Especial | Leitores (2020).

A imagem que ilustra esse texto é baseada em um ‘mapa mundi’ da ‘welt-atlas.de‘ e as barras do gráfico são meramente ilustrativas.

Até a data em que esse texto foi escrito, os dados apontavam que eu era lido em 42 países no mundo. Sempre tive certa curiosidade em saber o que isso poderia significar na prática. Tento imaginar se são brasileiros morando no exterior, se são estrangeiros dispostos acessando uma versão traduzida ou até mesmo estrangeiros que dominam o Português. Aqui segue a lista, onde o topo representa o maior número de visualizações:

1º – Brasil
2º – Estados Unidos
3º – Portugal
4º – Canadá
5º – Alemanha
6º – Irlanda
7º – Moçambique
8º – Angola
9º – Hong Kong, RAE da China
10º – Reino Unido
11º – Espanha
12º – Japão
13º – França
14º – Argentina
15º – Paraguai
16º – Itália
17º – Suíça
18º – Austrália
19º – Grécia
20º – Israel
21º – Áustria
22º – Gana
23º – África do Sul
25º – Cabo Verde
26º – União Europeia
27º – Luxemburgo
28º – Cingapura
29º – Índia
30º – Dinamarca
31º – Hungria
32º – Ucrânia
33º – Tailândia
34º – República Dominicana
35º – Montenegro
36º – Bolívia
37º – Líbano
38º – Emirados Árabes Unidos
39º – Suécia
40º – Zimbábue
41º – Holanda
42º – Noruega

Tirando alguns países que, sabidamente, são falantes de Português ou do idioma mais próximo, o Espanhol, os demais países se tornam um mistério. Sei que existe uma população significativa de brasileiros morando nos Estados Unidos, Portugal, Canadá, Alemanha, Irlanda, China, Inglaterra e Japão, mas o restante, até onde sei, é muito mais raro. E também não há como afirmar com plena certeza de que sejam leitores brasileiros em outros países. Mas, certamente, essa ideia parece mais plausível, já que não costumo escrever em outro idioma além do Português.

Fico feliz de ver essa diversidade toda, imaginando que as minhas ideias chegam pra outras sociedades ou pra brasileiros que sintam necessidade de se manterem conectados com conteúdos em seu idioma nativo. Aprendo muito sobre diversos países, para sanar minha natural curiosidade sobre outras culturas e outras formas de enxergar a realidade. Eu sempre desejei viajar o mundo todo e vivenciar o que há de mais típico de cada lugar. Às vezes eu vou na contramão da tendência e ao invés de pesquisar mais à fundo os países do topo da lista, tento conhecer aqueles onde hajam menos visualizações, pois imagino que o contexto possa ser mais peculiar para ter conectado tão poucos leitores. Talvez seja tão simples quanto a escassez de brasileiros nestes últimos países da lista ou até mesmo uma menor popularidade por lá dos temas que abordo.

Às vezes vejo alguns sites que possuem um monitoramento automático das visualizações e as respectivas localidades. Embora esses recursos em si sejam geralmente gratuitos, eles só podem ser adicionados a partir do momento em que aderimos à planos pagos na plataforma do blog. Pra mim, escrever é, no momento, mais uma terapia do que uma atividade profissional. Por isso, investir valores extras por aqui é algo que tenho planejado fazer em outro momento, quando eu realmente perceber que o que eu estou comunicando é relevante o suficiente pra justificar um investimento. Não é que eu não goste do que eu escreva, pois se fosse esse o caso, eu simplesmente nem publicaria. O que ocorre é mais uma questão de prioridades. Eu passei um bom tempo me organizando para retornar pra Fotografia, além de concretizar uma mudança significativa de vida, em diversos sentidos. E, felizmente, está tudo se encaminhando bem.

Dentro desse limite, eu procuro sempre melhorar o conteúdo e a apresentação do mesmo, mas, às vezes me sinto um tanto impulsivo, mudando algumas coisas com mais frequência do que, talvez, seria o ideal. Já devem ter reparado que tenho a tendência de manter uma aparência mais escura e introspectiva, quase sempre em torno de tons azulados. Mas, o que faz sentido pra mim, talvez não seja o que funciona bem para os que me visitam aqui para ler. Então eu preciso realmente conhecer mais sobre o público, as culturas, subculturas e personalidade por trás dessas visitas. O simples fato de ser lido em tantos países, já multiplica a diversidade de realidades desse público. Dito isso, seria de enorme valor pra mim que vocês pudessem me contar um pouco mais de vocês nos comentários. Me digam de onde são, onde estão morando, como foi que conheceram os meus conteúdos e quais assuntos geralmente se interessam por aqui. Se preferirem maior discrição, podem enviar uma mensagem através da guia ‘contato’ do site e chegará diretamente no meu e-mail.

Independente de quaisquer dados, eu continuarei escrevendo aqui, pois a literatura é algo que eu sempre tive apreço desde criança e me dá prazer escrever. Funciona muito bem pra mim como terapia, pois o texto é a maneira que eu consigo me expressar melhor. Escrevo para organizar meus pensamentos, ressignificar memórias, transmutar momentos e sentimentos e construir uma mudança de mundo que eu realmente acredito. Através dos temas que eu escolho, eu tento cumprir a difícil tarefa de entender o que está por trás das situações da vida, das sociedades e do comportamento humano, em textos que abordam muito de psicologia, reflexões, filosofia, política e relações humanas. Ao mesmo tempo em que tento dividir com mais pessoas a experiência que adquiri na vida, procuro mastigar temas para chegar em informações novas ou aprimoradas que outras pessoas possam me ajudar a formar e absorver. Nos bastidores da plataforma, existe uma espécie de rede social onde os autores de blogs tem acesso à outros criadores. Frequentemente, o público que lê é também autor em um blog próprio. Além disso, ao acompanharmos a repercussão de cada texto, podemos perceber as categorias e os assuntos que as pessoas mais acessam. Isso nos permite pensar em textos inéditos pros temas com maior demanda ou, então, ampliar as áreas onde ainda há pouco conteúdo.

Como digo por aqui, vocês podem sempre pedir / sugerir temas para novos textos. Caso prefiram o anonimato, podem digitar essas palavras-chave no campo de pesquisa do site e isso fica registrado numa lista dos termos pesquisados. De tempos em tempos eu leio essas listas para ver se estão procurando recorrentemente por alguns temas que estejam em falta no blog.

Por fim, queria comunicar que estive tentando escrever um novo livro nesses últimos tempos, mas ainda não consegui estabelecer algo satisfatório que valesse a pena dar continuidade. Escrever também envolve muitos textos incompletos, muitas desistências, alternâncias de ideias e, claro, altos e baixos entre insights e um provável vazio. Nem sempre temos as palavras prontas na mente e, às vezes, não temos sequer um tema firme pra ser explorado. O segredo da comunicação está exatamente em ter algo pra dizer, ter a necessidade de dizer algo. Essa expressão inevitável sobre qualquer assunto que seja, é o que torna legítima essa comunicação. Quando temos o que dizer, é fácil encontrar um caminho ao longo do texto. As introduções, o desenvolvimento, o desfecho e as conclusões se tornam uma sequência natural e quase automática. Pensar sobre os assuntos por tempo suficiente e organizá-los em um texto é uma maneira de entregar pro leitor uma solução para ideias soltas com as quais ele ainda não tinha visto reunidas de uma maneira consistente que o permita transformar situações avulsas em conhecimento ou entendimento. À medida em que eu organizo o texto pro benefício da minha própria mente, há a chance de que outras pessoas se beneficiem dessa organização na mente delas. E, no fim das contas, acredito que seja isso que conecte autores e leitores.

Se você produz textos em qualquer idioma, ficarei feliz em conhecer. Aqueles que estiverem em Português, Inglês, Espanhol, Italiano e Alemão, conseguirei me conectar mais facilmente para ler, mas estou igualmente disposto a ler conteúdos de quaisquer outros idiomas, levando em conta que terei que fazer uso de tradução automática do Google Tradutor. À propósito, este site dispõem de uma caixa de seleção de idiomas, onde os usuários podem traduzir automaticamente, diretamente pelo blog. Se puderem incluir um recurso similar em suas mídias, seria de grande ajuda pra mim. À título de curiosidade, além dos idiomas citados no começo desse parágrafo, tenho curiosidade em aprender mais também do Francês, Islandês, Russo, Japonês, Chinês (Mandarim), Coreano, Tailandês, Grego, Latim e Sânscrito. Mas não se sintam restritos à isso. Fiquem à vontade para recomendar conteúdos de quaisquer países e regiões do mundo, em qualquer idioma. Farei o possível pra conhecer, traduzir e absorver. Até breve!

Rodrigo Meyer – Author

Crônica | Pensar é crime.

Por quase todo canto que chego, as pessoas querem que eu abdique do cérebro, da reflexão, do questionamento, da verdade, da curiosidade, do raciocínio, da inteligência e do senso crítico. Se incomodam com tudo isso, porque isso evidenciava aquilo que eles mesmos não querem fazer. E não fazem. Se eu estivesse apenas feito um zumbi rindo de uma asneira qualquer, assistindo algum lixo tóxico da televisão ou internet, gastando meu tempo em conversas de elevador, ou gritando aleatoriamente, estaria camuflado entre estes. Mas, escolhi fazer diferente, escolhi, desde cedo, ser eu mesmo, alguém que já tinha esse impulso nato pela curiosidade e, feliz ou infelizmente, uma inteligência acima da média. Não é algo pra se gabar, ainda mais em um mundo onde tal exceção é um fardo para a socialização e aceitação da sociedade precária. Quando temos visão melhor e mais rápida sobre as coisas, não nos contentamos com a maioria das coisas. Depressão? Claro, veio como um tiro, desde criança. Mas, se eu pudesse escolher estar na média? Não sei. Dizem que os idiotas são mais felizes, justamente porque não veem problema em nada e se contentam com pouco. Mas será que valeria a pena atravancar as possibilidades de progresso e satisfação pessoal, só pra ter essa ilusão de felicidade? Reflexões! Reflexões que só são possíveis justamente porque estou onde estou, sou quem sou e faço o que faço. Eu gosto mesmo é de pensar. Sou contemplador e explorador da vida, no sentido mais aventureiro, nessa trilha de mistérios que é o Universo. Cada vez que eu penso, evidencio um não-pensante, mesmo sem querer. Aquilo que eles não entendem (ou não querem tentar entender), soa como errado, soberba, rispidez, insistência. Durante minha vida toda, simplesmente por escrever, muitos achavam que eu queria ser mais do que era. O que eu sei é que eles queriam ser menos do que poderiam ser. E foram. E todos os lados perdem com isso.

Rodrigo Meyer

Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

Especial | Aulas de Redação.

O mundo traz novas oportunidades quando lapidamos nossos processos e objetivos. Aprender a escrever bem é uma destas ferramentas e hoje vou te apresentar uma sequência de aulas que você poderá fazer diretamente da sua casa, através de vídeo-chamadas por skype. Escolha o horário e a frequência de aulas de maior comodidade pra você. As aulas estão compostas em 9 sessões e 2 tópicos por sessão.

Sessão 1:
+ Como fazer uma introdução de um texto.
+ A importância do começo, meio e fim.

Quebre o gelo com a escrita e entenda algumas regras de redação que fazem tanto o autor quanto os leitores se ambientarem ao conteúdo, com interesse e fluidez.

Sessão 2:
+ Aprenda a ser conciso e completo.
+ Estruturando uma argumentação.

A regra da eficiência pressupõem que você diga o maior número de informações com o mínimo de texto possível. Portanto, para não sacrificar seu conteúdo, a redução deve ser planejada com criatividade e inteligência.

Sessão 3:
+ Redação publicitária.
+ Textos persuasivos.

Quando você está escrevendo para um público ou objetivo específicos, existem premissas importantes na sua linguagem e na composição do seu texto, em termos de hierarquia, valores e psicologia. Passar a mensagem correta é construir uma percepção de sentido e valor.

Sessão 4:
+ Como criar títulos funcionais.
+ Tamanho mínimo, médio e máximo de um texto para redes sociais, blogs e livros.

Aprenda a criar títulos curtos, fortes e atraentes que representem muito bem a essência de cada texto. Para ser lido, você precisa ser notado. Descubra também alguns parâmetros sobre o volume do seu texto, truques de edição e questões relacionadas ao seu público leitor.

Sessão 5:
+ Definindo temas para escrever.
+ Encontrando seu estilo de escrita.

Desenvolver a literatura é parte de um hábito. Encontrar temas interessantes e adequados, estão intimamente relacionados com quem você é e qual imagem você deseja passar. Atrelado a isso, encontrar seu estilo te fará único e é exatamente essa característica que te abre espaço entre os demais.

Sessão 6:
+ Estilos literários (conto, prosa, poesia, artigo, etc.)
+ A importância da imagem como suporte ao texto.

Muitas são as possibilidades de expressão. Entenda cada uma delas e conheça as primeiras portas para se aprofundar nas suas escolhas. Depois de ter se estabelecido como autor, é preciso entender um pouco mais da sua própria apresentação. É hora, então, de pensar como funciona a comunicação das imagens que acompanham seu texto.

Sessão 7:
+ Tire dúvidas de ortografia e gramática.
+ Reescrevendo frases em um modo curto, compreensível e sem repetições.

Refine seu texto com um constante aprendizado do idioma. Uma escrita correta e coerência no uso de certas expressões, vão elevar sua credibilidade diante do público e atrair mais pessoas para o que você tem a dizer. Quando você se torna inteligível ao seus leitores, você cria uma conexão sem ruídos.

Sessão 8:
+ Adequando a linguagem e o tamanho do seu texto ao seu público.
+ Consulta de fontes de referência pra dados.

Tão importante quanto escrever correto, é entender os vários ambientes e contextos de leitura. Adequar a linguagem sem cair em clichês ou empobrecimento da escrita é importante pra se manter como referência de confiança pra seus leitores. Transpor naturalidade nas suas frases e dados, exige embasamento e tato.

Sessão 9:
+ Melhorando sua segurança / confiança no ato de escrever.
+ A importância da estética e do ritmo na leitura.

Agora que você já tem as ferramentas para escrever textos eficientes, seu sucesso está mais próximo. Continue escrevendo, perceba os momentos e gatilhos dessa atividade e entenda quais são os fatores que te dão confiança em ser autor. A medida em que você aprende a envolver os leitores ao longo do seu conteúdo, você garante um lugar ao sol e essa é a chave também para você se envolver de forma confiante com sua própria atividade de escrita.

Extra:
+ Grupo Vip.
+ Leituras, análises e correções.

Ao adquirir as aulas, você tem o benefício de participar de um grupo exclusivo no Facebook, somente para alunos do curso, onde você pode enviar seus textos pra que eu possa tirar suas dúvidas, dar dicas, ler e opinar sobre os conteúdos, fazer correções e muito mais.

Investimento:  Apenas R$ 270 reais, equivalente a R$ 30 reais por sessão.
Duração: 90 minutos por sessão com 2 tópicos.

Datas:
Uma vez contratada as 9 sessões, você é quem escolhe o melhor dia, horário e frequência das aulas. Escolha quando começar a primeira e quando retornar para cada uma das próximas.

Dicas: Devido a carga horária e a frequência de sessões, pode ser útil programar e reservar suas datas e horários. Faça no seu tempo disponível e no ritmo que lhe for confortável ou conveniente e, certamente, irá desfrutar de todo o benefício desses conteúdos.

