A receita do caos e a esperança.

A imagem que ilustra esse texto é uma adaptação de uma fotografia de 7 de Maio de 2006 feita em um evento de Democracia Direta, em Glarus, na Suíça.

É difícil não falar de política quando tudo na vida do homem em sociedade é política, querendo ou não. Ao falar do ser humano, temos que, necessariamente, falar sobre política. Mas, engana-se quem pensa que política é somente aquilo que compõem a esfera das ideologias partidárias, dos planos de governo, das eleições e das decisões e repercussões dos assuntos ministrados pela classe dos chamados ‘políticos’.

Em verdade, todo ser é um ser político e não apenas os engravatados que ocupam cargos oficiais em um governo. Quisera eu não precisar falar de política, um dia após o 1º Turno das Eleições brasileiras. Seria tão mais fácil e agradável seguir a vida pensando no próximo livro, na próxima ilustração, no trabalho, na companhia dos amigos, nas viagens e nos prazeres adiados a tanto tempo. Mas, por isso mesmo, é importante erguer os punhos e direcionar um pouco mais de energia, mesmo sabendo o quão desgastante é lidar com a situação do Brasil.

Desde o “descobrimento” do Brasil, com a invasão dos portugueses, a tomada de nossos bens, a destruição e/ou apropriação da cultura indígena e dos negros, em paralelo a escravização destes, até os momentos ditos ‘modernos’, que de modernos não possuem nada, ficamos em situações vergonhosas, desastrosas e incompatíveis com qualquer sonho de progresso que atribuímos aos chamados ‘países de primeiro mundo’. O Brasil tentou por muitas vezes reverter sua própria condição, apostando em iniciativas que nasceram de baixo pra cima, das gerações de pessoas empobrecidas pela exploração, netos dos netos de muita dor e pouco respeito recebido. O Brasil se formou, basicamente, pelo trabalho de quem sobreviveu ou deu a vida por uma esperança de mudança. As pessoas que mudaram esse país, goste você ou não, não foram os banqueiros, nem as pessoas que sistematicamente receberam heranças de nobres, que por sua vez, só se tornaram assim ricos (porque nobres mesmo nunca foram), pela exploração das pessoas. Tempos depois, ainda vemos isso acontecer, sob outros métodos e cenários. Agora, relativizam até mesmo os direitos e salários conquistados, na busca por um retorno à época em que as pessoas tinham o que comer, mas eram escravizadas. Estamos em um país quebrado financeiramente, mas mais do que isso, quebrado moralmente.

Mas, por hoje, não vim falar exatamente desse tipo de política, muito menos sobre economia e mercado. Embora seja verdade que isso tudo é importante, porque é a consequência atual que vivemos, temos que compreender, antes, como chegamos no caos. E pra entender isso, precisamos lembrar de tudo que tentam omitir ou apagar diariamente.

Há alguns dias eu lia o depoimento de um rapaz que quando adolescente sentia orgulho de apoiar um determinado pensamento, chegando a admirar uma figura de liderança desse meio na política brasileira. Os anos se passaram e ele despertou de uma imensa ilusão. Não foi tão simples quanto esperar o tempo passar. Foi necessário que ele tivesse a decência de se valorizar o suficiente pra se desvencilhar de falácias e má informação. Teve que estudar História, Política e se empenhar na sua própria compreensão, descobrindo os motivos que o faziam ter falta de empatia e uma conduta e/ou pensamento simplista demais para os problemas do mundo. Tal rapaz discursava em seu depoimento de arrependimento como um pedido de ‘mea culpa‘, se retratando sobre o seu passado e explicando o erro cometido que culminou na atual mudança de postura.

É bonito ver que uma pessoa, sozinha, por assim dizer, apenas com a ajuda de sua própria curiosidade e força de vontade, conseguiu refletir sobre si mesmo, seus erros, a causa de seus pensamentos equivocados, seus transtornos, seus medos, suas inseguranças e seus preconceitos sobre o mundo. Munido de informações sobre si mesmo, ele percebeu que o melhor caminho era munir-se também de informações aprofundadas sobre o mundo. Eis que nasce alguém novo, disposto a aprender ao invés de replicar bordões e ilusões. Eis que nasce alguém questionador que pensa sozinho e não depende de ninguém ditando o que ele precisa fazer ou pensar. Eis que surge alguém que realmente tem potencial de transformar o mundo.

Observando esse caso isolado de transformação, logo podemos notar que as mudanças são possíveis, mas depende de um esforço sincero. Quando você busca a liberdade de entender mais daquilo que não conhecia, você transforma preconceitos em conhecimentos, ilusões em dados realistas. O inverso disso, sendo a estagnação pura ou o retrocesso, aniquila o potencial humano de se lapidar, de melhorar, de progredir, de evoluir, de adquirir conhecimento e de quebrar os preconceitos. O Brasil chegou num estágio de sufocamento social onde corremos o risco de tristes novos desmembramentos dos fatos que ocorreram, principalmente, de 2014 pra frente. Durante estes anos recentes, o Brasil se viu em uma guerra de corrupção imensa, onde até os que deveriam ser responsáveis pelas prisões, figuraram em crimes de corrupção e prisão (vide o caso do apelidado ‘Japonês da Federal’, pra citar apenas um das centenas de envolvidos). Cruzamos por um processo fraudulento de Impeachment, com votos comprados entre os políticos, recoberto com a certeza de que a corrupção continuaria ainda mais vigorosa, apesar da ‘Operação Lava Jato’. Áudios vazados mencionavam que a corrupção só conseguiria seguir adiante se houvesse “um acordo com o Judiciário, com tudo.”. De lá pra cá, nunca se viu tanta parcialidade, hipocrisia, corrupção e banalização da vida. Viciados em corrupção e dinheiro, os políticos aproveitaram o caso generalizado pra agir ainda mais, já que era tanta confusão, que ninguém teria tempo pra discernir todas as falcatruas que estavam ocorrendo em paralelo.

Enquanto o brasileiro assistia entusiasmado pelas cenas dos próximos capítulos nas sagas diárias dos telejornais ou dos sites de notícias na Internet, os políticos riam em dobro, matando delatores, juiz e até mesmo o delegado que investigava a morte deste juiz. Em uma sucessão de crimes pra queima de arquivo, o recado foi dado: após o aval dos corruptos na Justiça e na Política, todos estariam segurando seus ossos de forma incondicional, tivesse ou não que matar alguns pra isso. Com o juiz, Sérgio Mouro, o mesmo que recebe ilicitamente salário acima do teto permitido por lei, diversos casos convenientemente foram ignorados por ele. Em se tratando de seletividade e hipocrisia, esse parece ganhar de muitos outros. Abraçou de forma notória o partidarismo e fez todo o possível pra inventar um cenário que corroborasse com a teoria que ele e sua turma escolheram pra pintar a caveira de certas figuras políticas. Tanto fez e tanto recebeu respaldo da mídia, que conseguiu não só forjar a condenação de Lula, como mobilizar um mar de incautos a expandir a semente do ódio que nutriam pelo PT.

Tais pessoas, enviesadas pela ideia de que o Partido dos Trabalhadores (PT) representava automaticamente uma ideia ou consenso abraçado por todos os políticos que ali estavam inscritos, formaram um grande número de brasileiros que não tinham disposição de aprender ou discutir verdadeiramente os assuntos políticos, criaram um muro de ignorância, exatamente ao sentido real de ignorar algo. Ignoraram fatos, ignoraram a manipulação política que sofreram, ignoraram as pendências internas de si mesmos, ignoraram as falácias cometidas, o ódio pregado e até mesmo as ‘fake news’ criadas e compartilhadas massivamente pela internet e até mesmo pelas mídias ditas ‘convencionais’. O brasileiro aprendeu de forma completamente distorcida e limitada, que bastava ter ódio à um monstro imaginário e tudo ficaria bem. Foi exatamente esse cenário desastroso de desafeto pelo estudo e reflexão da política que cultivou uma plateia sedenta por manipulação, por discursos de ódio compatíveis, por uma plantação ostensiva de falácias e conceitos pré-fabricados que levasse o eleitor a ficar tão indignado com o cenário desenhado por alguns ao ponto de começaram a achar válido ideias descabidas como, por exemplo, dar voz, poder e espaço pra figuras completamente despreparadas e mal intencionadas como a do candidato à presidência de 2018, Jair Bolsonaro.

