Porque as pessoas desejam sempre as mesmas coisas?

Em um mundo onde a maioria das sociedades são formadas por modelos de excessivo consumismo, é fácil ver que boa parte desses momentos de desejo de compra são puramente artificiais e se mostram como um claro reflexo da propaganda mal intencionada que é veiculada não só pelas mídias mas pela própria sociedade. Da mesma maneira que as marcas vendem-se como necessárias ou importantes pra vida das pessoas, algumas pessoas, tomadas por essa crença, espalham esse modelo de vida cobrando e pressionando outras pessoas a se adequarem nesses moldes doentes.

Havia um tempo em que os presentes de datas comemorativas eram embrulhados em papel de presente ou nem mesmo eram embrulhados. Hoje em dia os presentes são abertamente dados com as sacolas e embalagens das lojas, com suas marcas estampadas de forma bem visível, afinal é isso que estão doando na verdade. Antigamente, os produtos em si eram o presente, mas hoje, o status de marcas e lojas fazem as vezes de “produto” a ser consumido.

Sempre tínhamos a visão de que certas marcas eram pra público mais abastado financeiramente e que outras marcas eram deixadas como uma opção barata de produtos iguais ou similares. Em todo tipo de produtos ou serviços as pessoas sentem essa depreciação de valor e qualidade (ou de suposta qualidade). E com isso, gera uma certa vontade de compensar o prejuízo social tentando adquirir um desses produtos mais caros. É assim que surgem pessoas dispostas a loucuras como gastar todo o salário de um mês na compra de um único produto, apenas pra ostentar o uso daquela marca. Outros, um pouco menos ousados, buscam as imitações / falsificações que cabem melhor no bolso, mas que falham em outros fatores, tanto do ponto de vista da legalidade quanto da própria qualidade. E, convenhamos, ostentar uma marca da qual você não pode sequer comprar o original devido ao preço caro, é o mesmo que divulgar seu próprio explorador.

Diversas pessoas trabalham em empresas das quais jamais poderiam comprar o produto que elas mesmas fabricam. Empresas de produtos esportivos figuram em crimes de trabalho infantil e exploração de mão-de-obra em contextos de trabalho escravo, sendo o extremo da ironia por produtos tão caros, onde nem a matéria prima é cara e nem a mão-de-obra é dignamente paga.

E porque será que apesar de tanto contexto ruim nessas empresas e produtos, as pessoas continuam desejando sempre ter as mesmas coisas? Uma busca por igualdade através do produto ao invés da equiparação das rendas? Busca por igual status e suposto privilégio social ao invés de buscar real respeito e valorização no meio? Será que ter uma roupa de marca, comer no fast-food da moda, morar na região nobre da cidade ou comprar o carro do momento transforma alguém em algo melhor?

As pessoas não se perguntam muito isso, afinal se o fizessem teriam que admitir que nada disso é feito para elas, mas apenas pra mostrar pra sociedade que elas venceram. Traumas e complexos as fazem devolver exageros na postura e no consumo, pra cobrir a diferença entre não ter tido condições no passado para as possibilidades financeiras do presente. Alguns, cientes de que não poderão sequer chegar nesse ganho financeiro, compram as falsificações no camelô apenas pra desfrutar entre os amigos de igual situação social um “sub-status” dentro desse grupo social em particular.

Se resolvermos nossas fraquezas psicológicas, superarmos o passado e revermos o valor real das coisas, entenderemos que pra sermos mais prósperos não precisamos nos render a status ou marcas de renome. Não precisamos fazer o que a maioria faz e nem precisamos pensar como a maioria pensa. Qualquer ganho social, seja do ponto de vista financeiro ou de outros tipos, não precisam vir acompanhados dos mesmos vícios que todos os demais tiveram ao cruzar com aquelas realidades.

Você pode achar uma roupa bonita, dentro do seu estilo, sem que tenha que se render à formatos predefinidos do que é bonito e bom pra uma roupa, conforme as regras que plantaram em sua mente apenas pra explorar seu bolso. Em tempos de internet onde podemos acessar conteúdos de empresas tão distintas entre si, temos duas situações principais: por um lado colidimos entre nossas realidades e realidades opostas, mas o lado bom disso é que podemos, contudo, ter opções e reafirmarmos a possibilidade de substituir certas coisas por outras. O conhecimento é poder em muitos sentidos.

Esse desejo que muitas pessoas mal sabem de onde vem e que alguns até acreditam que são desejos legítimos e demandas reais por produtos e marcas, é, na verdade, uma grande indústria de trabalho psicológico explorando nichos e grupos cada vez mais específicos de pessoas, massificando de forma geral o consumo, levando cada pessoa a achar que precisa de uma ou outra coisa, conforme o que ela pode ter e, contudo, a desejar também o que não pode ter, pra que isso se torne, então, muito mais valorizado perante os que podem comprar, pois nasce, então, uma competição de que, se o pobre deseja e não pode ter, é papel de quem tem dinheiro pra tal, comprar pra demonstrar poder e oprimir, consciente ou inconscientemente, os que estão abaixo.

Talvez as pessoas nunca tenham se dado conta, mas existe essa batalha constante entre ter e não ter. As pessoas que conseguem adquirir um produto, serviço, cargo ou posição social de qualquer tipo, sentem-se com uma ferramenta de poder nas mãos capaz de diferenciá-los dos demais sem que eles precisem fazer nada de especial ou útil. São diferenciados apenas por poder destacar a diferença na posse, de forma opressiva, ostentando e mostrando ao mundo que poucos podem ter e a maioria não pode. É o estilo de vida das vitrines de shopping da classe média e alta em que não se aceita bem a entrada de pobres, especialmente os negros, pra figurarem ao lado de seus maiores opositores.

Os oprimidos deveriam, portanto, pensar que manter desejos e consumos por essa massa de desprazer que se fantasiam de empresas, produtos e clientes, é altamente danoso pra si mesmo. Em resumo, é Síndrome de Estocolmo, quando o oprimido sente-se admirado ou apaixonado pelo seu próprio opressor, passando a defendê-lo. Isso alimenta um contexto social onde empresas pouco éticas e quase sempre ilícitas e desnecessárias, lucram bilhões às custas dos pontos fracos (especialmente os psicológicos) das sociedades em que elas exploram.

Você tem, contudo, o poder de diminuir ou até eliminar isso de nosso meio, bastando que se oponha na prática. Cesse o consumo, o apoio, a propaganda gratuita estampada nos produtos que usa, a gana de querer igualar-se à outros por questões equivocadas como status e padrão social. A liberdade que você gostaria de ter e não tem, às vezes é conseguida por uma mudança de postura como essa. Talvez você não venha a enriquecer, mas independente disso, você não precisa apoiar quem lucra às custas de opressões de classes. Lembre-se que, embora grande parte dos consumidores de marcas caras sejam pessoas ricas, quem produz muito daquilo são pessoas em situações pouco dignas ou indignas e às vezes até ilícitas, em trabalho escravo e/ou infantil.

