Crônica | Pensar é crime.

Por quase todo canto que chego, as pessoas querem que eu abdique do cérebro, da reflexão, do questionamento, da verdade, da curiosidade, do raciocínio, da inteligência e do senso crítico. Se incomodam com tudo isso, porque isso evidenciava aquilo que eles mesmos não querem fazer. E não fazem. Se eu estivesse apenas feito um zumbi rindo de uma asneira qualquer, assistindo algum lixo tóxico da televisão ou internet, gastando meu tempo em conversas de elevador, ou gritando aleatoriamente, estaria camuflado entre estes. Mas, escolhi fazer diferente, escolhi, desde cedo, ser eu mesmo, alguém que já tinha esse impulso nato pela curiosidade e, feliz ou infelizmente, uma inteligência acima da média. Não é algo pra se gabar, ainda mais em um mundo onde tal exceção é um fardo para a socialização e aceitação da sociedade precária. Quando temos visão melhor e mais rápida sobre as coisas, não nos contentamos com a maioria das coisas. Depressão? Claro, veio como um tiro, desde criança. Mas, se eu pudesse escolher estar na média? Não sei. Dizem que os idiotas são mais felizes, justamente porque não veem problema em nada e se contentam com pouco. Mas será que valeria a pena atravancar as possibilidades de progresso e satisfação pessoal, só pra ter essa ilusão de felicidade? Reflexões! Reflexões que só são possíveis justamente porque estou onde estou, sou quem sou e faço o que faço. Eu gosto mesmo é de pensar. Sou contemplador e explorador da vida, no sentido mais aventureiro, nessa trilha de mistérios que é o Universo. Cada vez que eu penso, evidencio um não-pensante, mesmo sem querer. Aquilo que eles não entendem (ou não querem tentar entender), soa como errado, soberba, rispidez, insistência. Durante minha vida toda, simplesmente por escrever, muitos achavam que eu queria ser mais do que era. O que eu sei é que eles queriam ser menos do que poderiam ser. E foram. E todos os lados perdem com isso.

Rodrigo Meyer

Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

Especial | Aulas de Redação.

O mundo traz novas oportunidades quando lapidamos nossos processos e objetivos. Aprender a escrever bem é uma destas ferramentas e hoje vou te apresentar uma sequência de aulas que você poderá fazer diretamente da sua casa, através de vídeo-chamadas por skype. Escolha o horário e a frequência de aulas de maior comodidade pra você. As aulas estão compostas em 9 sessões e 2 tópicos por sessão.

Sessão 1:
+ Como fazer uma introdução de um texto.
+ A importância do começo, meio e fim.

Quebre o gelo com a escrita e entenda algumas regras de redação que fazem tanto o autor quanto os leitores se ambientarem ao conteúdo, com interesse e fluidez.

Sessão 2:
+ Aprenda a ser conciso e completo.
+ Estruturando uma argumentação.

A regra da eficiência pressupõem que você diga o maior número de informações com o mínimo de texto possível. Portanto, para não sacrificar seu conteúdo, a redução deve ser planejada com criatividade e inteligência.

Sessão 3:
+ Redação publicitária.
+ Textos persuasivos.

Quando você está escrevendo para um público ou objetivo específicos, existem premissas importantes na sua linguagem e na composição do seu texto, em termos de hierarquia, valores e psicologia. Passar a mensagem correta é construir uma percepção de sentido e valor.

Sessão 4:
+ Como criar títulos funcionais.
+ Tamanho mínimo, médio e máximo de um texto para redes sociais, blogs e livros.

Aprenda a criar títulos curtos, fortes e atraentes que representem muito bem a essência de cada texto. Para ser lido, você precisa ser notado. Descubra também alguns parâmetros sobre o volume do seu texto, truques de edição e questões relacionadas ao seu público leitor.

Sessão 5:
+ Definindo temas para escrever.
+ Encontrando seu estilo de escrita.

Desenvolver a literatura é parte de um hábito. Encontrar temas interessantes e adequados, estão intimamente relacionados com quem você é e qual imagem você deseja passar. Atrelado a isso, encontrar seu estilo te fará único e é exatamente essa característica que te abre espaço entre os demais.

Sessão 6:
+ Estilos literários (conto, prosa, poesia, artigo, etc.)
+ A importância da imagem como suporte ao texto.

Muitas são as possibilidades de expressão. Entenda cada uma delas e conheça as primeiras portas para se aprofundar nas suas escolhas. Depois de ter se estabelecido como autor, é preciso entender um pouco mais da sua própria apresentação. É hora, então, de pensar como funciona a comunicação das imagens que acompanham seu texto.

Sessão 7:
+ Tire dúvidas de ortografia e gramática.
+ Reescrevendo frases em um modo curto, compreensível e sem repetições.

Refine seu texto com um constante aprendizado do idioma. Uma escrita correta e coerência no uso de certas expressões, vão elevar sua credibilidade diante do público e atrair mais pessoas para o que você tem a dizer. Quando você se torna inteligível ao seus leitores, você cria uma conexão sem ruídos.

