Quem parou de rir, parou de ir.

Quem já foi afetado pela doença da depressão ou conhece alguém que esteve ou está em similar situação, sabe como isso interfere drasticamente nos progressos gerais desse indivíduo. Pessoas com imenso potencial acabam subaproveitadas quando a depressão lhes toca, afinal ninguém consegue se engajar tanto nas atividades, se não sente prazer pela vida. Em situações mais brandas que a depressão (embora até ela tenha nuances), as pessoas podem estar com distimia, que é um transtorno depressivo com sintomas menos severos que a depressão em si, porém mais duradouro. De qualquer forma, seja lá qual for o momento, intensidade e duração com que deixamos de rir sinceramente na vida, estamos parando de caminhar.

Quando uma pessoa tem depressão por muitos anos, pode acabar criando uma imagem mental de si mesma completamente distorcida, por associar o histórico de vida com sua personalidade ou realidade nata. Entender a diferença entre o estado depressivo e o modo “normal” de ser, é uma tarefa difícil, principalmente se você praticamente não teve bons momentos desde a infância. A ausência de parâmetros de felicidade por longos períodos pode interferir na compreensão desse estado ou realidade, em termos de comparação com o estado depressivo. Embora as pessoas saibam que estão tristes, desmotivadas e sendo sugadas pela própria depressão, a felicidade e o prazer parecem coisas impossíveis de se conseguir ou até mesmo abstratas demais pra serem concebidas. Mas é importante lembrar que essa percepção de pouca ou nenhuma esperança é tão somente uma distorção gerada pela própria depressão. Indivíduos deprimidos, possuem uma alteração cerebral sobre o sistema químico, bloqueando ou não aproveitando as químicas que estão direta e naturalmente relacionadas a sensação de prazer. A grosso modo, seria como dizer que o sujeito está imune a felicidade, independente das coisas que acontecem ao redor.

Mas, esse não é um texto apenas sobre depressão. É muito mais abrangente que isso. A grande realidade que precisamos ver aqui é que, por qualquer que seja o motivo, se tivermos um modelo de vida e pensamento que nos priva do riso, estamos ativando outros fracassos na vida. Dizem que sorrir abre portas e que rir é uma das conexões mais intensas que o ser humano consegue traçar socialmente. Temos esse hábito social em comum com os macacos e alguns estudos mostram que algumas outras espécies de animais fazem proveito consciente de certas substâncias, para fins recreativos, assim que entendem a relação entre prazer e consumo. É também visto em algumas espécies, algo que, antes, achava-se ser algo exclusivo dos humanos: a realização do sexo por prazer e não só por instinto de reprodução.

De forma geral, pra todos os seres, sentir prazer pela vida é basicamente a mesma coisa que aproveitar o potencial de si mesmos e da própria vida, seja lá o que ela seja. Uma vez que não sabemos ao certo o que fazemos e quais propósitos realmente temos nessa existência misteriosa, tudo que temos de garantia são nossos sentidos e percepções da realidade. Nossa presença social e também como indivíduos cobra de nós que estejamos mais do que em harmonia, cobra de nós que estejamos felizes o suficiente pra fazer valer os momentos vividos. Embora muita gente tenha tido uma vida longeva em estados menos entusiasmados, é fato que, na média, a tendência é que as pessoas com pouco prazer pela vida levem um estilo de vida mais destrutivo, menos saudável, com diversas somatizações. Quando a mente não vai bem, muito disso se transforma em implicações no corpo físico. Especula-se, por exemplo, que doenças como o câncer estão intimamente relacionadas com outros quadros e experiências, entre eles, as emoções contidas. Pessoas que estão amarguradas ou insatisfeitas por muito tempo, podem acabar somatizando esses e outros dramas em um câncer, devido ao desequilíbrio do sistema imunológico.

O lado bom da vida se expressa pelas coisas que nos dá diversão, felicidade, prazer e motivação em continuar a ser e fazer, especialmente quando permite que outros indivíduos ao redor experimentem esse contexto, tal como se todos estivessem compartilhando de uma mesma festa. Pessoas felizes constroem sociedades com grande interesse de preservar e fomentar felicidade. Através da empatia podemos dividir com outras pessoas as alegrias e dramas. As emoções humanas são possíveis de serem compreendidas e replicadas, em certo sentido, para que outra pessoa sinta aquilo. Essa conexão que temos configura um padrão natural e sadio, pois isso promove o bem-estar nas relações humanas e deixa as portas abertas para que os indivíduos possam exercer suas vidas com satisfação, liberdade e desejo em viver mais. Quando essa conexão não existe ou é altamente corrompida, as pessoas começam a não se importar umas com as outras, gerando um ambiente de desprezo, infelicidade, ódio, violência e pouco ou nenhum respeito e/ou valorização pelas demais pessoas.

Um padrão de vida que externaliza hábitos nocivos pra si e pros outros, invariavelmente, reforça um desequilíbrio que nasceu internamente no indivíduo, devido a inúmeras possíveis origens, inclusive, diversas delas, externas. Sociedades que oprimem, por exemplo, plantam a própria ruína, uma vez que geram pessoas insatisfeitas, infelizes e reativas a opressão. A receita garantida de aumentar problemas, ao invés de solucionar. A ausência do riso ou da felicidade, está intimamente ligada ao fracasso das expressões humanas, afinal realizamos tudo em dependência da motivação da própria vida. Precisamos ver sentido ou ter imenso prazer, ou perdemos a disposição ou interesse de desenvolver ou participar de algo. É assim que a vida deixa de ser uma opção interessante quando somos afetados pela depressão e, exatamente por isso, muitos depressivos podem vir a se tornar suicidas.

Embora pareça óbvio, ainda estamos em tempos em que obviedades precisam ser ditas. Então fica a mensagem de que ser feliz e estar em paz é melhor do que estar infeliz e incomodado. Mesmo que as pessoas digam que querem uma boa vida pra elas mesmas, elas se esquecem de que em nenhum momento conseguirão isso através da violência, da corrupção, da guerra, da opressão, do preconceito, da desconfiança, da perda de qualidade, da má educação e da valorização de arquétipos destrutivos. Enquanto as pessoas estiverem enaltecendo pessoas, instituições ou ideias que reduzem o ser humano em seu potencial de felicidade e bem-estar geral, estarão freando a própria sociedade e a si mesmas, impedindo que desfrutem de um ambiente favorável. O nome disso é “atirar no próprio pé e se queixar da dor.”.

Aquele que não é capaz de entender que é parte inseparável da equação, não conseguirá perceber que seu estado doentio é parte do que bloqueia e impede a sociedade de ser plena e satisfatória. Assim como o desequilíbrio nas químicas afeta o cérebro do deprimido, indivíduos desequilibrados em certos aspectos sociais afetam a sociedade. Partes adoentadas ou danificadas não cumprem a mesma função em uma máquina, seja ela um cérebro, um motor ou uma sociedade. Se não estamos rindo e expressando prazer, estamos sofrendo e estagnando, tanto individualmente quando coletivamente.