Você se sentiria confortável de gastar mais de R$ 500,00 num produto em que apenas 1 centavo é destinado a pessoa que fabricou tal produto? Talvez fique ainda pior se te contar que pra ela ganhar este único centavo por produto, ela precisasse passar horas enfurnada numa sala sem iluminação, sentada ao chão, sem condições de higiene ou segurança de trabalho, sem alimentação adequada, sem perspectivas de vida, sem outras escolhas. Tudo se agrava quando esse “funcionário” é uma criança de 7, 10 ou no máximo 14 anos, que nunca teve oportunidade de desfrutar a infância, dividir seu tempo com a família ou mesmo de poder planejar saídas pra sua própria situação. Em casos assim, a escolha da empresa em aceitar tais contextos é que determina o que existirá ou não em termos de modelos de trabalho.

Se nos enxergamos como inaptos pra certos produtos e serviços, fica fácil entender que, por vezes, quem os fabrica ou serve também não possuem condições de comprá-los. Pode haver sistema mais injusto e doente que este? Portanto não há motivos sadios pra se apoiar isso. Se eventualmente se sentir em situação de fraquejo diante dessas questões, busque repensar um pouco seus valores e suas reais necessidades na vida. Avalie se o que está fazendo em seus hábitos de consumo não são apenas uma tentativa falha de compensar complexos e traumas do passado. Sempre que achar necessário, busque ajuda de pessoas mais esclarecidas sobre o assunto, bons amigos que possam ser parâmetro e incentivo pra condutas melhores ou até mesmo de psicólogos e terapeutas que possam te ajudar a superar suas questões internas, pra que você realmente progrida socialmente e pessoalmente, ao invés de se enroscar em situações ilusórias sobre qualidade de vida. Tristes são as sociedades que confundem qualidade de vida com poder de consumo e que confundem consumo com consumismo e futilidade.

Rodrigo Meyer

Anúncios

Habilidades defasadas e o atraso cultural.

2017_mes03_dia21_14h00_habilidades_defasadas_e_o_atraso_cultural

Antes da internet, a cultura mundial podia demorar muito anos antes de permear outro país. Depois da internet sofremos um abalo por essa desigualdade. Enquanto um lado do mundo estava vivendo um atraso cultural, outros estavam usando a internet até mesmo para darem o próximo salto de inovação. E deram. Talvez isso explique porque o brasileiro foi a maior concentração de público nas redes sociais como o extinto Orkut e, depois, o ainda presente Facebook. Parecia uma busca por algo mágico, tão novo que não podiam acreditar. E correram abraçar.

Tentando suprir cada nova defasagem que descobria, o brasileiro começou a seguir as “exigências” citadas nas vagas de emprego para nortear o que era necessário ter em habilidade pra ter melhores chances no mercado de trabalho e na sociedade. Aprenderam inglês, datilografia, informática, internet, Pacote Office, sistemas operacionais novos e, assim, achavam-se sempre em dia. Hoje daríamos risada de tudo isso, porque tudo isso não é mais requisito, nem pré-requisito. Tornou-se uma espécie de “pré-pré-requisito” tão pressuposto quanto precisar estar vivo para ocupar uma vaga de emprego.

As habilidades necessárias pra vencer são cada vez em maior número e devem ser adquiridas em cada vez menos tempo. Nos tempos modernos as crianças já nascem sabendo usar o computador, o smartphone e a internet. Tudo parece instintivo e lógico para todas elas e são elas quem ensinam os mais velhos a entrar pra esse mundo, caso ainda não tenham entrado.

Mas, ter esse contato com as tecnologias é bem diferente de ter reais habilidades e conhecimentos para trabalhar firme. As pessoas sabem, por exemplo navegar na internet, mas não sabem praticamente nada de como se portar na rede. Sabem muito de como acessar sites, mas fazem pouco uso desses sites e ainda menos dos conteúdos em si que brotam deles. Dominam os pacotes de software e tornam-se ótimos apertadores de botão das ferramentas, pois não dão vazão concreta para o potencial dessas mídias. O aprendizado ficou restrito apenas às tecnologias em si e não no uso delas para algo efetivo.

Sabem utilizar o editor de textos, mas não sabem escrever um texto. Sabem utilizar um editor de vídeo, mas não sabem produzir um vídeo funcional. Estão empenhados em explorar a mágica do Photoshop, mas sabem pouco ou nada de edição fotográfica. Dominam as planilhas de Excel, mas são ruins em administração financeira ou coisa similar. Em resumo, o conhecimento só é importante se você souber o que fazer com ele. E esses aprendizados paralelos são apenas ferramentas de suporte para o trabalho principal. Ficam obsoletos e ultrapassados os que não sabem o que estão fazendo.

Se apesar de tudo isso, você ainda estiver defasado no entendimento básico desses recursos, você corre o risco de ficar pra trás, tal como aqueles que deixaram de ver filmes porque não sabiam manejar um videocassete. Cursos de datilografia foram extintos faz muito tempo e ninguém vai te ensinar informática. O mundo não vai te esperar alcançar os avanços dos últimos 30 anos, ainda mais se tiver que ser no seu ritmo. Então, se você deseja fazer parte da realidade e estar ativo nela, precisará compensar o tempo perdido de maneira surpreendente.

Quem se conformou em aprender as velhas linguagens de programação de computador, hoje já encontra enormes barreiras para preencher as vagas atuais até mesmo das empresas mais pequenas de tecnologia. Aliás, atualmente, uma grande parte dos trabalhos são todos relacionados com a produção tecnológica, principalmente por trás das mídias.

Em parte esse avanço é bom, mas muita gente fica desempregada porque não tem condições de acompanhar o ritmo de aprendizado ou sequer oportunidades de ter contato com essas realidades antes que elas já se tornem ultrapassadas. E isso vem transformando o valor de oferta pelas vagas, de duas maneiras bem distintas. Não estão encontrando profissionais aptos para os trabalhos propostos e por isso estão tentando fisgar os profissionais através da oferta de altos salários, na esperança de que esse seja o atrativo que os faça sair de outra empresa ou mesmo de outra profissão. Mas mesmo com salários que chegam à generosos R$ 100.000,00 (Cem Mil Reais) não estão encontrando pessoas para preencher tais vagas. Outras empresas estão lidando com o problema de maneira oposta. Sabendo que estão fadadas ao fracasso caso não se adequem tecnologicamente, começam a explorar o mercado de trabalho, oferecendo salários ridículos em troca de uma montanha de trabalho e exigências. Alguns chegam a virar piada na internet, com seus anúncios.

