Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer

Anúncios

As máscaras do ser humano.

2017_mes03_dia16_23h00_as_mascaras_do_ser_humano

Em um efeito bola-de-neve terrível, a humanidade mediana alimenta as pessoas com seus próprios complexos e traumas. Ao invés de solucionar e superar os problemas, despejam reações doentias como expressão dessas condições anteriores. E, claro, isso forma mais doentes. A desarmonia é o único resultado e todos ficam infelizes. Não é algo inteligente ou útil de se fazer. A boa notícia é que nada precisa ser assim.

O ser humano reage com máscaras para tudo que ele não tem interesse de manifestar com sinceridade. É assim em quase todos os temas da vida. Você verá, por exemplo, pessoas usando religiões como pretexto ou fachada para pensamentos opostos. Verá estas fachadas servirem como desculpa pra cegueira reforçada e pro ódio generalizado, tanto quanto servem pra acobertar crimes e os justificá-los.

Em certos países, por exemplo, “igrejas” ao estilo das que temos no Brasil, como estruturas de captação de dinheiro e disseminação de ódio, são totalmente proibidas de sequer entrar no país. No Brasil, a prática é permitida e até incentivada, uma vez que não há cobrança de impostos para se abrir um a quadrilha dessas, desde que estejam sob a fachada de uma religião ou igreja, pois podem, assim, justificar toda e qualquer movimentação ilícita de dinheiro e até certas práticas além.

Assim sendo, os maiores interessados nesse tipo de crime ficam altamente interessados em abrir “igrejas” pra essas finalidades. Bandidos como são, não me surpreende em nada que estas mesmas pessoas figurem em notícias de estupro, assassinato, tráfico de drogas, corrupção na política, disseminação de ódio e violência, formação de todo tipo de grupos de apoio à criminosos e práticas criminosas.

O público que adentra pra muitas dessas religiões e igrejas, pouco está interessado nos princípios pregados pela figura central. Em tempos onde esses aglomerados dizem, por exemplo, que são cristãos, é incoerência pura que detestem plenamente toda e qualquer pessoa que tenha atitudes, ideologias ou práticas como as de Jesus Cristo. No uso mais elementar da lógica, não se pode atribuir à essas pessoas nenhuma proximidade ou gosto pelo cristianismo, visto que não possuem igual proximidade e gosto pela figura que o referencia: Jesus. Se Jesus voltasse, certamente seria perseguido e morto pelos próprios “cristãos” de hoje em dia, tamanho o contraste dos ideais.

Mas, máscaras são usadas livremente, pois o que se pretende com esses crachás e práticas não tem nada de espiritualidade ou ideologia religiosa. Essa fraqueza em admitir os motivos reais vem da insegurança e instabilidade do ser humano adoentado que, munido de muitos complexos e traumas, teve uma vida saturada de abusos, fracassos, incômodos e tristezas. Mas ao invés de resolvê-los, escolheu despejar ódio em quem não tinha nada que ver com isso. Eis o porquê tantas dessas pessoas são figuras que tudo apontam e reprimem no outro, assim não precisam focar os olhos em si mesmas. Camufla-se o preconceito com uma citação bíblica ou um discurso de um bandido vestido de pastor, por exemplo. É conveniente.

Também são igualmente comuns as máscaras políticas. Engana-se enormemente quem acredita haver interesses ideológicos sólidos por trás da maioria das escolhas de vertentes políticas. Assim como em muitas partes do mundo, no Brasil, a simples distinção entre Esquerda e Direita, já não tem nada a ver com escolhas de caminhos políticos para gestão social. As pessoas adotam o termo “direita” sem nem ao menos saber o que isso significa. Para elas, ser direita é apenas a forma de se opor à Esquerda, seja lá o que isso represente.

Se alguém, por interesses obscuros, quiser dizer que algo é ruim, basta associá-lo ao outro “time” nessa dualidade e fazer com que toda massa de um lado apoie qualquer coisa e combata qualquer coisa. E essa imbecilidade vem do fato de que elas não estão lá por ideais políticos, mas apenas por medo e ódio, seguindo cegamente o que sequer conhecem. Então veste-se a máscara de um ou outro “posicionamento” para formar um “time” entre a dualidade pretendida e defender isso ferrenhamente como, infelizmente, ocorre com os times de esporte em várias partes do mundo. O famoso “eu versus o outro”, independente de quem eu seja e de quem seja o outro. É, por si só, hilário, apenas de se ler. Imagine na prática! (Esse vídeo pode te ajudar a rir ou vomitar mais).

Máscaras também são utilizadas nas profissões. É lindo adotar um nome que esteja em alta, na moda, que renda status ou até uma noção despojada de vida. Por muito tempo, as profissões de arquiteto, engenheiro, médico, advogado e empresário, eram o ápice da nobreza e quem não seguisse por esses cursos era mal visto e desprezado pela família. Ainda hoje isso existe, pois essa cobrança social (dentro e fora das famílias) é passada de geração pra geração como um papagaio que repete eternamente o que é e o que não é bom de se ser, fazer ou ter, segundo o que ouviram a vida toda.

