Semi-paixões: imaginando relacionamentos.

A mente humana é interessante. Ela proporciona episódios que nem mesmo ela sabe como ou porquê. É o caso das situações que eu gosto de nomear de ‘semi-paixões’. Talvez sejam mesmo um tipo de paixão ou qualquer coisa abaixo ou acima disso. Talvez sejam coisas da mente, do coração, da alma ou um intrincado jogo de química do corpo humano. Independente de onde venham, fico entusiasmado com as ocorrências.

Estes encantamentos brotam, repentinamente, assim que conhecemos alguém que, por alguma razão, nos pareça incrível, especial, empolgante, etc. Mesmo que muitos não admitam, quando somos tocados por essa ocorrência, nossa mente começa a fantasiar realidades paralelas, pensando em como seria, por exemplo, um relacionamento com tal pessoa. Claro que isso não significa que os objetivos e interesses reais sejam de se relacionar com a pessoa, mas ocorre uma liberdade poética da mente de imaginar universos paralelos sobre algo que foi gratificante o suficiente pra ter potencial pra mais possibilidades, mesmo que só imaginárias.

Em um momento você está sendo apresentado a alguém e, quando se dá conta, já passeou por algumas cenas rápidas. Como seria trabalhar junto com essa pessoa? E como seria dividir uma mesa de bar? O que será que essa pessoa diria pra me fazer rir? Qual seria seu tom de voz e seus trejeitos? E seu estilo de roupa, suas manias e seus hábitos? Como essa pessoa seria em um relacionamento amoroso? Será que seria companheira? Seria divertida?

Sim, a mente passeia por fantasias, sonhos e idealizações. Eis o porque algumas pessoas fantasiam até mesmo sexualmente as pessoas que conhecem. A principio, algo natural e saudável, desde que isso não se torne uma obsessão ou algo não consentido. O ser humano, normalmente, está em busca de interações humanas, seja pra amizade, relações sexuais, romances ou até mesmo para dividir experiências em outros campos, como no trabalho, conhecimento, desenvolvimento espiritual, filosófico, etc. Uma vez que temos a capacidade de imaginar, faremos uso em todo contexto em que estivermos motivados, seja por um episódio gratificante ou por um episódio de drama e ansiedade.

A característica principal desse tipo de ocorrência é que somem rapidamente da mente. Deixamos de sonhar, assim que somos levados a um pouco mais de convívio real com esta pessoa, por uma conversa, uma atividade ou mesmo pelo encerramento do contato, de forma temporária ou definitiva. Não se torna uma perda significativa, pois não chegou a ser uma paixão ou uma amizade consolidada. É um relacionamento curto e o mais superficial possível, exceto pelo nosso poder de imaginação. Eis o porquê não é prejudicial.

Acredito que, em algum momento, todos já tiveram algum tipo de vislumbre imaginário sobre uma pessoa ou uma situação da vida. Sonhar faz parte do ser humano, mesmo que alguns se esforcem mais pra controlar isso e voltar pra realidade. Eu prefiro o sonho. Me permito todos esses presentes, pois sei que logo eles se encaminham para onde for necessário. Se forem apenas admirações temporárias, deixam um prazer no histórico e se, eventualmente, se transformarem em algo maior ou melhor, melhor ainda. Não há como levar prejuízo.

Acredito, inclusive, que saímos fortalecidos dessas experiências, pois aprendemos a lidar com a passagem do tempo, com as expectativas iniciais versus a realidade do desfecho. Aprende-se também que o mundo real pode ser demasiado diferente das nossas vontades idealizadas de relacionamento. Aprendemos, então, finalmente, a sermos um pouco mais maduros e responsáveis com nós mesmos, com as pessoas ao redor e em como levamos a temática em geral. A vida se torna melhor na mente, o corpo agradece e a vida se desgasta menos, pois se expõem a menos realidades infrutíferas, menos atritos e menos frustrações desnecessárias.

Quem sabe algum dia eu leve vários desses episódios vividos para relatos em um livro ou outra mídia. Certamente muito do que eu sou se deve a esse histórico de interações que influenciaram poemas, contos, pinturas e até mesmo o desenvolvimento de várias ideias filosóficas e políticas. O grande diferencial humano é poder escolher quem ele quer ser e por qual viés ele quer construir sua realidade. Na imaginação, o campo é infinito e, pra que tudo termine bem, basta que imaginemos um bem para o final. Ciente disso, muita gente revolucionou a realidade, colocando em prática conceitos idealizados no seu mundo de sonhos e paixões. Ao fazermos algo empolgante, nos sentimos motivados o suficiente pra sustentar isso também na realidade. Espero, então, que todo o conteúdo que eu trago, desperte em você essa busca por ação, por mudança ou por mais imaginação.

Rodrigo Meyer

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