Quem são os apoiadores de Bolsonazi?

Inicialmente, antes das eleições do final de 2018, o quadrilheiro saiu do anonimato e ganhou fama, em especial pela repugnância e polêmica de suas afirmações em uma ou outra mídia, com ajuda de uma gangue de crianças de não mais que 13 ou 15 anos de idade. A imaturidade de todos, inclusive do referenciado, uniu essas pessoas em uma ideia em comum que era a de autoafirmação diante da sensação de serem completos imbeciloides diante da vida séria, adulta, etc. Enquanto adolescentes de 13 anos tentavam se sentir adultos, fracassavam tanto quanto seu bandido de estimação, Bolsonazi.

As afirmações racistas, machistas, homofóbicas, de incentivo ao crime, violência, milícia, extermínio de pobres, ódio de classes, ridicularização de vítimas, somaram-se com aquele aspecto patético de pseudo-masculinidade atrelado a armas e bandidos fardados do Exército e da Polícia Militar, culminando numa fácil aceitação por esse público de adolescentes mal resolvidos com a puberdade, com inconsistência / fraqueza mental, covardia, insegurança psicológica e uma criação social moldada por famílias desestruturadas, cheias de vícios de conduta, de ética e outras mazelas. Não demorou muito pra que essa sopa de desgraça, alimentasse a mídia onde esses adolescentes improdutivos mais gastavam tempo: a internet.

Por muito tempo, essa catástrofe midiática foi vista apenas como uma moda patética. Mas foi justamente a visibilidade ao trágico e cômico que deu espaço pra que uma figura que era anônima na política há quase 30 anos, ganhasse repercussão. Passou a figurar em mais programas de televisão, em notícias, memes, etc. Uma vez famoso por todo lixo que proferia em palavra e conduta, chamou atenção de um novo público que se juntaria à ele: adultos conservadores, bandidos fardados, racistas, neonazistas, milicianos, quadrilheiros, estupradores, traficantes, estelionatários, burgueses corruptos e qualquer um que se sentisse representado pelos crimes que ele enaltecia.

A cada vez que ele elogiava um bandido fardado em qualquer mídia, essa classe se sentia finalmente protegida e acolhida, com respaldo de alguma figura pública famosa. Isso dava a certeza de que poderiam aumentar e perpetuar seus crimes e condutas com a chance de ainda serem condecorados, melhor pagos, enaltecidos em mídias e normalizados como o padrão de realidade. Se antes tinham que se esconder nas intervenções nas favelas pra cobrar propina, pedágio, traficar armas e drogas, assassinar inocentes, forjar cenas de tiroteio pra justificar assassinatos de inocentes, agora poderiam simplesmente fazer isso em qualquer lugar, de qualquer maneira. E fizeram, como mostra o episódio em que o exército disparou 80 (oitenta) tiros contra um carro de uma família inocente, seguido do comentário do Bolsonazi de que o exército não havia feito aquilo.

Não demorou nada pra que parentes e cônjuges cúmplices desses bandidos fardados entrassem em defesa daquele idoso fétido que discursava em favor do crime, sob a fachada falsa de repúdio ao que eles chamavam (e apenas chamavam) de crime em si. Enquanto defendiam a invasão pesada nas favelas, sobre o pretexto de combater o tráfico, na verdade encobriam o fato de que as próprias UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), na verdade eram os próprios controladores do tráfico de drogas local, tanto na parte do dinheiro, das armas, quanto das drogas, movimentando fortunas gigantescas simplesmente pela facilidade que o cargo lhe conferia. Uma estratégia comum entre os frouxos e covardes, que precisam se esconder atrás de um colete a prova de balas, uma viatura, um distintivo / cargo / profissão, um pseudo-aval do governo para terem acesso a algum poder sobre os outros, por meio do crime, corrupção, violência e patetice. Munidos não só de balas e armas, tinham também um salário oficial seguido de uma fortuna paralela vinda da corrupção da própria “profissão”. Enquanto isso as elites continuavam a traficar com seus helicópteros com meia tonelada de cocaína ou, como vimos mais tarde, pelo próprio avião da FAB (Força Aérea Brasileira), levando cocaína para o exterior junto com a comitiva do “presidente” Bolsonazi.

Tal realidade sempre existiu e, com o passar do tempo, foi citada e homenageada. A cada crime cometido por um destes bandidos fardados, Bolsonazi ou um de seus familiares, logo se pronunciava em admiração e proteção, tentando criar uma imagem social de que ser bandido era o ápice da grandeza de um indivíduo. Aquela visão falha, frouxa e tragicômica de masculinidade que nunca figurou além de pseudo-masculinidade. A insegurança nesse quesito foi o alicerce pra construir um modelo imaginário que atingisse ainda mais apoiadores, por meio de afinidade com o problema. Agora já não precisava ser apenas bandido fardado pra se sentir pertencente ao grupo de “valores” que Bolsonazi protegia. Se ele figurasse ao lado de amigos condenados por estupro, por exemplo, logo atiçava os olhos de estupradores para se sentirem parte do time. Se ele saía à público pra humilhar mulheres, os machistas erguiam as mãos em saudação à um similar. Se a humilhação fosse pra gays e lésbicas, os homofóbicos (muitos deles, homossexuais não assumidos publicamente e muito mal resolvidos com o tema) batiam a mão no peito de orgulho por ver que alguém os ajudava a encobrir essa condição deles.

Quando figuravam nas notícias as ações de extermínio, estupro, assassinato e desova de corpos, de forma massiva e aleatória por parte dos bandidos fardados da “polícia” e “exército”, uma classe burguesa aplaudia simplesmente por ver que pobres e negros estavam sendo eliminados do planeta. Pouco se importavam que o ideal racista deles fosse um crime triplo de racismo, assassinato e apologia ao crime. Sentiam-se livres pra falar, afinal, dejetos similares já foram falados publicamente em todo canto, repercutindo nas redes sociais. O Brasil se sentiu finalmente bem representado, por uma figura que enaltecesse a elite corrupta, a classe média corrupta que almejava ser rica como a elite e uma classe pobre corrupta, que, enganada pela classe média e pela burguesia, eram a força motriz de suas próprias mortes e desgraças. Nasceu o tragicômico “pobre de direita”, a figura que acreditava que a miséria em que ele estava inserido era culpa apenas dele e que ele poderia sair dessa condição, apenas se esforçando. Ironicamente, nenhum deles saiu da condição de miséria, senão pela corrupção ou outras formas de crime, tal como o exemplo dado por seus exploradores acima.

A elite branca, composta de todo tipo de inúteis que jamais trabalharam na vida, alimentados pela exploração do capital e da força de trabalho alheia, receptores de heranças (incluindo as gordas heranças de militares e antigas famílias beneficiadas por doações de terras pelos governos corruptos das épocas de ditadura militar e monarquia), agora tinham uma marionete útil que lhes servia facilmente. Montados em grandes mídias de pseudo-jornalismo, rádios, canais de televisão e outras empresas de fachada pra extensa e contínua lavagem de dinheiro, puderam investir esse excesso de dinheiro, contra os seus opositores, controlando como e quando as peças do jogo seriam movidas por essa regra mundialmente difundida, chamada ‘poder financeiro’. Cada vez mais tinham a possibilidade do dinheiro comprar decisões favoráveis na “Justiça”, de abafar delatores, de comprar o assassinato de seus opositores, de comprar espaços nas mídias para inserção de seus pontos de vista, de fundar instituições de lavagem cerebral (e também de dinheiro) como as pseudo-Igrejas, que em inúmeros casos estavam atreladas ao tráfico de drogas e armas, evasão de dinheiro pro exterior, acobertamento de estupradores e/ou pedófilos e todo tipo de banditismo esperado por um grupelho de pessoas que viram no Brasil o potencial para montarem em cima da população otária, para usurpar dinheiro e outros benefícios, sem precisarem sequer se esforçar pra isso, já que os próprios explorados estavam cada vez mais mergulhados na chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde passam a admirar e proteger seus próprios opressores.

Com tamanha facilidade da perpetuação do crime, com o tempo a realidade foi se tornando saturada e insustentável, uma vez que todo o massacre gerou também um risco de reação explosiva de resistência. Então encontraram uma solução emergencial que foi o golpe político na democracia, para controlar de vez tudo e todos. Eliminaram a primeira resistência a todo esse entulho, ao inventar um crime para atribuírem à presidente da época, Dilma Rousseff. Sendo claro a inexistência do crime, tiveram que forjar uma análise jurídica do caso, sob os votos comprados na Câmara e dos acordos políticos de bastidores, como sinalizado no áudio vazado das conversas que se tornaram meme na internet falando de “estancar a sangria” por meio de “um grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”. Tempos depois pudemos perceber a aplicação prática disso, ao ver como as estâncias de julgamento do ex-presidente Lula o tiraram da elegibilidade das eleições de 2018, sob a alegação de crime, por meio de uma denúncia forjada, um julgamento comprado e manipulado por interesses políticos, sem nenhum alvo real e concreto em termos de crime e provas, mas que, por meio de um teatro midiático e o apoio da quadrilha Bolsonazi, ficaram validados e cimentados pela corrupção de mídias, políticos, instituições públicas, delatores comprados, delegados e juízes assassinados, além do caso histórico do extermínio de Marielle Franco que, justamente, denunciava a ação criminosa dos bandidos fardados. Pudemos constatar o ocorrido, quando veio à tona recentemente os vazamentos das conversas do “juiz” Sérgio Moro, conhecido como Marreco de Curitiba, forjando o processo e a condenação de Lula por meios de acordos. Graças a mídia “The Intercept”, pudemos ter acesso a essas conversas vazadas comprovando a corrupção que já sabíamos mas aina não tínhamos provas.

O desgoverno chegou ao “poder” e cumpriu o esperado pelos seus idealizadores e financiadores. Entregou o país para os americanos, privatizando tudo o que fosse possível, desvalorizando e vendendo em troca de nada, conferindo um lucro astronômico para acionistas e burgueses de dentro e fora do Brasil, atrelados a esse modelo corrupto de fascismo, conservadorismo, ódio de classes, racismo, neonazismo, machismo, incitação ao estupro, veneração ao banditismo militar e tudo aquilo que cansamos de ver e saber estar atrelado a essa classe que toma de assalto os espaços políticos e públicos pra ganhar uns anos a mais de vida nadando na fortuna que nunca tiveram competência, mérito e coragem de conquistar por meio de trabalho e inteligência. Basicamente um atestado de frouxidão nunca visto antes. O clássico clichê (redundância proposital) da estupidez humana, que, na ganância por dinheiro fácil e diante da barreira de um Q.I. estrondosamente insuficiente para as ações cognitivas mais simples, tiveram que se render ao crime, ao fascismo e a violência para se apossarem do que queriam.

Passaram-se alguns poucos dias da “posse” do desgoverno atual em 2019 e o nível de desemprego aumentou pra números recordes, junto com a taxa de suicídio. A criminalidade disparou, os casos de corrupção aumentaram não só em número de casos, mas em volume de dinheiro envolvido. Somente alguns desses casos já conseguiram atingir o patamar dos trilhões em corrupção. Somados todos, o número seria incalculável para a noção média atual. O Brasil é recordista em arrecadação de impostos, em corrupção, em pobreza, em lavagem cerebral, em sonegação de impostos, em lavagem de dinheiro, em exploração do trabalho, em usurpação do dinheiro em instituições pseudo-religiosas, no tráfico de droga e armas e em qualquer outro crime que você quiser incluir na lista. Somos um pseudo-país, fazendo pseudo-política, para que uma porcentagem minúscula de frouxos seja beneficiada.

Atualmente nossa alimentação está tomada por 269 novos venenos adicionados na agricultura, entre eles diversos que são altamente letais e cancerígenos. Esse veneno está presente inclusive nas torneiras das casas, segundo o mapa da água e tem como objetivo claro e direto, o extermínio da população mais pobre, seguido da oportunidade de lucro fácil em cima de um problema que nunca existiu, exceto como barreira pro banditismo da burguesia. A aposentadoria não será mais possível aos brasileiros úteis, que terão que trabalhar até o dia da morte, já que a idade média de longevidade é inferior à idade estabelecida pela reforma da previdência. Diversas classes especiais de beneficiários da previdência foram simplesmente removidos, mas não por que falta dinheiro para mantê-los e sim porquê o objetivo é explicitamente matá-los depois de escravizá-los ao máximo possível pelo trabalho, com um salário indigno sem direito a nenhuma aposentadoria, enquanto todo esse montante arrecadado pela instituição, é direcionado pra engordar os benefícios já gordos da classe que menos paga impostos no país: políticos, militares, banqueiros, grandes mídias e burgueses em geral. Enquanto o modelo prático é o do dinheiro fácil tirado à força da massa pobre, incitam a população idiotizada a repetir o discurso da meritocracia, a mesma meritocracia que eles nunca irão seguir, até porque sabem tanto que não existe e não funciona, que tiveram que desistir de tentar e se envolver com o crime pra obter qualquer “vantagem” financeira e política.

E é tão somente por toda essa afinidade com o crime, violência, opressão, machismo, homofobia, fraqueza mental, insegurança, masculinidade frágil, Q.I. limitadíssimo e falta de perspectiva pessoal e social, que uma parcela podre da população brasileira apoiou e segue apoiando a quadrilha Bolsonazi, assim como todos os demais grupos sociais que fazem parte, direta ou indiretamente, dos “benefícios” que a quadrilha os concede, por meio de acordos criminosos nos campos políticos, midiáticos, financeiros, militares, etc. Se você, ingenuamente, achou que era por combate à corrupção o ódio dessas pessoas contra as figuras como Dilma, Lula (frequentemente avaliados como Centro-Esquerda ou até mesmo apenas Centro) ou a qualquer figura posicionada no espectro da Esquerda ou em posição qualquer que seja que se oponha à quadrilha Bolsonazi, então lamento pela sua ingenuidade. Não existe bandido ideologicamente convicto que seja contra a criminalidade ou corrupção. Basta ver que, durante o teatro tragicômico que foi a chegada do desgoverno Bolsonazi em 2019, o que não faltou foi notícia de eleitor assumido do quadrilheiro “eleito”, figurando em crimes de tráfico de drogas, assassinato, estupro, sonegação de impostos, desvio de verbas, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e o que mais você quiser listar como crime. Basicamente a realidade é uma só: se foi eleitor de Bolsonazi é bandido ou admira e faz apologia ao banditismo, o que dá no mesmo. Se uma figura que se declara e/ou se alia com neonazistas, homofóbicos, racistas, machistas, milicianos, estupradores, traficantes, estelionatários e afins, discursa na mídia abertamente e atrai o interesse de voto de um indivíduo, então esse indivíduo não se opõem aos crimes por ele praticados, mencionados, aplaudidos, abafados, homenageados, elogiados, ostentados, perpetuados e normatizados. O eleitorado de uma escória desse tipo, torna-se igualmente criminoso por endossar os crimes e por ter uma mente completamente voltada para a validação desses ódios, preconceitos, violências, crimes e fraquezas. O eleitorado que se sente representado por uma escória, vê na figura da escória um espelho, uma identificação.

A boa notícia é que ninguém precisa estagnar a mente e pode melhorar o Q.I. e a conduta, aprimorando sua reflexão, sua moral, sua percepção da realidade, etc. Alguém que passou a vida passando vergonha tentando contornar as fraquezas e incompetências por meio da violência, dinheiro e criminalidade, pode, agora, se quiser, tentar conquistar uma realidade positiva e estável pro coletivo, tentando ser alguém decente, com pensamentos e condutas decentes. O Brasil, na era do governo Lula chegou a ser a sexta maior economia do mundo e agora, somos uma piada internacional, listados abaixo de 250 no ranking. O Brasil não ganhou nada, perdeu tudo e talvez tenha perdido o mais importante: a possibilidade de reverter o quadro à tempo. Os desfechos tristes na economia, no trabalho, na educação, no meio-ambiente, no clima, na previdência, na democracia e na estabilidade mínima social, deram um golpe letal no país que, finalmente, conforme alguns países gostariam que fosse, está sem governo, sem projeto de nação, sem resistência, sem oposição, pronto pra ser entregue e sugado. Sempre que uma ditadura é instaurada no Brasil (mesmo as que são maquiadas de democracia), tenha certeza de que quem financia ela são os Estados Unidos com ajuda dos burgueses do Brasil. É assim que eles chegam no objetivo financeiro e de poder, pra continuarem controlando esse quintal (talvez um mero banheiro de beira de estrada), chamado Brasil, onde eles podem vir, levar todo ouro, petróleo, ciência, tecnologia, recursos naturais, dinheiro advindo da mão-de-obra escrava altamente lucrativa e voltar sem esforço nenhum, sem precisar morar nesse buraco trágico e insustentável.

Pra você que se opõem a quadrilha Bolsonazi e a todo esse modelo sujo e frouxo, cabe a você a ação direta. Nada menos que a ação direta será eficiente ou suficiente. Tudo menos que a ação direta será mera piada entra os cochichos da própria quadrilha que pouco se importa com a repercussão dos estragos feitos e que, com orgulho, ainda anunciam que estão só começando. Se você for passivo demais a ponto de baixar cabeça pra essa escória, então você será parte do problema. Converta seu cansaço dessa situação asquerosa em ação direta engajada, inteligente, consistente, contínua e inegociável. Faça o seu melhor ou sua vida será a pior possível. Uma frase do ativista negro Martin Luther King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Organize-se em favor da liberdade.

Rodrigo Meyer – Author

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Muita demanda, pouca oferta.

O ser humano, geralmente, está em busca de alguma oportunidade de se destacar em uma atividade, mas as pessoas, frequentemente, possuem preguiça ou desinteresse para específicas atividades ou áreas de estudo e, justamente por isso, estas oportunidades sobram pra quem tenha disposição e interesse de ocupá-las. É como diz a expressão: “A preguiça de uns é o trabalho de outros.”.

Quando tive a oportunidade de entrar pra faculdade de Ciências da Computação, foi interessante ver quão poucas turmas e cursos haviam pra esse segmento. A sala começou com mais de 40 alunos e gradualmente foi esvaziando. No final do curso sobraram apenas umas 5 pessoas que se diplomaram e foram elas que colheram os frutos disso, ao poder brilhar em suas carreiras. Da única pessoa que eu conhecia e mantinha contato nessa fase pós-faculdade, sei que a pessoa fez ótimo proveito da carreira. Estudou pra valer, se concentrou no necessário e teve trabalhos interessantes, inclusive com a oportunidade de reinvestir em si mesma para novos cursos, viagens e aprendizados. Em resumo, em uma sala onde nem todos estavam dispostos a seguir naquela profissão ou estudo, alguns estavam e, por isso, saíram na frente.

Mas a vida é múltipla. Quando saímos de uma área ou nem sequer entramos nela, temos a oportunidade de ir pra outra atividade. Contudo, algumas atividades são tão comuns, que estão saturadas. É o caso da área de Direito, onde muita gente se forma, mas a seleção da OAB filtra, por prova, os melhores, justamente pra não saturar o mercado de gente que vai acabar não tendo espaço pra exercer a profissão pretendida. Diversas outras áreas também se tornaram “febre”, por assim dizer, deixando áreas menos comuns com menos interessados e, portanto, com menos concorrência. A concorrência em si não é ruim, mas quando o mercado se satura exclusivamente de umas poucas profissões, isso desestabiliza a sociedade, pois o mundo não precisa só de meia dúzia de tipos de profissionais, serviços ou produtos. Então, a diversidade é mais saudável e útil para a própria sociedade, tanto coletivamente, quanto pelo benefício pessoal de conseguir se estabelecer profissionalmente como indivíduo.

A realização pessoal de muita gente acaba revista quando notam que, embora gostem de uma determinada área, não conseguem sobreviver com a realidade do mercado gerada em um contexto de saturação ou de desvalorização. Ocorre, também, das pessoas terem expectativas muito otimistas sobre determinada profissão ou área de estudo e acabarem frustradas ao descobrir que, na prática, não é tão glamouroso como pensavam. Tudo isso gera uma adequação quase que automática, colocando pessoas indispostas para fora de uma atividade e segurando as que se adequaram. Não há problema algum em se descobrir incompatível ou desinteressado com determinada área. Tudo que temos que fazer é exatamente nos descobrir, pra podermos fazer escolhas mais assertivas. Foi assim comigo quando abandonei a faculdade de Ciências da Computação por ver que não estava apto a lidar com tanta matemática enquanto ainda tinha que tentar absorver os princípios da computação em si. Admiro quem consegue e sigo interessado pela área, mas só volto à mergulhar nela se eventualmente me sentir apto a lidar com a quantidade de matemática que me freou na época.

Ao invés de me sentir frustrado, eu segui para outro curso. Fiz a faculdade de Comunicação Social e realmente me senti entretido o suficiente pra chegar até o final das aulas. Foi uma experiência muito boa pra mim, especialmente pelos professores que conheci e pelos momentos divididos entre as pessoas da época, pelos corredores, bares e casas noturnas. Mas, meu objetivo neste curso, por já ter conhecimento na área, não era ter determinados tipos de emprego como era pra todos os demais alunos. Pode-se dizer que fui a ‘ovelha-negra’ do curso, mas sigo tirando proveito e trabalhando com isso exatamente no espaço deixado pelos demais. Enquanto eles tentam ocupar uma área que, pra mim, era insatisfatória, discordante e saturada, eu escolhi atuar justamente onde ninguém tinha olhos ou interesse: apoiar pessoas, causas e pequenos negócios com ajuda do conhecimento que eu tinha. Apesar de não ter dinheiro pra gerir minhas próprias iniciativas nesses meios, consegui alavancar muito bem minhas mídias e ideias, até o ponto onde elas só não progrediram pra algo maior, por essa barreira financeira. Isso mostra que ocupar uma área onde outros não querem, pode ser bastante próspero, desde que haja suficiente apoio inicial.

Usando um dos exemplos que eu conheço, por conta da minha proximidade com o tema, cito a própria área de programação e TI, onde os salários propostos pelas empresas podem chegar a fantásticos R$ 100 mil reais por mês, justamente porque existe tanto potencial na informática e tão poucos programadores disponíveis, que um salário alto é a forma que encontraram de tornar a área atraente pra que mais pessoas se formem em computação, análise de sistemas ou alguma coisa relacionada a TI, podendo, assim, ocuparem as vagas que as empresas mais valorizam atualmente. Dessa escassez, pode-se encontrar até mesmo oportunidades como ter o curso de faculdade bancado pela empresa que pretende lhe contratar ou mesmo de ter uma vaga de trabalho praticamente garantida já no segundo ano de faculdade. Além disso, inúmeros brasileiros são tentados a trabalhar como programadores no exterior, justamente pelo combo salário + qualidade de vida de determinado país (frequentemente na Europa) ou, então, por poder estar em uma empresa renomada internacionalmente como Google, Microsoft ou Facebook.

É claro que estar ausente desse mercado não é, por si, sinônimo de preguiça. Há pessoas que simplesmente se esforçaram ao máximo pra tentar, mas não conseguiram, por inúmeras razões possíveis. Algumas pessoas não possuem condição de bancar um curso até o fim, outras não conseguem passar na seleção de uma faculdade pública e outras simplesmente podem ter se visto destoantes do tipo de estudo ou realidade de determinada área ou profissão.

Contudo, em várias outras atividades da vida cotidiana, é sim a preguiça de uns que abre portas para outros profissionais. Quando as pessoas não querem ter que lavar a própria louça, o carro ou casa, estão abrindo uma demanda pra que outras pessoas façam isso. Geralmente, em nossa sociedade discriminatória, esses trabalhos são evitados pelas pessoas com mais renda, renegando as pessoas de menor renda a aderirem a esses trabalhos que ninguém quis fazer, por demanda e por falta de capacitação ou espaço pra outras funções. Assim como existem muitas pessoas que ocupam as vagas de diarista, faxineiro, gari ou lixeiro, por exemplo, por não terem estudos suficientes pra pleitear vagas com exigências maiores de formação escolar, também existem as que migram pra essas áreas quando se veem desempregadas nas áreas em  que estudaram e se formaram, seja por saturação do mercado ou por algum revés pessoal. Fato é que, em ambos os casos, onde muita gente não estiver interessada de fazer algo, alguém virá pra fazer. O grande porém é que em países que discriminam as pessoas e os serviços, a remuneração dessas áreas tende a ser precária, como é o caso do Brasil. Em alguns países no exterior, profissões como a de lixeiro são uma das mais bem remuneradas, justamente porque as pessoas reconhecem a importância desse trabalho, cientes de que, sem isso, estariam no caos. Em tais países, existem lixeiros com faculdade, casa própria, dinheiro excedente pra viajar o mundo, etc.

Há muita coisa que é relativamente fácil de se aprender e executar, mas que muita gente evita, por que tem preguiça mesmo. Quando as pessoas não pensam por conta própria, por exemplo, abrem um enorme espaço pra que colunistas de pseudo-mídias ocupem e determinem o que é que as pessoas devem “pensar”, “concluir” ou replicar aos demais como “adequado” ou “correto”. Outro prejuízo se vê quando as pessoas deixam de exercer seu potencial artístico, por exemplo, ficando sujeitas a serem meras fãs passivas de algum artista. Isso não é saudável e, por vezes, pode ser apenas uma forma de você gastar muito dinheiro pra que outra pessoa faça o que você teve preguiça de se envolver. Noto isso em inúmeros casos de famílias que optam abertamente por babás na criação dos filhos, ficando completamente omissas da função na maternidade e paternidade. Consigo entender a inscrição de filhos pequenos em creches ou em  episódios isolados de tutoria com babás, mas se isso é o padrão de uma família na maioria dos dias, certamente comprometerá a relação entre pais e filhos.

Eu, ao contrário da tendência no mundo, sou daqueles que gosta da fazer tudo (ou quase tudo) por mim mesmo. Eu amo limpar a minha casa, organizar as minhas coisas, solucionar um problema do computador, seja em hardrware ou em software, cozinhar pra mim e, eventualmente, pros outros, fazer as compras no supermercado, pagar as contas, me enveredar pela minha expressão artística e literária, ler e estudar aquilo que ainda não domino pra impor, eu mesmo, tais benefícios aos meus projetos e necessidades. Me propus a estudar Idiomas, Culturas, História, Sociologia, Psicologia, noções gerais e básicas de Medicina, Direito e diversas outras áreas do conhecimento. De certa forma, estar ativo em todas essas coisas, pra finalidades pessoais de conhecimento e lapidação, me motivam ao invés de me deixar em preguiça. Aliás, se eu tivesse 8 mãos e estabilidade financeira, faria muito mais. Por vezes, deixei de expandir minhas ideias, simplesmente porque era, no meu contexto, impossível de se fazer.

Mas, a verdade é que eu não tenho como criticar os preguiçosos, afinal é por conta deles que sobra espaço pra que os demais façam algo, criando suas carreiras e tirando seu sustento na vida. É ótimo que o mundo seja diverso, desde que as pessoas sejam conscientes de que quando escolhem não estudar e não fazer as coisas por conta própria, terão que remunerar bem quem remou contra a maré da sociedade e decidiu estudar e fazer tal coisa. Então, é preciso, pra ontem, valorizar os fotógrafos, os cozinheiros, os lixeiros, os designers gráficos, os pintores, os professores, os músicos, etc. Ou seja, se você gosta e precisa de algo que você não domina, terá que valorizar quem domina, senão tal área tenderá a ficar precarizada até sumir ou se degenerar em qualidade. Se você não investe um valor justo pra que um profissional viva dignamente e possa estudar e se aprimorar na carreira pra te oferecer sempre um serviço cada vez melhor, você está, basicamente, plantando uma realidade onde os serviços e profissionais serão cada vez piores e mais raros. E, se eles se tornam piores, não trazem bom retorno pra quem os contrata. No caso de se tornarem raros, podem se tornar caríssimos e restritos somente aos que realmente entendem o valor daquilo, ao mesmo tempo em que podem pagar por tal valor.

Então, para não dar tiro no próprio pé, é preciso saber sustentar uma modelo de trabalho com remuneração justa. A lógica é simples, mas muita gente não tem paciência ou apreço pra se ver diante dessa realidade incômoda todo dia, por isso raramente refletem sobre essa urgência. E, se muitos não refletem, lembre-se, alguém vai ocupar esse vazio e refletir por eles. Espero que tais substitutos sejam sempre pessoas bem intencionadas e capazes, pois, do contrário, o mundo acabará mergulhado em realidades cada vez piores, como ocorre no Brasil, por exemplo, onde empresas, mídias, políticos e personalidades ditam a asneira conveniente que desejam pra manipular e extrair lucro e poder em cima dos incautos na população.

Inclusive, o fato de muitos não saberem diferenciar uma pessoa capacitada e correta de uma fraude é a demonstração de como tal pessoa se absteve tanto tempo da autonomia de pensamento dos assuntos do mundo, que acabou criado e moldado pelos que vieram pra moldar e ditar a realidade trágica dessa pessoa. E claro, entre indivíduos mal intencionados, um dos primeiros objetivos é fazer o público apontá-lo como líder ou referência, assim ele pode continuar controlando as pessoas com a própria aprovação delas. Alguém que vive esse cenário onde é usado e mesmo assim apoia ou defende seu opressor, diz-se que a pessoa tem Síndrome de Estocolmo. Depois de tudo isso, afinal, de que lado você quer estar?

Rodrigo Meyer

O que significa ser libertário?

Ser libertário é ter o pensamento ou a ideologia voltada para a busca e/ou preservação da liberdade dos indivíduos. Exatamente por ter essa premissa de liberdade, que ser libertário não significa deixar livre as pessoas que privam a liberdade alheia. Às vezes, algumas pessoas lançam a ideia de que fascistas ou pessoas em geral que privam a liberdade dos outros, deveriam ter a mesma liberdade de serem e fazerem o que quiserem. E essa tentativa falha de argumento só reforça do porquê fascismo e ignorância são indissociáveis. O fato estrito, simples e direto é que ser a favor de liberdade é exatamente não compactuar com os que se posicionam contra essas liberdades. Fascistas não passarão!

Ser libertário é fruto de uma visão de mundo que nos cobra, automaticamente, uma conduta social bem definida. Uma vez que se entende aquilo que o mundo é, vê-se, também, o que é aceitável e inaceitável em um convívio entre os seres. Sendo o mundo muito diverso, há também diversidade nas composições familiares, na personalidade das pessoas, na formação escolar e educacional, na influência de parentes e amigos, na cultura local, na política, no nível de intelectualidade e de compreensão da realidade e dos assuntos, assim como inúmeros outros fatores que podem transformar um indivíduo em uma pessoa diferente das demais. A única coisa que há em comum em indivíduos mentalmente saudáveis é o desejo natural de manter-se livre. Qualquer desvio do desejo de liberdade já é reflexo de um desvio psicológico, podendo ser originado de algum trauma, complexo ou mesmo confusão decorrente da incompreensão da realidade ou do tema.

Fomentar um pensamento consistente de respeito e bem-estar aos seres, depende, sobretudo, de como as pessoas se apercebem da importância e do significado da própria existência de cada ser e do convívio com outros. Se o indivíduo não estabelece uma conexão mínima de empatia com outro ser, diverge do que é natural e saudável, tanto psicologicamente quanto sociologicamente. Todo estudo que já se tenha feito sobre as relações dos seres, passa, necessariamente, por esse senso de preservação da dignidade, da liberdade, do bem-estar, do direito a vida e ao desfrute de seus potenciais. Qualquer pensamento ou ação que prive os seres dessas realidades natas, compõem uma opressão, um desvio das premissas básicas. Algumas pessoas entendem isso por extensão direta da empatia que possuem e outras, às vezes, tardam a admitir esse impulso natural, precisando do reforço, às vezes, do embasamento lógico e técnico. Mas, de toda forma, ambos chegam a mesma conclusão, pois isso não é questão de opinião individual, mas sim uma premissa natural intrínseca a todos os seres. Exatamente por isso que, indivíduos que figuram em fascismo e opressões em geral, são indivíduos com perturbações e desvios de conduta, de ordem psicológica, podendo ter a origem dessa visão ou conduta em uma variedade de fatores.

Muitas vezes o ser humano adoece de algo chamado ‘hipocrisia’. Podendo se resumir, grosseiramente, como sendo o vício em mentir, a hipocrisia é responsável pela contradição de pessoas que, por exemplo, dizem gostar de animais, ao mesmo tempo em que podem aceitar matá-los para um raso benefício próprio. Nesse caso em específico, entende-se que fatores culturais podem forjar uma naturalidade nesses hábitos coletivos, dando uma falsa sensação de “normal” e “correto” dentro do julgamento que o indivíduo faz de si mesmo naquele contexto. Isso fica ainda mais claro quando olhamos pra história do mundo e vemos que as práticas sociais deploráveis que eram propagadas como “válidas” por determinados grupos, épocas ou governos, só se mantiveram aceitas por outras pessoas, devido a extensa propagação desse modelo artificial como se fosse natural. É exatamente esse o caso de episódios como os raptos de crianças que eram filhos de presos políticos, para serem adotadas por famílias que eram simpatizantes da ideologia dos raptores em questão. Dessa forma, essas crianças eram nutridas com o mesmo vício de pensamento, as mesmas ignorâncias e falácias, preservando, assim, a perpetuação dessa sucessão de adoentados.

É como diz aquela frase: “uma mentira dita mil vezes, se torna uma verdade”. Essa frase refere-se a ideia de que aquilo que se torna tão comum nos ouvidos e na sociedade, acaba não sendo mais refletido pelas pessoas. Tudo aquilo que soa como natural, deixa de ser raciocinado. Ninguém para pra contar quantas vezes piscou os olhos ou qual é o processo específico que faz pra respirar. Tudo isso, por ser natural e intrínseco ao ser humano, é feito de forma automática pelo corpo, não demandando nenhuma interferência do indivíduo. De maneira similar, nas práticas sociais, muita coisa é replicada inúmeras vezes até se tornar tão comum que é vista e aceita sem resistência, sem filtro, sem análise.

Do que conhecemos da conduta humana e da própria história vivida e registrada, o ser humano é facilmente moldado a uma realidade diferente, bastando que seja inserido nesse contexto desde sempre e em um coletivo relativamente fechado e abrangente onde todos ou quase todos seguem, basicamente, o mesmo padrão de “realidade”. Isso é o que explica, por exemplo, as diferenças culturais entre países. Se crescemos em uma família e país onde vestir meias com chinelo é o hábito em comum de todos, provavelmente uma criança nascida nesse cenário seguirá a mesma prática, a mesma tradição. Mas isso não significa, de maneira nenhuma, que as pessoas tenham alguma razão individual pra decisão de usar as meias. Elas podem estar apenas seguindo a tendência coletiva e a tradição desse ato, sem questionar, já que todos que o fizeram, também não questionaram. Mas pra quem não nasceu num ambiente com a mesma influência, o uso das meias com chinelo pode parecer incomum, estranho ou até desconfortável. Tudo é uma questão de hábito e aprovação coletiva.

Sob essas mesmas premissas, um passarinho preso em uma gaiola desde sempre, pode ser levado a acreditar que aquele é o padrão de vida, o ápice de seus potenciais como pássaro. Se ele tem as asas cortadas e é engaiolado, não terá noção do que é expressar-se livremente em voo, pra ser aquilo que ele nasceu pra ser: um pássaro livre, que voa e que expressa seu potencial e sua característica própria. Para o ser humano, não é diferente. Os modelos sociais que privam o indivíduo de sua dignidade, liberdade e potencial, estão transformando esse indivíduo em alguém que pode vir a se acostumar com o padrão estabelecido pra si de pouca valorização. Mas, como o ser humano é um ser inteligente e permeia sociedades próprias que ele mesmo constrói, inclusive em subgrupos dentro de cada sociedade, ele acaba por disseminar reflexões e ideias que recondicionam os indivíduos a refletir sobre suas realidades, seus direitos, suas dignidades, seus valores e potenciais. As ideologias e políticas libertárias carregam exatamente esses objetivos para reforçar os princípios humanos em geral.

Em sociedades adoentadas, “comandadas” e arrastadas por políticos e membros mais convencionais da população, é comum vermos as pessoas desenvolverem uma certa desmotivação, perda da autoestima ou da esperança, sentindo que algo não está tão bem quanto elas acham que deveria estar, apesar de estarem, de certa forma, “acostumadas” com a escassez de vida que lhes cabe. Na verdade essa percepção de incômodo ou de incompletude é justamente a fagulha na memória e no instinto básico humano da busca natural e essencial de valores humanos como a dignidade, liberdade, bem-estar, etc. Se um indivíduo nota que na sociedade existem classes diferentes de pessoas, cabe a este refletir e esmiuçar as origens e motivos dessa diferenciação social. Porque algumas pessoas cometem crimes e ficam impunes e outras são presas? Porque algumas pessoas são mais aceitas nos espaços públicos e outras menos? Porque algumas pessoas recebem mais credibilidade no que falam do que outras? Porque algumas pessoas figuram massivamente nas mídias como exemplo de beleza, sucesso e “positivismo”, enquanto outras não? Enfim, qualquer que seja o viés da observação, é preciso questionar essa distinção e separação de grupos humanos. Quase sempre a origem e motivo disso está justamente nesse padrão de opressão plantado e perpetuado, tentando reduzir certos indivíduos, grupos, ideias ou características, para enaltecer aqueles que fabricam esse modelo artificial de separação.

Da mesma maneira, quando alguém aprisiona um pássaro na gaiola, está fazendo exatamente a mesma coisa, segregando um ser por conveniência própria, para desfrutar de maneira bastante egoísta e sádica, da servidão do pássaro em troca de seu canto ou exposição controlada de sua aparência. Além disso o ato do confinamento reforça a ideia de poder e posse, uma vez que o animal subjugado em uma gaiola é fruto de uma visão distorcida onde a o animal humano exerce domínio sobre outro animal, aproximando pra si um falso crachá de importância, de poder, de posição hierárquica, etc. Há uma frase de Mahatma Gandhi (apesar das polêmicas envolvendo seu nome) que traz uma boa reflexão sobre essa analogia e correlação entre a conduta diante dos animais e os conflitos sociais de humanos contra humanos:

“A grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata seus animais.”

A abstenção da violência, da injustiça e do cumprimento cego das regras e tradições forjadas em sociedade, encaminha o ser humano, naturalmente, pra uma visão de coletividade e liberdade, onde as pessoas possam se tornar aquilo que nasceram pra ser. Mas, como já vivemos em um modelo social que replica muitos equívocos a tanto tempo, precisamos reconstruir na mente das pessoas, essa lembrança do que de fato é real ou não, o que é justo ou não, o que é natural ou não, o que é aceitável ou não. Uma das primeiras coisas que me vem na mente, quando falo nessa reconstrução, é o extenso trabalho que tem sido feito na moderna cultura da Alemanha, para varrer quaisquer possibilidades do retorno do trágico histórico de nazismo no qual o país figurou. O evento mundial que se tornou icônico pela organização, sistematização e frieza das práticas, deixou os próprios alemães envergonhados com o tema. Diante dessa percepção do absurdo, a própria comunidade se organizou para se posicionar de forma eficiente contra o fascismo, o nazismo e os preconceitos em geral. As crianças são ensinadas desde pequenas, nas escolas, sobre as mazelas desse período histórico, além de conviverem com inúmeras políticas públicas de combate e punição a qualquer fagulha de propagação relacionada a esse período nefasto. Determinadas expressões ou gestos, podem conferir prisão aos indivíduos. Felizmente, em um levante épico, a Alemanha pós-guerra conseguiu se reconstruir em um modelo de sociedade altamente receptivo a diversidade, sendo um dos países com maior expressão desse senso de respeito a individualidade humana. Essa mudança de postura em toda uma sociedade, só foi possível graças ao extenso trabalho de combate ao fascismo e a reeducação das novas gerações desde pequenas. Se hoje eles desfrutam de um espaço completamente diferente do período nazista, é justamente pela decisão consciente dos grupos de indivíduos de agir para frear esses desvios de conduta e pensamento das gerações anteriores.

Ironicamente, os Estados Unidos, apesar de ter sido o principal destino de milhões de fugitivos da era nazista, hoje acomoda na sua sociedade uma descontrolada proliferação de grupos racistas, xenófobos e nacionalistas, incluindo a expressão declarada de neonazistas ou de grupos específicos como a Ku Klux Klan. Essas contradições culturais  talvez se expliquem exatamente pela ação e inação a cada um dos países. Enquanto na Alemanha pós-guerra se tentou combater os problemas, nos Estados Unidos, parece ter havido uma ação menos engajada e mais flexível, provavelmente devido ao modelo de leis que dá brecha para disseminação de discursos e ideologias de ódio, na tentativa ilusória de que essa liberdade de expressão inclui qualquer expressão. Esse equívoco básico com um desfecho prático trágico, demonstra exatamente porque ser libertário não significa, de maneira nenhuma, ser permissivo com quem é contra a liberdade. O combate aos opressores e aos que lutam por ideologias de combate a liberdade humana, não podem estar livres para tal. Se queremos liberdade, devemos apoiar a liberdade e não o oposto dela. Ser permissivo ao fascismo e as demais opressões, não é reflexo de liberdade, sendo, apenas, o oposto deste objetivo. Entender essa lógica básica foi o que ajudou determinadas culturas e países a praticamente extirparem do seu meio os conflitos e preconceitos humanos, criando um ambiente mais próximo da liberdade e do bem-estar, afinal era esse o objetivo sincero por trás da iniciativa e é esse o desejo humano em essência, desde que ele esteja mentalmente saudável.

A luta pelo avanço das mídias e ideologias de combate ao fascismo ainda tem um longo percurso pela frente, mas já está bastante estruturada no mundo inteiro, de forma muito bem embasada e com amplo apoio popular. A cada dia que passa há menos espaço para o fascismo e ecoa cada vez mais alta a ideia de que fascistas não passarão! Diferente das divergências mais superficiais de gostos ou preferências, o combate ao fascismo é uma premissa que toca a essência do ser e, por isso mesmo, é algo que abrange facilmente todas as culturas e indivíduos, pois para a vida dos seres não há fronteira. Princípios humanos continuam sendo princípios em qualquer lugar do mundo. Aqueles que ainda figuram em opressão e desvio de conduta nesse sentido, enquadram-se tão somente em uma fatia social já classificada, já compreendida como falida, fracassada, adoentada e estúpida. O único caminho que o mundo saudável e instruído propõem a estes grupos adoentados é o remédio da reeducação pela informação e/ou a demonstração clara e objetiva de que tais indivíduos não serão tolerados livremente nos meios de convívio, enquanto insistirem na propagação dessas fraquezas. O mundo é daqueles que evoluem. Quem se acomoda na ignorância, colhe os efeitos disso, permanecendo marionete de outros, passando vergonha, perdendo tempo, felicidade e bem-estar. O que pode ser mais doentio do que atirar no próprio pé e sentir orgulho disso? Reflita.

Rodrigo Meyer

Quem vigia os vigilantes?

É preciso estar sempre atento. O mundo, geralmente, não é um lugar fácil e amigável. Perigos, desvios e infelicidades estão em toda parte. Sabemos disso, vivemos isso. Enquanto um problema ocorre, supostamente estão trazendo uma “solução”. Vigiando, observando, reprimindo, controlando, colidindo, anulando.

Incautos ou mal intencionados divulgam ao mundo que a segurança e o bem-estar está nas mãos de quem nos vigia. É conveniente a alguns alucinar a mente de muitos com tamanha inverdade. É a forma que encontram de tentar dizer que Síndrome de Estocolmo é arte e que você precisa fazer parte. E se você não tomar cuidado, não tiver discernimento e mente forte, te levam embora a responsabilidade, o discernimento, a liberdade e seu passaporte.

Vamos pegar um exemplo e chamar o protagonista de um evento, sob um nome inventado. ‘Pedro’, por exemplo, um sujeito pouco instruído, apesar de sua pertença a um grupo escolar privado. Sonha em ir e vir com liberdade, aplaude quando vê outra pessoa vitimada pela violência de um fardado. Acredita estar expressando solução por meio desse apoio, mas se esquece de conhecer a verdade por trás de tal ação e afirmação. Ou, ainda, exatamente por já conhecer, evita admitir o teor de suas ideias alicerçadas em discurso de ódio pelas classes sociais ou simplesmente pelas oposições ideológicas.

Pedro, essa pessoa que alucina ser um conhecedor da realidade, sente-se superior o suficiente pra desejar pertencer a fileira dos fardados. Mas, antes que concretize seu sonho nefasto, é morto com um tiro na nuca exatamente por um daqueles que antes elogiava. O motivo do crime é claro: em um ataque surpresa, correu de medo e foi lido como bandido. E como em terra onde a lei não é respeitada, bandido fardado mata porque disparar um tiro é muito fácil, muito aceito, muito barato, muito praticado.

Pedro se sentia inocente e aprendeu que inocência não é suficiente pra não ser assassinado. Queria ir e vir, mas se esqueceu de que apoiou o grupo errado, o grupo da chancela, do crime e da morte repetitiva pelas ruas e ruelas. Pedro não tinha vivência suficiente ou será que Pedro estava cegado pelo ódio? Um pensamento curto, uma mente pouco alimentada, ausência de sentimento, pouco entendimento político, social, cultural e humano. Cuspiu tantas vezes naqueles que traziam algo pra lhe ensinar que se distanciou de qualquer ajuda que pudesse impedi-lo de morrer assassinado pelos seus próprios admirados.

Não foi traído, pois em nada disso deveria estar surpreendido. Pedro estava apenas muito iludido, acreditando que a exceção aconteceu, quando nada daquilo era improvável. Era só a realidade, que tantos outros passam diariamente e Pedro os rebaixava ainda mais. Agora é tarde pra chorar, Pedro. Com alguma sorte, sua família, absorverá o fato de que pra não sofrer injustiça, não se pode dar o braço a torcer pra nenhuma quadrilha. Quando você apoia a opressão na sociedade, você precisa se lembrar que dela você também faz parte e nela também poderá ser vítima. Lição dada é lição pra ser estudada. Não passe reto da informação quando encontrar a próxima oportunidade ou desviará de toda dica só pra chegar precocemente ao fim da vida.

Existem muitos Pedros pelo mundo, muita gente que deturpa a realidade por conveniência, por desejo de oprimir, por ódio, vingança, covardia e ignorância. Há Pedros em todas as classes sociais, em todas as cidades e países do mundo. Há sempre um Pedro desinformado, mal intencionado ou com a mente distorcida por conta de um trauma mal trabalhado ou a aceitação frágil da repetição criminosas que moldou seu pensamento. Nascem Pedros todos os dias, nas escolas, no meio das ‘tradicionais’ famílias. Há Pedros, Anas, Paulos, Joanas e Pedritas, sempre dispostas a alimentar o próprio caos e fugir da atitude certa de buscar ajuda pra mente corrompida.

Pedro, saiba que há solução. A ajuda que você não teve, tantos outros não tiveram. O mundo se desvirtua pra violência e opressão não por escolha, mas quase sempre por uma situação similar a sua, quase sempre pior em gênero, número e grau. Não importa, a princípio, como, mas é preciso saber que sempre há uma raiz pra todo mal. Se você quiser entender quem é, o que pensa, porque pensa e pra onde vai, terá que dedicar um pouco mais do seu tempo, abrir sua mente, conversar com gente decente, ter humildade pra se deparar com o diferente e se esforçar pra compreender mais fundo do que as falácias plantadas nos jornais.

Fique ligado, não se deixe ser manipulado, não dê fama e visibilidade pra pessoas e conteúdos que não estão verdadeiramente lutando do seu lado. Não pense que é tão simples ser bem-visto, acreditado e respeitado. Quem já descartou ‘direitos’ e ‘humanos’ do dicionário não estará preocupado com seus direitos, porque não te enxergará como humano nem aqui, nem quando você você virar só mais um nas estatísticas. Se você se julga diferente e superior a outras vítimas, você acaba de assinar autorização pra continuar a estar sob risco.

Pedro queria ir e vir com liberdade, mas seu medo e seu ódio irracional o fez apoiar os vigilantes. E quem vigia os vigilantes, Pedro? Em um lugar como o Brasil, não se pode dar tanto apoio e poder pra quem está como vigia mas deveria estar como vigiado. Se não quiser ser enganado outra vez, precisa tirar o cabresto, pra conseguir prestar atenção no que acontece do seu lado. Espero ter ajudado.

Rodrigo Meyer

Sempre tento imaginar a vida das pessoas que vejo na internet.

Não sei bem se isso é um exercício de imaginação, se é mania de autor das áreas criativas ou se é apenas um grande devaneio derivado de nossos micro-preconceitos. Deixe-me explicar. Eu não faço associações de valor às pessoas, mas tento imaginar o que há de vida e personalidade por trás daquelas fotos, nomes ou contextos expostos na internet. Muitas vezes eu até acerto, mas tem vezes em que eu sou surpreendido.

Às vezes vejo, por exemplo, uma pessoa sem foto no avatar do Facebook, um nome inventado que floreia demais ou faz menção à animais. É suficiente pra eu já imaginar uma pessoa de mais idade, talvez lá pelos 50 ou 60 anos, vivendo sozinha e meio entediada, atrás de jogos de navegador e dicas de culinária.

Mas, de onde saem esses “achismos”? A verdade é que são apenas imaginação e não tem nenhum compromisso com a realidade. Pode, eventualmente, ser o caso de algumas dessas pessoas, mas não existe, claro, uma relação direta entre as características do profile com o estilo de vida.

Outras vezes, vejo pessoas ostentando títulos junto ao nome, tal como cargo, profissão, hierarquia ou mesmo símbolos e termos que referenciam à pertença de uma organização, instituição ou qualquer coisa que seja. Nesses casos, vou ter que admitir, acho, quase sempre, patético. Lamento se esse é seu caso, mas a sensação me veem automaticamente e quando penso nos possíveis porquês das pessoas escolherem conscientemente usar aqueles artifícios nos nomes, só consigo pensar em poder e status. E, pra mim, essas duas coisas são um câncer inútil em nossa sociedade.

Veja que, querendo ou não, somos levados a pensar sobre o que vemos. Às vezes nosso referencial não é baseado em nada concreto e outras vezes é um parecer mais embasado. Claro que, como se vê, isso faz toda diferença. Mas as duas coisas ainda são coerentes e aceitáveis, pois apenas expressa a imaginação sobre as possibilidades de algo. O que seria ruim mesmo é um terceiro tipo, onde olhamos pra algo e fazemos juízo de valor, como, por exemplo, dizer que determinado fenótipo, etnia, gênero ou classe social corresponde ou não a valores sociais como honestidade, cultura, intelectualidade, generosidade, beleza, mérito, etc. Isso não é aceitável, nem condiz com a realidade. E justamente por eu não padecer desse malefício é que, talvez, eu fique fazendo tantos cenários de imaginação sobre aquilo que me surge pela frente.

Eu me permito fantasiar um pouco sobre como são as pessoas por trás da internet ou mesmo os anônimos que observo pela rua. Geralmente, nada sei sobre essas pessoas e, com base nas minúsculas pistas que escapam pelo caminho, eu tento montar esse quebra-cabeça. Não é uma tarefa fácil, mas eu gosto de tentar. Muitas vezes, conversando com as pessoas por um messenger, e-mail ou mesmo num post de rede social, eu fico pensando no ambiente em que essa pessoa estaria, qual estilo de roupa tem, que músicas estaria ouvindo, o que estaria comendo ou bebendo. Nada disso é realmente muito útil pra definir a realidade de alguém, mas não posso evitar.

Também faz parte de mim, imaginar a voz dessas pessoas em tempos onde já quase não conhecemos muita gente pessoalmente e mesmo com os áudios dos eletrônicos não temos garantias, pois a distorção e os ruídos são suficientes para transformar qualquer estilo em qualquer outro. A imaginação, sabendo dessas limitações todas, se vê ainda mais útil pra esses momentos e torna a viajar longe, pensando até mesmo no passado e futuro dessas pessoas. Às vezes me contam histórias de infância ou de pequenos causos do dia-a-dia e eu tento compor toda a sequência visual dos fatos.

Talvez eu devesse mesmo trabalhar com cinema. Por diversas vezes me realizei fazendo descrições minuciosas e longas pela Literatura em dramas ficcionais. O simples fato de poder imaginar já me coloca em estado de intensa imaginação. Não posso atestar que eu seja uma pessoa ‘criativa’, mas sei que, bem ou mal, imagino muito tudo e todos. Tenho em mim uma certa tendência e facilidade para a visualidade das coisas. Isso deve ter relação com a minha característica de memória fotográfica e também do meu apreço pelas artes visuais em geral.

Eu sempre estive atrelado a Desenho, Pintura, Arte Digital, Fotografia, Design, Comunicação Visual e várias outras coisas relacionadas à estas atividades, onde tive contato menos direto, como foi o caso da maquiagem, figurino e cenografia que eram muito necessários pro desenvolvimento de Ensaios Fotográficos. Depois de mais de 15 anos como fotógrafo, acho que ainda me vejo preso à essas realidades visuais. Mesmo quando escrevo, é um ato visual na minha mente. Claro, que, ao transpor pra escrita, estou também trabalhando intensamente sobre esse formato específico de linguagem, mas, toda a origem do que eu levo pros textos, quase sempre está no visual imaginado ou das memórias visuais.

Eu não sei dizer se isso é comum ou se é apenas uma característica de uma fatia da sociedade. Tudo que sei é que sou assim e não consigo deixar de ser. Todas as vezes que tentei absorver a realidade por outras maneiras, me via atravancado e sem gerar nada de satisfatório. E, como diz o ditado, não se mexe em time que está ganhando.

Com essa consciência sobre como eu olho o meu redor, brota, de vez em quando, a dúvida sobre como as pessoas me enxergam por esses filtros todos. O que será que meu nome suscita para elas ao se depararem comigo pela internet? Qual é a sensação que passa meu rosto, meus traços, minhas roupas e minhas expressões faciais? Minhas profissões impactam de que maneira sobre as conclusões que tiram de minha personalidade? Como é que seremos enxergados nessa teia de desencontros se tudo que temos é ilusões, deduções, expectativas, idealizações, preconceitos, imaginações, superestimações e subestimações?

Eu confesso que não me importo muito com essa limitação das pessoas. Geralmente elas quebram a cara sozinhas, pois quando validam essas crenças antes mesmo de saber, acabam por fazer isso também com as pessoas que elas julgam melhores e que não necessariamente são. Assim, paga-se o preço pelo achismo, independente pra que direção apontem. Em contrapartida, quando as pessoas se permitem descobrir ou redescobrir algo ou alguém, aí começam as verdadeiras possibilidades na vida. É somente assim que teremos informações mais sólidas sobre quem é que está por trás de todas aqueles substitutos visuais, textuais, simbológicos, etc.

Além da questão óbvia levantada sobre conceitos e preconceitos, é interessante emergir uma questão nessa temática que é a capacidade criativa das pessoas e a habilidade de traduzir realidades ou significados em imagens, símbolos, textos, nomes, etc. Por muito tempo meu trabalho como fotógrafo ao atender os clientes antes de agendar o dia em si da sessão de fotos, era tentar compreender o estilo e personalidade dessas pessoas para adequar sugestões pras fotos em termos de iluminação e cenário, como também ajudar na escolha dos figurinos e um pouco das expressões e poses.

Acredito que se formos bons construtores de mensagens, facilitaremos pra que a decodificação delas seja mais fácil e agradável. Esse é, provavelmente, o mais importante papel de um autor, seja nos textos, na Fotografia, no Design, Cinema ou em qualquer outro espaço de comunicação. O ser humano é um ser social e, como tal, vive muito pela comunicação como ferramenta de intermediação entre ele e os demais. Desde as pinturas rupestres, os gestos, olhares e sons, até as versões mais complexas da modernidade, estamos sempre em constante busca pela assertividade na nossa expressão e compreensão no meio social. Precisamos sempre questionar o poder e função da comunicação humana e dos respectivos poderes psicológicos e biológicos.

Hoje eu tô inventivo, com pinta de filósofo, bem-humorado e com disposição pra aguentar mais incertezas do que normalmente já aguento. Vamos fazer disso um bom momento pra arrastar novos temas, explorar parágrafos fora dos temas propostos e deixar o DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) escalar o Everest. Até breve!

Rodrigo Meyer

Maiorias e minorias.

Há quem ache que quantidade é sinônimo de qualidade. E isso está bem longe de ser verdade. Grandes grupos sociais podem incluir ou não valores e pessoas de qualidade, independente de quantos sejam no total e quantos sobrem ao final com o filtro da qualidade. A qualidade é um aspecto que quase sempre tentam relativizar, por exemplo, atribuindo ela pro que se faz e não atribuindo pro que os outros fazem. Dessa maneira, por exemplo, os violentos acreditam ter qualidade apenas por assim serem, como forma de tentar justificar essa fraqueza.

Em todas as épocas, maiorias tentaram combater minorias por interesses sórdidos na política, na invasão de territórios, no extermínio de etnias, na escravização de povos, nos boicotes de outros modelos sociais, etc. O resumo máximo que se pode fazer sobre o tema é dizer que as maiorias, em muitos casos, são apenas uma maioria de medrosos e incapazes tentando se resguardar atrás de um coletivo numeroso pra não ter que lidar com suas próprias fraquezas individuais. Você não verá uma pessoa bem-resolvida se importar com o que outras pessoas estão sendo ou fazendo, desde que essas outras pessoas não estejam tirando a liberdade de ninguém. Somos todos livres e só não merece a liberdade que tenta tirar a de qualquer outro. Regra simples de convivência social.

Analisando o conflito de certas pessoas com certas minorias, é fácil ver que, geralmente, o desprezo por tais minorias vem de alguém que olha pra essas fatias sociais e se incomoda com o quanto os indivíduos dessas minorias conseguem ser relevantes, corajosos, vivos, persistentes e influentes, apesar de toda repressão, apesar de toda sociedade, apesar de todos os pesares. Inconscientemente invejam também a liberdade e ousadia que estes possuem em se assumir enquanto os fracos se incomodam até com o que o outro está sendo e fazendo dentro de algum tema ou setor na vida.

Em uma sociedade em que maiorias estão acostumadas com padrões plantados, é fácil ver como as pessoas se apegam à esses padrões como um porto seguro, um parâmetro confortável que lhes dita como proceder, ser, viver, vestir, pensar, agir, do que gostar, o que comer, como trabalhar, etc. Coitados os que vivem nessa fraqueza patética. Vemos, por exemplo, homens inseguros sobre suas próprias sexualidades, constantemente se agitando contra qualquer outro que não esteja formatado pelos mesmos moldes que ele, com a mesma orientação sexual ou concepção de gênero, pois, para o inseguro, tudo que estiver fora dos moldes ele não sabe lidar, lhe parecendo algo muito ousado, forte demais pra quem é apenas um robozinho acovardado e com preguiça mental e espiritual de existir em plenitude.

Com medo de serem tachadas de qualquer coisa diferente, a maioria das pessoas evita as possibilidades, como se o diferente fosse ruim. Coitadas dessas pessoas mal-resolvidas que transpiram montanhas de patetice por questões tão naturais. Certamente você já viu alguém assim, afinal eles estão em toda parte, já que são maioria atualmente nas sociedades. É o homem que não se atreve a ter cabelos longos, com medo de ser tachado de feminino (algo que pra estes é terrível) ou a mulher que evita os cabelos curtos com medo de ser tachada de masculina (como se masculinidade ou feminilidade estivessem no cumprimento do cabelo). É aquele rapaz inseguro que não consome nada de cor rosa porque acha isso inapropriado para homens. São as pessoas que acreditam fervorosamente que tatuagens são sinônimo de má índole, mas que, ironicamente, é a índole de quem pensa assim que tá ruim.

“Quando a educação não é libertadora, a vontade do oprimido é de ser opressor.” – Paulo Freire

Podemos ver claramente que a pressão social nas massas privou os indivíduos de se expressarem com liberdade e lhe impuseram restrições sexistas, machistas, padrões corporais, moldes de pseudo-religiosidade, falsos valores e a ilusão de status inventado para profissões, graduações escolares, posses materiais e tantas outras coisas. Tristes robôs obedecendo e repetindo regras inúteis.

Ao se sentirem podados de suas próprias expressões naturais, os acovardados que não se rebelam contra essas privações, dividem-se em dois grupos. Uma parte é composta de indivíduos que se privam dessa expressão, vivendo enrustidos ou escondidos do resto da sociedade e outra parte é feita de indivíduos que, de tão inseguros com o tema, não se permitem nem questionar suas próprias realidades e, por isso, passam a vida tentando negar suas realidades e, por isso, precisando se reafirmar dentro dos padrões da maioria pra convencerem a si mesmos de que não são e não precisam ser aquilo de que não conseguiram lidar sequer no campo das ideias. Se possuem demasiada fraqueza de se questionarem e/ou se assumirem homossexuais, por exemplo, às vezes acabam se forçando à uma heterossexualidade falsa apenas pra não ter que lidar com o tema da homossexualidade em si mesmos. E como essas reafirmações são fruto apenas da insegurança, elas são feitas de maneira bem desproporcional e doentia. É assim que nascem os estereótipos patéticos de homens com postura sempre séria, atitudes violentas e machistas, com culto excessivo à características tidas como ‘masculinas’ na sociedade (cabelo curto, músculos desenvolvidos, conduta rude, etc).

E os padrões estão em tudo. Minorias religiosas sempre foram um incômodo pra quem era da maioria e estava mal-resolvido em suas próprias “escolhas” de religião. Também sempre foi assim com ideologias políticas, com hábitos de consumo, com posições sociais, profissões, etc. No fundo, o conflito interno das pessoas é, claro, somente delas. São elas que estão mal-resolvidas com o tema. Quem está satisfeito consigo mesmo não vê necessidade de se explicar o tempo todo e, por isso, quem está sempre em conflito com os livres está, afinal, em conflito com a liberdade. Assim que tiverem uma relação melhor com a liberdade, aceitarão ela como um caminho pra suas expressões e vivências.

O ser humano que se permite experimentar, pensar, refletir, se colocar no lugar de outros, ver possibilidades e dividir espaço com outros temas e realidades, mostra-se equilibrado, seguro de si, afinal sabe que se abrir pra análise e divisão do espaço com qualquer outra pessoa livre não o ameaça em nada. Somente o inseguro não tem essa segurança diante do diferente, das minorias, das coisas novas ou fora dos padrões. Quem facilmente se arma contra as coisas, está se sentindo constantemente ameaçado pela presença delas. E isso é a definição de estar mal-resolvido e inseguro.

Monstros imaginários são criados todos os dias por quem não sabe lidar com o natural. Para quem não tem coragem, um gato inofensivo parece um leão psicótico. Para quem nunca se permitiu olhar ou questionar sua própria sexualidade, a sexualidade dos outros parece ser vista com a mesma distorção. Algo inofensivo soa assustador e incômodo pra quem foi fraco demais pra lidar com a temática dentro de si mesmo. Mas há uma boa notícia nisso tudo: essas fraquezas podem ser revertidas e tratadas. Busque ajuda profissional de um terapeuta ou psicólogo / psiquiatra pra rever quais fatores te levaram a esses traumas e acovardamentos diante de tema tão simples. Ou faça uma análise sozinho e reveja suas realidades internas até conseguir lidar bem com elas.

Às vezes essas posturas exacerbadas diante dos temas são reações por ter medo de ser julgado. As pessoas sabem que a sociedade julga, pressiona e cobra, então, muita gente, com medo de ser excluída ou destratada, inconscientemente se molda aos padrões que são aceitos, com objetivo de garantir que estarão seguras e acolhidas diante da sociedade. Esse comodismo custa a liberdade de expressão, custa sua realização como pessoa, custa a sua felicidade e custa, infelizmente, os direitos e segurança de todos os outros que, mesmo se tiverem força e coragem de se apresentarem como minorias, precisarão lutar com barreiras que as maiorias mal-resolvidas criaram de forma doente e, portanto, desnecessária.

Reveja seus conceitos e se fortaleça por dentro, pois não há músculo, arma ou colete que preencha a falta de coragem de encarar o verdadeiro inimigo: você mesmo e seus monstros imaginários. Enfrente seus demônios internos e verá que ruim mesmo é permanecer na fraqueza sem necessidade. Se achar que não tem as ferramentas certas ou a energia necessária pra buscar resolver-se internamente, conte com ajuda de outras pessoas.  Já antecipo, contudo, que, possivelmente, essas ajudas estarão pelas palavras, ações e trabalho de pessoas vinda das minorias da vida, afinal, prestar não está na moda há muito tempo e se você quer se livrar da mesmice doentia das maiorias mal-resolvidas, terá que buscar ajuda fora delas.

Se você faz parte de certos padrões sociais, mas está bem-resolvido sobre isso, fique tranquilo que o objetivo não é e nunca foi converter ninguém à nada, mas apenas resolver os que estão mal-resolvidos. Ninguém quer transformar carros em bicicletas, nem bicicletas em carros. Apenas queremos que bicicletas sejam bicicletas, sem pressões sociais pra que sejam carros e que carros sejam carros sem pressões sociais pra que sejam bicicletas. Em resumo, seja você mesmo, se expresse, se manifeste, exista e persista. O que é natural vai sempre existir e o que tem que ser destruído é a fraqueza humana, a mentalidade tacanha, o cabresto, os moldes sociais forçados, os monstros inventados, as violências desnecessárias e o medo de viver livre e bem sendo quem se é. Muitas prisões já se fantasiaram de liberdade e é fácil ver isso até mesmo pelas contradições entre símbolos promissores e opostas realidades.

Rodrigo Meyer

Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer