidão para o patamar de certas coisas. Claro que até mesmo na cultura real (a que não seja de fachada) existem níveis de relevância e até mesmo diferentes complexidades ou razões de existir. Tudo que o ser humano produz, é e compartilha, acaba sendo cultura, afinal em termos mundiais, a expressão humana é o que forma a humanidade além da carne e osso. Mas, quando falamos em produção extensiva, intencional, engajada e comprometida com princípios e ideais sólidos, aí começa a haver uma escassez assustadora.

Conhecendo pessoas de outros países, sempre pude ver uma certa ingenuidade delas em relação a como enxergam o Brasil. Apontam aquele estereótipo de cordialidade, calor humano, agitação, felicidade, cores, diversidade, beleza natural e todo tipo de virtudes idealizadas. Mas pouco disso é correspondido de fato e mesmo quando é, não resume a realidade total do Brasil. Somos lidos pela internet, especialmente pelas interações via Youtube como se fôssemos o eterno país do Samba, do Funk e da Bossa-Nova. Ainda somos estigmatizados por limitadas opções como uma culinária pautada apenas em feijoada e tendo apenas caipirinha como bebida. Nada disso é menor em valor, porém onde está o resto da cultura? Será que o Brasil é sempre carnaval e futebol? E apesar de não sermos restritos assim, é basicamente estes estereótipos que as pessoas arrastam na hora de apresentar o Brasil para os estrangeiros.

Outro lado problemático nessa temática de cultura é quando as pessoas tentam transformar modismos passageiros em representações icônicas de nossa própria cultura ou realidade. Me dói o coração ver as pessoas desvendando culturas de outros países com base no que está pulsando nas redes sociais durante um mês isolado na História. Isso não significa, claro, que estes conteúdos também não possam ser absorvidos, mas a contemplação ou entendimento de uma cultura não se dá por algo tão raso e desconexo. Uma pessoa pode viver 5, 10 ou 20 anos em um determinado país e ainda não absorver a cultura local em essência.

Se já é tão difícil compreender e absorver o que já está firmemente estabelecido, imagine se encerrarmos a criação de mais cultura ou de pararmos de ter curiosidade em esmiuçar o significado das coisas, como nas letras de uma música, nas ideias de um livro, nas pinturas de uma exposição, no conceito por trás de uma roupa ou nas sutilezas que constituem os motivos para uma festividade. Acho que o tempo passou por mim e me deixou demasiado deslocado. E se engana que pensa que isso é sinal de apego ao passado. Embora eu seja o primeiro a apoiar e contemplar as modernidades, eu sinto que é exatamente isso que as pessoas não estão fazendo. Sinto como se estivesse sedento por pessoas ousando e morrendo de sede diante de gente que não tem coragem ou competência pra ousar em nada. Estamos perdendo a batalha, estamos sendo substituídos pelo passado por falta de opção. Estamos engordando a internet com Petabytes de semi-conteúdos, mas muito pouca informação, cultura e mudanças. Isso me cansa, me desmotiva e me deixa incerto sobre quem eu quero ser, onde quero estar ou até mesmo se preciso ou não morrer.

E se me perguntam o que é que tenho feito de minha própria autoria, listo minhas investidas em todo tipo de ofício e mídia, mas logo se cansam porque se você é entusiasmado demais com tanta coisa, parece um excesso, um peso ou alguém pretensioso demais. Sinto como se o esperado pela sociedade, em média, fosse nunca fazer nada novo, nada a mais, nada diferente e nada tão profundo. Ouço simbolicamente as pessoas “dizerem” que não devo ler, não devo escrever, não devo falar, não devo pintar, não devo olhar pras estrelas, nem estudar. Ouço também que não deveria me importar com Filosofia, Psicologia, Medicina, História, Astronomia, Idiomas, Computação, Música, Vídeo, Fotografia. Às vezes essas vozes me cansam e eu acabo pausando, mas assim que volto é como se tivesse compensando a parada.

Me sinto com energia, embora não seja o ápice do talento nas coisas que adoro conhecer e fazer. Eu sigo tentando, gosto da experiência em si e de como posso transformar meu dia e o histórico da minha vida apenas tentando. Claro que me esforço pra ter um bom resultado, mas o principal sempre está comigo: intenção e ação.

Rodrigo Meyer

Dificulte primeiro, facilite depois.

A imagem que ilustra esse texto traz a mensagem no cartão, em inglês, “Obrigado por ser você mesmo.”.

Vou dividir aqui algo qua aprendi na vida depois de muito me frustrar em ofertar ajuda cedo demais para quem não merecia. Também ocorria de tentar lecionar temas pra quem não estava realmente interessado e outras incompatibilidades similares. Depois de observar o resultado prejudicial que essas iniciativas estavam trazendo, percebi que isso se dava por estar aberto indistintamente por qualquer pessoa que se apresentasse. E faltava nesse ato um filtro.

Percebi que nem todas as pessoas estavam realmente à altura de receber aquilo que se predispunham. Às vezes não eram merecedoras, às vezes não eram confiáveis, às vezes não tinham capacidade, às vezes não tinham real interesse e, às vezes só o que tinham era interesses (no mal sentido). Então comecei a pensar como poderia evitar essas pessoas e passar a oportunidade para pessoas mais oportunas e recíprocas.

Entrou em prática a tática do que eu gosto de chamar de “Dificulte primeiro, facilite depois”. É como uma troca. Primeiro você se torna exigente ao extremo no filtro e diz às pessoas que quem estiver interessado procure. Quando algo é gratuito, muita gente se interessa imediatamente, mas por ser gratuito, também não valorizam como deveriam e muitos até acabam desistindo ou perdendo a atenção ao conteúdo, sem nenhuma culpa ou controle, já que não tiveram que gastar dinheiro algum naquilo. É mais ou menos como dizer que “comida gratuita, as pessoas jogam fora se não tiverem com fome”. Se não custou nada e não é delas, jogam fora com mais facilidade. Se tivessem pago por isso, talvez se interessassem um pouco mais em preservar ou tentar absorver, apesar das dificuldades.

Entendido essa lógica nestas pessoas, comecei a forçá-los a desistir logo de cara, colocando diversos empecilhos. Aliás, a cobrança de valores também é um poderoso filtro, muitas vezes. Mas, de forma geral, para pagantes ou não pagantes, a ideia essencial é dificultar o acesso ao benefício, seja ele qual for. Se você, por exemplo, leciona idiomas gratuitamente, estabeleça épocas únicas de cursos ou limite de vagas por cada grupo de aula. Isso fará as pessoas refletirem se vale a pena o esforço por algo que não querem tanto ou não valorizam tanto. Muitas delas descobrem coisas como: “É gratuito, mas não é tão perto de casa, então não quero.”, “É gratuito, mas só tem 10 vagas por grupo. Deixa as vagas pra quem queira mais que eu.”, “É gratuito, mas as primeiras aulas tem duração muito longa. Não quero.”. Esses foram só alguns dos exemplos hipotéticos de como dificultar o acesso à um benefício.

Uma vez que isso ocorre, essas pessoas menos interessadas e menos engajadas, tornam-se as primeiras a desistir daquela proposta e deixam o caminho livre para quem realmente quer e/ou merece aquela oportunidade. E quando você estiver em contato com essas pessoas, aí sim é a hora da mágica, pra finalizar o processo. Para estas pessoas você oferece todo o conforto e facilidade no que elas precisarem pra se adequar e absorver o benefício que você havia proposto. Então, tomando o exemplo hipotético citado do curso de idiomas, espere algumas vezes as pessoas frequentarem com as tais dificuldades e aquelas que estiverem firmes apesar de tudo, certamente estão lá porque estão muito interessadas e engajadas. E com elas você pode eliminar o filtro e começar a apoiá-las da melhor maneira que puder.

Se em um dia esporádico uma pessoa não pode estar presente por uma urgência ou doença, retribua o esforço dela com um presente ou uma surpresa. Se é um companheiro de trabalho dedicado, aumente seu salário ou dê um dia de folga remunerada mostrando como você aprecia a pessoa e o interesse que ela tem no que faz. Se é uma amizade ou um parente que enfrentou dificuldades pra permanecer do seu lado, demonstre sua admiração por essa postura, por essa honestidade e sentimentos. É assim que você mostra que as pessoas podem ser boas umas pras outras, confiáveis e viver sem pressões, ajudando um ao outro a superar barreiras, objetivos e conquistar espaço.

Antes que me julguem como aquele que nega oportunidades, vou dar dois exemplos que tornam claro o inverso.

Primeiro exemplo: Anunciei um determinado curso que, embora com preço acessível era pago e muita gente que gostaria de fazer não tinha condições de pagar. Ao conhecer essas pessoas, ofereci a proposta de trabalharem em 3 dias distintos em troca da gratuidade do curso. Muitos desistiram, mesmo tendo disponibilidade. Os poucos que aceitaram, vieram desfrutar do curso gratuitamente e, de quebra, aprenderam uma atividade extra que poderia ser útil em torno daquele curso ou potencial carreira adiante.

Segundo exemplo: Anunciei uma vaga de trabalho freelance como trabalho esporádico. O filtro seria sobre a dedicação da pessoa. Se cumprisse um bom trabalho ou tivesse se esforçado o máximo por aquela atividade, mesmo que avulsa, seria chamada pra ser a única opção de profissional sempre que houvessem novos trabalhos. Se houvesse constância no esforço de aprender o que faz e em trabalhar para entregar o melhor resultado que poderia, aí estava classificada pra receber a remuneração real, que era mais de 3 vezes o valor inicial. O sorriso no rosto dessas pessoas é muito gratificante. São pessoas que, como demonstraram, se esforçaram muito em suas carreiras, atingiram grandes potenciais, um bom reconhecimento em suas áreas e estão aí brilhando. Fico muito feliz por isso. Sempre que pude, apoiei essas pessoas em tudo que estava ao meu alcance. Elas mereciam e elas sempre retribuíram com o melhor delas, mesmo que eu fosse um desconhecido. É isso que eu valorizo.

Esse método funciona muito bem para inúmeras situações e setores da vida. Não só em trabalho e estudo. Eu costumo dizer que reciprocidade é arte. E acredito muito que a qualidade das pessoas deve ser priorizada para boas relações. E assim fiz. Para pessoas que não se entregaram com sinceridade e esforço no que faziam, eu fechei portas e mudei meu foco pra outra direção. Fica pra elas a lição de que, a única barreira à um apoio facilitado foi não estarem interessadas ou merecedoras o suficiente, pois cobro sempre nas relações que as pessoas sejam éticas, honestas, sinceras, esforçadas, estudiosas, engajadas, sem preconceitos, desprendidas financeiramente / materialmente, que sejam sensíveis e que estejam no mundo por relações e não por dinheiro. Em boas relações é evidente que o dinheiro faz sempre parte da equação de apoio. A vida é um constante investimento. Eu escolhi investir em pessoas nas quais eu me orgulho, mesmo que elas comecem pequenas, não tenham 1 centavo no bolso ou estejam enfrentando as maiores dificuldades na vida. Esse investimento nunca é caro e sempre dá bons resultados.

“Dificulte primeiro, facilite depois”. Pronto pra aplicar essa tática na sua vida?

Rodrigo Meyer

O que nos cabe nas lutas alheias?

Quando pensamos em causas sociais, lutas pessoais ou coletivas ou qualquer campanha ou esforço sobre algum tema, precisamos lembrar de algumas premissas básicas. Inicialmente, se a luta em questão for específica pra um grupo ou fatia da sociedade, automaticamente essa luta tem protagonistas, que são os próprios interessados e beneficiados pelos resultados da causa.

Em outros casos, as lutas podem ser abrangentes a um coletivo mais genérico e, a princípio, todos podem se tornar ativos igualmente na ação. Há causas, porém, que apesar de não sermos os beneficiários diretos dos resultados, nos tornamos, de alguma forma, como os porta-vozes, devido a questões como ausência de voz ou liberdade daqueles a quem vamos representar (como causas de proteção à natureza, animais ou, então, pessoas que se encontrem em situações onde praticamente não podem responder por si mesmas, seja por razão de suas condições físicas, mentais, emocionais ou pelo contexto específico do problema ao qual estão submetidas).

Essas são algumas diferenças básicas. Nos segmentos de lutas humanas, encontramos os protagonistas e, por isso, é deles o papel de falar em nome da causa da forma que lhes for mais oportuna. Não se pode querer, por exemplo, falar em nome de um grupo ao qual não seja protagonista. Isso não quer dizer, porém, que devemos ser omissos ao assunto ou de não interferirmos diante de uma situação que cobra uma ação ou reação.

Da mesma forma que um astrônomo é escolhido pra falar de astronomia, nas lutas sociais, cada grupo torna seus próprios membros as pessoas mais indicadas a representarem o assunto do qual elas tratam. Na luta do Movimento Negro, por exemplo, não cabe aos demais dizer como essa luta deve ser feita. Para a luta do Feminismo, são as mulheres que dizem como as coisas serão encaminhadas pela causa. Assim o é para o movimento LGBT, para a luta de direitos de cadeirantes, para proteção de culturas e etnias (como entre os indígenas), entre tantos outros.

Para as pessoas que desejam se alinhar com esses direitos e não fazem parte dos grupos específicos, o papel que lhes cabe é de apoio, ou seja, ceder o espaço pros protagonistas de cada causa e apoiar socialmente, procurando intervir com ações somente quando notar que sua ação possa ser útil e/ou ao mesmo tempo a única ou mais provável opção pra evitar uma situação indesejada naquele contexto.

Cabe aos de fora, também, aproveitar os meios de socialização entre seus eventuais amigos e espalhar, dentro do possível, exemplos e correções a equívocos de pensamento ou conduta que estejam alimentando estereótipos, preconceitos, violências e outras abusos e desrespeitos. Muito mais pode ser feito, claro. E nada nos impede, enquanto pensantes, aprender e dividir mais dessas noções de realidade para aprimorarmos nossa conduta em toda a sociedade.

Há alguns anos atrás, especialmente com a consolidação do Facebook como rede social definitiva (aparentemente), foi possível observar um aumento significativo do uso desse palco como forma de expressão social de diversas culturas e grupos sociais. Devido ao acesso um pouco mais democrático que a internet tenta oferecer, pessoas de diversas classes sociais, diversas causas sociais, nichos culturais e com os mais variados conhecimentos e ideologias, puderam finalmente expor ao mundo suas realidades e abrir espaço na multidão, tornando-se mais visíveis.  E isso trouxe repercussões, tanto positivas quanto negativas.

De positivo, podemos citar o acesso e visibilidade dos assuntos, o que permitiu que muita gente se desconstruísse acerca das ignorâncias e equívocos que vinham sendo alimentados por outros meios sociais ou até mesmo sozinho em suas pobres deduções. Então, claro, mais informação transformou o cenário para um ambiente de maior autoestima e valorização desses grupos. Mas como todo opressor tem desprazer de ver seus oprimidos crescerem, é claro que toda essa visibilidade na internet ampliou o número de conflitos virtuais (pois os não virtuais sempre existiram em grande número). Inconformados de se verem expostos em rede e com o ilusório pensamento de proteção e/ou anonimato por trás de uma tela de computador, muita gente se colocou a despejar o entulho interno como forma de reação.

Empresas como o Facebook, Microsoft, Google e tantas outros grandes nomes da modernidade, sempre se mostraram receptivos às causas sociais e, frequentemente, expressaram publicamente este apoio. Devido ao tamanho e influência social que essas empresas possuem na vida de bilhões de pessoas, é possível prever que a tendência natural é que os espaços se tornem cada vez mais inclusivos, afinal, o público dessas empresas é, teoricamente, toda a diversidade de pessoas no mundo.

Embora isso pareça promissor e poético, é preciso manter a atenção, pois existem muitos casos de omissão ou superficial e/ou falsa atenção a casos de desrespeito à certas pessoas e grupos, especialmente em redes sociais, onde o que deveria ter sido repudiado, não teve o desfecho esperado por parte dos responsáveis pelas mídias. Isso não pressupõe exatamente que estejam sendo coniventes, mas que o sistema pelo qual filtram os conteúdos é falho. Digo isso especialmente do ponto de vista humano, onde, pode-se perceber claramente, que em certos casos, pessoas completamente inaptas pra avaliar abusos de certos nichos, estão entre as que trabalham como responsáveis nestas empresas e, por isso, acabam, desviando a justiça para benefício de seus próprios ideais de opressão.

Cabe ao indivíduo que não tem o mesmo poderio de interferir em grandes projetos como essas megaempresas, de fazer também novas pautas ou novas causas para tal finalidade. A omissão não pode ser o padrão, senão acabaremos tendo que nos sujeitar a decisão de alguns poucos alheios aos nossos próprios direitos e interesses. Faça parte do seu grupo local, seja do Centro Cultural do seu bairro, de um Coletivo, de uma ONG ou algum projeto de cunho social. Esteja à frente do seu grupo de amigos, da sua vizinhança, sua comunidade escolar, seus espaços na internet e onde mais achar que há meios de se ampliar seus objetivos. Esteja sempre engajado na política pessoal e coletiva e seja uma peça crucial de transformação do mundo ideal no qual você gostaria de viver.

Rodrigo Meyer

Eu e o Hiperfoco.

Por conta de uma condição específica, nasci com várias características de uma lista. Entre elas está o Hiperfoco. Me sinto confortável com isso e penso que é devido à esta característica que eu consegui ir tão longe em alguns temas.  O Hiperfoco é a característica ou capacidade de concentrar-se em uma única coisa por muito tempo. Algumas pessoas podem passar horas ou dias mergulhadas no mesmo assunto ou atividade e algumas chegam a levar esse tema pra vida toda. O Hiperfoco pode mudar de tempos em tempos, o que permite que a pessoa desenvolva com intensidade várias áreas do conhecimento.