O próprio sentido de família e amizade, embora abstratos, explica como e porquê o ser humano depende de bons momentos pra conseguir existir coletivamente e ver sentido em si mesmo como peça dessa engrenagem maior. No fundo, tudo o que o ser humano são deseja é estar bem e compartilhar o bem. Qualquer desvio dessa premissa, confere, por vários motivos, patologias psicológicas ou psiquiátricas que devem ser devidamente cuidadas para não transbordar impactos e prejuízos aos demais indivíduos. Em teoria, as sociedades já fazem esse controle, ao estabelecer vigília, tratamento ou detenção a sociopatas ou a indivíduos que, de alguma forma, estão inaptos a viver em sociedade. Porém, bem longe do ideal, a realidade prática é que, ao invés das pessoas inadequadas e perigosas estarem controladas, elas figuram entre os cargos de maior relevância e impacto na sociedade. Não deveria ser surpresa nenhuma de que há uma lista interminável de criminosos de todo tipo, na política, na polícia, no comando de corporações, em pseudo instituições religiosas, etc. E é exatamente por estarem livres pra agir, que deixam esse legado tóxico ao mundo, em tudo e todos que tocam. Não é, portanto, exagero classificar esse tipo de membro da sociedade como um câncer que afeta as células sadias e destrói a saúde geral do organismo ou sociedade.

Sempre ouvimos a expressão “rir é o melhor remédio.” e de fato é. Se pudéssemos escolher clicar em um botão e mudarmos automaticamente para um padrão de felicidade, certamente faríamos. Ninguém gosta de sofrer. E se ninguém é feliz sofrendo, isso inclui não só o próprio indivíduo, como todos os demais. Ser racional e fazer uso da lógica a favor do próprio bem-estar emocional, físico e social é lutar extensamente para que nosso ambiente ao redor seja melhor, mais feliz, mais livre, com mais riso e menos dor. Trabalhos conscientes nesse sentido, incluem desde cidadãos comuns que escolhem um jeito de viver e de se expressar mais positivo, até indivíduos que entram pra alguma causa ou ação social que visa amenizar o sofrimento e suscitar mudanças de ação e de pensamento. Iniciativas como os ‘Doutores da Alegria’, que visitam pacientes em hospitais, vestidos de médicos-palhaços, ajudam os enfermos a se reposicionarem diante da própria situação e terem mais disposição de enfrentar seus dilemas. Estar doente é um contexto duro de se experimentar e sob isolamento ou pouco prazer, pode tornar-se um fator crucial na piora do quadro clínico.

Outras ações, como as que ocorrem em algumas ONGs ou iniciativas avulsas de assistência social, podem ser gratificantes a quem tenha visão sobre a teia que somos, mas também pode impactar bastante, uma vez que plantar a ajuda quase sempre implica em absorver a dor alheia por conta da empatia e do convívio contínuo em ambientes e contextos de sofrimento, guerra, doença, abandono social, etc. São frequentes as notícias de depressão entre psicólogos, médicos, psiquiatras, professores e ativistas sociais. Muitas vezes a mudança é tão gradual ou camuflada pela própria atividade, que eles não se dão conta do desfecho drástico a que estão submetidos quando afetados emocionalmente e psicologicamente por aquele ambiente. Por razão similar, estudantes de Psicologia, por exemplo, precisam ter alta antes de serem liberados para exercer a profissão. Embora seja altamente necessário e sensato tal filtro, na prática isso é feito de forma simbólica, distribuindo no mercado uma multidão de profissionais sem uma verdadeira alta de seus quadros psicológicos, sendo um terrível risco a saúde psicológica dos pacientes e, portanto, da sociedade em si. Pelo simples motivo de que você não colocaria um estuprador para atender pacientes que foram vítimas de estupro, você não colocaria certos formandos para clinicarem na área da Psicologia.

Assim, todos os dilemas que temos em nossa sociedade são mero reflexo das conturbações de cenários menores, como os países e suas gestões, as cidades e suas realidades, as condições de um bairro, o círculo de amigos, o ambiente de trabalho, a composição familiar, os relacionamentos ditos “amorosos” e, por fim, o universo interno do próprio indivíduo. Não se pode analisar a felicidade do mundo, sem antes, pensar extensivamente na felicidade do próprio indivíduo. Sociedades que ignoram o problema das peças, jamais poderão manter a totalidade da máquina estável. Simples assim.

Apesar de estar escrevendo com certa frequência, o que pra mim é relativamente fácil e interessante, por vezes eu não me sinto disposto ou apto a fazer o necessário. Enfrentei depressão a vida inteira e ainda não me vi seguramente distante desse malefício a ponto de dizer que não voltará a ocorrer. Neste meio, diz-se que depressão é o tipo de coisa que uma vez que se tenha, nunca mais há garantias de que não poderá recair. Sou o claro exemplo de quem parou de ir, porque parou de rir. Sempre fui uma pessoa com bastante senso de humor, ironizando o mundo com piadas e comentários sarcásticos, mas, apesar disso, estive infeliz, arrastando a doença da depressão por todos esses longos anos.

Deixar de rir, no sentido de não estar feliz por padrão, me impediu de ter momentos além daquelas exceções onde ria estritamente em determinados casos, especialmente com ajuda de fugas e estilos de vida que me deixassem vagando pelo tempo. A infelicidade me impediu de socializar, de estudar, de trabalhar, de lutar pelos meus objetivos e potenciais. A infelicidade deixou marcas indeléveis no meu histórico e também na minha saúde. Ela me tomou tempo, levou meu dinheiro e cavou um buraco de insatisfação onde eu não encontro mais amparo. Talvez seja a depressão tocando a campainha novamente, talvez seja a minha análise realista de que um ambiente tóxico e cada vez pior não pode ser viável pra quem deseja boas coisas nessa vida. Fico em dúvida, pois sempre me lembro dessa frase de Freud que nunca me canso de repetir:

“Antes de se autodiagnosticar com depressão, verifique se não está apenas cercado de idiotas.”

Quem tenta inventar bem-estar onde não tem, colocando princípios ilusórios de valores ou ideologias, está tão somente aumentando a própria cova. Sociedades que visam controlar aspectos superficiais, ignorando a origem dos problemas, estão apenas enxugando gelo. Se as pessoas realmente quisessem se ver livres e felizes, fariam exatamente o oposto do que está sendo feito coletivamente na maioria dos lugares. Ideologias que se preocupam em apagar incêndios locais com gasolina, sempre terão que lidar com incêndios e incêndios cada vez maiores. A estupidez e o egoísmo nunca foram soluções pra coisa alguma. Discordar disso é ser a prova disso. Premissas básicas de pensamento e relações precisam, necessariamente, incluir felicidade e liberdade sinceras. A felicidade falsa, expressa sem sinceridade pode ser muito mais tóxica que a tristeza sincera. Em depressão, por exemplo, eu continuo fazendo o melhor possível por mim e pelos outros. Mas uma pessoa em expressão insincera da felicidade, só está enganando a si mesma e iludindo milhões de outras pessoas de que a vida consiste nessa busca rasa, inútil, superficial e doentia de coisas que, na verdade, não deixam ninguém feliz de fato.