Mas, engana-se novamente, quem pensa que esse espaço nasceu simplesmente da repetição sistemática dos discursos de ódio contra os governos anteriores. Esta repetição foi, se muito, apenas o embrulho de um contexto prévio muito maior que estava sendo gestado no brasileiro. Descobrimos em 2018 um abismo aparentemente sem precedentes, composto de um número grande de pessoas abertamente cegas sobre valores e dignidade humana, adeptas de um discurso aberto de xenofobia, racismo, machismo, homofobia, ódio de classes e uma alusão fictícia e pré-fabricada de um suposto combate aos regimes totalitários comunistas. Muito se nota disso, quando se percebe que essas pessoas desconhecem até mesmo que Comunismo nunca se resumiu aos citados regimes totalitários que visualizamos na União Soviética ou em outros exemplos similares. As pessoas que apontam ódio ao Comunismo, tentam, em vão, alçar do fundo da História um cenário que não tem nenhuma conexão com os ideais abraçados pela diversificada esquerda no Brasil e em vários povos do mundo. Independente de qual seja seu posicionamento ideológico, é um poço de ignorância acreditar que é suficiente pautar seus discursos e pensamentos em algo que você simplesmente desconhece e, mais do que isso, replica um discurso se posicionando ardorosamente sobre, sem nem mesmo poder ter coerência ou respaldo de fatos. E quem sai perdendo com isso, além de você mesmo, são todos os demais na sociedade que vão ter que mastigar as consequências da falta de informação, das mentiras e preconceitos plantados, do ódio gerado e, claro, da manipulação ainda mais feroz dos corruptos e sedentos por poder, em cima, justamente, desses que nada sabem sobre aquilo que os está explorando e manipulando no campo da política (pra dizer o mínimo).

Perceba que é natural e sensato as pessoas terem pensamentos diversos, desde que estejam sempre almejando conhecer ao invés de reduzir preconceituosamente uma suposta oposição que desconhecem. Na vida política, em espaços democráticos, por exemplo, vê-se algo em comum com modelos de diferentes vertentes políticas, que é justamente a concordância em se fazer uso dos mecanismos políticos em comum pra preservar, antes de tudo, o direito de todos terem espaço possível na política, restringindo, paralelamente e automaticamente, as opções que derrubam e ameaçam a democracia, como é o caso do fascismo. Por essa simples razão, vertentes ideológicas até mesmo fora do campo da democracia, ainda encontram sintonia com os democratas, no sentido de manterem, pelo menos, o antifascismo como requisito. Não tarda muito pra que as pessoas olhem estas informações apontadas e fiquem assustadas ou receosas sobre o que isso possa significar. Tantas e tantas vezes já se foi feito o discurso depreciativo sobre a auto-gerência ou o Anarquismo, que as pessoas já se esqueceram de que é exatamente nestes modelos que você tem liberdade e autonomia, inclusive pra pensar por conta própria. Ser livre exige muita responsabilidade e, se você recusa ou minimiza o valor de uma ideia que prega justamente a liberdade, você está minando a sua própria liberdade e sua própria coerência. Ao se pautar pelo cerceamento do seu próprio pensamento, você está admitindo um encurtamento de seus potenciais de reflexão, de decisão de sua própria vida e da sua capacidade em ser quem você realmente quer ser.

E onde quero chegar com isso? Gostaria, se possível, conduzir os passos desse texto até o ponto em que você possa perceber que, ter se prestado ao papel sórdido de marionete não fará ninguém ser realmente alguém com potencial de transformar sua própria vida em algo melhor, incluindo nisso, claro, a transformação do seu país. Aqueles que verdadeiramente querem ver uma solução para os problemas do país, precisam, antes de tudo, estarem munidos da autonomia necessária pra pensarem sozinhos, por conta própria, sem apoio de muletas oportunamente criada por manipuladores que vão sugar sua moral, sua índole, seu dinheiro, sua força, seu poder de discernimento, sua educação, sua empatia, seu senso de percepção sobre a aproximação de problemas e até mesmo sobre a percepção do grau dos problemas ao redor. Não seja essa pessoa que cresce sendo levado pelas ideias de qualquer um, espumando seu ódio em discursos rasos que não podem sequer ter comprovação ou respaldo da realidade. Não seja a pessoa que passa vergonha desnecessária na internet e nas conversas de mesa, tentando ensinar a História que nem mesmo você teve paciência de estudar. Faça como o citado sujeito do depoimento que teve a grandeza de rever seus equívocos e começou a estudar política com seriedade, justamente por não aceitar continuar na cegueira, na manipulação, no prejuízo causado pela corrupção dos políticos e nas mentiras e iniciativas nefastas criadas por aqueles que exploram sua mente, seu trabalho, sua família, sua esperança, sua dignidade, sua individualidade e seu valor como ser humano.

Nos próximos momentos, chegaremos ao 2º Turno das Eleições 2018, onde as pessoas precisarão deixar um pouco mais claro aquilo que elas não aceitam pro futuro de si mesmas. Infelizmente, em um cenário como o atual, não tenho como ficar feliz em descrever ou apontar as opções, justamente porque sei que temos opções rivalizadas demais pra conseguir flexibilizar. De um lado temos o que deveria ser inaceitável: um candidato que representa os absurdos do fascismo, com apoio aberto ao horror da Ditadura, tendo como discurso, a homenagem à torturadores, o preconceito violento contra negros, gays, mulheres, índios e minorias em geral. Fosse este qualquer outro candidato de direita concorrendo às eleições, não teria erguido em grande parte da população (não só do Brasil) um repúdio automático expresso em manifestações ao redor do mundo. Você pode achar que essa rejeição é mais um plano mirabolante conspirado por um político opositor, um partido ou um grupo de viés ideológico, mas engana-se duas vezes. E é por não se permitir compreender a fundo quem são as pessoas que expressaram claramente a não aceitação do fascismo como opção política, que você acaba manipulado mais uma vez pelo seu próprio opressor. Ainda que você simpatize ou solidarize com algumas das supostas ideias pregadas ou discursadas por Bolsonaro, precisa, antes de tudo, entender o que te levou a esse desespero que te jogou à um equívoco na interpretação da realidade, no aprendizado sobre fatos históricos, no que é benéfico ou eficiente pra transformação da corrupção do país ou até mesmo no que é útil pra aproximação da sua ideologia na vida até você. Se hoje você pode pensar com liberdade sobre todas essas questões, é porque livros não foram queimados, rasgados ou confiscados, ideias na internet, no rádio e em outras tantas mídias, não foram censuradas, espetáculos de música ou teatro não estão controlados, etc.

Uma figura tão polarizada como a deste candidato do PSL, ao lado de outra figura que tem sido vista como um mascote do Partido dos Trabalhadores (PT), fez com que os ânimos ficassem aflorados. O Brasil conseguiu cair em um contexto de anti-PT muito grande, onde até mesmo a figura de um ex-prefeito que cumpriu resultados na sua gestão, tem sido visto com maus olhos por muitos que aderiram aquela ideia fácil de seguir o vento dos discursos de ódio que pressionaram os últimos presidentes do Brasil. Esse tipo de polarização impensada, coloca na balança figuras com pesos completamente diferentes. Você pode até mesmo não achar ideal o potencial do candidato do PT à presidência e suas propostas de governo, mas o que você não pode negar é que, entre as opções que restaram, ele é o único que pode lhe assegurar a continuidade da sua própria liberdade de escolher próximos candidatos em próximas eleições. Feliz ou infelizmente, em 2018 passamos por eleições atípicas neste primeiro turno e seguirá sendo uma eleição atípica no segundo turno. Diferente de outros anos de eleição, o atual momento nos colocou pra escolher algo muito além do que planos de governo ou até mesmo de ideologia partidária. Estamos diante de um cenário que pode comprometer gravemente a democracia, extirpando ela à força ou maquiado de meios “legais”. Um candidato que não reconhece a legalidade e a democracia, que acredita que pode resolver problemas da grandeza do país por meio da violência, não é só uma pessoa violenta e sem empatia, mas alguém que desconhece sobre como as coisas realmente funcionam. O Brasil já vive um caos generalizado desde a colonização e tudo tem se agravado dia após dia, por falta de investimentos suficientes nas áreas que realmente importam. Negligenciar a base e a causa dos problemas não vai resolver os problemas existentes, vai ampliá-los e ainda trazer novos problemas. Esse é o perigo que muita gente notou e quis distância de forma incondicional.