Inscrições e Pagamentos: Você pode adquirir o curso através de pagamentos por PayPal ou PagSeguro, garantindo segurança e praticidade pra ambos. Através dessas plataformas, você pode controlar que os pagamentos só sejam liberados a mim se você efetivamente receber o serviço combinado. Para solicitar mais informações ou se inscrever, entre em contato por mensagem inbox na minha página no Facebook.

Rodrigo Meyer

Muita demanda, pouca oferta.

O ser humano, geralmente, está em busca de alguma oportunidade de se destacar em uma atividade, mas as pessoas, frequentemente, possuem preguiça ou desinteresse para específicas atividades ou áreas de estudo e, justamente por isso, estas oportunidades sobram pra quem tenha disposição e interesse de ocupá-las. É como diz a expressão: “A preguiça de uns é o trabalho de outros.”.

Quando tive a oportunidade de entrar pra faculdade de Ciências da Computação, foi interessante ver quão poucas turmas e cursos haviam pra esse segmento. A sala começou com mais de 40 alunos e gradualmente foi esvaziando. No final do curso sobraram apenas umas 5 pessoas que se diplomaram e foram elas que colheram os frutos disso, ao poder brilhar em suas carreiras. Da única pessoa que eu conhecia e mantinha contato nessa fase pós-faculdade, sei que a pessoa fez ótimo proveito da carreira. Estudou pra valer, se concentrou no necessário e teve trabalhos interessantes, inclusive com a oportunidade de reinvestir em si mesma para novos cursos, viagens e aprendizados. Em resumo, em uma sala onde nem todos estavam dispostos a seguir naquela profissão ou estudo, alguns estavam e, por isso, saíram na frente.

Mas a vida é múltipla. Quando saímos de uma área ou nem sequer entramos nela, temos a oportunidade de ir pra outra atividade. Contudo, algumas atividades são tão comuns, que estão saturadas. É o caso da área de Direito, onde muita gente se forma, mas a seleção da OAB filtra, por prova, os melhores, justamente pra não saturar o mercado de gente que vai acabar não tendo espaço pra exercer a profissão pretendida. Diversas outras áreas também se tornaram “febre”, por assim dizer, deixando áreas menos comuns com menos interessados e, portanto, com menos concorrência. A concorrência em si não é ruim, mas quando o mercado se satura exclusivamente de umas poucas profissões, isso desestabiliza a sociedade, pois o mundo não precisa só de meia dúzia de tipos de profissionais, serviços ou produtos. Então, a diversidade é mais saudável e útil para a própria sociedade, tanto coletivamente, quanto pelo benefício pessoal de conseguir se estabelecer profissionalmente como indivíduo.

A realização pessoal de muita gente acaba revista quando notam que, embora gostem de uma determinada área, não conseguem sobreviver com a realidade do mercado gerada em um contexto de saturação ou de desvalorização. Ocorre, também, das pessoas terem expectativas muito otimistas sobre determinada profissão ou área de estudo e acabarem frustradas ao descobrir que, na prática, não é tão glamouroso como pensavam. Tudo isso gera uma adequação quase que automática, colocando pessoas indispostas para fora de uma atividade e segurando as que se adequaram. Não há problema algum em se descobrir incompatível ou desinteressado com determinada área. Tudo que temos que fazer é exatamente nos descobrir, pra podermos fazer escolhas mais assertivas. Foi assim comigo quando abandonei a faculdade de Ciências da Computação por ver que não estava apto a lidar com tanta matemática enquanto ainda tinha que tentar absorver os princípios da computação em si. Admiro quem consegue e sigo interessado pela área, mas só volto à mergulhar nela se eventualmente me sentir apto a lidar com a quantidade de matemática que me freou na época.

Ao invés de me sentir frustrado, eu segui para outro curso. Fiz a faculdade de Comunicação Social e realmente me senti entretido o suficiente pra chegar até o final das aulas. Foi uma experiência muito boa pra mim, especialmente pelos professores que conheci e pelos momentos divididos entre as pessoas da época, pelos corredores, bares e casas noturnas. Mas, meu objetivo neste curso, por já ter conhecimento na área, não era ter determinados tipos de emprego como era pra todos os demais alunos. Pode-se dizer que fui a ‘ovelha-negra’ do curso, mas sigo tirando proveito e trabalhando com isso exatamente no espaço deixado pelos demais. Enquanto eles tentam ocupar uma área que, pra mim, era insatisfatória, discordante e saturada, eu escolhi atuar justamente onde ninguém tinha olhos ou interesse: apoiar pessoas, causas e pequenos negócios com ajuda do conhecimento que eu tinha. Apesar de não ter dinheiro pra gerir minhas próprias iniciativas nesses meios, consegui alavancar muito bem minhas mídias e ideias, até o ponto onde elas só não progrediram pra algo maior, por essa barreira financeira. Isso mostra que ocupar uma área onde outros não querem, pode ser bastante próspero, desde que haja suficiente apoio inicial.

Usando um dos exemplos que eu conheço, por conta da minha proximidade com o tema, cito a própria área de programação e TI, onde os salários propostos pelas empresas podem chegar a fantásticos R$ 100 mil reais por mês, justamente porque existe tanto potencial na informática e tão poucos programadores disponíveis, que um salário alto é a forma que encontraram de tornar a área atraente pra que mais pessoas se formem em computação, análise de sistemas ou alguma coisa relacionada a TI, podendo, assim, ocuparem as vagas que as empresas mais valorizam atualmente. Dessa escassez, pode-se encontrar até mesmo oportunidades como ter o curso de faculdade bancado pela empresa que pretende lhe contratar ou mesmo de ter uma vaga de trabalho praticamente garantida já no segundo ano de faculdade. Além disso, inúmeros brasileiros são tentados a trabalhar como programadores no exterior, justamente pelo combo salário + qualidade de vida de determinado país (frequentemente na Europa) ou, então, por poder estar em uma empresa renomada internacionalmente como Google, Microsoft ou Facebook.

É claro que estar ausente desse mercado não é, por si, sinônimo de preguiça. Há pessoas que simplesmente se esforçaram ao máximo pra tentar, mas não conseguiram, por inúmeras razões possíveis. Algumas pessoas não possuem condição de bancar um curso até o fim, outras não conseguem passar na seleção de uma faculdade pública e outras simplesmente podem ter se visto destoantes do tipo de estudo ou realidade de determinada área ou profissão.

Contudo, em várias outras atividades da vida cotidiana, é sim a preguiça de uns que abre portas para outros profissionais. Quando as pessoas não querem ter que lavar a própria louça, o carro ou casa, estão abrindo uma demanda pra que outras pessoas façam isso. Geralmente, em nossa sociedade discriminatória, esses trabalhos são evitados pelas pessoas com mais renda, renegando as pessoas de menor renda a aderirem a esses trabalhos que ninguém quis fazer, por demanda e por falta de capacitação ou espaço pra outras funções. Assim como existem muitas pessoas que ocupam as vagas de diarista, faxineiro, gari ou lixeiro, por exemplo, por não terem estudos suficientes pra pleitear vagas com exigências maiores de formação escolar, também existem as que migram pra essas áreas quando se veem desempregadas nas áreas em  que estudaram e se formaram, seja por saturação do mercado ou por algum revés pessoal. Fato é que, em ambos os casos, onde muita gente não estiver interessada de fazer algo, alguém virá pra fazer. O grande porém é que em países que discriminam as pessoas e os serviços, a remuneração dessas áreas tende a ser precária, como é o caso do Brasil. Em alguns países no exterior, profissões como a de lixeiro são uma das mais bem remuneradas, justamente porque as pessoas reconhecem a importância desse trabalho, cientes de que, sem isso, estariam no caos. Em tais países, existem lixeiros com faculdade, casa própria, dinheiro excedente pra viajar o mundo, etc.

Há muita coisa que é relativamente fácil de se aprender e executar, mas que muita gente evita, por que tem preguiça mesmo. Quando as pessoas não pensam por conta própria, por exemplo, abrem um enorme espaço pra que colunistas de pseudo-mídias ocupem e determinem o que é que as pessoas devem “pensar”, “concluir” ou replicar aos demais como “adequado” ou “correto”. Outro prejuízo se vê quando as pessoas deixam de exercer seu potencial artístico, por exemplo, ficando sujeitas a serem meras fãs passivas de algum artista. Isso não é saudável e, por vezes, pode ser apenas uma forma de você gastar muito dinheiro pra que outra pessoa faça o que você teve preguiça de se envolver. Noto isso em inúmeros casos de famílias que optam abertamente por babás na criação dos filhos, ficando completamente omissas da função na maternidade e paternidade. Consigo entender a inscrição de filhos pequenos em creches ou em  episódios isolados de tutoria com babás, mas se isso é o padrão de uma família na maioria dos dias, certamente comprometerá a relação entre pais e filhos.

Eu, ao contrário da tendência no mundo, sou daqueles que gosta da fazer tudo (ou quase tudo) por mim mesmo. Eu amo limpar a minha casa, organizar as minhas coisas, solucionar um problema do computador, seja em hardrware ou em software, cozinhar pra mim e, eventualmente, pros outros, fazer as compras no supermercado, pagar as contas, me enveredar pela minha expressão artística e literária, ler e estudar aquilo que ainda não domino pra impor, eu mesmo, tais benefícios aos meus projetos e necessidades. Me propus a estudar Idiomas, Culturas, História, Sociologia, Psicologia, noções gerais e básicas de Medicina, Direito e diversas outras áreas do conhecimento. De certa forma, estar ativo em todas essas coisas, pra finalidades pessoais de conhecimento e lapidação, me motivam ao invés de me deixar em preguiça. Aliás, se eu tivesse 8 mãos e estabilidade financeira, faria muito mais. Por vezes, deixei de expandir minhas ideias, simplesmente porque era, no meu contexto, impossível de se fazer.

Mas, a verdade é que eu não tenho como criticar os preguiçosos, afinal é por conta deles que sobra espaço pra que os demais façam algo, criando suas carreiras e tirando seu sustento na vida. É ótimo que o mundo seja diverso, desde que as pessoas sejam conscientes de que quando escolhem não estudar e não fazer as coisas por conta própria, terão que remunerar bem quem remou contra a maré da sociedade e decidiu estudar e fazer tal coisa. Então, é preciso, pra ontem, valorizar os fotógrafos, os cozinheiros, os lixeiros, os designers gráficos, os pintores, os professores, os músicos, etc. Ou seja, se você gosta e precisa de algo que você não domina, terá que valorizar quem domina, senão tal área tenderá a ficar precarizada até sumir ou se degenerar em qualidade. Se você não investe um valor justo pra que um profissional viva dignamente e possa estudar e se aprimorar na carreira pra te oferecer sempre um serviço cada vez melhor, você está, basicamente, plantando uma realidade onde os serviços e profissionais serão cada vez piores e mais raros. E, se eles se tornam piores, não trazem bom retorno pra quem os contrata. No caso de se tornarem raros, podem se tornar caríssimos e restritos somente aos que realmente entendem o valor daquilo, ao mesmo tempo em que podem pagar por tal valor.

Então, para não dar tiro no próprio pé, é preciso saber sustentar uma modelo de trabalho com remuneração justa. A lógica é simples, mas muita gente não tem paciência ou apreço pra se ver diante dessa realidade incômoda todo dia, por isso raramente refletem sobre essa urgência. E, se muitos não refletem, lembre-se, alguém vai ocupar esse vazio e refletir por eles. Espero que tais substitutos sejam sempre pessoas bem intencionadas e capazes, pois, do contrário, o mundo acabará mergulhado em realidades cada vez piores, como ocorre no Brasil, por exemplo, onde empresas, mídias, políticos e personalidades ditam a asneira conveniente que desejam pra manipular e extrair lucro e poder em cima dos incautos na população.

Inclusive, o fato de muitos não saberem diferenciar uma pessoa capacitada e correta de uma fraude é a demonstração de como tal pessoa se absteve tanto tempo da autonomia de pensamento dos assuntos do mundo, que acabou criado e moldado pelos que vieram pra moldar e ditar a realidade trágica dessa pessoa. E claro, entre indivíduos mal intencionados, um dos primeiros objetivos é fazer o público apontá-lo como líder ou referência, assim ele pode continuar controlando as pessoas com a própria aprovação delas. Alguém que vive esse cenário onde é usado e mesmo assim apoia ou defende seu opressor, diz-se que a pessoa tem Síndrome de Estocolmo. Depois de tudo isso, afinal, de que lado você quer estar?

Rodrigo Meyer

Especial | Agradecimentos.

Por hoje, enquanto estou me reestruturando pelos próximos dias, vou aproveitar pra ler ou reler algumas coisas, interagir com mais pessoas e favorecer a escrita dos meus próximos textos. Por isso, a publicação de hoje traz agradecimentos, ao invés de um artigo.

Quero agradecer, de início, ao José Waeny, cujo blog pode ser acessado aqui e que, diante do meu anúncio de pausa na escrita, dividiu o seguinte comentário:

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“Honestamente, nunca li um texto seu que fosse ruim, ou de baixa qualidade! Não deixe de produzir e apresentar, acho seus textos profundos e densos, sempre me levam a pensar e considerar suas colocações! Abs.”

Agradeço pela motivação concedida pelo José e fico muito feliz em saber que estou cumprindo o meu propósito com os textos, que é de ser útil e suscitar reflexão sobre a vida e a sociedade.

Este projeto começou há pouco tempo atrás, com o objetivo de levantar 600 temas iniciais. Já estão publicados mais de 240 textos e sigo escrevendo, sempre que possível, pra concretizar essa intenção sincera de ajuda. Ao mesmo tempo em que estou tentando suscitar pensamentos e mudanças, deixando um legado escrito, estou também cumprindo uma certa rotina de transmutação dos meus problemas em uma solução simples, porém eficiente.

A cada novo dia que me coloco a escrever, sinto como se estivesse sendo a minha própria terapia, enquanto me noto engajado e satisfeito em estar prestando algo de bom pros outros, como sempre fiz em todas as minhas iniciativas na vida. Escrevendo, conversando, ensinando, trabalhando, produzindo arte ou simplesmente dividindo meus momentos com outras pessoas, a intenção por trás sempre foi de deixar uma marca positiva de camaradagem, honestidade, entusiasmo pelas boas coisas, curiosidade, mistério, diversão, cultura, sabedoria, verdadeira amizade, verdadeira ajuda, compreensão e empatia.

Apesar de parecer fácil estar aqui com toda essa frequência, a verdade é que manter um blog ou qualquer outra mídia, dentro ou fora da internet, é sempre um esforço contínuo. Embora seja gratuito o espaço inicial no WordPress, manter-se minimamente visto pelo público requer um esforço consideravelmente maior do que se tivesse estabelecido em um plano pago, onde há suporte pra outros recursos. Além disso, os temas aqui abordados nesse projeto dos 600 temas, quase sempre alfineta muitas bolhas e pode deixar algumas pessoas desinteressadas de ler tais realidades. São temas que provocam reflexão ao invés de permitir o conformismo com os problemas e erros.

Quando escrevo, busco sempre construir e entregar algo que realmente faça sentido, que seja bem escrito não só em termos de língua, mas em termos de argumentação e fluidez. Me preocupo em tentar escrever as frases com o máximo de clareza possível, por vezes, editando trechos, em tempo real ou na revisão posterior, pra que a experiência do leitor seja agradável o suficiente pra que ele queira estar diante daqueles temas. Em qualquer expressão de conteúdo, seja arte ou não, é importante estarmos alinhados com certas premissas, pra tornar nossos objetivos viáveis. Por aqui, meu objetivo é conectar pessoas a pensamentos autônomos, mudanças de paradigmas, reflexões pessoais, sociais, políticas e até mesmo sobre questões um pouco mais abstratas da vida e das relações humanas. Para se chegar nessa conexão, é preciso traçar um caminho eficiente como trilha conhecida para cada vez mais pessoas.

Sempre que vocês interagem com as publicações, deixando seus comentários, curtindo os textos ou compartilhando em espaços onde mais pessoas possam acessar pra ler, isso ajuda a concretizar esse objetivo e dá razão de existência para tal iniciativa. Sou ciente de que, com tantos textos que já escrevi neste e em tantos outros blogs e mídias, frequentemente os novos contatos ainda não tiveram oportunidade de ler tudo que há. Mas não posso deixar de escrever pra esperar que as pessoas completem a visita a todos os demais conteúdos. Embora não seja algo tão personalizado a ponto de segurar um indivíduo por vez e conduzi-lo até a sua plenitude, esta mídia ainda pode cumprir equivalente benefício a cada um, dependendo do modo como ele mesmo se engaja no proveito do material já publicado anteriormente.

Com alguns poucos minutos diários, é perfeitamente possível percorrer algumas publicações na página principal ou buscar algo específico na caixa de pesquisa do blog e agendar sua leitura para aqueles momentos em que você está com maior tempo livre. O hábito da leitura também é uma terapia, abrindo espaço pra que sua mente interprete essa rotina como algo fácil de se fazer. Tudo que nosso cérebro exerce por mais de 30 dias configura um hábito e uma facilidade para o indivíduo. A leitura deste ou de qualquer outro conteúdo, desde que observadas as premissas de utilidade e reflexão sincera, são as portas atemporais para absorção de conhecimento e mudança, mesmo quando nosso pensamento é aberto para outras ideias diferentes das apresentadas inicialmente. A reflexão é justamente a ferramenta neutra que lhe permite entender os pontos de um contexto e extrair alguma conclusão pessoal daquilo. A cada vez que você lê e absorve conteúdos diferentes, você amplia seus parâmetros de realidade, permitindo estar mais acurado nas suas deduções ou interpretações, tanto dos textos quanto da própria realidade. Sabedoria, em última análise, é isso. O conhecimento sozinho, não transforma, mas o que fazemos com ele, sim.

Por tudo isso, o agradecimento é também a todos os leitores que acompanham minhas publicações e que me motivam a continuar escrevendo. Estão por vir novos projetos em torno da literatura e da ação social, mas, pra não queimar largada, anunciarei na ocasião mais oportuna, quanto tudo estiver corretamente encaminhado. A propósito, aqui continua sendo um espaço aberto em que vocês podem indicar temas, comentar suas opiniões, sugerir melhorias, etc. Aproveitem e entrem no grupo de leitura do Facebook, onde vocês podem falar sobre livros, blogs e todas as formas de literatura e escrita em geral, estudar e interagir em diversos idiomas, dividindo amizades e oportunidades com pessoas sintonizadas com este meio.

A propósito, conferi o setor de pesquisas e, em breve, concretizarei alguns textos com base nos temas procurados pelas pessoas. Você também pode solicitar temas pela guia ‘contato’ do site.

Gratidão,
Rodrigo Meyer

Escrever ou não escrever? Eis a questão.

Quem lida com a escrita, certamente já se deparou com momentos onde não se sente disposto, inspirado ou com facilidade para escrever. Às vezes também paira alguma incerteza sobre a qualidade ou relevância do que se cria. Tudo isso é natural e não é diferente a nenhum tipo ou nível de autor. Penso, inclusive, que essas situações são ótimos sinais para mudarmos nossa visão do nosso momento pessoal. Enquanto estivermos, de certa forma, barrados para a escrita, devemos acatar esse distanciamento e exercer outra atividade ou até mesmo nenhuma.

Quando nos colocamos a escrever de maneira forçada, caímos na ilusão de acreditar ser produtividade. Na verdade não produzimos mais, pois não progredimos ou não demos continuidade ao que estávamos exercendo quando motivados e satisfeitos. Cumprir quantidade ou periodicidade não é garantia de qualidade e, portanto, isso não é um aumento real da produção. É muito mais produtivo poupar esforços para brilhar no próximo momento favorável, do que estar constantemente tentando fazer a diferença com algo que, no final, não será recebido pelo público e pelo autor como uma diferença de fato, exceto, provavelmente, para pior. Uma queda na qualidade é algo comum e até aceitável se houver uma certa constância no que se faz. Contudo, se notar que está diante de um episódio muito destoante de sua média de criação, é melhor mudar o foco e deixar o tempo resolver.

Pessoalmente tive inúmeros desses momentos, inclusive um bem recente. Há uma semana, aproximadamente, pausei a escrita, pois me sentia cansado pelo calor excessivo e o barulho recorrente na vizinhança. Embora eu seja apaixonado por escrever, a situação ideal é importante pra eu conseguir ser rápido e assertivo no meu modo costumeiro de produzir, na organização das ideias e no resultado final pretendido para determinado tema. Coincidência ou não, assim que tirei o foco da escrita e me voltei pra algumas de minhas outras atividades, me vi muito mais criativo e disposto por lá. Talvez a desmotivação em uma determinada área de criação seja um sinal de que outra área está clamando pra ser executada. Alternando de uma atividade pra outra, sinto como se estivesse sempre vencendo, cada momento em uma coisa diferente. Isso, no final das contas, me deixa satisfeito com o meu histórico de criação geral.

Isso me fez lembrar de uma analogia com algo que descrevi em outro texto, sobre as curvas nas estradas serem projetadas para quebrar a monotonia gerada pela constância da linha reta, pois obriga o motorista a fazer movimentos diferentes de um lado pra outro e controlar outros aspectos da direção com mais atenção. Na vida, penso que seja semelhante. Quando nos colocamos muito tempo em uma certa atividade, é preciso tirar férias ou buscar um momento de lazer. Isso nada mais é que mudar o foco para outra coisa da qual precisamos ou gostamos de fazer. Até mesmo pela Psicologia e Filosofia, fala-se que o ser humano se motiva pelos desafios e novidades e que quando se cai na mesmice, a mente parece perder a concentração ou disposição.

Inúmeras vezes me vi buscando solução pra um projeto e quando não vinha com facilidade, arrastava horas em vão até a desistência. Mas, com uma noite de sono ou uma mudança no período de criação, a solução brotava como mágica. Este seria o cenário ideal pra quem lida com criação, embora saibamos que nem sempre teremos essa liberdade, se tivermos que cumprir a tarefa por trabalho. Nas minhas atividades profissionais, sempre ocorria de agendar uma data com algum cliente e, quando estava próximo do dia, ficava torcendo pra que o cliente ligasse desistindo ou reagendando. Um disparate aos olhos de alguns, mas pra mim era a coisa mais sensata. Isso porque, fora das condições ideais, ninguém ali teria o melhor resultado para o dia. Muito melhor do que cumprir datas é satisfazer o cliente e a nós mesmos. Deixar uma marca positiva envolve não só o resultado do trabalho, mas também o modo como estamos durante o processo para atender as pessoas e compartilhar um bom semblante e uma impressão positiva sobre quem somos e o que fazemos. E, se pararmos pra pensar, isso vale pra todas as áreas da vida, independente se é trabalho ou relacionamento pessoal.

Tenho visitado muito conteúdo pela internet e a proporção de conteúdo ruim encontrada, obviamente, supera facilmente as coisas úteis. Torna-se raro encontrar um texto harmonioso, um assunto incomum, um humor criativo, uma foto que não seja mais do mesmo, uma arte que se possa chamar de ‘autoral’ de verdade, etc. Há vezes em que fico com a impressão de que estou diante de uma falha nos sites, tamanha é a quantidade de coisas que se repetem em tempo real. Pude ver um exemplo triste disso ao montar meu espaço no Pinterest. Visitando o feed para encontrar fotos de determinados temas, vi inúmeros usuários que dispunham de cópias de uma mesma imagem, mas alimentando o site como se aquilo fosse uma inserção nova. Uma coisa é usar o recurso da plataforma pra agrupar e organizar as imagens encontradas numa apresentação simbólica das referências em um álbum (pois é esse o propósito do site) e outra, completamente diferente, é absorver conteúdo do próprio site para recolocar ao ar um novo arquivo mas com o mesmo conteúdo. E quando não são as tais cópias, são imagens com muita semelhança, nas cores, na ideia, no ângulo, na luz, no estilo, etc.

O resumo: o mundo não está criando, só está reproduzindo. Isso é o que acontece quando as pessoas não estão inspiradas a fazer, mas precisam, a todo momento, preencher lacunas imaginárias na internet ou na vida. É a compulsão por criar, sem criar. Vejo isso de forma mais evidente no Youtube, por conta dessa nova tendência de mídia e de trabalho. Por lá, na esperança de atingirem cada vez mais tempo de visualização e dinheiro, as pessoas estão vivendo para a internet full time. Esse excesso de produção de “conteúdo” tem gerado uma tonelada de tráfego de dados desnecessários. Em algum tempo os servidores dessas plataformas serão um cemitério bizarro dos efeitos da compulsão humana em gerar. Do outro lado da moeda, as coisas úteis estão sob risco. Recentemente assisti a notícia de que fanáticos “religiosos” estavam destruindo peças históricas de Nimrud, a antiga cidade síria. Monumentos de valor incalculável viraram pó diante de explosivos e marretas. Enquanto nada se cria de útil, destrói-se o que já foi criado. Nesse ritmo o mundo será um imenso vazio, dentro e fora das cabeças humanas. Estamos cavando nossa própria extinção, como se soubéssemos, consciente ou inconscientemente, que não somos dignos de estar aqui.

Essas situações tristes da vida nos ensina algo que corrobora com o tema inicial desse texto. Mostra que forçar-se a preencher lacunas apenas para crescer infinitamente é o exato caso das células cancerígenas. Sem propósito e sem utilidade, tomam o corpo até a morte. Por essa razão, diante de momentos pouco interessantes, eu faço pausas com o maior orgulho. Paro de escrever, de pintar, de ler ou até de socializar. Volto quando tenho algo relevante pra dividir, algo proveitoso pra mim e pros outros, que seja fruto de uma sincera vontade de expressar, com disposição, com capacidade, com qualidade, com sentido, etc. Na ausência de uma expressão útil em algum momento na vida, um hiato vale ouro.

Rodrigo Meyer

O que causa seus bloqueios criativos?

Um assunto recorrente nas área de criação, como é o caso da Literatura, são os chamados ‘bloqueios criativos’. As pessoas se sentem sem inspiração ou ideias para concretizar uma tarefa relacionada a criação. Talvez lhes falte mais do que criatividade ou talvez estejam sobrecarregadas de outros aspectos que impedem que a criatividade flua. Façamos uma reflexão sobre isso.

O ser humano é, por essência, um ser criativo. Nascemos em determinado contexto e aplicamos nossa percepção de mundo para compreendê-lo, dominá-lo e mudá-lo. Em parte, isso é a expressão da nossa criatividade, a capacidade do ser humano de criar coisas novas, diferentes, úteis ou que suscitem transformações. Está ao nosso alcance o potencial de cumprir essa criatividade sempre que for necessário. Contudo, o modo como vivemos pode interferir na fluidez desse processo.

Quando eu era criança, gostava muito de escrever. Era bem comum juntar um punhado de folhas, nem que fossem destacadas de uma agenda telefônica. Gostava de me sentar sozinho e transpor minha imaginação ou meus dramas para o papel. Se isso refletia qualidade é outra história e, para fins de criatividade, não importa, pois o aspecto essencial daquele processo permanecia sendo a criatividade. Hoje em dia, muitas pessoas atribuem o termo “criativo” para algo que pareça genial ou muito bem elaborado. Mas não é isso que deve representar o exercício da criatividade. Ser criativo é estar simplesmente dando vazão para a criação. Em oposição a isso, temos aquela sensação de vazio ou embargo, como se não conseguíssemos executar nada. Perceba que, o simples fato de concretizar uma criação é um ato criativo, é expressão de criatividade, fazendo oposição ao vazio e a inação.

Com o passar do tempo, eu acumulei muitos manuscritos. Não existia computador na época e tardou o meu encontro com uma máquina de escrever. Eu escrevia entre cadernos, bordas de livros, página avulsas e até pelos vidros embaçados do espelho. Anotava tudo que me brotasse na mente. Executar esses processos me permitia colocar tudo pra fora. Filtrar o que era bom ou proveitoso para algo, era outro momento. Mas, assim que despejava aquelas ideias pra fora da mente, cumpria um processo e eliminava um peso ou incômodo, mesmo que fossem sutis. Esse hábito de estar sempre criando me permitiu olhar o mundo com novos olhos, pois estava sempre à um passo além do nada anterior. Mesmo que muitas de minhas ideias nunca tivessem gerado nenhum fruto, elas nunca brotaram em vão, já que o próprio processo de colocá-las pra fora me foi útil.

Bloqueios criativos existem e parecem desconectar nossa mente das coisas e das ideias. É como se estivéssemos em um mundo diferente e que não pudéssemos mais interpretá-lo ou dominá-lo a nosso favor. Quando isso acontece, é preciso entender quais são as condições necessárias pra que uma ação criativa aconteça. Não se pode esperar que as coisas surjam magicamente apenas por desejarmos que os resultados surjam. Embora isso seja parte de uma equação maior de motivação, o ato criativo depende, apenas, da necessidade de se criar algo. Pode parecer óbvio, mas, infelizmente, muita gente não se atenta a isso. Vejo muita gente idealizando um futuro onde possam se tornar tão criativas quanto outras pessoas às quais elas admiram, como se isso fosse um dom milagroso. A criatividade colocada em prática é nada mais que cumprir a necessidade de se criar algo. Quando nos sentimos compelidos a fazer algo, isso traz, automaticamente, a tal criatividade.

Assim, o bloqueio criativo seria como a consequência da falta de necessidade de se criar. É muito difícil inventar o que não se precisa, por isso, tudo que se inventa é pautado nas necessidades humanas. A roda para o transporte, a lâmpada para a luz, o detergente para desengordurar. Se não temos, dentro de nós, motivos para criar, não temos também as guias para este processo ou a pauta dessa criação. O que vamos escrever, pintar ou inventar, se não precisamos de nada? Querer resultado sozinho é querer o impossível. Mas, se tivermos na mente uma necessidade observada na nossa vida, nossa mente ou nosso mundo, aí temos algo com o que lidar, um caminho com começo e destino. Criar, então, torna-se a tentativa de ligar esses dois pontos entre a necessidade e a sugestão de solução ou mesmo de pesquisa. Independente de resultados em tempo e/ou qualidade, estaremos criativos enquanto estivermos ativos na criação.

No campo da Literatura vi muita gente desistir da criação de livros, pois diziam não conseguir começar. Isso nunca me desceu pela garganta. Pra mim, não existe essa ideia de que não se pode começar algo. Talvez as pessoas desistam de tentar, por não encontrarem algo que lhes pareça satisfatório, pronto e acabado. E esse é o maior entrave pra quem deseja exercitar a criatividade. Escrever um livro, por exemplo, consiste, basicamente, em ter algo pra contar, mesmo que você não goste do resultado inicial. É permitido errar, errar novamente e seguir errando até descobrir que tentar e errar ajuda a compreender o que se pode fazer de diferente. Se você está tentando encontrar uma carta no baralho, cada vez que você encontra as indesejadas, vão aumentando suas chances de encontrar a carta certa. E é só isso que precisamos fazer nas nossas tentativas de criar qualquer coisa. Aprende-se muito errando, mas só erra quem faz alguma coisa. Siga criando, coloque em prática suas necessidades e verá como tudo começa a ser um constante jogo de ligar pontos. Mas nunca se esqueça que sem a necessidade, você não terá nada além de uma folha em branco e uma mente frustrada.

Essa é a dica que eu dou pra quem deseja trazer a novidade, criar um poema, escrever um artigo, fazer um desenho, cantar uma música, cozinhar algo novo, decorar a casa ou programar um software. Não importa em qual atividade você esteja, não haverá nada de consistente pra se buscar, se não houver, antes, uma demanda consistente por algo, uma necessidade por um serviço, um produto, uma expressão de ideia, um ativismo, etc. Tudo que o ser humano faz é pautado nos impulsos diante das necessidades pessoais ou do mundo. Tais necessidades, claro, podem estar vinculadas a aspectos emocionais, racionais ou de qualquer outra natureza. Então, se você achar que está com bloqueio criativo, pergunte-se qual é a necessidade que você tem para aquela criação. O mundo precisa dela? Você tem uma razão pessoal pra expressar aquilo? Às vezes nossa necessidade em determinado momento é de silêncio. Nem tudo na vida é só criação; o mundo também é feito de pausas, contemplações e até de destruições. Harmonize-se com um estilo de vida mais realista para evitar frustrações.

Rodrigo Meyer

Eu e o Hiperfoco.

Por conta de uma condição específica, nasci com várias características de uma lista. Entre elas está o Hiperfoco. Me sinto confortável com isso e penso que é devido à esta característica que eu consegui ir tão longe em alguns temas.  O Hiperfoco é a característica ou capacidade de concentrar-se em uma única coisa por muito tempo. Algumas pessoas podem passar horas ou dias mergulhadas no mesmo assunto ou atividade e algumas chegam a levar esse tema pra vida toda. O Hiperfoco pode mudar de tempos em tempos, o que permite que a pessoa desenvolva com intensidade várias áreas do conhecimento.

Em outros textos, contei um pouco da minha experiência com a Literatura. Em certas épocas da minha vida, estive tão focado em escrever que conseguia produzir um livro inteiro em um ou dois dias. Escrever cem ou duzentas páginas não era difícil, mesmo levando-se em conta a qualidade do conteúdo e a coerência da estrutura do idioma. Eu sempre fui apaixonado por expressão. Muita coisa foi levada pelo campo da imagem, pois sempre fui uma pessoa muito visual. Mas, a Literatura sempre me encantou também, principalmente quando me vi aspirando as possibilidades do Cinema com suas histórias e scripts incríveis.

Passei a escrever poemas, frases e livros maiores com dramas ficcionais. Além dessa passagem profunda, nunca deixei de escrever em outras mídias “menores”, como em páginas temáticas e blogs. Atualmente escrevo pra mídias de Fotografia, Viagens, Astronomia, Sociologia, Artes em Geral, Comunicação, Design Gráfico, Empreendorismo, Cultura Underground e diversas outras coisas. Não consigo me imaginar sem tudo isso. Embora sejam áreas relacionadas, cada uma delas tem um universo próprio que exige um domínio e devoção próprios pra você contextualizar aquilo e acertar o conteúdo diante das necessidades do público que forma a demanda.

E porque estou a contar tudo isso? Pode ser uma boa reflexão sobre esforço e qualidade, mesmo que você não tenha a característica nativa do Hiperfoco. Você pode escolher se dedicar em algo que goste ou precise muito e, assim, transformar algo pequeno e superficial em algo maior, mais relevante e mais assertivo. Você pode sair de uma zona de conforto onde pouco ou nada produzia e tornar-se alguém de destaque em um determinado assunto ou segmento. Com este incentivo em mente, talvez você não se torne o melhor de todos, mas certamente vai ser melhor que você mesmo, progredindo suas possibilidades a cada dia. Seu potencial pode ser revisto e isso não é algo que deve ser ignorado.

Muitas das coisas das quais não somos tão bons, podem ser estudadas e aprimoradas ao ponto em que possamos superar as expectativas alheias. Você pode surpreender seus professores, seus colegas de trabalho, seus clientes e a você mesmo, dedicando esforço concentrado em dominar algo. Mas é importante que você filtre o foco em algo que você goste ou precise muito, pois isso será o fator crucial pra te manter preso à esta atividade, mesmo em mergulhos mais fundos e/ou longos.

Apesar de aparentar que eu não estou grande parte do tempo envolto nos textos deste blog, a verdade é que, por entendimento das necessidades da ferramenta, eu me limito a postar no máximo 2 textos por dia, ficando, preferencialmente, restrito em apenas 1. Isso ajuda na visibilidade dos conteúdos e na absorção por parte do público. Eu poderia completar o restante dos temas para fechar a lista de mais de 600 temas que predefini, porém isso seria o mesmo que desperdiçar munição. O meu objetivo com estes textos é de que sejam lidos e aproveitados pelo público, de forma que haja transformação do pensamento ou conduta mediante a reflexão que possa ser feita.

Assim, enquanto eu não posso acelerar demais aqui, uso as outras mídias de temas variados, como uma maneira de continuar criando. Ter uma diversidade de temas para produzir ajuda a me manter na Literatura, porém me desvia um pouco da concentração nos temas, o que, de certa forma, freia um pouco o potencial geral. Ainda sim, pra mim, é melhor do que ficar muito tempo sem escrever. Essa também seria uma recomendação pra quem deseja se ver motivado em algum projeto. Se suas atividades exigem que você seja menos frequente do que gostaria, tente incluir outras atividades ao redor, mesmo que por hobby, pra que você não desacelere. Isso me faz lembrar de uma estratégia semelhante que as pessoas costumam usar em corridas. Quando elas estão correndo pelas calçadas e são obrigadas a diminuir o ritmo para cruzar um semáforo fechado para pedestres, elas mantém o ritmo cardíaco e da atividade física, dando saltinhos para não ter que frear o ritmo geral do corpo. Isso ajuda a manterem-se aptas a seguir a corrida com o mesmo potencial, assim que o semáforo abrir para elas.

Essas foram algumas dicas importantes que podem ajudar pra você, independente de suas características nativas. Acredito que fazendo uso de intervenções criativas você pode transformar problemas em soluções e chegar mais longe. Não tenho o hábito de solicitar, mas como faz algum tempo que não escrevia nesta mídia, seria de grande utilidade se pudesse compartilhar o texto em sua rede social preferida ou indicar o conteúdo pra algum amigo ou colega de trabalho. Isso vai ajudar a mais pessoas passarem pela reflexão deste artigo em específico ou mesmo de poder conhecer os outros textos já publicados. Obrigado.

Rodrigo Meyer

O mundo das coisas comuns e previsíveis.

Eu “não sei” vocês, mas eu sempre vivi querendo ser surpreendido. Nunca me contentei com a mesmice, nunca me interessei pela rotina, pelas coisas comuns, pelas pessoas previsíveis, pelas situações banais. Três décadas e meia depois ainda estou a procura de algo que me surpreenda, principalmente por não ter encontrado muita coisa, apesar de tanto tempo passado.

Pra quem vive nessa realidade, é difícil se interessar pelo que acontece na Terra, porque aqui é o planeta da roda quadrada, onde, geralmente, nada de interessante acontece e tudo é tão óbvio que Nostradamus perderia a função ao tentar prever qualquer coisa, afinal todos já saberiam, com detalhes, o que ocorreria.

Querendo ou não, estou nessa sociedade que me faz bocejar. É fácil saber pra onde estão indo, o que estão pensando, até onde se estendem seus pensamentos, quais são seus preconceitos e suas vontades. Isso sem falar que, nas poucas vezes que algo ou alguém surpreende, uma grande parte é uma surpresa pra pior. Imagine quão restrita é a surpresa boa nessa equação. Simplesmente deixo as expectativas de lado e se algo ruim vier, não terá sido mais do que o já esperado e se algo bom ocorrer, ótimo. Dessa forma, não fecho as portas pras coisas boas, mas também não crio expectativas em vão pro restante. Menos expectativas, mais vida.

É preciso vigiar a nós mesmos, nossa realidade, nossas metas, nossas posturas. Às vezes nos damos conta de nossas falhas em um determinado dia, mas minutos depois já ignoramos o tema todo e seguimos errando. Assim não há progresso. Nisso também não há surpresa, pois não é preciso ser especial pra saber que o ser humano desiste muito rapidamente de suas tentativas de melhorar.

As pessoas acham que não fazer nada é mais cômodo, pois erraram tanto e tantas vezes que qualquer mudança parece um esforço sobre-humano.  É aquela velha analogia de ter varrido tudo pra debaixo do tapete e na hora de encarar aquela sujeira toda tem uma imensidão de lixo acumulado ali por baixo. Por isso, tão mais fácil é ir resolvendo os pequenos problemas ao longo do caminho sem ter que parar nem ter muito esforço pra melhorar. Subir uma escada do primeiro ao segundo andar é mais fácil do que dar um único pulo pra tal altura. Isso ninguém pode negar. E uma boa maneira de melhorar nesses quesitos é começar a rever quais das coisas você ainda é ou faz e aceitar as mudanças que forem úteis e necessárias. Deixe o passado pros arqueólogos.

Pra evitar um mundo comum e previsível, precisamos parar de postar as mesmas frases, de replicar as mesmas imagens, de usar as mesmas cores, de nos prender as mesmas fontes, de conversar com as mesmas pessoas, de tirar as mesmas fotos, com as mesmas poses. Se quisermos mudar o marasmo da repetição inútil e chata de tudo isso, precisamos agir. É preciso que seja extinto o conformismo com o vazio e superficial. Ou você dá sentido forte e verdadeiro à algo ou então é melhor deixar passar brevemente. Não perca tempo nas coisas sem valor. Dedique mais tempo num abraço sincero e apertado do que em horas e mais horas na companhia de quem não soma nada.

Às vezes de madrugada, onde não há carro algum pelas ruas, vejo gente parada no semáforo vermelho, sem a menor necessidade, feito zumbis amarrados a um cabresto. Não conseguem pensar por si só. Estão acostumadas a repetir o “pensamento” e a ação. Estão condicionadas a tudo, mesmo quando não precisam e/ou quando não deveriam. Tenho quase certeza que se colocasse um semáforo vermelho que nunca mudasse pra verde, no portão da casa das pessoas, elas parariam e nunca entrariam em casa. São incapazes de gerir suas próprias realidades. São inaptas pra vida. São só marionetes de algo que nem elas sabem o que é. Aguente o tranco, mas pra mim isso tem nome: desperdício de átomos.

Abro os grupos de Facebook com vontade de ver alguém dividir conhecimento e conteúdo, mas, claro, tudo que encontro por lá é mais do mesmo. É gente atoa que, por não saber o que fazer da própria vida, torna a vida dos outros igualmente inútil. Pela internet falta humor, falta argumento, falta arte, mas sobra preconceito, ignorância, mentes fracas. Todos querem, poucos oferecem. Todos podem, poucos fazem. Nenhuma surpresa.

Te desafio a contabilizar quantos grupos de Facebook possuem o mesmíssimo tema e função. Ao invés das pessoas ampliarem o potencial de um grupo, elas se espalham em milhares de outros idênticos, o que não ajuda, afinal, se faltou propósito para a criação de algo novo, esse novo já começou sem valor algum. União é vital se quiserem colidir com mais opiniões, mais pessoas, mais pontos-de-vista, mais possibilidades, mais diversidade. Tudo bem criar um ouro grupo, se achar que os valores e rumos de outro não satisfaz seus propósitos e ideais, mas criar centenas de grupos idênticos chega a ser patológico.

Abro os vídeos do Youtube e tenho vontade de me balear na cabeça. É um mar de entulho que não agrega absolutamente nada pra minha vida em nenhum aspecto. As pessoas já não conseguem raciocinar enquanto falam. Apenas falam. Chegam ao estado letárgico de apenas narrar o que veem. Olham pra uma parede e começam: “Aqui uma parede branca, do lado de uma parede também branca. E aqui, acima, tem o teto, branco também, como vocês podem ver.”. Fico torcendo pra surgir um guindaste pegando fogo pra interromper aquela inutilidade toda.

Felizmente sou salvo por alguns autores que quase sempre trazem algo legal de se absorver. Mas pense comigo: Não dá pra viver de meia dúzia de gente só. Essas pessoas não são uma fábrica infinita de conteúdo. Só a diversidade nos salvará. Precisamos de bilhões de pessoas produzindo e movimentando o mundo. Seria o equivalente a ler um livro de 200 páginas onde só seis páginas são interessantes e o restante são páginas em branco. Melhorem.

Vou procurar filmes e livros e aí descubro pra que serve a opção de fechar o navegador. Vou ao Google e, independente do que eu digite na busca, os resultados são sempre uma enxurrada de entulho. Notícias falsas, sensacionalismo, lunáticos empurrando produtos, cursos, vendas, mais vendas, vendas de novo e vendas. Se ao menos fossem cursos ou produtos bons. Geralmente é só mais do mesmo em um mundo onde a fraude reina. E, exatamente, as pessoas só podem oferecer o que possuem.

Recentemente um bar com música ao vivo fechou e eu me senti um pouco mais órfão de conteúdo, pois já não existiam opções por aqui onde eu moro e agora tenho que aceitar que a música também está morrendo. Aliás, vale destacar que apesar de ser um bar de música ao vivo, a maior parte das bandas que se apresentavam por lá eram covers, tamanha a previsibilidade do ser humano. Criar, jamais. Imitar, sempre. E ainda há quem chame isso de homenagem às bandas originais. Como uma cópia pode ser uma homenagem à originalidade? Chega de mais do mesmo!

Estamos em 2017 e ainda somos totalmente dependentes do passado. Ligamos o rádio pra ouvir clássicos, pois ninguém está produzindo nada de relevante atualmente. Antigamente os rádios é que apresentavam as músicas ao público e hoje em dia é o público que pede as músicas que quer ouvir na rádio. Assim, só escutam o que já conhecem. Deplorável.

Nos meses recentes fiz uma faxina geral na minha vida, dentro e fora da internet. Uma desconexão com uma tonelada de coisas que só estavam lá paradas, sem nenhuma função. O desvalor de tudo aquilo estava pesando. É o famoso peso morto. Odiamos carregar algo que não nos serve pra nada. É como carregar um guarda-roupas pesado nas costas, apenas pra irmos até o bar e voltar.

Por muitos e muitos anos venho praticando a ideologia do minimalismo com o lema “reduzir, reduzir, reduzir”. Isso tem me aberto muito espaço para criar. As pessoas se questionam como ou porquê tenho tantas atividades, em tantas mídias diferentes, diversas funções e profissões. Eu não consigo olhar pra escassez e não me sentir compelido a preencher com algo pra criar. Isso é o que me faz estar em tantas frentes ao mesmo tempo. Mas como consigo isso? Sobra tempo? Claro que sim. Especialmente porque na prática do minimalismo jogamos fora tudo que não tem serventia real. Depois que eliminamos todo o entulho, sobra tempo, espaço e vontade pra gerir as poucas coisas que de fato nos valem de algo.

Cabe a nós, então, aproveitar o momento e fazer com que essas coisas sejam realmente interessantes, fora do comum, não previsíveis. Não é fácil, especialmente depois que fomos moldados socialmente a viver feito zumbis, copiando tudo, incapazes de sermos nós mesmos e pior que isso, muitas vezes sem nem sabermos quem somos pra poder exercer nossa essência. Estamos literalmente mortos e só haverá alguma chance se um dia resolvemos nos opor a mesmice e começar a abrir os olhos e a mente para o novo, para a diversidade. Surpreenda o mundo, surpreenda-se. Todos saem ganhando.

Rodrigo Meyer