Se alguém parece satisfeito demais em um contexto inóspito, pode estar com Síndrome de Estocolmo, onde nega o sofrimento ou opressão experimentados, em defesa de seu próprio opressor. A opção menos provável é de estar em paz, apesar do caos percebido ao redor, o que, com plena certeza, é o caso de raríssimas pessoas e, portanto, não é algo que deva ser exigido por padrão. Não cobre das pessoas que elas estejam sempre de bom-humor, entusiasmadas, dispostas a trabalhar e lutar pelos objetivos e potenciais pessoais, enquanto elas estão enfrentando uma batalha inominável de sobrevivência a própria dor, a dor do mundo e a desnecessidade de tudo isso. Sempre que alguém tenta justificar os insucessos de uma pessoa deprimida, a colocando como culpada, eu, como deprimido, me sinto, ao menos, motivado em não ser tão cego e ignorante a ponto de achar que a vida de um indivíduo e sua bela e rosa exceção, tem qualquer relação com a realidade fora dessa bolha. Não tem, nunca terá e discordar não vai te fazer mais consistente nessa ausência de raciocínio e lógica.

Hoje eu simplesmente gostaria de rir, mas a tudo que olho, me parece insosso, desnecessário, sem graça, estúpido e doentio. Tal como alerta Freud, sinto como se estivesse cercado de idiotas e, portanto, com ou sem depressão não me veria em um contexto favorável. Existir nessa realidade intragável me obriga a repetir: melhorem!

As pessoas devem tentar ser o tipo de pessoa que elas gostariam de conhecer. Foi exatamente isso que eu fiz a minha vida inteira, exceto pela depressão que é algo ao qual não escolhemos e pouco ou nada controlamos. Se não puder sorrir para o mundo, tente pelo menos ser útil e sincero, sempre pautar suas ideias e ações em princípios de lógica e bem-estar coletivo, senão acabará infeliz do mesmo jeito e ainda será a razão principal da infelicidade dos demais. Acorde ou será acordado, pois bolhas estouradas não voltam a se regenerar. Aprenda a conviver com a realidade fora da bolha e perceberá que a solução interna é também a solução coletiva.

Rodrigo Meyer

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Seu medo, seu inimigo.

Na temática da autossabotagem, o medo ganha disparado. Indivíduos que baseiam suas vidas em uma grade constante de medo, estão sempre paralisados e aquém de seus potenciais. O motivo é muito simples. A medida em que determinam aquilo do qual possuem incerteza, insegurança, receio ou pouca resolução, tornam-se resistentes a isso, no sentido de armar uma postura de defesa, de recusa. E, claro, se recusamos algo, ficamos sem.

O ser humano consegue desenvolver muitas nuances de medo e consegue controlar também como e quando isso o afeta, desde que esteja em domínio na causa do medo ou do tema ao qual ele se refere. Há pessoas, por exemplo, que possuem medo de se envolver emocionalmente com outras e, por isso, recusam as oportunidades, incluso as positivas, apenas porque automatizaram uma defesa. Tal mecanismo de defesa, extensamente conhecido na Psicologia, faz as pessoas serem vítimas de si mesmas, antes de sequer terem a chance de se tornarem aquilo que não queriam inicialmente: tornarem-se vítimas de algo ou alguém.

Mas é claro que nada é tão simples como apenas definir o que sentir ou pensar sobre as coisas. A mente humana gera situações, ideais e estruturas com base em traumas, complexos e outros contextos que fragilizam o indivíduo a ponto de colocá-lo fora da lógica ou da naturalidade. A exemplo disso, algumas pessoas se sabotam, consciente ou inconscientemente, fugindo de monstros imaginários. Há quem sonhe com estilos de vida, empregos e todo tipo de realidade de carreira ou vida pessoal e, quando colocados a exercer essa jornada, recuam sob inúmeros pretextos. Alguns lançam mão do artifício de sentirem-se inaptos ou insuficientes pra tal feito. Vão dizer que não há saída pra eles ou que não podem aderir a algo, simplesmente porque as condições não permitem. É hora de criar mil e uma fantasias pra tornar aquela realidade desejada, porém assustadora, algo inalcançável. Começa, então, um show de desvios pouco racionais.

Sinta-se a vontade pra rir desse caso que vou usar de exemplo. É o primeiro que me vem na mente de forma instantânea. Trata-se de uma pessoa que passou a vida toda se queixando da vida difícil, dos poucos recursos financeiros, ao mesmo tempo em que, sempre que tinha qualquer progresso ou brecha para melhorar de situação, tomava alguma decisão que eliminasse as chances de desfrutar daquilo. Foi o caso, por exemplo, de quando, diante de uma promoção de cargo no emprego, decidiu pedir demissão ao invés de usufruir de um trabalho com melhores condições e muito melhor remunerado. Qualquer pessoa mentalmente saudável e sensata acharia um disparate essa conduta. Mas, pra uma pessoa que morre de medo de tornar-se próspera, qualquer porta pra essa guinada na vida era motivo pra se afastar, sem pensar muito. O único motivo pra se considerar esses medos patológicos é justamente a característica de oposição ao bem-estar da pessoa e da ausência de motivos racionais pra tal. Se pratica, por opção própria, uma conduta que não a ajuda a se sentir melhor ou a viver em melhores condições, então vê-se aí uma situação doentia.

Ainda nesse exemplo citado, a pessoa sentia-se tão apavorada com a ideia de prosperar, que sempre que tinha a sorte de conquistar algum dinheiro, fazia o pior uso possível desse dinheiro, exterminando ele em pouco tempo com algo completamente desnecessário. Uma vez compreendida a estrutura desse tipo de autossabotagem, pode-se imaginar inúmeros outros casos em todas as temáticas da vida, onde as pessoas simplesmente inventam motivos pra continuarem insatisfeitas com a vida. Cutucando suas mentes, voltando ao tempo da infância (provavelmente), frequentemente encontram as razões pelas quais sentem-se pouco merecedoras dos benefícios da vida ou da própria liberdade em viver. Quase sempre é uma interpretação automática da mente depois de associar que a postura ou palavra depreciativas de alguma figura importante (como um pai ou mãe) tenham sido convertidos em uma espécie de impressão sobre si mesmo com base nesse critério. Em resumo, é como se a mente da criança complexada pensasse: “se meus pais não me enalteceram, então eu não tenho valor” ou “se meus pais me diminuíram, então não tenho valor” ou ainda “se meus pais estavam ausentes, é porque eu não era importante pra merecer a presença deles”. Esse tipo de associação fácil é comum, mas é uma falha da mente, especialmente na infância em pessoas com baixa autoestima ou de mente mais frágil.

Contextos similares podem fazer as pessoas terem condutas de autossabotagem sem perceber que tudo aquilo de que fogem, pode simplesmente ser uma fantasia desnecessária. Ao mesmo tempo em que sentem-se mal pelos reveses que elas mesmas criam, não conseguem parar de criar. Essa automação na mente e nas condutas diante das decisões, pensamentos e relacionamentos, pode gerar uma espécie de personagem que toma o lugar do indivíduo, como que se já tivesse se esquecido quem ele é ou poderia ser, depois de ter passado tanto tempo endossando a figura diminuída, frágil, lida como incapaz ou não merecedora. Reverter essa visão e essa automação é uma tarefa que o indivíduo está habilitado a fazer, se assim quiser. O sucesso disso depende de quanta noção e disposição ele tem pra varrer e transformar a si mesmo. Não é fácil encontrar-se diante do espelho e falar umas boas verdades, antes de se estar devidamente imune ao peso delas. O caso é que verdades só pesam para quem as evita. Tão imaginário quanto os equívocos dos complexos é essa visão de que verdades são incômodas. Quando estamos em posição de querer viver melhor ao invés de nos prejudicar, a verdade torna-se algo que desejamos com afinco a ponto de sentirmos prazer e alívio em lidar com ela. E é tão somente isso que deve ser a vida.

