Crônica | Aprender ou perder.

Há tempos que não se tinha silêncio pelo bairro. Depois de sucessivas chuvas, devem ter descoberto que ficar em casa, por pior que seja, ainda é melhor que gritar pela rua de manhã até de madrugada. Talvez tenham descoberto que ajudarem a si mesmos seja melhor e, então, foram buscar trabalho, escola ou, pelo menos, ajudar a família em casa. Não. Nada disso. Foi apenas o feriado que esvaziou a cidade. Logo o inferno volta. Faz tempo que não sei o que é andar pela cidade, pois perdi o interesse, desde que parei de fotografar e de consumir. Atualmente eu apenas sonho e tudo que faço me guia pra algum outro lugar bem distante. Eu não sei exatamente pra onde eu vou, mas sei exatamente onde não quero estar. Na vida, todos os passos precisam ser silenciosos, pois estamos sempre rodeados de gente sem luz que anda em círculos pelos moldes do oportunismo. Estão sempre tentando alguma vantagem, mas estão sempre andando pra trás.

Rodrigo Meyer

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Muita demanda, pouca oferta.

O ser humano, geralmente, está em busca de alguma oportunidade de se destacar em uma atividade, mas as pessoas, frequentemente, possuem preguiça ou desinteresse para específicas atividades ou áreas de estudo e, justamente por isso, estas oportunidades sobram pra quem tenha disposição e interesse de ocupá-las. É como diz a expressão: “A preguiça de uns é o trabalho de outros.”.

Quando tive a oportunidade de entrar pra faculdade de Ciências da Computação, foi interessante ver quão poucas turmas e cursos haviam pra esse segmento. A sala começou com mais de 40 alunos e gradualmente foi esvaziando. No final do curso sobraram apenas umas 5 pessoas que se diplomaram e foram elas que colheram os frutos disso, ao poder brilhar em suas carreiras. Da única pessoa que eu conhecia e mantinha contato nessa fase pós-faculdade, sei que a pessoa fez ótimo proveito da carreira. Estudou pra valer, se concentrou no necessário e teve trabalhos interessantes, inclusive com a oportunidade de reinvestir em si mesma para novos cursos, viagens e aprendizados. Em resumo, em uma sala onde nem todos estavam dispostos a seguir naquela profissão ou estudo, alguns estavam e, por isso, saíram na frente.

Mas a vida é múltipla. Quando saímos de uma área ou nem sequer entramos nela, temos a oportunidade de ir pra outra atividade. Contudo, algumas atividades são tão comuns, que estão saturadas. É o caso da área de Direito, onde muita gente se forma, mas a seleção da OAB filtra, por prova, os melhores, justamente pra não saturar o mercado de gente que vai acabar não tendo espaço pra exercer a profissão pretendida. Diversas outras áreas também se tornaram “febre”, por assim dizer, deixando áreas menos comuns com menos interessados e, portanto, com menos concorrência. A concorrência em si não é ruim, mas quando o mercado se satura exclusivamente de umas poucas profissões, isso desestabiliza a sociedade, pois o mundo não precisa só de meia dúzia de tipos de profissionais, serviços ou produtos. Então, a diversidade é mais saudável e útil para a própria sociedade, tanto coletivamente, quanto pelo benefício pessoal de conseguir se estabelecer profissionalmente como indivíduo.

A realização pessoal de muita gente acaba revista quando notam que, embora gostem de uma determinada área, não conseguem sobreviver com a realidade do mercado gerada em um contexto de saturação ou de desvalorização. Ocorre, também, das pessoas terem expectativas muito otimistas sobre determinada profissão ou área de estudo e acabarem frustradas ao descobrir que, na prática, não é tão glamouroso como pensavam. Tudo isso gera uma adequação quase que automática, colocando pessoas indispostas para fora de uma atividade e segurando as que se adequaram. Não há problema algum em se descobrir incompatível ou desinteressado com determinada área. Tudo que temos que fazer é exatamente nos descobrir, pra podermos fazer escolhas mais assertivas. Foi assim comigo quando abandonei a faculdade de Ciências da Computação por ver que não estava apto a lidar com tanta matemática enquanto ainda tinha que tentar absorver os princípios da computação em si. Admiro quem consegue e sigo interessado pela área, mas só volto à mergulhar nela se eventualmente me sentir apto a lidar com a quantidade de matemática que me freou na época.

Ao invés de me sentir frustrado, eu segui para outro curso. Fiz a faculdade de Comunicação Social e realmente me senti entretido o suficiente pra chegar até o final das aulas. Foi uma experiência muito boa pra mim, especialmente pelos professores que conheci e pelos momentos divididos entre as pessoas da época, pelos corredores, bares e casas noturnas. Mas, meu objetivo neste curso, por já ter conhecimento na área, não era ter determinados tipos de emprego como era pra todos os demais alunos. Pode-se dizer que fui a ‘ovelha-negra’ do curso, mas sigo tirando proveito e trabalhando com isso exatamente no espaço deixado pelos demais. Enquanto eles tentam ocupar uma área que, pra mim, era insatisfatória, discordante e saturada, eu escolhi atuar justamente onde ninguém tinha olhos ou interesse: apoiar pessoas, causas e pequenos negócios com ajuda do conhecimento que eu tinha. Apesar de não ter dinheiro pra gerir minhas próprias iniciativas nesses meios, consegui alavancar muito bem minhas mídias e ideias, até o ponto onde elas só não progrediram pra algo maior, por essa barreira financeira. Isso mostra que ocupar uma área onde outros não querem, pode ser bastante próspero, desde que haja suficiente apoio inicial.

