Como desenvolver conversas produtivas.

Não é de hoje que as pessoas esquecem que nascemos com dois ouvidos, dois olhos, mas apenas uma boca. É muito comum que as pessoas usem da comunicação estritamente para tentar impor, premeditadamente, alguma ideia sobre as outras. Isso começa a se tornar um problema quando é a única (ou mais frequente) forma de comunicação da pessoa. Ao simular uma tentativa de conversa com outros, este tipo de pessoa está sempre procurando uma brecha ou pretexto para inserir alguma informação preconcebida que ela estava conveniente procurando alguém pra ter um pretexto pra falar, mesmo não tendo qualquer necessidade ou encaixe com os demais. De certa forma, são monólogos. Igualmente comum é que duas ou mais pessoas tracem esses monólogos, apesar de estarem juntas em um mesmo espaço de interação, seja na internet ou numa mesa de bar.

Conversas produtivas são aquelas que proporcionam algo além do que já havia inicialmente e que, claro, seja um algo útil para o interlocutor. Conversas produtivas precisam ser, antes de tudo, conversas. Muita gente se esquece que monólogos são facilmente confundidos com conversas, pois estiveram tão habituadas ao egoísmo de só falar, que até na hora de trocar informação com outros, ficam trancados cada um em um monólogo, ousando chamar isso de conversa, devido a substituição recorrente da conversa original pelo monólogo. As pessoas perdem a habilidade de discernir o passado, quando ele é deturpado para que fique apagado.

Acrescentar algo de relevante para outra pessoa depende de quem você é, o que você tem no seu interior e com quem você vai interagir. A combinação de fatores determina se você será apreciado ou rejeitado. É exatamente por isso que algumas pessoas adoram o vazio improdutivo dos monólogos coletivos e outras pessoas não. Para algumas pessoas, o acréscimo do vazio improdutivo cumpre uma função sobre o cenário patológico do indivíduo, quase como a droga que “resolve” a crise de abstinência, mesmo sendo ela mesma um problema (inclusive por gerar crise de abstinência quando falta). Portanto, penso eu, se for pra sentir falta de algo, que seja de algo que soma na minha vida e não de um vazio.

Se você já conseguiu definir quem você é e chegou a conclusão de que realmente quer ter conversas produtivas, aqui vão algumas considerações sobre. Uma conversa produtiva não pode ser uma simples checagem de concordância entre os presentes. Se tudo que você quer saber do outro é se ele concorda ou não com seu pensamento, você já está perdendo tempo nessa interação. O motivo é simples: se a pessoa concorda com seu pensamento, você não tem nada novo pra oferecer a ela e se ela já discorda do seu pensamento, provavelmente você vai apenas se opor e se afastar desta pessoa ou simplesmente ficar numa inútil batalha trocando farpas, cada um com seu posicionamento contrário. Perceba que, seja lá qual dos casos for, não se soma nada. Claro, a menos que o que você busque seja exatamente o já citado vazio improdutivo, com a devida analogia da abstinência de droga.

Em segundo momento, uma conversa produtiva, faz você chegar em visões novas, diferentes, inusitadas, pouco vistas, menos fáceis ou tão fáceis e óbvias que você não tinha pensado como opção para refletir. Conversas precisam traçar conexões entre assuntos diferentes ou, pelo menos, entre pessoas diferentes para um mesmo assunto. Você precisa sentir que está ganhando um presente, um conforto, seja para sua caixa interna de conhecimento, para sua visão de mundo ou para seu estado emocional. Precisam produzir, gerar, acrescentar, fabricar algo que ainda não existia em tipo, qualidade ou quantidade.

Muitas vezes uma conversa não vem acompanhada de fala, deixando os olhares se encontrarem. Decifrar o que o outro é, o que ele vale, o que ele pensa ou sente, também pode nos colocar desarmados diante daquilo, se assim nos permitirmos. Quando duas pessoas estão sintonizadas conversando sobre algo, elas esquecem do passar do tempo e simplesmente tudo que importa vai fluindo. É satisfatório quando mergulhamos no outro sem nos importar com detalhes e aparências e acabamos com os olhos revigorados, a saúde emocional restabelecida, a sanidade ajustada para a direção que nos convém, permitindo que sejamos pessoas mais vividas, com maior número de experiências, com menos covardias, menos hipocrisias, menos mentiras, menos máscaras, menos patologias, menos equívocos, menos inutilidades, longe de qualquer coisa que nos tire a inconfundível humanidade.

Perdemos qualidade de vida quando paramos de viver o necessário. Olhe pras pessoas ao redor e descubra rapidamente quais delas, provavelmente, traçam conversas úteis. Pegue uma fila de banco ou supermercado e note quem são as pessoas que estão satisfeitas com elas mesmas e quais são as que estão apenas tentando fabricar uma interação completamente artificial para projetar uma palavra vazia. Todo dia você vai encontrar diversidade nas pessoas, mas, também muita mesmice nessa diversidade. Em resumo, é bem comum que as pessoas sejam bem diversas no modo como apresentam as mesmices, tal como ter milhares de marcas de roupas, onde todas estas tentam vender padrão social de corpo, moda e consumismo. Esse tipo de diversidade não é uma diversidade útil. É só um vazio viciante a quem se deixa cair por isso.

Uma meta boa de interação humana é conseguir estar de ouvidos abertos para que os interlocutores tenham conforto suficiente para fazer surgir junto a coragem de dizerem coisas profundas, sinceras, espontâneas, verdadeiras, complexas, completas, peculiares, impopulares, nada fáceis, raras, geniais, originais, secretas, ácidas, tristes, bonitas em estado de arte, lapidadas em estado de coerência ou sabedoria, reorganizadas de forma a conseguir convencer que bordões podem ser enojantes diante da honestidade ou simplesmente que existe vida após a mesmice, mesmo que nem toda essa novidade faça realmente muito sentido ou não seja muito duradoura, desde que consiga proporcionar um momento de originalidade, satisfação e diversão, podendo recobrar a razão em outro momento.

Conversa produtiva, pra mim, vem acompanhada de princípios, mas também de humor. Precisa saber encaixar manobras entre um disparo e outro, pra que aquilo se torne uma dança, tal qual é para o corpo que escuta e aprecia uma música e reage com movimentos praticamente inevitáveis. Seria essa a luz responsável pela paz que buscamos? Precisamos experimentar pra tentar responder essa pergunta. Permita-se sentar no chão de um apartamento ou na calçada de um bar, com seu copo na mão, seu olhar atento, seus ouvidos livres da cera do preconceito, mas ágeis o suficiente pra exigirem do cérebro uma resposta inteligente quando ouvirem alguma asneira muito grande. É preciso estar profundamente envolvido com o campo das ideias para preferir infinitas vezes discutir ideias do que discutir pessoas. As fofocas, por exemplo, por discutirem apenas pessoas, caem na toxidade do vício pelo vazio. Pessoas são passageiras, ideias são imortais.

No final das contas, a receita de produtividade em conversas é realmente estar minimamente lapidado, limpo, transformado, tranquilo, pronto, nutrido, embasado, vivido, preenchido de experiências e pontos de vista para mostrar. Quando você se torna a pessoa necessária para a vida, a vida se torna um ambiente fácil de se desfrutar. Você precisa corrigir primeiro a si mesmo e depois, junto com outras também corrigidas, procurar e encontrar os lugares e momentos onde vocês se sintam confortáveis e ao mesmo tempo desafiados. Que seja um lugar com pouca ou nenhuma rotina, mas que tenha a atmosfera necessária pra te deixar confiante e tranquilo em ser, ver, estar e fazer aquilo que você tem sinceramente pra oferecer, sem máscaras, sem fachadas, sem padrões inventados, sem olhares atravessados, sem desconfianças, sem medos, sem inseguranças, sem qualquer tipo de barreira inútil que tire de você a individualidade e atue como uma ferramenta extra que abra portas, aperte parafusos, raspe a ferrugem, solde pedaços soltos, etc.

Este texto, talvez, esteja abstrato demais, uma vez que tenta incluir na equação as diferentes ideias das diferentes pessoas que possam estar imaginando os cenários particulares / específicos em suas próprias mentes e vidas. Eu não sei exatamente quais são as realidades de cada um que cruza com meus textos. Tudo que eu sei (e parcialmente) é o que carrego dentro de mim e o que espero da realidade em torno. Sei que não quero bocejar diante de um diálogo, nem perder tempo com quem fala muito e diz coisa nenhuma. Não quero estar muito tempo ao lado de quem não consegue fazer mais do que desejar ‘bom dia’ e também sei que o que atiça a minha esperança pela humanidade é saber que tem mais gente do outro lado que pode ser divertida e irreverente enquanto o mundo pega fogo. Eu sei, completamente, que quando vou à um sebo passear no aroma envelhecido dos livros, quero alguém que, por exemplo, se convide pra ir junto, só pra exigir que o vendedor dê o preço pela loja toda, pois quer aquele sebo como casa pra morar e que, por não ter sequer uma cozinha, espera que seja feito um bom desconto. Se não for pra brincar com as palavras e situações assim, com as possibilidades e os momentos, dançando junto com as personalidades, não há motivo pra gastar energia em uma interação. Viver custa caro, nos aponta faturas simbólicas todos os dias e precisamos de outras pessoas que nos ajudem a pagar essa conta, multiplicando o capital intelectual, emocional e energético. Precisamos rir do que é incerto, abraçar a coerência, explorar o mistério, vencer em ambientes desconhecidos pelo simples motivo de poder chegar na velhice (ou no finado dia da juventude) e ter algo valioso pra recordar e deixar que a humanidade (ou pelo menos teus amigos e/ou conhecidos) tenham o que herdar.

Você não precisa estar em contato todos os dias, nem precisa escrever um livro ou ter as viagens e experiências mais longas ou esquisitas. Só precisa estar bem encaixado em seu próprio ser, mesmo que (ou principalmente) se sinta desencaixado no mundo. Precisa ter descoberto a sua personalidade verdadeira e não aquela máscara que muitos se esquecem de tirar a vida inteira, mesmo quando bebem, transam ou vão dormir. Você precisa se livrar das correntes pra só depois descobrir quão livre e inteligente você foi, é ou pode ser. Talvez os outros pesem um pouco na sua liberdade, mas, sob certo sentido, a tua liberdade, mesmo quando tentam removê-la, é algo totalmente sobre você. O primeiro passo para tentar ver-se livre é a decisão que você toma na vida sobre quem você é, quem o mundo é e o que você pode fazer a respeito disso tudo. Eu escolho sentar e conversar, escolho virar uma esquina mais de uma vez, só pra descobrir o que mudou, o que repetiu e o que nunca existiu. Primeiras impressões continuam sendo importantes, mas elas não vão nunca me dar as respostas que eu preciso, pois as boas respostas estão sempre abaixo de outras ainda melhores. Eu sigo sempre adiante, em mergulhos cada vez mais fundos. Eu vou e volto várias vezes no mesmo lago, até entender qual é a relação entre as ondas na água e o meu nado. Saio de lá molhado, mas saio de lá com muito mais do que água escorrendo no corpo.

A minha bagagem vem das minhas frases ditas e também das não ditas, das bocas que eu toquei, dos momentos de sexo interrompidos, dos livros que me encontraram enquanto eu estava igualmente perdido, dos idiomas que eu esqueci de aprender e também daqueles que eu insisto e não esquecer. Minha bagagem de conversa aceita café, água, whisky, festa, silêncio, promessa, viagens e passeios no meio da floresta. Todas as minhas memórias estiveram pelo chão das casas noturnas, pelos convites em cima da hora, pelos trens com nomes difíceis de pronunciar. Eram aquela senhora idosa catando latas de alumínio para a reciclagem, a dona do bar namorando um cliente alcoólatra e também o garçom escritor daquela cidade que ninguém nunca ouviu falar. Trago comigo as frases, gírias, manias e todo tipo de comentário corrompido que precise ser reformado e completado pra fazer florescer o brilho do sentido que já existia. Devolvo perguntas estúpidas com perguntas piores, deixando claro a desvantagem em andar pra trás. Eu corro pra interromper, só pra dizer que é hora de atualizar a bebida ou que está tarde e, por isso mesmo, é a melhor hora pra conversar sobre a vida.

Eu chego sem livros nas mãos, porque assim eu tenho motivos garantidos pra arrastar multidões pra perto do beco dos livros. Se empresto inteligência, quero toda ela de volta, com juros compostos contabilizados. Quero sentar na frente de alguém e ser cobrado de sentar especificamente do lado ou o exato contrário. Quero alguém que fale comigo e não de mim, alguém que entenda bem o jogo de ser ambíguo pra fomentar prazer. Quero alguém que me exija senhas simbólicas pra filtrar as possibilidades entre um portal e outro. Quero alguém que me leve pra conhecer problemas, mas que no mesmo dia me mostra uma das possíveis soluções. Quero alguém que fale comigo sobre suas próprias gambiarras e tecnologias, mesmo que elas não funcionem sob nenhuma ocasião. Quero pessoas contando histórias sem um claro ponto de partida, com um meio bastante estranho e um desfecho surpreendentemente engraçado. Quero poder confiar, mesmo que temporariamente, na grandeza do ser humano e ficar um pouco mais perto de uma vida em que eu possa me orgulhar de ter feito algo positivo, honesto, intenso e aberto, mesmo que, em alguns destes momentos, eu estivesse distorcido, perdido, deprimido, doente à beira de cair em um retrocesso.

Agradeço a todos pelas conversas tidas, as que sigo tendo e as que estou plantando para minhas próximas fases na vida. Estaremos conectados pelos textos, pelas mensagens, pelos convites cada vez mais inusitados. Seja lá onde você estiver, você precisa andar além de si mesmo. Corra muito de um lado pro outro, pra saber onde você realmente está e pra onde você quer ir. Faça da sua vida uma gigante conversa produtiva entre você e sua existência. Tão importante quando ser lúcido é estar em contato com sua essência. Descubra-se para além das frases feitas, das noites repetidas, dos bordões idiotizados, das propagandas gratuitas, do papel de trouxa nos tapas recebidos da vida, nos vícios quadrados que só te jogam em ruas sem saída. Comece a ter iniciativa e leve isso pra sua comunicação, falada e escrita. Seja autor da sua própria história e mesmo que não possa controlar todo desfecho ou audiência, terá sempre material importante pra oferecer. E você? O que tem pra me dizer?

Rodrigo Meyer

Anúncios

Crônica | Pitada de esperança.

Um tom desbotado começava a tomar conta do clima da casa. Do lado de fora, a sensação de que alí já não tinha vida. Do lado de dentro, um vazio igual ou pior. O cansaço não permitia pensar de maneira organizada sobre o que fazer com aquilo. Por sorte, o minimalismo ajudou a reduzir as opções. A cada dia que passa, a casa torna-se, cada vez mais, apenas paredes. Quando completamente vazia, será motivo de festa. Talvez eu possa comemorar, talvez eu não esteja mais por aqui. Enquanto o futuro não chega em definitivo pra me dizer, eu sigo acordando e dormindo, sentindo o cheiro de tempero na comida da vizinha. Me parece alguém que gosta de cozinhar. Às vezes dá vontade de me auto-convidar para um momento desses, especialmente nos dias em que está mais frio. Nas outras casas do bairro, tudo parece tão enfadonho e monótono que chego a pensar que por lá nem comida se faz. Quando eu me mudar, quero voltar a cozinhar. Algo tão simples e com um significado tão importante.

Rodrigo Meyer

Crônica | O orgulho em ser inútil.

Fui ao estabelecimento. Tudo muito bonito, organizado, exceto por aquele atendente, com a cara toda fechada, um desgosto pelo trabalho, uma falta de educação e atenção. A cada simples pergunta sobre os produtos, uma resposta seca ou até mesmo resposta alguma em claro sinal de desprezo. Eu sabia que ele nunca mudaria. Já é um idoso e não fez nada pra aprender a ser melhor, mesmo depois de tanto tempo na mesma atividade. Praticamente um apêndice do próprio comércio, tal como o apêndice no órgão humano, mantido enquanto não dói, mas que pouco sabemos da utilidade. Meu alívio é saber que ele está cada vez mais perto de se aposentar, que o comércio terá que mudar ou fechar e que eu continuarei educado e útil por onde passo. Sempre gostei de trabalhar. O que me dá energia é saber que estou sendo útil pra algo ou alguém. Mas nem todos pensam igual. Eu sou só alguém que acredita que atirar no próprio pé não é uma alternativa. A maioria das pessoas, por se darem esse tiro, acham que eu estou errado. Ai de mim, pobre coitado.

Rodrigo Meyer

Felizmente as pessoas mudam.

Não é algo frequente na humanidade, mas eventualmente as pessoas mudam. Não existe nenhuma regra que determine que precisemos ser sempre do mesmo jeito. Até mesmo nossa personalidade às vezes é descoberta de forma tardia quando nos damos conta de que vivíamos moldes e realidades alheias que não correspondiam com nossa essência.

Mudar é uma necessidade quando descobrimos que aquilo que estamos vivendo, fazendo ou pensando, não nos proporciona benefícios. Muda-se de emprego, de profissão, de cidade, de relacionamento, de postura, de pensamento, de hábitos ou até coisas menores, como o modo de criar, o estilo e até nossas metas futuras, nossas prioridades e possibilidades. Como diz o ditado, ‘só não muda quem já morreu.’

Quando atualizamos nossa mente, atualizamos nossa realidade. A realidade é sempre do tamanho e modo que nossa mente puder enxergar e compreender. Tudo que não vemos na mente torna-se inexistente pra nós. As pessoas tendem a se redescobrir apenas se permitindo ver o que antes não se permitiam. A mente controla a realidade em muitos sentidos. Esteja no controle da sua mente ou será controlado.

Temos que ter uma pitada de esperança, mas sem ficarmos em expectativa pelas mudanças alheias. Em geral, a maioria das pessoas continuará no mesmo estilo de vida e pensamento até o último segundo de existência, tanto pelas coisas boas quanto pelas ruins. Os equívocos das realidades de cada um não costumam ser percebidos à tempo pelas pessoas, principalmente porque elas não olham pra dentro de si mesmas e evitam, a todo custo, a reflexão sobre o que dizem, pensam e fazem. Para estes, a autocrítica ou inexiste ou é totalmente comprometida por falta de sinceridade e interesse de desvendar as verdades sobre si mesmo. Muita gente prefere se iludir com a ideia de que são o último extrato de qualidade do mundo, quando estão bem longe de ser. As verdades amargas não possuem vez para quem prefere mentiras doces.

Mas, há chances de vermos mudanças, mesmo que isso demore. Em algum momento, uma certa quantidade de pessoas estará disposta a mudar e isso poderá nem ser notado pelos demais, afinal o tempo que passaram vivendo de um jeito já os marcou pra vida toda. É difícil reconstruir uma imagem ou retomar a credibilidade diante das pessoas. Trazer algo novo e se reposicionar é uma tarefa difícil. Mas não há outro modo de se fazer e não há também como voltar atrás. Toda mudança é um caminho novo, que carrega certas barreiras por conta do passado. Por isso, quanto mais cedo você puder mudar, melhor pra você mesmo, pois evita acumular muitas dessas barreiras ou ao menos reduz o impacto delas.

Quando eu olho pro meu passado, eu consigo até encontrar um aspecto em comum em todas as fases, mas certamente muito do que estava ao redor desse núcleo mudou bastante ao longo dos anos. Na computação, existe o conceito de ‘kernel’, que é uma espécie de núcleo de um sistema operacional. Por muitos anos, esses sistemas se apresentam de formas novas, com um visual diferente, recursos novos, mas o motor essencial que move tudo aquilo continua o mesmo. Assim eu defino a essência de uma pessoa. E, claro, às vezes o kernel também pode ser refeito quando admitimos que por mais que mudemos por fora, não será suficiente se mantivermos o mesmo miolo. Clarice Lispector dizia que remover nossos defeitos era perigoso pois não sabíamos quais deles eram os alicerces de nossa estrutura toda.

Mas essa jornada de descoberta e transformação precisa ser feita, pois quanto mais procrastinarmos e ignorarmos nossa realidade interior, mais drástico será o momento de mudança. Se você negligencia suas realidades por muito tempo acaba tendo que encarar o terrível monstro que foi nutrido e que muitas vezes destoa tanto da nossa realidade superficial que chega a chocar. Precisamos cuidar mais da essência do que das máscaras sociais que vestimos. Às vezes parecemos gentis e tranquilos e descobrimos que não somos assim ou não o mesmo tanto. Nossos gostos, vontades, interesses, valores, prioridades e tudo aquilo que nos compõem, às vezes ficam mascarados por ideais que não são de fato os nossos. Ficam lá como personagens que criamos e alimentamos apenas pra apresentar à sociedade.

Mas, nem toda mudança é sincera e, frequentemente, você verá pessoas se convertendo à hábitos e estilos de vida apenas por status e aparência ou até mesmo como forma doentia de compensar todo o estrago social ou pessoal que essas pessoas acreditam terem feito. Consigo lembrar, por exemplo, de cantores que passaram a vida em um modelo de conduta e que em certo momento se colocaram em um extremo oposto. Isso pode ocorrer por vários motivos. Às vezes essas pessoas fizeram uma leitura exagerada sobre como viviam e por se sentirem culpadas de terem sido o que foram, sentem uma certa necessidade de exagerar no sentido oposto, pra tentar compensar o passado. Mas isso não funciona porque geralmente não é natural e real, mas apenas uma fachada forçada.

Mudar por fora não importa. A única mudança real é a que ocorre internamente. A sua mudança de pensamento precisa vir acompanhada de outras mudanças. Não basta acreditar que seu estilo de vida era ruim ou que sua realidade não era benéfica pra si mesmo. É preciso ter passado por experiências práticas ao longo da vida que o colocaram em novas posturas, novas absorções de valores e realidades. Sentir e viver a realidade de maneira transformada é que dará a transformação que você deseja pra si. Você muda, quando finalmente as coisas já não são como eram. Você descobre que nada é permanente e que a coisa mais preciosa que temos é a capacidade de nos transformarmos.

Quando escolhemos abandonar certos ambientes, as pessoas ainda nos querem por lá, pois não sabem nada sobre nossas mudanças internas. Quando escolhemos abandonar certas pessoas, também somos cobrados, porque estas não entendem pra onde queremos ir e com o que já não queremos estar, pois mal sabem, geralmente, o que eles mesmos são e pra onde estão indo. Mudanças geram mudanças e deveríamos, inclusive, forçar algumas para colidirmos com outras. Procure sempre viajar ou mudar de casa e verá como isso transforma a realidade, com novas oportunidades, novas pessoas, novos desafios e novos pensamentos. Suas prioridades mudam e você muda. Permita-se coisas novas e você se renovará. Deixe ir embora aquilo que já não serve mais, que já não faz você sorrir, que já não faz sentido, já não é importante, já não te representa, já não te segura, já não te dá prazer, já não te faz ir além.

Rodrigo Meyer

Ter conteúdo é sua salvação.

2017_mes03_dia20_18h30_ter_conteudo_e_sua_salvacao

Ter conteúdo não exige necessariamente ter escolaridade, estar envolvido em mil projetos ou “grandes” profissões. Ter conteúdo não significa nada além de ter algo interno que possa compartilhar. Quando uma pessoa é rasa demais, isso falta e ela encontra uma barreira que ela mesma criou e que impede a conexão com as coisas e pessoas de maneira mais profunda. A vida torna-se muito desagradável quando as pessoas tentam socializar e essa diferença se coloca no meio.

Quando conhecemos alguém, esperamos desenvolver uma relação, seja de amizade, trabalho, professor e aluno, pais e filhos,  ou mesmo um romance. E pra que isso flua bem, as pessoas envolvidas precisam estar alinhadas em pelo menos alguns objetivos em comum. Se alguém está buscando uma boa conversa, vai ser difícil traçar uma conexão se o outro lado não tiver conteúdo pra adicionar. As boas relações vivem de trocas.

Mesmo se alguém for um aprendiz numa profissão, por exemplo, poderá ter inúmeras outras coisas que troca nessa experiência com quem lhe ensina a atividade. É preciso que as pessoas consigam expor suas vontades, seus interesses e transmitir boas histórias, memórias, opiniões que fazem a diferença, ter conhecimentos gerais e um mar de outras coisas. Por muitas vezes, temos que mudar o rumo de conversas ou mesmo desistir do ensino de certos temas e profissões, quando as pessoas do outro lado não possuem cultura geral mínima pra absorver aquilo que pretendemos passar. E esse game over é triste.

Todos nós que temos acesso frequente à internet, temos a obrigação moral de fazer bom uso dela, pois é um desperdício ofensivo ter essa poderosa ferramenta e não utilizá-la bem, enquanto outros que sequer podem acessá-la penam pelo impacto da falta de informação e socialização em suas vidas. Compartilhar conhecimento, claro, não é feito apenas pela internet, mas esta é, com certeza, uma das ferramentas com maior potencial, pois permite usarmos vídeos, textos, fotografias, animações, links, além de podermos compartilhar diretamente com um grande número de pessoas e deixarmos isso disponível pra qualquer horário que quiserem acessar. Não dá pra negar que tudo isso é muito mais poderoso do que as demais formas de comunicação.

Mesmo assim, a internet não é (e não deve ser) o único meio de aprendizado, senão corremos o risco de definhar nossa própria compreensão do que é aprender. E conteúdo interno é, sobretudo, nossas experiências, nossa visão crítica, nosso humor, nosso jeito diferente de ser e pensar os assuntos, toda a bagagem que coletamos ao longo da vida e os rumos que damos para nossos relacionamentos através disso tudo.

O vocabulário de um indivíduo, por exemplo, cresce à medida em que ele mesmo se coloca diante da leitura e de novas conversas, pois não se pode conhecer palavras novas se nunca for exposto à elas. Ler o dicionário não é nenhum ato absurdo e deve, sempre, ser uma opção pra quando não temos muito traquejo para nos comunicar. Evite, porém, usar excessivamente as palavras que acabou de aprender como se já dominasse o extenso significado e contexto delas, senão corre o risco de parecer artificial e/ou pretensioso demais.

Uma professora da época de faculdade nos propôs de lermos uma certa quantidade de vocábulos do dicionário por dia e ao final do curso de Comunicação Social estaríamos bem distantes de onde começamos, apenas com esse simples ato. Sendo feito de pouco em pouco, diariamente, esse aprendizado não pesaria e como seria fracionado ao longo do curso todo, mesmo se interrompêssemos a prática, teríamos absorvido pelo menos algumas palavras à mais no começo da tentativa. Só tínhamos a ganhar.

Mas, conhecimento não se resume a conhecer palavras. Essas você pode ter facilmente a qualquer momento que quiser, perguntando à alguém ou consultando-as na enciclopédia, na Wikipédia, em um dicionário convencional impresso ou mesmo no Google. O que conta mesmo é o que você faz com as palavras. Mas para fazer algo com elas, é preciso conhecê-las, inevitavelmente. Lendo e escrevendo você pode refletir através de textos, poemas, frases, ou qualquer que seja o formato de conteúdo. E isso não é um mero capricho. Isso é sua vida, são suas chances, sua realidade, suas chaves e também a diferença entre derrotar-se ou ter meios para vencer. E isso se aplica em qualquer setor da vida.

Você pode, eventualmente, estar buscando um emprego novo, um namoro, bons amigos ou mesmo dividir um pouco do seu tempo com familiares ou desconhecidos em uma festa. Não há outro meio de se traçar conexões coerentes e mais profundas se não for através do seu conteúdo e a habilidade que tem de compartilhá-lo. Certa vez me apresentaram a ideia de que se pudéssemos ler as mentes uns dos outros, seríamos todos solitários e deprimidos. E mesmo no modelo de realidade onde não lemos as mentes de ninguém, podemos acabar chegando em similares situações apenas pelo que as pessoas expressam.

Com exceção da timidez, ninguém deveria ter dificuldades em se expressar. Com exceção dos naturalmente misteriosos, ninguém deveria ser confuso em suas expressões e intenções. Com exceção dos afetados por químicas, ninguém deveria perder a lógica ou a cadência em uma ideia proposta. Com exceção dos que não podem fazer mais por si mesmos, ninguém deveria ficar restrito ao vazio da falta de conteúdo.

Aquilo que somos por dentro é nossa salvação. É lá que habitam as trocas fundamentais para um aprendizado, uma conversa, uma análise de nós mesmos, da vida, da filosofia por trás das coisas, do sentido de nascermos ou morrermos. Está também no interno de cada um, as vontades, as ambições, os impulsos criativos, os pensamentos abstratos ou de outros tipos. São eles que nos fazem chegar à conclusões que mudam nossas vidas de uma só vez a cada vez. São essas grandes possibilidades que nos colocam em atividades maiores e melhores. Sem conteúdo interno não teríamos jamais inventado a internet, os computadores, as sociedades e suas culturas. O que expressamos adiante é fruto do que temos dentro de nós. Não há como dividir com o mundo aquilo que não se tem. As relações envelhecem melhor quando estamos cientes de que temos a melhor conexão.

Eu não estou dizendo que o conteúdo interno anula ou inferioriza as conexões emocionais. Mas, mesmo elas, são geradas e sustentadas por causa do conteúdo interno. Tudo que somos como pessoa e tudo que construímos de forma subjetiva entre seres, lugares e coisas, está relacionado ao que conseguimos enxergar para traçar um significado maior, mais profundo e, muitas vezes, intraduzível.

As pessoas rasas frequentemente se assustam ou se incomodam com qualquer quantidade que seja maior do que estão acostumadas a lidar. Uma bandeja suporta muito menos líquido que um balde. Se vertermos apenas metade da água de um balde cheio nela, ela transborda de imediato. Tudo que for vertido em excesso será um incômodo, um atropelo ou até uma angústia. As pessoas não querem sentir que estejam afogadas em coisas das quais elas não podem ou não querem lidar. Isso às faz perceber que são rasas e imediatamente ativam o possível complexo que possuem sobre isso. E se, por outro lado, voltarem a esquecer desse contato, tudo se normaliza e elas voltam a lidar apenas com as gotas de seus interesses. Mas, inevitavelmente vão se deparar com novas situações semelhantes e podem acabar defendendo a ideia de que baldes são excessos. Perigo à vista!

Não serei eu a impedir alguém de mergulhar em tais escolhas, mas o prejuízo pessoal de quem assim escolhe é imenso. Em um aparente benefício, essas pessoas buscam o caminho mais curto e fácil, mas passam a vida toda andando em círculos e chegam a lugar nenhum, enquanto outros, por andarem em linha reta com propósitos e objetivos, chegam mais longe. A velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete não anula a necessidade de ter que lidar com isso mais tarde e ainda amplia o problema, pois é mais fácil varrer umas migalhas por dia do que ter que carregar caçambas delas de uma só vez. No caso das pessoas rasas, o acúmulo é de vazios, que pesam mais que toda matéria do Universo.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Sobre ser autor.

2017_mes03_dia20_16h00_sobre_ser_autor

Conforme vou conhecendo as pessoas em outras das minhas atividades, surge a informação de que também escrevo e então, as pessoas ficam levemente surpresas e curiosas em saber o que escrevo e como comecei. Talvez por eu ser mais conhecido como fotógrafo, outras atividades despertem uma curiosidade adicional nas pessoas, ainda mais porque grande parte das coisas que escrevo estão espalhadas em muitas mídias, o que dificulta conhecer todo o material de uma vez só.

Esse blog atual é uma tentativa de me engajar novamente à produzir livros. Tive outros blogs quando mais novo, entre os 14 e 18 anos, talvez. Geralmente escrevia críticas sociais, desabafos pessoais, reflexões e muitos poemas em temáticas diversas. Antes de ter esses blogs antigos a internet não era algo muito acessível e estava engatinhando no Brasil. Escrever era, portanto, acumular papel e colecionar canetas.

Já escrevi em outros textos por aqui contando de alguns livros meus e qual o desfecho de cada um deles. Tendo superado essa fase inicial dos três primeiros livros, me coloquei em certo recesso, tentando focar meu tempo na atividade principal (Fotografia) e na Faculdade de Comunicação Social que me conduziu à atividade de Design Gráfico. Tudo isso me fortaleceu pra seguir palestrando alguns temas entre amigos, familiares e pequenos grupos, o que me fez repensar o retorno à produção de livros físicos, impressos. Me organizei em questão de tempo e profissionalmente e agora me sinto na época certa de tentar meu quarto livro.

Esse tempo todo que passei escrevendo me ajudou muito a começar vários projetos posteriores com relativa força quando veio o boom do Facebook e dos sites com templates prontos. Escrevi conteúdos quase que diários para mídias de temas diversos, como espiritualidade, História, Simbologia, Cultura, Sociologia, Psicologia, Empoderamento, Astronomia, Turismo, Arte, Fotografia, Causas Sociais, nichos específicos de Subcultura, Estilo de Vida e muito mais. Eu me realizo escrevendo e produzindo conteúdo, especialmente por poder permear áreas diversas do conhecimento. Eu não conseguiria ficar preso à um único assunto ou tipo de conteúdo.

Os planos pro livro deste ano (2017) estão consumindo bastante tempo, porque o principal não é poder escrever, mas ter condições adequadas para tal. Eu sou fotógrafo, designer gráfico e, sendo autônomo, é sempre uma incerteza pois não há salário fixo, apenas nossos clientes conseguidos. Essa experiência é uma boa aventura, mas como não traz um retorno homogêneo ao longo do tempo, precisamos sempre repensar qual o melhor momento pra viabilizar um projeto pessoal (como escrever e imprimir um livro). Mas estou esperançoso, porque me sinto fisicamente disposto a criar, apesar de reunir atividades tão diversas. E essa inconstância não me impede de dividir um pouco de tempo e dinheiro quando há.

Houve, inclusive, ano passado, a tentativa de produzir um livro que unisse Fotografia e Poesia, mas devido ao custo substancialmente mais elevado de imprimir imagem à cores (ao invés de apenas texto), o projeto ficou parado e não repercutiu. Mas o mundo da criação é assim mesmo. Não é tão fácil decolar com as ideias, especialmente se não houver apoio de um coletivo. Todos os projetos que iniciei, sempre foram alimentados pelo esforço próprio, dinheiro próprio e conteúdos próprios. E então, quando esse projeto ficou um pouco maior que os anteriores, ponderei a possibilidade de começá-lo via crowdfunding (financiamento coletivo), através de sites como o Catarse, por exemplo.

Parte de tudo isso é um reflexo da minha necessidade de expressão e outra parte é a vontade de fazer a diferença com o conteúdo e o direcionamento das pessoas para o que elas mesmas desejem fazer. Estou interessado na ajuda social, ativismo, empoderamento, reflexão, desconstrução de preconceitos, quebra de tabus, reavaliação da sociedade, curiosidades acerca do mundo, das outras áreas do conhecimento, suscitação de cultura e pensamento oxigenado.

Meu histórico como autor, dentro e fora das obras, é um aglomerado de impulsos, na tentativa de adicionar sentido a vida, repensá-la, conhecer novas pessoas e pessoas melhores, sempre mantendo o objetivo de ser relevante, mesmo que isso não seja tão absorvido por muitas das pessoas. Sei bem dos desafios que é ser criador de qualquer tipo de coisa, não só na Literatura e isso não me desmotiva nem um pouco a criar. Produzi muita coisa gratuitamente, apenas pelo gosto de fazer e pelo senso de utilidade daquilo pra mais gente. Assim como é pra quem segue a atividade de youtuber, ser escritor ou blogueiro deve ser algo que se faz naturalmente ou você acabará perdendo os rumos do que produz e se tornará infeliz, insatisfeito e cercado de um público não engajado.

E aqui estamos. Muitos de vocês que leem também são autores e alguns, coincidentemente, são também fotógrafos. A Literatura, assim como qualquer elemento de uma cultura, em qualquer área do conhecimento, só é plena quando diversa. Sempre destaco a necessidade que há de todos nós sermos produtores de conteúdo. Precisamos ler mais gente, escrever pra mais gente, criar mais quadros, conversar mais, viver mais, entender mais da vida e de nós mesmos. É somente pela diversidade dos contatos que subiremos à um patamar onde o Brasil reverta os índices tristes de leitura e produção cultural. Estejam plenamente à vontade pra compartilhar no grupo os seus textos, livros, blogs, manuscritos, frases, poemas, opiniões e comentários. Precisamos socializar e discutir o que lemos e o que não lemos. Porque não lemos? Quando lemos? O que lemos? Como melhorar esse cenário? Como criar cenários melhores com pessoas melhores?

Estou sempre buscando parcerias e projetos novos para permanecer sempre criando. Sou um assumido workaholic, mas que, em tudo que trabalha, faz por gosto, por diversão, no ritmo que pode e quer. As iniciativas como autor são um braço da gigantesca aspiração por produzir. Eu não me vejo nunca parado e espero ser aquela figura que encerra a vida em plena ação. Como todo ser humano, tenho minhas facetas, meus lados e momentos, meus outros interesses em assuntos diversos. Todos estão convidados a explorar e conhecer um pouco mais. Mantenham as portas abertas, a mente aberta, o coração aberto e apenas observem com senso crítico as coisas que se apresentam diante de vocês. Ser autor, leitor, fotógrafo ou qualquer coisa que dependa de interpretação do mundo e criação de mensagens, envolve a necessidade de observação intensa, reflexão, pesquisa e investigação da realidade, das pessoas, das personalidades, das nuances, dos poréns, dos detalhes, do interior de cada embalagem e de cada ser que cruza nosso caminho. Sejam verdadeiramente bem-vindos. O mundo os espera.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer

Vício em lixo é falta de amor-próprio.

2017_mes03_dia18_12h00_vicio_em_lixo_e_falta_de_amor_proprio

Todo mundo conhece alguém que já aceitou situações ou pessoas que não deveria. Conhecemos inúmeras pessoas que consomem produtos, mídias ou serviços que são absolutamente dispensáveis. Isso nunca foi novidade. O vício em lixo acompanha o ser humano há eras, pois a humanidade não mudou muito ao longo do tempo. Estamos claramente vendo que o ser humano aceita todo esse prejuízo porque não tem amor-próprio. E isso não precisa ser assim.

Pense da seguinte maneira: se você gosta de alguém, você dá um presente à essa pessoa, algo bom, interessante. Certo? Não há como dar papel higiênico usado como presente de aniversário pra alguém, à menos que você não goste da pessoa. Estamos entendidos?

E quais são as coisas que você anda se dando ao longo da vida? Quem são as pessoas com quem você está se relacionando? Em quais situações você se coloca? Que tipo de ocorrências você permite em seu meio? Você absorve as ofensas que lhe entregam ou as recusa? Você acredita na palavra dos opressores ou dos amigos? Qual a qualidade dos amigos que você mantém? Tudo isso (e muitas outras coisas) são os presentes que você dá pra si mesmo. Agora é só analisar se esses presentes são bons ou ruins.

Se estiver se dando muito lixo, então você não está se gostando. E se esse for o caso, precisa trabalhar sua mente, suas memórias e seus traumas. Porque razão passou a se ver sem valor a ponto de não gostar de si mesmo? O que te fez chegar ao sentimento de inferioridade que tem? E se isso veio de alguma situação ou pessoa, me diga algo simples: você quer se dar presentes bons ou a opinião de pessoas e situações que te reduzem? Se quer se dar presentes bons, terá, automaticamente, que apagar a importância dessas pessoas ruins que te fizeram sentir-se inferior ou sem valor. E, então, automaticamente, você se empodera, se recoloca no seu lugar e deixa de se sentir inferior. Você começa a se valorizar, se gostar, ter amor-próprio. Esse é o começo da sua nova vida. É daí que vai se estruturar pra se conhecer novamente, pois até então não se conhecia tal como é, mas apenas tal como outros queriam que você fosse ou como lhe fizeram acreditar que você fosse, mesmo não sendo. Hora de mudar e avançar!

Nessa equação, ajuda muito se você se desintoxicar de todo lixo e vício que tenha. Comece mudando seus hábitos na internet. Pare de assistir e ler coisas sem valor que só trazem lama e superficialidade. Comece a consumir coisas que te coloquem num patamar mais elevado, onde você realmente merece estar. Não se permita mais se rebaixar aos conteúdos ruins das televisões, revistas, jornais, sites, grupos e também das conversas entre seus contatos.

Repense também seu emprego, suas metas, seus objetivos e suas formas de se relacionar com as pessoas. Se está acostumado a ver sempre os mesmos grupos, isso pode ser uma segurança, mas se constantemente está criticando ou armando brigas nas conversas e comentários, então está viciado em lixo. Se as páginas só te servem pra humor de baixa qualidade e os vídeos do Youtube lhe parecem muito ruins, é chegada a hora de dar um basta e se livrar desses consumos.

Quando a gente se desintoxica de vícios, sejam eles psicológicos ou químicos (incluindo os alimentares), precisamos estar prontos para coisas novas. Não nos será permitido que retomemos a certas coisas, pois corremos o risco de desistirmos da solução e voltarmos rapidamente para mais lixo. E, sabemos, o amor-próprio não se relaciona com essa conduta. Para se ajudar, progredir e se sentir feliz e satisfeito consigo mesmo, terá que tomar a decisão mais difícil: aceitar-se ou destruir-se, amar-se ou odiar-se. E isso só você pode fazer por você mesmo.

Se eventualmente você achar que está passando por situações muito além do que consegue lidar sozinho, busque ajuda profissional ou ao menos entre em contato com bons amigos (esqueça os ruins) e comece a buscar as respostas sobre aquilo que precisa pra erguer-se de maneira coerente. Deixe de lado aquelas ideias simplistas de que pensar positivo e sorrir diante da guerra é tudo que se precisa. Quem te diz isso, pouco se importa com suas dores e problemas. Dê-se, até mesmo nessa fase de ajuda, as pessoas que realmente podem te fazer algum bem. Queira por perto pessoas que te dão, na cara, as realidades que você precisa absorver pra começar a retomar as rédeas da sua própria vida.

É preciso controlar-se para não tropeçar na terrível ilusão de que se vale menos do que de fato vale e, claro, de não acabar se superestimando além da realidade. Seja realista. Pare de alimentar monstros e comece a alimentar seus potenciais, seus talentos, sua personalidade, suas vontades e desejos. E trabalhe, trabalhe muito. Deixe sua marca no mundo e mostre à todos aquilo que só você pode mostrar. Se precisar de uma mão em algum projeto, me chame.

Leitores e escritores estão reunidos neste grupo do Facebook: Escritores e Leitores. Entre e venha conhecer novos conteúdos ou divulgar o seu.

Obrigado por acompanhar. Faça comentários ou perguntas aqui na caixa de texto ou na página. Dê apoio. Vamos todos ler e escrever. Vamos nos conhecer. Se gosta dos textos daqui, deixa um ‘joinha’ no Facebook também.

Rodrigo Meyer