Agora que sabemos que o medo é nosso inimigo, se não quisermos paralisar diante de nosso potencial na vida, precisamos reforçar nossas escolhas, nosso pensamento, nossa autoestima, nossa mente, revendo nossos problemas de infância, nossas crenças, nossas aceitações e recusas diante das figuras que julgamos importante, inclusive a que deveria ser a mais importante de todas: nós mesmos. Se tomarmos a iniciativa de nos presentear todos os dias com coisas boas, evitamos de fechar nossas portas para uma jornada melhor, maior ou, pelo menos, mais interessante. Não é o caso de pensar que, apenas tendo autoestima e coerência com nossas decisões, já seremos as pessoas mais sortudas do mundo, mas sempre que estivermos diante de alguma situação de oportunidade, teremos, ao menos, condições de tentarmos, de aceitarmos o que nos vem e fazermos o nosso melhor com aquilo. O que estiver ao nosso alcance, devemos fazer pleno uso e o que não puder, tudo bem. A vida começa a fazer um sentido diferente, quando percebemos que ela não é nem o passado, nem o futuro, mas exatamente o momento vivido em cada ocasião. Sinta-se livre pra desfrutar da vida, pois é basicamente isso que determina o resultado da equação. Uma vida melhor, está atrelada ao quanto pudemos aproveitar dos momentos e ter isso como nosso histórico na mente e nas relações com o mundo. Como em um jogo de xadrez, cada novo passo que damos, interfere nas novas opções que teremos em seguida. Não jogar não nos faz vencer e nos sabotar nos faz perder sem necessidade.

Rodrigo Meyer

A autoestima das pessoas de mais idade.

Logo de cara é preciso deixar claro que em todas as idades, inclusive entre os mais idosos, existe diversidade, em termos de autoestima, de qualidade de vida, saúde, contextos, etc. Não há como dizer que alguns exemplos isolados retratam toda a comunidade de idosos. Com este texto eu pretendo tão somente despertar o olhar sobre algumas pessoas, alguns episódios e alguns contextos.

Quando eu era criança, olhava para os idosos e me punha a pensar como seriam essas pessoas em suas juventudes. Talvez essa fosse a maneira de tentar desvendar quem eram essas pessoas no momento presente e porque eram de tal maneira. Na maioria das vezes, via idosos com uma expressão de cansaço, um ar sério ou triste. Algumas raras vezes encontrava alguns em condições diferentes. É de se imaginar que o tempo vivido, a condição de saúde e a própria idade avançada em si desse a estes tais características. Mas é preciso dizer, também, que algumas outras pessoas parecem burlar tudo isso, como se fossem mais resistentes fisicamente e/ou mentalmente.

Ouvia que algumas pessoas ‘envelheciam melhor’, como se prolongassem a juventude por mais tempo que a média das pessoas. Sempre achei isso intrigante. Lembro que quando eu tinha uns 15 anos, aproximadamente, vislumbrei uma moça na calçada, em frente a um salão de cabeleireiro. Alguém havia comentado que se tratava da dona do estabelecimento e que já tinha 70 anos. Na época, não consegui tomar como verdade, porque nunca tinha visto uma pessoa de 70 anos com aquela aparência tão jovem. Eu nunca fui bom em distinguir idades, mas mesmo pra mim, foi fácil ver que a aparência não estava nem próxima do número, segundo o que minha mente conseguia pinçar de referências anteriores. Ela era uma pessoa muito ativa, de postura firme, com um andar fluído, um rosto bonito, um olhar marcante. Uma pessoa realmente bonita e, inclusive, atraente. Embora eu não apreciasse o estilo de suas roupas, era fácil ver que, ao estilo dela, ela caprichava em cada detalhe.

Diversos outros episódios similares foram surgindo com o tempo. Várias das pessoas que eu conheci durante os tempos de ensino, eram pessoas entre 30 e 80 anos. Algumas, mesmo com a mesma idade de outras, destoavam na aparência, principalmente pelo semblante. Enquanto algumas pessoas de 40 anos pareciam irritadas com a vida, outras pareciam estar se divertindo. Sorriso no rosto e brilho nos olhos parecia ser o que movia a beleza e jovialidade de algumas delas, enquanto que em outras, as dores e padrões tóxicos as consumia também fisicamente. Começava a ficar claro pra mim que o modo de vida dessas pessoas tinha um peso na equação.

Devido ao meu apreço por pessoas mais velhas pra dividir conversas e interações mais produtivas, eu socializei com muitas dessas pessoas em diversos contextos. E assim eu pude conhecer de perto a realidade de muitas dessas pessoas. Era interessante ver como a autoestima de algumas ajudava a sentirem-se tranquilas e felizes o suficiente pra externar um semblante melhor. E, claro, rendiam elogios entre os mais atentos. Eu notava, inclusive, em como essas pessoas mudavam de postura sobre si mesmas, sobre a vida, sobre o espaço em que socializavam. Parecia que ganhavam uma carga extra de energia para exercer as tarefas do dia ou até mesmo ficavam mais imunes ao stress e as situações infrutíferas da vida e do trabalho. Muito provavelmente, isso as ajudava a retomar um condicionamento físico, refletido, talvez, pelas regulações de hormônios ou algo do tipo.

Com algumas pessoas, por eu não ter conhecido elas em fases anteriores, não sei dizer se foram transformadas para melhor ou se sempre foram daquele jeito. Também não sei dizer se esse padrão de envelhecimento é raro ou se só me parece incomum por eu não ter conhecido um número maior de pessoas. Tudo que sei é que, a autoestima pesa muito na vitalidade do ser humano. Não é preciso dizer que o fator mental e emocional podem levar pessoas a somatizar doenças ou a levar uma vida cercada de hábitos prejudiciais. Uma boa alimentação, atividade física (inclusive o sexo) são fatores impactantes. Não há como negar que essa jovialidade ajuda inclusive a levarem uma vida mais ativa e estimulante, o que as faz manter o vigor, numa espécie de círculo-vicioso.

Do lado oposto, as pessoas com baixa autoestima, parecem alimentar problemas na mente e no corpo. Por vezes, o aspecto pouco receptivo de seus semblantes, a saúde abalada e a pouca disposição, podem repelir contextos prósperos de socialização, atrações físicas ou até mesmo criar um efeito bola-de-neve onde a condição em que se está baixa a autoestima e as faz deteriorar ainda mais a mente e o corpo, chegando em resultados que vão criar mais descontentamento, repetidamente.

Eu tenho 35 anos e adoraria chegar aos 70 anos com o vigor de algumas dessas pessoas que eu conheci. As pessoas ao meu redor comentam, às vezes, que eu pareço ser mais jovem do que a idade aponta. Eu não sei endossar ou negar isso, pois, como eu disse, tenho dificuldade de diferenciar idades e aparências. Conheci pessoas com a minha idade que tinham aspectos melhores, piores, iguais. Eu não sei como é que deveria ser uma pessoa de 35 anos. Me olho no espelho e fico com a impressão de que o tempo não está passando. A única coisa que me mostra o passar do tempo são os pelos brancos na barba, o cruzar dos meses no calendário e o acúmulo de memórias de situações vividas. Não sei se estou envelhecendo bem do ponto de vista físico, mas sinto que vivi bem a minha vida, fazendo sempre coisas incríveis, dando o meu melhor em tudo. Apesar de eu ter boa autoestima, não sirvo como parâmetro sobre o impacto disso na minha saúde física e mental, pois tive um histórico longo de depressão e deterioração da saúde com comida, álcool e sedentarismo. Felizmente tudo isso ficou pra trás há um bom tempo e é perceptível o impacto dessas mudanças.

Há uma obviedade que precisa ser dita: o bem-estar gera bem-estar e como diz a frase célebre, “mente sã, corpo são.”. Ter a mente jovem ajuda demais. O corpo agradece por cada risada sincera e profunda que você deu e por cada estresse que você evitou, quando viveu apontado pra outras direções melhores e mais úteis.

Rodrigo Meyer

Os robôs da cidade.

Observando pouco, muito pouco, você já consegue notar as pessoas perdidas em seus próprios hábitos. Repetem padrões desnecessários, que seriam facilmente evitáveis se tivessem alguma autonomia e autoconhecimento. Olhando ao redor, você nota que as pessoas estão todas agindo de maneira semelhante e cada vez mais artificiais. São, claro, por isso mesmo, completamente infelizes ou artificialmente ativas em uma falsa felicidade que nada mais é que a atenção diante das iscas à que são apresentadas todos os dias. Como um cavalo que persegue uma cenoura pendurada à sua frente, as pessoas vão caminhando em suas vidas, mesmo que não tenham um motivo próprio pra isso e mesmo que estejam infelizes.

Percorrem as escadarias, as calçadas, os elevadores e ocupam seus postos de trabalho. Todos os dias acordam ao mesmo horário, vestem-se do mesmo jeito, ganham o mesmo salário, conversam as mesmas coisas, veem as mesmas pessoas e falam os mesmos assuntos. Cercam-se dos mesmos desejos, dos mesmos hábitos, das mesmas maneiras e das mesmas pseudo-vontades.

Os robôs da cidade podem ser identificados nas casas lotéricas, persistindo em apostar em jogos improváveis dos quais não os tornarão mais ricos, mas levarão deles até as últimas misérias de moedas que lhes sobram de um salário ou aposentadoria já desesperador.

São também robôs na cidade, aqueles que entram aos supermercados e percorrem sempre a rota prevista pelos comunicadores, publicitários ou profissionais de marketing. Lá estão as pessoas levando uma infinidade de coisas das quais não precisam, mas são tomadas, por impulso, a levar sem questionar. Na frente dos caixas, onde apenas deveriam pagar, são novamente tentados a adquirir mais produtos, antes que se ausentem daquele labirinto tentador de produtos coloridos e bem embalados.

Esses robôs não sabem bem pra onde vão ou porque vão. Estão lá, com certa frequência, tão similar quanto a presença diante das telas do computador, celular ou televisão. Não entendem bem porque estão ouvindo aquelas pessoas falarem diante das câmeras, mas acomodam-se em serem telespectadores passivos de qualquer conteúdo, desde que não precisem pensar por conta própria. Assim como computadores, robôs precisam ser programados. Sem comandos não há ação. Se satisfazem pelo conteúdo mastigado, previamente organizado e propositalmente editado, como já refletido, para que sintam-se livres e leves, como um computador que não precisa mais de tanta memória, poder de processamento e energia pra calcular dados. Apenas armazenam conteúdos preexistentes e tornam-se, frequentemente, um bom player de todo áudio e vídeo que receberam.

Os robôs da cidade distribuem apoio financeiro e emocional a criadores de conteúdo questionáveis. Os mesmos que elevam individualmente suas vidas às custas de um público convenientemente ignorante e passivo. Muita gente disposta a ver, ouvir, replicar, compartilhar e disseminar, de todas as formas possíveis, mesmo que inconscientemente, cada um dos absurdos apresentados como se fossem a última obra prima do Universo.

Os robôs estão em todo canto. É fácil reconhecê-los. As roupas são iguais, as falas são as mesmas, a estrutura de repetição é previsível como encontrar água num oceano. São pessoas fáceis de compreender e difíceis de aceitar. Entre eles, entendem-se relativamente bem, o suficiente pra se sentirem unidos como uma grande família ou grupo de pertença. Mas, como todo robô, entra em conflito fácil com qualquer outro conteúdo que não seja compatível com aquilo que foram previamente programados pra aceitar e compreender.

Assim, ainda que iguais em certo sentido, são todos desiguais pelas incompatibilidades em suas particularidades. São unidos, contudo, pela idiotização massificada que, essa sim, é universal e propositalmente padronizada para que funcione em todo tipo de robô, independente do modelo.

Percebe-se, então, que o grande malefício é tão somente a ausência de pensamento autônomo. Não importa com qual programação sejam moldados, serão, enquanto robôs, sempre moldados sob a vontade de terceiros e nunca sobre sua própria vontade.

Robôs não conhecem, não sabem, não vivem. Robôs repetem, replicam, espalham. Robôs, tal como um boneco de marionete, depende completamente de comandos que não são dados por si mesmo. E há tantos outros robôs pela cidade, que já são tomados como normais, embora sejam apenas comuns, pois de normal não possuem nada.

Se um dia você se perguntar alguns porquês, talvez encontre robôs onde não imaginava encontrar. Você olha as pessoas respondendo mensagens ao celular, comprando roupas ou tentando fazer sucesso e percebe algo em comum nesses contextos todos. Condicionadas a fazer tudo da mesmíssima maneira que todos os demais fazem, replicam, principalmente, os erros grosseiros.

Falam de assuntos que não conhecem e de livros que nunca leram, mas opinam como se fossem grandes mestres, intelectuais de Janeiro a Janeiro. Concentram-se em rastejar em cima de alguma moda ou conteúdo popular na esperança de que serão inclusos nessa gigantesca máquina de exclusão social. Se sujeitam a vestir camisetas esportivas de instituições corruptas que levaram seus dinheiros e, mesmo assim, são veneradas como grandes instituições de grandes eventos de pseudo-cultura travestidas em vitrines de alienação e status.

Os robôs estão nas salas de aula, como sugerido pelo clipe “Another Brick in the Wall”, música de Pink Floyd. Em algum momento deveriam se rebelar, mas permanecem, na realidade, bem distantes do desfecho do clipe. São levadas a assimilar conteúdos fictícios já desmistificados, mas que não foram devidamente atualizados pelos professores que não foram reciclados. Médicos, advogados e letrados, repetem asneiras que já deixaram de ter sentido há bem mais que 3 décadas. E alunos formados, bem mais que deformados, acreditam que estão finalmente à par do conhecimento. Só lamento. Levarão adiante suas ignorâncias e estenderão essa confiança absurda para quando, infelizmente, tiverem a oportunidade doente de também darem aulas. Ensinarão, talvez, que não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, sem saberem que já comprovou-se a capacidade de permanência de um mesmo átomo em locais distintos. Talvez ensinarão que o teletransporte é mera ficção, sem saberem que átomos de madeira já foram teletransportados de um canto a outro. Enfim, ensinarão que aprender bobagens é importante e que buscar conhecimento novo é desnecessário.