Sessão 8:
+ Adequando a linguagem e o tamanho do seu texto ao seu público.
+ Consulta de fontes de referência pra dados.

Tão importante quanto escrever correto, é entender os vários ambientes e contextos de leitura. Adequar a linguagem sem cair em clichês ou empobrecimento da escrita é importante pra se manter como referência de confiança pra seus leitores. Transpor naturalidade nas suas frases e dados, exige embasamento e tato.

Sessão 9:
+ Melhorando sua segurança / confiança no ato de escrever.
+ A importância da estética e do ritmo na leitura.

Agora que você já tem as ferramentas para escrever textos eficientes, seu sucesso está mais próximo. Continue escrevendo, perceba os momentos e gatilhos dessa atividade e entenda quais são os fatores que te dão confiança em ser autor. A medida em que você aprende a envolver os leitores ao longo do seu conteúdo, você garante um lugar ao sol e essa é a chave também para você se envolver de forma confiante com sua própria atividade de escrita.

Extra:
+ Grupo Vip.
+ Leituras, análises e correções.

Ao adquirir as aulas, você tem o benefício de participar de um grupo exclusivo no Facebook, somente para alunos do curso, onde você pode enviar seus textos pra que eu possa tirar suas dúvidas, dar dicas, ler e opinar sobre os conteúdos, fazer correções e muito mais.

Investimento:  Apenas R$ 270 reais, equivalente a R$ 30 reais por sessão.
Duração: 90 minutos por sessão com 2 tópicos.

Datas:
Uma vez contratada as 9 sessões, você é quem escolhe o melhor dia, horário e frequência das aulas. Escolha quando começar a primeira e quando retornar para cada uma das próximas.

Dicas: Devido a carga horária e a frequência de sessões, pode ser útil programar e reservar suas datas e horários. Faça no seu tempo disponível e no ritmo que lhe for confortável ou conveniente e, certamente, irá desfrutar de todo o benefício desses conteúdos.

Inscrições e Pagamentos: Você pode adquirir o curso através de pagamentos por PayPal ou PagSeguro, garantindo segurança e praticidade pra ambos. Através dessas plataformas, você pode controlar que os pagamentos só sejam liberados a mim se você efetivamente receber o serviço combinado. Para solicitar mais informações ou se inscrever, entre em contato por mensagem inbox na minha página no Facebook.

Rodrigo Meyer

Muita demanda, pouca oferta.

O ser humano, geralmente, está em busca de alguma oportunidade de se destacar em uma atividade, mas as pessoas, frequentemente, possuem preguiça ou desinteresse para específicas atividades ou áreas de estudo e, justamente por isso, estas oportunidades sobram pra quem tenha disposição e interesse de ocupá-las. É como diz a expressão: “A preguiça de uns é o trabalho de outros.”.

Quando tive a oportunidade de entrar pra faculdade de Ciências da Computação, foi interessante ver quão poucas turmas e cursos haviam pra esse segmento. A sala começou com mais de 40 alunos e gradualmente foi esvaziando. No final do curso sobraram apenas umas 5 pessoas que se diplomaram e foram elas que colheram os frutos disso, ao poder brilhar em suas carreiras. Da única pessoa que eu conhecia e mantinha contato nessa fase pós-faculdade, sei que a pessoa fez ótimo proveito da carreira. Estudou pra valer, se concentrou no necessário e teve trabalhos interessantes, inclusive com a oportunidade de reinvestir em si mesma para novos cursos, viagens e aprendizados. Em resumo, em uma sala onde nem todos estavam dispostos a seguir naquela profissão ou estudo, alguns estavam e, por isso, saíram na frente.

Mas a vida é múltipla. Quando saímos de uma área ou nem sequer entramos nela, temos a oportunidade de ir pra outra atividade. Contudo, algumas atividades são tão comuns, que estão saturadas. É o caso da área de Direito, onde muita gente se forma, mas a seleção da OAB filtra, por prova, os melhores, justamente pra não saturar o mercado de gente que vai acabar não tendo espaço pra exercer a profissão pretendida. Diversas outras áreas também se tornaram “febre”, por assim dizer, deixando áreas menos comuns com menos interessados e, portanto, com menos concorrência. A concorrência em si não é ruim, mas quando o mercado se satura exclusivamente de umas poucas profissões, isso desestabiliza a sociedade, pois o mundo não precisa só de meia dúzia de tipos de profissionais, serviços ou produtos. Então, a diversidade é mais saudável e útil para a própria sociedade, tanto coletivamente, quanto pelo benefício pessoal de conseguir se estabelecer profissionalmente como indivíduo.