E o problema de se vestir tais máscaras é que por trás desses supostos títulos de médicos ou advogados não se encontram os verdadeiros profissionais. Atrás da máscara de um médico, pode-se encontrar, infelizmente, todo tipo de bandido desinteressado em cumprir com seu juramento de salvar vidas. Desde pessoas que defendem a morte de pacientes por questões de “oposição política”, de racismo, de machismo, até situações onde o descumprimento da profissão é generalizado, tornando-se apenas uma fachada para cometer crimes rotineiros, como foram muitos casos de estupradores (inclusive de crianças) que adentraram na área médica pra viabilizar tais objetivos.

A humanidade usa máscaras o tempo todo. Ela tenta parecer melhor, mais honesta, mais espiritualizada, mais culta, mais forte, mais nobre, mais viva, mais bonita, mais jovem, mais interessante, com mais poder de influência, mais noção da realidade. Mais, mais, mais. E, debaixo das máscaras, apenas menos, menos e menos. E o próprio uso constante das máscaras apodrece o que há de bom por baixo. O constante sufocamento pela fachada, elimina gradualmente as chances de algo bom sobreviver naquela pessoa. E assim contaminam-se até o ponto de não mais se reconhecerem senão pela imagem da máscara. E quebram a cara, claro, ao se chocarem com todo tipo de realidade, pois a verdade não muda, apenas porque alguém se fantasia. Usar a foto de um pássaro amarrada no rosto, não faz ninguém voar e no primeiro penhasco despenca sem volta.

Abandonar as máscaras o quanto antes é benefício pra própria pessoa. É sem elas que terá oportunidades de se realizar como ser humano, encontrar seus talentos na vida, suas verdadeiras preferências e gostos, suas ideologias, suas filosofias, seus valores, suas práticas, suas realidades e outras pessoas que igualmente vivem essas realidades, sem máscaras. O “clubinho” das pessoas verdadeiras ainda não é popular, mas podemos sempre ampliar esse grupo e mudar o jogo. Basta querermos.

Assim que abandonamos uma máscara, entramos automaticamente pro lado das pessoas que lutam por espaços gratificantes de se viver. E será cada vez mais fácil viver nesse lado, se mais pessoas estiverem lá, pra apoiar e interagir. Difícil mesmo é socializar às cegas com todo tipo de ódio e violência que brota nesse carnaval de máscaras nada parisiense. Deixe as máscaras apenas para jogos temporários de diversão. Verá como é bem mais interessante e produtivo dividir a realidade dessa forma. As máscaras sociais, por status ou pra acobertamento de falhas de conduta, prática ou pensamento, não trazem benefícios pra ninguém. Comece se amando hoje mesmo e transforme-se numa pessoa melhor pra si mesmo. Ao fazer isso, você se torna melhor também para os outros que terão que conviver com você e, certamente, eles começarão a retribuir isso pra você. Seja inteligente na sua escolha.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Pais ruins não fazem falta.

2017_mes02_dia18_09h00_pais_ruins_nao_fazem_falta

É imenso o número de pessoas que desenvolvem insegurança, complexos e outros problemas por causa de pais ruins, principalmente na infância. As crianças buscam, a princípio, aceitação dos pais, presença e amor. Mas, frequentemente não encontram nada disso. Por vezes a mãe ou o pai sequer estão presentes fisicamente, mesmo podendo estar.

O fato é que pais ruins não fazem a menor falta. Sei que não basta dizer isso pra que todos cresçam seguros de si. A mente humana ainda é bastante dependente de certos padrões e estímulos, por mais simbólicos e artificiais que eles eventualmente sejam. Quando somos crianças, a aprovação paterna e materna tem mais peso do que de fato deveria ter.

Crescemos um pouco mais e nos damos conta de que pai não é quem gera filhos, é quem os cria. Da mesma forma as mães. Aprendemos que irmãos são quaisquer pessoas nesse mundo dispostas a ser. Definitivamente, pais ruins não fazem falta e parente nenhum nos faz falta se ruins forem. Esqueça padrões sociais ilusórios, conceitos deturpados, auto-cobranças sobre ser um bom filho ou não. Nada disso é real. E você descobre, se quiser, cedo ou tarde.

Somos uma sociedade marcada por abandono paterno e muitas vezes também materno. Inúmeros são os casos onde o homem abandona a mulher ao descobrir a gravidez. Pais desse tipo nada poderiam oferecer de bom aos filhos e é até um benefício que se afastem. As únicas coisas úteis que podem oferecer são a pensão e as obrigações jurídicas diante do contexto.

Às vezes, essas figuras não abandonam a família, mas atuam com similar ausência. Isso, por si só, prova que não faz a menor diferença e que não fazem a menor falta. Estando ou não associados à uma casa ou família, se não são presentes de verdade e se não possuem qualidade interior pra serem pais, não precisamos deles.

O que toda criança precisa é de bons pais / mães, que sejam presentes, interessados, envolvidos, atenciosos, carinhosos, que as respeitem e valorizem. Um pai pode ser a própria mãe da criança, e uma mãe pode ser o próprio pai dela, como também podem ser os tios / tias, os irmãos / irmãs, os avós ou qualquer pessoa que tenha afeto e interesse de ver aquela criança feliz. Esses padrões sociais não interferem em nada e a sociedade precisa parar de pressionar, para facilitar que mais gente ignore isso e fique feliz e inteiro mais brevemente.

Na cultura tibetana ocorre algo interessante que é um valor social onde a mãe não é limitada a uma única figura. Quando a mãe biológica de uma criança está ausente por um determinado momento, outra mulher assume o papel de mãe para aquela criança. Existe um sentimento de empatia e senso de colaboração na comunidade. As pessoas transmitem amor e cuidado aos demais de forma espontânea e por isso acordos sociais como esse são tendências fáceis de se ver ocorrer.

No final da equação, tudo que importa é receber amor. Não somará para nosso crescimento pessoal se tivermos a figura conectada mas não recebermos conteúdo relevante dela. Não precisamos de pais ou mães que maltratam seus filhos, rejeitam, desprezam, ofendem, ridicularizam, agridem, abusam. Não precisamos de pais que nos façam sentir incapazes, sem valor ou dignidade. Também não são necessários aqueles que se ausentam nos momentos importantes e depois tentam se aproximar como se nada tivesse ocorrido.

Conexões e experiências ruins são totalmente desnecessárias, exceto para nos fortalecer e nos ensinar que podemos ser livres e maiores sem tudo aquilo, que podemos e devemos ter amor-próprio antes de tudo. Na fase da infância, se não recebermos a devida atenção podemos crescer acreditando que não temos valor. A perda da autoestima vai acabar nos deixando derrotados na nossa mente, mesmo se tivermos todo potencial do mundo.

A mente que acredita em algo, vive esse algo. Nossa mente é poderosa. Mudar padrões na mente é mudar realidades. Tudo aquilo que superamos, some como num passe de mágica. Superar momentos ruins pode ser difícil, dependendo das ocorrências e de cada pessoa. Mas tudo pode ser revisto e sempre podemos recomeçar novos dias, novas histórias, novas experiências, novas emoções, com novas pessoas.

Nunca se prenda a pessoas tóxicas apenas por achar que deve algo à elas, que deve obediência ou respeito. Figuras biológicas não significam absolutamente nada. O que marca valor em uma pessoa não é a origem do material genético. O mesmo vale pra qualquer outra pessoa no mundo. O critério é apenas a qualidade dessa pessoa. Esteja por perto de pessoas de valor que querem lhe ver livre e feliz.

Eu repito uma frase por anos e anos e vou repeti-la enquanto houver gente que não aprendeu: “Quem ama, quer ver o outro livre e feliz. Qualquer coisa diferente disso não é amor.”

Considero a minha história familiar um completo desastre. Reconheço os pontos positivos da minha mãe, mas tenho severas desaprovações sobre os pontos negativos. Sobre meu pai, posso resumir como sendo um completo desperdício de átomos. Não há pontos positivos. Não tenho contato com ele desde meus 18 anos, provavelmente. Cheguei a escrever algumas descrições sobre o tipo de “pessoa” que ele foi e ainda é, mas preferi omitir por entender os limites que me cabem e/ou convém. Me sito tão bem estando longe que não tenho nenhum interesse de me aproximar, ainda mais se for por conta de algum processo judicial contra mim. Que continue longe, seja lá onde estiver. Que morra rápido e que não reencarne no mesmo mundo que eu. Que assim seja e assim será.

Se você passa por momentos difíceis em seu contexto familiar, com algum tipo de sofrimento ou desprazer, esteja sempre pronto a dividir essas situações com uma pessoa de sua confiança. Se tiver idade suficiente e/ou condições de estar em outro ambiente, procure essa alternativa como forma de se afastar do problema e se libertar.

Não deixe que as situações da vida acabem por lhe tirar a confiança e a vontade de viver. Tenha em mente que sua autoestima deve estar relacionada à você e a valorização através das pessoas certas e não de qualquer pessoa. Empodere-se o quanto antes para se ver sempre disposto a desenvolver todos os seus potenciais. Nunca se limite por um conceito, pela ausência de um conceito, por uma pessoa ou pela ausência de uma pessoa.

Existem situações das mais diversas ocorrendo pelas famílias ao redor do mundo. Seria impossível em um único texto abranger e dar a devida recomendação pra toda essa gama de possibilidades. Espero poder contribuir no decorrer de novos textos e ser útil pra cada caso.

Alguns contatos que podem ser úteis para informações ou ajuda em casos de maus-tratos:

Secretaria de Direitos Humanos
LGBT
Pessoa com Deficiência
Crianças e Adolescentes
Pessoa Idosa
Delegacia da Mulher (em São Paulo, podendo procurar por CEP qual a unidade mais próxima de você).

Veja outros textos e se inscreva na página para ficar por dentro assim que um texto novo chegar. Acesse: www.facebook.com/rodrigomeyer.author

Rodrigo Meyer