Há robôs dirigindo. Bom se fossem apenas os carros automatizados da Google. Na grande maioria são apenas as pessoas robotizadas que, mesmo diante de uma rua vazia pela madrugada, firmam-se no asfalto esperando o semáforo abrir, mesmo que seja totalmente desnecessário. Condicionadas a somente andarem com o farol verde, ficam congeladas diante do farol vermelho, mesmo quando, por exemplo, uma ambulância implora a saída dos carros pela frente pra que possa finalmente passar como lhe é de direito. As pessoas se preocupam muito mais se levarão alguma multa imaginária dos fiscais de trânsito do que em abrir caminho para uma ambulância. A idiotização é um clássico dos robôs. São máquinas, não pensam por si mesmos. Não refletem o cenário sozinhas, a menos que tenham sido programadas pra fazer alguma análise. Mas sempre limitados, sempre repetindo dados predefinidos e nunca satisfeitos, nunca terminados.

Há robôs de todos os tipos, todas as cores, todos os tamanhos. Alguns andam armados, empacotados de cinza e velcro. Outros, obedecem pedidos estúpidos e egoístas de personalidades em vídeos propositalmente sem conteúdo relevante. Não há entretenimento para robôs, porque robôs aceitam o vazio calados. Tudo que eles precisam é de dados. E quando não há inserção de dados, ficam bugados como um computador que tenta ler um drive de CD e não encontra CD algum. Ficam como um navegador que tenta carregar um site para mostrar, sem saber que o servidor não tem nada para entregar. Ficam em erro, paralisados, olhando pra lugar nenhum, com uma enorme ampulheta girando à espera de alguma salvadora ‘solução”. E quando finalmente a conexão volta, seguem, como sempre, o roteiro que lhe era previsto.

E, por incrível que pareça, foram programados pra não se acharem burros, afinal, até no nome, um smartphone é esperto. Sentem-se muito capazes, afinal, veja quantos aplicativos conseguem carregar e quantas imagens podem registrar. Quanto mais robotizados são, mais autônomos e inteligentes pensam ser. E assim, cria-se uma legião de pessoas aptas pra nova era da Inteligência Artificial. Farão tudo que for útil e necessário aos seus criadores e nunca se lamentarão de coisa alguma, pois robôs são incapazes de sentir dores. Se sentirão modernos, plenos, totalmente encaixados na sociedade, pertencentes à uma casta muito nobre: a casta dos degenerados.

Pela cidade, como desde muito tempo, hoje e futuramente, veremos cada vez mais gente, com pouco, quase nada, mas transformadas, configuradas pra que, quando não prestarem pra mais nada, sejam simplesmente descartadas. Aposentadoria será tirada dos códigos de programação, pois robô não tem família, não tem vida e não precisa nem mesmo de pensão. Robô, se programar corretamente, aceita ficar doente, pobre, carente. Com uma ou duas linhas fáceis de programação, robô aceita calado a violência, o estupro, a morte ou a prisão. Aceita ser varrido pro lixo, pois como máquinas que são, se objetificam sem recusar tal condição.

Ah, os robôs. Dominarão o mundo, não acima de seus criadores, mas ocuparão uma escala absurda de quantidade. Serão como produtos fabricados em série e serão, eles mesmos, os consumidores de suas produções, não sem antes trocar todo o esforço de produção por silêncio, obediência e baixo consumo de energia de forma que precise de pouca ou nenhuma atualização. A eficiência da servidão os colocará como o ápice da involução. Mas tudo bem, afinal, porque não?! Se alguém pode ser programado pra inexistir, quem vai discutir que esse é seu propósito e razão?

Tá cansado de ser robô e quer ver sentido na vida? Que tal começar a dar pane e se desconectar da Matrix que lhe aprisiona? Ande na contramão e comece a dizer ‘não’ para aquilo que seu pensamento próprio não puder encontrar boa razão.

Rodrigo Meyer

Voltas e recomeços.

Depois de dias sem postar, estou de volta com este texto. Aproveito o contexto pra discutir o próprio tema ‘recomeço’ e deixar algumas reflexões.

Por mais que desejemos uniformidade ou constância no nosso bem-estar, a maioria de nós passará por momentos difíceis e por diversos imprevistos. Mas nem todo imprevisto é ruim em si. A vida costuma se apresentar de forma inconstante, porque as pessoas são inconstantes e a própria Natureza é pouco dominada diante de sua grandeza e complexidade. O mais sensato é nos lapidarmos pra adquirir alguma habilidade de resiliência, como uma árvore que retorna para sua posição original depois de ser envergada pelo vento forte.

Por vezes, não é fácil entender e aceitar as coisas como elas são ou parecem ser. Temos sempre que estar um passo adiante da nossa zona de conforto, pois mesmo quando saímos de uma zona de conforto inicial, expandimos essa zona e a cada vez precisamos dar um novo passo pra não ficarmos acomodados naquilo que conquistamos. Eu tenho sentido que fiz grandes progressos por me colocar sempre em desafios. A vida se torna mais difícil quando queremos algo, porém se desistirmos,  a aparente facilidade disso nos mostra que apenas abdicamos de tentar e que não tentar exige nenhum esforço.

Encarei muitas situações incômodas desde sempre, mas sempre estive observando a realidade e a mim mesmo para poder compreender minhas opções. Quanto mais conhecemos o funcionamento das coisas, mais fácil se torna perceber onde e como podemos contornar os problemas. Alguns veem isso como criatividade. Eu acho que é apenas o curso natural das coisas quando se busca saídas. Existe uma frase que diz que ‘a necessidade é a mãe da invenção’.

Tem chegado a hora de eu me reinventar. Estou em busca de recomeços porque preciso deles. Recomeçar pode ser perturbador, porque somos levados de volta ao zero e temos que construir tudo novamente. Mas, por outro lado, temos conosco a experiência e a sabedoria que adquirimos em nossas outras empreitadas. Cada fase da minha vida eu dediquei esforço concentrado em certas atividades e áreas de estudo e tive a oportunidade de mergulhar em muita prática. Eu adquiri o tal de know-how que é tão importante em qualquer setor da vida.

Hoje, tentando maneiras novas de chegar na estabilidade e bem-estar, começo a olhar ao meu redor e a descobrir quais outras coisas estão ao meu alcance. Que outras ferramentas ou maneiras diferentes de usá-las poderão fazer a diferença pra mim? Fico imaginando as pessoas perseguindo sonhos alheios que não as pertencem e vejo muita gente dedicar esforço, tempo e até dinheiro em contextos que são natimortos. Aquilo que as pessoas descobrem tardiamente tende a ser algo obsoleto, pois tudo hoje em dia é muito passageiro. Vejo as pessoas se inspirando em ideias que já não podem mais prosperar ou que já estão saturadas de gente tentando.