A realização pessoal de muita gente acaba revista quando notam que, embora gostem de uma determinada área, não conseguem sobreviver com a realidade do mercado gerada em um contexto de saturação ou de desvalorização. Ocorre, também, das pessoas terem expectativas muito otimistas sobre determinada profissão ou área de estudo e acabarem frustradas ao descobrir que, na prática, não é tão glamouroso como pensavam. Tudo isso gera uma adequação quase que automática, colocando pessoas indispostas para fora de uma atividade e segurando as que se adequaram. Não há problema algum em se descobrir incompatível ou desinteressado com determinada área. Tudo que temos que fazer é exatamente nos descobrir, pra podermos fazer escolhas mais assertivas. Foi assim comigo quando abandonei a faculdade de Ciências da Computação por ver que não estava apto a lidar com tanta matemática enquanto ainda tinha que tentar absorver os princípios da computação em si. Admiro quem consegue e sigo interessado pela área, mas só volto à mergulhar nela se eventualmente me sentir apto a lidar com a quantidade de matemática que me freou na época.

Ao invés de me sentir frustrado, eu segui para outro curso. Fiz a faculdade de Comunicação Social e realmente me senti entretido o suficiente pra chegar até o final das aulas. Foi uma experiência muito boa pra mim, especialmente pelos professores que conheci e pelos momentos divididos entre as pessoas da época, pelos corredores, bares e casas noturnas. Mas, meu objetivo neste curso, por já ter conhecimento na área, não era ter determinados tipos de emprego como era pra todos os demais alunos. Pode-se dizer que fui a ‘ovelha-negra’ do curso, mas sigo tirando proveito e trabalhando com isso exatamente no espaço deixado pelos demais. Enquanto eles tentam ocupar uma área que, pra mim, era insatisfatória, discordante e saturada, eu escolhi atuar justamente onde ninguém tinha olhos ou interesse: apoiar pessoas, causas e pequenos negócios com ajuda do conhecimento que eu tinha. Apesar de não ter dinheiro pra gerir minhas próprias iniciativas nesses meios, consegui alavancar muito bem minhas mídias e ideias, até o ponto onde elas só não progrediram pra algo maior, por essa barreira financeira. Isso mostra que ocupar uma área onde outros não querem, pode ser bastante próspero, desde que haja suficiente apoio inicial.

Usando um dos exemplos que eu conheço, por conta da minha proximidade com o tema, cito a própria área de programação e TI, onde os salários propostos pelas empresas podem chegar a fantásticos R$ 100 mil reais por mês, justamente porque existe tanto potencial na informática e tão poucos programadores disponíveis, que um salário alto é a forma que encontraram de tornar a área atraente pra que mais pessoas se formem em computação, análise de sistemas ou alguma coisa relacionada a TI, podendo, assim, ocuparem as vagas que as empresas mais valorizam atualmente. Dessa escassez, pode-se encontrar até mesmo oportunidades como ter o curso de faculdade bancado pela empresa que pretende lhe contratar ou mesmo de ter uma vaga de trabalho praticamente garantida já no segundo ano de faculdade. Além disso, inúmeros brasileiros são tentados a trabalhar como programadores no exterior, justamente pelo combo salário + qualidade de vida de determinado país (frequentemente na Europa) ou, então, por poder estar em uma empresa renomada internacionalmente como Google, Microsoft ou Facebook.

É claro que estar ausente desse mercado não é, por si, sinônimo de preguiça. Há pessoas que simplesmente se esforçaram ao máximo pra tentar, mas não conseguiram, por inúmeras razões possíveis. Algumas pessoas não possuem condição de bancar um curso até o fim, outras não conseguem passar na seleção de uma faculdade pública e outras simplesmente podem ter se visto destoantes do tipo de estudo ou realidade de determinada área ou profissão.

Contudo, em várias outras atividades da vida cotidiana, é sim a preguiça de uns que abre portas para outros profissionais. Quando as pessoas não querem ter que lavar a própria louça, o carro ou casa, estão abrindo uma demanda pra que outras pessoas façam isso. Geralmente, em nossa sociedade discriminatória, esses trabalhos são evitados pelas pessoas com mais renda, renegando as pessoas de menor renda a aderirem a esses trabalhos que ninguém quis fazer, por demanda e por falta de capacitação ou espaço pra outras funções. Assim como existem muitas pessoas que ocupam as vagas de diarista, faxineiro, gari ou lixeiro, por exemplo, por não terem estudos suficientes pra pleitear vagas com exigências maiores de formação escolar, também existem as que migram pra essas áreas quando se veem desempregadas nas áreas em  que estudaram e se formaram, seja por saturação do mercado ou por algum revés pessoal. Fato é que, em ambos os casos, onde muita gente não estiver interessada de fazer algo, alguém virá pra fazer. O grande porém é que em países que discriminam as pessoas e os serviços, a remuneração dessas áreas tende a ser precária, como é o caso do Brasil. Em alguns países no exterior, profissões como a de lixeiro são uma das mais bem remuneradas, justamente porque as pessoas reconhecem a importância desse trabalho, cientes de que, sem isso, estariam no caos. Em tais países, existem lixeiros com faculdade, casa própria, dinheiro excedente pra viajar o mundo, etc.

Há muita coisa que é relativamente fácil de se aprender e executar, mas que muita gente evita, por que tem preguiça mesmo. Quando as pessoas não pensam por conta própria, por exemplo, abrem um enorme espaço pra que colunistas de pseudo-mídias ocupem e determinem o que é que as pessoas devem “pensar”, “concluir” ou replicar aos demais como “adequado” ou “correto”. Outro prejuízo se vê quando as pessoas deixam de exercer seu potencial artístico, por exemplo, ficando sujeitas a serem meras fãs passivas de algum artista. Isso não é saudável e, por vezes, pode ser apenas uma forma de você gastar muito dinheiro pra que outra pessoa faça o que você teve preguiça de se envolver. Noto isso em inúmeros casos de famílias que optam abertamente por babás na criação dos filhos, ficando completamente omissas da função na maternidade e paternidade. Consigo entender a inscrição de filhos pequenos em creches ou em  episódios isolados de tutoria com babás, mas se isso é o padrão de uma família na maioria dos dias, certamente comprometerá a relação entre pais e filhos.

Eu, ao contrário da tendência no mundo, sou daqueles que gosta da fazer tudo (ou quase tudo) por mim mesmo. Eu amo limpar a minha casa, organizar as minhas coisas, solucionar um problema do computador, seja em hardrware ou em software, cozinhar pra mim e, eventualmente, pros outros, fazer as compras no supermercado, pagar as contas, me enveredar pela minha expressão artística e literária, ler e estudar aquilo que ainda não domino pra impor, eu mesmo, tais benefícios aos meus projetos e necessidades. Me propus a estudar Idiomas, Culturas, História, Sociologia, Psicologia, noções gerais e básicas de Medicina, Direito e diversas outras áreas do conhecimento. De certa forma, estar ativo em todas essas coisas, pra finalidades pessoais de conhecimento e lapidação, me motivam ao invés de me deixar em preguiça. Aliás, se eu tivesse 8 mãos e estabilidade financeira, faria muito mais. Por vezes, deixei de expandir minhas ideias, simplesmente porque era, no meu contexto, impossível de se fazer.

Mas, a verdade é que eu não tenho como criticar os preguiçosos, afinal é por conta deles que sobra espaço pra que os demais façam algo, criando suas carreiras e tirando seu sustento na vida. É ótimo que o mundo seja diverso, desde que as pessoas sejam conscientes de que quando escolhem não estudar e não fazer as coisas por conta própria, terão que remunerar bem quem remou contra a maré da sociedade e decidiu estudar e fazer tal coisa. Então, é preciso, pra ontem, valorizar os fotógrafos, os cozinheiros, os lixeiros, os designers gráficos, os pintores, os professores, os músicos, etc. Ou seja, se você gosta e precisa de algo que você não domina, terá que valorizar quem domina, senão tal área tenderá a ficar precarizada até sumir ou se degenerar em qualidade. Se você não investe um valor justo pra que um profissional viva dignamente e possa estudar e se aprimorar na carreira pra te oferecer sempre um serviço cada vez melhor, você está, basicamente, plantando uma realidade onde os serviços e profissionais serão cada vez piores e mais raros. E, se eles se tornam piores, não trazem bom retorno pra quem os contrata. No caso de se tornarem raros, podem se tornar caríssimos e restritos somente aos que realmente entendem o valor daquilo, ao mesmo tempo em que podem pagar por tal valor.

Então, para não dar tiro no próprio pé, é preciso saber sustentar uma modelo de trabalho com remuneração justa. A lógica é simples, mas muita gente não tem paciência ou apreço pra se ver diante dessa realidade incômoda todo dia, por isso raramente refletem sobre essa urgência. E, se muitos não refletem, lembre-se, alguém vai ocupar esse vazio e refletir por eles. Espero que tais substitutos sejam sempre pessoas bem intencionadas e capazes, pois, do contrário, o mundo acabará mergulhado em realidades cada vez piores, como ocorre no Brasil, por exemplo, onde empresas, mídias, políticos e personalidades ditam a asneira conveniente que desejam pra manipular e extrair lucro e poder em cima dos incautos na população.

Inclusive, o fato de muitos não saberem diferenciar uma pessoa capacitada e correta de uma fraude é a demonstração de como tal pessoa se absteve tanto tempo da autonomia de pensamento dos assuntos do mundo, que acabou criado e moldado pelos que vieram pra moldar e ditar a realidade trágica dessa pessoa. E claro, entre indivíduos mal intencionados, um dos primeiros objetivos é fazer o público apontá-lo como líder ou referência, assim ele pode continuar controlando as pessoas com a própria aprovação delas. Alguém que vive esse cenário onde é usado e mesmo assim apoia ou defende seu opressor, diz-se que a pessoa tem Síndrome de Estocolmo. Depois de tudo isso, afinal, de que lado você quer estar?

Rodrigo Meyer

Especial | Agradecimentos.

Por hoje, enquanto estou me reestruturando pelos próximos dias, vou aproveitar pra ler ou reler algumas coisas, interagir com mais pessoas e favorecer a escrita dos meus próximos textos. Por isso, a publicação de hoje traz agradecimentos, ao invés de um artigo.

