Você sabe o que é Obsolescência Programada?

Este conceito e prática são muito utilizados tanto em produtos materiais, serviços, quanto em conceitos de cultura, moda, educação e outros fenômenos da expressão e interação humana. Dentro de sociedades pautadas pelo lucro, há um incentivo imenso pra que as pessoas passem a consumir cada vez mais. Para isso, as indústrias planejam para que seus produtos se tornem obsoletos cada vez mais cedo, para que as pessoas tenham que comprar atualizações ou novas versões destes mesmos produtos. Isso é a Obsolescência Programada e está presente também em outros setores da vida humana que não só o de compras de bens e serviços.

Se alguém lança uma geladeira no mercado e a população compra, este produto supre os fabricantes por um tempo, mas a fome constante por mais lucro os faz buscar métodos de propositalmente reduzir a eficiência e durabilidade dessa geladeira, para que dentro de um certo período de tempo, ela deixe de funcionar ou deixe de se adequar para as funções esperadas pra algum tempo a frente. As pesquisas científicas são pautadas para descobrir meios de se ter componentes com uma duração prevista. Assim, sua geladeira pode começar a soltar peças, a mudar a coloração de certas partes, a trincar, a parar de resfriar adequadamente, a vazar ou a perder a eficiência no consumo de energia. Esses são só alguns dos exemplos da gama infinita de possibilidades que estão atrelados a Obsolescência Programada.

No campo da informática isso é ainda mais drástico, devido a combinação entre recursos virtuais (internet, software, etc) com os recursos que permitem esse consumo (celulares, computadores, pentes de memória, acessórios, etc). Imagine, por exemplo que você tem um computador. Ele funciona bem, porém você deseja jogar um novo game que está na moda com gráficos mais recentes e necessidades maiores de processamento. Seu computador, então, já não será mais tão útil, devido as limitações de desempenho.

Sua opção seria a de comprar um novo computador e se adequar as necessidades que o novo game traz. Isso em si, pode não ser necessariamente Obsolescência Programada, mas, em paralelo a isso, os fabricantes podem colocar limitações de compatibildiade, propositalmente para que modelos antigos de software ou hardware não sejam adequados para determinada finalidade. Obrigar os usuários a fazer mais compras é uma das principais maneiras da indústria lucrar com algo que não tem uma demanda tão alta assim, a princípio. A demanda é forjada, estimulando os usuários a quererm pertencer a uma determinada realidade ou grupo.

A Obsolescência Programada também pode ser subjetiva, quando, por exemplo, uma empresa lança um modelo de celular novo, com praticamente nenhuma inovação substancial, mas deixa o público desejoso de adquirir, apenas por se tratar do modelo mais recente, uma vez que o status do modelo, do preço e da hierarquia do produto em relação aos antecessores, traz prestígio social em uma sociedade que valoriza mais produtos e aparências do que pessoas e valores humanos. A indústria explora muito bem essa fragilidade de muitos consumidores e estimula essa visão de pensamento na sociedade, pra que acreditem que isso é ‘vencer’ na vida.

Em resumo, as coisas podem se tornar obsoletas por várias razões. Elas podem quebrar rápido, ficarem incompatíveis com necessidades e acessórios novos ou não se adequarem mais ao padrão de status criado e desjado. As pessoas compram novos produtos em decorrência de designs ‘mais atuais’, funcionalidades novas, desempenhos maiores, vício ou compulsão em ter cada vez mais, entre outras coisas. Você já deve ter conhecido muita gente que compra livros sem nunca lê-los, apenas pela compulsão de tê-los dispostos numa estante. Também já deve ter visto colecionadores que acumulam qualquer versão levemente diferente de um determinado item, sem nenhum motivo além da compulsão em colecionar. Essas pessoas podem chegar ao extremo de adquirir centenas de produtos idênticos, onde a única diferença é um número de série diferente ou uma sequência coincidente destes números. Essa estratégia é muito utilizada pela indústria do cinema e do entretenimento, pra vender artigos para fãs colecionadores. A indústria em torno de um filme famoso costuma render muito mais dinheiro do que a comercialização do filme em si.

Também podemos ver traços de Obsolescência Programada na cultura, nas modas, na música, nos filmes, nos hábitos de entretenimento, etc. Ocorre, por exemplo, de gravadoras forjarem bandas sem qualidade real, mas que, com estratégias de apelo a moda, terão, propositalmente, uma existência meteórica, ou seja, muito rápida, passageira, gerando muita demanda e frenesí pelo público-alvo. São criadas para suprir apenas a moda da ocasião e arrecadar dinheiro com shows, produtos, livros, eventos, promoções envolvendo o consumo de revistas e outros produtos, etc. De certa forma tudo isso vai se tornar obsoleto em um curto espaço de tempo e depois terão de inventar / apoiar outra banda ou estilo musical pra gerar uma nova febre / moda de consumo impulsionada pela exploração das fraquezas de adolescentes, crianças e até mesmo de adultos.

Enquanto o ser humano médio for sensível a banalidades e não se resolver por dentro sobre as questões que o motivam a consumir desenfreadamente, a desejar status e compra de bens e serviços superficiais, ele não estará imune da exploração a que é submetido a vida inteira. As pessoas se acostumam com a Obsolescência Programada, pois, embora achem difícil aceder ao consumo tantas e tantas vezes, elas se esforçam e encontram meios para isso, pois preferem estar inclusas pelo consumismo, do que ser a exceção em um grupo. Se esquecem, porém, que se todas elas se negassem a esse consumismo desenfreado, não seriam nem mesmo exceções mais.

Um exemplo clássico de Obsolescência Programada foi quando, no Brasil, os padrões (formatos) de tomadas e plugues elétricos foram mudados de dois pinos para três pinos. Uma mudança simples e sem necessidade, que fez com que todos os consumidores tivessem que substituir em suas casas e comércios, todas as tomadas para o novo padrão, senão não conseguiriam usar eletrônicos novos, devido a fabricação dos plugues incompatíveis com as tomadas antigas. Isso alimenta a compra de uma quantidade gigantesca de tomadas, adaptadores, cabos, plugues e até mesmo de novos equipamentos eletrônicos que se adequem com os padrões atuais. A indústria agradece a cooperação com o bolso dela, mas benefício mesmo não há para o consumidor.

Lembre-se: Apoie os pequenos. Os grandes não precisam mais.

Rodrigo Meyer

Anúncios

É possível produzir sem depender de propagandas?

Desde quando produzir se tornou profissão, buscamos meios de converter nosso trabalho em renda. Dos escritores de livro, colunistas de jornal, músicos, blogueiros, artistas da televisão e, nos últimos tempos, youtubers. Aprendemos com as mídias anteriores que, ou vendíamos nosso trabalho pra intermediários como gravadoras de disco ou editoras de livros ou éramos contratados por revistas, jornais ou televisão por um salário ou cachê que, basicamente, era nutrido graças aos anúncios pagos. Mesmo na internet, quando do tempo dos portais onde os blogs e sites de notícias borbulhavam em seus passos iniciais, a ideia era a mesma. As pessoas assistiam propagandas que os anunciantes pagavam para as inserir no meio do nosso conteúdo.

Faz tanto tempo que esse modelo existe que a maioria dos criadores acredita ser o único modelo possível de se trabalhar. Comerciais automáticos no meio dos vídeos ou mesmo patrocínios convertidos em ‘merchans’ que anunciamos entre um pedaço e outro de nossos conteúdos, fazem a conversão do nosso trabalho em renda. E se não quisermos depender desse modelo, existe solução? Antigamente já se tinha centenas de conteúdos exclusivos que eram cedidos mediante assinatura mensal ou até anual. A própria tv à cabo é a tal ‘tv por assinatura’ que tanto prestigiávamos quando ela era novidade e luxo. Hoje em dia é banal, massificada e sem qualidade a ponto de nem mesmo as caras assinaturas servirem pra bancar a estrutura. Mesmo as programações que já estão sendo pagas pelos assinantes do serviço, ainda se empanturram de todo tipo de propaganda e intervenções de cunho comercial pra tornar sempre mais e mais lucrativo a quem produz.

Na internet, vários sites oferecem serviços e conteúdos exclusivos mediante assinatura. De ensaio de fotos a séries, de banco de imagens profissionais a templates para sites. Muita gente está criando e muita gente se interessa de bancar esses criadores, mesmo que seja através de uma fração que se soma pelo coletivo. Atualmente, iniciativas como o site Patreon, permitem que os usuários interessados por um conteúdo ou serviço, financiem o criador através de doações mensais ou avulsas, podendo escolher descontinuar os pagamentos, além de determinar o valor que pretende ceder. Mas porque alguém doaria dinheiro pra outra pessoa  ter o trabalho remunerado? Isso faz sentido?

Faz muito sentido e já é algo bastante comum ao redor do mundo. Se com os anúncios pagos, os patrocinadores ganhavam visibilidade nas mídias para suas vendas, agora com as doações, pessoas comuns, sem empresa alguma, podem patrocinar conteúdos para terem, eles mesmos, um retorno desse investimento. Já vi mídias retribuindo as doações com grupos exclusivos entre os criadores e os doadores, mídias físicas autografadas, direito a participar junto dos criadores em lives de vídeos ou em podcasts e, às vezes, até uma versão do já conhecido ‘merchan‘, onde pessoas comuns que também sejam criadores de conteúdo, artistas ou pequenos empreendedores com seus micro-negócios, dentro ou fora da internet, possam ter seu trabalho divulgado. Uma troca de gentilezas, onde um abre espaço pro outro e trocam dinheiro por estas oportunidades.

Em tempos onde todo mundo está querendo arrecadar dinheiro da internet, as opções começam a se multiplicar. A cada ano surgem novas maneiras de interagir com o público e as mídias, para fazer brotar disso uma renda que compense o trabalho do criador. Embora tudo isso ainda seja uma versão do modelo inicial das propagandas em troca de conteúdo, o grande diferencial recente é a possibilidade de que pequenas pessoas tenham espaço tanto para produzir como para serem vistas como anunciantes ou patrocinadores de conteúdos e, melhor que isso, de conteúdos feitos para nichos bem específicos que são facilmente direcionados e encontrados, graças as plataformas de redes sociais, suas tags e mecanismos de busca que entregam os conteúdos e as propagandas que façam mais sentido naquele contexto único.

São milhares de possibilidades de se fazer ouvir e driblar a escassez de trabalho em uma sociedade que tudo nos cobrava como funcionários e que agora se vê diante de uma massa de pessoas desejosas por viver de internet, com suas próprias produções, suas próprias histórias, seus próprios estilos, ideais e objetivos. Agora, com o controle nas mãos, temos uma multidão de adolescentes, adultos e até idosos, ansiosos por vencer na internet, mesmo que isso custe muito esforço e tempo, pois se espelham em nomes famosos desse novo modelo de trabalho pra traçarem seus sonhos de carreira profissional.

Esses dias estive assistindo, no Youtube, um canal de um diretor de cinema que, de forma magistral, pegou um gancho genial com essa realidade atual, onde já são corriqueiras as postagens independentes de vídeos na internet, e criou, então, uma série ao longo de uma sequência de vídeos, onde o personagem fazia registros em sua casa sobre fenômenos paranormais. Assim, nasceu uma série financiada pelo próprio sistema do Youtube, que, de outra forma, custaria uma fortuna pra sair do papel. Seria isso metalinguagem? Tamanho foi o sucesso dessa produção que alguns usuários enviaram perguntas ao diretor, com dúvidas se eram vídeos reais ou produções de ficção. E o diretor agradeceu a pergunta, pois, como os vídeos eram ficção, sinalizava, então, que estavam bem convincentes. O formato que se confunde com a realidade atual, onde postamos vídeos similares aos daquele personagem, ajudou a ampliar essa sensação de realismo.

Há muita gente criativa fazendo coisas incríveis como essa, tirando o máximo de proveito da internet com essas opções de monetização fora do que era convencional no passado. Filmes no Cinema ou na Tv talvez tenham que dar vez para as plataformas online.

Sejam mega-produções ou pequenos conteúdos, há sempre muita demanda e potencial. Atualmente você já pode substituir a compra de um DVD de um filme pela compra virtual do mesmo conteúdo. Assistir canais monetizados ou assinar plataformas de séries e filmes, como na Netflix é uma realidade há vários anos e estamos presenciando um boom nunca visto antes. Espero que toda essa abertura financeira estimule as pessoas a criarem conteúdos realmente interessantes e cada vez mais completos. Sei bem como é trabalhoso produzir e refinar um conteúdo que nasce pra ser obra e, não só por isso, é algo que merece ser muito bem remunerado. E se não quisermos os modelos convencionais de monetização de nossas criações, temos aí uma sociedade imensa com mais de 7 Bilhões de pessoas, com grande parte delas já conectadas a internet, podendo negociar, elas mesmas, as opções de troca.

Espero que essas novas opções que a internet ajudou a trazer, deixem claro na mente das pessoas que nem tudo precisa ser pautado em dinheiro. Podemos trocar muitas coisas e podemos, inclusive, viver de trocas dentro e fora da internet, pra todo tipo de situação. Precisamos aprender a qualificar nossas criações e não necessariamente precificá-las. Pense como seria simples e gratificante exercer nosso trabalho em troca daquilo que queremos ou precisamos diretamente, sem a intermediação do dinheiro e/ou dos patrões. Pense o mundo de forma simples e verá que pelo apoio coletivo, ampliamos a liberdade individual e, com isso, o potencial humano só cresce. Estamos prestes a fazer coisas geniais, se permitirmos que esses ambientes prosperem. Sempre que puder, apoie e suscite apoio para tudo de bom que for criado. Em algum momento teremos que falar de BitCoin, a moeda virtual. Por enquanto, vamos em frente!

Rodrigo Meyer

Boas conversas, humor e arte.

Sei o quanto é incômodo pra muitos estarem constantemente tocados por assuntos que apontam problemas ao invés de serem conteúdos fáceis, doces e divertidos. Nem sempre a realidade será só facilidades e nem sempre será só mazelas e questionamentos. Temos potencial de transformar o “chato” em algo mais palatável se estivermos fazendo as transformações necessárias ao invés de ignorarmos os problemas varrendo eles pra debaixo do tapete.