Pensar o novo e estar à frente é sair dessa bolha de imitação das massas. Por mais que alguém esteja fazendo sucesso em algo, não significa que imitá-los será garantia de sucesso pra você também. Algumas pessoas iniciaram suas empreitadas em outros tempos, quando aquilo ainda fazia sentido ou quando aquilo ainda era novo o suficiente pra que houvesse pouca gente fazendo e muita gente interessada na novidade. E, atualmente, em um momento em que isso já atingiu um ápice de possibilidades, o futuro já está em outras coisas.

Você pode arriscar a sorte e tentar fazer mais do mesmo. Mas é muito mais garantido investir naquilo que será a próxima realidade, o próximo boom. Mas, não é tão fácil descobrir em que direção isso está. Não sabemos ao certo como será o futuro e nem como nós conseguiremos ou não nos posicionar nestas novas realidades. Tudo que podemos fazer é estarmos flexíveis, de mente aberta e sempre engajados em fazer cada vez mais coisas, arriscar o incerto, tentar o diferente, se permitir ao novo. Mudar pode nos tirar da zona de conforto, mas também pode ser a nossa única chance de conquistarmos algum outro conforto menos ilusório.

A maioria das pessoas não lida bem com a realidade. Elas não aceitam bem o estado em que estão, mas se esquecem que grande parte dessa realidade, às vezes, é fruto das próprias escolhas dessas pessoas. Quando alguém recusa insistentemente a olhar pra verdade diante do espelho e lapidar-se ao necessário, não há como esperar resultados positivos e grandes elogios adiante. Se nada fazem pra se tornarem melhores, como podem querer que o mundo as veja como melhores? Talvez entre eles, numa confusa troca de ilusões, possam brincar de ídolos versus fãs. Mas, fora dessa alucinação coletiva de mal gosto, a verdade é que valem igualmente pouco e vivem igualmente infelizes, sem vida própria e sem motivo válido. São pouco úteis, embora aparentem ser os mais requisitados.

Tão importante quanto saber recomeçar é aceitar com tranquilidade as situações fora do ideal. Não significa se conformar e nem mesmo idealizar isso, mas sim sentir-se bem, apesar disso. Há possibilidade de bem-estar em situações que acharíamos improváveis. Temos que reavaliar nossos padrões, nossas referências e nos colocar com outros olhos e outros sentidos diante das coisas. Algo parecido com aquele ditado que diz que ‘quando a vida te dá limões, faça uma limonada’.

Para seguir adiante com ou sem recomeços, é preciso entender quem se é, como o mundo funciona e quais seus limites e objetivos reais. Faça uma lista, mesmo que mental, de prioridades e estabeleça quais delas são mutáveis. Às vezes o que achamos ser imprescindível para o bem-estar hoje, pode ser descoberto como inútil ou até mesmo prejudicial.

Se não tivermos olhos sinceros pra dentro de nós mesmos e para a sociedade ao nosso entorno, seremos sempre a marionete manipulada que caminha pro abismo com um sorriso no rosto, acreditando ter sido levada ao ápice. Se você não entende bem porque está subindo, você não está no controle e talvez só esteja sendo erguido para um salto livre no abismo. O mesmo pode ser dito pra quem não sabe porque está caindo. Há uma frase que diz que ‘a realidade é do tamanho da sua mente’.

“Errar é humano, repetir o erro é burrice.”

Rodrigo Meyer

A vida é um experimento. Como proceder?

Pensando na vida de forma abstrata ou não, você sempre chega a ideia de que a vida sempre nos coloca em teste. Nossa vivência, nossas capacidades, fraquezas e atitudes determinam como vamos sobreviver a tudo isso. E mais do que sobreviver, como vamos conseguir viver bem individualmente sem eliminar o potencial de bem estar dos demais.

A vida é esse grande experimento. Não importa se você olhe a vida pelo aspecto estritamente físico e humano, com as condições sociais ou do ponto de vista filosófico. Serve igualmente a quem vê pelo lado espiritual ou místico. O que importa é que todo ser vivente está em busca de satisfação, bem-estar. O ser humano, em específico, busca, também, sentido. Se não obtemos nada do que pressupomos como essencial para desfrutarmos de uma vida digna, é claro que entramos em colapsos e esquemas de ‘válvulas de escape’ para contornar a situação equivocada. O ser humano, na maioria das vezes cria seus próprios problemas. A maioria da humanidade está falhando miseravelmente no experimento mais simples que existe: viver.

A falha ocorre ao esperar da vida prazer enquanto planta desprazer. Ocorre quando as pessoas que desejam respeito, plantam desigualdade e opressão. Ocorre quando as pessoas que querem paz, plantam a guerra. Ocorre quando as pessoas que esperam um mundo menos ignorante, cultivam a ignorância e o desprezo por qualquer tipo de lapidação. O ser humano falha miseravelmente ao tentar exigir do espaço social e da vida aquilo que ele, dia após dia, recusa ofertar. Esse egoísmo na vida, os coloca diante de cenários que eles mesmos não querem no final. É óbvio que ninguém quer desprazer, mas ainda vivemos tempos onde precisamos dizer o óbvio.

Não passam no teste as pessoas que perdem a lógica e a empatia ao entupir seus filhos e parentes de comida e conforto, ao mesmo tempo em que nada se importam com qualquer outro ser que esteja passando fome e descaso. Não faz nenhum sentido bancar o suposto agente da “segurança”, ao mesmo tempo em que se é o maior motivo de insegurança e revolta social. Não faz sentido nenhum almejar que as pessoas tenham mentes tranquilas e condutas melhores, se tudo que ofertam socialmente é motivo para usarmos das ‘válvulas de escape’ e do revide.

Estamos sempre buscando soluções pra esse mundo desinteressante e desnecessário, onde as pessoas insistem em oferecer a própria merda em que ela e todos os demais terão de comer. Essas pessoas não pensam que a melhor saída (e também a mais óbvia) seria oferecer aquilo que se espera receber, pois sempre receberemos pra nós o mundo que deixarmos existir. Teremos que lidar com nossa existência, as consequências dessa existência e os rastros de tudo que fizemos, falamos, pensamos, desejamos, criamos ou mesmo daquilo que deixamos de fazer, falar, pensar, desejar, criar, etc.

Falha miseravelmente a sociedade que não consegue se olhar no espelho com sinceridade pra varrer daquela carcaça toda a sujeira desnecessária que a impede de enxergar com clareza. A medida em que se limpam, percebem que a realidade não é suja quando as pessoas não estão sujas. O que torna o mundo um lugar imundo são as próprias pessoas. Transferimos para a realidade do mundo a nossa realidade interior. Somos construtores de realidades, somos plantadores de sementes. Nossa existência impacta diretamente e indiretamente em tudo e todos. Se não cuidarmos de quem somos, não estaremos cuidando de nada no mundo, por mais que muitos desejem se enganar com a ideia de que fizeram algo de relevante.