Você tem nas mãos a oportunidade de tolerar um governo que não aprecia tanto, mas que será tua opção possível na democracia, pra rejeitar o fascismo embutido na única figura que restou como concorrente deste. Infelizmente, quando o mundo fica polarizado, as pessoas ficam apenas com duas opções e isso é desastroso. Queira pra si, sempre, ter todas as opções possíveis e imagináveis. Isso é liberdade, isso é, até mesmo, ser liberal e ter a possibilidade de definir e discutir ideias. Lembre-se que, por mais que você pense pelo ódio, quando você, eventualmente, descobrir que se arrependeu, talvez não encontrará mais as portas abertas pra sair de onde você nunca quis ter entrado. Pense nisso e lembre-se que eu dediquei meu tempo escrevendo tudo isso, justamente porque nenhum dos dois candidatos que figuram no 2º Turno, são alinhados com os meus valores e ideais, mas, certamente, entre estes dois há um deles em que escolho tolerar e esperar pelas próximas Eleições e o outro eu não concordo de maneira nenhuma em ter que engolir, sem opção, fruto de um eleitorado manipulado que venceu pelo ódio e não pelas ideias, pela disseminação das ‘fake news’ que rodeiam a internet há muito mais tempo do que a candidatura de ambos. Eu escrevi esse imenso texto, por me opor sistematicamente ao fascismo e à qualquer porta aberta para tal. Escrevi, porque acredito que boas ideias e ações honestas valem mais do que corrupção e violência. E, finalmente, escrevi tudo isso, porque estudei, porque me permiti pensar sozinho e porque não aceito nada menos que a minha liberdade. Almejo continuar, vivo, respeitado, com espaço para pensar, escrever, refletir, discutir, mudar, evoluir, construir o que possa ser melhor não só pra mim, mas também pra você. Se a sua estrela não brilha, por favor, não tente apagar a minha. Eu prefiro me dispor a ajudar a fazer a sua estrela brilhar também. Liberdade é onde todos tem a oportunidade de vencer, horizontalmente. Opressão é onde um “vence” os demais verticalmente.

Rodrigo Meyer – Author

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Honestidade na Segurança Pública?

No Brasil, assim como na maioria dos países do mundo, as instituições de polícia são sinônimo de crime. A diversidade e intensidade de crimes cometidos é tanta que é praticamente indissociável o nome das corporações e dessas profissões em si com tudo o que é abominável. Mas, como também somos um país minado por falta de Cultura e Educação, por aqui também figura uma massa gigantesca de pessoas que sequer sabem discernir entre realidade e ficção ou entre realidade e falácia, ainda mais quando as mídias e os grupelhos políticos usam a própria população como marionetes para assumir um determinado pensamento no lugar destes que não tem autonomia para pensar. É por essa razão que surgem, por exemplo, discursos do tipo “Nem todos são assim. Tem policial honesto.”. Então deixa eu esclarecer algumas coisas bem primárias pra quem ainda é leigo no assunto ‘Segurança Pública’ ou pra quem acha que não é leigo, mas está afundado em equívocos e cegueiras. Falaremos, já de início, de dois tipos de desonestidade. Quais são:

Desonestidade consciente

Primeiro vamos estabelecer que uma parte dos indivíduos dessas instituições já se enquadram automaticamente na desonestidade clássica, por figurarem conscientemente em atos criminosos. Casos não faltam pra exemplificar e, inclusive, muitos registros até se perdem, tanto na vida real quanto na internet, por conta da própria tentativa destes de ocultar os resultados. Mas quem vive o suficiente em torno da realidade, repudiando crime e fascismo, está sempre antenado com o que está ocorrendo dia após dia.

Desonestidade (talvez inconsciente)

Seja por ignorância ou simplesmente por hipocrisia, alguns podem não chegar a ver a extensão da realidade sobre o que são e no que se envolvem. É possível ver figuras se exaltando de raiva ao verem dedos apontados em suas caras, depois de passarem uma vida iludidos na ideia de que eram honestos. Mas será que sabem o que é honestidade? Primeiro, se uma pessoa se classifica como honesta e é contrária a desonestidade, a premissa básica dessa pessoa precisa ser, necessariamente, não compactuar, não ser conivente, não participar e não divulgar aquilo que é desonesto. Partindo desse princípio simples de lógica, que até uma criança pode entender, comecemos esclarecendo algumas coisas:

O ingresso nesse tipo de atividade é facultativo, inclusive no Exército, onde, apesar de haver a obrigatoriedade de se apresentar à Junta de Alistamento, é permitido se recusar a servir por motivo de objeção de consciência. Se é facultativo o ingresso nesse tipo de atividade, então é claro e simples que todo e qualquer indivíduo que entra, faz porque quer, afinal, outras atividades remuneram igual ou melhor e não oferecem os riscos e as corrupções atrelados, majoritariamente, a essa atividade.

Outro aspecto importantíssimo nessa equação é que ninguém que de fato seja honesto tem interesse em entrar pra um sistema, grupo, instituição, organização, atividade ou qualquer outra coisa, depois de estar ciente de que o conjunto está contaminado por corruptos. Seria como entrar pra SS Nazista e ser ingênuo o suficiente pra achar que você vai descumprir ordens desonestas ou abusivas, denunciar superiores ou outros membros da corporação, apenas porque você é o tal ‘honesto sobrevivente’ naquele contexto. Tenho pena de quem pensa raso assim. Provas disso, por exemplo, foi quando a policial militar Andreia Pesseghini (reveja o caso aqui) denunciou 18 outros policiais militares por assaltos a caixas eletrônicos e terminou assassinada junto com o resto da família. Não foi diferente quando Marielle Franco (veja o caso aqui), na função de acompanhar e denunciar os assassinatos, abusos e irregularidades na intervenção em Acari – RJ, cumpriu seu papel e foi executada. A munição estava registrada em nome da Polícia.

É fácil ver que em um ambiente que está tomado por corrupção e impunidade, o crime reina e quem ousa remar contra a maré, corre o risco de ser silenciado. Além disso, inúmeras outras pessoas são rebaixadas de cargo ou simplesmente ignoradas nas suas tentativas de denúncias contra as próprias corporações. Existe até mesmo a premissa em certas instituições de que não se pode denunciar um superior. Com esse pretexto de hierarquia e uma corregedoria falha e muitas vezes intimidada, somente os ingênuos acham que estarão dentro do círculo de criminosos sem serem cúmplices ativos ou passivos dessa criminalidade.

Dentro dessas instituições floresce uma horda de neonazistas assumidos, racistas, assassinos, traficantes de armas, traficantes de drogas, estupradores e todo tipo de bandidagem. E não há nada pra nos surpreendermos com isso, uma vez que a realidade, tanto na própria ação das polícias quanto na imagem gerada socialmente, suscita uma conexão imediata entre crime, fascismo e os desejosos por isso. Mas não são quaisquer criminosos que se enveredam por esse meio, mas sim os que, especificamente, reconhecem-se tão covardes e frouxos que precisam se esconder atrás de um salário, uma farda, uma viatura, uma arma, um colete a prova de balas, uma corporação e uma “licença” artificial plantada para perpetuar poder e opressão sobre as pessoas, como se fosse um cidadão de classe especial ou de melhor valor. Tudo isso lhes confere uma certa segurança e praticidade que eles jamais teriam se fossem bandidos comuns.