O fato é que, seja lá qual for o salário, as pessoas não estão aptas para as grandes vagas. A alta tecnologia é sempre novidade a cada ano e talvez até a cada trimestre. Querem especialistas em algo que acabou de surgir. E isso não será possível. Quando alguém se tornar especialista em algo, tal coisa já será obsoleta. Aceleramos o mercado de trabalho num ritmo alucinante onde ninguém consegue ser mais útil com o que sabe no momento. Estamos sempre defasados e somos sempre incompetentes para levar o presente adiante. Não conseguimos mais construir o metro de trilhos à nossa frente e, por isso, o trem está parado.

A maioria dos países defasados em cultura e tecnologia, tropeçaram com a internet por causa da globalização e do nivelamento das exigências ao redor do mundo. As cobranças para uma empresa de aplicativos de celular, por exemplo, serão as mesmas, independente de que país seja o profissional a programar, porque o acesso é internacional e as ferramentas são praticamente as mesmas, devido a compatibilidade com os aparelhos de celular e seus sistemas, além da própria internet, as redes sociais e tudo o mais.

Muitos brasileiros tem viajado para o estrangeiro em busca de aprendizado nas grandes empresas e organizações tal como a NASA, Microsoft, Google, entre outras. Palestras, workshops, intercâmbios e até estágios estão sendo uma realidade cada vez maior nessas buscas ao exterior. E, verdade seja dita, essas empresas estão fisgando os melhores profissionais e deixando os demais países ainda mais perdidos. Muita gente decidiu mudar de vez para fora e trabalhar, morar e formar família em países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Finlândia, Islândia, Canadá, Portugal e vários outros que nem imaginamos que sejam grandes polos de trabalho, dependendo do potencial que o indivíduo tiver.

Aquilo que aprendemos no colégio, já foi alterado e custará a ser atualizado nos novos livros. Somos alimentados com informação errada e vamos ensinar essa informação errada para a próxima geração. A ciência antiga está se redescobrindo e o que era fato antes, hoje já se sabe que não procede. E assim, acumulamos uma horda de adultos que repetem as mesmas bobagens e colidem com o novo até se verem insuficientes para as atuais necessidades. Os vendedores de antigamente que se restringiam a etiquetar preços nos produtos, hoje não podem perder mais tempo com isso pois precisam se dedicar em mil outras importâncias. Grande parte das vendas hoje em dia, são feitas pela internet e um vendedor online ou presencial precisa ser um outro tipo de profissional atualmente.

Temos o potencial de chegar longe, mas se não nos transformarmos à tempo, não seremos nada. Indústrias que antes dependiam do ser humano pra apertar parafusos agora possuem robôs que fazem tudo melhor, mais rápido e com menos custo. Então, quem quiser continuar trabalhando, precisa mostrar valor além de um robô. Precisa fazer o que ele não faz, precisa ser aquele que opera robôs, que os programa, que os retifica. E daqui uns anos, os próprios robôs construirão à eles mesmos. Estamos chegando à um ponto onde precisamos ter valor intrínseco, por dentro, pelo que somos. Nossas habilidades humanas serão indispensáveis quando tudo o mais deixará de ser humano.

Em certos países as máquinas já dominaram o atendimento em mercados e lojas e a figura humana está saindo até mesmo das cozinhas. Garçons, cobradores em caixas e a coleta do lixo, estão automatizados e deixando que as pessoas se concentrem em trabalhos mais mentais do que braçais. Estamos sendo conduzidos para a tecnologia e o pensamento. O grande diferencial, a grande habilidade requerida pro futuro será a nossa mente, o nosso potencial criativo, nossas ideias para transformar a própria tecnologia. Querem os nossos sonhos, nossas invenções, nossos modos diferentes de enxergar. Em 2017 mesmo já vemos as empresas pagarem altas quantias para quem venha os surpreender, afinal, é isso que alimentará todas os produtos e serviços vindouros. O valor já não está no que podemos fazer mas no que podemos pensar. E, infelizmente, a humanidade no geral, está tremendamente defasada no ato de pensar. Corra ter conteúdo, exercite a mente, antes que você se veja desempregado de vez daqui curtos dez anos.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Compre dos pequenos profissionais, pois os grandes não precisam.

2017_mes03_dia18_09h00_compre_dos_pequenos_profissionais

Por todo o mundo, grande parte das pessoas são pessoas comuns, sem muito dinheiro, sobrevivendo em um emprego ou tentando a vida como autônomo. Elas são a maioria da humanidade. E elas são pouco atendidas nas suas necessidades porque uma parcela muito pequena das pessoas detém grandes fortunas, controlam grandes empresas e se nutrem de grandes públicos que continuam dando abertura para eles cresceram ainda mais.

É claro que não há como fazermos um foguete doméstico pra irmos à Marte e, portanto, a NASA e a ESA poderão ser as gigantes indispensáveis nessas missões. Mas o mundo não vive só disso. Você já se perguntou quanta coisa você compra dos grandes sem necessidade? Te dou alguns exemplos possíveis.

Quando você quer uma camiseta, pode ser que se interesse por uma estampa de um desenho ou frase. E isso é legal, demonstra sua personalidade e seus valores. Mas há necessidade de que essa camiseta seja comprada de uma empresa que já detém milhões em vendas? Eles precisam mesmo de seu suado dinheiro pra continuarem ricos? Não seria mais interessante ir conhecer aquele autônomo que estampa camisetas em casa pra sustentar a família e ter um mês menos trágico? Te garanto que você ficará mais feliz em ter algo que além de mais barato é também personalizado pra você. E de quebra, você investe em quem mais precisa trabalhar.

Alguns produtos e serviços não precisam vir de grandes lojas ou fabricantes. São coisas que pessoas comuns desenvolvem e fazem com grande profissionalismo e valor. Se você gosta de bijuterias, artesanatos, obras de arte, livros e outras formas de cultura, terá muitas opções interessantes entre quem fabrica esses conteúdos e os vende diretamente pra você, sem estarem massificados por uma cadeia de produção milionária que espalha isso em shoppings ou grandes sites. Vá pelas beiradas e encontre os pequenos trabalhadores, pelas páginas da internet, os contatos de celular, os moradores do seu bairro ou os comerciantes ambulantes. Há muita realidade precisando ter mais visibilidade. E você é quem determina se eles terão isso ou não.

Às vezes vamos fazer uma festa e compramos a comida de marcas estabelecidas. Porque não dar uma busca na internet sobre quem trabalhe com isso em casa e que possa atender seu pedido? As pessoas precisam de trabalho e, portanto, de clientes. Essas, que pouca estrutura possuem, são as que mais precisam da sua interação como cliente. Se você já pretendia comprar, não haverá nenhum empecilho pra tomar a decisão melhor. Aliás, poderá, frequentemente, encontrar qualidade melhor, devido ao modo caseiro e atencioso com que algumas coisa são feitas.