De nada serve limpar um azulejo de um banheiro, se ao mesmo tempo você sujar outro. A equação permanece a mesma. Se quer ter o prazer de entrar em um banheiro limpo, terá que mudar imediatamente a estratégia e começar a agir com lógica e sinceridade. Se quer mesmo limpar, não pode sujar. Limpe mais e suje menos. Mude de lado, mude de postura. Isso exige reavaliar suas próprias ideias, conceitos e preconceitos. Comece a quebrar paradigmas, falácias, tabus, repetições de papagaios marionetes e comece a verificar com profundidade se o que você está propagando como ideia e atitude, procede. Quase sempre as pessoas só fazem o terrível papel de ‘idiota útil’. Não seja esse.

Como proceder? Diz-se que ‘difícil é fazer o simples’. Mas, independente da filosofia por trás destas e outras coisas, fique com a proposta de que o mundo é reflexo do que nós somos. Não importa o que você acha que consegue fazer. Tudo que você precisa fazer é ser sincero ao olhar pra suas próprias atitudes, ideias e ideais e começar a eliminar de si tudo aquilo que não contribui pra um ambiente melhor, tanto pessoal quanto coletivo. Se vai conseguir tudo de imediato é outra história, mas se não tentar, tornou a falhar miseravelmente. A tentativa é mais urgente. Conseguir virá depois. Tentar é obrigação de todos. Faça sua parte e deixe o futuro para o momento dele.

Nem sempre tenho disposição pra escrever. Às vezes me recolho pra não ter que lidar com certas obviedades. E, por vezes, ironicamente, eu mesmo saio da curva daquilo que espero, por não ter a paciência e/ou esperança necessárias pra plantar o que precisa ser plantado aqui. Me falta disposição pra lidar com uma sociedade que dá tiro no próprio pé desde sempre e que depois de tantos mil anos ainda não aprendeu a livrar o próprio pé do desnecessário tiro. Será que o ser humano é ensinável? Com quem ou o que precisaremos fundir o ser humano pra que ele absorva melhor entendimento, melhor existência, melhores capacidades e interesses nessa vida toda, dentro e/ou fora da Terra?

Chega de textos por hoje. Corram pro espelho imediatamente e só saiam de lá quando tiverem compreendido a direção necessária pra se viver bem individualmente e em coletivo. Aqueles que quiserem trilhar essas mudanças, contem comigo. Aos desistentes que não querem sequer tentar, não fiquem atrapalhando o caminho, pois eu e quem estiver do meu lado iremos passar.

Rodrigo Meyer

Evitando a autossabotagem nos conselhos.

Imagine-se ouvindo um conselho do qual você concorda, mas ao invés de fazer algo a respeito, ignora o conselho. É o mesmo que ir ao médico e ouvir que precisa estancar o sangramento pra não morrer, concordar com esse fato, mas, ao invés de agir pra estancar o sangramento, ignorar o médico e continuar a vida como se nada tivesse acontecido. O que isso denota?

Se a pessoa entende que o melhor pra ela é determinada coisa e simplesmente ignora tal coisa, ela está optando por não se ajudar, optando por ignorar a razão. Pode-se concluir, então, que essa pessoa não se gosta, não se ama. Ao se enxergar como alguém que não merece tal cuidado ou benefício, deixa de aderir ao necessário pra se ver bem, feliz, saudável, em paz, etc. Se estivesse em posição contrária, com amor-próprio, seria a primeira a se interessar por todo bem-estar pessoal diante de qualquer situação.

Quando uma pessoa não se acha merecedora o suficiente, ela sabota a si mesma. É o caso quando escolhe, consciente ou inconscientemente, ser passada pra trás, ser explorada quando não precisa, se entupir de produtos e conteúdos ruins, degradar-se diante de situações ou pessoas, cercar-se de pessoas sem qualidade, aceitar prejuízos sem reagir, acomodar-se diante dos malefícios que chegam até si, entre tantas outras coisas.

Conselhos, como eu já disse outras vezes, é algo totalmente inútil, pois as pessoas só fazem aquilo que querem fazer. A liberdade de decidir nossas próprias vidas, nos dá a brecha de ignorarmos conselhos, mesmo quando concordamos com eles. Você já deve ter visto, por exemplo, médicos que não possuem hábitos saudáveis. Isso mostra que conhecer o que é adequado pra uma situação não é o suficiente pra que as pessoas tomem uma ação positiva sobre o assunto. De maneira semelhante, a pessoa que detém o conhecimento por um conselho e não faz uso desse conselho pra agir, está ignorando a potencial ajuda para seu problema.

A mente humana é muito mais complexa do que um computador. Não basta apresentar dados e lógica, pois as pessoas detém outras questões em suas mentes. O campo dos sentimentos, os traumas, complexos, medos e outras inúmeras variáveis de suas personalidades, vão influir em como essas pessoas lidam com seus próprios problemas. Diz-se que algumas pessoas são acomodadas diante das situações e por isso não resolvem suas barreiras. Em parte isso é verdade. Deixa de ser verdade, apenas quando a pessoa não detém as condições pra fazer as mudanças que gostaria. Todo aquele que tiver condições de fazer algo sobre o problema que tem, está responsável por esse problema tanto quanto pela escolha da inação ou da ação contrária ao benefício.

A autossabotagem é muito comum e grande parte das pessoas estão em situações das quais não precisariam estar. Precisam, portanto, se resolverem primeiro, do ponto de vista psicológico, para superarem traumas e complexos e passarem a desenvolver amor-próprio. A partir do amor-próprio, agir em favor de si mesmas será algo natural e automático. A medida em que as pessoas se colocam como prioridade e como merecedoras de bem-estar, elas não se permitem ter nada menos que isso e fazem uso de todas as oportunidades que surgirem pra melhoria de suas próprias realidades e condições.

Você pode achar fantasioso demais, porém, existem pessoas que largam empregos caso haja qualquer chance de serem promovidas ou de ganharem salários melhores. Para alguns, isso beira a insanidade, mas existem pessoas que tem um pavor, consciente ou inconsciente de levarem vidas melhores e se sabotam pra evitar que desfrutem das melhorias, recusando tudo que possa lhes colocar em vantagem. Os motivos podem ser diversos, como, por exemplo, não ter coragem de agir com outras questões que poderão surgir caso elas não tenham mais o pretexto da pobreza financeira. Munidas do insucesso, elas se escondem atrás desse pretexto pra não agirem em questões como divórcio, mudança de postura sobre certas pessoas, entre outras coisas.

As “razões” por trás de uma conduta variam de pessoa pra pessoa. Somente uma análise profunda de si mesmo, com sinceridade, diante do espelho ou de um profissional de terapia, poderia resolver essas questões que só tomam nosso tempo e nossa qualidade de vida. É difícil admitirmos pra nós mesmos que estamos sendo autores de nossa própria desgraça, principalmente quando sequer precisaríamos passar por certas situações. Sobe um sentimento de vergonha por sabermos que poderíamos ter feito diferente e não fizemos. O comodismo não nos causa orgulho e paz. Só nos sentimos bem se tudo que estamos fazendo está de acordo com nossos ideais.

No que você tem se sabotado ultimamente ou ao longo de sua vida? Já se perguntou as razões de seus medos, inseguranças, traumas e inações? Como anda seu apreço por si mesmo? Há mudanças precisando ocorrer pra que toda humanidade se veja capaz de ser e ter coisas boas, de maneiras boas, por motivos bons. Se cada um fizer sua parte, uma realidade paradisíaca é garantida.

Rodrigo Meyer