E para manter o status quo da criminalidade interna junto com a criminalidade social em geral, os desonestos conscientes manipulam os desonestos inconscientes para atingir os próprios objetivos. Portanto não há como ser honesto e ao mesmo tempo estar sendo parte da engrenagem que movimenta a desonestidade. Um exemplo claro disso é esta notícia:

1. Traficantes mandavam em patrulhas, escalas e transferências de PMs.

Quando as pessoas que mandam no seu trabalho são criminosas e você acata as ordens, você está sendo um desonesto passivo, além de completamente inútil em sua função primária. Na ocasião em que tiveram a ideia de colocar as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), certamente riram da cara da ingenuidade do brasileiro, pois não demorou a surgir a notícia de que isso foi apenas uma ótima oportunidade pra se gerar ainda mais crime, onde rendia mais de R$ 100 mil reais por mês de corrupção, como uma espécie de pedágio. Difícil á saber a quem denunciar, pois fardados e não fardados inúmeras vezes trocam de posição na hierarquia prática da criminalidade. E aqui vão alguns exemplos:

2. Sargento do Exército é preso por fornecer armas ao tráfico.

3. Homem preso com 19 fuzis no Rio é militar do Exército.

4. Ex-Comandante de UPP no Rio recebia R$ 60 mil Reais em propina, pra facilitar o trabalho de outros criminosos.

É tragicômico ver que muitos dos que se consideram honestos dentro dessas instituições são apenas subordinados numa hierarquia, seguindo ordens. Na Polícia Militar, por exemplo, greves são proibidas e o próprio sistema que constitui a “formação” dos policiais é vergonha pura com muita humilhação e violência, justamente pra deixar claro aos que ingressam, que ali eles estão pra servir aos superiores e não a população. Aquele que entra pra uma instituição sabendo disso e não escolhe a imediata saída, é cúmplice dessa desonestidade. E, por isso mesmo é que figuram em casos icônicos de espancamento e prisão de inocentes em manifestações populares e também nas manifestações de professores. Quem se vê obrigado a baixar a cabeça pra ordens como essas (ou se sente compelido a fazer com ou sem ordem dada), é um desonesto. Difícil é dizer que alguém esteja inconsciente de uma decisão ou ato desse tipo, uma vez que é preciso de muito sendo de realidade pra escolher, cegar alguém com bala de borracha, matar alguém asfixiado por gás lacrimogênio vencido, atropelar manifestantes ou simplesmente forjar um crime qualquer para o pretexto de prender alguém.

Enquanto alguns preferem o conforto de escolher uma profissão desnecessária nos moldes em que ela se apresenta atualmente, o restante da quadrilha agradece pelo reforço dado. Assim é na Polícia Militar, na Polícia Civil, na Polícia Federal, no Exército e também na chamada “Guarda Municipal” ou “Guarda Metropolitana”. Na Polícia Federal, o chamado ‘Japonês da Federal’, ao mesmo tempo em que fingia trabalhar para o combate de crimes, figurava ele mesmo em crimes e acabou preso.

5. Japonês da Federal é preso em Curitiba por facilitar contrabando.

Mas, como nesse meio o crime não é impedimento para “trabalho”, tente não rir ao saber que, mesmo assim, ele segue na atividade:

6. Japonês da Federal, usando tornozeleiras de preso, volta a escoltar presos.

Se você achava que já era difícil denunciar comparsas de dentro dessas quadrilhas, agora sabe que, com ou sem denúncia, eles estão rindo da sua cara. Para eles o crime parece compensar. Você saberia dizer quem realmente está alimentando o crime na sociedade? Serão os criminosos comuns ou será que existe uma guerra inventada para justificar contingente nessas funções? A equação é simples: Se não houver uma sensação de crime na sociedade, por ausência de ocorrências, as polícias se tornam mais figurativas do que necessárias. Mas quando as próprias polícias (incluso o Exército) traficam armas e drogas, alimenta-se um cenário de crimes que justifica uma ação contínua, uma grande circulação de dinheiro, jogos de interesse, disputa de poder e, claro, crimes derivados dessa alimentação. Mas note que, na prática, presídios não são para estes, já que estão lotados apenas dos que cometeram crimes banais.

Tente pensar em como a realidade seria diferente, se as pessoas simplesmente parassem de fabricar crimes na sociedade pra depois fingir que estão a combatê-los, apenas como pretexto pra cometer ainda mais crimes. Seria o paraíso. E alguns países sabem bem disso.

Países como a Islândia, pela primeira vez na história do país, dispararam os 2 únicos tiros, em 2012. E não é a ausência milagrosa de criminalidade que permitiu essa marca excelente, mas justamente por que ao invés de enxugar gelo, a Islândia investiu primeiro nas pessoas e nunca em polícia repressiva ou opressiva, muito menos em matança e fascismo. Aliás crime por lá você não vê nem na polícia, afinal, ninguém gosta de atirar no próprio pé e perder o benefício de se viver em paz. Eles sempre preferiram privilegiar a massa cefálica, a sociologia, psicologia, etc.

Outro caso é a Inglaterra, uma das grandes economias mundiais e com a polícia menos violenta do planeta. Só pra constar, a Inglaterra tem basicamente o tamanho do Estado de São Paulo. E dinheiro não é uma desculpa, afinal o Estados Unidos chafurda em dinheiro e é um país extremamente violento, enquanto que a República Tcheca, que mesmo não sendo uma potência financeira, figura em 6º lugar na lista de países mais pacíficos do mundo. O segredo? Todos esses países que conquistaram esse feito de segurança pública, conseguiram isso com uma chave poderosa chamada “Direitos Humanos”, o mesmo que muitos ignorantes criticam por achar que é aliviar para a criminalidade, quando, na verdade, é a forma mais eficiente de se eliminar a criminalidade. Que curioso não? Não pra mim que estudei o suficiente pra poder falar do tema com tranquilidade, ao invés de repetir bordões falaciosos de gente corrupta, violenta, racista, machista, fascista, opressora, ignorante e sem um pingo de interesse em sentar e ouvir qualquer grama que seja de alguma coisa que lhes possa ensinar a viver melhor.

Fora do hanking dos 10 países que figuram como os mais pacíficos, se você realente quiser fazer diferença no mundo e ajudar pessoas ou servir a sociedade, eu te digo que essas atividades policiais, atualmente, não são, nem de longe, o jeito de se fazer isso. Aliás, é, inclusive, importantíssimo dar o exemplo e deixar de pertencer ou enaltecer esses nichos apodrecidos, pra que some ao time dos que querem ver a Segurança Pública se tornar um assunto real e não só um termo técnico pra mascarar melindres e crimes. Um bom começo pra isso será quando a Polícia Militar no Brasil se desmilitarizar, para que o crime possa ser compreendido e reduzido, ao invés de ser só um fábrica de mais crimes e um clube pra centralizar bandidos. O Brasil é um dos poucos países a ainda arrastar uma polícia militarizada.

7. A Polícia Militar de São Paulo mata mais que criminosos.

8. Em APENAS 5 anos, só a PM de São Paulo matou mais que TODAS as polícias dos Estados Unidos juntas.

9. Conselho da ONU recomenda o fim da Polícia Militar no Brasil.

Pensar em Segurança Pública de verdade exige seguir a receita de sucesso dos países que lideram esse assunto: investir em polícia investigativa e não em polícia repressiva. Investir em Educação, Sociologia, Psicologia e Cultura. Qualquer remendo que não seja na base, será só ‘enxugar gelo’.

Se você não vai ter tempo, disposição, saúde, segurança, estrutura e poder de investigação, pra denunciar e barrar 100% (ou pelo menos a maioria) dos membros corruptos de um grupo, simplesmente não entre pra esse grupo e faça todo seu esforço pra combatê-los do lado de fora. Não se alie àquilo que não faz jus ao ideal da honestidade e do bom-senso. Já existe um número massivo de pessoas nessas atividades e muito poucos do lado contrário, tentando resolver a causa dos problemas ao invés de ser só mais uma peça do problema.