Tem surgido na internet, grupos interessantes com a onda do handmade (feito à mão) e também grupos ao estilo do ‘compro de quem faz’ ou ‘compro das minas’ (uma forma de incentivar que as mulheres tenham mais espaço no mercado de trabalho). Tudo isso são políticas que tentam incentivar e abrir os olhos das pessoas para uma necessidade gritante que é a de trabalhar, de se sustentar ou mesmo de se expressar. E você é a chave pra que isso ajude à todos esses e também se ajude.

Há um mundo fora das lojas formais que você pode apoiar em artigos esotéricos, roupas, comida, sobremesas, personalizações de canecas, autônomos da área de criação de mídias digitais e impressos, fotógrafos, terapeutas, eletricistas, artistas, professores de idiomas e quase tudo o mais. Talvez só na temática de foguetes como os da NASA que você não conseguirá substituições, mas até nisso eu já vi notícias de pessoas comuns tentando lançar projetos de baixo custo para por câmeras na órbita terrestre. Então, acho que tudo é possível, dependendo dos objetivos e necessidades. Mas se suas necessidades não são extremas como alta tecnologia e construções de arranha-céus, então você tem opções mais diversas, mais próximas e mais positivas pra apoiar.

O mundo se torna muito mais divertido e menos robotizado quando começamos a nos relacionar diretamente com as pessoas. Pequenos comércios são muito mais relevantes no que fazem, porque eles estão lidando com os consumidores de uma maneira completamente diferente das marcas gigantes. Visite o mercadinho do lado da sua casa, o artista de rua que desenha ou faz bijuteria, o engraxate, os boleiros da vizinhança, aquele boteco sem nome, e se mais gente fizer o mesmo, logo eles estarão em uma situação melhor, te atendendo melhor, vivendo melhor, transformando o ambiente ao redor em algo coletivamente mais próspero pra todos. É daí que surgem empregos mais sólidos e parcerias mais reais.

Apoie quem está começando, quem está desempregado ou muito tempo sem clientes. Comece a direcionar seu dinheiro de forma que essas pessoas tenham condições também de dedicar um pouco do dinheiro delas pra você de volta, no seu ramo de trabalho. A cooperação é uma troca e pode ser feita através do modelo atual que usa o dinheiro como intermediário ou pode ser até mesmo por trocas diretas, onde você presta um serviço para alguém que possa lhe prestar outro. Assim todos saem ganhando. Viver fica mais fácil se você não complicar.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

O bom cliente não é o que gasta mais.

2017_mes03_dia15_03h30_o_bom_cliente_nao_e_o_que_gasta_mais

Observando comércios, empresas e autônomos, vejo um padrão na maioria deles que considero como um erro clássico. A ideia de vender mais para a mesma pessoa é uma tentação entre muitas pessoas que lidam com vendas ou serviços. Esse equívoco é fruto de uma visão simplista e de certa forma derivado de uma ganância cega.

Parece fazer sentido, num primeiro momento, que o aumento de gastos de um cliente represente um ideal para quem vende. Mas existem outras variáveis por trás. Quando você está oferecendo qualquer coisa à alguém, existe um limite prático de consumo e quando isso é ultrapassado, a pessoa começa a ter efeitos colaterais indesejados na vida dela e, geralmente, as maneiras que ela escolhe pra controlar isso, pegam os vendedores de surpresa e essa imprevisibilidade pode fazê-los perder a direção do negócio.

Vejamos um exemplo. Uma lanchonete começa a vender refeições. Apresenta ao cliente os lanches, acompanhamentos, bebidas e sobremesas. Excelente. Uma venda é feita e o cliente consome um pouco disso tudo. Mas o vendedor não fica satisfeito e quer que esse cliente passe a gastar mais. O cliente volta no dia seguinte, compra as mesmas coisas e segue essa rotina mais ou menos todos os dias e deixa o comércio acostumado que esse padrão é o normal para as finanças.

Mas, um dia o freguês se vê fora de peso e resolve que precisa de uma dieta. A primeira coisa que ele vai cortar nos hábitos é a visita à lanchonete. Ele não vai pedir metade do lanche, meio copo da bebida ou 1/3 da sobremesa, nem vai te pedir pra mudar as receitas, pra que tudo fique menos calórico. Ele vai simplesmente mudar o foco da alimentação dele e abolir aquele ambiente de tentações. E, então, você não vende nenhum centavo àquele cliente e, se tudo der certo pra ele, ele não volta nunca mais, se ele não quiser que a experiência ruim se repita.

Muitas empresas até sabem desse risco, mas apostam no potencial de viciar o público tanto física quanto emocionalmente. Mas o comércio tem explorado tão crescentemente o hábito de consumo das pessoas que a maioria delas está dizendo ‘não’ pra excessos. Nos últimos dez anos, empresas que eram consideradas um sucesso, descobriram que estavam fechando lojas sistematicamente por quedas nas vendas. E isso não tinha nenhuma relação com recessões financeiras globais ou locais. Era apenas uma indicação de que as pessoas escolheram não gastar o dinheiro delas naquelas empresas.

Rapidamente algumas empresas enfiaram os pés pelas mãos e começaram a fazer o que sempre deveriam ter feito: redes de fast-food, acostumadas a servir comida calórica e não-saudável, começaram a incluir frutas e saladas em suas refeições. Mas foi um fracasso, pois isso só evidenciou aos demais clientes que aquela era uma realidade triste pra todos eles. E, então, apesar do choque, ninguém se sentiu a vontade de comer maçãs num ambiente onde se vende, lado a lado, uma refeição pesada, cheio de químicas saborosas e todo aquele açúcar viciante.

A comida é uma droga que vicia muita gente. O consumismo de qualquer produto ou serviço é um vício também. E quando a falta de condições ideais de convivência se ausentam, as pessoas se veem pressionadas a dar um basta. Uma famosa rede internacional de fast-food teve suas atividades encerradas em 2009, na Islândia, por exemplo. Foi tão marcante essa mudança de eras que preservaram uma última refeição como uma espécie de souvenir histórico. Outros países estão tomando decisões similares nessa direção.

Um caso parecido ocorreu com a Google, por motivos relativamente diferentes, quando deixou de participar na China, devido às restrições políticas e o controle da internet. Veja que, embora os motivos possam variam, o risco de redução súbita nas vendas ou até o fechamento de lojas e representações em outros países é uma parte frequente nas equações. Claro que, como bons estrategistas, empresários de grandes marcas devem estar atentos à esses riscos e possibilidades, sempre analisando as tendências do público. Mas há elementos imprevisíveis, mesmo diante de um público que, supostamente, é bem previsível.

Apostavam no vício físico, emocional e psicológico das pessoas e tentaram empurrar cada vez mais coisas para o bolso delas. Mas, as pessoas são bombardeadas com tanta oferta, que não estão interessadas em suprir toda essa megalomania alheia. E quando estão, duram tão pouco como clientes que não dão aumento real no lucro total se medido a longo prazo. Você pode fazer uma venda de R$ 20 para mil pessoas e ganhar R$ 20.000  de forma consistente ou fazer vendas forçadas de R$ 50 para as mesmas mil pessoas e terá, num primeiro momento, R$ 50.000, mas que não são consistentes. Não existe um número crescente de clientes que pode gastar o segundo valor, pois o crescimento financeiro dos clientes não está acompanhando o crescimento das empresas. E essa realidade uma hora faz a bolha estourar. Essa é a inconsistência.

No primeiro caso, a pessoa pode encontrar grande número de pessoas dispostas a consumir pouco ou medianamente. E no segundo cenário, embora o consumo seja maior, ele não é garantido ou duradouro e uma hora desmorona para nenhum consumo. Empresas que fecham as portas precocemente já são bem conhecidas, mas agora chegou a vez das empresas que perduraram muitos anos no mercado, mas se verão obrigadas a repensar sua existência de exploração. Todo excesso evidencia as fraquezas de certos modelos econômicos ou de certas estratégias de negócios. Você deve sempre ser aliado das pessoas com quem divide produtos ou serviços e não um explorador compulsivo.

Duvidar disso é correr o risco de se sentir invencível. Se grandes marcas sofreram desmontes, imagine para empresas menores, com menor controle e menor poder financeiro. As empresas estão sendo obrigadas a mudar o foco. O objetivo não deveria ser vender o máximo possível pra cada cliente, mas manter cada cliente satisfeito em consumir de maneiras equilibrada, consistente, duradoura e tranquila. Você não precisa entupir seus clientes do bar até eles morrerem de cirrose. Bom é quando eles ocasionalmente estão por lá para beber de maneira que não se sintam mal demais com a prática.

Você já parou pra pensar que sempre será bom e necessário ter água, oxigênio e uma alimentação de qualidade? Isso nunca saiu de moda, porque não se trata de moda. Necessidades reais supridas, são duradouras, consistentes. Vícios são passageiros, doentios e, portanto, inconsistentes. As coisas mudam no mundo o tempo todo. Crises abalam prédios frágeis, por mais altos que sejam. Se a estrutura pela qual algo é construído não é sólida o suficiente, os furacões e terremotos destroem com facilidade. Prédios caem e montanhas ficam. Qual é o segredo das montanhas?

Quero te deixar a reflexão de que todos nós podemos ter uma vida feliz e próspera e que prosperidade não se resume a dinheiro e consumo. Você está livre pra fazer trocas e todos nós poderíamos incentivar realidades melhores baseadas em bem-estar coletivo.  Enquanto estivermos inseridos nesse modelo social e econômico, devemos fazer bom uso deles pra que não nos afundemos tanto que não tenhamos como ser resgatados quando for a hora de migrarmos.

Acostume-se a modelos menos agressivos de relações. Não explore as pessoas e esteja sempre aberto a viver de maneira que todos possam desenvolver seus talentos e vontades sem tirar a liberdade dos demais em buscar o mesmo pra cada um deles. O grande lema do “viva e deixe viver” inclui fortemente o conceito de não defendermos ruínas para grandes blocos de pessoas em detrimento da salvação de uns poucos.

Desejo que você tenha muitos clientes, muitos parceiros, muitos amigos, muitos rostos satisfeitos, muitos sorrisos. Que você possa olhar pro lado e ver gente tranquila, se divertindo, estudando, desenvolvendo atividades que gosta, socializando, conversando, interagindo, com saúde física e mental. Desejo que você viva em uma sociedade estável, unida, que se abraça, se protege dos malefícios e dos falsos avanços. Que a cultura permeie a todos de forma a fazê-los mais vitoriosos e menos presos à vícios e status ilusório. Lembre-se que o objetivo é ser feliz e ter qualidade de vida, bom uso das tecnologias, aprendizado eficiente, empatia entre as pessoas e prazer de estar vivendo essa realidade. Essas mudanças já estão ocorrendo e se mais gente aderir, ficará ainda mais fácil para os recém-chegados na transformação. Vem! Eu te dou a mão!

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

O dinheiro te liberta ou te prende?

2017_mes03_dia09_17h00_o_dinheiro_te_liberta_ou_te_prende

Considerando as dificuldades sociais que a maioria da população passa, é compreensível que busquem por mais dinheiro. As pessoas querem melhores condições de vida, mais saúde, que não lhes falte comida, conforto, prazer. Mas será que lidamos bem com o dinheiro? Saberíamos usá-lo corretamente se tivéssemos mais? Podemos descobrir isso avaliando o que já fazemos com o pouco dinheiro que temos. O modo como enxergamos dinheiro acaba sendo o mesmo, independente da quantidade.

Se, por exemplo, vivemos por aparência e status, nosso dinheiro acaba indo embora rapidamente, mesmo que não seja tão pouco. Um salário some se o modo de vida inclui comprar marcas apenas pelo status ao invés de comprar produtos pela sua finalidade real. Você poderia comprar dezenas de produtos ao invés de comprar apenas um que promove status. Se seu dinheiro vai embora em bobagens assim, então o dinheiro não te liberta, apenas te prende.

Costumamos dizer, por humor ou verdadeira crença, que dinheiro traz felicidade. E pode até ser que seja verdade, em certo sentido, pois na sociedade atual o dinheiro compra certas facilidades pra nossa vida e nos permite fazer mais coisas. Embora isso possa nos trazer alguns prazeres, será que ele nos faz feliz de fato? Há diferença entre prazer e felicidade? Há sim. Um dia você acabará colidindo com o termo “hedonista fatigado”. O hedonismo é caracterizado pelo prazer como filosofia de vida, mas até um hedonista pode se ver cansado disso em algum momento. A razão pra tal é que prazer e felicidade não são a mesma coisa e mesmo rodeado de supostos prazeres, podemos nos encontrar sem felicidade. Pode-se especular, então, que esses prazeres não são prazeres reais.

O dinheiro pode te comprar uma cadeira melhor e seu corpo agradece. O dinheiro pode comprar uma casa maior onde os moradores não fiquem o tempo todo se esbarrando e tenham privacidade. O dinheiro compra viagens, comidas mais elaboradas, eletrônicos, cursos, móveis, artes, cirurgias e o que mais listarmos como importante pra uma vida que se avalie como sendo de qualidade. Mas qual é o limite entre qualidade de vida e escravidão perante o dinheiro?

