Nem tudo é comércio.

A imagem que ilustra esse texto é uma arte feita a partir de uma fotografia que, por sua vez, foi marcada como livre pra utilização, segundo os filtros de pesquisa de imagem do Google.

Grande parte do mundo enfrenta uma significativa proximidade com a pobreza, ficando em uma busca constante por oportunidades e melhores condições. É natural que as pessoas estejam interessadas em trabalhos e fontes de rendas que sejam uma janela aberta para a solução de suas necessidades. A maioria das sociedades enfrenta uma desigualdade social gigante, o que dificulta o acesso à todo tipo de bens e serviços, incluso o acesso à cultura, ao lazer, a educação, etc. Como resultado disso a internet se tornou, assim que foi possível, num aglomerado de usuários disputando espaços de lucratividade.

Em princípio, imaginarmos a internet como estrutura, pode parecer algo muito positivo, cheio de oportunidades de comunicação onde as pessoas teriam, teoricamente, um mesmo nível de acesso à todas as informações, jogos, notícias, meios de troca de mensagens e tudo o mais que pudesse ser imaginado e adaptado pro formato digital. Se inicialmente éramos apenas leitores de grandes portais de notícias, com o tempo pudemos criar nossos próprios sites. De espectadores de áudio e vídeo nos tornamos criadores desses conteúdos. Era tudo pelo entretenimento. Pagávamos a internet para usufruir desse prazer de nos divertirmos no final do dia.

Mas, se todos nós queríamos passar tempo absorvendo esses conteúdos online, então estava gerada a demanda pra que tudo isso virasse um produto à ser oferecido. Apenas os banners de propagandas já não eram mais suficientes para quem entrava nesse modelo de negócio. As assinaturas de conteúdos especiais ou de acesso à sites pagos vinham se tornando a opção de muita gente ganhar dinheiro com a internet. Mas, para se criar um site dessa complexidade, exigia um grande investimento que o usuário comum não podia fazer. Levou tempo até que as pessoas migrassem da internet discada para o padrão atual. As velocidades foram crescendo de tempos em tempos e isso permitiu fenômenos como, por exemplo, assistir vídeos longos no Youtube ou fazer upload de fotografias em boa qualidade, programas de rádio e muito mais.

Passar tanto tempo assim produzindo e editando todos esses conteúdos se tornou uma atividade desgastante buscando por alguma recompensa. As pessoas podiam ganhar alguma visibilidade, se viralizassem algum conteúdo, mas, claramente, a recompensa financeira se tornou a principal meta, já que esse tipo de atividade era tão trabalhosa quanto qualquer outro trabalho convencional. A princípio as pessoas tentaram se manter por meio do comércio paralelo. Se tinham, por exemplo, um blog ou canal de vídeos, a fonte de renda pra essa criação de conteúdo seria um outro trabalho vinculando a mídia à algum pequeno comércio. Há bons anos que isso já ultrapassou até mesmo os modelos de comércio offline. Hoje em dia, vender na internet é tão natural que o incomum mesmo é o comércio físico pela cidade.

Mas, existe um problema nessa história toda. Assim como na vida offline, não é possível que toda a sociedade se torne comerciante, pois outras funções são necessárias. O que a internet faz é passar a impressão de que qualquer um que tenha acesso à internet tenha a oportunidade de se tornar mais uma pessoa à lucrar com ela. Se antes, na era onde a televisão predominava, as pessoas não costumavam sonhar em participar dos conteúdos da televisão, com a internet elas se sentiram aproximadas, de igual pra igual, com todos os demais criadores de conteúdo, comerciantes, celebridades e afins. Até mesmo a política tomou outros rumos por conta da internet e das redes sociais. Nos imaginamos parte dessa sociedade digital, apenas por termos acesso às plataformas de criação e interação. Mas, será que somos todos criadores?

Quando o Youtube nos mostrou os primeiros famosos a pagarem suas contas estritamente com os lucros obtidos na plataforma, toda a sociedade desejou fazer parte dessa realidade também. Era a promessa aparente de que, se alguém conseguiu, todos poderiam conseguir. Mas, muitos usuários não se aperceberam que, assim como na vida offline, a sociedade é sempre marcada por contrastes. Em especial pelo capitalismo, não existe forma de que, nesse sistema, todas as pessoas alcancem o mesmo sucesso, justamente porque o sucesso de uma minoria é conseguido pelo aproveitamento de uma massa de outras pessoas que estarão lá pra consumir e elevar aquelas minorias, enquanto todo o resto permanece invisível ou com baixíssima visibilidade. A ideia de que há espaço pra todos na internet é um mito. Eu adoraria, de verdade, que isso fosse real. Mas isso é tão inexistente quanto a meritocracia dentro ou fora da internet. Acreditar que basta nos esforçarmos pra alcançar nosso lugar ao sol é desconsiderar todo um sistema que é construído pra funcionar de maneira completamente diferente.

Quem realmente ganha muito dinheiro com a internet são as próprias plataformas que lucram com o conteúdo criado pelo usuário até mesmo quando nem ele mesmo ainda pode lucrar. Plataformas como o Youtube, por exemplo, veiculam anúncios em vídeos de canais que ainda não cumpriram os pré-requisitos para serem monetizados. Além disso, quando finalmente começam a monetizar, grande parte desse dinheiro fica com a própria plataforma, deixando o usuário apenas com uma parte do lucro obtido por seu trabalho. Exatamente como ocorre fora da internet, tudo que produzimos é a base de todo o lucro para as empresas, mas o valor devido aos verdadeiros trabalhadores é infinitamente menor e desproporcional. O trabalhador tudo produz, mas não tem direito pleno aos frutos do próprio trabalho, simplesmente porque uma minoria já muito rica, domina os meios de produção (as plataformas, no caso) e mantém o trabalhador mais próximo de ser um mero usuário sem poder de compra ou decisão, do que um verdadeiro trabalhador que domina os rumos do seu próprio trabalho.

Uma vez ciente de tudo isso, podemos agora refletir sobre a terrível tendência que assola o mundo digital. As pessoas se apercebem dessa miséria e desemprego tanto fora quanto dentro da internet e, muitas vezes, passam anos trabalhando de graça, enriquecendo outras pessoas, na esperança de que um dia elas tenham a sorte ou o milagre de serem amplamente reconhecidas diante do grande público. Embora isso seja sim uma possibilidade, ela não é o padrão, mas a exceção. A maioria das pessoas não chegarão aos mesmos patamares de fama e lucratividade, por mais que elas se esforcem pra isso. Simplesmente a equação não fecha. Não existe como cada uma das mais de 7 Bilhões de pessoas do mundo consumirem, sozinhas, 7 Bilhões de conteúdos diários, semanais ou mensais, para que todas elas recebam os lucros advindo das propagandas visualizadas ou das formas derivadas de comércios dessas mídias. É exatamente por isso que existem muito poucos canais na televisão aberta e muito poucos canais de sucesso na internet. É natural que algumas mídias se tornem icônicas e mais famosas que outras, conforme uma série de contextos. Quem conquistou um espaço de destaque na rede e fez algum dinheiro com isso, teve mais tempo e dinheiro pra investir na própria mídia e a cada vez que se tornava mais famoso com um grande número de espectadores, mais recebia atenção e patrocínio de anunciantes interessados em pegar carona nessa fama.

Um anunciante que pretenda tornar seu produto ou serviço visto e desejado por milhões de pessoas, vai escolher justamente as mídias que já alcançaram essa rara fama e vão se manter sempre em torno dos mesmos nomes, conforme a posição no ranking de público. É pura questão de comércio e lucro entre os grandes. Quanto aos pequenos, aos anônimos e aos invisíveis, é dada a ilusão de que podem tentar. E como tentam. Tentam todo dia. Passam a vida desviando de coisas mais concretas, à espera de uma mudança repentina no futuro. Não quero menosprezar o talento e o esforço de ninguém, mas é matematicamente certo de que não haverá vitória pra todos nesse tipo de sistema. E, o que vejo, infelizmente, é muita gente se apercebendo disso, porém tomando decisões pouco sensatas para desviar desse problema. As pessoa começam produzindo um certo conteúdo e quando descobrem que aquilo não dá os frutos pretendidos, começam a apelar para um comércio desenfreado. Vende-se tudo que possa ser desejado e precificado. Vendem os cliques, os comentários, as oportunidades de parceria numa live, a indicação de um simples link para outro artista, músico ou pintor. É tudo sempre uma relação comercial, nunca uma interação sincera e espontânea.

A internet se tornou completamente artificial. Mediante pagamento, as pessoas dizem o que você quiser ouvir, mostram o que você quiser ver e fingem apoiar aquilo que surgir. Se um livro é horrível, pagando algum dinheiro, pode-se ter alguém falando bem dele. Se sua arte é monótona, anuncie ela em uma mídia especializada e o dinheiro fará a mágica. Tudo está à venda e tudo se torna corrompível. Nada mais é verdadeiro e tudo é um imenso jogo de interesses. Onde tem gente buscando fama, tem gente atendendo essa demanda em troca de dinheiro.

Você sabe, a vida prática nesses contextos é o velho teste do sofá. Alguém oferece o que o outro quer e o caminho pro sucesso fica aberto, independente da capacidade real dos indivíduos. Uma lista interminável de celebridades são puramente um investimento de marketing. Assim como as chamadas boy-bands, inúmeras celebridades não eram de verdade, mas apenas um mero produto criado para render lucro em uma fórmula predefinida. Alguns “músicos” chegaram a ser meramente dublês fotográficos e de palco para canções criadas nos bastidores e encenadas com playback nos clipes e shows. Espero que eu não esteja trazendo nenhuma novidade aqui, ao falar dessas realidades. Na internet, as coisas não são muito diferentes. Você pode acreditar que certos conteúdos são famosos por puro mérito, mas a verdade é que a maioria deles recebe um alto investimento por trás, simplesmente pra torná-los visíveis ao grande público. Seja por interesses políticos ou estritamente comerciais, a fama na internet é muito mais dependente do dinheiro prévio do que da sorte de agradar um público repentinamente.

Já disse, não existe milagre que feche a equação. Não há como conhecermos todos os artistas do mundo, nem se dedicássemos uma vida inteira à consumir conteúdos na internet. Figuras específicas são eleitas, patrocinadas, compradas, moldadas e potencializadas para chegar onde os demais não chegam. Há interesses midiáticos, políticos e financeiros por trás de cada um dos raros milionários da internet. Você pode até admirar o conteúdo que eles fazem ou a pessoa que eles são (ou parecem ser), mas, é exatamente por isso que essas mídias são escolhidas para serem o elo de ligação entre as empresas e o grande público que inclui você. Você pode não se importar com as marcas, com as propagandas ou com os políticos, mas todos eles se importam com o que podem obter de você. De forma consciente ou inconsciente, todo mundo está sendo induzido a pensar algum modelo de pensamento, a ter algum tipo de posicionamento, a comprar um determinado produto e assim por diante.

Quando você pensa em plataforma de vídeos, tenho certeza de que você lembra do Youtube e nunca se questionou porque não existe outra grande opção nesse mundo. Querendo ou não, a marca está consolidada na sua memória e no seu emocional. Você aprende a depender da plataforma e a enxergar a plataforma de um jeito que não faz (e nem pretende) com qualquer outra que não seja a tal. É isso que o investimento faz. Quando o Youtube nasceu, ele não pertencia à Google. Logo o projeto ganhou atenção do público e onde há consumidores, há grandes empresas de olho. A Google comprou o Youtube assim que percebeu o potencial da plataforma e assumiu um bom período de prejuízo, simplesmente porque sabia que o que ela lucraria depois, seria infinitamente mais. E hoje, ela dita quem pode ou não pode lucrar com a criação dos vídeos, simplesmente editando, de tempos em tempos, as regras e diretrizes da plataforma, pra impor cada vez metas maiores de inscritos e tempo de visualização, para garantir que apenas projetos realmente promissores que parecem estar conquistando muitos espectadores, possam se tornar uma mídia em que haja interesse de viabilizar. O lucro nunca chegará aos pequenos, mas somente aos que parecem ter algo grandioso que conecte multidões à marcas e políticos.

Para a maioria de nós que sequer tem qualquer noção sobre o funcionamento dessa intrincada “fórmula mágica” de conquistar o grande público, o que nos resta é tentarmos ser coerentes com nossas próprias ideias e usar a ferramenta pseudo-gratuita da internet para promover mudança de pensamento em outras pessoas, mesmo que seja um trabalho de formiga. A internet não é e não deve ser um espaço de mero comércio. Tem potencial pra ser muito mais que isso, pra quem quiser assumir esse compromisso. Você está aqui, me lendo de graça, em troca de absolutamente nada, simplesmente porque, talvez, se interesse pelo que te digo, pelos assuntos que eu exploro, pelas reflexões que eu faço pra minha própria vida. Estamos aqui, dividindo nosso tempo, sem nenhuma pretensão inicial de que isso seja lucrativo ou moldado pra se adequar à qualquer fórmula mágica de fama, lucro ou algo do tipo. É apenas eu escrevendo o que penso, ciente de que, como milhões de outros usuários, provavelmente, nunca viverei da renda ou fama que esse conteúdo possa, eventualmente, me gerar no futuro.

Posso te dizer com tranquilidade de que eu escrevo por aqui há 3 anos e nunca recebi um único centavo com isso, mas mesmo assim gastei muito dinheiro do próprio bolso pra continuar conectado à internet e com um computador ativo. O mundo de coisas que a gente escreve também é baseada nos livros que compramos, nos filmes pagos que assistimos, nos sites da internet que só visitamos graças ao pagamento do boleto mensal do provedor de internet. Nada disso é de graça. Pagamos muito por tudo isso. Somos, antes de tudo, usuários consumidores e, com alguma sorte (ou um investimento profundo), nos tornaremos criadores de conteúdo. Mas, não temos que ficar à espera disso, porque quem cria expectativas, sempre se frustra quando não acontece o que esperava. O melhor que podemos fazer na internet e em toda a vida, é vivermos o momento com sinceridade, cutucar e ampliar nossa própria personalidade, descobrir um mundo ao nosso redor e evitar que nossa vida se torne um incessante trabalho, principalmente se esse trabalho não lhe for remunerado e você ainda tiver que desembolsar uma grande quantia pra se ver conectado, tentando, esperando e, talvez, não vendo nada disso acontecer.

Apesar de tudo isso que eu escrevi, não significa que não podemos apoiar e compartilhar os conteúdos daqueles que gostamos. Há pessoas incríveis na internet, produzindo informação, cultura e entretenimento, por vezes à troco de nada e outras vezes por meio de financiamento coletivo. Hoje em dia com as ferramentas de pagamento para projetos, diversas mídias e pessoas captam colaborações de seu próprio público, pra que continuem a fazer o que elas fazem. Essa é uma maneira interessante de incentivar e tornar possível ou mais viável que pessoas pequenas, sem muita fama ou completamente invisíveis, possam ser reconhecidas. É muito mais realista que muita gente doe um pequeno valor que não interfere em nada no final do mês, mas que quando somado por todos os que apoiam, geram algo expressivo para a pessoa apoiada. Essa equação sim faz sentido, é possível e totalmente recomendável. Ajude as pessoas e projetos que você gosta. E isso nem precisa ser uma ajuda financeira. O simples fato de você se engajar por uma mídia, comentando, absorvendo, compartilhando e recomendando, às vezes vale muito mais que qualquer quantia. Nem tudo na vida é comércio. Muitas pessoas querem apenas serem ouvidas pra levarem uma mensagem adiante, tentar promover alguma mudança no mundo ou se sentirem mais leves socializando e se entretendo com as possibilidades.

Rodrigo Meyer – Author

Motivos para abandonar o Facebook.

Desde o surgimento do Facebook, como um projeto paralelo de universitários, a ideia da rede social já vinha imbuída de polêmicas. Como se não bastasse o nascimento conturbado da rede, a trajetória de fama da plataforma acabou por revelar vários escândalos relacionando vazamento de dados, manipulação de estatísticas e divulgações pagas nada realistas. Em resumo, o Facebook prometia aos olhos dos usuários a oportunidade de finalmente se conectarem, criarem seus espaços e se divulgarem ao mundo, mas logo se viu que nada mais era do que uma grande ferramenta de intermediar os interesses de governos e grandes empresas com a ingenuidade de uma massa de usuários no mundo todo.

Em 2013, conforme esta notícia da CNN, o Facebook servia como fonte de dados para NSA, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos. Além do uso clássico dos registros telefônicos e registros de e-mail, a NSA usava também o Facebook para traçar conexões entre profiles e criar um mapa de conexões entre usuários, conforme dados de Edward Snowden, divulgados pelo New York Times. Mas este está longe de ser o único motivo para se deixar a rede social.

Com o extinto Orkut, o Brasil e uma parte do mundo aprendeu um conceito novo de interagir pela internet. Depois do fim dessa plataforma, houve espaço pro Facebook surgir e assumir o lugar. De lá pra cá, nunca havíamos nos expostos tanto na internet, com nossos dados pessoais, informações profissionais, gostos, costumes, personalidades, conexões de amigos e conhecidos, fotos, família e muito mais. Nos tornamos praticamente acessíveis a qualquer pessoa, até mesmo quando nosso profile está em modo fechado ou não-público, uma vez que existem ferramentas que burlam essa limitação tanto individualmente, quanto nos alegados vazamentos massivos que o Facebook faz com os dados dos usuários.

É surpreendente o crescimento rápido da plataforma e em como uma coisa simples, gratuita e, inicialmente, com pouco potencial de utilidade aos usuários, se tornou uma das principais mídias em toda internet. Tão famoso quanto Google ou Youtube, o Facebook parece ter conquistado a simpatia das pessoas. E nisso existe um componente perigoso. Em projetos dessa magnitude, não existe forma milagrosa que torne toda estrutura gratuita. Se por um lado usuários não precisam pagar pra acessar, por outro, alguém está bancando essa conta. E, claro, como em diversos outros meios de comunicação, a gratuidade é concedida em troca de uma cobrança massiva a anunciantes que estão sedentos pelo potencial de se conectarem com usuários. Mas não quaisquer usuários, afinal os algoritmos do Facebook permitem um filtro tão refinado de informações de cada pessoa que é praticamente possível personalizar todos os aspectos para entregar uma comunicação direcionada a cada tipo de indivíduo, elevando a eficiência nos objetivos, sejam eles quais forem. E aí entra um aspecto ainda mais perigoso.

Que as empresas tentam nos empurrar produtos dia e noite, isso não é novidade nenhuma. O problema é que, em escândalo recente, o Facebook foi surpreendido por estar envolvido no beneficiamento da candidatura de Donald Trump, por conta de acesso à dados de 50 milhões de usuários. Com a exploração destas informações de usuários e amigos de usuários, uma empresa, de nome Cambridge Analytica, criou um algoritmo capaz de formar um perfil ainda mais completo das pessoas e, assim, direcionar propaganda política altamente personalizada para eleitores indecisos, o que, certamente, impactou no resultado das eleições americanas. Confira a notícia de 20 de Março de 2018 aqui.

Até o momento, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, não se pronunciou sobre o assunto, seja porque não não tem algo de bom pra dizer em sua defesa ou seja porque não sabe o que fazer diante do escândalo. Com o ocorrido, o Facebook despencou as ações na bolsa e está sendo visto por muita gente como uma mídia sem futuro. Somente no Canadá, mais de 20 milhões de usuários abandonaram o Facebook. O Brasil, infelizmente, por conta da própria cegueira que predomina na média dos cidadãos, provavelmente, será um dos últimos países a sair massivamente da rede. Estes já são motivos suficientes pra se abandonar, mas ainda há muito mais.

Enquanto o Facebook engordava o bolso com bilhões, usuários do mundo todo se viram afundando em crises econômicas, perdendo desempenho em suas carreiras e deturpando o tempo diário diante do computador ou celular. Muita gente mergulhada em depressão, outras tantas desaprendendo severamente as premissas básicas de socialização tanto presencial quanto pela internet e enveredando por um caminho obscuro onde tudo que se tinha era um cabresto azul guiando as pessoas por uma tela cinza de timeline cheia de informações completamente irrelevantes que levavam as pessoas de lugar nenhum a nenhum lugar. Custou pra que as pessoas se dessem conta de que ceder suas vidas pessoais para empresas e usuários do mundo todo não era uma boa opção. Muita gente restringiu o acesso a seus profiles ou até mesmo suprimiu severamente as informações prestadas na internet para evitar esse abuso. Além disso, passar cada vez menos tempo na internet se tornou a meta de vários usuários, como forma de reaver o tempo perdido e investir mais em si mesmos, em suas carreiras e potenciais, principalmente retomando o contato físico e natural com as pessoas e os lugares.

Cada vez que a internet se torna mais e mais acessível, começa a permear pra dentro da rede a mesma diversidade de problemas que existe no mundo real. Desde um bom tempo que o Facebook se tornou alvo de todo tipo de crimes e pessoas mal intencionadas. Entre stalkers (pessoas que observam a vida alheia), estelionatários, divulgadores de notícias falsas, profiles fakes para forjar números e comentários falsos, traficantes de animais e drogas, falsificadores de dinheiro, estupradores, aliciadores para prostituição, pedófilos, além dos populares propagadores de ódio gratuito, fascistas e afins. Um verdadeiro bueiro de desgraça.

E se você é usuário brasileiro, a situação é ainda pior. Pelo mundo todo o brasileiro foi considerado o povo mais mal educado da internet. Não é de se espantar, considerando o nível deplorável nos setores de Cultura, Educação, estrutura familiar, estrutura psicológica e social. Tirar algum proveito da rede social nesse cenário, só se você estiver em busca de trocar chumbo entre usuários igualmente mal intencionados. Quem já se deu conta que a rede afundou não quer nem ouvir o  nome dela.

Uma parcela das pessoas tenta manter o Facebook para fins profissionais, alimentando e divulgando suas fanpages com o intuito de fomentar adesão a seus produtos, serviços, ideias, ONGs, causas sociais e afins. Contudo, mesmo para estes, o cenário nunca foi bom. Há vários anos que o Facebook limitou drasticamente a visibilidade dos conteúdos nas timelines devido a impossibilidade de se apresentar tudo para todos ao mesmo tempo. Para que um usuário consiga visualizar um conteúdo no horário em que ele habitualmente está online e predisposto a vagar pela rede, ele precisa receber uma certa quantidade máxima de conteúdos. Mesmo que cada usuário tenha suas próprias preferências previamente selecionadas em tipo de conteúdo, ainda é algo demasiado pra ser entregue. O que o Facebook faz, então, é suprimir 99% de tudo isso e entregar, geralmente, 1% de conteúdo ao usuário. O critério é basicamente a “relevância” do conteúdo, porém não pela análise do conteúdo em si, mas pelo quanto esse conteúdo já tem de presença numérica em termos de inscritos, visualizações, curtidas, etc. Em resumo, quem já está no topo, é visto, quem não está, é invisível.

Eu, como adepto do minimalismo há muitos anos, vim reduzindo tudo que podia em diversos setores da vida. No Facebook não foi diferente. Por razões de trabalho, ainda mantenho um profile e algumas páginas, mas, com toda certeza, o foco é sempre direcionar o fluxo para mídias externas, uma vez que eu já não passo tanto tempo no Facebook, não participo de mais do que dois ou três grupos e já havia previsto a queda dessa ferramenta. Atualmente, opções melhores (ou menos ruins) estão saltando aos olhos, especialmente dos que trabalham com internet ou que querem dar visibilidade e retorno pra seus projetos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Abandonar o Facebook me tirou um peso das costas, desde que comecei o processo de redução de interação e de disponibilidade de dados e conexões com outros usuários. Isso me permitiu trabalhar melhor e de forma muito mais engajada nos meus projetos, tendo repercutido na criação de várias outras mídias próprias, uma volta a produção literária e várias ótimas surpresas que não convém contar antes do momento. Se eu pude fazer isso por mim, você pode pelo menos tentar por você. Alguns dos leitores aqui do blog já não fazem parte do Facebook e talvez isso explique também o engajamento destes nestas outras plataformas e conteúdos. Vamos em frente, porque pra trás sobram destroços.

Rodrigo Meyer

Você é vítima de click bait?

Click bait é o termo em inglês para “isca de clique”. Como o nome sugere, é exatamente uma armadilha para tentar conseguir um clique do usuário na internet. Embora este termo e contexto específico seja algo próprio da internet, a essência por trás disso é antiquíssima em todo tipo de mídia, comércio e afins.

O que está por trás do click bait é a a ideia de que você precisa atrair pessoas para um “conteúdo” por meio de recursos artificiais que sejam apelativos a curiosidade ou ao impulso pouco controlado das pessoas. Isso ocorre com facilidade quando o público em questão é idiotizado o suficiente pra não ter esse filtro ou controle sobre si mesmo diante do que lhe é apresentado.

As formas mais comuns de click bait são: títulos sensacionalistas, títulos falsos, títulos dúbios, títulos de teor sexual, títulos agressivos, títulos contendo nome de personalidades como principal e/ou único recurso, além de imagens com expressões faciais exageradas, montagens sensacionalistas, etc.

A mesmíssima coisa pode ser vista em mídias impressas, televisões, comerciais, trailers de filmes do cinema ou até mesmo nos anúncios em voz ou texto dos supermercados. Contudo, a internet conseguiu massificar essa conduta, em razão do acesso instantâneo a milhares de usuários com uma única publicação, piorando, ainda mais, por conta da opção de compartilhamento e do hankeamento automático desses conteúdos em plataformas como Youtube e Facebook. A medida em que usuários incautos e pouco instruídos escolhem consumir esse material, as redes sociais interpretam essa crescente demanda por aquilo e dão visibilidade extra para o conteúdo, gerando um efeito bola de neve. É basicamente isso que fez uma horda de inúteis ganharem milhões às custas da ignorância alheia, fabricando entulho, não acrescentando absolutamente nada de útil e monetizando não só a si mesmos, como a própria plataforma junto com inúmeros outros anunciantes que vivem de empurrar anúncios e produtos para a massa.

Muita gente tem vergonha em admitir que usa do click bait em suas mídias, porque estão cientes de que as pessoas começam a se conscientizar do fenômeno que, por si só, é uma forma indigna de explorar a fragilidade alheia. Em um mundo onde muita gente não tem discernimento, cultura, educação e estrutura psicológica o suficiente pra saber desviar e recusar esse tipo de prática oportunista, é, no mínimo, um desserviço à sociedade e ao progresso da população. Mas, obstinados por lucro a qualquer custo, com pouca ou nenhuma ética, aceitam se dobrar a muitas práticas para chegar ao tão sonhado dinheiro.

Tão ruim quanto praticar o click bait ou ser vítima dele, é ter a tal Síndrome de Estocolmo que torna tais vítimas em defensoras dos próprios opressores, no caso, os criadores de “conteúdo”. Uma vez que se tornam cegas, viram uma massa de manobra vazia, moribunda e com uma mesma personalidade distorcida e mal constituída, moldada sobre preceitos pouco ou nada determinados, quase sempre seguindo a ilógica “lógica” do “porque sim”. Sem autonomia de pensamento e um fanatismo declarado, tornam-se os idiotas perfeitos para cumprir o papel de massa que faz esse enorme mecanismo funcionar. Enquanto alguns raros se tornam milionários, todo o restante da população, segue na mesma condição precária ou até pior. Gastam seu tempo nutrindo a vida alheia, ao invés da própria, pois, lhes parece muito mais interessante a fantasia fabricada nas mídias do que a própria realidade sórdida.

O mesmo conceito por trás disso é o que fomenta pessoas dispostas a ler tabloides ou revistas / sites de fofocas. Há uma frase que diz:

“Idiotas discutem sobre pessoas, inteligentes discutem sobre ideias.”

Além desse mecanismo psicológico onde o indivíduo prefere observar a vida alheia para desviar o foco da própria vida / realidade, existe também outro fator por trás dessas práticas. Quando o ser humano se torna adoentado em sua sensibilidade, empatia e bons valores, facilmente começa a apreciar o caos, como uma espécie de vingança pelos próprios dissabores vividos. É uma forma de vivenciar, através de cenas e ocorrências, uma tentativa (mesmo que falha) de esvaziar tais frustrações dentro de si. É o caso, por exemplo, quando uma pessoa foi alvo de um assalto e, por não ter lidado bem com o ocorrido, passa a ver prazer em toda cena em que um assaltante é mostrado em situação degradante ou de desproporcional violência. É um tipo de sadismo desenvolvido que dá espaço, por exemplo, pra um consumo fácil de toda e qualquer mídia que se anuncie com extremismos na imagem ou título. A armadilha está feita e os adoentados tem ingresso vip pra digerir as farpas e as toxinas dessa isca que os matará.

É evidente que o click bait não é apenas ruim pelo ato de enganar as pessoas para verter fluxo de visualizações nas mídias, mas também é um terrível dano pela ausência de conteúdo relevante ou saudável. É uma maneira garantida de encaminhar uma massa de gente para um abatedouro mental que, por vezes, repercute também na saúde física. Um lifestyle baseado nisso não resulta em um raciocínio melhor, nem em uma formação de visão apropriada sobre a vida, o mundo, as questões sociais, a própria realidade pessoal e muito menos sobre as próprias mídias. Tudo isso encaminha as pessoas para um modelo clássico de sobrevivência, mas não de vida em si. É um ato de desperdício do tempo, da saúde, do dinheiro, do potencial intelectual e de tudo que estiver, direta ou indiretamente, relacionado com os hábitos de vida em sociedade.

Em última análises, se arrastar por esse modelo de absorção de “conteúdo” é a maneira garantida de não absorver nenhum conteúdo real e ainda ser subjugado como cidadão de segunda classe, em diversos sentidos. Toda e qualquer história de sucesso que você pinçar sobre superação, aprimoramento e reposicionamento diante da sociedade, passa, necessariamente, por essa transformação de dentro pra fora. Exemplos ótimos da cultura do rap nacional, especialmente advindo das favelas e periferias, ensinam a importância de se discutir a sociedade, o sistema, as mídias, as condições da própria população, de cada indivíduo, etc. É este preparo que dá suporte para transformações a favor da própria população, pois se depender dos envenenados pelo preconceito de classes, pelo racismo, pelo fascismo e pelos corruptos, você não terá suporte nenhum, exceto se for pra piorar ainda mais.

Viver em uma sociedade que, basicamente, é composta por gente que odeia uma às outras, tratam-se como mercadorias, vítimas ou pontes, requer ter discernimento suficiente pra não tropeçar nesse lamaçal. Se você não ajudar a si mesmo, você já decretou seu fracasso. As mídias não vão te ajudar e quem te explora pra lucrar às tuas custas quer mais é que você continue ignorante, passivo e fanático. Um idiota constante é o maior aliado na perpetuação do sistema de exploração, pois não só ele é explorado, como também espalha como positiva a ideia da exploração para o resto do mundo. ‘Síndrome de Estocolmo’ é um termo que não vai sair da internet tão cedo, especialmente porque mesmo diante de tanta demonstração explícita dos problemas, as pessoas ainda conseguem tornar cada ano pior que o outro. Se você achou que 2015 foi um ano enojante, certamente repensou isso com a chegada de 2016 e ficou abismado em saber que tinha como surgir ocorrências como as de 2017, o que, certamente, não foi nem um átomo perto da galáxia de fezes que chegou em 2018 (e estamos apenas no terceiro mês). Espere o pior pra 2019, mas, mesmo assim, lembre-se que a culpa de tudo isso é a permissividade de um povo manipulado e sem nenhuma autonomia de pensamento e ação. São marionetes aguardando as cenas dos próximos capítulos, sejam lá quais forem.

Enquanto você se delicia assistindo pessoas defecando, transando e comendo, seja na internet, na televisão, nas mídias impressas ou na vida real, uma meia dúzia de gente está rindo tanto da sua cara, que é possível que à essa hora um ou dois deles já tenha até infartado durante a crise de riso. A melhor arma para o combate dos erros do mundo é a inteligência. Guarde seu tempo, sua saúde, sua atenção e seu dinheiro para coisas que possam lhe fazer alguém melhor e mais preparado pra sair da condição em que está. Pode ser cansativo ou até desencorajador no começo, mas você vai descobrir que, uma vez que dá esse passo com sinceridade, pessoas que você nem imaginava começam a se aproximar de você para investir no seu potencial e dividir apoio. As portas começam a se abrir e você verá como uma realidade ruim tem sempre o outro lado da moeda.

Rodrigo Meyer

Especial | Agradecimentos.

Por hoje, enquanto estou me reestruturando pelos próximos dias, vou aproveitar pra ler ou reler algumas coisas, interagir com mais pessoas e favorecer a escrita dos meus próximos textos. Por isso, a publicação de hoje traz agradecimentos, ao invés de um artigo.

Quero agradecer, de início, ao José Waeny, cujo blog pode ser acessado aqui e que, diante do meu anúncio de pausa na escrita, dividiu o seguinte comentário:

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“Honestamente, nunca li um texto seu que fosse ruim, ou de baixa qualidade! Não deixe de produzir e apresentar, acho seus textos profundos e densos, sempre me levam a pensar e considerar suas colocações! Abs.”

Agradeço pela motivação concedida pelo José e fico muito feliz em saber que estou cumprindo o meu propósito com os textos, que é de ser útil e suscitar reflexão sobre a vida e a sociedade.

Este projeto começou há pouco tempo atrás, com o objetivo de levantar 600 temas iniciais. Já estão publicados mais de 240 textos e sigo escrevendo, sempre que possível, pra concretizar essa intenção sincera de ajuda. Ao mesmo tempo em que estou tentando suscitar pensamentos e mudanças, deixando um legado escrito, estou também cumprindo uma certa rotina de transmutação dos meus problemas em uma solução simples, porém eficiente.

A cada novo dia que me coloco a escrever, sinto como se estivesse sendo a minha própria terapia, enquanto me noto engajado e satisfeito em estar prestando algo de bom pros outros, como sempre fiz em todas as minhas iniciativas na vida. Escrevendo, conversando, ensinando, trabalhando, produzindo arte ou simplesmente dividindo meus momentos com outras pessoas, a intenção por trás sempre foi de deixar uma marca positiva de camaradagem, honestidade, entusiasmo pelas boas coisas, curiosidade, mistério, diversão, cultura, sabedoria, verdadeira amizade, verdadeira ajuda, compreensão e empatia.

Apesar de parecer fácil estar aqui com toda essa frequência, a verdade é que manter um blog ou qualquer outra mídia, dentro ou fora da internet, é sempre um esforço contínuo. Embora seja gratuito o espaço inicial no WordPress, manter-se minimamente visto pelo público requer um esforço consideravelmente maior do que se tivesse estabelecido em um plano pago, onde há suporte pra outros recursos. Além disso, os temas aqui abordados nesse projeto dos 600 temas, quase sempre alfineta muitas bolhas e pode deixar algumas pessoas desinteressadas de ler tais realidades. São temas que provocam reflexão ao invés de permitir o conformismo com os problemas e erros.

Quando escrevo, busco sempre construir e entregar algo que realmente faça sentido, que seja bem escrito não só em termos de língua, mas em termos de argumentação e fluidez. Me preocupo em tentar escrever as frases com o máximo de clareza possível, por vezes, editando trechos, em tempo real ou na revisão posterior, pra que a experiência do leitor seja agradável o suficiente pra que ele queira estar diante daqueles temas. Em qualquer expressão de conteúdo, seja arte ou não, é importante estarmos alinhados com certas premissas, pra tornar nossos objetivos viáveis. Por aqui, meu objetivo é conectar pessoas a pensamentos autônomos, mudanças de paradigmas, reflexões pessoais, sociais, políticas e até mesmo sobre questões um pouco mais abstratas da vida e das relações humanas. Para se chegar nessa conexão, é preciso traçar um caminho eficiente como trilha conhecida para cada vez mais pessoas.

Sempre que vocês interagem com as publicações, deixando seus comentários, curtindo os textos ou compartilhando em espaços onde mais pessoas possam acessar pra ler, isso ajuda a concretizar esse objetivo e dá razão de existência para tal iniciativa. Sou ciente de que, com tantos textos que já escrevi neste e em tantos outros blogs e mídias, frequentemente os novos contatos ainda não tiveram oportunidade de ler tudo que há. Mas não posso deixar de escrever pra esperar que as pessoas completem a visita a todos os demais conteúdos. Embora não seja algo tão personalizado a ponto de segurar um indivíduo por vez e conduzi-lo até a sua plenitude, esta mídia ainda pode cumprir equivalente benefício a cada um, dependendo do modo como ele mesmo se engaja no proveito do material já publicado anteriormente.

Com alguns poucos minutos diários, é perfeitamente possível percorrer algumas publicações na página principal ou buscar algo específico na caixa de pesquisa do blog e agendar sua leitura para aqueles momentos em que você está com maior tempo livre. O hábito da leitura também é uma terapia, abrindo espaço pra que sua mente interprete essa rotina como algo fácil de se fazer. Tudo que nosso cérebro exerce por mais de 30 dias configura um hábito e uma facilidade para o indivíduo. A leitura deste ou de qualquer outro conteúdo, desde que observadas as premissas de utilidade e reflexão sincera, são as portas atemporais para absorção de conhecimento e mudança, mesmo quando nosso pensamento é aberto para outras ideias diferentes das apresentadas inicialmente. A reflexão é justamente a ferramenta neutra que lhe permite entender os pontos de um contexto e extrair alguma conclusão pessoal daquilo. A cada vez que você lê e absorve conteúdos diferentes, você amplia seus parâmetros de realidade, permitindo estar mais acurado nas suas deduções ou interpretações, tanto dos textos quanto da própria realidade. Sabedoria, em última análise, é isso. O conhecimento sozinho, não transforma, mas o que fazemos com ele, sim.

Por tudo isso, o agradecimento é também a todos os leitores que acompanham minhas publicações e que me motivam a continuar escrevendo. Estão por vir novos projetos em torno da literatura e da ação social, mas, pra não queimar largada, anunciarei na ocasião mais oportuna, quanto tudo estiver corretamente encaminhado. A propósito, aqui continua sendo um espaço aberto em que vocês podem indicar temas, comentar suas opiniões, sugerir melhorias, etc. Aproveitem e entrem no grupo de leitura do Facebook, onde vocês podem falar sobre livros, blogs e todas as formas de literatura e escrita em geral, estudar e interagir em diversos idiomas, dividindo amizades e oportunidades com pessoas sintonizadas com este meio.

A propósito, conferi o setor de pesquisas e, em breve, concretizarei alguns textos com base nos temas procurados pelas pessoas. Você também pode solicitar temas pela guia ‘contato’ do site.

Gratidão,
Rodrigo Meyer

Como eu enxergo o Instagram?

Quando esse aplicativo surgiu e se tornou popular também aqui no Brasil, eu não tive o menor interesse em me associar, pois o que eu entendia que era a essência dessa rede social era a cultura estereotipada que se formou rapidamente. Inicialmente (e até hoje ainda é bastante assim), as pessoas passavam o dia postando imagens captadas pelo próprio celular, tentando externar um padrão de vida que soasse superior e interessante. Fotografando os pratos de comida, as viagens ou simplesmente fazendo selfies, a grande parte das pessoas estava afogada nesse lifestyle de superficialidade que era registrar sua rotina desinteressante, tornando ela lapidada o suficiente pra ser uma imagem cativante que pudesse arrancar likes e seguidores. Enquanto a tendência geral era essa, eu simplesmente nem instalei o aplicativo no meu celular, pois não haveria com o que eu contribuir ou absorver valor nesse contexto.

Levou tempo pra eu perceber que, como em tudo o mais na sociedade, era possível tentar permear o espaço, sem aderir ao padrão de cultura estabelecido. Embora fosse óbvio que isso seria possível, ficava o questionamento se valia a pena o esforço de transferir conteúdo e contatos para essa nova plataforma, sendo que já existiam tantos outros meios de comunicação e exposição na internet. Pra mim, o minimalismo sempre foi importante e, a menos que eu realmente precisasse de determinado item, eu passava longe.

Meu celular não gera imagens nítidas e livres de ruído e tão pouco tem espaço pra armazenar tantas fotos. Nunca esteve nas minhas prioridades usar a câmera do celular pra criar fotografias, por isso nunca me interessei em publicar algo no Instagram. Sendo fotógrafo há mais de 17 anos, o Instagram, pra mim, era a antítese máxima da Fotografia. Quando vi a possibilidade de transferir fotografias reais pro celular e poder publicar essas fotos, imaginei que seria algo pelo menos divertido, pra poder encontrar pessoas que apreciavam fotos, outros artistas ou até mesmo ter alguma repercussão nesse meio, a medida em que o uso de smartphones estava crescendo bastante em relação aos computadores de mesa. Tomei fôlego e, bem tardiamente, abri minha conta com o resumo das minhas fotografias nessas quase duas décadas como fotógrafo. Mas, como toda rede social, tem suas regras, premissas e truques. Ganhar alguma visibilidade e interação por lá exigia conhecer uma série de fatores, tal como foi no Facebook, por exemplo. E pra isso, certamente eu não estava tão disposto, pois celular pra mim nunca foi ferramenta de trabalho, embora eu soubesse que muita gente estava se estabelecendo no Instagram pra ampliar seu público, suas mídias e controlar, assim, os rumos da sua carreira.

É evidente que o Instagram cresceu tanto que tornou-se uma plataforma de trabalho tão promissora quanto o próprio Youtube. As pessoas criam perfis e conteúdos com base num lifestyle que atrai seguidores e, portanto, visualizações. Isso gera interesse por parte de anunciantes e patrocinadores que querem ter sua marca ou produto expostos para aqueles seguidores. Nada muito diferente do que ocorre em quase toda mídia. O grande problema do Instagram, pro meu caso em particular, é que, por ele ser uma mídia de consumo rápido e raso, não há conteúdo relevante o suficiente pra que faça valer a pena. As pessoas que estão assistindo a tela do celular em aplicativos como este, estão apenas matando o tempo, vendo algumas fotos que enchem os olhos ou que suscitam alguma atenção. Pra mim, isso é o exemplo mais fiel do que é ser zumbi nos tempos atuais. Se tem uma coisa que eu não tenho estômago pra fazer é arrastar minha vida atrás de uma tela de celular.

As pessoas podem justificar que esse é um tipo de mídia, de entretenimento ou até mesmo um prazer pela curiosidade sanada, mas, ainda continua sendo uma pessoa consumindo seu tempo atrás de uma tela de celular, vendo tão somente fotos de anônimos, subcelebridades ou até mesmo celebridades. A versão eletrônica das revistas de fofoca, porém sem texto, sem contexto, resumido e formatado pra não precisar que o usuário do lado lá raciocine com absolutamente nada. A velha estratégia das mídias de massa do “sente e assista passivamente”. Para não passar a impressão de que é exatamente só isso que ocorre, é dado ao usuário a opção de interagir com alguns likes ou até de deixar um comentário abaixo de alguma foto. É evidente que ninguém em sã consciência vai ler centenas de comentários de seguidores, por mais que, eventualmente, houvessem centenas de pessoas dispostas a comentar em uma foto. Essa conta não bate exatamente porque o Instagram é uma rede social feita pra ser de consumo rápido. Você não está sentado em uma mesa com um computador e recursos extras, mas apenas com uma pequena tela na mão, lhe custando a mobilidade pra outras tarefas e exigindo sua atenção pra uma timeline que te força a olhar pra uma minúscula área, tal como um cabresto. Não é atoa que chovem cenas viralizando na internet de pessoas tropeçando na rua ou batendo a cabeça em postes, por não estarem olhando pra frente enquanto estão mergulhadas na tela do celular.

Isso não transforma outras redes sociais em algo melhor, até porque quase todas elas podem ser acessadas pelo celular também e, majoritariamente, já são. Apesar da minha crítica deixar poucos motivos pra se fazer uso desse aplicativo, eu entendo perfeitamente que ele tem sua serventia, especialmente por conseguir se adaptar a um modelo de vida que muitas pessoas estão tendo atualmente. Em um cenário onde as tecnologias são cada vez mais individuais e até íntimas, é natural que tudo seja desenvolvido para que seja portátil e personalizado a cada indivíduo, afinal isso atrai o público ao mesmo tempo em que é uma grande oportunidade pras empresas poderem chegar exatamente nas pessoas específicas que compõem seu target de consumo de produtos, marcas ou ideias. Mas, entender que isso seja uma realidade, não torna essa realidade automaticamente interessante. Enquanto pra muita gente o Instagram é indispensável, até mesmo por conta desse posicionamento profissional, pra mim, que estou a caminho de completar 36 primaveras, é algo que deixo para a geração anterior, um pouco mais jovem ou aos que estão realmente engajados em extrair dinheiro disso.

Perceba que essa não é uma crítica simplista para as pessoas que usam a plataforma, mas com certeza é algo que não se alinha com o que eu tenho vontade ou disposição de fazer do meu tempo ou vida. Soa como se eu tivesse me transformado em um ranzinza que reclama de tudo. Não há como negar que, enquanto o mundo for raso, qualquer um que tiver apreço por mergulhos profundos, vai ter muita dor de cabeça se tentar saltar nessas águas. Para evitar tal dissabor, eu simplesmente mudo de praia, por assim dizer. Enquanto alguns estão apreciando os 2 dedos de água desse “mar”, eu estou em outros cantos, buscando outras ideias, outro estilo de vida, outros propósitos no meu dia, outros aprendizados, outros conteúdos, outros objetivos pra minha existência. Isso não garante que eu seja alguém melhor que os demais, mas garante que eu seja melhor pra mim mesmo, dentro dos meus próprios anseios. E é só isso que eu estou construindo por aqui, enquanto me expresso e absorvo as expressões ao redor.

O mundo está sempre em transformação. Quando o Facebook começou, as pessoas literalmente desprezavam a rede social e hoje, ironicamente, sentem-se tão dependentes dela que, quando ela falha, vira notícia internacional, as pessoas se desesperam e começam a mover os olhos pra fora da tela do navegador com a terrível sensação de que há um mundo de coisas lá fora que precisa ser pensado, porque grita quando estamos em silêncio. O silêncio é o bem mais precioso e poderoso que o ser humano tem. É por isso que as mídias estão sempre tentando fazer algum barulho e converter sua atenção para eles. É isso que lhes garante visibilidade, fama, poder, dinheiro e perpetuação dos modelos e tradições sociais que, de outra forma, seriam intragáveis.

Estou ciente de que muita gente faz uso do aplicativo e pode se sentir em desprazer de ler que eu não tenho prazer algum pelo Instagram. Isso é comum e reflete apenas que o mundo é diverso e que as pessoas estão engajadas e conectadas com as coisas que fazem algum sentido pra elas em determinado momento e/ou contexto. Assim como está sendo válido pra elas o uso do aplicativo, pra mim também existem coisas das quais considero válido e que, eventualmente, pra alguém será desnecessário, sem valor ou incômodo. Eu não vim ao mundo pra dizer o que você deve ou não gostar e muito menos ser seu guru de realidade que vai apontar o caminho secreto. Cada um de nós recebeu uma vida com características próprias que nos colocam em responsabilidade por nós mesmos, para definir o que fazemos com aquilo que entendemos da realidade. Tudo que eu posso fazer, portanto, é tentar apontar luzes sobre a realidade pra que as pessoas ao redor se apercebam melhor do que antes, talvez, não estivesse tão visível para elas. O que elas decidem fazer após essa percepção é algo que só depende delas e eu não tenho nada com isso, enquanto isso não interferir na minha liberdade.

Exemplo de como as redes sociais estão se saturando pelo modelo comercial e massificado é que o Facebook alterou bruscamente seu modelo de rede social nos últimos tempos, como resposta a uma mudança igualmente brusca de uma grande parcela dos usuários. Muitas e muitas pessoas estão simplesmente abandonando o Facebook em definitivo, deletando suas contas e concentrando-se em um modelo de realidade mais offline, por assim dizer. Na tentativa de ainda ser relevante para a maioria, O Facebook se concentra em recursos populares como a possibilidade de vender produtos dentro da plataforma, inclusive automatizando isso para dentro de grupos.

Em paralelo a essa crise do Facebook, nasceu recentemente uma outra rede social chamada ‘Vero’ que promete exatamente o que muitas pessoas queriam e que não encontraram no Facebook: um modelo orgânico de distribuição dos conteúdos, eliminando qualquer artifício de hankeamento ou filtro, permitindo, assim, que qualquer pessoa tivesse o mesmo potencial de visibilidade que outros usuários. Essa isonomia, interfere bruscamente no modelo econômico da rede social, já que não é um ambiente onde ter mais dinheiro ou seguidores vá interferir no seu posicionamento diante dos demais usuários. Vale lembrar que houve um momento onde o próprio Instagram era algo mais orgânico voltado a amigos e familiares e logo se tornou um espaço de marcas e personalidades. Na última atualização, inclusive, o Instagram (que é de propriedade do Facebook há algum tempo) tornou-se um modelo de timeline que privilegia as pessoas com mais acesso e interação, tirando de vista todos os demais que não parecem grandes o suficiente pra serem úteis para anunciantes e patrocinadores.

Foi pensando nesse problema que a Vevo surgiu para contrariar esse modelo de fazer negócios. Ao invés de depender de usuários ou anunciantes que pagam pra terem maior visibilidade na rede, nasceu com a premissa de ser uma rede social sem anúncios em que toda estrutura é mantida pelo dinheiro de assinaturas anuais dos próprios usuários, dando gratuidade vitalícia para os primeiros 1 milhão de usuários, como forma de agradecer e promover a inserção das pessoas nessa nova tendência. Resta saber se, em uma realidade onde as pessoas mal possuem condições de se distanciar da pobreza e cultivam uma crescente dificuldade de trabalho digno e estável, se vão conseguir se destacar na sociedade, sem o uso da rede social paga, enquanto os que podem pagar por isso, estarão caminhando com certo privilégio. A suposta isonomia da rede social funciona muito bem para os que já estiverem dentro, mas em termos gerais, não tem isonomia alguma para a sociedade em geral, principalmente se levarmos em conta que o serviço de internet de grande parte do mundo é caríssimo e que há famílias que simplesmente nem possuem acesso ou acesso contínuo.

A internet é uma poderosa ferramenta de expressão, comunicação, educação e transformação do ser humano e, sempre que alguém não puder pagar pra desfrutar dessa realidade atual, ficará segregado do seu próprio potencial no mundo moderno. Embora as tecnologias avancem, há sempre alguém que estará por fora delas ou fazendo o pior uso possível das funcionalidades. O potencial na internet para quem tenta vencer, cai substancialmente se essa pessoa não tiver nem mesmo condição de acesso e disputa igualitária com os demais usuários. Além da questão numérica, outra barreira é a qualidade de compreensão e proveito que cada tipo de usuário vai ter dos conteúdos. Por isso é importante que apoiemos sempre iniciativas mais promissoras para o benefício de todos, principalmente dos que não possuem quase nada, ao invés de entregarmos de bandeja nosso potencial de progredirmos na vida. Façam suas escolhas, pois as apostas já foram feitas há muito tempo.

Rodrigo Meyer

Não alimente o inimigo.

Embora muita gente concorde que na luta por determinadas causas e interesses, haja a necessidade de se combater problemas e fomentar soluções, muita gente ainda cai em um erro clássico que é compartilhar mídias originais dos inimigos pra, supostamente, criticá-los. Simplesmente não faça isso. Fique e te explico porquê.

Por melhor que seja a intenção de criticar e alertar mais pessoas sobre o quão ruim é determinada coisa, você deve fazer isso de maneira eficiente e que não seja como ‘o tiro que saiu pela culatra’. Quando você quiser que determinada mídia seque ou caia no ostracismo, você precisa, sobretudo, não ser parte da força que impulsiona essa mídia. E nas redes sociais, feliz ou infelizmente, o mecanismo que dá maior visibilidade pras coisas depende exatamente dos compartilhamentos e das visualizações que derivam disso e de novos compartilhamentos feitos, num esquema bola-de-neve. Quando nos damos conta, um post praticamente anônimo ganhou repercussão em grande parte da internet e quem nem sabia que uma asneira estava dita, agora sabe junto com diversos outros apoiadores e opositores, que, se compartilharam, ajudaram a tornar isso mais presente na atenção das pessoas, em detrimento de outros conteúdos melhores.

Lembre-se que tudo que há de ruim no mundo, como os preconceitos, os pensamentos equivocados, a violência, os discursos rasos e todo tipo de bobagem, foi replicado justamente por esse mesmíssimo efeito de propagação. Quando você não gosta de algo, há meios pra se falar disso, sem dar espaço pra mídia ou pra pessoa a quem você não concorda. Eis aqui algumas considerações:

Quando você encontrar uma foto que lhe pareça degradante, não há sentido em espalhar ela pra toda internet, com ideias como “vamos compartilhar esse absurdo até que algum responsável tome as providências”. Simplesmente não é assim que você conseguirá o suposto objetivo de fazer parar e de responsabilizar pessoas pelos erros já cometidos. Você não espalha um incêndio na floresta sob a ideia de querer que alguém seja impactado por um continente inteiro pegando fogo pra poder fazer algo sobre isso. Aliás, muitas das vezes quem faz esse tipo de pedido, faz com más intenções, esperando justamente que os incautos espalhem aquilo, objetivando ver o malefício se espalhar mesmo.

De maneira igual, vale pra tudo o mais. Se você encontra um vídeo que é ruim no Youtube ou no Facebook, compartilhá-lo, mesmo que com a boa intenção de fazer uma crítica ou um alerta, vai acabar dando mais visualização e destaque pra esse vídeo e o mecanismo das redes sociais começará a entender que esse vídeo é relevante e começará a ‘hankeá-lo’ melhor em relação a outros conteúdos. Como resultado, um número maior de pessoas verá aquele exato vídeo (por vezes sem ser do seu compartilhamento isolado com a crítica anexa) e, então, outros conteúdos bons que já tinham dificuldade de alcance, somem das timelines por causa do reposicionamento no hanking.  Isso é a receita garantida de plantar o que não se quer e secar as próprias boas sementes daquilo que se queria. Nada mais prejudicial que isso.

Outro detalhe importante é estender essa prática não só pras mídias mas para tudo que esteja relacionado aos contextos, pessoas, empresas ou lugares a que não compactuamos. Se você não quer que um político ganhe fama entre a população, simplesmente pare de colocá-lo nas notícias e nas redes sociais o tempo todo. Se o sujeito ainda é pequeno e anônimo, não faça ele se tornar grande e famoso. Deixe ele secar no ostracismo. Isso é uma lição que ajuda a moldar a própria sociedade sobre o que é válido ou não, o que recebe ou não atenção, o que tem ou não repercussão na internet, etc. Quando você não faz esse filtro, você permite que pessoas estúpidas consigam rapidamente saltar de um post anônimo isolado para uma comunidade que o cerca, o apoia, o endossa e o compartilha. Em pouco tempo, algo minúsculo se torna um problema enorme do qual teremos que lidar, como que um piano adicionado nas costas, pra quem já carregava diversos outros. Não é inteligente compactuar com esse modelo equivocado de lidar com pessoas, mídias, empresas e assuntos.

Saudável e necessário é focar-se naquilo que você quer ver prosperar. Se você quer que as pessoas conheçam mais sobre um determinado assunto, invista nisso, crie uma mídia própria ou compartilhe de uma boa mídia de terceiros aquilo que representa suas ideias, seus valores, seus objetivos. Em paralelo a isso, quando vir conteúdos inaceitáveis como xenofobia, racismo, violência gratuita, machismo e outros entulhos sociais, se esforce pra combater esses espaços pra que eles não voltem a existir e não se espalhem. Se quiser fazer uma crítica a eles, você pode, mas deve usar recursos que isolem completamente a mídia original. Pode, então, por exemplo, fazer um print de uma imagem e repostá-la dentro de um grupo pra que as pessoas possam saber o que ocorreu e, livremente, discutir sobre aquele assunto, entender e agir pra resolver. Outra forma possível é escrever uma matéria citando o assunto, sem que precise divulgar os criticados. Assim você combate o que há de ruim, sem dar visibilidade.

É claro que, muitas vezes, os inimigos já tem uma fama ou repercussão tal que é inviável não citá-los, afinal já são conhecidos pela maioria das pessoas, independente do compartilhamento, então, se referir a eles diretamente é útil. Quando já espalharam feito um câncer ou vírus, a tática já não pode ser apenas evitá-los, sendo preciso, agora, expor os absurdos como forma de usar o próprio peso do inimigo pra derrubá-lo. Tal como no judô, independente do seu porte físico, você pode colocar um oponente ao chão, apenas sendo habilidoso em verter todo o esforço e peso dele a seu favor no movimento, facilitando pra que ele praticamente caia sozinho. Isso é ser eficiente. Nas causas sociais, nas mudanças do mundo e até mesmo na disseminação de educação, seja na família, num debate na internet ou nas escolas, você tem o poder de fazer a coisa certa de um jeito que funcione e não gere mais problemas do que antes.

Se este texto lhe soa útil e realista, faça o papel de espalhá-lo. É assim que coisas melhores ganham mais espaço na memória das pessoas, no inconsciente, nas redes sociais, nos compartilhamentos, nas impressões sobre o mundo, na hora de transmitir valores aos amigos, as próximas gerações, etc. Aprender é indispensável, mas se não compartilhamos aquilo que aprendemos e/ou queremos ver no mundo, não veremos isso se espalhar como realidade. Se você quer MESMO que uma certa realidade positiva se estabeleça no mundo é seu papel fazer parte dessa epidemia proposital de fazer chegar pra mais gente.

Rodrigo Meyer