Crônica | Honestidade pra quê?

Até hoje me lembro daquela moça. A hipocrisia batia nos dentes. Apesar de evangélica, escolheu ir a um cartomante. Pra amenizar o papelão, decorou umas perguntas das quais nunca quis saber as respostas. Queria mesmo é saber de macho. Quem fica? Quem vai? Vale a pena tentar mais? Por dentro eu ria, por fora tentava explicar. A moça não entendia, fazia cara de quem estava bem-resolvida, mas era maior sua ansiedade em ouvir a resposta que ela queria do que ouvir a verdade. Por isso, insistia. Me perguntou umas cinco vezes o que é que ela deveria fazer. Não parecia pronta pra entender que estava toda errada, do começo ao fim. Tantos anos enroscada com um palerma e ele nunca havia apresentado ela para a família. Dois hipócritas, tentando fazer harmonia. Foi-se embora, mas fez sinal de que pretendia voltar. Estava realmente ansiosa pra ouvir eu ditar. Mal sabia ela que ditadura não tinha espaço por aqui.

Rodrigo Meyer

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Sobre o medo de morrer.

Sei que muita gente teme a morte, mas certamente não sou uma dessas pessoas. Consigo entender que as pessoas correm da velhice e da morte e, de alguma forma, vê-se que estão apegadas a este mundo de uma forma tal que, deixar de existir e partir pra outra situação nova, totalmente desconhecida, as apavora. Seja lá o que encontremos depois da vida, como uma continuação ou um ‘eterno nada’ silencioso, reafirmando a brevidade da vida, pra quem tem medo da morte, não importa muito quais são as características da morte, além do fato de que nosso corpo simplesmente para de funcionar e, então, apodrece.

Via de regra, temos receio daquilo que não conhecemos. O mistério assombra muita gente. As pessoas se assustam mais com o que não podem ver do que com o que está bem diante delas. É exatamente o caso de quando as pessoas temem um ambiente sem luz, simplesmente porque não sabem o que há neste ambiente. Alguns se aterrorizam com a mera possibilidade das coisas, fazendo valer a ideia de que uma possibilidade já é mais que suficiente pra impactar alguém, mesmo que esteja distante da realidade.

De certa forma, é basicamente isso que constitui o pensamento e crença das pessoas, em torno da religiosidade, espiritualidade ou mesmo das superstições. Quando o homem vivia em cavernas e mal dominava o fogo, aproveitar o dia requeria dele a luminosidade do sol e algum controle sobre o que ele estava vendo e sentindo. Era possível entender facilmente que alguém estava tocando nele, vendo a presença da pessoa próxima de si, mas tornava-se uma incógnita sentir insetos ou pássaros triscando seus corpos no escuro. Dessa incógnita, a mente se assusta, porque ela não conhece e não compreende. Aquilo que ela tenta resolver e não chega em um resultado, gera uma ansiedade e um desgaste imenso para o cérebro. Um mecanismo de proteção automático da mente é evitar o desconhecido. Para tal feito, alguns se agarram em explicações sobre a vida, sobre a morte e/ou o desconhecido em geral.

Nossa mente consciente nada sabe sobre o desconhecido. Tudo que se constrói na mente sobre a vida, a morte ou o invisível, é uma especulação, uma crença, um palpite ou uma tentativa de dar vazão ao desconforto diante do que não se sabe e que se quer muito saber. Para algumas pessoas, a forma encontrada de lidar com a morte, é idealizar ou acreditar que depois do falecimento do corpo, chegaremos a algum local positivo, alinhado com o que julgamos ser de melhor qualidade ou com mais benefícios. As pessoas nunca imaginam, por exemplo, que a suposta continuidade depois da vida corpórea, seja um ambiente pior. Não seria confortável para a mente, saber que está se aproximando de algo ruim. Seria uma situação semelhante de quando os vivos se apavoram com a morte e evitam qualquer coisa que os deixe próximos dela. O medo de envelhecer, em última análise, é exatamente isso. Sabendo que a cada vez que envelhecem, ficam mais próximos do fim da vida, muita gente fica em desprazer de envelhecer, pois é o mesmo que se aproximar da morte. Essa estrutura de pensamento é abrangente e antiga, tanto que a ideia de um inferno como punição para uma vida fora das regras, deixou muita gente com medo dominada. Mas, felizmente, essa não é a única maneira de se encarar a vida.

Muita gente, inclusive eu, não vive com essa preocupação diante da velhice ou da morte. A morte chegará pra todos, sem exceção. Não se pode viver achando que evitará morrer. Não há porque correr da morte, pois ela é um processo natural que já foi presenciada inúmeras vezes. A impressão que tenho é que, ao evitarmos a morte, estamos atribuindo valor no período em que estamos vivos. É interessante pensar que, apesar das catástrofes do mundo, do modo doentio das sociedades e sistemas políticos, as coisas ainda nos parece com um valor tal, que lutamos para não sair disso. É de se pensar que, enquanto estivermos felizes na vida, veremos prazer em continuar fazendo nossas atividades e desfrutando das satisfações em convívio com outras pessoas e até mesmo com os assuntos infinitos que o mundo nos permite tentar conhecer. Talvez seja esse rompante de disposição e prazer que faça muita gente valorizar a vida. Sinceramente, eu ainda não tenho essa resposta e, por enquanto, não tem sido um desconhecimento que me causa angústia nem ansiedade por respostas. A incerteza sobre a vida sempre existiu e as pessoas continuam nascendo e vivendo. A única diferença na qualidade de vida do indivíduo está justamente como ele gerencia esse desconhecimento. A depender de como ele interpreta, supervalorizando ou não o “problema”, isso pode deixá-lo com medo do desconhecido ou não.

A imaginação humana é poderosíssima. Se você apontar pra um ambiente vazio e fizer uma expressão de medo perto de outra pessoa, mesmo que você não tenha visto nada, tanto quanto a outra pessoa não viu, sua encenação de medo vai representar um problema para a pessoa ao lado. Ela vai ler a sua feição e a mente dela vai entender que há algo de perigoso, assustador, ocorrendo no ambiente e, pra ficar ainda mais bizarro, caso ela não tenha visto nada de fato, deixará a mente completamente ocupada tentando preencher essa lacuna. A mente pode simplesmente entrar em pânico ou formar uma imaginação que resolva esse mistério. Entender porque tanta gente possui medo da morte é entender que elas possuem medo do desconhecido e a morte é um dos maiores ‘desconhecidos’ que existem. Estando vivo não se pode experimentar a morte. Logo, esse é um assunto do qual morreremos sem desvendar. Mas porque isso precisa ser um incômodo?

É compreensível que o ser humano, por conta de sua estrutura, carregue consigo vários mecanismos de autopreservação, estando incluso nisso tudo que possa evitar perigos ou situações que, conhecidamente, levam para a morte em si ou para situações próximas, como os ferimentos graves, grandes dores ou doenças debilitantes. O ser humano está configurado geneticamente pra agir com base no seu instinto de sobrevivência. Porém, uma coisa é evitar a morte por conta do instinto e outra coisa é ter medo da morte. Talvez, no meio dessa salada de experiências humanas, morrer tenha cravado em nosso código genético a associação entre morte e medo, como uma estratégia de eficiência pro instinto. Se passamos a temer a morte, certamente ficamos mais engajados em evitá-la ou em lutar para adiá-la o máximo possível. Consigo entender essa possibilidade, mas trago algo a mais. Há nuances desse medo que não são saudáveis e tornam-se, por isso mesmo, uma contradição. Se a pessoa quer viver mais, ela precisa, então, controlar  o medo exagerado da morte. Se passa a vida inteira com medo de morrer, certamente não está tirando proveito real dos momentos da vida, além de estar provocando uma série de problemas na saúde física e mental que vão degradar seu estilo de vida até o ponto em que, problemas derivados serão potenciais motivos para sua morte precoce.

Eu sempre tive em mente que ter medo da morte é a garantia de pararmos de viver. Se deixamos de fazer as coisas que gostamos, por medo de acabar morrendo, simplesmente paramos de fazer tudo, pois pra morrer basta estar vivo. Imagine, por exemplo, alguém que evita cozinhar, por medo de uma falha no botijão de gás ou medo de uma faca escorregar de sua mão. Embora esse seja um exemplo exagerado, é com essa mesma premissa de lógica que muita gente está deixando de aproveitar o potencial de suas vidas, por medo não só da morte, como de inúmeras outras coisas igualmente ‘banais’, por assim dizer. As pessoas evitam até mesmo quebrar as correntes do sistema que as aprisiona, exatamente pelo medo de que o sistema faça o que está programado para fazer: controlar as pessoas pelo medo da morte. As pessoas se calam diante da realidade, com medo de que algum incomodado venha brecá-las com a morte. Porém, as pessoas se esquecem que, se ninguém tiver medo da morte, inclusive em um cenário onde as mortes de fato ocorram, o próprio sistema de controle pelo medo deixa de funcionar e o objetivo inicial dos opressores desaba. Um sistema só sobrevive se as partes oprimidas cumprem o papel esperado delas no jogo.

Poderia estender essa filosofia pelo viés político e sociológico, mas, por hoje, não é o foco do texto. Queria, a princípio, levantar uma reflexão que é bastante pertinente, ainda mais nos últimos anos onde as pessoas estão começando a se abrir pra certas mudanças de pensamento e de postura. Mesmo que pareça que o mundo está retroagindo na velocidade da luz, alguns passos na direção certa estão ocorrendo e, cada nova geração, carrega um pouco mais de entendimento e liberdade que a geração anterior, mesmo que isso não seja em todas as pessoas. Apesar de ser perfeitamente compreensível e aceitável que as pessoas não consigam concretizar um levante contra seus próprios medos e inseguranças da noite pro dia (principalmente se não houver cumplicidade coletiva), é preciso sempre deixar uma fagulha acesa, pra que o fogo sempre possa ser erguido no momento que for oportuno. Esmiuçar as questões humanas, sobretudo quando toca nessas fragilidades, exige um certo tato pra que possamos trazer mais benefício do que prejuízo ao pinçar um problema e propor uma análise ou solução.

Não existe uma regra de que você deva se transformar na pessoa que eu sou, afastando seu medo da morte. Eu não sei dizer se em algum momento da infância eu tive esse medo e o abandonei ou se sempre fui assim, sem medo de morrer. Claro que isso não significa que eu me exponho em vão a situações desnecessárias. Não ter medo de morrer não significa que tenho ansiedade por morrer. Apenas é algo que não me gera preocupações ou inseguranças. Pra mim está completamente tranquila a ideia de que, em algum momento, seja cedo ou tarde, morrerei por alguma situação. Dalai Lama, em uma de suas frases alerta para o conflito clássico humano, onde as pessoas se tornam depressivas quando vivem demasiadamente no passado ou ansiosas quando vivem demasiadamente no futuro. A solução óbvia, proposta por ele, é viver no momento presente, pois ele é o único momento real. O passado já foi e não podemos mudá-lo, enquanto que o futuro ainda não existe. Em consonância com essa ideia, eu penso que não tenho que lidar com o tema da morte hoje, pois ela é um evento futuro (além de inevitável e natural). Assim, nas minhas mãos está somente o que posso fazer da minha vida hoje e, deste hoje, eu escolhi viver, agir, pensar, me expressar, me engajar naquilo que eu acredito, sem medo de que a mudança positiva que proponho possa ser freada pela minha morte. Lembre-se que não se pode jamais matar uma ideia. Corpos vão, ideias ficam. O mundo muda, cedo ou tarde. Perde tempo, saúde e evolução, aquele que tenta adiar a mudança. Inspirem-se em seus melhores ideais, estejam unidos aos seus semelhantes e façam a mágica acontecer.

Rodrigo Meyer

 

O lado bom da ignorância.

É difícil imaginar que haja algo de positivo na ignorância, mas existe. Quando nos envolvemos com tantas pessoas e situações, observamos detalhes e refletimos sobre como aquilo pode ajudar a um determinado objetivo.

No caso da ignorância, o lado positivo é justamente quando as pessoas espalham ‘acidentalmente’ ideias que ajudam a combater a ignorância no mundo. Um exemplo simples disso é quando alguém gosta de uma música ou banda e, mesmo nunca tendo conhecido suas letras, compartilha tais conteúdos e ajuda a levar essas mensagens adiante, por torná-las mais visíveis diante do público. Ironicamente, há quem divulgue seus próprios inimigos, por assim dizer. Existem, por exemplo, racistas que divulgam bandas cuja letra e postura são de combate ao racismo. Exemplos cômicos desse tipo estão em todo tipo de conteúdo, já que as pessoas que figuram na ignorância das coisas, pouco discernem sobre aquilo que consomem.

Entre os ignorantes, temos eficientes propagadores de conteúdo, já que eles são motivados por impulsos e não por entendimento complexo daquilo com que se deparam. Quando uma pessoa não fala inglês e está diante de uma música em inglês, pode ser levada a gostar do clima da música, da melodia ou mesmo do aspecto visual de um clipe ou do próprio artista. Assim, fica mais propenso a espalhar esse conteúdo, apesar de não ter refletido sobre o que aquela letra carregava. No caso de ser um conteúdo positivo, a ignorância foi útil, por facilitar a propagação. Mas, claro, ocorre também o contrário, quando não temos domínio de um idioma e acabamos compartilhando conteúdos ruins.

De toda forma, não se pode dizer que não exista um lado positivo na ignorância. Durante minha interação com grupos de amigos, especialmente os que estavam voltados a aprendizados específicos de História, Cultura e similares, brincava muito com a expressão ‘easter egg‘, que para os entusiastas de informática refere-se aos elementos surpresas que eram escondidos dentro de softwares (geralmente) pelas mãos daqueles que estiveram envolvidos na programação desses softwares. Na vida, existem muitos ‘easter eggs‘ espalhados em construções, livros, filmes, desenhos animados, relacionamentos, etc. Desde que o ser humano aprendeu o poder da disseminação das coisas populares, percebeu potencial em embutir suas próprias ideias nestas coisas. Se os autores de certos textos sobre práticas de xamanismo, magia sexual e iluminação espiritual, soubessem que seus originais enterrados no deserto seriam selecionados e compilados para compor a bíblia, certamente teriam produzido e enterrado muito mais, devido ao potencial que tal livro teria de ser espalhado junto com seus conteúdos originais pretendidos.

Acredito muito nessa ferramenta e conheço inúmeros casos onde ela é propositalmente usada para facilitar a propagação. Tal como um vírus que se espalha por uma epidemia, através da movimentação de seus portadores. Na época da ditadura, por exemplo, mesmo com a presença da censura nas mídias, muito se conseguiu comunicar fazendo uso de metáforas para assuntos que não poderiam ser comunicados explicitamente. A mensagem sobrevive, segue imune a censura e ainda por cima é propagada por todos de forma irrestrita, já que não é mal vista nem pelos leigos, nem pelos conhecedores. O doce sabor da ignorância, a favor do combate da própria ignorância.

Embora isso seja mais instigante em determinados contextos, é algo completamente corriqueiro em todo tipo de iniciativa pelo mundo. Se você já dividiu uma roda de amigos e ficou sem entender nada sobre uma conversa ou piada, você sabe como é eficiente a chamada ‘piada interna’, onde somente os envolvidos no assunto original conseguem decifrar o que está sendo dito de forma pública. Assim também foi feito em tempos de guerra quando se codificavam textos, sons ou sinais de código morse. Conteúdos importantes também foram embutidos em pinturas e ornamentos de arquitetura. Obras de inúmeros artistas, como Leonardo Da Vinci, por exemplo, trazem detalhes sobre outros assuntos que, aparentemente, não são o tema apresentado publicamente em tais obras. Nas construções tradicionais de igrejas e castelos, por exemplo, você pode encontrar a chamada ‘geometria sagrada’ que remete a simbolismos através de derivações de certas estruturas geométricas, para comunicar princípios e ensinamentos de outra temática que não a da religião em si a qual esses prédios ou instituições propagam publicamente, em teoria. No caso das igrejas, catedrais e muitos dos castelos, é o exato caso de chamarmos tais adições de ‘easter eggs‘, pelo fato de que seus construtores e arquitetos eram os que embutiam esses conhecimentos secretos pra que perdurassem e só fossem notados pelos que estivessem aptos a tal.

Desde sempre a humanidade ajuda a combater a ignorância sem sequer saber que está trabalhando pra tal objetivo. Quando você se entusiasma por filmes como Matrix, por exemplo, é levado a memorizar e espalhar a cultura em torno do filme, tendo muita informação carregada junto, em detalhes como o nome de um personagem, de uma nave ou o simbolismo por trás de uma cena. Embora tenhamos uma suposta liberdade de comunicar nossos pensamentos e ideias, nem sempre isso será conveniente, pois muita gente leiga poderá se opor e até boicotar determinados conteúdos, se souberem que algo ali possa estar conflitando com sua bolha de impressões sobre a realidade ou mesmo de seus objetivos e interesses principais. Assim, a eficiência no ‘easter egg‘ é justamente passar desapercebido do público comum e depender de outros conhecimentos pra ser encontrado e/ou decifrado. Assim, enquanto a maioria das pessoas não estão prontas pra absorver o conteúdo escondido, elas se ocupam em propagar o conteúdo geral, fortalecendo, assim, a longevidade da informação anexada.

Há um ditado que diz que a melhor forma de esconder um tesouro é deixá-lo exposto. Isso mostra que a maior eficiência no sigilo de uma informação depende tão somente do nível de compreensão das pessoas. Se muita gente passa por uma pedra na rua e não vê nada de relevante nela, nunca terão a intenção de procurar tesouros em algo tão improvável. Por vezes, algo muito popular é banal o suficiente pra se tornar o melhor disfarce ou esconderijo para algo importante. Costumo sempre espalhar a frase “nunca subestime algo ou alguém pela aparência, pois um rei pode se disfarçar de mendigo se lhe for conveniente”. Uma metáfora simples pra dizer que, muito conteúdo de valor pode estar escondido em textos, letras de música, pinturas, softwares, sites, construções, conversas, etc. Aliás, oportuno momento pra dizer quanta coisa incrível eu absorvi na interação com moradores de rua. Enquanto muita gente os evita por conta de suas roupas gastas ou sujas, pessoas sem preconceito podem ter a grata oportunidade de traçar conversas incríveis, pra conhecer histórias, personalidades, conhecimentos, visões de mundo, etc.

Lembro, com sorriso no rosto, das diversas vezes em que vi pessoas na internet compartilhando músicas que basicamente falavam de assuntos aos quais elas mesmas se opunham ideologicamente. Um bom exemplo de como um conteúdo bem construído ou fácil de ser espalhado contagia até mesmo os inimigos a levar nossa mensagem adiante. Eu chamo isso de ‘colocar o inimigo pra trabalhar’. Sempre repito isso por onde passo, pois acredito muito no potencial dos ignorantes de serem úteis para o combate da ignorância no mundo. Sempre coloque os inimigos a seu favor e os faça trabalhar pela sua ideia, sua mensagem, sua arte, seu trabalho, seu objetivo, etc. Por eles não estarem cientes daquilo que estão espalhando junto, estarão mais favoráveis para a ação, sem defesa, sem resistência, sem críticas. Mas, ao mesmo tempo, tome cuidado com essa ideia, pois assim como é usada para espalhar o bem também é para espalhar todo tipo de entulho. Disfarçados e embutidos atrás de instituições, empresas, religiões, ideologias, discursos políticos, estão inúmeras armadilhas para fisgar incautos para que disseminem junto os discursos de ódio, o racismo, o machismo, a xenofobia, o consumismo, a exploração humana e animal, a normalização da degeneração da ética e da justiça, etc.

Portanto, em conclusão, mesmo que a ferramenta esteja acessível, é preciso saber usá-la e não ser vítima dela mesma quando estiver diante de outros utilizadores. Assim, a melhor recomendação é sempre se abster da ignorância e pensar por conta própria, ter independência e disposição pra buscar conhecimento e não ser apenas um papagaio que tudo repete sem reflexão, sem entendimento. Esteja diante dos conteúdos com um olhar curioso e com a mente aberta e neutra. Eliminando os preconceitos de sua mente, você estará apto a descobrir tesouros escondidos na própria realidade e até em você mesmo. Seja como aqueles poucos que não ignoram a pedra na rua por classificá-la como banal. Olhe pra realidade como uma infinitude de coisas e situações abarrotadas de potencial para serem algo mais. Permita-se ouvir uma música e refletir o que aquela letra comunica além das aparências iniciais.

Coloque-se no mundo como se estivesse decifrando códigos ou como se estivesse tentando estar por dentro da realidade em tempos de censura. Você verá que uma obra é sempre muito mais do que parece. Não digo que todo criador tenha embutido propositalmente algum segredo ou significado adicional em suas expressões, mas com certeza toda obra carrega algo de oculto, mesmo que seja apenas por ação inconsciente ou por tradição, tal como um arquiteto moderno que, mesmo se eventualmente não souber do simbolismo da geometria sagrada, poderá replicá-la pela tradição da estética. E mesmo quando não é este o caso, expressões tem sempre algo extra que podemos aprender, se tivermos com os olhos prontos. Até mesmo diante do vazio e do banal, há o que se extrair. Foi exatamente assim que descobri que mesmo na ignorância havia algo de positivo. Eis tudo o que ela me permitiu encontrar.

Rodrigo Meyer

Valores ou baixa autonomia?

Na prática, somos um mundo onde a maioria das pessoas tem pouca referência real do que é certo e errado, do que é aceitável ou não. Ao mesmo tempo em que as pessoas figuram em todo tipo de desvio de conduta, elas pouco entendem sobre aquilo que fazem. Mesmo em um contexto onde as pessoas estejam, por exemplo, seguindo as normas e leis de um local, elas não estão necessariamente ponderando sobre o que é certo e errado. Isso ocorre porque, basicamente, grande parte das pessoas está condicionada pelo sistema e não pensam os porquês das regras.

Esse é o motivo, por exemplo, de pessoas que mesmo em um ambiente onde não há multas ou risco no trânsito, recusam-se a avançar o sinal vermelho, apenas porque estão condicionadas a parar o carro diante daquele simbolismo.  Tanto é verdade que estas pessoas condicionadas ficam tentadas a avançar o sinal assim que ele muda para cor verde, mesmo sem fazer uma análise dos riscos ou opções do cenário, como, por exemplo, o surgimento repentino de um pedestre.

Em uma situação saudável, as pessoas conseguiriam discernir com autonomia quando elas podem cruzar uma rua, avançar o carro, ultrapassar um farol vermelho, amarelo ou verde. Porém, grande parte das pessoas não tem autonomia suficiente pra decidirem sozinhas como proceder nos ambientes. Estas pessoas são lidas, por vários estudos, como propensas a seguir regras como forma de livrarem-se do peso do pensamento complexo, das decisões ou do comprometimento com qualquer tipo de reflexão sobre os assuntos. É uma forma de aliviar para a mente fragilizada e pouco hábil o controle da realidade, entregando esse controle a outra pessoa, a quem eles possam simplesmente apontar como líderes ou tutores e seguir, cegamente, o que eles dizem.

Tal conduta sempre foi possível de ser vista na humanidade, afinal, a diversidade de mentes também inclui uma grande parcela de pessoas com baixa autonomia. Para estas pessoas, onde tal conduta é mais provável de ocorrer, figuram os exemplos de situações desastrosas da História e Política do mundo. Pode-se dizer que seja o caso de quando alguém enaltece lideranças com postura rígida e reacionária, para governantes, lideranças de grupos sociais, emissoras de televisão, autores, comunicadores, figuras no círculo familiar ou de amigos, etc.

Ironicamente, ao mesmo tempo em que essas pessoas entregam as responsabilidades de pensamento e decisão sobre o mundo para outras pessoas, tornam-se, automaticamente, inaptas para eleger tais líderes. Isso explica porque, normalmente, a escolha é pautada em figuras com discursos falaciosos, cheios de preconceitos e tom exagerado, afinal, para uma pessoa despreparada e que não se envolve nos próprios pensamentos sobre as coisas, uma falácia parecerá verdade e aquele que profere tal falácia, parecerá um bom intérprete do mundo. É assim que nascem idiotas comandando multidões de pessoas ainda mais idiotizadas. Por isso mesmo é completamente falsa a premissa de que a popularidade atesta a qualidade de algo ou alguém ou de que atende as necessidades do grupo que o apoia.

A única maneira de não cair nesse equívoco é ter autonomia nos pensamentos. Claro que, não sem suporte de uma extensa reflexão, leitura, diálogo e amadurecimento de sua pessoa e suas ideias. Mas, de toda forma, terá que ser feito o processo de independência do indivíduo pra que ele seja responsável por aquilo que vê, pensa, fala, interpreta e concebe como certo e errado. Sem isso, essa pessoa correria o risco de ter opiniões completamente diferentes a depender de como as leis fossem ou de quais ideias seus líderes passassem a propagar. Se alguém acredita que roubar é errado, não importa o quanto o roubo seja legalizado ou incentivado, a pessoa não roubará. Contudo, para pessoas sem esta autonomia, essa decisão depende do que as pessoas ditam pra ela.

Não é novidade nenhuma que pessoas de mente fraca criadas em famílias com o hábito de ditar regras e preconceitos, acabam sendo replicadoras, feito papagaios, desses mesmos equívocos. Acreditando automaticamente que aquilo que receberam da figura de referência é a verdade (sendo ou não), sentem orgulho em replicar tal informação absorvida sem filtro, pois da mesma forma que não tiveram filtro no momento da eleição da figura, da absorção das informações dela, também não terão na hora de se expressar ao mundo, em seus atos e palavras. Seguirão acreditando com fervor e, por vezes, de maneira violenta, já que toda sua vida e senso de orientação estão pautados e totalmente dependentes de pessoas externas, ideias externas, decisões externas. Por não serem autônomas sequer pra viverem sem essas muletas adotadas ao longo da vida, sentem-se incomodadas, cobradas e sob ataque quando lhes é tirada a venda e lhes é cobrado que enxerguem com os próprios olhos a realidade. O contato com a lógica, com a verdade e a realidade, choca, afinal, passaram tanto tempo com os olhos vendados, que a luz ofusca e agride.

Em tempos onde o ódio gratuito está se espalhando pelo mundo, nas mentes menos privilegiadas, é natural que pouca gente consiga perceber o quanto isso é tosco, patético, doentio e sinônimo direto de comprometimento da autonomia do raciocínio, do uso da lógica, da reflexão e do ato digno de assumir responsabilidades por si mesmo e por suas condutas, ideias, ações, reações, etc. Amadurecer, por isso mesmo, significa muito mais que cruzar números de idade ao longo do tempo. Grande parte da sociedade ainda pode ser lida como infantilizada, no sentido de que, tal como as crianças, ainda precisam da aprovação de “superiores” pra saberem a hora de dormir, o que podem ou não comer, se é válido ou não comer de boca aberta, etc.

Entre adolescentes e adultos, tal fraqueza de comportamento termina por refletir na adoção de líderes que, embora externos, possuem o mesmo teor ou estilo das figuras íntimas anteriores a quem já tenham eleito como tutores da realidade. É uma sociedade que se recusou tanto a aprender que, atualmente, há pessoas pedindo instruções a “profissionais” ou figuras de “liderança” para coisas simples como, se vestir, decidir o que comer, se devem ou não se relacionar com alguém, etc. Uma coisa é pedir conselhos, dicas e opiniões e outra, completamente diferente, é entregar toda a responsabilidade de raciocínio e decisão nas mãos de terceiros. Seria como eleger uma determinada pessoa, revista ou programa de televisão para lhe dizer o que vestir pra ir trabalhar ou que lugar frequentar para se divertir. Embora isso soe como ridículo quando citado pra quem é independente, é basicamente o que muita gente faz em diversos setores da vida, em inúmeras decisões das quais não participam ativamente e, por isso mesmo, sem sequer notar.

De maneira bizarramente automática, estão todos seguindo essas regras, tal como o exemplo do semáforo. Costumo brincar com o exemplo de que se houvesse um semáforo vermelho no meio do deserto, ainda veríamos pessoas parando, sem nem saberem que há algo de muito estúpido naquilo. Se a capacidade de interpretar a realidade fica comprometida, tudo que sobra é a interpretação emprestada de outros. E, em um mundo onde a ignorância alimenta líderes e seguidores, uma procissão de inúteis avança como células cancerígenas que crescem sem motivo e degradam o ambiente por onde passam, mesmo quando tenta-se combatê-las.

O exato motivo das “ideologias” de preconceito e ódio serem estúpidas é tão somente porque não são baseadas em nada concreto, já que são apenas reflexo desse hábito insensato de delegar a decisão a outros, sem nenhum filtro eficiente. Em um coletivo assim, está ativada a armadilha que gera uma multidão de racistas, homofóbicos, machistas, “religiosos” fanáticos, xenófobos, reacionários em geral, apoiadores de violência gratuita, etc. De tão esdrúxulo, torna-se piada entre os que tem algum uso da massa cefálica. Mas, pra quem não tem, pouco conseguirá perceber, já que exige exatamente o que eles não tem: autonomia e interpretação do mundo. Mas, a boa notícia é que até mesmo estas pessoas podem progredir em seus equívocos e decidir fazer uso, cedo ou tarde, da ideia de questionarem elas mesmas cada um dos pontos que antes foram mastigados cegamente. Tal transformação, contudo, exige resiliência, pois inúmeros serão os choques com a realidade, já que passou-se tanto tempo distante dela. Estar desacostumado ao pensamento independente, a lógica, a análise / reflexão do mundo, entorta a mente de tantas maneiras, que, por vezes, nem mesmo profissionais se mantém interessados de tentar prestar ajuda para reversão.

Há indivíduos que se tornaram tão ridiculamente viciados nos seus equívocos e fraquezas mentais, que, mesmo diante de toda boa vontade em lhes ensinar e mostrar a lógica, ainda não estão prontos pra receber nada disso com bons olhos. Cria-se, infelizmente, uma barreira de proteção que é derivada do vício de conduta, que basicamente impede o próprio “tratamento”. É como se, por exemplo, um indivíduo tivesse tanto medo da dor gerada pelo torniquete, que ficasse preferindo a perna quebrada em fratura exposta, com perda de sangue. A cada vez que encostam o torniquete, suscita uma dor nova na exata área fragilizada, o que faz muita gente recusar a ajuda. Em um aprofundamento dessa analogia, há casos onde as pessoas a quem tenta-se ajudar, recusam até mesmo a anestesia que poderia tornar o processo indolor, uma vez que desconfiam do anestesista, do hospital, dos métodos, ou até mesmo de que fratura exposta é algo que precise ser corrigido para a saúde do corpo. Assim, muita gente se torna um ferrenho defensor da própria ruína, por pura ignorância e covardia. E, sinceramente, tem casos em que eu não quero nem tentar ajudar, porque vejo, nitidamente, que seria esforço em vão. Prefiro mil vezes dedicar tempo e energia com quem tem alguma chance de se transformar. O resto não é, no momento, minha prioridade, até porque não sou o salvador do mundo, nem sou responsável pelos outros, mesmo que estes, claramente, não tenham responsabilidade por si mesmos. Não sou pai, não crio crianças e meu papel de ajuda social é secundário ao meu próprio papel, pois estou ocupadíssimo exercendo minha autonomia e interpretação do mundo, das pessoas e de mim mesmo.

Rodrigo Meyer

A diferença entre ideologia e supostos adeptos.

Um erro comum causado pelo preconceito é definir a qualidade de uma ideologia pela qualidade de uma pessoa que se diz adepta de tal ideologia. Não se pode dizer, por exemplo, que a Matemática é uma ideia equivocada, apenas porque um estudioso da matemática leva uma vida pessoal ou pública com condutas pejorativas. São coisas totalmente distintas e isoladas. Neste exemplo, a Matemática nada tem a ver com o indivíduo e, portanto, a qualidade ou veracidade da Matemática independe das características desse indivíduo.

De maneira igual deve-se tratar todas as ideias e ideologias no mundo. Dentro de boas ideias, sempre existiram pessoas que não tinha alinhamento suficiente a tal. Em diversas religiões, por exemplo, vemos, muitas vezes, mensagens de tolerância, bom comportamento, amor ao próximo, transformação pessoal, ao mesmo tempo em que vemos inúmeros casos de pessoas usando o crachá da religião pra cometerem inúmeros crimes e atos contrários aos próprios valores iniciais desta religião. No Brasil, inclusive, reina uma imensidão de hipócritas que se escondem atrás de um suposto cristianismo, pra pautar seus discursos de falsa moralidade e até de posicionamento político. Tragicômico ver, por exemplo, indivíduos que se intitulam cristãos, mas são alinhados com uma posição política de direita, quando, deveriam saber que o próprio Jesus Cristo, esta persona que alguns “cristãos” dizem seguir, é, possivelmente, a pessoa mais de esquerda possível.

No campo da política e das causas sociais, também existem inúmeras contradições berrantes. Entre as pessoas que dizem ser a favor da vida, são frequentes os casos de discursos de violência, pena de morte, entre outras formas de se eliminar a vida. Algumas pessoas dizem ser a favor da liberdade de expressão, desde que essa liberdade seja dada apenas pra elas proferirem discurso de ódio e não pra que todos os indivíduos tenham voz, especialmente os que quase sempre foram ignorados ou silenciados pela sociedade preconceituosa. Também será possível ver algumas pessoas falarem em respeito, desde que somente elas recebam o respeito sem nunca respeitarem os demais. Essas ideologias independem da conduta e do pensamento dos indivíduos. Podem carregar títulos, crachás e até erguer bandeiras para determinado grupo ou ideia, mas, na prática, continuam incoerentes e distantes dessas ideologias.

Por trás desses discursos de fachada, figuram muitas questões sociais, políticas e psicológicas. As pessoas que usurpam de um título ou temática, geralmente fazem isso por decisão fria de controle das pessoas ou por uma certa ignorância generalizada sobre o tema e a vida, de forma que acabam aderindo a estereótipos equivocados e ilusórios de outros indivíduos que fizeram semelhante adesão. É o caso, por exemplo, da pessoa que escolhe determinada religião pra “seguir” ou se dizer adepta, apenas como forma de se enquadrar em um grupo virtual onde reconhece condutas recorrentes que estão alinhadas com suas práticas ou pensamentos reais. Então, mesmo que, por exemplo, determinada religião nada tenha a ver com os ideais morais e políticos de um suposto adepto, ele escolhe essa religião, pois sabe que muitos outros indivíduos similares escolheram aquele rótulo inadequado antes, justamente pra dar nome e falso pretexto pra um encadeamento de ideias ou condutas que são de outro grupo, outro setor ou simplesmente de um aglomerado de indivíduos avulsos.

Um exemplo clássico de patetismo desenfreado é a usurpação da religião pelo grupo racista Ku Klux Klan (por vezes conhecido pela sigla KKK). É duro de acreditar, mas tais indivíduos se consideram cristãos. Imagine só se soubessem que a figura central do Cristianismo, Jesus Cristo, seria uma vítima fácil deles mesmos, posto que esta persona não era um indivíduo de pele clara e muito menos adepto do preconceito e violência. Nos Estados Unidos, de onde se origina essa utópica organização racista, vê-se pessoas alucinando dia e noite, replicando discursos de ódio ao mesmo tempo em que, supostamente, seriam cristãos. Seria pressuposto, pela lógica, que um cristão tivesse afinidade com os ideais e a postura de Jesus Cristo, mas, na verdade, muitos deles, odiariam ou até matariam qualquer indivíduo que tivesse aparência ou postura semelhante a de Jesus. Portanto, não há como dizer que os ideais propagados por Jesus sejam ruins, apenas porque uma quantidade enorme de supostos seguidores fazem exatamente o oposto do que ele propagou. Nem preciso dizer que a própria fundação da Igreja Católica como instituição já é uma aberração pela contradição com a origem do que se convencionou chamar de Cristianismo ou, mais ainda, com as práticas totais e/ou reais da figura de Jesus. Você se surpreenderia com a imensidão da lista de itens que os seguidores póstumos criticam e que na verdade eram as práticas do próprio Jesus.

Saindo um pouco desse exemplo, e abrangendo outros temas, podemos falar também de questões menores e corriqueiras. Você já deve ter visto gente fazer discurso bonito de como é errado e injusto o roubo. Repudiam ladrões, mas não abrem mão de comprar aquela câmera fotográfica advinda de furto ou assalto que estava com um preço mais acessível. Pessoas contraditórias assim são as que querem ter emprego sem serem assaltadas, mas não abrem mão de adquirir televisão por assinatura de forma ilegal, sem pagar pelo serviço. A moralidade pra essas pessoas vale só quando for conveniente e não como um ideal real. Logo a ideologia nada tem a ver de fato com essas pessoas. A ideologia de não roubar passa longe da mente daqueles que aceitam roubar, se for pra benefício próprio e não para perda diante de outro indivíduo. Percebe?

Cabem também nesta estrutura, aqueles que se dizem contra a corrupção, mas são os mesmos que sonegam impostos, furam fila, oferecem propina pra burlar a apreensão do carro, mentem pra uma mídia pra forjar vantagem a determinada ideia ou grupo, entre outras inúmeras possibilidades. No fim das contas essa conduta é o clássico da postura torta de grande parte dos humanos em todo o mundo, em quase todas as eras. Sobra na Terra indivíduos corrompidos, fazendo esse desvio de conduta parecer ser normal, de tão comum que é. Mas, a lógica nos obriga a esclarecer que: comum é diferente de normal. Se muita gente passa a construir rodas quadradas, essa roda não passa a ser normal, mas apenas comum. E pra que estejamos escolados e preparados para a vida, precisamos saber diferenciar uma ideia / ideologia de um indivíduo e/ou suposto adepto / seguidor. Quando você ver alguém criticar uma ideologia política, por conta do que um determinado governo ou país fez ou faz sob aquele rótulo, você já sabe que este alguém pouco ou nada entende do assunto e não tem intelecto e/ou maturidade suficiente pra lidar com tal conteúdo. Para se obter algo sólido e realista, é preciso que o conteúdo venha de alguém que não caia na tolice de misturar uma coisa com outra, pois pré-conceito (origem da palavra ‘preconceito’) e ignorância, que, na prática, são sinônimos, devem ser evitados.

Rodrigo Meyer