O dinheiro te prende quando você começa a ter o que não precisa, comprar por impulso e até atropelar outras pessoas para obtenção de mais dinheiro ou ainda usar o dinheiro que tem pra controlar pejorativamente a vida de outro(s). O dinheiro te prende quando você começa a pensar que não consegue viver bem, apesar de já ter todo tipo de conforto. O dinheiro te prende quando você se torna uma pessoa que usa da ascensão financeira pra compensar suas fraquezas psicológicas, seus medos, seus complexos, sua raiva e assim por diante.

Existem casos onde um indivíduo passa a juventude toda em condições sociais ruins e ao conseguir algum dinheiro posteriormente, ostenta como forma de dizer ao mundo que agora é a vez dele de ter poder, de ter tudo aquilo que ele não tinha antes. Mas ostentar ultrapassa o limite do conforto e passa a ser uma conduta fraca e adoentada onde uma pessoa se enterra em um mar de coisas desnecessárias. Isso acontece como reação quase que automática do complexo que essa pessoa sente. Ela se sentia inferiorizada e com pouco valor na sociedade e transfere para os bens materiais toda a compensação disso. Como vivemos numa sociedade que superestima os bens materiais, o dinheiro e o status, esses elementos se tornam a ferramenta mais comum de “compensação” para as fraquezas humanas.

É assim que um cordão de ouro pra fora da roupa passa a ser mais importante que um cordão de aço por dentro da roupa. Mostrar que custou caro e deixar que todos vejam que você está usando porque tem poder de compra, é a tal compensação pretendida para quem tem complexo de seus passados. E isso precisa ser analisado e equilibrado, porque não beneficia ninguém, nem à você mesmo. E, da mesma forma que muitos tiveram juventudes difíceis financeiramente, a ostentação não ajuda a mudar essas realidades para outras pessoas. Ao contrário, quando alguém ostenta um cordão de ouro (ou diversos deles), faz as pessoas pobres sentirem-se tristes, menosprezadas, inferiores, incapazes. Também tira a oportunidade dessa realidade mudar, pois ao invés dessa fortuna ajudar pessoas a saírem da pobreza, converte-se em coisas sem função real, como cordões de ouro.

Tão mais interessante ao se ganhar dinheiro é buscar coisas reais, com função e, dentro das possibilidades, ajudar quem precisa sair das situações em que julgamos indignas pro ser humano. Estender uma mão quando se tem dinheiro, traz uma inabalável felicidade. Devemos tentar, mesmo que nossa “fortuna” seja pouca como um trocado que não nos pesa e que pode servir como refeição pra quem passa fome e frio pelas ruas. O seu dinheiro ajuda a quem? Se está escravo dele, não ajuda nem à você mesmo.

Progredir na vida é o que todos nós devemos almejar. E nem sempre isso é sinônimo de se obter mais dinheiro. Qualidade de vida não tem, necessariamente, relação direta com isso. Os padrões sociais e os modelos de política que adotamos pra gerir os grupos de pessoas em uma sociedade são escolhas e diversos modelos podem levar à um bem-estar coletivo. Não deixe de olhar as possibilidades e entenda que ser feliz é a prioridade do jogo.

Às vezes escuto pessoas especulando o que fariam se ganhassem o prêmio da loteria. Chega a ser engraçado de tão trágico. Há tão pouca noção do potencial do prêmio que as pessoas pensam naquele montante gigantesco como a oportunidade de comprar um carro, uma casa, quando na verdade o prêmio permitiria comprar uma frota inteira de carros e quase um bairro todo de casas. E, claro, ninguém precisa de 200 carros e 200 casas. Então o que farão com o dinheiro que sobra depois de comprar uma ou duas casas e os carros que pretende efetivamente usar? Será que gastariam tudo em chicletes e pizzas? Falta percepção da grandeza numérica, mas também falta noção do poder social que o dinheiro tem. As pessoas não conseguem prever a imensidão de vidas que o dinheiro pode salvar ou ajudar a crescer.

É plausível, porém, os momentos em que pessoas que tiveram ascensão financeira, dedicam-se à ajudar organizações de saúde, de combate à pobreza, de apoio à vítimas de abuso ou simplesmente abrindo possibilidades diretas pra que as pessoas deixem o cenário da pobreza. Quem tem dinheiro, tem poder. E o poder deve ser usado para, entre outras coisas, melhorar o ambiente em que vivemos e as relações que traçamos. É muito mais agradável viver numa sociedade em que as pessoas todas podem ter acesso à ensino de qualidade, comida saudável, roupas confortáveis, segurança física e emocional, lazer, cultura, espaço para desenvolver seus talentos e vontades. E se abrirmos essas oportunidades pra mais gente, certamente elas retribuirão isso quando elas mesmas também estiverem em uma condição melhor.

Todos podemos estar lado a lado e vencer igualmente. Existe um termo que vem se popularizando no mundo que é “ubuntu”. Refere-se ao conceito de união, de vencer junto pelo esforço coletivo ao invés da disputa egoísta. Lembro-me de uma anedota onde um fotógrafo viajou pro exterior para uma comunidade onde haviam muitos problemas sociais, fome e miséria. Tentando agradar e preencher o tempo até seu horário de viagem de volta, ele pegou um punhado de doces e propôs uma brincadeira com as crianças. Aquela que chegasse primeiro em uma certa árvore distante, ganharia todos os doces. Para surpresa do fotógrafo, as crianças se deram as mãos e foram andando calmamente até a árvore. Chegaram todas juntas, sem cansaço, sem brigas, sem problemas. Todas elas, por direito, chegaram primeiro e repartiram todos os doces que ganharam. O fotógrafo, viciado pelo conceito de disputa nas sociedades, aprendeu o termo “ubuntu”. Leve isso consigo ao pensar o valor do dinheiro e das coisas na vida. Felicidade pode ser tão simples quanto fazer a coisa certa do modo certo. Dizem que uma felicidade dividida é uma felicidade ampliada.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

A ilusão da ‘Oferta e Demanda’.

2017_mes03_dia09_16h00_a_ilusao_da_oferta_e_demanda

São muitas as falácias de nossa sociedade. Passamos a acreditar em tanta coisa, apenas porque o argumento parece real. Mas nem tudo que parece real é realidade, tal como nem tudo que reluz é ouro. Embora seja real que exista “Oferta e Demanda” em nosso modelo de vida, muitas vezes onde se alega tal ideia, ela não existe, porque a demanda é forjada para que seja “suprida” com uma oferta.

Pra quem não conhece, a teoria econômica de Oferta e Demanda trata-se de legitimar um produto ou serviço alegando haver a respectiva demanda por parte do público. Então, por exemplo, se o ambiente da praia é muito quente, forma-se uma demanda por água gelada, sorvete, chinelos e assim por diante. Em dias de chuva, forma-se uma demanda por guarda-chuvas. Empresas e profissionais tentam encaixar essa teoria pra justificar outras atividades, omitindo o fato de que, na verdade, algumas “demandas” são forjadas. Por exemplo, quando te vendem uma comida propositalmente muito salgada para forjar uma demanda por bebida. As pessoas acreditam que apenas porque estão desejando a bebida, trata-se de uma demanda. Mas se a comida não fosse tão salgada, essa demanda não existiria. Agora você sabe porque tudo tem sódio, até as próprias bebidas, que ao invés de suprirem a sede, dão mais sede.

Essa prática de forjar demanda tem o objetivo, geralmente, de aumentar as vendas. Mas existem outras demandas forjadas que são ainda menos percebidas, porque são mais elaboradas. Um exemplo clássico é a divulgação da criminalidade em uma proporção que pareça que aquilo é recorrente. Assim justifica-se perante o público iludido que a oferta da repressão desproporcional é válida, pois os níveis de criminalidade foram deturpados. Se cada vez que uma mídia decidir comunicar, ela optar por filtrar e mostrar somente menores envolvidos em contravenções, ela forja no telespectador uma demanda por repressão específica à menores, pois passa a ideia de que contravenções de menores é algo que vem crescendo, que é recorrente, comum, etc. A edição proposital dos fatos distorce e sutilmente sugere o que o público deve pensar sobre o tema, segundo os interesses do manipulador.

Se você não tiver raciocínio firme e não estiver disposto a distinguir ‘manipulação’ de ‘fato’, será vítima dos interesses de terceiros. E, se estão manipulando para obter algo, não deve ser coisa boa. A demanda forjada está em muitas coisas. Alega-se que nos Estados Unidos forjem ataques à nação para gerar uma demanda por guerra, por políticas de repressão e assim justificar também as invasões de países, produção de armamentos, entre tantas outras coisas. Quando a busca por petróleo no mundo é o objetivo, a demanda por invasões desses territórios precisa ser forjada para que o público passe a ver como algo válido.

A busca de apoio popular nas ações visa harmonizar o público com o tema e o ato, para que ele não se rebele, não se oponha. Se desejam, por exemplo, fazer com que quadrilhas sejam desejadas pela população, divulgam massivamente a ideia falsa de que elas são feitas de heróis que combatem o crime. A população tapeada assiste e absorve a ideia, passando a valorizar os próprios bandidos, acreditando que suas ações são necessárias. Aplaudem fervorosamente quando eles atuam com repressão ilícita, inclusive. É quando, por exemplo, superestimam  bandidos fardados que fazem uma prisão de alguém, sem saber que a prisão foi feita com base num flagrante forjado. Nesse caso, ao mesmo tempo em que forjam uma demanda de valorização de bandidos fardados, forjam também a demanda por repressão à certos grupos que se pretende menosprezar na sociedade, associando-os à criminalidade sem que isso seja verdade.

Vivemos em uma sociedade que manipula dados e, por isso mesmo, desperta demandas perigosas na sociedade. O racismo cresce, o machismo cresce, o apoio à políticas conservadoras e de repressão crescem e só o que não cresce é a liberdade do indivíduo manipulado. Acabamos moldados pela fragilidade de nossa própria mente. Uma mente que não se fortalece todos os dias pelo pensamento sólido e constante, pela reflexão e análise do que se lê e assiste, acaba facilmente dobrada por uma falácia, uma edição e um tom de voz. Acostumados a não pensar, sem educação e sem senso crítico, são conduzidos à um estilo de vida que inclusive aplaude a redução da educação e o prestígio fervoroso à esses próprios opressores e mídias de controle.

Abre-se uma demanda pela Síndrome de Estocolmo, quando o oprimido se encanta e defende seu próprio opressor. Quando se incute na cabeça do ser humano de que ele precisa apoiar certas ideias que prejudicam à ele mesmo, ele vira um desses fanáticos rancorosos que se decepcionam com todo tipo de liberdade e bem-estar alheio, pois foram moldados para acreditar no que era conveniente aos opressores. Pode-se citar de exemplo o pobre de Direita que elege pautas e valores pra defender, deixando a lógica de lado, uma vez que ele será o maior prejudicado na implantação daquelas tais pautas. Seria o equivalente à um terráqueo fazer protesto pedindo menos oxigênio na Terra. Estando na condição de humano e precisando de oxigênio pra sobreviver, como a maioria dos outros animais, é esdrúxulo defender a ideia de menos oxigênio. E seguindo a analogia, vivemos em uma sociedade onde, frequentemente, os opressores tiram o oxigênio dos demais, para alimentar tubos particulares de oxigênio vitalícios para meia dúzia de “poderosos” que exploram o restante dos indivíduos. Percebe?

As demandas forjadas são “fáceis” de perceber, pois diferente das demandas reais, elas não te entregam algo que você realmente precisa. Ninguém precisa perder oxigênio, por exemplo. Ninguém precisa de corruptos no poder, nem de bandidos se passando por heróis. Não precisamos que nos privem a liberdade, nem precisamos que nos vendam alienação e falta de educação. Não precisamos, de maneira nenhuma, que inventem crises e apertos financeiros, pra justificar golpes e quebras de direitos sociais e humanos. Não precisamos que forjem demanda nenhuma, nem financeira, nem social, nem política, nem ideológica. Se não é uma demanda real, não é bem-vinda. Cabe a cada um identificar a manipulação pela qual passa e se posicionar contra.

Esteja sempre atento ao motivo pelo qual as mídias e pessoas dizem algo. Quase sempre há interesses perversos por trás. Formar um contingente de imbecis que tudo repetem e nada pensam é a meta de quem almeja poder e expansão através da bandidagem e opressão. Se você não for cuidadoso, acabará acreditando que suas vontades são demandas reais por algo. Você saberia dizer quais dessas demandas foram forjadas? Você realmente precisa de uma roupa que estampe a propaganda da própria marca gratuitamente? Você precisa de status? Será que você realmente precisa comer em certos lugares e participar de certos eventos? Será que você realmente se daria melhor frequentando o colégio A e não o B? Há demanda forjada pra você “desejar” todo tipo de coisa na sua vida. E se você aspira ser como muitos da sociedade para possuir o que eles possuem e fazer o que eles fazem, então provavelmente você está manipulado em muitos aspectos. A demanda pelo desnecessário foi forjada com sucesso.

A verdade é que, tirando as necessidades básicas do ser humano e alguns pequenos confortos que facilitam nossa vida física e psicológica, todo o restante não é verdadeiramente desejado, pois são todos frutos de demandas forjadas. Mantenha-se pensante, mantenha-se curioso, reflexivo e interessado em progredir por dentro. Isso te colocará em vantagem sobre os demais e te manterá mais protegido das armadilhas da vida. Busque ser diferente das massas cegas ou acabará sendo mais uma vítima, mais uma gota no oceano, mais um número da estatística. E é justamente por existir essa uniformidade cega que chamam a população de “massa”. Ajude a si mesmo e comece a buscar meios pra ser verdadeiramente livre e feliz.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Se estiver com medo de perder, perderá mais uma vez.

2017_mes03_dia07_12h00_se_estiver_com_medo_de_perder_perdera

A imagem que ilustra esse texto é parte da fotografia feita de Alberto Santos Dumont, por Zaida Ben-Yusuf.

Até onde eu sei, ninguém quer fracassar. Falhar é algo que incomoda a todos, apesar de muitos não saberem bem como lidar com isso e acabarem incentivando o problema por negligência, desconhecimento, preguiça, medo, vício ou estupidez.

Algo que custa a sumir das equações da vida é o medo. As pessoas tem medo de quase tudo e às vezes nem sabem que aquilo que possuem é medo. O medo de perder, por exemplo, faz muita gente sequer agir. Já escreveram que a única maneira de não errar é não fazer nada. Mas eu discordo, pois até sem fazer nada, erra-se. Aliás, erra-se principalmente por não fazer nada. O medo de perder antecipa perdas. É contraditório?

Imagine que uma pessoa está com medo de fracassar nos estudos. Sem saber, essa pessoa já fracassou. O que era pra ser uma vitória, um prazer e um aprendizado sadio, já não é, desde o momento em que o medo chegou. Também ocorre de perder todo o potencial, por desgastar-se inutilmente em questionamentos, dúvidas e temores que de nada somam pra clarear a realidade. Acabam ansiosas, medrosas, passivas, omissas, cheias de proteções e barreiras que nunca as coloca diante do necessário. Essas pessoas sufocam a si mesmas e dizem que assim o fizeram por medo de fracassar. E não estão fracassando de maneira igual ou pior com o desfecho dessa conduta? Estão.

Frequentemente os problemas psicológicos e os dilemas da vida caem nessas contradições. E por não fazerem sentido é que são patológicos. Se fossem saudáveis e naturais, fariam todo sentido e ninguém tentaria tratar. Ninguém busca ajuda para felicidade, sorrisos e bons momentos. Essas são coisas naturais e saudáveis. Os problemas começam quando criamos monstros que não queremos e mesmo assim os criamos. O medo é um desses monstros. Ele nada acrescenta, à menos que seja pra uma situação real de defesa da vida ou baseada em fatos dos quais a pessoa tem autonomia pra tomar uma decisão sobre.

O medo pelo medo vira essa peça cômica da contradição desnecessária que vem de lugar nenhum e chega a outro nada. O medo, pode-se dizer, é a menor distância entre dois vazios. Ele consegue nos fazer ir na maior velocidade entre o ponto A e o B, sem nunca saber que viagem é essa, até porque não sabemos a origem, o caminho e o destino. Seria cômico se não fosse trágico. A conscientização do problema é quase que 80% da solução. Saber que nada daquilo é real ajuda muito. Tentar voltar os pés no chão e desfrutar de noção de realidade é de sublime ajuda pro “problema”. E quando, com um pouco de sorte, a pessoa resolve mudar de postura, aí só coisas lindas acontecem. É quando ela deixa de perder repetidas vezes para começar a se dar chances de ganhar. Que belo presente!

Relacionamentos baseados em medo de término (medo de perda), também terminam. Esses relacionamentos começam de maneira equivocada e talvez pelos motivos errados. Acreditar que se pode perder alguém é, por exemplo, validar a ideia de que pessoas são posses ou que são exclusividade para nosso benefício. Quem evita entrar em relações por achar que pode perder, faz exatamente o que não quer: perde. E pior, perde por escolha própria, opta a perda, assina embaixo e carimba duas vezes para garantir que perdeu mesmo. A recusa de um relacionamento incerto é a certeza de não haver relacionamento, de todo jeito. Perder por perder, tem gente escolhendo a garantia e a antecipação do “malefício”.

Em outros temas, o medo de perder nos torna igualmente inconvenientes pra nós mesmos. Quando temos medo de perder dinheiro, podemos acabar perdendo ele todo. Cansei de ver pessoas que evitaram gastar o dinheiro que tinham e chegaram a tal extremo que guardaram a vida toda e acabaram morrendo sem nunca terem feito algo com aquilo. Guardaram dinheiro com qual finalidade? Medo de empobrecer? Levaram uma vida pobre, não usufruíram do potencial e terminaram exatamente como não queriam: pobres.

O medo tem essa função. Bancos vivem do medo. Se os clientes tem medo de serem roubados, botam todo seu dinheiro em uma conta. Se possuem medo de estarem jogando dinheiro fora, guardam o dinheiro em uma poupança. E se tiverem medo de perder até os centavos especiais, investem ainda mais “fundo”, montando um plano de aplicação. E o banco, sem medo de passar a mão no seu dinheiro, vive feliz, desfruta o antes, o agora e o depois. O medo dá lucro de muitas maneiras, exceto para quem o tem.

O medo de perder a felicidade torna as pessoas infelizes. O medo de perder sabedoria, torna as pessoas tolas. O medo de perder beleza, torna as pessoas feias. O medo de perder tempo, faz se precipitarem e acabar perdendo muito mais tempo. O medo de perder a vida, faz não viverem os momentos e perdem a vida toda.  O medo de perder qualquer coisa, nos tira muitas coisas. Saímos sempre perdendo dessa equação. Viver com medo atravanca nosso próprio progresso. Há quem diga até que o medo de perder é, na verdade, o medo de ganhar. Inventando um pretexto para não caminhar em direção ao que se quer, evita-se estar lá em contato com a vitória. Se tal pessoa tiver medo de ganhar, ela fará de tudo pra perder, mesmo que pra isso tenha que inventar o contraditório monstro que é o ‘medo de perder’. Os mecanismos de defesa psicológica do ser humano sempre trazem esses padrões tristes.

Às vezes o ser humano chega a ser chato de tão previsível. Entendo que seja mais fácil notar as incoerências olhando de fora. Mas não custa nada entrarmos em análise de nós mesmos sempre que tivermos tempo livre. E se acharmos que não temos tempo nem pra isso, aí e que precisamos mesmo de uma boa análise. Se as pessoas usassem a coragem que possuem pra falar bobagens, direcionando pra outras atividades mais úteis e urgentes, acho que enxergariam muito mais cedo que o problema não é grande, que não é difícil e que não é pra amanhã. Tudo é possível de ser transformado na mente. Os padrões são aqueles que quisermos ter, se nos permitirmos ser. O cérebro humano como parte física e a mente humana como parte psicológica são altamente flexíveis e com uma capacidade de plasticidade infinita. Tudo que se quiser transformar, há como. Devemos sempre ter coragem e tentar. Vai lá!

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer