Não tenho medo da morte. E você também não precisa ter.

Se tem algo que é natural e que certamente vai acontecer pra todos, é a morte. Nascemos e morremos e isso não tem razão nenhuma pra ser um drama. O medo que as pessoas tem da morte é um exagero adicionado ao instinto de sobrevivência. Uma coisa é você tentar preservar sua existência e outra, completamente diferente, é ter medo de morrer.

Falar de morte é um tabu em praticamente todas as sociedades. Posso dizer que isso não torna o tabu normal, apenas mostra como a humanidade, em sua maioria, está enfraquecida em seu próprio modelo criado. Se alimentam de medos, traumas, inseguranças e, quando isso viraliza a ponto de quase todos estarem nesse padrão, tendem a achar inaceitável tocar no tema sem um afastamento, medo ou desprezo. Não consigo imaginar bobagem maior.

Como eu disse inicialmente, o instinto de sobrevivência é diferente do medo da morte. Ele é, por exemplo, o que te faz correr quando um prédio desmorona perto de você. Você tenta ficar vivo pelo maior tempo possível, sofrendo o mínimo possível. Não há prazer no sofrimento que esses episódios catastróficos proporcionam e também não há nenhuma necessidade de passarmos por eles passivamente. Mas se você deixa de sair de casa com medo de que um prédio possa cair ao seu lado, então você precisa buscar ajuda psicológica.

Eu sei, perfeitamente, que em algum momento morreremos todos. Pode ocorrer subitamente, como em um acidente de carro, por exemplo. Pode ser gradual, como em uma enfermidade que termine em óbito. Pode ser algo um pouco mais previsível, como morrer de velhice ou até mesmo de forma planejada como um suicídio.

A medida em que as pessoas vão lendo este assunto, posso imaginar o desprazer de muitos, afinal é mesmo um assunto tabu pra muita gente. A humanidade não lida de forma confortável com a morte. De alguma forma é como se a morte fosse a representação de algo tenebroso que não deve nem mesmo ser mencionado. Eu não penso assim. A morte não muda por falarmos ou não dela. Aliás, falar dela, pode ser o começo de uma grande transformação pessoal sobre como lidar com sua própria vida.

Algumas instituições de cunho filosófico e espiritual ritualizam simulações teatrais de morte como forma de propor reflexões aos participantes sobre as questões da vida, os valores e até mesmo sobre sua própria análise do que venha a ser a partida da vida pro que, eventualmente, haja depois disso. Outros grupos, festejam a morte dando a ela um status de entidade, como se ela estivesse, de alguma forma, sendo personificada. Ela é tão natural e recorrente que as representações e simbolismos acerca do fim da vida deixaram uma vastidão de cultura em torno do tema.

Por ser o momento de transição entre a vida e o suposto momento seguinte, a morte sempre esteve envolta de mistérios. Pelo fato de nosso corpo morrer, encerramos as análises mais concretas nesse último momento de vida. Assim, médicos e cientistas validam a morte com base na ausência das características que são comuns durante a vida, tal como o pulso, respiração ou atividade cerebral. A partir do momento que um corpo é declarado morto, entra-se em território desconhecido e tudo adiante, então, torna-se especulação.

Seja do ponto de vista científico ou espiritual, são poucas as respostas sobre o assunto e por isso, podemos dar mais certeza e confiança na vida do que no que a morte nos deixa. No final das contas, o medo da morte é tão somente o medo do desconhecido. De maneira similar, as pessoas geralmente possuem um medo sobre o Universo e questões sobre vida extraterrestre. Por muito tempo o Universo sempre foi uma vastidão misteriosa não explorada que nos fazia pensar, mas que nunca nos trazia uma resposta satisfatória. Diante disso, fenômenos, aparições ou teorias que envolvem a entrada ou saída desse misterioso céu escuro, nos deixa inquietos, no mínimo.

O medo do desconhecido nos coloca num papel pouco proveitoso. Ficamos ansiosos, pois nosso cérebro tende a querer compreender o que se apresenta diante de nós e se algo não se soluciona de forma satisfatória, ele fica em um esforço infinito diante disso. Essa busca por resposta sem conclusão é a ansiedade. Isso é basicamente a cena de um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Ele nunca alcançará seu próprio rabo, pois quanto mais avança, mais seu rabo “foge”.

O que muita gente faz pra contornar a ansiedade diante da morte é determinar uma resposta pra entregar ao cérebro quando estiver diante desse desconhecido. Ao não saber a resposta, coloca opções e elege uma para acreditar. Dessa forma se você colocar para seu cérebro a ideia de que depois da morte, você vai estar em Vênus, dançando suas músicas preferidas, então sua mente se sente confortável por saber a resposta, independente de ser real ou não. Outras pessoas preferem simplesmente crer que depois da morte tudo se encerra e nada mais ocorre e assim também aquietam a ansiedade do cérebro, dando uma resposta. Seja lá que resposta dermos, sempre será uma maneira de contornar o desconhecido e não cair em um surto de ansiedade. Nossa mente torna-se criativa para resolver o que a inquieta.