A imagem ruim que as polícias tem no mundo diante da sociedade não é por mero acaso. A estrutura exposta aponta que, seja lá de que tipo você for, lá dentro você é só uma peça desonesto do quebra-cabeça. Isso sem falar na associação direta entre instituições policiais e o conceito de controle, repressão, vigilância. Tudo isso piora quando entende-se que no sistema atual, as polícias não servem ao cidadão comum, sendo praticamente exclusivas a políticos, empresas, ricos, celebridades e, claro, aos bandidos (desde que aliados, com ou sem farda). Com a corrupção consciente, fica ainda mais evidente esse protecionismo seletivo, quando você assiste manifestações onde neonazistas são recebidos e protegidos pela própria polícia ao invés de serem presos. isso também pode ser visto no modus operandi das ações do dia-a-dia, quando a premissa é tratar negro e pobre como imediato suspeito, por vezes, humilhando, torturando, prendendo ou matando. Nas favelas, o game da matança neonazista é ainda mais ativo, justamente porque é uma área que está, geralmente, escondida das grandes mídias e acaba por ser uma forma fácil dos covardes agirem. A própria execução recente de Marielle Franco, depois de ter denunciado essas matanças e irregularidades nas intervenções de Acarí, no Rio de Janeiro, mostra como a tentativa de frear a máquina do crime é indesejada pelo sistema.

Quer pensar em Segurança Pública? Comece pensando que não há espaço pra denúncias e reformas em um lugar onde quem incomoda com a honestidade é apagado pra não voltar a incomodar. O que existe, inclusive é uma premiação pela corrupção. Não é em vão que os policiais que arrastaram o corpo da auxiliar de serviços gerais, Claudia Silva Ferreira (2014), pelo asfalto com a viatura em movimento, não só estão soltos, como ainda um deles foi promovido. A fonte está aqui. Os dois policiais envolvidos nessa ocorrência (Rodrigo Medeiros Boaventura e Zaqueu de Jesus Pereira Bueno) não foram julgados, seguem “trabalhando” normalmente e desde quando o crime aconteceu, já se envolveram, juntos, em mais 8 mortes. Quando um destes, na época tenente, foi promovido a capitão, ficou a imagem de que o crime parece compensar, bastando que você esteja na quadrilha certa. Não é preciso desenhar. Quem tem olhos, vê.

Quando quiser deixar um legado social sobre combate a criminalidade e melhora da condição humana, faça como Marielle Franco, socióloga (formada em Ciências Sociais com mestrado em Administração Pública), feminista, militante dos Direitos Humanos, política eleita e, atualmente, símbolo de resistência contra o caos generalizado no Brasil, inclusive aos olhos internacionais. Pela vida difícil de quem foi cria da favela, é louvável e gratificante o percurso que teve. Mas, como se sabe, no Brasil, honestidade tem um preço caro. Contudo, honestidade não é algo que se escolhe ter ou não ter. Quem tem, tem e exerce, mesmo que isso seja repreendido cedo ou tarde. O que não se pode é ser um covarde que fica atrás de desculpas pra não fazer o necessário. É preciso ter muita coragem pra ser honesto e não se dobrar às opressões, ao fascismo, às corrupções, às pessoas nefastas e aos modelos sujos de convivência na sociedade.

Pra recusar esse modelo de atividade e também essa contribuição nefasta ao sistema é preciso desenvolver autonomia de pensamento. Honestidade e coragem exige se abster de falácias e começar a argumentar com fatos. Se enraivecer por ter uma verdade apontada não vai tornar ninguém melhor ou mais correto nas ideias e nas condutas, mas apenas vai reforçar o idiotismo, o despreparo e a decadência do próprio coletivo que o gerou. Quem se sente saturado do modelo nocivo e falho das polícias e do Exército no Brasil e no mundo, tem a fácil oportunidade de escolher fazer qualquer outra coisa. Enquanto alguns lutam por mais dignidade no trabalho dentro dessas corporações de polícia, outros lutam por mais dignidade humana, apenas pra poderem sobreviver ou viver, sem pobreza, sem matança, sem violência, sem repressão, sem execução. Por aqui a gente não quer que casos como o de Amarildo (veja aqui.) se tornem esquecidos, pra que nenhum outro inocente acabe morto pela polícia e descartado em um caminhão de lixo, rumo ao lixão. Se as pessoas não se importam nem mesmo de matar inocentes, você acha mesmo que elas estarão preocupadas em matar culpados ou os que elas acham que são culpados? É preciso acordar e estudar.

Por todos esses motivos, as próprias polícias, o Exército e os corruptos do governo e das empresas não tem o menor interesse que a criminalidade acabe. Dá muito lucro continuar enxugando gelo, porque é um trabalho infinito onde cada vez mais poder, dinheiro e contingente é colocado em jogo. E quem não tem amor-próprio nenhum pode acabar achando incrível lutar por essa ilusão que é só um esquema de colocar ingênuo pra morrer na linha de frente, enquanto outros, confortavelmente sentam na cadeira e contam o dinheiro dessa corrupção. Quem participa dessa patifaria, seja como desonesto ingênuo ou como desonesto consciente, é um cúmplice. E cumplicidade ao crime é crime também. Onde está aquela tal de honestidade tão falada por alguns?

A bem da verdade, o ideal está num futuro muito muito distante, quando se fala em Brasil. Há países que sequer possuem Exército e a polícia tem um papel mais figurativo do que ativo. Brasil não está apto pra esta etapa e ainda vai se queixar muito da própria desgraça que cultivou. Países como a Holanda estão fechando presídios, faz tempo, por ausência de presos. Há até mesmo o caso de importação de presos de outros países, como forma de tentar desafogar os presídios lotados de determinados países e dar alguma função para os presídios vazios de países onde a criminalidade é quase uma lenda.

Prestar um serviço de utilidade para a população contrasta com a realidade do Brasil onde mulheres estupradas, por exemplo, geralmente não denunciam o ocorrido, porque não querem passar pelo dissabor de serem culpadas nas delegacias, ofendidas pelos policiais, ignoradas, agredidas ou, mais uma vez, assediadas. Essas instituições já não possuem nenhuma credibilidade perante a população comum e isso tende a sumir. O brasileiro já se acostumou a todo tipo de situação e praticamente boceja enquanto o mundo gira. Para alguns locais, dirão que não há viatura disponível, mas mude o discurso e pode ser que, magicamente, brote 20 viaturas em menos de 3 minutos no local. Tudo é uma questão de interesse. Trabalhar, para alguns, depende do contexto. Se não fizer nada for causar uma repercussão grande na mídia e na corporação por negligência básica que gere vexame noticiado e suje ainda mais a imagem imunda da corporação, então aí eles escolhem brincar de trabalhar. Mas se o trabalho for pra algo que facilmente irá ser ignorado por se tratar apenas de um cidadão comum, então dane-se o cidadão e que continue a soneca.

Boas lembranças das aulas de Sociologia, onde, à época, falava-se da realidade de que apenas 14% da favela tinha algum histórico ou conexão com atos ilícitos. Em resumo, favela e crime não tem nenhuma relação direta, exceto na mentalidade idiotizada de racistas e preconceituosos de classe. Ser pobre nunca foi sinônimo de criminalidade. Mas, frequentemente, ser rico, aponta pra incontáveis casos de crime. Agora adivinhe onde os governos e os “líderes” das instituições policiais querem que você atue de forma opressiva? Acertou se disse na comunidade mais pobre e negra do país. Lá onde não há nada pra se combater em criminalidade, é onde eles precisam inventar que há muito a se fazer. Assim podem, por exemplo, ter pretexto pra inserir uma UPP (Unidade Policial Pacificadora) corrupta pra sugar R$ 100 mil reais por mês de corrupção ou mesmo pra alimentar alguns traficantes com armas, pra justificar uma guerra social e dar a oportunidade de neonazistas fardados subirem os morros da favela pra brincar de exterminar negro, mesmo que sejam crianças. Feito um game, são recompensados por matar, por gerar mais corrupção, mais crime e mais lucro. Um lucro temporário, restrito, ilícito, às custas das vidas de todos os demais, que nunca trará segurança pública ou qualidade de vida a ninguém, nem aos próprios corruptos que dormem e acordam ansiosos, sem saber quando vai ser a hora deles de cair.

O mais próximo da honestidade que eu já vi nessas instituições policiais, foi quando um deles, na contramão de todos os demais, tirou o cabresto e resolveu se demitir, por ver que tava lutando do lado errado. Me fale de honestidade quando estiverem em luta pra prender de verdade toda aquela corja que infestou os prédios de Brasília, em golpes, corrupções, acordos com Judiciário, matanças por queima de arquivo, etc. Um cenário que, pra Islândia não é um sonho, mas uma conquista, quando prenderam 26 banqueiros, demitiram todo o governo e seguiram comandando o país de forma exemplar pela própria população. Raramente você verá alguém tocar nesse assunto em outros cantos do mundo, pois isso pode suscitar a vontade de mudança e paraíso, o que, certamente, acabaria com a mamata que os criminosos tentam sustentar.

Me fale de honestidade quando essa honestidade não tiver preço e alguém aceite trabalhar com qualquer outra coisa digna, ganhando igual, menos ou até mais, apenas pra não se dobrar ao que é errado. Não me venha falar de salário, pois a maioria da população ganha um salário indigno e nem por isso escolheram o caminho fraco do crime. E outros, em pobreza pior (senão na miséria), continuam honestos, apesar de tudo. Isso é simplesmente não ter a honestidade vendida, por ter ela como princípio. E princípio não se relativiza, nem fica em segundo plano, por isso chama ‘princípio’, pois sempre vem primeiro.

Eu escolhi não dar tiro no meu próprio pé. Mas todos aqueles que escolheram atirar aleatoriamente ao resto do mundo, já atiraram uma bomba atômica no próprio pé e levaram junto todo o resto da sociedade em uma onda de degeneração da segurança, da qualidade de vida, da dignidade, da esperança, do bom senso, da educação, etc. Longe dessas instituições tem gente corajosa que não se importa se vai viver ou morrer por falar verdades, porque morrer vamos todos nós. É gente que se importa em deixar legado, ser útil a sociedade até o talo. E isso eu faço até com os braços amarrados. Aos inconformados com fatos, podem chorar livremente, mas se tiverem alguma noção, chorem na Cantareira, em São Paulo, pois a seca reina por lá, por culpa do corrupto agronegócio que destruiu a Amazônia e, por isso, os chamados “rios voadores” já não trazem a umidade para regiões como a de São Paulo. Que outros temas você quer debater? Tempo eu tenho.

Pegue mais um link de presente: Gregório Duvivier fala sobre Direitos Humanos.

Rodrigo Meyer

A morte da Vereadora Marielle Franco.

O Ministério dos Fatos adverte: Esse texto pode fazer gente que veste a carapuça ficar nervosinha. Ao primeiro sinal dos sintomas, busque ajuda psiquiátrica.

Marielle Franco, vereadora do PSOL-RJ foi executada no dia 14 de Março de 2018, por volta das 21h30. O motivo, como se pode deduzir facilmente pelo cruzamento das notícias é simplesmente ter sido honesta. Sabemos, honestidade nesse mundo não é tolerada.

No dia 28 de Fevereiro de 2018, Marielle Franco foi nomeada relatora da comissão que iria acompanhar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro, pra assegurar que não houvesse abusos, extermínios e outros crimes por parte da quadrilha fardada.

Logo depois, em 10 de Março de 2018, Marielle denuncia a violência “policial” em Acari. E por fim, em 14 de Março de 2018, ela é executada depois de sair de um evento. A criminalidade da quadrilha fardada já está tão arraigada no Brasil e em vários países do mundo, que neste episódio de execução, os executores não tentaram sequer maquiar a situação. E isso você pode notar ao comparar dois trechos desta notícia da mídia suja do G1 da suja Globo, os quais transcreverei abaixo:

No sábado (10), Marielle fez uma postagem no Twitter reclamando da ação dos PMs em Acari: “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu ela.

Na reportagem alguém deve ter enfiado um sorvete na testa ao afirmar estes dois próxima parágrafos contraditórios:

Parágrafo 1: “fontes da polícia dizem que todos os indícios, até o momento, indicam que o crime se trata de um assalto.”

Parágrafo 2: “Segundo as primeiras informações da PM, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Eles fugiram sem levar nada. “

Ou a “polícia” é muito burra ou é conivente com a execução. O que não impede que sejam as duas coisas. É o primeiro caso de assalto mágico onde não há assalto. Deve ser um tipo muito especial de alucinação. Mas, não. Tendo um pouco de uso da massa cefálica (o que falta a todos os fascistas), se nota que tem todas as características de um acobertamento de um crime, como sempre ocorreu aos montes, não só no Brasil como em diversos países do mundo.

Se foi retaliação por ela dizer verdades contra bandidos fardados? Precisa mesmo responder o que todo mundo tá cansado de ver e saber? A quadrilha fardada mata todo dia, por pura preguiça e falta de coragem de virar gente. A propósito, as balas  disparadas estavam registradas em nome da polícia. Entendeu ou quer que desenha?

Se ainda estiver com dificuldade de entender, eu te explico. Quando foi proposta essa intervenção no Rio de Janeiro, o “General” Vila Boas disse a seguinte frase:

“Militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”.

Se você ainda é novo do lado de fora da bolha, eu presto essa ajuda e te explico. A chamada “Comissão da Verdade” foi uma Comissão prestada depois do período da Ditadura brasileira, onde se apurava os crimes cometidos por essa corja de fascistas que tomaram o poder. Nos tempos atuais, com essa intervenção no Rio de Janeiro, a alusão à “Comissão da Verdade” é um modo de dizer que, querem continuar cometendo crimes, mas sem serem investigados e penalizados por isso. Vou resumir melhor pra você. É como se alguém dissesse: “Me deixa estuprar, torturar, matar, executar, esconder corpo na vala e disseminar nazismo, mas por favor, não me investiga não. Eu não quero ser exposto como o maior fracasso da humanidade, que não teve coragem de prestar uma única vez na vida.”

Entendido isso, voltemos ao todo do caso, da morte da vereadora Marielle Franco. Essa execução reflete uma condição que se espalhou feito câncer no país. Sabe quando você comeu cocô e foi pras ruas se masturbar na frente de militares? Então, isso empoderou esses bandidos a sentirem respaldo em seus crimes. Não que antes eles não cometessem, mas agora, sentem-se tão livres pra cometer, que já nem se preocupam mais em esconder isso da mídia. Na verdade eles querem mesmo é deixar claro que estão fazendo e continuarão a fazer, simplesmente porque são fascistas declarados, bandidos e, majoritariamente, nazistas.

Cada vez que você se lambe de tesão ao se roçar na tela do computador ou da televisão assistindo projeto de gente se anunciando com polêmicas em torno da violência, discursos de ódio, ódio de classes e todo tipo de circo, você está endossando o crime. Não temos nenhuma dúvida de que você sabe que faz isso. Nossa certeza maior é justamente de que faz porque sabe. Seu apreço pelo crime, corrupção e violência estão profundamente marcados em sua expressão diária, quando você exerce seu racismo, enaltece a violência e julga as pessoas como bandido, apenas pra desviar o dedo dos verdadeiros bandidos, aqueles, vestindo aquela farda imunda, com uma energia pútrida de carnificina, rancor, ódio, analfabetismo, xenofobia, racismo, machismo, psicopatia e um mar de outras coisas que embrulham o estômago de qualquer pessoa saudável.

O sonho de muita gente da classe média, é ver negro e pobre sendo exterminados. E pra tentar se esconder depois de um pensamento imundo desse, tenta enganar os trouxas plantando falácias e manipulações nas mídias, especialmente nas redes sociais, mostrando fotos isoladas de um ou outro morador que, já acostumado com aquele nojo da presença dos militares, segue a vida inexpressivo, de tão cansado ou, então, de uma ou duas crianças que pulam rindo em uma foto, não porque estão em acordo com o genocídio intencionado naquela área, mas porque, provavelmente, nada refletem sobre o dano que está por vir. Por muito menos, negros da periferia e da favela, são também executados por motivo nenhum, desde que algum bandido fardado tenha interesse de fazer isso, apenas colocando uma arma plantada na cena do crime, pra alegar que houve troca de tiros, mesmo quando as câmeras os flagram plantando a arma, sem tiroteio algum.

Mas, pra você que tem fetiche por bandido, especialmente os mais periculosos, e que tem ojeriza a gente honesta, eu te trago uma solução: Vá junto com os bandidos fardados a todos os eventos que eles frequentam, inclusive no estupro de moradores, na execução aleatória de pessoas por “esporte”, nas reuniões de nazismo e também nos encontros nefastos com seus próprios parentes. Vocês já possuem grandes afinidades. Agora só falta perder a covardia diante da realidade e ir encarar um dia de crimes ao lado dessa quadrilha. Muito puxado pra você? Tá mais confortável vomitar ódio só nas passeatas corruptas filmadas ao vivo pela corrupta Rede Globo, onde a quadrilha se segura pra tentar não cometer nenhum crime diante das câmeras ao vivo da emissora que apoiou abertamente a ditadura no Brasil? Poxa. Compreensível. Eu também não esperava mais de você. Eu nunca espero boa coisa de gente que tá degradada a ponto de ter fetiche sexual por bandido de alta periculosidade. Mas a boa notícia é que nos presídios ainda é permitido visitas. Então há sempre a possibilidade de se unirem, ainda mais se for presídio militar, onde é praticamente um hotel de cinco estrelas pra amontoar bandido que nem a própria corporação quis deixar pra fora (talvez pra evitar concorrência nos “negócios, se é que você me entende.).

A Economia do Brasil não caiu, ela despencou de uma altura incalculável, tal como um meteoro que veio de outra galáxia e caiu no buraco mais profundo da Terra. Desde a chegada do corrupto do Temer, diversas pessoas foram mortas quando tentavam fazer denúncias e investigações contra essa quadrilha de frouxos impotentes que se apoderou de Brasília. Temer, Cunha, Aécio e toda a corja em todos os setores, incluindo imbeciloides do Judiciário, estavam há uma infinidade de tempo mamando na corrupção através da política e foi tão somente por isso que honestos foram tirado do caminho. Você não pode se esquecer daquela conversa dos patifes onde a solução que eles propunham era “… um acordo com o Judiciário, com tudo.”. E fizeram.

Sabemos que o brasileiro médio não é politizado. A alienação é uma marca do brasileiro. A passividade e a conivência com a corrupção é imensa. Não se pode esperar que uma população que venera violência, opressão, sexismo e outros desvios de conduta como a própria corrupção, irão se engajar contra os demais que fazem isso nas empresas, na política e na polícia. Vão é se calar e chorar a miséria de país em que vivem. Quando você furta tv à cabo, quando você sonega imposto, quando você nota troco a mais e não devolve, quando você paga pra um criminoso te livrar das multas de trânsito junto ao Detran, quando você paga propina pra um bandido fardado liberar seu carro, quando você compra produtos roubados apenas porque é mais barato, você está sendo criminoso tanto quanto os demais, seja lá em que cargo estejam.

O problema nunca foi os diferentes valores financeiros da corrupção. Quem aceita roubar é ladrão igual. Não é coincidência, pois, que todos aqueles que discursaram a favor do Golpe (equivocadamente chamado de Impeachment), estavam envolvidos em corrupção. Entendeu ou quer que desenha? Posso desenhar, tenho habilidade com gráficos e ilustrações. O problema real está na base que constitui a população. Quem são as pessoas que estão sendo geradas e formadas nas famílias, nos grupos de amigo, nas escolas, nos espaços públicos, nas mídias, etc? Você já parou pra pensar na deformação do psicológico das pessoas? Vamos falar das causas do problema ou vamos ignorar tudo? Eu sempre escolhi falar da causa dos problemas e nunca ignorá-los, justamente porque não quero enxugar gelo. As pessoas não devem usar o racismo e o ódio que elas aprenderam e desenvolveram como pretexto pra suas “opiniões” e ações sociais, pois essa visão já está distorcida por um profundo desvio psicológico. Se cada indivíduo não reformar a si mesmo e virar gente, o país sempre será o bordel, o cassino e o campo de guerra do mundo. A maioria das pessoas lá fora, olham o Brasil como um banheiro aberto, onde se pode deixar 100 kg de fezes e sair. Também é o lugar onde muita gente vem pra estuprar crianças aliciadas para a prostituição destinada, majoritariamente, para estrangeiros. É também aqui que inúmeras pessoas sem índole chegam para se sentirem “em casa”, por pura afinidade com o que esse pedaço de terra (que nem de longe é país).

Enquanto vocês aplaudem a si mesmos como um exemplar da escória, o cronômetro corre e o tempo de vocês chega. O sonho de todo fraco e fascista é ver os honestos se tornarem minoria, nem que pra isso tenham que executá-los um a um, ou mesmo em massa. A pobreza e a miséria é uma dessas ferramentas de redução, a violência urbana em geral é outra, mas existem inúmeras mais. Somente uma pessoa que se odeia muito e é absurdamente covarde precisa reduzir um honesto pra se sentir finalmente acima de alguma coisa na vida, mesmo que seja por meio da matança. É o fraco, o frouxo, o acéfalo, o infeliz, que se entope de remédios pra acordar e dormir, que se joga atrás de muros pra almoçar por medo de lhe verem presente alí, vestindo farda de quadrilha, assim como a classe média e alta que tudo extorquem dos demais. Essa gente tem ojeriza a fazer esforço pra melhorar. São, basicamente, incapazes de buscar ajuda, simplesmente porque ficaram tão cegos com suas pseudo-ideologias plantadas, que não sabem como cortar as cordas da marionete que são.

Quando há uma ditadura declarada, a ação de combate a ela é mais fácil. Por isso, em pouco tempo os fascistas entenderam que a melhor forma de perpetuar a ditadura era se infiltrando na democracia. Desde o fim da ditadura no Brasil, estamos vivendo tempos de semi-democracia, pois na prática, ainda existe censura, execução, sequestro, estupro, tortura, violência, corrupção e poder nefasto aliado a quadrilha dos fardados. Enquanto o brasileiro não tomar vergonha na cara e se rebelar contra os crimes, vai viver em situações cada vez piores. Inúmeras pessoas, assim que tiveram a oportunidade, largaram esse bordel e foram viver em qualquer outro país de verdade. Não, Estados Unidos não é um deles. Falo de país, não de escritório de gerência do bordel que é o Brasil. Isso tenderá a aumentar. Porém, há alguns problemas nisso.

Justamente os que não podem sair do Brasil, são os pobres. O extermínio deles será a ação desejada quando tudo perder o rumo e as pessoas deixarem de lutar por mudanças. Quando a gente dá um passo pra frente e volta 300 passos, fica claro que não estamos sendo úteis na luta, não porque nossa iniciativa não é boa e bem estruturada, mas porque não se pode limpar um banheiro em um dia e minutos depois chegam os fascistas pra despejar 6 caminhões de fezes até vazar pelas portas e janelas. A matemática é simples: onde tem fascismo, não tem progresso. Ou se elimina os fascismo ou se convive com o retrocesso. A exemplo disso, a Alemanha fez um bom trabalho de reestruturação da população e da cultura, depois do trágico evento da Segunda Guerra Mundial. Simplesmente os alemães se sentiram tão envergonhados com o histórico de Nazismo associado ao país, que fizeram uma imensa ação de educação a partir das crianças mais pequenas, em escolas e famílias, além de iniciativas públicas diversas, incluindo museus sobre o Holocausto. Ações que remetam, de alguma forma, ao fascismo, por mais simples que sejam, incorrem em prisão. As crianças e as gerações posteriores, conseguiram plantar uma cultura de diversidade, de respeito e uma absoluta não aceitação de fascismo e racismo. Berlim, por exemplo, é considerada um pólo mundial de diversidade, onde as pessoas se sentem livres pra manifestar isso nas artes, nas subculturas, no seu jeito de ser, no seu lifestyle, no jeito de se vestir, etc. Não só em Berlim, mas praticamente todo canto da Alemanha, é possível encontrar pessoas tatuadas ocupando cargos diversos, sem sofrer nenhuma descriminação por isso. Não estou dizendo que seja o paraíso, mas certamente não é o lugar onde o fascismo tem vez.

Quando todos os demais países do mundo tiverem se emancipado, o Brasil ainda terá, pelo menos, mais 5 mil ou 10 mil anos pra chegar próximo deles. Espero, de coração, que minha previsão esteja errada, mas estando certo ou errado, de uma coisa eu sei: eu não estarei vivo pra saber o resultado. Quando eu morrer, certamente o Brasil continuará sendo uma ruína com um enorme neon dizendo “Bem vindo ao bordel mais barato e imundo do planeta. Não garantimos satisfação, mas por esse preço irrisório, você não tem direito de reclamar.”

Informações adicionais:

1. BBC Brasil: Tudo aponta pro envolvimento de bandidos fardados.

Assim como outras milícias pra calar quem denuncia bandido fardado, essa teria sido mais uma. As balas do crime pertencem a polícia.

2. Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, planta fake news.

Defecou pela boca ao inventar, por extrema má intenção, que Marielle não teria sido morta por retaliação da quadrilha fardada que ela denunciou, mas sim pelo Comando Vermelho, sugerindo que ela teria envolvimento. Nada pode ser mais imundo vindo de quem ocupa o cargo de Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Sim, os fascistas e corruptos estão principalmente nos cargos que lhes conferem poder. É assim que podem vomitar e rir da cara dos honestos que eles simplesmente odeiam.

3. Marcelo Adnet fala sobre quem tenta menosprezar ou ignorar o ocorrido.

Um tapa na cara de muita gente que só cita “outras mortes” quando é conveniente menosprezar uma em específico, exatamente esta única que lutou por todas as outras.

4. Vídeo da mídia ‘Quebrando o Tabu’ resume o ocorrido com uma reflexão.

O vídeo faz a comparação exata com a retaliação retratada no filme “Tropa de Elite” do cineasta José Padilha. Ele mesmo deixou o Brasil, quando, por conta da repercussão do filme, começou a ser perseguido e ameaçado de morte. Sabemos que a história sempre se repete. Honestidade pra quem é bandido fardado, nunca foi aceita.

5. Em Portugal, a Deputada Catarina Martins faz menção a execução de Marielle.

O fedor do fascismo no Brasil é sentido também em outros cantos do mundo. Portugal, apresenta menções sobre o ocorrido.

6. Nos Estados Unidos, o fascismo na execução de Marielle também é notado.

É ótimo ver que está tendo repercussão em todo canto. É triste ver que passamos vergonha em ser o país desse ocorrência. Enquanto uma pessoa foi executada por denunciar bandidos fardados, há gente até mesmo que expressa riso e deboche ao fato. Indignos de estar na Terra. Mas isso raramente saberão, porque possuem aversão de olhar pro póprio espelho com sinceridade.

7. Em ato de memória à Marielle Franco, um fascista surge. Veja o vídeo.

Dia 15 de Março de 2018, houve um ato em memória de Marielle Franco e contra o extermínio do povo negro. Ao final do ato, eis que surge um fascista com punho erguido, empurrando os manifestantes, falando palavras de ordem, querendo que ninguém encostasse nele. Ué? Ele quer respeito, mas não respeita os outros? Que cérebro fraco é esse que não desfaz essa contradição? Obviamente gerou revolta nos manifestantes e a resposta a isso você confere no vídeo da Arrow News, no link acima. Fascistas não passarão.

8. Tente não rir: Ministro Raul Jungmann sugere que a munição da Polícia Federal atrelada a morte de Marielle, foi furtada nos Correios em 2006 e 12 anos depois foi usada na execução.

Alegação absurda do Ministro foi rebatida pelos Correios. Além disso, por padrão, como os Correios são empresa pública, qualquer situação que envolva arma, munição, drogas e outros itens proibidos no tráfego postal dos Correios são encaminhadas à própria Polícia Federal. Agora resta saber se o eventual próprio criminoso vai se auto-investigar.

9. MBL – Movimento Bandido Livre, como é de se esperar de bandidos, propaga mentiras contra Marielle Franco.

No Brasil, a Direita, em geral, não tem ideologia alguma, exceto o banditismo. Enveredados pela corrupção, pela violência, pela difamação, pela incitação ao ódio, ao crime, ao racismo, ao machismo e ao ódio de classes, tentam arquitetar todo tipo de situação que favoreça à eles receber um pouco mais de dinheiro corrupto e manipulação das massas sem autonomia de pensamento, pra se fortalecerem como “líderes”.

10. Morte de Marielle repercute também na Argentina. Veja o vídeo.

Diferente das mídias brasileiras, o canal C5N da Argentina associou a morte da vereadora à intervenção federal no Rio de Janeiro e responsabilizou o desgoverno Temer.

11. Diante da morte de Marielle, deputados europeus pedem suspensão de negociação com o Mercosul.

A vergonha que o Brasil passa por atropelar questões óbvias em outras partes do mundo, causa mais retrocesso em todos os setores. Isso aqui nunca foi país. É só um bordel do pior tipo, do mais barato e sujo que existe.

12. Pra quem reclama “onde está o direito dos policiais”, vê se aprende alguma coisa com esse vídeo.

Gregório Duvivier explica, pra quem, em 2018, ainda não teve entendimento do óbvio, por pura preguiça ou por má fé mesmo. Dispenso, contudo, a divulgação de Karnal, até porque ou é ingênuo ou mal intencionado, uma vez que anuncia partidarismo escrachado como ação imparcial por parte de pseudo-juíz. No mais, o vídeo é muito útil.

13. Dono de site que amplificou notícias falsas sobre Marielle, admite ser um vendido para a ‘guerra política’.

E o que não falta é reacionário que tem ojeriza a estudar, compartilhando conteúdo falso por pura conveniência, só pra não ter que admitir a realidade pútrida da qual eles fazem parte e são um dos maiores responsáveis.

14. Testemunhas da execução de Marielle dão detalhes e dizem que bandidos fardados da PM as expulsaram do local ao invés de ouvir o testemunho.

15. Globo associa Flávio Bolsonaro ao assassinato de Marielle Franco.

16. Família Bolsonaro por trás do assassinato de Marielle Franco?

17. Flávio Bolsonaro foi o único deputado que votou contra conceder medalha Tirandentes a Marielle Franco.

“Nos anos de 2003 e 2004, o filho de Jair Bolsonaro (PSL) propôs homenagens ao ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e ao major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, presos na manhã desta terça-feira (22), suspeitos de integrar o Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora do PSol.”

18. Mãe de foragido suspeito da morte de Marielle Franco, trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro e foi citada pelo Coaf.

19. O elo entre Flávio Bolsonaro e a milícia investigada pela morte de Marielle.

20. Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete mãe e mulher de miliciano suspeito da morte de Marielle.

“A mãe do ex-capitão do Bope, que é amigo de Fabrício Queiroz, é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta do ex-assessor.”

21. PM e ex-PM são presos pelo assassinato de Marielle Franco.

“Sargento reformado da Polícia Miliar, Ronnie Lessa, teve a prisão preventiva decretada.”. Resta saber que foi o mandante do crime.

22. Quando houver mais links, publicaremos.


Rodrigo Meyer