Quero agradecer, de início, ao José Waeny, cujo blog pode ser acessado aqui e que, diante do meu anúncio de pausa na escrita, dividiu o seguinte comentário:

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“Honestamente, nunca li um texto seu que fosse ruim, ou de baixa qualidade! Não deixe de produzir e apresentar, acho seus textos profundos e densos, sempre me levam a pensar e considerar suas colocações! Abs.”

Agradeço pela motivação concedida pelo José e fico muito feliz em saber que estou cumprindo o meu propósito com os textos, que é de ser útil e suscitar reflexão sobre a vida e a sociedade.

Este projeto começou há pouco tempo atrás, com o objetivo de levantar 600 temas iniciais. Já estão publicados mais de 240 textos e sigo escrevendo, sempre que possível, pra concretizar essa intenção sincera de ajuda. Ao mesmo tempo em que estou tentando suscitar pensamentos e mudanças, deixando um legado escrito, estou também cumprindo uma certa rotina de transmutação dos meus problemas em uma solução simples, porém eficiente.

A cada novo dia que me coloco a escrever, sinto como se estivesse sendo a minha própria terapia, enquanto me noto engajado e satisfeito em estar prestando algo de bom pros outros, como sempre fiz em todas as minhas iniciativas na vida. Escrevendo, conversando, ensinando, trabalhando, produzindo arte ou simplesmente dividindo meus momentos com outras pessoas, a intenção por trás sempre foi de deixar uma marca positiva de camaradagem, honestidade, entusiasmo pelas boas coisas, curiosidade, mistério, diversão, cultura, sabedoria, verdadeira amizade, verdadeira ajuda, compreensão e empatia.

Apesar de parecer fácil estar aqui com toda essa frequência, a verdade é que manter um blog ou qualquer outra mídia, dentro ou fora da internet, é sempre um esforço contínuo. Embora seja gratuito o espaço inicial no WordPress, manter-se minimamente visto pelo público requer um esforço consideravelmente maior do que se tivesse estabelecido em um plano pago, onde há suporte pra outros recursos. Além disso, os temas aqui abordados nesse projeto dos 600 temas, quase sempre alfineta muitas bolhas e pode deixar algumas pessoas desinteressadas de ler tais realidades. São temas que provocam reflexão ao invés de permitir o conformismo com os problemas e erros.

Quando escrevo, busco sempre construir e entregar algo que realmente faça sentido, que seja bem escrito não só em termos de língua, mas em termos de argumentação e fluidez. Me preocupo em tentar escrever as frases com o máximo de clareza possível, por vezes, editando trechos, em tempo real ou na revisão posterior, pra que a experiência do leitor seja agradável o suficiente pra que ele queira estar diante daqueles temas. Em qualquer expressão de conteúdo, seja arte ou não, é importante estarmos alinhados com certas premissas, pra tornar nossos objetivos viáveis. Por aqui, meu objetivo é conectar pessoas a pensamentos autônomos, mudanças de paradigmas, reflexões pessoais, sociais, políticas e até mesmo sobre questões um pouco mais abstratas da vida e das relações humanas. Para se chegar nessa conexão, é preciso traçar um caminho eficiente como trilha conhecida para cada vez mais pessoas.

Sempre que vocês interagem com as publicações, deixando seus comentários, curtindo os textos ou compartilhando em espaços onde mais pessoas possam acessar pra ler, isso ajuda a concretizar esse objetivo e dá razão de existência para tal iniciativa. Sou ciente de que, com tantos textos que já escrevi neste e em tantos outros blogs e mídias, frequentemente os novos contatos ainda não tiveram oportunidade de ler tudo que há. Mas não posso deixar de escrever pra esperar que as pessoas completem a visita a todos os demais conteúdos. Embora não seja algo tão personalizado a ponto de segurar um indivíduo por vez e conduzi-lo até a sua plenitude, esta mídia ainda pode cumprir equivalente benefício a cada um, dependendo do modo como ele mesmo se engaja no proveito do material já publicado anteriormente.

Com alguns poucos minutos diários, é perfeitamente possível percorrer algumas publicações na página principal ou buscar algo específico na caixa de pesquisa do blog e agendar sua leitura para aqueles momentos em que você está com maior tempo livre. O hábito da leitura também é uma terapia, abrindo espaço pra que sua mente interprete essa rotina como algo fácil de se fazer. Tudo que nosso cérebro exerce por mais de 30 dias configura um hábito e uma facilidade para o indivíduo. A leitura deste ou de qualquer outro conteúdo, desde que observadas as premissas de utilidade e reflexão sincera, são as portas atemporais para absorção de conhecimento e mudança, mesmo quando nosso pensamento é aberto para outras ideias diferentes das apresentadas inicialmente. A reflexão é justamente a ferramenta neutra que lhe permite entender os pontos de um contexto e extrair alguma conclusão pessoal daquilo. A cada vez que você lê e absorve conteúdos diferentes, você amplia seus parâmetros de realidade, permitindo estar mais acurado nas suas deduções ou interpretações, tanto dos textos quanto da própria realidade. Sabedoria, em última análise, é isso. O conhecimento sozinho, não transforma, mas o que fazemos com ele, sim.

Por tudo isso, o agradecimento é também a todos os leitores que acompanham minhas publicações e que me motivam a continuar escrevendo. Estão por vir novos projetos em torno da literatura e da ação social, mas, pra não queimar largada, anunciarei na ocasião mais oportuna, quanto tudo estiver corretamente encaminhado. A propósito, aqui continua sendo um espaço aberto em que vocês podem indicar temas, comentar suas opiniões, sugerir melhorias, etc. Aproveitem e entrem no grupo de leitura do Facebook, onde vocês podem falar sobre livros, blogs e todas as formas de literatura e escrita em geral, estudar e interagir em diversos idiomas, dividindo amizades e oportunidades com pessoas sintonizadas com este meio.

A propósito, conferi o setor de pesquisas e, em breve, concretizarei alguns textos com base nos temas procurados pelas pessoas. Você também pode solicitar temas pela guia ‘contato’ do site.

Gratidão,
Rodrigo Meyer

Escrever ou não escrever? Eis a questão.

Quem lida com a escrita, certamente já se deparou com momentos onde não se sente disposto, inspirado ou com facilidade para escrever. Às vezes também paira alguma incerteza sobre a qualidade ou relevância do que se cria. Tudo isso é natural e não é diferente a nenhum tipo ou nível de autor. Penso, inclusive, que essas situações são ótimos sinais para mudarmos nossa visão do nosso momento pessoal. Enquanto estivermos, de certa forma, barrados para a escrita, devemos acatar esse distanciamento e exercer outra atividade ou até mesmo nenhuma.

Quando nos colocamos a escrever de maneira forçada, caímos na ilusão de acreditar ser produtividade. Na verdade não produzimos mais, pois não progredimos ou não demos continuidade ao que estávamos exercendo quando motivados e satisfeitos. Cumprir quantidade ou periodicidade não é garantia de qualidade e, portanto, isso não é um aumento real da produção. É muito mais produtivo poupar esforços para brilhar no próximo momento favorável, do que estar constantemente tentando fazer a diferença com algo que, no final, não será recebido pelo público e pelo autor como uma diferença de fato, exceto, provavelmente, para pior. Uma queda na qualidade é algo comum e até aceitável se houver uma certa constância no que se faz. Contudo, se notar que está diante de um episódio muito destoante de sua média de criação, é melhor mudar o foco e deixar o tempo resolver.

Pessoalmente tive inúmeros desses momentos, inclusive um bem recente. Há uma semana, aproximadamente, pausei a escrita, pois me sentia cansado pelo calor excessivo e o barulho recorrente na vizinhança. Embora eu seja apaixonado por escrever, a situação ideal é importante pra eu conseguir ser rápido e assertivo no meu modo costumeiro de produzir, na organização das ideias e no resultado final pretendido para determinado tema. Coincidência ou não, assim que tirei o foco da escrita e me voltei pra algumas de minhas outras atividades, me vi muito mais criativo e disposto por lá. Talvez a desmotivação em uma determinada área de criação seja um sinal de que outra área está clamando pra ser executada. Alternando de uma atividade pra outra, sinto como se estivesse sempre vencendo, cada momento em uma coisa diferente. Isso, no final das contas, me deixa satisfeito com o meu histórico de criação geral.

Isso me fez lembrar de uma analogia com algo que descrevi em outro texto, sobre as curvas nas estradas serem projetadas para quebrar a monotonia gerada pela constância da linha reta, pois obriga o motorista a fazer movimentos diferentes de um lado pra outro e controlar outros aspectos da direção com mais atenção. Na vida, penso que seja semelhante. Quando nos colocamos muito tempo em uma certa atividade, é preciso tirar férias ou buscar um momento de lazer. Isso nada mais é que mudar o foco para outra coisa da qual precisamos ou gostamos de fazer. Até mesmo pela Psicologia e Filosofia, fala-se que o ser humano se motiva pelos desafios e novidades e que quando se cai na mesmice, a mente parece perder a concentração ou disposição.

Inúmeras vezes me vi buscando solução pra um projeto e quando não vinha com facilidade, arrastava horas em vão até a desistência. Mas, com uma noite de sono ou uma mudança no período de criação, a solução brotava como mágica. Este seria o cenário ideal pra quem lida com criação, embora saibamos que nem sempre teremos essa liberdade, se tivermos que cumprir a tarefa por trabalho. Nas minhas atividades profissionais, sempre ocorria de agendar uma data com algum cliente e, quando estava próximo do dia, ficava torcendo pra que o cliente ligasse desistindo ou reagendando. Um disparate aos olhos de alguns, mas pra mim era a coisa mais sensata. Isso porque, fora das condições ideais, ninguém ali teria o melhor resultado para o dia. Muito melhor do que cumprir datas é satisfazer o cliente e a nós mesmos. Deixar uma marca positiva envolve não só o resultado do trabalho, mas também o modo como estamos durante o processo para atender as pessoas e compartilhar um bom semblante e uma impressão positiva sobre quem somos e o que fazemos. E, se pararmos pra pensar, isso vale pra todas as áreas da vida, independente se é trabalho ou relacionamento pessoal.

Tenho visitado muito conteúdo pela internet e a proporção de conteúdo ruim encontrada, obviamente, supera facilmente as coisas úteis. Torna-se raro encontrar um texto harmonioso, um assunto incomum, um humor criativo, uma foto que não seja mais do mesmo, uma arte que se possa chamar de ‘autoral’ de verdade, etc. Há vezes em que fico com a impressão de que estou diante de uma falha nos sites, tamanha é a quantidade de coisas que se repetem em tempo real. Pude ver um exemplo triste disso ao montar meu espaço no Pinterest. Visitando o feed para encontrar fotos de determinados temas, vi inúmeros usuários que dispunham de cópias de uma mesma imagem, mas alimentando o site como se aquilo fosse uma inserção nova. Uma coisa é usar o recurso da plataforma pra agrupar e organizar as imagens encontradas numa apresentação simbólica das referências em um álbum (pois é esse o propósito do site) e outra, completamente diferente, é absorver conteúdo do próprio site para recolocar ao ar um novo arquivo mas com o mesmo conteúdo. E quando não são as tais cópias, são imagens com muita semelhança, nas cores, na ideia, no ângulo, na luz, no estilo, etc.

O resumo: o mundo não está criando, só está reproduzindo. Isso é o que acontece quando as pessoas não estão inspiradas a fazer, mas precisam, a todo momento, preencher lacunas imaginárias na internet ou na vida. É a compulsão por criar, sem criar. Vejo isso de forma mais evidente no Youtube, por conta dessa nova tendência de mídia e de trabalho. Por lá, na esperança de atingirem cada vez mais tempo de visualização e dinheiro, as pessoas estão vivendo para a internet full time. Esse excesso de produção de “conteúdo” tem gerado uma tonelada de tráfego de dados desnecessários. Em algum tempo os servidores dessas plataformas serão um cemitério bizarro dos efeitos da compulsão humana em gerar. Do outro lado da moeda, as coisas úteis estão sob risco. Recentemente assisti a notícia de que fanáticos “religiosos” estavam destruindo peças históricas de Nimrud, a antiga cidade síria. Monumentos de valor incalculável viraram pó diante de explosivos e marretas. Enquanto nada se cria de útil, destrói-se o que já foi criado. Nesse ritmo o mundo será um imenso vazio, dentro e fora das cabeças humanas. Estamos cavando nossa própria extinção, como se soubéssemos, consciente ou inconscientemente, que não somos dignos de estar aqui.

Essas situações tristes da vida nos ensina algo que corrobora com o tema inicial desse texto. Mostra que forçar-se a preencher lacunas apenas para crescer infinitamente é o exato caso das células cancerígenas. Sem propósito e sem utilidade, tomam o corpo até a morte. Por essa razão, diante de momentos pouco interessantes, eu faço pausas com o maior orgulho. Paro de escrever, de pintar, de ler ou até de socializar. Volto quando tenho algo relevante pra dividir, algo proveitoso pra mim e pros outros, que seja fruto de uma sincera vontade de expressar, com disposição, com capacidade, com qualidade, com sentido, etc. Na ausência de uma expressão útil em algum momento na vida, um hiato vale ouro.

Rodrigo Meyer

O que causa seus bloqueios criativos?

Um assunto recorrente nas área de criação, como é o caso da Literatura, são os chamados ‘bloqueios criativos’. As pessoas se sentem sem inspiração ou ideias para concretizar uma tarefa relacionada a criação. Talvez lhes falte mais do que criatividade ou talvez estejam sobrecarregadas de outros aspectos que impedem que a criatividade flua. Façamos uma reflexão sobre isso.

O ser humano é, por essência, um ser criativo. Nascemos em determinado contexto e aplicamos nossa percepção de mundo para compreendê-lo, dominá-lo e mudá-lo. Em parte, isso é a expressão da nossa criatividade, a capacidade do ser humano de criar coisas novas, diferentes, úteis ou que suscitem transformações. Está ao nosso alcance o potencial de cumprir essa criatividade sempre que for necessário. Contudo, o modo como vivemos pode interferir na fluidez desse processo.

Quando eu era criança, gostava muito de escrever. Era bem comum juntar um punhado de folhas, nem que fossem destacadas de uma agenda telefônica. Gostava de me sentar sozinho e transpor minha imaginação ou meus dramas para o papel. Se isso refletia qualidade é outra história e, para fins de criatividade, não importa, pois o aspecto essencial daquele processo permanecia sendo a criatividade. Hoje em dia, muitas pessoas atribuem o termo “criativo” para algo que pareça genial ou muito bem elaborado. Mas não é isso que deve representar o exercício da criatividade. Ser criativo é estar simplesmente dando vazão para a criação. Em oposição a isso, temos aquela sensação de vazio ou embargo, como se não conseguíssemos executar nada. Perceba que, o simples fato de concretizar uma criação é um ato criativo, é expressão de criatividade, fazendo oposição ao vazio e a inação.

Com o passar do tempo, eu acumulei muitos manuscritos. Não existia computador na época e tardou o meu encontro com uma máquina de escrever. Eu escrevia entre cadernos, bordas de livros, página avulsas e até pelos vidros embaçados do espelho. Anotava tudo que me brotasse na mente. Executar esses processos me permitia colocar tudo pra fora. Filtrar o que era bom ou proveitoso para algo, era outro momento. Mas, assim que despejava aquelas ideias pra fora da mente, cumpria um processo e eliminava um peso ou incômodo, mesmo que fossem sutis. Esse hábito de estar sempre criando me permitiu olhar o mundo com novos olhos, pois estava sempre à um passo além do nada anterior. Mesmo que muitas de minhas ideias nunca tivessem gerado nenhum fruto, elas nunca brotaram em vão, já que o próprio processo de colocá-las pra fora me foi útil.

Bloqueios criativos existem e parecem desconectar nossa mente das coisas e das ideias. É como se estivéssemos em um mundo diferente e que não pudéssemos mais interpretá-lo ou dominá-lo a nosso favor. Quando isso acontece, é preciso entender quais são as condições necessárias pra que uma ação criativa aconteça. Não se pode esperar que as coisas surjam magicamente apenas por desejarmos que os resultados surjam. Embora isso seja parte de uma equação maior de motivação, o ato criativo depende, apenas, da necessidade de se criar algo. Pode parecer óbvio, mas, infelizmente, muita gente não se atenta a isso. Vejo muita gente idealizando um futuro onde possam se tornar tão criativas quanto outras pessoas as quais elas admiram, como se isso fosse um dom milagroso. A criatividade colocada em prática é nada mais que cumprir a necessidade de se criar algo. Quando nos sentimos compelidos a fazer algo, isso traz, automaticamente, a tal criatividade.

Assim, o bloqueio criativo seria como a consequência da falta de necessidade de se criar. É muito difícil inventar o que não se precisa, por isso, tudo que se inventa é pautado nas necessidades humanas. A roda para o transporte, a lâmpada para a luz, o detergente para desengordurar. Se não temos, dentro de nós, motivos para criar, não temos também as guias para este processo ou a pauta dessa criação. O que vamos escrever, pintar ou inventar, se não precisamos de nada? Querer resultado sozinho é querer o impossível. Mas, se tivermos na mente uma necessidade observada na nossa vida, nossa mente ou nosso mundo, aí temos algo com o que lidar, um caminho com começo e destino. Criar, então, torna-se a tentativa de ligar esses dois pontos entre a necessidade e a sugestão de solução ou mesmo de pesquisa. Independente de resultados em tempo e/ou qualidade, estaremos criativos enquanto estivermos ativos na criação.

No campo da Literatura vi muita gente desistir da criação de livros, pois diziam não conseguir começar. Isso nunca me desceu pela garganta. Pra mim, não existe essa ideia de que não se pode começar algo. Talvez as pessoas desistam de tentar, por não encontrarem algo que lhes pareça satisfatório, pronto e acabado. E esse é o maior entrave pra quem deseja exercitar a criatividade. Escrever um livro, por exemplo, consiste, basicamente, em ter algo pra contar, mesmo que você não goste do resultado inicial. É permitido errar, errar novamente e seguir errando até descobrir que tentar e errar ajuda a compreender o que se pode fazer de diferente. Se você está tentando encontrar uma carta no baralho, cada vez que você encontra as indesejadas, vão aumentando suas chances de encontrar a carta certa. E é só isso que precisamos fazer nas nossas tentativas de criar qualquer coisa. Aprende-se muito errando, mas só erra quem faz alguma coisa. Siga criando, coloque em prática suas necessidades e verá como tudo começa a ser um constante jogo de ligar pontos. Mas nunca se esqueça que sem a necessidade, você não terá nada além de uma folha em branco e uma mente frustrada.

Essa é a dica que eu dou pra quem deseja trazer a novidade, criar um poema, escrever um artigo, fazer um desenho, cantar uma música, cozinhar algo novo, decorar a casa ou programar um software. Não importa em qual atividade você esteja, não haverá nada de consistente pra se buscar, se não houver, antes, uma demanda consistente por algo, uma necessidade por um serviço, um produto, uma expressão de ideia, um ativismo, etc. Tudo que o ser humano faz é pautado nos impulsos diante das necessidades pessoais ou do mundo. Tais necessidades, claro, podem estar vinculadas a aspectos emocionais, racionais ou de qualquer outra natureza. Então, se você achar que está com bloqueio criativo, pergunte-se qual é a necessidade que você tem para aquela criação. O mundo precisa dela? Você tem uma razão pessoal pra expressar aquilo? Às vezes nossa necessidade em determinado momento é de silêncio. Nem tudo na vida é só criação; o mundo também é feito de pausas, contemplações e até de destruições. Harmonize-se com um estilo de vida mais realista para evitar frustrações.

Rodrigo Meyer