Embora não tenhamos que ter medo algum da morte, isso não significa que você deva propagá-la ou ser permissivo diante de atos perigosos. A razão é simples: uma vez que somos humanos com nosso instinto de preservação e que isso não é opcional, todo nosso bem-estar está pautado em certas condições e premissas. É compreensível que não consigamos, por exemplo, nos sentir bem se estivermos em situações de risco a vida, como, por exemplo, pendurados em um penhasco ou diante de uma área que está sendo bombardeada. A própria ansiedade que esses momentos geram pro nosso cérebro, por impactar em nosso instinto de sobrevivência, nos deixa em estados alterados. As químicas de adrenalina e outras nos fazem ter reações praticamente automáticas.

Diante disso, me vem a mente vídeos de pessoas corajosas andando tranquilamente por topos de prédios, sem nenhuma proteção, filmando saltos entre bordas e todo tipo de ação que julgamos extrema. Para muitos de nós isso causa aflição e ansiedade, pois imaginamos o perigo de queda e morte. Reconhecemos nas alturas, assim como em outros contextos, o ingrediente da morte em potencial. Isso figura na mente humana e de grande parte dos animais, como uma memória herdada que já está impregnada em nossas espécies, ao longo das gerações. Desde que diversas pessoas foram morrendo diante de cenários similares, fomos aprendendo o que era perigoso ou não. E assim, torna-se compreensível o medo ou aflição diante de alturas, especialmente quando não há uma proteção ampla.

Mas, pessoas no mundo todo superam ou mudam suas mentes diante desses padrões, quando, por exemplo, controlam ou anulam a ansiedade diante de um salto de paraquedas, a proximidade com animais peçonhentos como algumas cobras ou o controle emocional diante de um incêndio. Acredito que, a medida em que controlamos melhor nossa mente, vamos nos tornando menos vítima do lado pejorativo dos nossos instintos. Ter instinto é bom e faz parte do nosso progresso em vários sentidos, mas se tivermos capacidade de burlar exageros em prol do nosso próprio bem-estar, melhor.

Proponho que vivamos de forma mais intensa, com menos receios, menos medos, menos ansiedade. Incertezas sempre existirão sobre inúmeras coisas, mas isso não precisa ser motivo pra ficarmos apreensivos. Também devemos evitar pessimismo e otimismo e nos concentramos na realidade. Viver o momento presente é algo que exige que abandonemos expectativas sobre o futuro e que superemos traumas do passado. Pelo que posso observar do mundo e de minha própria jornada, a melhor receita pra ficar em paz é desfrutar o momento presente.

Sensatos os vikings que festejavam quando alguém morria, afinal era sinal de que completou mais uma etapa na evolução. Morrer é natural e triste mesmo é viver sofrendo. Se você sente saudade de um amigo ou ente querido que faleceu, tenha em mente que o que vocês vivenciaram durante a vida é o que oferta valor entre as pessoas e se isso já foi feito e compartilhado, não há pesar. Se pra você a vida se encerra com a morte do corpo físico, todo o momento que vocês poderiam ter pra desfrutar a companhia um do outro era aquele e tudo se cumpriu. E se você acredita que haja algum evento posterior a morte, estará vivenciando as possibilidades de interação em algum momento, de alguma forma, e este estágio da vida no corpo foi apenas uma fase concluída.

Quando lembro de alguém do meu passado ou que faleceu, tenho recordações dos bons momentos vividos. Isso só me traz alegrias e nenhuma dor. Não tenho remorsos ou dramas a serem superados pelo fato dessas pessoas não estarem presentes fisicamente em meus dias. Não estou, de forma nenhuma, condenando a emoção diante desses momentos onde nos sentimos separados de pessoas que estimávamos bastante. Tudo isso é parte de nossa realidade como seres humanos e nosso afeto está muito relacionado a querer proteger e ver bem as pessoas com quem criamos vínculos. Dessa forma, tendemos a sofrer, por extensão do instinto de sobrevivência, pelo dano a vida de uma outra pessoa. É isso que nos torna humanos e nos deixa emocionados diante da dor alheia, por exemplo. De maneira similar, a felicidade de alguém que estimamos nos tranquiliza e nos contagia, deixando um sentimento de alegria e bem-estar.

Quando chegar a sua hora, minha hora ou a hora de qualquer ser, procure voltar a sua atenção para o que você tem feito da sua vida, pois se tem algo que é recorrente em pessoas que estão próximas do momento de morte é o arrependimento sobre quem foram e como viveram. Chovem palavras de perdão, amor, desculpas e surge um brilho de consciência que os fazem ver que pesar na Terra é a maior perda de tempo, pois a morte chega pra todos e, portanto, enquanto estivermos vivos, é a única e melhor hora pra fazermos o melhor pra desfrutar de bons momentos e ver todo mundo bem e feliz. Façamos, então, nossas melhores ações, com nossas melhores posturas diante de tudo e de todos. Qualquer coisa diferente disso, é ignorar as estatísticas das pessoas infelizes em seus últimos dias de vida. Seja lá o que venha ou não venha depois da morte do corpo, viva seus dias pra ficar de consciência tranquila. Sua vida vai ser construída em cima de como você se sente diante da realidade. Você pode escolher a tranquilidade e o sorriso ou o incômodo no caos. Controle sua mente ou será controlado.

Rodrigo Meyer

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Amigos sumidos, mudados, distantes e do outro lado.

Recentemente me deparei com o caso de uma garota que estava enfrentando solidão, se sentindo deslocada por não se enquadrar na sociedade e não encontrar semelhantes para dividir suas realidades. A pessoa estava já em busca de ajuda profissional pra este e outros fatores e, até mesmo nessa busca, encontrou barreiras, pois a pessoa que deveria prestar o serviço de ajuda, mostrou-se, ela mesma, um problema. Em resumo, a pessoa sentiu-se ainda mais solitária, pois nem mesmo com um suposto profissional ela conseguiu encontrar amparo. Note que tempos desnecessários que o mundo anda passando.

Ao falarmos de solidão, nos damos conta que muita gente está cercada de pessoas que não as preenchem ou de que, literalmente, estão sozinhas. A solidão, como é preciso saber, não significa estar sozinho, mas sim de sofrer por estar sozinho, pois muita gente está sozinha e não sente solidão. Estar sozinho, muitas vezes, é tudo que se quer e pode ser a melhor opção, muitas vezes. Pela quantidade indescritível de pessoas tóxicas e indesejáveis pelo mundo, é compreensível a sensação de alguns de estarem fora da realidade, de não pertencerem ao mundo, de não se sentirem contemplados por nada e ninguém.

Viver em uma sociedade onde não encontramos mentes parecidas que nos enxergue e nos compreenda tal como somos, pode nos fazer sentir que não somos humanos. Por padrão, a espécie humana é marcada pela característica da socialização. Almejamos isso e pautamos nosso bem-estar nisso. Quando não estamos inclusos ou bem-aceitos no meio em que vivemos, surgem os conflitos, questionamentos e crises. Muita gente passa por isso e desenvolve reações variadas, podendo ir da timidez, vício em substâncias, isolamento, depressão, atitudes extremas e/ou desequilibradas em termos de saúde, hábitos, práticas, pensamentos, etc. Ninguém ganha com isso.

Essa ocorrência e o conhecimento que tenho na temática, me fizeram associar, de imediato, com a questão dos amigos ausentes. Para maior precisão, alguns poderão chamar de ex-amigos, colegas, etc. O caso é que são pessoas das quais, por algum motivo, já não estão mais conosco, sejam presencialmente ou subjetivamente. Falo de pessoas que sumiram de nossas vidas, que mudaram o suficiente pra não termos mais a mesma intensidade ou tipo de contato, que estão fisicamente distantes pela mudança de casa ou por uma longa viagem e também das pessoas que, feliz ou infelizmente, faleceram.

Pensando nisso, me veio na mente vários exemplos de gente que conheci há muitos anos atrás e que hoje já não fazem parte da minha realidade. Gente que, sendo sincero, eu desprezei, eliminei da minha vida, ignorei, esqueci e diversos outros verbos possíveis. Algumas pessoas dizem que se amigos deixam de ser amigos, então é porque nunca foram. Isso pode ser verdade com a condição de que o falso amigo dessa equação seja alguém que, por motivos torpes, abandonou a companhia de alguém de valor. Mas não se pode dizer o mesmo de quem desfaz uma amizade por ver que o outro não é digno de sua companhia. E isso acontece demais. Às vezes nos doamos com sinceridade pelo outro, ofertamos companhia real, sentimentos reais e, ao menos de nossa parte, cultivamos uma amizade real, sem que isso impeça que nos livremos dessa pessoa, caso ela não se mostre digna ou merecedora de nossa companhia ou amizade. E quando isso ocorre, não significa, de maneira nenhuma, que ofertamos menos verdade ou valor em nossa amizade.

As pessoas precisam perder o péssimo hábito de acreditar e repetir em mentiras convenientes. Fala-se muito de que amizades precisam ser eternas como se fossem perdurar até mesmo diante do inaceitável, do absurdo e do não salutar. Tais pessoas, afirmam isso por conveniência, como quem quer desferir no outro um peso, que faça o outro sentir culpa por ter encerrado uma conexão. Se esquecem, convenientemente, que toda quebra tem um porquê e que ao contrário das pessoas que se livram de pessoas tóxicas, os seres tóxicos abandonados é que realmente mostram-se como não-amigos justamente quando, diante da quebra de conexão, não visam resgatar o contato, não sentem saudade, não refletem, não mudam, não se permitem a possibilidade de que eles mesmos sejam o motivo essencial daquela quebra de conexão. Firmam-se, de forma bem oposta, na posição de vítimas e acusadoras, como se tivessem sido abandonadas injustamente pelos demais.

Essa tentativa de inverter o jogo é algo velho na nossa sociedade. As pessoas, incapazes de olharem pra si mesmas, de degustarem horas e meses diante do espelho com sinceridade, optam pelo conforto de varrer tudo pra debaixo do tapete, fingindo que o problema são os outros e perpetuando seus malefícios praticados, sua toxidade, sua cegueira, seus falsos dramas e sua estranha relação com as pessoas que elas insistem em chamar de ‘amigos’, quando na verdade, são seus alvos turbulentos que, cedo ou tarde, notam-se atropelados e resolvem desviar para o acostamento dessa relação e partir para longe daquilo.

Falar dessas pessoas ausentes, deixadas para trás, cortadas ou transmutadas, é falar dos porquês da própria relação humana e de como as pessoas enxergam a si mesmas na vida, como pessoas, consciências, presenças ou personalidades. É importante que as pessoas aceitem, o quanto antes, o fato de que suas passagens pela vida dos outros não gira em torno dos outros, nem de si mesmas, afinal relações saudáveis são trocas e não um sistema de hierarquia onde um é mais importante que o outro. Somos seres humanos, todos tentando encontrar aceitação e espaço para nos expressarmos como indivíduos, mas também como personagens de um coletivo.

A pertença a um grupo pode ser fator crucial para o psicológico humano, assim como é também de inúmeros outros animais. A socialização nos aponta referenciais de estima, aceitação, valor, prazer, potencial, sucesso e dignidade. Tentar reduzir o ser humano a qualquer outra coisa abaixo da plena socialização é marcá-lo com o peso da desumanização e, portanto, com a quebra de valor e necessidade, desde a esfera física até as esferas mais sutis como a consciência ou alma (que, embora mais sutis, são provavelmente as mais pesadas, impactantes e relevantes pra cada indivíduo).

Desde sempre eu procurei filtrar minhas relações. Sem nenhum peso ou demora, removi e me afastei de tudo e todos que não se adequavam nem ao mínimo de minhas concepções sobre relações de amizade, trabalho, romance, etc. Apesar de sempre ser breve naquilo que não me interessava, me vi arrastando, desnecessariamente, tempo, energia e mente com expectativas e esperanças em romances ou pseudo-romances que, no final das contas, não se concretizavam tal como esperado e que deixavam sofrimentos e danos adicionais pela minha própria insistência em tentar dar outro desfecho ou visão para aquela situação. Imensa bobagem de minha parte foi achar que a sinceridade e as emoções fossem ser levadas em conta por pessoas que, no máximo, estavam administrando uma conexão apenas do ponto de vista racional, tal como um típico interesseiro faz.

Os tropeços na vida nos deixa escolados, nos faz perceber as nuances do ser humano. Enquanto muita gente tenta se arrastar pra perto da minha realidade, eu já estou planejando o corte de uma galáxia inteira, sem que eu precise descartar astronautas específicos com quem eu esteja valorando no momento. Nessa vida, aprende-se que não é por acaso o termo ‘indivíduo’. As pessoas são únicas e, portanto, cada uma delas é um caso único a ser considerado. Avalio pessoas e me relaciono com pessoas e não com massas estereotipadas. É nisso que habita a sinceridade, inclusive.

Já tive gente por perto que eu não quis mais, tive gente que nunca me quis por perto e que depois implorou aproximação e gente que, com bastante reciprocidade, foi embora enquanto eu também fui, sem nenhum drama. Mas, de todas as pessoas, as que valem mais são as que deixam algo pra se aprender, lembranças pra sorrir e boas sensações pra se reviver. Mesmo que distantes, mesmo que mortas, mesmo que ausentes e desconectadas de nossa vida atual, deixam em nós algo que talvez seja mais importante do que elas em si, que é a essência de si mesmas durante aqueles momentos que pariram boas marcas indeléveis. E, claro, também são especiais aquelas pessoas que permanecem ao nosso lado, crescendo na cumplicidade, na integridade, no valor, no respeito, no apoio e na sinceridade. Quando as pessoa mudam para melhor e nos incentivam a sermos melhores, aí sim temos uma relação duradoura e sadia. Foque-se nessas pessoas.

Se algo daqui te ajuda, seja bem-vindo(a). Agora há inúmeras mídias onde você pode compartilhar esse texto, inclusive Whatsapp e e-mail. Divida um conteúdo com uma pessoa que seja importante pra você ou mesmo deixe um alerta pra uma pessoa que possa estar pesando sem saber. Provoque o mundo, deixe sementes, aprecie momentos, faça algo acontecer. Um legado não sobrevive sem a coletividade engajada.

Rodrigo Meyer

Sempre tento imaginar a vida das pessoas que vejo na internet.

Não sei bem se isso é um exercício de imaginação, se é mania de autor das áreas criativas ou se é apenas um grande devaneio derivado de nossos micro-preconceitos. Deixe-me explicar. Eu não faço associações de valor às pessoas, mas tento imaginar o que há de vida e personalidade por trás daquelas fotos, nomes ou contextos expostos na internet. Muitas vezes eu até acerto, mas tem vezes em que eu sou surpreendido.

Às vezes vejo, por exemplo, uma pessoa sem foto no avatar do Facebook, um nome inventado que floreia demais ou faz menção à animais. É suficiente pra eu já imaginar uma pessoa de mais idade, talvez lá pelos 50 ou 60 anos, vivendo sozinha e meio entediada, atrás de jogos de navegador e dicas de culinária.

Mas, de onde saem esses “achismos”? A verdade é que são apenas imaginação e não tem nenhum compromisso com a realidade. Pode, eventualmente, ser o caso de algumas dessas pessoas, mas não existe, claro, uma relação direta entre as características do profile com o estilo de vida.

Outras vezes, vejo pessoas ostentando títulos junto ao nome, tal como cargo, profissão, hierarquia ou mesmo símbolos e termos que referenciam à pertença de uma organização, instituição ou qualquer coisa que seja. Nesses casos, vou ter que admitir, acho, quase sempre, patético. Lamento se esse é seu caso, mas a sensação me veem automaticamente e quando penso nos possíveis porquês das pessoas escolherem conscientemente usar aqueles artifícios nos nomes, só consigo pensar em poder e status. E, pra mim, essas duas coisas são um câncer inútil em nossa sociedade.

Veja que, querendo ou não, somos levados a pensar sobre o que vemos. Às vezes nosso referencial não é baseado em nada concreto e outras vezes é um parecer mais embasado. Claro que, como se vê, isso faz toda diferença. Mas as duas coisas ainda são coerentes e aceitáveis, pois apenas expressa a imaginação sobre as possibilidades de algo. O que seria ruim mesmo é um terceiro tipo, onde olhamos pra algo e fazemos juízo de valor, como, por exemplo, dizer que determinado fenótipo, etnia, gênero ou classe social corresponde ou não a valores sociais como honestidade, cultura, intelectualidade, generosidade, beleza, mérito, etc. Isso não é aceitável, nem condiz com a realidade. E justamente por eu não padecer desse malefício é que, talvez, eu fique fazendo tantos cenários de imaginação sobre aquilo que me surge pela frente.

Eu me permito fantasiar um pouco sobre como são as pessoas por trás da internet ou mesmo os anônimos que observo pela rua. Geralmente, nada sei sobre essas pessoas e, com base nas minúsculas pistas que escapam pelo caminho, eu tento montar esse quebra-cabeça. Não é uma tarefa fácil, mas eu gosto de tentar. Muitas vezes, conversando com as pessoas por um messenger, e-mail ou mesmo num post de rede social, eu fico pensando no ambiente em que essa pessoa estaria, qual estilo de roupa tem, que músicas estaria ouvindo, o que estaria comendo ou bebendo. Nada disso é realmente muito útil pra definir a realidade de alguém, mas não posso evitar.

Também faz parte de mim, imaginar a voz dessas pessoas em tempos onde já quase não conhecemos muita gente pessoalmente e mesmo com os áudios dos eletrônicos não temos garantias, pois a distorção e os ruídos são suficientes para transformar qualquer estilo em qualquer outro. A imaginação, sabendo dessas limitações todas, se vê ainda mais útil pra esses momentos e torna a viajar longe, pensando até mesmo no passado e futuro dessas pessoas. Às vezes me contam histórias de infância ou de pequenos causos do dia-a-dia e eu tento compor toda a sequência visual dos fatos.

Talvez eu devesse mesmo trabalhar com cinema. Por diversas vezes me realizei fazendo descrições minuciosas e longas pela Literatura em dramas ficcionais. O simples fato de poder imaginar já me coloca em estado de intensa imaginação. Não posso atestar que eu seja uma pessoa ‘criativa’, mas sei que, bem ou mal, imagino muito tudo e todos. Tenho em mim uma certa tendência e facilidade para a visualidade das coisas. Isso deve ter relação com a minha característica de memória fotográfica e também do meu apreço pelas artes visuais em geral.

Eu sempre estive atrelado a Desenho, Pintura, Arte Digital, Fotografia, Design, Comunicação Visual e várias outras coisas relacionadas à estas atividades, onde tive contato menos direto, como foi o caso da maquiagem, figurino e cenografia que eram muito necessários pro desenvolvimento de Ensaios Fotográficos. Depois de mais de 15 anos como fotógrafo, acho que ainda me vejo preso à essas realidades visuais. Mesmo quando escrevo, é um ato visual na minha mente. Claro, que, ao transpor pra escrita, estou também trabalhando intensamente sobre esse formato específico de linguagem, mas, toda a origem do que eu levo pros textos, quase sempre está no visual imaginado ou das memórias visuais.

Eu não sei dizer se isso é comum ou se é apenas uma característica de uma fatia da sociedade. Tudo que sei é que sou assim e não consigo deixar de ser. Todas as vezes que tentei absorver a realidade por outras maneiras, me via atravancado e sem gerar nada de satisfatório. E, como diz o ditado, não se mexe em time que está ganhando.

Com essa consciência sobre como eu olho o meu redor, brota, de vez em quando, a dúvida sobre como as pessoas me enxergam por esses filtros todos. O que será que meu nome suscita para elas ao se depararem comigo pela internet? Qual é a sensação que passa meu rosto, meus traços, minhas roupas e minhas expressões faciais? Minhas profissões impactam de que maneira sobre as conclusões que tiram de minha personalidade? Como é que seremos enxergados nessa teia de desencontros se tudo que temos é ilusões, deduções, expectativas, idealizações, preconceitos, imaginações, superestimações e subestimações?

Eu confesso que não me importo muito com essa limitação das pessoas. Geralmente elas quebram a cara sozinhas, pois quando validam essas crenças antes mesmo de saber, acabam por fazer isso também com as pessoas que elas julgam melhores e que não necessariamente são. Assim, paga-se o preço pelo achismo, independente pra que direção apontem. Em contrapartida, quando as pessoas se permitem descobrir ou redescobrir algo ou alguém, aí começam as verdadeiras possibilidades na vida. É somente assim que teremos informações mais sólidas sobre quem é que está por trás de todas aqueles substitutos visuais, textuais, simbológicos, etc.

Além da questão óbvia levantada sobre conceitos e preconceitos, é interessante emergir uma questão nessa temática que é a capacidade criativa das pessoas e a habilidade de traduzir realidades ou significados em imagens, símbolos, textos, nomes, etc. Por muito tempo meu trabalho como fotógrafo ao atender os clientes antes de agendar o dia em si da sessão de fotos, era tentar compreender o estilo e personalidade dessas pessoas para adequar sugestões pras fotos em termos de iluminação e cenário, como também ajudar na escolha dos figurinos e um pouco das expressões e poses.

Acredito que se formos bons construtores de mensagens, facilitaremos pra que a decodificação delas seja mais fácil e agradável. Esse é, provavelmente, o mais importante papel de um autor, seja nos textos, na Fotografia, no Design, Cinema ou em qualquer outro espaço de comunicação. O ser humano é um ser social e, como tal, vive muito pela comunicação como ferramenta de intermediação entre ele e os demais. Desde as pinturas rupestres, os gestos, olhares e sons, até as versões mais complexas da modernidade, estamos sempre em constante busca pela assertividade na nossa expressão e compreensão no meio social. Precisamos sempre questionar o poder e função da comunicação humana e dos respectivos poderes psicológicos e biológicos.

Hoje eu tô inventivo, com pinta de filósofo, bem-humorado e com disposição pra aguentar mais incertezas do que normalmente já aguento. Vamos fazer disso um bom momento pra arrastar novos temas, explorar parágrafos fora dos temas propostos e deixar o DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) escalar o Everest. Até breve!

Rodrigo Meyer

Onde está Barbarella?

Este texto não fala sobre a personagem vampiresca, nem de outras menções a filmes e histórias em quadrinhos, mas sim de uma pessoa real que, com muita propriedade, vestiu esse apelido pra vivenciar realidades semelhantes. Falo de Barbarella, uma amiga que cruzou minha vida há muitos e muitos anos atrás.

Barbarella era um arabesco que flutuava pela cidade, escondida atrás dos fragmentos de luz. Entre um passo e outro, sentia-se seu perfume, apesar de todo acúmulo de nicotina tragada que lhe acompanhava. Vestida de veludo negro justo, marcava as formas pálidas de seu corpo anoréxico. Entre seus dedos, sentia que estava a um passo de trincá-los apenas por tocar.

Encontrei Barbarella em um acaso dos chats de portais de internet quando nem sequer existiam redes sociais. Atrás de um nome sugestivo, nenhuma foto e talvez um e-mail, cruzava-se o imaginário pela conversa e, com sorte, trocava-se um telefonema ou enviava-se uma fotografia scaneada com má qualidade, mas com muita personalidade. Aquilo era a essência máxima transmitida de cada usuário.

Da internet pra vida real, Barbarella surgiu em um telefonema com um convite pra bebermos. E fomos. Que dia magnífico poder experimentar aquela mente. Pessoa adorável, cheia de atenções, confortos e distorções. Lindamente posta sobre seu coturno e sempre abraçada aos copos de whisky que lhe davam sentido. Do dourado da garrafa ao negro do ambiente, sentia-me prestigiando joias.

Lindos tempos onde Barbarella ainda cortejava jovens, arrastando-os pra seu calaboço travestido de apartamento. Lá onde o sofá já tinha visto do bom de do melhor, as paredes escorriam pequenas obras. Tudo era tão demasiadamente simples e sincero que era impossível não sentir a essência do Movimento Gótico entre um detalhe e outro. O ambiente contemplava um pouco do vitoriano e do caótico urbano. Sempre tudo decadente, mas nunca demasiado.

Vazio como grande parte de seu corpo, tudo era apenas ossos e adornos. Somente o necessário. Aquilo me encantava como nada mais me encantou por muito tempo. Adorava olhar pra ela e sentir a possibilidade de traçar o contorno de seus próprios ossos, carregá-la num abraço ou deixá-la sentada em meu colo, desfrutando mistérios.

Aquilo sim deixa saudade. Deixa meu espírito com vontade de voltar no tempo e morrer de maneira semelhante, por desgaste, repetição, exageros. Lembro de Barbarella como o melhor referencial pra mim mesmo e pro estilo de vida que se escondia entre uma estação de metrô e outra. Andarilhos pelas noites, dividíamos esses bons momentos ouvindo música, bebendo e explorando. Pela manhã, quando já deteriorados com o bater do sol do lado de fora da porta, erguíamos força pra beber mais um pouco e ir embora.

Por muito tempo depois, ainda pensava em Barbarella. Por onde ela estaria? Pela última vez que a vi, parecia muito bem, apesar de todos nós sabermos que não é bem próprio esse termo pra quem sucumbia ao álcool e a anorexia. Estava de pé, ativa, embora estivesse por dentro morrendo a cada dia.

A verdade é que ela não sumiu; ela morreu. Barbarella passou tempos difíceis com as consequências de uma cirrose que a debilitou de vez. Ajudada por sua irmã, segundo o que soubemos, deixou pra trás uma filha de dez ou doze anos e uma marca indelével de seu estilo de vida. Até hoje, quando penso em Barbarella, penso em quem poderia ser ela atualmente. Não encontro outro rosto que se vista tão firmemente. O que ela não tinha nas carnes, tinha na mente. Da vez que lhe vi por último, completava 49 lindos anos de idade e uma vitalidade mórbida que, facilmente, lhe permitia ostentar muito menos idade, ainda que soubéssemos claramente que atrás daquele ar vampiresco o que mais ornava era a idade percorrida com todas aquelas histórias, aquela personalidade repetida, como vinho envelhecido, como tempero maturado.

Barbarella deixou pra mim um outro personagem, muito mais interessante, que nunca canso de explorar nos meus sonhos artísticos, histórias não contadas e na derivação sutil em alguma Fotografia ou conto. Estou sempre procurando por Barbarella em algum bar, alguma esquina silenciosa, um apartamento qualquer, alguém que se apresente primeiro como alma e depois como mulher. E cada vez que não encontro Barbarella, me pergunto onde está ela. Que reencarne logo, se é que já não fez, pois quero experimentá-la outra vez, mesmo que já não tenha os traços tão iguais, a mente tão loquaz e a sutileza doce e fatal do seu perfume. Em cada copo de bebida você está contemplada e convidada para festejar calmamente o lado sombrio da vida. Bom dia, querida.

Rodrigo Meyer

Perdi momentos em algum lugar. Estou procurando.

Já teve a sensação de estar em busca de uma experiência que não sabe bem o que é, mas que lhe faz falta? Talvez seja uma tentativa de replicar momentos muito bons do passado. Tem dias que me dou conta de que o que estou buscando já não existe mais. Não exatamente os momentos, pessoas e lugares que já passaram, claro, mas a essência desses momentos. Já passaram as fases, as oportunidades, as condições, os contextos, as idades ou qualquer coisa que seja a chave pra experiência em questão.

Nos últimos dias estive mais consciente disso, depois que já vinha arrastando essa sensação por muitos anos. As pessoas, muitas vezes, chamam de ‘nostalgia’, mas não sei dizer se é isso. Eu não me importo tanto que tenham sido ocorrências do passado e nem sou daqueles que vive dizendo que no passado as coisas eram melhores (embora, muitas vezes, até tenham sido mesmo). Mas o caso é que meu apego com esses momentos é uma saudade que poderia, perfeitamente, ser revivida nos tempos atuais, pois não depende de nada excepcional ou exclusivo só daqueles tempos.

Talvez eu esteja sendo simplista demais, pois, mesmo o simples é raro em nossa sociedade. Acredito que eu esteja em busca de momentos que eu perdi e não soube aproveitar. E hoje, com mais noção da realidade, quero a chance de me reposicionar sobre cada um daqueles minutos. Com certeza faria um espetáculo acontecer mesmo nas manhãs mais entediantes.

Sento na beira da cama e fico me perguntando onde é que estão as pessoas que cruzavam apartamentos no centro da cidade, com seus comprimidos, seus dinheiros amassados, suas valiosas compulsões, seus desleixos, suas roupas descosturadas, seus dentes poeticamente imperfeitos, suas manias, suas melancolias, suas doses diárias de sofá e lençol sujo. Onde estão as pessoas que, repetidamente, desperdiçaram tardes comigo em troca de tão pouco. Sim, são momentos simples, mas que deixaram uma marca de satisfação muito grande. Tantos anos depois ainda estou procurando o que é que deixei escapar enquanto segurava meus copos de bebida em outros lugares. Por que é que fui por um caminho e não por outro? Onde estão as pessoas que não sobreviveram a tão pouco?

Mas também não vou adoecer da mente apenas pelo que não vejo mais. Sei que essas pessoas também tiveram seus caminhos alterados e muitas delas já não estão sequer vivas pra contar suas versões. Talvez em algum lugar estejam sorrindo ou assombrando algum buraco no Centro da cidade. Por muito tempo imaginei que eu também teria um desfecho parecido, acreditando que morreria jovem e repentinamente, por álcool ou suicídio.

Durante a infância e adolescência, flertei muitas vezes com varandas e janelas. Meu sonho acordado preferido era me ver saltando delas. Mas eu não vim contar de momentos ruins, embora eu saiba que histórias tristes são sempre boas histórias. Eu queria refletir sobre o tempo, o momento, a saudade e qualquer mistério oculto que esteja entre essas palavras. Talvez eu não chegue a nenhuma conclusão, mas vou me satisfazer tentando.

Semana passada eu percebi que estava pronto pra recomeçar minha vida outra vez. As coisas que eu havia deixado pra trás já não tinham mais peso ou significado e, finalmente, tinha chegado a hora de eu limpar os resíduos dessas realidades. Minha memória estava favorável, me ofertando a certeza de que não errei em amputar coisas e pessoas do meu passado. E isso me motivou a construir coisas novas. Desde então, não parei mais de fazer.

Voltei a gravar trilhas sonoras, jingles e a reviver meu prazer com o piano. Em casa, tudo que não é realmente indispensável, está a venda. Estão surgindo novas pessoas, novos projetos, novos lugares, novos sentimentos. Esse ano concretizo coisas que há muito tempo não fazia. Estava com o talento guardado e provavelmente deixava de colocar em prática por desacreditar que poderia ou que valeria a pena. Hoje eu não me importo mais com as possibilidades de erro ou fracasso. Eu tento, faço, refaço, me mostro sem receio e vejo que isso é a melhor maneira de conseguir algum resultado.

Talvez os momentos perdidos que eu estava procurando sejam essas ações que antes eram mais sonho do que realidade. Talvez fossem aquelas peças gráficas estudadas lá pelos meus 13 ou 15 anos de idade, agora buscando expressão no meu trabalho como designer gráfico. Passados mais de 15 anos na Fotografia e depois da faculdade de Comunicação Social junto com a anterior tentativa de Ciências da Computação, deixei minha marca no passado e agora quero deixar uma marca nova no presente.

Revi tudo que era velho e reciclei o que podia. O restante foi diretamente pro lixo, já transmutado, sem rastro de vida. Hoje, o meu maior apego ao passado é apenas sobre a essência produtiva de cada momento. Mesmo aqueles momentos onde eu pouco fazia, mas que, de alguma forma, absorvi prazer e valor. Hoje eu me sento diante do computador e já não estou preso a coisa alguma. Até o smartphone perdeu a razão de ser.

Voltei a criar, voltei a vender, voltei a fazer acontecer. Estou gravando vídeos, escrevendo livro, criando música, esvaziando a casa e preenchendo a alma. Doei as minhas roupas; quero outras (e poucas). Estou conquistando novos espaços, novos abraços, novos motivos pra seguir meu caminho. Não alimento meu presente de passados, mas elejo o essencial de cada momento vivido e replico eles em coisas novas, pra que eu esteja sempre satisfeito em cada momento. A vida é feita da soma dessas boas memórias e é isso que eu quero fazer dos meus dias.

Chego a conclusão de que só perdi o que precisava ir embora e que agora, o momento oportuno, estou fazendo o possível e até um pouco do inimaginável. Estou encontrando o que sempre esteve comigo, estou deixando muita gente perdida que não entendeu que eu nunca estive em certos lados. Acredito que muita gente me enxerga ainda pelo que eu não fiz, sem saber que por trás de muita dor e inação, tinha muito mais do que um bêbado com um copo na mão. Eu não conto muito dos bastidores da minha vida. Eu prefiro o silêncio pra poder surpreender tal como um ninja.

De toda forma, convido cada um de vocês a descobrir um pouco mais da realidade. Em algum momento esbarraremos e viveremos experiências em comum. Lá você encontrará uma face ou fatia da minha personalidade. Que sobrevivam os capacitados e que não haja tempo de sermos alcançados. O passado durou uma eternidade e ao mesmo tempo escapou rapidamente pelas mãos em cada dia vivido. Hoje eu quero plantar mundos, sem perder a boemia suja daqueles olhos sem fundos. Parece dor, mas eu juro que é alegria. É o prazer de me reconectar a lugares onde eu nunca deixei de estar. Vamos lá?

Rodrigo Meyer