Usando um dos exemplos que eu conheço, por conta da minha proximidade com o tema, cito a própria área de programação e TI, onde os salários propostos pelas empresas podem chegar a fantásticos R$ 100 mil reais por mês, justamente porque existe tanto potencial na informática e tão poucos programadores disponíveis, que um salário alto é a forma que encontraram de tornar a área atraente pra que mais pessoas se formem em computação, análise de sistemas ou alguma coisa relacionada a TI, podendo, assim, ocuparem as vagas que as empresas mais valorizam atualmente. Dessa escassez, pode-se encontrar até mesmo oportunidades como ter o curso de faculdade bancado pela empresa que pretende lhe contratar ou mesmo de ter uma vaga de trabalho praticamente garantida já no segundo ano de faculdade. Além disso, inúmeros brasileiros são tentados a trabalhar como programadores no exterior, justamente pelo combo salário + qualidade de vida de determinado país (frequentemente na Europa) ou, então, por poder estar em uma empresa renomada internacionalmente como Google, Microsoft ou Facebook.

É claro que estar ausente desse mercado não é, por si, sinônimo de preguiça. Há pessoas que simplesmente se esforçaram ao máximo pra tentar, mas não conseguiram, por inúmeras razões possíveis. Algumas pessoas não possuem condição de bancar um curso até o fim, outras não conseguem passar na seleção de uma faculdade pública e outras simplesmente podem ter se visto destoantes do tipo de estudo ou realidade de determinada área ou profissão.

Contudo, em várias outras atividades da vida cotidiana, é sim a preguiça de uns que abre portas para outros profissionais. Quando as pessoas não querem ter que lavar a própria louça, o carro ou casa, estão abrindo uma demanda pra que outras pessoas façam isso. Geralmente, em nossa sociedade discriminatória, esses trabalhos são evitados pelas pessoas com mais renda, renegando as pessoas de menor renda a aderirem a esses trabalhos que ninguém quis fazer, por demanda e por falta de capacitação ou espaço pra outras funções. Assim como existem muitas pessoas que ocupam as vagas de diarista, faxineiro, gari ou lixeiro, por exemplo, por não terem estudos suficientes pra pleitear vagas com exigências maiores de formação escolar, também existem as que migram pra essas áreas quando se veem desempregadas nas áreas em  que estudaram e se formaram, seja por saturação do mercado ou por algum revés pessoal. Fato é que, em ambos os casos, onde muita gente não estiver interessada de fazer algo, alguém virá pra fazer. O grande porém é que em países que discriminam as pessoas e os serviços, a remuneração dessas áreas tende a ser precária, como é o caso do Brasil. Em alguns países no exterior, profissões como a de lixeiro são uma das mais bem remuneradas, justamente porque as pessoas reconhecem a importância desse trabalho, cientes de que, sem isso, estariam no caos. Em tais países, existem lixeiros com faculdade, casa própria, dinheiro excedente pra viajar o mundo, etc.

Há muita coisa que é relativamente fácil de se aprender e executar, mas que muita gente evita, por que tem preguiça mesmo. Quando as pessoas não pensam por conta própria, por exemplo, abrem um enorme espaço pra que colunistas de pseudo-mídias ocupem e determinem o que é que as pessoas devem “pensar”, “concluir” ou replicar aos demais como “adequado” ou “correto”. Outro prejuízo se vê quando as pessoas deixam de exercer seu potencial artístico, por exemplo, ficando sujeitas a serem meras fãs passivas de algum artista. Isso não é saudável e, por vezes, pode ser apenas uma forma de você gastar muito dinheiro pra que outra pessoa faça o que você teve preguiça de se envolver. Noto isso em inúmeros casos de famílias que optam abertamente por babás na criação dos filhos, ficando completamente omissas da função na maternidade e paternidade. Consigo entender a inscrição de filhos pequenos em creches ou em  episódios isolados de tutoria com babás, mas se isso é o padrão de uma família na maioria dos dias, certamente comprometerá a relação entre pais e filhos.

Eu, ao contrário da tendência no mundo, sou daqueles que gosta da fazer tudo (ou quase tudo) por mim mesmo. Eu amo limpar a minha casa, organizar as minhas coisas, solucionar um problema do computador, seja em hardrware ou em software, cozinhar pra mim e, eventualmente, pros outros, fazer as compras no supermercado, pagar as contas, me enveredar pela minha expressão artística e literária, ler e estudar aquilo que ainda não domino pra impor, eu mesmo, tais benefícios aos meus projetos e necessidades. Me propus a estudar Idiomas, Culturas, História, Sociologia, Psicologia, noções gerais e básicas de Medicina, Direito e diversas outras áreas do conhecimento. De certa forma, estar ativo em todas essas coisas, pra finalidades pessoais de conhecimento e lapidação, me motivam ao invés de me deixar em preguiça. Aliás, se eu tivesse 8 mãos e estabilidade financeira, faria muito mais. Por vezes, deixei de expandir minhas ideias, simplesmente porque era, no meu contexto, impossível de se fazer.

Mas, a verdade é que eu não tenho como criticar os preguiçosos, afinal é por conta deles que sobra espaço pra que os demais façam algo, criando suas carreiras e tirando seu sustento na vida. É ótimo que o mundo seja diverso, desde que as pessoas sejam conscientes de que quando escolhem não estudar e não fazer as coisas por conta própria, terão que remunerar bem quem remou contra a maré da sociedade e decidiu estudar e fazer tal coisa. Então, é preciso, pra ontem, valorizar os fotógrafos, os cozinheiros, os lixeiros, os designers gráficos, os pintores, os professores, os músicos, etc. Ou seja, se você gosta e precisa de algo que você não domina, terá que valorizar quem domina, senão tal área tenderá a ficar precarizada até sumir ou se degenerar em qualidade. Se você não investe um valor justo pra que um profissional viva dignamente e possa estudar e se aprimorar na carreira pra te oferecer sempre um serviço cada vez melhor, você está, basicamente, plantando uma realidade onde os serviços e profissionais serão cada vez piores e mais raros. E, se eles se tornam piores, não trazem bom retorno pra quem os contrata. No caso de se tornarem raros, podem se tornar caríssimos e restritos somente aos que realmente entendem o valor daquilo, ao mesmo tempo em que podem pagar por tal valor.

Então, para não dar tiro no próprio pé, é preciso saber sustentar uma modelo de trabalho com remuneração justa. A lógica é simples, mas muita gente não tem paciência ou apreço pra se ver diante dessa realidade incômoda todo dia, por isso raramente refletem sobre essa urgência. E, se muitos não refletem, lembre-se, alguém vai ocupar esse vazio e refletir por eles. Espero que tais substitutos sejam sempre pessoas bem intencionadas e capazes, pois, do contrário, o mundo acabará mergulhado em realidades cada vez piores, como ocorre no Brasil, por exemplo, onde empresas, mídias, políticos e personalidades ditam a asneira conveniente que desejam pra manipular e extrair lucro e poder em cima dos incautos na população.

Inclusive, o fato de muitos não saberem diferenciar uma pessoa capacitada e correta de uma fraude é a demonstração de como tal pessoa se absteve tanto tempo da autonomia de pensamento dos assuntos do mundo, que acabou criado e moldado pelos que vieram pra moldar e ditar a realidade trágica dessa pessoa. E claro, entre indivíduos mal intencionados, um dos primeiros objetivos é fazer o público apontá-lo como líder ou referência, assim ele pode continuar controlando as pessoas com a própria aprovação delas. Alguém que vive esse cenário onde é usado e mesmo assim apoia ou defende seu opressor, diz-se que a pessoa tem Síndrome de Estocolmo. Depois de tudo isso, afinal, de que lado você quer estar?

Rodrigo Meyer

Porque atalhos são mais demorados?

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de 2006 das Pirâmides de Gizé, no Egito, de autoria de Ricardo Liberato.

Observando a sociedade, vemos muita gente a espera de vantagens. Elas querem, de alguma forma, um benefício que as impulsione além. Porém, quando se tornam tão obcecadas por isso, acabam ficando cegas e não discernem bem as ferramentas disponíveis e a eficiência de cada uma. Por vezes querem tudo pra ontem e brilham os olhos de entusiasmo quando veem um atalho pra supostamente conseguir o que se quer. Eis que são fisgadas pela falta de prudência.

Eu sempre costumo repetir que ‘se atalho fosse bom, já seria o caminho principal”. Se existe um trecho a ser percorrido e é possível escolher um trajeto que leve menos tempo do que o trajeto anterior, há de se pensar porque este trajeto é secundário e não o principal. Se as pessoas não usam o menor caminho como principal caminho, é porque há desvantagens no menor caminho. Por algum motivo, o caminho principal se tornou principal pois era o mais estável. Fazendo uma analogia, algumas jornadas de avião requerem uma parada em determinados países e/ou aeroportos específicos como parte da viagem total. Já imaginou se uma viagem que normalmente leva 12 horas, fosse feita em 7 horas, mudando a rota pra uma linha reta de ponto a ponto, sem paradas? Você consegue imaginar as desvantagens e riscos de se fazer uma alteração desse tipo? Pois bem, quem planeja as escalas de voos imagina.

Outro exemplo bem conhecido são as estradas que passam por montanhas. Ao subir ou descer a serra de carro, frequentemente se passa por curvas, algumas bem fechadas. Porque razão a estrada não é uma linha reta do ponto A para o ponto B? Existem alguns motivos. Um deles, talvez menos conhecido, é a estratégia de prevenção de acidentes, impedindo que o motorista passe muito tempo dirigindo em linha reta, pois isso o acomoda na monotonia e pode ser um risco de acidente bem maior do que obrigá-lo a lidar repetidas vezes com curvas e mudanças de direções. O outro motivo disso, é, claro, que para subir a serra, ângulos menos íngremes são mais fáceis de serem superados pelo carro. Você não verá ninguém brincar de alpinista pilotando um carro, a menos que seja um show de façanhas mortais. E para que se suba gradualmente uma montanha, o vai e vem das curvas conecta a estrada em cada gradação de elevação.

De maneira simplista, tendemos a acreditar que o caminho mais curto é melhor, mas na verdade, a menor distância e tempo não significam melhor caminho e, na verdade, quase sempre não são de fato mais rápidos. Imagine um carro tentando subir a montanha em linha reta. Certamente ele passará tanto tempo tentando sair do chão que seria o último a chegar no destino, se é que conseguiria chegar. E essa é a analogia que deve se carregar pra outras situações da vida.

Tudo que parece muito fácil ou cheio de benefícios adicionais, requer uma atenção sobre como isto será disponibilizado. Há algum tempo atrás lia com sorriso no rosto a notícia de que haviam conseguido o feito do teletransporte. Sim, sob um laboratório, conseguiram transferir madeira de um local ao outro, porém, o processo utilizado não reagrupou decentemente a madeira no destino final, deixando sua composição toda bagunçada, apesar de ter sido um sucesso o teletransporte em si. Esse é um exemplo de como tentar encurtar distâncias por atalhos tem problemas atrelados. Quando finalmente conseguirem executar um teletransporte com segurança, provavelmente este atalho se tornará o caminho principal. Se hoje, pegamos ônibus, trens e aviões para ir de um canto ao outro, talvez no futuro, faça mais sentido usar o teletransporte. Mas enquanto ele não for estável, não será o caminho principal escolhido pelas pessoas e, enquanto for mero atalho, não será tão bom ou útil quanto um caminho principal.

Saindo um pouco desses exemplos com distâncias e transportes, imagine setores da vida onde as pessoas tendem a desejar atalhos. Elas querem, por exemplo, enriquecer mais rapidamente do que apenas esperar que o trabalho ao longo dos anos traga algum retorno financeiro. Elas querem ter um relacionamento sem ter a premissa das fases de envolvimento com as pessoas, do conhecimento, da amizade, etc. Tudo isso só ressalta o despreparo e a ingenuidade dessas pessoas. A ansiedade em ter mais em menos tempo, faz as pessoas atropelarem a ética, a segurança ou outros valores que vão impactar na hora do processo ou desfecho. É o caso, por exemplo, quando as pessoas querem descartar o aprendizado pra ir direto para prática. Vejo muita gente entrar pra uma profissão da noite pro dia, sem estudar o necessário. Caem de paraquedas, desejando que a compra de um simples equipamento ou crachá, lhes farão profissionais habilitados. Com alguma sorte, as pessoas se apercebem da perda de tempo que isso representa. Terão, em algum momento, que voltar ao zero pras estudar o que não estudaram e, certamente, gastando mais tempo e mais dinheiro pra retificar a imagem negativa, os tropeços profissionais por conta do desconhecimento do que se faz, e assim por diante.

Inúmeros são os motivos pra não se buscar atalhos. Ignorar isso não vai te fazer chegar na frente. Embora o empirismo deva ser incentivado, ele nunca pode ser exercido com negligência. Uma coisa é você se colocar a fazer algo novo e experimentar as condições, o processo, os resultados e aprender sobre qual a melhor forma de se fazer ou não tal coisa. Outra, completamente diferente, é se colocar a fazer, buscando especificamente por redução de tempo, de impacto ou de custo. Você pode embrulhar uma pintura à óleo com a tinta ainda fresca, mas certamente vai borrar toda tinta em contato com a embalagem e gastará muito mais tempo pra refazer. Se não tiver disposição pra esperar a tinta secar, terá que aprender algum processo seguro que seque essa pintura em menos tempo. Nesse processo, talvez você descubra que deixar a tela próxima de uma fogueira ajuda a secar mais rápido, porém pode, eventualmente, descobrir que o calor intenso do fogo destrói os pigmentos da tinta ou causa rachaduras nas pinceladas. São essas pequenas possíveis reflexões que devem se fazer antes de promover um atalho a caminho principal.

Durante o avanço da sociedade, muita coisa mudou de processo e pudemos visualizar melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas. Mas, em paralelo a isso, sempre se buscou refinar esses processos a fim de se garantir segurança e consistência nos resultados. Pra se viver de maneira inteligente, é preciso respeitar o tempo e o processo das coisas, especialmente no que diz respeito a saúde física e relacionamentos. Tudo que o ser humano deseja ser, ter ou fazer, precisa passar por um filtro simples de reflexão sobre motivos, resultados esperados e resultados obtidos. Assim que paramos de desejar o impossível, paramos de bater a cara no muro. Isso serve não só pra para proteger a nós mesmos de nossa ansiedade e descontrole, mas aos demais ao nosso redor que terão que lidar com o modo como vivemos em sociedade. Quando as pessoas se tornam mais realistas sobre o que desejam e fazem, o mundo se torna mais agradável de se viver, mais estável, mais tranquilo e mais seguro. A partir dessa base sólida é que se constrói a novidade, o futuro.

Vale citar até mesmo países que conquistaram avanços sociais únicos, simplesmente por nunca darem o passo maior que a perna e fortaleceram suas bases ao longo da história antes de desejarem ser o que hoje finalmente são. Assim como uma pirâmide, o maior tempo e esforço é no planejamento da estrutura e na construção da enorme base. É com essa visão que se chega ao cume das possibilidades, das invenções, dos progressos no estudo, etc.

Isso não significa, porém, que você deva se tornar desestimulado a progredir ou a ir além. É exatamente o inverso. É, exatamente, por deixar de buscar atalhos que evitará de andar em círculo ou de cair. Economizar tempo na vida é exatamente percorrer o caminho certo desde o início, pra não ter que refazer o percurso. Invista em você e respeite o valor de sua pessoa e do seu tempo. Nunca se sabote escolhendo opções tentadoras que, no final da contas, são só ilusões e prejuízos. Há uma frase que diz “Se algo está muito fácil, você está fazendo errado.”. Fica a reflexão.

Rodrigo Meyer

Melhore o que já existe e crie a novidade.

Quero compartilhar com você algumas práticas e estratégias que usei para alcançar progressos nas minhas atividades. Seja em um desenvolvimento pessoal, no estudo, no desenvolvimento de uma arte ou hobby ou mesmo do avanço no trabalho, essas dicas servem. Procurei aplicá-las em tudo, pois, pra mim, era o modo mais natural de se fazer as coisas.

Atualmente eu escrevo em mais de 20 mídias. Quando comecei a primeira mídia, as pessoas não se importavam. Quando avancei pra segunda mídia, as pessoas já começavam a expressar um certo descontentamento. Quando eu abri, simultaneamente, mais de 10 mídias, as pessoas simplesmente viraram um padrão de expressão, questionando porquê tanta mídia, dando a entender que era bobagem, exagero, perda de tempo. Não existia apoio, mas eu não dependia muito disso pra criar, tanto que nunca parei de expandir. Eu sempre criei coisas das quais eu gostava de fazer, de conhecer, de dividir. Estive lá pra pesquisar, pra ler, pra escrever, pra criar arte gráfica, ideias, interagir, etc. Em cada novo lugar onde eu pudesse ser útil, eu tentava criar algo.

No início, claro, a maioria dessas mídias tinham déficit de qualidade. Não havia uma marca e arte gráfica muito bem planejadas. Mas isso não significa que o conceito essencial não estivesse lá. Eu  tinha um resumo claro na minha mente do que eu pretendia e fiz uma espécie de rascunho minimamente apresentável das minhas intenções com cada um desses projetos. Coloquei no ar e segui criando, mesmo que as coisas não estivessem ideais ainda.

Quem me acompanha nos meus espaços de criação, principalmente na internet, sabe o quanto eu mudo constantemente as coisas. De tempos em tempos mudam as capas, os templates, as cores, as artes gráficas, os nomes, os modos de se organizar, de se escrever ou de se relacionar. Mudam até mesmo as marcas, eventualmente, quando um projeto precisa ser simplificado ou refinado. Nada disso me impediu de dedicar tempo e esforço físico e mental em cada ação. Mesmo que não fossem as versões finais, eu sempre as mantinha ativas, lapidando um pouco a cada vez.

Muitas das minhas mídias já possuem uns 4 ou 5 anos de existência e só agora elas estão chegando em uma fase em que estão gerando resultados relevantes. Depois de alguns anos demonstrando quem sou e ao que vim, as pessoas atribuem confiança ao que eu produzo, pois os anos de criação, o próprio conteúdo e o progresso gradual e constante desse conteúdo são provas e garantias. Essa construção, mesmo que demore bastante tempo, é mais sólida. Diferente daquilo que é artificial, o que é feito por paixão, oferta um valor diferente, pois é, de certa forma, atemporal e está isento de ter sempre que estar ao ápice da qualidade desde o início. As pessoas que acompanham um projeto legítimo crescer, ficam cientes de que existem fases e dificuldades e elas ficam felizes a cada vez que o projeto ganha uma cara nova, uma novidade, um avanço. Elas se solidarizam com as limitações iniciais, pois sabem que o conteúdo transparente, sincero e apaixonado, é a essência.

Foi com essa consciência que eu sempre me permiti estar envolvido com inúmeros projetos simultâneos. Nunca me preocupei se eram muitos ou se algum dia conseguiria elevar todos ao nível ideal. Essas preocupações não existiam, justamente porque o motivo de iniciar esses projetos não eram os resultados ideais, mas a paixão em fazê-los, a sinceridade por trás de cada estudo, cada palavra, cada compartilhamento, cada intenção. Eu nunca participei de nenhuma atividade da qual eu não estivesse verdadeiramente engajado. Comigo, tudo começa na mente, alimentado por sonhos, por vontades, desejos, insights, inspirações, ideais de vida, etc. Quando um projeto meu nasce é porque ele realmente era necessário pra mim.

Por trás dessa estratégia e estilo de vida, existe um trunfo muito importante. Quando você lapida algo que já existia, você cria algo novo a cada vez. Diferente de um projeto que nasce pronto, um projeto que se constrói aos poucos está sempre tendo melhorias, sempre tendo novidades. Mesmo que isso não seja proposital em termos de impacto final, acaba sendo um efeito colateral útil. Diversas mídias de sucesso começaram de maneira semelhante. Começaram fazendo algo muito simples, que gostavam muito e, alguns meses depois estavam vendo desdobramentos das primeiras opções.

Um exemplo hipotético: uma pessoa começa escrevendo insight, poemas e, em algum momento, sente-se confiante pra produzir contos. Evolui sua jornada para histórias maiores em livros e quando menos espera está trabalhando com roteiros pra filmes, por exemplo. Percebe como as coisas vão se encadeando? Quem apostaria nesse autor quando ele criava seu primeiro texto, tão distante das criações finais? Quem investiria nessa pessoa?

Neste mundo, geralmente, estamos sozinhos em nosso progresso. Raramente alguém chega pra estender a mão. É muito mais comum as pessoas estarem tão desacostumadas com quem estende as mãos que desconfiam de quem tem essa prática. Além da desconfiança, muitos até tomam estes praticantes como tolos por ofertarem algo em que não eram obrigados a ofertar. E, por isso mesmo, muitas dessas pessoas usurpam de quem oferta ajuda, já que não a valorizam nem a respeitam. Sabendo como o mundo geralmente funciona, a postura mais sensata é de evitar a dependência das pessoas e da retribuição delas, sendo preferível investirmos em nós mesmos o máximo que nos for possível. Dar um passo, mesmo que pequeno, é melhor do que ficar a espera do momento ideal em que poderemos dar o passo gigante. Esses momentos ideais não chegam e a gente acaba não fazendo nada, apenas por medo ou vergonha de começar simples.

Muita coisa muda em 5 anos. Quem permanece junto, colhe junto os resultados. Quem se afasta logo de início, quem não confia, não apoia e não se engaja junto, não colhe nada e ainda é obrigado a assistir, desolado, o abandonado crescer. Enquanto uns escolhem ficar parados no chão, outros escolhem mover um tijolo por vez, até criarem a escada necessária pra outros patamares. Nenhuma escada sólida começa a ser construída fora do chão. Saltos no ar, sem base, te fazem subir e cair. E quanto mais alto se sobe sem firmeza, maior é a queda. Nunca se esqueça que uma pirâmide tem a base larga e o topo estreito. É exatamente toda aquela base enorme que dá suporte para a altura de uma pirâmide. Se a pirâmide fosse invertida, tombaria. Se a pirâmide fosse uma única fileira de tijolos verticais, também tombaria.

Concluindo, não queira criar algo fantástico e finalizado; queira criar algo consistente, sincero, embasado. Crie algo e vá lapidando. Um diamante bruto não tem a mesma transparência, brilho e beleza de um lapidado, mas o potencial está lá. É muito mais fácil criar faces em um diamante, aparando os excessos, do que esperar pelo impossível: encontrar um diamante pronto na natureza.

Rodrigo Meyer

Eu e o Hiperfoco.

Por conta de uma condição específica, nasci com várias características de uma lista. Entre elas está o Hiperfoco. Me sinto confortável com isso e penso que é devido à esta característica que eu consegui ir tão longe em alguns temas.  O Hiperfoco é a característica ou capacidade de concentrar-se em uma única coisa por muito tempo. Algumas pessoas podem passar horas ou dias mergulhadas no mesmo assunto ou atividade e algumas chegam a levar esse tema pra vida toda. O Hiperfoco pode mudar de tempos em tempos, o que permite que a pessoa desenvolva com intensidade várias áreas do conhecimento.

Em outros textos, contei um pouco da minha experiência com a Literatura. Em certas épocas da minha vida, estive tão focado em escrever que conseguia produzir um livro inteiro em um ou dois dias. Escrever cem ou duzentas páginas não era difícil, mesmo levando-se em conta a qualidade do conteúdo e a coerência da estrutura do idioma. Eu sempre fui apaixonado por expressão. Muita coisa foi levada pelo campo da imagem, pois sempre fui uma pessoa muito visual. Mas, a Literatura sempre me encantou também, principalmente quando me vi aspirando as possibilidades do Cinema com suas histórias e scripts incríveis.

Passei a escrever poemas, frases e livros maiores com dramas ficcionais. Além dessa passagem profunda, nunca deixei de escrever em outras mídias “menores”, como em páginas temáticas e blogs. Atualmente escrevo pra mídias de Fotografia, Viagens, Astronomia, Sociologia, Artes em Geral, Comunicação, Design Gráfico, Empreendorismo, Cultura Underground e diversas outras coisas. Não consigo me imaginar sem tudo isso. Embora sejam áreas relacionadas, cada uma delas tem um universo próprio que exige um domínio e devoção próprios pra você contextualizar aquilo e acertar o conteúdo diante das necessidades do público que forma a demanda.

E porque estou a contar tudo isso? Pode ser uma boa reflexão sobre esforço e qualidade, mesmo que você não tenha a característica nativa do Hiperfoco. Você pode escolher se dedicar em algo que goste ou precise muito e, assim, transformar algo pequeno e superficial em algo maior, mais relevante e mais assertivo. Você pode sair de uma zona de conforto onde pouco ou nada produzia e tornar-se alguém de destaque em um determinado assunto ou segmento. Com este incentivo em mente, talvez você não se torne o melhor de todos, mas certamente vai ser melhor que você mesmo, progredindo suas possibilidades a cada dia. Seu potencial pode ser revisto e isso não é algo que deve ser ignorado.

Muitas das coisas das quais não somos tão bons, podem ser estudadas e aprimoradas ao ponto em que possamos superar as expectativas alheias. Você pode surpreender seus professores, seus colegas de trabalho, seus clientes e a você mesmo, dedicando esforço concentrado em dominar algo. Mas é importante que você filtre o foco em algo que você goste ou precise muito, pois isso será o fator crucial pra te manter preso à esta atividade, mesmo em mergulhos mais fundos e/ou longos.

Apesar de aparentar que eu não estou grande parte do tempo envolto nos textos deste blog, a verdade é que, por entendimento das necessidades da ferramenta, eu me limito a postar no máximo 2 textos por dia, ficando, preferencialmente, restrito em apenas 1. Isso ajuda na visibilidade dos conteúdos e na absorção por parte do público. Eu poderia completar o restante dos temas para fechar a lista de mais de 600 temas que predefini, porém isso seria o mesmo que desperdiçar munição. O meu objetivo com estes textos é de que sejam lidos e aproveitados pelo público, de forma que haja transformação do pensamento ou conduta mediante a reflexão que possa ser feita.

Assim, enquanto eu não posso acelerar demais aqui, uso as outras mídias de temas variados, como uma maneira de continuar criando. Ter uma diversidade de temas para produzir ajuda a me manter na Literatura, porém me desvia um pouco da concentração nos temas, o que, de certa forma, freia um pouco o potencial geral. Ainda sim, pra mim, é melhor do que ficar muito tempo sem escrever. Essa também seria uma recomendação pra quem deseja se ver motivado em algum projeto. Se suas atividades exigem que você seja menos frequente do que gostaria, tente incluir outras atividades ao redor, mesmo que por hobby, pra que você não desacelere. Isso me faz lembrar de uma estratégia semelhante que as pessoas costumam usar em corridas. Quando elas estão correndo pelas calçadas e são obrigadas a diminuir o ritmo para cruzar um semáforo fechado para pedestres, elas mantém o ritmo cardíaco e da atividade física, dando saltinhos para não ter que frear o ritmo geral do corpo. Isso ajuda a manterem-se aptas a seguir a corrida com o mesmo potencial, assim que o semáforo abrir para elas.

Essas foram algumas dicas importantes que podem ajudar pra você, independente de suas características nativas. Acredito que fazendo uso de intervenções criativas você pode transformar problemas em soluções e chegar mais longe. Não tenho o hábito de solicitar, mas como faz algum tempo que não escrevia nesta mídia, seria de grande utilidade se pudesse compartilhar o texto em sua rede social preferida ou indicar o conteúdo pra algum amigo ou colega de trabalho. Isso vai ajudar a mais pessoas passarem pela reflexão deste artigo em específico ou mesmo de poder conhecer os outros textos já publicados. Obrigado.

Rodrigo Meyer

Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer

As profissões e serviços do futuro.

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Tendemos a acreditar que todas as profissões sempre existirão, bastando que se tempere cada uma delas com um pouquinho de futurismo, mas, feliz ou infelizmente, isso não é verdade. Mesmo se olharmos pro passado, conseguimos ver centenas de profissões que foram extintas, seguindo a lógica de que aprendemos jeitos melhores de se fazer as cosias, mas também reavaliamos as necessidades e prioridades daquilo que fazemos. As demandas e objetivos da sociedade vão mudando e, por isso, trabalhos novos surgem e outros somem.

Quando me perguntam sobre quais seriam as profissões do futuro, eu deixo de lado toda aquela romantização do tema e também faço questão de destacar que o futuro distante é muito volúvel pra que se possa fazer afirmações sobre tempo e conteúdo. Uma simples descoberta no tempo presente pode alterar toda uma cadeia de pensamentos e alterar completamente os rumos possíveis ou pretendidos por uma sociedade. Então qualquer especulação sobre o futuro é limitada ao cenário que temos hoje.

Analisando o que temos de realidade agora e sabendo mais ou menos qual é a progressão com que as coisas evoluíram, podemos estimar uma continuidade por meio dessa exponenciação. Mas o futuro não se resume apenas em saber quando e com qual relevância as mudanças chegarão, mas sim, principalmente, saber quais os rumos práticos dessas novidades e o que está por trás do ser humano que aspira ou alimenta esses caminhos. Dito isso, aqui vão alguns dos meus palpites.

Com o avanço da Inteligência Artificial e as mídias de modelagem 3D hiper-realista, veremos substituições de atores, apresentadores, repórteres, modelos e até alguns criadores “espontâneos” de conteúdo, mesmo que sejam conteúdos que o público saiba que são gerados artificialmente. Em razão disso, acredito que seremos telespectadores dessas novidades, primeiramente como curiosos e entusiastas, para vermos até onde conseguimos nos entreter ou contemplar algo que não seja feito por humanos. Nos pegaremos assistindo vídeos e até filmes produzidos por uma Inteligência Artificial que consiga pelo menos reunir as imagens dentro de um contexto de comunicação e uma estrutura de roteiro. Nesse tipo de conteúdo, claro, o objetivo de quem assiste é diferente das mídias convencionais atuais. Estaremos lá curiosos exatamente pela artificialidade disso. Isso não significa que atualmente temos realidade nos conteúdos humanos, mas creio que dê pra entender o contraste sugerido.

Filósofos serão contratados e, provavelmente, serão as personalidades mais famosas das grandes empresas, inclusive diante do grande público. Assim como Steve Jobs foi um certo garoto-propaganda de sua própria empresa (Apple), com suas palestras e lançamentos em nome do avanço tecnológico, as figuras à frente do reconhecimento e prestígio do grande público serão estes tais filósofos, quase como que os gurus que nortearão certos rumos de onde a sociedade deve ir, porque deve ir e como poderemos repensar as funções e necessidades de nós mesmos diante das novas tecnologias. As pessoas se dividirão entre times, apostando no futuro e defendendo suas preferências de caminho, segundo o que for apresentado por cada empresa. Serão tempos mais divertidos, talvez.

As comidas terão se transformado em soluções cada vez menos compreendidas como alimentos naturais, por mais saudáveis e eficientes que sejam. Cozinhar deixará de ser comum e restaurantes perderão a função. Talvez transformemos nossos hábitos alimentares de tal maneira que nossa própria genética acabe se adaptando para novas realidades extremas que nosso corpo possa vir a experimentar.

Humanos na função de programador de computador terão suas funções profundamente alteradas e novas profissões irão dar suporte ao fato de que as máquinas começarão a ter melhor eficiência em planejar a programação sozinhas. Em razão disso, profissões possíveis para humanos nesse cenário seriam relacionadas a execução de estudos comparativos entre humano e máquina, experimentação a longo prazo e talvez algumas interferências humanas com objetivos como arte, moral, humor e também a própria ciência e pesquisa em geral, com base nas ambições e curiosidades humanas.

Embora seja um pouco contraditório, veremos algumas profissões convencionais do passado serem exercidas como uma espécie de entretenimento nostálgico temático. A demanda por realidades já extintas farão muita gente organizar meios de oferecer uma experiência gratificante aos velhos modos “humanos” de se fazer.

Temos mais flexibilidade em mover o rosto para os lados do que para cima e para baixo. Provavelmente é isso que nos fez criar formatos de mídias que são mais horizontais, tal como as páginas duplas de revista, as telas de cinema, televisão ou computador. Mas, se minhas antenas ainda estão boas para captar as coisas, veremos o uso de telas verticais para uso pessoal. Cada indivíduo terá uma grande tela fixa na parede, sendo tão pessoal quando o smartphone é hoje em dia. As mesas para uso de computador não existirão e o uso dessas telas se dará de forma mais natural, integrada ao ambiente, ao invés de ficarmos horas à frente delas. Usaremos elas quando nos for necessário. E como muita coisa será automatizada, teremos que interferir pouco e, portanto, interagir pouco com o equipamento.

O Design será de extrema importância e fará o planejamento de produtos estar totalmente dependente dele. Arquitetos serão algo diferente. Talvez empresas possam vender módulos para adicionarmos na construção, já com as devidas realidades tecnológicas inclusas. O papel de concepção visual e espacial de uma casa, por exemplo, será entregue nas mãos de um idealizador que entenda bem a diversidade de possibilidades de combinações que a humanidade poderá fazer da tecnologia conforme suas personalidades e realidades práticas. Assim, os módulos terão que ser suficientemente flexíveis em estética e função para que possam ser realocados para diferentes projetos de diferentes clientes. Certamente os estudos atuais de Arquitetura não contemplam isso e novas áreas do conhecimento surgirão para explorar essas atividades.

Empresas e Universidades serão mescladas. Se até hoje em dia grandes empresas já possuem imensa influência no Ensino, no futuro isso será não apenas provável, mas necessário. As pessoas se inscreverão no departamento de ensino das empresas, independente do interesse de trabalharem para elas futuramente ou não. E ouso dizer que as empresas de tecnologia terão cursos tão diversos que a maioria deles serão de áreas que hoje consideramos desconectadas da tecnologia em si.

Devido à inadequação de muitos humanos aos novos modelos de vida, é possível que profissionais de terapia e psicologia possam atuar no sentido de amparar ou encaminhar as pessoas pra que saibam como proceder aos desafios ou que possam ser acompanhadas em ambientes mais “neutros” de forma a socializarem e experimentarem a vida de uma forma que seja mais condizente com suas vontades ou capacidades. A adequação psicológica e o conforto físico e emocional serão uma prioridade.

Os serviços serão mais diversificados e também mais organizados. Provavelmente deixaremos de ver comércios físicos pelas ruas. As únicas coisas que veremos disponíveis no ambiente coletivo são as de função imediata, que precisem ser adquiridas para completarmos uma atividade externa ou solucionar um pequeno problema ocasional, especialmente do ponto de vista físico. O restante das necessidades maiores estarão supridas por aquisições planejadas por meio virtual.

Ambientes de socialização poderão mesclar diferentes funções em uma mesma área, através de módulos. Onde encontra-se uma festa, também pode-se ter, conforme a conveniência do momento, um módulo de hospedagem para quem queira dormir, outro de ajuda médica, outro de entretenimento temático. Esses ambientes modulares permitirão que as pessoas alternem entre uma atividade e outra, sem que atrapalhe os demais, com a facilidade de agregar valor subjetivo na experiência, similar ao que se tem numa viagem de navio onde podemos nos hospedar, nadar e depois retornar para contatos humanos num ambiente de conversa ou dança. Serão ambientes neutros que não são, a princípio, temáticos no todo, mas sempre personalizáveis através dos módulos. A diversidade de estilos, serviços, funções e modos de se experimentar o benefício de cada coisa, serão o grande diferencial. Escolheremos as combinações mais convenientes, divertidas e prazerosas para o nosso dia, noite ou seja lá quanto tempo dure a proposta.

Empresas tentarão nos encantar com a possibilidade de elevarmos o potencial de nossa própria mente. Poderemos transformar memórias em imagens e, com isso, criar desde coisas realistas que vivenciamos até coisas mais lúdicas como as visões de uma experiência alucinógena. Acessórios tecnológicos poderão nos proporcionar melhor conforto durante a exploração da mente, acomodando o corpo para melhores resultados sensoriais e maior segurança. Também serão possíveis, atividades coletivas organizadas com começo, meio e fim para estas mesmas atividades em estados alterados de consciência. O grande diferencial desses eventos será a possibilidade de planejar as condições, pessoas e objetivos, tematizando tais serviços para que as pessoas possam escolher “pacotes” de entretenimento ou experiência onde todos os envolvidos estejam alinhados com a proposta do evento da vez.

E, mais uma vez, por tudo isso que poderá vir pelo futuro, possivelmente acabe existindo uma atividade tão popular quanto é hoje a de manter um canal no Youtube, onde as pessoas criarão eventos para seus inscritos, possivelmente integrando o público pelas próprias mídias de divulgação dessas artes em forma de experiência ou experiências em forma de arte. No final das contas, a mente humana e as experiências terão a maior relevância em tudo que desejaremos para viver o futuro. O mundo físico, já tomado pelos computadores e robôs, nos parecerá enfadonho demais e buscaremos formas mais criativas de valorizar momentos e pessoas. O prazer, o humor e a filosofia por trás de cada sensação experimentada nos guiarão para nosso estilo de vida, nossas rotinas ou a ausência delas.

Possivelmente, o modo de interpretarmos o próprio trabalho será alterado. Vejo muito mais trocas e autogestão, além da superação do dinheiro e das formas tradicionais de se “remunerar” um benefício recebido. A própria estrutura social deverá ser transformada o suficiente pra que o trabalho não seja uma atividade que se faz pra obter dinheiro ou pra se acumular potencial de compra. Nosso score ao longo das experiências ofertadas e recebidas poderão ser um norteador de nossas possibilidades de aquisições ou até mesmo de acessos e conexões à novas pessoas, lugares e serviços. Similar à alguns aplicativos atuais que as pessoas podem interagir para contabilizar pontos, visibilidade, curtidas e avaliações de qualidade. Isso seria um bom reforço à contextos positivos, similar ao que ocorre quando um motorista de Uber é classificado e recomendado diante do público pelo aplicativo, evitando experiências ruins e dando prioridade para os melhores motoristas. Evitaríamos muitos desprazeres com isso e nos sentiríamos muito mais à vontade de socializar e explorar o mundo.

Seria um futuro fantástico do qual eu certamente gostaria de participar. Como mudanças tão drásticas assim não ocorrerão em um futuro próximo, então é algo que devo esperar pra quando eu reencarnar. Estou ansioso pelas possibilidades. Imaginar tudo isso me fez sorrir, me deu paz e me fez ter um pouco mais de esperança pela humanidade. Agora é papel de cada um fazer o necessário pra que os ideais futuros sejam concretizáveis. Precisamos dar os primeiros passos, especialmente do ponto de vista moral e ideológico, assim como do conhecimento e da transformação de nossas aspirações nas atividades.

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Rodrigo Meyer