Em outros textos, contei um pouco da minha experiência com a Literatura. Em certas épocas da minha vida, estive tão focado em escrever que conseguia produzir um livro inteiro em um ou dois dias. Escrever cem ou duzentas páginas não era difícil, mesmo levando-se em conta a qualidade do conteúdo e a coerência da estrutura do idioma. Eu sempre fui apaixonado por expressão. Muita coisa foi levada pelo campo da imagem, pois sempre fui uma pessoa muito visual. Mas, a Literatura sempre me encantou também, principalmente quando me vi aspirando as possibilidades do Cinema com suas histórias e scripts incríveis.

Passei a escrever poemas, frases e livros maiores com dramas ficcionais. Além dessa passagem profunda, nunca deixei de escrever em outras mídias “menores”, como em páginas temáticas e blogs. Atualmente escrevo pra mídias de Fotografia, Viagens, Astronomia, Sociologia, Artes em Geral, Comunicação, Design Gráfico, Empreendorismo, Cultura Underground e diversas outras coisas. Não consigo me imaginar sem tudo isso. Embora sejam áreas relacionadas, cada uma delas tem um universo próprio que exige um domínio e devoção próprios pra você contextualizar aquilo e acertar o conteúdo diante das necessidades do público que forma a demanda.

E porque estou a contar tudo isso? Pode ser uma boa reflexão sobre esforço e qualidade, mesmo que você não tenha a característica nativa do Hiperfoco. Você pode escolher se dedicar em algo que goste ou precise muito e, assim, transformar algo pequeno e superficial em algo maior, mais relevante e mais assertivo. Você pode sair de uma zona de conforto onde pouco ou nada produzia e tornar-se alguém de destaque em um determinado assunto ou segmento. Com este incentivo em mente, talvez você não se torne o melhor de todos, mas certamente vai ser melhor que você mesmo, progredindo suas possibilidades a cada dia. Seu potencial pode ser revisto e isso não é algo que deve ser ignorado.

Muitas das coisas das quais não somos tão bons, podem ser estudadas e aprimoradas ao ponto em que possamos superar as expectativas alheias. Você pode surpreender seus professores, seus colegas de trabalho, seus clientes e a você mesmo, dedicando esforço concentrado em dominar algo. Mas é importante que você filtre o foco em algo que você goste ou precise muito, pois isso será o fator crucial pra te manter preso à esta atividade, mesmo em mergulhos mais fundos e/ou longos.

Apesar de aparentar que eu não estou grande parte do tempo envolto nos textos deste blog, a verdade é que, por entendimento das necessidades da ferramenta, eu me limito a postar no máximo 2 textos por dia, ficando, preferencialmente, restrito em apenas 1. Isso ajuda na visibilidade dos conteúdos e na absorção por parte do público. Eu poderia completar o restante dos temas para fechar a lista de mais de 600 temas que predefini, porém isso seria o mesmo que desperdiçar munição. O meu objetivo com estes textos é de que sejam lidos e aproveitados pelo público, de forma que haja transformação do pensamento ou conduta mediante a reflexão que possa ser feita.

Assim, enquanto eu não posso acelerar demais aqui, uso as outras mídias de temas variados, como uma maneira de continuar criando. Ter uma diversidade de temas para produzir ajuda a me manter na Literatura, porém me desvia um pouco da concentração nos temas, o que, de certa forma, freia um pouco o potencial geral. Ainda sim, pra mim, é melhor do que ficar muito tempo sem escrever. Essa também seria uma recomendação pra quem deseja se ver motivado em algum projeto. Se suas atividades exigem que você seja menos frequente do que gostaria, tente incluir outras atividades ao redor, mesmo que por hobby, pra que você não desacelere. Isso me faz lembrar de uma estratégia semelhante que as pessoas costumam usar em corridas. Quando elas estão correndo pelas calçadas e são obrigadas a diminuir o ritmo para cruzar um semáforo fechado para pedestres, elas mantém o ritmo cardíaco e da atividade física, dando saltinhos para não ter que frear o ritmo geral do corpo. Isso ajuda a manterem-se aptas a seguir a corrida com o mesmo potencial, assim que o semáforo abrir para elas.

Essas foram algumas dicas importantes que podem ajudar pra você, independente de suas características nativas. Acredito que fazendo uso de intervenções criativas você pode transformar problemas em soluções e chegar mais longe. Não tenho o hábito de solicitar, mas como faz algum tempo que não escrevia nesta mídia, seria de grande utilidade se pudesse compartilhar o texto em sua rede social preferida ou indicar o conteúdo pra algum amigo ou colega de trabalho. Isso vai ajudar a mais pessoas passarem pela reflexão deste artigo em específico ou mesmo de poder conhecer os outros textos já publicados. Obrigado.

Rodrigo Meyer