As pessoas podem decidir com o que lidam hoje. Cada pessoa controla o que vai absorver e, em certa medida, até mesmo com que olhos vai sobrevoar o assunto encontrado. Por vezes, as pessoas estão tão cercadas de problema que sentem-se cansadas ou inaptas a lidar com a situação, devido ao peso do acúmulo. E é por isso mesmo que é importante lidarmos com os problemas, pra que estejamos com menos pesos guardados, ao invés de fingir que eles não existem até que nossas feridas sejam tocadas por um texto ou ocorrência que nos aponta nossa real situação.

Partindo consciente de tudo isso, venho hoje pra dizer sobre o outro lado da moeda. Quero dividir com vocês o quão importante é o contrapeso na vida. Além de cuidarmos de nossa própria realidade, temos, também, que abrir caminhos pra que ela seja mais gratificante, engrandecedora e, possivelmente, nos gere mais esperança. Mas, até mesmo pra isso, precisamos levantar um questionamento sobre uma barreira que nos impede de brincar deste lado da moeda.

Você que deseja uma vida mais satisfatória, já se perguntou se você está dando espaço pra esses momentos surgirem? Você traça e incentiva boas conversas, momentos de humor e arte? O que você tem feito de seus momentos para transformar as situações em algo mais agradável? Você apenas lê textos e dados e os processa como uma máquina ou absorve a essência de cada um deles e aplica isso no seu relacionamento com as pessoas? Você se transforma por dentro ou só superficialmente? Você sente-se mais vivo e divertido nas coisas que faz? Com quem você está dedicando tempo, atenção, valor e realidade?

A vida está passando para todos e a única diferença entre uma pessoa sorrindo e outra entediada está nas conexões presentes ou ausentes. Precisamos, com urgência e prioridade, nos fortalecer enquanto seres sociais e socializar. Tudo bem se você sente-se incomodado com a qualidade das relações humanas e prefere o isolamento, muita vezes. Mas, se tiver a oportunidade de desfrutar momentos com uma pessoa compatível contigo e interessante o suficiente pra tirarem boas conversas e risadas, faça isso, sem pensar duas vezes.

Neste ano, onde tudo parece insólito e desanimador, precisamos resgatar nossa própria capacidade de rir e superar as fraquezas externas para nos tornarmos fortes o suficiente pra permanecermos de pé e cruzarmos esse período sem sucumbir. Chegaremos em dias até piores, mas o que vai importar mesmo é como lidamos com essa situação. Não hesite em dizer ‘sim’ para um momento de diversão, uma saída para fotografar, ver gente, conversar, driblar o tempo entre um copo ou outro de sua bebida preferida ou até mesmo descobrir ou redescobrir a si mesmo em casa, sozinho.

Até mesmo se você, eventualmente, estiver deprimido, mas, de um jeito ou de outro, tiver condições de se propor umas horas diferentes, vale a pena a tentativa. Faça algo ao lado de pessoas que possam te apoiar, te enxergar, te valorizar e, sobretudo, faça algo que quebre o momento presente, nem que seja só uma exceção na totalidade de suas semanas ou meses. Toda experiência será somada na sua memória e você estará um passo mais próximo de ter grandes opções e lembranças futuramente.

As pessoas já se esqueceram como é conversar e o que devem fazer sobre isso sem que sejam as mensagens automatizadas dentro de messengers em busca de trabalhos, links de conteúdos externos ou qualquer outra coisa que já não expressa nada com duração e propósito coerentes. Muita gente já está perdendo a valorização do ser humano e está preferindo se relacionar com máquinas, depois de já terem substituído o convívio com humanos pela companhia de outros animais e, agora, buscam algo ainda mais individual. Como resultado triste disso, nos desacostumamos a lidar com pessoas e perdemos o traquejo social.

Por muito anos da minha vida, tive o efeito colateral de certas situações da infância e adolescência que me soldaram numa plataforma de não socialização. Como todo problema dessa proporção, surgiram problemas derivados que se espalharam mesmo depois que as questões iniciais já estavam resolvidas, pois ter passado tanto tempo de um jeito, trouxe, por exemplo, um certo descompasso com o momento do retorno da socialização, tal como as questões de identidade e personalidade, questões de carreira profissional, estudos, etc. Foi quase como acordar de um coma num futuro totalmente desconhecido e repentino.

Por toda essa experiência que tive e todo o esforço que foi necessário pra me colocar de volta nos trilhos, posso dizer que não vale a pena esse novo “modelo” de sociedade em que estamos, pois o resgate é sempre mais difícil do que a queda. Tendemos a nos afundar em modelos “alternativos” de realidade, através dos eletrônicos, em especial da internet. Isso poderia ser algo bastante proveitoso se não estivéssemos usando tudo isso apenas como fuga da realidade. Ao tentarmos desviar do convívio humano, ficamos menos humanos, pois a característica maior de nossa espécie é justamente a de sermos seres sociais. Negar isso é plantar problemas.

Eu não posso tirar a razão das pessoas que preferem animais e máquinas, afinal o ser humano se tornou intragável com tanto tempo na contramão do necessário. Mas, cavando um pouco aqui e ali, você pode tentar encontrar pessoas que também estão cansadas do caos humano e que buscam as exceções espalhadas para preencher suas vidas com melhores opções.

Com quem iremos conversar e extrair bons momentos se as pessoas estão presas ao imediatismo e automação da vida pseudo-moderna? Onde encontraremos satisfação no toque, no perfume e no olhar, se já deixamos tudo isso de lado para nos resumirmos a emoticons? Eu quero te propor uma reconexão com os prazeres da vida real e humana. Escreva cartas a mão, substitua o excesso das conversas virtuais por visitas, substitua os links de humor por momentos presenciais de risada a dois ou em grupo. Ande quarteirões pra encontrar o que nem estava procurando. Permita-se um sorriso no rosto ao encontrar uma peça de roupa perdida de alguém que esteve em sua casa. Note como as coisas são simples e poderosas apenas por haver o componente presencial.

Em última análise, toda satisfação desses pequenos momentos são consequência de nossa essência como seres sociais. Precisamos socializar e dividir tempo e espaço com as pessoas. Se dê o benefício de ver alguém e poder reparar nos seus trejeitos, seu calor, seus atos espontâneos. Dizer tudo isso soa como se estivesse dizendo obviedades e de fato são coisas bem óbvias, mas que estão sendo perdidas e descartadas dia após dia. E se nem o óbvio está sendo executado, então precisamos repetir obviedades. Como diz a frase:

“Tristes tempos onde é preciso dizer o óbvio.”

Não deixe essa chama se apagar. Não deixe a humanidade se desumanizar. Não espere que o outro te proponha convites, saídas e opções. Faça você mesmo sua parte e seja engajado na causa mais importante do mundo que é manter-se humano dentro da humanidade.

Rodrigo Meyer

Será que desaprendemos a conversar?

Acredite se quiser, havia um tempo em que celular nem mesmo tinha tela. Usávamos pra telefonar e éramos obrigados a falar se quiséssemos nos comunicar. Não significa que isso seja necessariamente o único modelo possível e bom, mas retrata uma época em que, por falta de outras tecnologias, não podíamos abrir mão ainda da socialização. Atender o celular incluía interagir de fato com uma pessoa e não apenas com uma notificação virtual de que um usuário fez ou deixou de fazer algo. E nessa diferença, habita questões pros tempos de hoje.

Eu me recordo dos primórdios da internet no Brasil quando vivíamos atrás de uma conexão discada que só era gratuita depois da meia-noite. Sorte de quem tinha paciência, pois se conectar não era algo automático como ligar o computador e já sair navegando. Aspirávamos por conexões, mesmo que difíceis, pois elas eram a nossa oportunidade de socializarmos com pessoas e conteúdos no conforto de nossas casas, mas com pessoas que não moravam conosco. Trocamos boa parte dos telefonemas por conversas digitadas no ICQ ou no MSN Messenger, mas até mesmo antes disso tudo já conseguíamos um pouco de interação pelas salas de chat dos chamados ‘portais’.

Parecia tudo muito bom. As pessoas, ainda descobrindo as possibilidades dessas mídias todas, se colocavam no mesmo papel de pessoas e não de usuários. Dividíamos conversas como se estivéssemos de fato conhecendo alguém presencialmente. Ainda que muita gente se desviasse um pouco da qualidade, na média ainda íamos bem. Muitas pessoas formaram boas amizades e até relacionamentos amorosos a partir dessas interações. Conversar com alguém online ainda era um mero detalhe, pois certamente as pessoas acabariam se encontrando no mundo real para darem continuidade ao que foi começado. Bons tempos onde tecnologia ainda não era sinônimo de ruína social.

É triste termos que admitir, mas saímos dos trilhos e nosso trem tombou com carga e tudo e não temos a menor ideia de onde vamos. Estamos parados no meio do caminho, olhando o trem virado, mudos, olhando um pro outro, sem nada fazer. Estamos esperando um milagre que nos reconecte com a estrada, pois desaprendemos a andar sem trem, mas também não temos mais um trem que ande. Ficamos paralisados, quase como se estivéssemos em estado de choque.

Atualmente, com smartphone nas mãos, redes sociais e aplicativos intermediando tudo e todos, nem sabemos ao certo quem é que está do outro lado de uma foto de avatar, um nome ou conteúdo qualquer. Tudo nos vem já representado, mastigado, moldado, dobrado, adaptado pra servir como comunicação massiva, mas que de comunicação mesmo tem pouco. Conseguimos instantaneamente enviar mensagens para uma pessoa do outro lado do mundo, apenas clicando em alguns filtros de interesse. E esse é o lado bom da história toda, pois a coisa só fica triste quando essa comunicação de fato “começa”. É um começo com cara de fim e muitas vezes sem meio. Somos colocados pra interagir e agimos como se as pessoas fossem botões, ícones, nomes e avatares. Parece até mesmo que nós somos robôs tentando dar conta de linhas de comandos encontradas pelo caminho.

Por Facebook, Skype, Whatsapp ou um desses aplicativos de relacionamento, tentamos conhecer pessoas, mas chegamos à elas somente depois de algumas fotos e uma tabela com suas informações resumidas. Muita gente anda substituindo o “Oi” por simplesmente um clique no botão de “add”. Pra muita gente é suficiente que os sites ou aplicativos se encarreguem de informar que alguém lhes adicionou. E fazem absolutamente nada com essa informação, pois tornou-se apenas uma mera burocracia do ato de conectar-se virtualmente à usuários (já não vistos mais como pessoas reais). Imagine-se em um ambiente real onde você pressiona um botão para entrar em um comércio e ao invés de ser recebido por alguém, apenas é informado de que você agora está dentro do comércio. É claro que isso parece inútil e burocrático pois já descartamos a associação entre a conexão virtual com a conexão à uma pessoa real.

Mudamos drasticamente o modo como socializamos pela internet e, por isso mesmo, estamos perdendo nossa habilidade na socialização presencial também, afinal passamos tanto tempo nos computadores e longe das pessoas que temos dificuldades de conviver fora deste mundo individualista em que ficamos atrás de uma tela de celular ou computador, trancados em um quarto ou em um ambiente imaginário que se limita ao campo de visão diante do eletrônico, mesmo que estejamos em uma enorme sala, restaurante ou no meio da rua. Nos teletransportamos pra dentro do mundo virtual, tal qual os personagens do filme ‘Matrix’, onde a realidade já se confunde com o virtual (podendo ser até mesmo a mesma coisa), mostrando que tudo é mental e, portanto, relativo.

Passamos incontáveis momentos sem saber lidar com esses inícios de conversa. Os espaços de digitação de mensagens não estão mais presos à estrutura ou ritmo algum. Você diz algo hoje e semana que vem, quando você nem mais lembrava que havia escrito algo, alguém surge, lê (ou não) e inicia outra mensagem nova, desvinculada ao que foi escrito originalmente. Vivemos na base de links, emoticons, indicações, botões, lembretes virtuais, resenhas padronizadas, álbuns de fotos com legendas que nada dizem, mas oferecem links pra outras coisas que, por vezes, nada dizem também.

Claro que, por vezes, tudo isso nos economiza tempo. É verdade que é cansativo ter que nos apresentarmos tantas vezes, especialmente quando nosso tempo já foi totalmente roubado pela nossa procrastinação regada à atualizações de tela e navegações aleatórias em busca de postagens quaisquer que surjam automaticamente pela nossa frente. Acostumados a viver com o que nos entregam, já não buscamos mais nada. Sentamos e absorvemos passivamente. Perdemos muito das aspirações pessoais pelas questões da vida e até mesmo pelo mistério por trás de cada pessoa. Perguntas incomuns travam a maioria das pessoas nesse jogo moderno de botões de “Ok” e “Cancelar”. Qualquer coisa mais complexa que exija mais do que respostas afirmativas ou negativas já inquietam as pessoas e nos faz parecer uma grande perda de tempo pra essas pessoas que já se sentem sem muito tempo.

Isso me faz lembrar do relojoeiro dos contos de Alice no País das Maravilhas, sempre com pressa, correndo contra o tempo, sem poder parar pra qualquer explicação ou conversa. Estamos em tempos de aprisionamento a um modelo de vida que exige que sejamos tão rápidos quanto os computadores podem ser. E como isso não é possível, acabamos equivocados, reduzindo nosso tempo de sono, nosso horário de refeição e também nossas conversas, nossos momentos mais humanos e profundos. Parecemos com os extintos ascensoristas atendendo pessoas com base nos andares em que elas solicitam parar. Nos tornamos inúteis e superficiais pois queremos atender a demanda imaginária de 7 Bilhões de pessoas no planeta, mas sem entregar nada de relevante pra nenhuma delas, afinal o tempo é curto, fracionado e mal utilizado.

O desafio deixado hoje é que você consiga reverter seu estilo de vida, nem que seja começando por rever o ritmo de suas atividades. Você terá que repensar porque é que aquele seu projeto que normalmente levaria semanas, você quer muito terminar em 2 horas de um único dia. Pra quem é que você estaria realizando? O que é que está em jogo? A qualidade do projeto é menos importante que ter ele disponível o quanto antes na terra da visibilidade virtual?

Atender a demanda do Facebook e se moldar ao ritmo imaginário é o que está fazendo tudo ser mais pobre, menos útil e menos prazeroso, tanto pra quem cria quanto pra quem absorve essas criações. J.R.R. Tolkien, autor de ‘Senhor dos Anéis’, escreveu de forma intensa e completa sobre todo o universo por trás daqueles momentos. Chegou a criar o próprio idioma, além de inúmeros outros detalhes que fazem de sua obra algo completamente único, diferente da maioria dos conteúdos rasos da modernidade que muitas vezes não possuem sequer um propósito.

Temos que conversar, temos que olhar nos olhos, tocar, sentir, cheirar, viver. Temos que sentar ao lado das pessoas e rir, contar histórias, contar memórias, ter memórias para contar. Precisamos, intensamente, aspirar por momentos reais, ao lado de pessoas reais. Precisamos entender que não somos máquinas, nem linhas de programação, mas que temos consciência, tato, olfato, visão, paladar, audição e inúmeras outras capacidades sensoriais. Não espere que as pessoas sejam todas descartáveis, senão acabará igualmente descartado por elas. O sistema de sociedade e cultura que incentivamos entre as pessoas acaba prevalecendo e incluindo todos nós. Se não quisermos viver um mundo distante, frio, automatizado, feito às pressas e mal feito, precisamos nos desconectar de uma lista de ilusões que acreditamos fazer parte da modernidade.

Tempos modernos não excluem o ser humano da equação. Você pode fazer uso de tudo que a tecnologia proporciona, desde que coloque o bem-estar do ser humano como prioridade em tudo. De que serve poder conversar à distância por um eletrônico, se o conteúdo é fraco ou nulo? Qual é o ganho real? De que serve termos câmeras com ótima qualidade de imagem, se já não criamos comunicação pela Fotografia? De que serve estarmos conectados com milhares de pessoas, se não lembramos o nome de quase nenhuma? De que serve termos um Home Office, se na prática, não temos o esperado conforto de trabalhar em casa? Que qualidade de tempo temos? Que qualidade de conteúdo oferecemos? Que verdade há por trás de interações tão secas e virtualizadas? Quão feliz estamos vivendo essas regras que nós mesmos inventamos? Pra onde vamos? Porque vamos? Quem somos? O que queremos? O quanto podemos? E pra responder a tudo isso? Será que sabemos?

Rodrigo Meyer

As facilidades estão tirando nossa disposição.

2017_mes04_Dia03_09h00_as_facilidade_estao_tirando_nossa_disposicao

Apesar de tanta coisa que veio em nosso benefício em termos de facilidades, tecnologias e a própria diversidade, acabamos ficando acomodados e perdemos a disposição em fazer várias coisas que antes nos eram naturais e, eu diria, necessárias. A mente e o corpo, como sabemos, se mal utilizados adoecem e se pouco utilizados atrofiam. E foi mais ou menos nessa direção que as gerações recentes se perderam.

Muita gente trocou as visitas domiciliares por encontros virtuais. As conversas já não dependem de locomoção e planejamento de data. Às vezes unimos o entretenimento coletivo de uma casa noturna ou bar aberto ao público em geral para retomarmos a socialização com um ou outro conhecido. Estes se tornaram os pontos de encontro fora da internet. Mas, frequentemente, vamos apenas aos mesmos lugares e não temos muito interesse de sair pra explorar a cidade, se não houver destinos pré-definidos.

De certa forma, por preguiça, negligenciamos muitas das coisas que compõem o nosso bem-estar físico e emocional. Deixamos de escrever cartas manuscritas e alguns abandonaram até a leitura dos livros físicos em detrimento das versões digitais. A comunicação já não nos obriga a ter caligrafia, porque podemos utilizar fontes de texto para nossos textos virtuais. Já nem lembramos mais como é a nossa letra e estamos, literalmente, desaprendendo a escrever. Um estudo mostrou que a geração que nasceu com a internet, acabou transformando sua escrita manual em letras soltas ao invés de cursiva, em sinal de imitação ao texto virtual.

Produzir um vídeo é tão fácil quanto apertar o botão de gravar do celular ou câmera fotográfica. E estranhamente, o telefone celular já não serve mais como telefone e as câmera fotográficas estão se tornando câmeras de vídeo. Já não paramos para fotografar, queremos logo a criação mais abrangente possível. Gravamos tudo que encontramos pela frente e não organizamos nem planejamos muito. Alimentamos animações em GIF geradas automaticamente por sites. Ótimas facilidades, mas que não estão necessariamente melhorando a produtividade ou qualidade dos conteúdos.

Fazemos muito mais coisas, mas temos muito menos paciência e engajamento por qualquer coisa que não seja sintética, pré-fabricada, artificial e simplificada. A construção de casas já está começando a surgir no sistema de módulos pré-fabricados. As ilustrações estão sendo substituídas por montagens de fotografias preexistentes. Até mesmo os textos e notícias estão sofrendo uma degradação sem precedentes. Diversas mídias já não criam os próprios conteúdos, mas apenas replicam o que conseguem facilmente copiar e colar de outra mídia que encontram pelo caminho.

Acabamos, sem perceber, nos tornando o oposto da produtividade. Compartilhamos o que vemos e não criamos nada. Comemos o que estiver disponível para comprar e não o que escolhermos plantar e/ou cozinhar. A comida já vem com conservantes que conservam tudo, exceto nossa saúde. Ganhamos tempo, mas saímos no prejuízo. Nosso corpo reclama, nossa mente se entristece e ficamos um pouco menos vivos. E isso não é uma questão de mero capricho. O ser humano tem necessidades que, se ignoradas, comprometem a mente, levando para situações de ansiedade, depressão, medo, distimia, transtornos obsessivos e várias outras situações.

Estamos nos tornando tão rápidos quanto essas facilidades de nosso tempo. Mantemos relações cada vez mais descartáveis, como se lidássemos com avatares de redes sociais. Ignoramos pessoas como quem fecha um arquivo que não quer mais ver. Deixamos as pessoas falando sozinhas, pelo costume que adquirimos de poder manter o histórico da conversa para retomarmos posteriormente. Estamos levando pra nossas vidas, a conduta que é típica das facilidades da internet e as demais tecnologias. E estamos nos tornando menos humanos e mais virtuais.

Isso não deveria ser necessariamente ruim, mas o ser humano, adoentado pelos excessos, não está conseguido gerir essas realidades de maneira saudável. Há muita coisa em suas mãos e ele mal sabe como lidar com uma fração delas. Está se enrolando da cabeça aos pés em tudo que tenta fazer, porque a vida tornou-se algo que ele já não reconhece como agradável. Tudo está fácil, mas está também chato, frio e sem desafios. A mente não se sente bem em ser cada vez menos necessária e o corpo já está frágil e preguiçoso para qualquer coisa que não envolva teclas e automação.

Estamos lotando os consultórios médicos e as sessões de terapia psicológica. E isso não precisa ser assim. Precisamos reavaliar nosso modelo de viver a modernidade. Não precisamos abrir mão das tecnologias, mas precisamos aprender a utilizá-las para benefício real e não para nutrir um estilo de vida cego. Se não enxergarmos a luz por traz de tudo que estamos fazendo, absorveremos esse vazio como sinônimo da realidade e, claro, nos sentiremos péssimos em relação a isso tudo. Viver bem está relacionado a fazer bom uso daquilo que se tem. E não podemos tirar da equação a nossa posse mais preciosa: nosso corpo e mente. Vamos olhar com carinho sobre o que estamos fazendo dos nossos dias.

Espero que possamos dançar mais e melhor, suar em atividades braçais, em artesanatos, nutrir o corpo com comida de qualidade, boicotando sempre que possível as comidas enlatadas cheias de corantes e conservantes. Vamos dedicar tempo pra receber nossos amigos, sorrir diante da companhia de animais reais e não só das fotos e vídeos fofos pela internet. Vamos dedicar tempo para abraçar as pessoas em paralelo aos likes que deixamos nos conteúdos. Vamos olhar nos olhos, desfrutar de uma vida sexual mais ativa e com mais sentido, sem as distorções da pornografia industrializada e massificada. Vamos desligar as luzes brancas de LED e relembrar o tom alaranjado das velas. Vamos retomar o lado humano de nossa realidade, pra que as coisas não se tornem uma rotina fria e rude.

Rodrigo Meyer

As profissões e serviços do futuro.

2017_mes03_dia22_02h30_as_profissoes_e_servicos_do_futuro

Tendemos a acreditar que todas as profissões sempre existirão, bastando que se tempere cada uma delas com um pouquinho de futurismo, mas, feliz ou infelizmente, isso não é verdade. Mesmo se olharmos pro passado, conseguimos ver centenas de profissões que foram extintas, seguindo a lógica de que aprendemos jeitos melhores de se fazer as cosias, mas também reavaliamos as necessidades e prioridades daquilo que fazemos. As demandas e objetivos da sociedade vão mudando e, por isso, trabalhos novos surgem e outros somem.

Quando me perguntam sobre quais seriam as profissões do futuro, eu deixo de lado toda aquela romantização do tema e também faço questão de destacar que o futuro distante é muito volúvel pra que se possa fazer afirmações sobre tempo e conteúdo. Uma simples descoberta no tempo presente pode alterar toda uma cadeia de pensamentos e alterar completamente os rumos possíveis ou pretendidos por uma sociedade. Então qualquer especulação sobre o futuro é limitada ao cenário que temos hoje.

Analisando o que temos de realidade agora e sabendo mais ou menos qual é a progressão com que as coisas evoluíram, podemos estimar uma continuidade por meio dessa exponenciação. Mas o futuro não se resume apenas em saber quando e com qual relevância as mudanças chegarão, mas sim, principalmente, saber quais os rumos práticos dessas novidades e o que está por trás do ser humano que aspira ou alimenta esses caminhos. Dito isso, aqui vão alguns dos meus palpites.

Com o avanço da Inteligência Artificial e as mídias de modelagem 3D hiper-realista, veremos substituições de atores, apresentadores, repórteres, modelos e até alguns criadores “espontâneos” de conteúdo, mesmo que sejam conteúdos que o público saiba que são gerados artificialmente. Em razão disso, acredito que seremos telespectadores dessas novidades, primeiramente como curiosos e entusiastas, para vermos até onde conseguimos nos entreter ou contemplar algo que não seja feito por humanos. Nos pegaremos assistindo vídeos e até filmes produzidos por uma Inteligência Artificial que consiga pelo menos reunir as imagens dentro de um contexto de comunicação e uma estrutura de roteiro. Nesse tipo de conteúdo, claro, o objetivo de quem assiste é diferente das mídias convencionais atuais. Estaremos lá curiosos exatamente pela artificialidade disso. Isso não significa que atualmente temos realidade nos conteúdos humanos, mas creio que dê pra entender o contraste sugerido.

Filósofos serão contratados e, provavelmente, serão as personalidades mais famosas das grandes empresas, inclusive diante do grande público. Assim como Steve Jobs foi um certo garoto-propaganda de sua própria empresa (Apple), com suas palestras e lançamentos em nome do avanço tecnológico, as figuras à frente do reconhecimento e prestígio do grande público serão estes tais filósofos, quase como que os gurus que nortearão certos rumos de onde a sociedade deve ir, porque deve ir e como poderemos repensar as funções e necessidades de nós mesmos diante das novas tecnologias. As pessoas se dividirão entre times, apostando no futuro e defendendo suas preferências de caminho, segundo o que for apresentado por cada empresa. Serão tempos mais divertidos, talvez.

As comidas terão se transformado em soluções cada vez menos compreendidas como alimentos naturais, por mais saudáveis e eficientes que sejam. Cozinhar deixará de ser comum e restaurantes perderão a função. Talvez transformemos nossos hábitos alimentares de tal maneira que nossa própria genética acabe se adaptando para novas realidades extremas que nosso corpo possa vir a experimentar.

Humanos na função de programador de computador terão suas funções profundamente alteradas e novas profissões irão dar suporte ao fato de que as máquinas começarão a ter melhor eficiência em planejar a programação sozinhas. Em razão disso, profissões possíveis para humanos nesse cenário seriam relacionadas a execução de estudos comparativos entre humano e máquina, experimentação a longo prazo e talvez algumas interferências humanas com objetivos como arte, moral, humor e também a própria ciência e pesquisa em geral, com base nas ambições e curiosidades humanas.

Embora seja um pouco contraditório, veremos algumas profissões convencionais do passado serem exercidas como uma espécie de entretenimento nostálgico temático. A demanda por realidades já extintas farão muita gente organizar meios de oferecer uma experiência gratificante aos velhos modos “humanos” de se fazer.

Temos mais flexibilidade em mover o rosto para os lados do que para cima e para baixo. Provavelmente é isso que nos fez criar formatos de mídias que são mais horizontais, tal como as páginas duplas de revista, as telas de cinema, televisão ou computador. Mas, se minhas antenas ainda estão boas para captar as coisas, veremos o uso de telas verticais para uso pessoal. Cada indivíduo terá uma grande tela fixa na parede, sendo tão pessoal quando o smartphone é hoje em dia. As mesas para uso de computador não existirão e o uso dessas telas se dará de forma mais natural, integrada ao ambiente, ao invés de ficarmos horas à frente delas. Usaremos elas quando nos for necessário. E como muita coisa será automatizada, teremos que interferir pouco e, portanto, interagir pouco com o equipamento.

O Design será de extrema importância e fará o planejamento de produtos estar totalmente dependente dele. Arquitetos serão algo diferente. Talvez empresas possam vender módulos para adicionarmos na construção, já com as devidas realidades tecnológicas inclusas. O papel de concepção visual e espacial de uma casa, por exemplo, será entregue nas mãos de um idealizador que entenda bem a diversidade de possibilidades de combinações que a humanidade poderá fazer da tecnologia conforme suas personalidades e realidades práticas. Assim, os módulos terão que ser suficientemente flexíveis em estética e função para que possam ser realocados para diferentes projetos de diferentes clientes. Certamente os estudos atuais de Arquitetura não contemplam isso e novas áreas do conhecimento surgirão para explorar essas atividades.

Empresas e Universidades serão mescladas. Se até hoje em dia grandes empresas já possuem imensa influência no Ensino, no futuro isso será não apenas provável, mas necessário. As pessoas se inscreverão no departamento de ensino das empresas, independente do interesse de trabalharem para elas futuramente ou não. E ouso dizer que as empresas de tecnologia terão cursos tão diversos que a maioria deles serão de áreas que hoje consideramos desconectadas da tecnologia em si.

Devido à inadequação de muitos humanos aos novos modelos de vida, é possível que profissionais de terapia e psicologia possam atuar no sentido de amparar ou encaminhar as pessoas pra que saibam como proceder aos desafios ou que possam ser acompanhadas em ambientes mais “neutros” de forma a socializarem e experimentarem a vida de uma forma que seja mais condizente com suas vontades ou capacidades. A adequação psicológica e o conforto físico e emocional serão uma prioridade.

Os serviços serão mais diversificados e também mais organizados. Provavelmente deixaremos de ver comércios físicos pelas ruas. As únicas coisas que veremos disponíveis no ambiente coletivo são as de função imediata, que precisem ser adquiridas para completarmos uma atividade externa ou solucionar um pequeno problema ocasional, especialmente do ponto de vista físico. O restante das necessidades maiores estarão supridas por aquisições planejadas por meio virtual.

Ambientes de socialização poderão mesclar diferentes funções em uma mesma área, através de módulos. Onde encontra-se uma festa, também pode-se ter, conforme a conveniência do momento, um módulo de hospedagem para quem queira dormir, outro de ajuda médica, outro de entretenimento temático. Esses ambientes modulares permitirão que as pessoas alternem entre uma atividade e outra, sem que atrapalhe os demais, com a facilidade de agregar valor subjetivo na experiência, similar ao que se tem numa viagem de navio onde podemos nos hospedar, nadar e depois retornar para contatos humanos num ambiente de conversa ou dança. Serão ambientes neutros que não são, a princípio, temáticos no todo, mas sempre personalizáveis através dos módulos. A diversidade de estilos, serviços, funções e modos de se experimentar o benefício de cada coisa, serão o grande diferencial. Escolheremos as combinações mais convenientes, divertidas e prazerosas para o nosso dia, noite ou seja lá quanto tempo dure a proposta.

Empresas tentarão nos encantar com a possibilidade de elevarmos o potencial de nossa própria mente. Poderemos transformar memórias em imagens e, com isso, criar desde coisas realistas que vivenciamos até coisas mais lúdicas como as visões de uma experiência alucinógena. Acessórios tecnológicos poderão nos proporcionar melhor conforto durante a exploração da mente, acomodando o corpo para melhores resultados sensoriais e maior segurança. Também serão possíveis, atividades coletivas organizadas com começo, meio e fim para estas mesmas atividades em estados alterados de consciência. O grande diferencial desses eventos será a possibilidade de planejar as condições, pessoas e objetivos, tematizando tais serviços para que as pessoas possam escolher “pacotes” de entretenimento ou experiência onde todos os envolvidos estejam alinhados com a proposta do evento da vez.

E, mais uma vez, por tudo isso que poderá vir pelo futuro, possivelmente acabe existindo uma atividade tão popular quanto é hoje a de manter um canal no Youtube, onde as pessoas criarão eventos para seus inscritos, possivelmente integrando o público pelas próprias mídias de divulgação dessas artes em forma de experiência ou experiências em forma de arte. No final das contas, a mente humana e as experiências terão a maior relevância em tudo que desejaremos para viver o futuro. O mundo físico, já tomado pelos computadores e robôs, nos parecerá enfadonho demais e buscaremos formas mais criativas de valorizar momentos e pessoas. O prazer, o humor e a filosofia por trás de cada sensação experimentada nos guiarão para nosso estilo de vida, nossas rotinas ou a ausência delas.

Possivelmente, o modo de interpretarmos o próprio trabalho será alterado. Vejo muito mais trocas e autogestão, além da superação do dinheiro e das formas tradicionais de se “remunerar” um benefício recebido. A própria estrutura social deverá ser transformada o suficiente pra que o trabalho não seja uma atividade que se faz pra obter dinheiro ou pra se acumular potencial de compra. Nosso score ao longo das experiências ofertadas e recebidas poderão ser um norteador de nossas possibilidades de aquisições ou até mesmo de acessos e conexões à novas pessoas, lugares e serviços. Similar à alguns aplicativos atuais que as pessoas podem interagir para contabilizar pontos, visibilidade, curtidas e avaliações de qualidade. Isso seria um bom reforço à contextos positivos, similar ao que ocorre quando um motorista de Uber é classificado e recomendado diante do público pelo aplicativo, evitando experiências ruins e dando prioridade para os melhores motoristas. Evitaríamos muitos desprazeres com isso e nos sentiríamos muito mais à vontade de socializar e explorar o mundo.

Seria um futuro fantástico do qual eu certamente gostaria de participar. Como mudanças tão drásticas assim não ocorrerão em um futuro próximo, então é algo que devo esperar pra quando eu reencarnar. Estou ansioso pelas possibilidades. Imaginar tudo isso me fez sorrir, me deu paz e me fez ter um pouco mais de esperança pela humanidade. Agora é papel de cada um fazer o necessário pra que os ideais futuros sejam concretizáveis. Precisamos dar os primeiros passos, especialmente do ponto de vista moral e ideológico, assim como do conhecimento e da transformação de nossas aspirações nas atividades.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Habilidades defasadas e o atraso cultural.

2017_mes03_dia21_14h00_habilidades_defasadas_e_o_atraso_cultural

Antes da internet, a cultura mundial podia demorar muito anos antes de permear outro país. Depois da internet sofremos um abalo por essa desigualdade. Enquanto um lado do mundo estava vivendo um atraso cultural, outros estavam usando a internet até mesmo para darem o próximo salto de inovação. E deram. Talvez isso explique porque o brasileiro foi a maior concentração de público nas redes sociais como o extinto Orkut e, depois, o ainda presente Facebook. Parecia uma busca por algo mágico, tão novo que não podiam acreditar. E correram abraçar.

Tentando suprir cada nova defasagem que descobria, o brasileiro começou a seguir as “exigências” citadas nas vagas de emprego para nortear o que era necessário ter em habilidade pra ter melhores chances no mercado de trabalho e na sociedade. Aprenderam inglês, datilografia, informática, internet, Pacote Office, sistemas operacionais novos e, assim, achavam-se sempre em dia. Hoje daríamos risada de tudo isso, porque tudo isso não é mais requisito, nem pré-requisito. Tornou-se uma espécie de “pré-pré-requisito” tão pressuposto quanto precisar estar vivo para ocupar uma vaga de emprego.

As habilidades necessárias pra vencer são cada vez em maior número e devem ser adquiridas em cada vez menos tempo. Nos tempos modernos as crianças já nascem sabendo usar o computador, o smartphone e a internet. Tudo parece instintivo e lógico para todas elas e são elas quem ensinam os mais velhos a entrar pra esse mundo, caso ainda não tenham entrado.

Mas, ter esse contato com as tecnologias é bem diferente de ter reais habilidades e conhecimentos para trabalhar firme. As pessoas sabem, por exemplo navegar na internet, mas não sabem praticamente nada de como se portar na rede. Sabem muito de como acessar sites, mas fazem pouco uso desses sites e ainda menos dos conteúdos em si que brotam deles. Dominam os pacotes de software e tornam-se ótimos apertadores de botão das ferramentas, pois não dão vazão concreta para o potencial dessas mídias. O aprendizado ficou restrito apenas às tecnologias em si e não no uso delas para algo efetivo.

Sabem utilizar o editor de textos, mas não sabem escrever um texto. Sabem utilizar um editor de vídeo, mas não sabem produzir um vídeo funcional. Estão empenhados em explorar a mágica do Photoshop, mas sabem pouco ou nada de edição fotográfica. Dominam as planilhas de Excel, mas são ruins em administração financeira ou coisa similar. Em resumo, o conhecimento só é importante se você souber o que fazer com ele. E esses aprendizados paralelos são apenas ferramentas de suporte para o trabalho principal. Ficam obsoletos e ultrapassados os que não sabem o que estão fazendo.

Se apesar de tudo isso, você ainda estiver defasado no entendimento básico desses recursos, você corre o risco de ficar pra trás, tal como aqueles que deixaram de ver filmes porque não sabiam manejar um videocassete. Cursos de datilografia foram extintos faz muito tempo e ninguém vai te ensinar informática. O mundo não vai te esperar alcançar os avanços dos últimos 30 anos, ainda mais se tiver que ser no seu ritmo. Então, se você deseja fazer parte da realidade e estar ativo nela, precisará compensar o tempo perdido de maneira surpreendente.

Quem se conformou em aprender as velhas linguagens de programação de computador, hoje já encontra enormes barreiras para preencher as vagas atuais até mesmo das empresas mais pequenas de tecnologia. Aliás, atualmente, uma grande parte dos trabalhos são todos relacionados com a produção tecnológica, principalmente por trás das mídias.

Em parte esse avanço é bom, mas muita gente fica desempregada porque não tem condições de acompanhar o ritmo de aprendizado ou sequer oportunidades de ter contato com essas realidades antes que elas já se tornem ultrapassadas. E isso vem transformando o valor de oferta pelas vagas, de duas maneiras bem distintas. Não estão encontrando profissionais aptos para os trabalhos propostos e por isso estão tentando fisgar os profissionais através da oferta de altos salários, na esperança de que esse seja o atrativo que os faça sair de outra empresa ou mesmo de outra profissão. Mas mesmo com salários que chegam à generosos R$ 100.000,00 (Cem Mil Reais) não estão encontrando pessoas para preencher tais vagas. Outras empresas estão lidando com o problema de maneira oposta. Sabendo que estão fadadas ao fracasso caso não se adequem tecnologicamente, começam a explorar o mercado de trabalho, oferecendo salários ridículos em troca de uma montanha de trabalho e exigências. Alguns chegam a virar piada na internet, com seus anúncios.

O fato é que, seja lá qual for o salário, as pessoas não estão aptas para as grandes vagas. A alta tecnologia é sempre novidade a cada ano e talvez até a cada trimestre. Querem especialistas em algo que acabou de surgir. E isso não será possível. Quando alguém se tornar especialista em algo, tal coisa já será obsoleta. Aceleramos o mercado de trabalho num ritmo alucinante onde ninguém consegue ser mais útil com o que sabe no momento. Estamos sempre defasados e somos sempre incompetentes para levar o presente adiante. Não conseguimos mais construir o metro de trilhos à nossa frente e, por isso, o trem está parado.

A maioria dos países defasados em cultura e tecnologia, tropeçaram com a internet por causa da globalização e do nivelamento das exigências ao redor do mundo. As cobranças para uma empresa de aplicativos de celular, por exemplo, serão as mesmas, independente de que país seja o profissional a programar, porque o acesso é internacional e as ferramentas são praticamente as mesmas, devido a compatibilidade com os aparelhos de celular e seus sistemas, além da própria internet, as redes sociais e tudo o mais.

Muitos brasileiros tem viajado para o estrangeiro em busca de aprendizado nas grandes empresas e organizações tal como a NASA, Microsoft, Google, entre outras. Palestras, workshops, intercâmbios e até estágios estão sendo uma realidade cada vez maior nessas buscas ao exterior. E, verdade seja dita, essas empresas estão fisgando os melhores profissionais e deixando os demais países ainda mais perdidos. Muita gente decidiu mudar de vez para fora e trabalhar, morar e formar família em países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Finlândia, Islândia, Canadá, Portugal e vários outros que nem imaginamos que sejam grandes polos de trabalho, dependendo do potencial que o indivíduo tiver.

Aquilo que aprendemos no colégio, já foi alterado e custará a ser atualizado nos novos livros. Somos alimentados com informação errada e vamos ensinar essa informação errada para a próxima geração. A ciência antiga está se redescobrindo e o que era fato antes, hoje já se sabe que não procede. E assim, acumulamos uma horda de adultos que repetem as mesmas bobagens e colidem com o novo até se verem insuficientes para as atuais necessidades. Os vendedores de antigamente que se restringiam a etiquetar preços nos produtos, hoje não podem perder mais tempo com isso pois precisam se dedicar em mil outras importâncias. Grande parte das vendas hoje em dia, são feitas pela internet e um vendedor online ou presencial precisa ser um outro tipo de profissional atualmente.

Temos o potencial de chegar longe, mas se não nos transformarmos à tempo, não seremos nada. Indústrias que antes dependiam do ser humano pra apertar parafusos agora possuem robôs que fazem tudo melhor, mais rápido e com menos custo. Então, quem quiser continuar trabalhando, precisa mostrar valor além de um robô. Precisa fazer o que ele não faz, precisa ser aquele que opera robôs, que os programa, que os retifica. E daqui uns anos, os próprios robôs construirão à eles mesmos. Estamos chegando à um ponto onde precisamos ter valor intrínseco, por dentro, pelo que somos. Nossas habilidades humanas serão indispensáveis quando tudo o mais deixará de ser humano.

Em certos países as máquinas já dominaram o atendimento em mercados e lojas e a figura humana está saindo até mesmo das cozinhas. Garçons, cobradores em caixas e a coleta do lixo, estão automatizados e deixando que as pessoas se concentrem em trabalhos mais mentais do que braçais. Estamos sendo conduzidos para a tecnologia e o pensamento. O grande diferencial, a grande habilidade requerida pro futuro será a nossa mente, o nosso potencial criativo, nossas ideias para transformar a própria tecnologia. Querem os nossos sonhos, nossas invenções, nossos modos diferentes de enxergar. Em 2017 mesmo já vemos as empresas pagarem altas quantias para quem venha os surpreender, afinal, é isso que alimentará todas os produtos e serviços vindouros. O valor já não está no que podemos fazer mas no que podemos pensar. E, infelizmente, a humanidade no geral, está tremendamente defasada no ato de pensar. Corra ter conteúdo, exercite a mente, antes que você se veja desempregado de vez daqui curtos dez anos.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer