Especial | Agradecimentos.

Por hoje, enquanto estou me reestruturando pelos próximos dias, vou aproveitar pra ler ou reler algumas coisas, interagir com mais pessoas e favorecer a escrita dos meus próximos textos. Por isso, a publicação de hoje traz agradecimentos, ao invés de um artigo.

Quero agradecer, de início, ao José Waeny, cujo blog pode ser acessado aqui e que, diante do meu anúncio de pausa na escrita, dividiu o seguinte comentário:

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“Honestamente, nunca li um texto seu que fosse ruim, ou de baixa qualidade! Não deixe de produzir e apresentar, acho seus textos profundos e densos, sempre me levam a pensar e considerar suas colocações! Abs.”

Agradeço pela motivação concedida pelo José e fico muito feliz em saber que estou cumprindo o meu propósito com os textos, que é de ser útil e suscitar reflexão sobre a vida e a sociedade.

Este projeto começou há pouco tempo atrás, com o objetivo de levantar 600 temas iniciais. Já estão publicados mais de 240 textos e sigo escrevendo, sempre que possível, pra concretizar essa intenção sincera de ajuda. Ao mesmo tempo em que estou tentando suscitar pensamentos e mudanças, deixando um legado escrito, estou também cumprindo uma certa rotina de transmutação dos meus problemas em uma solução simples, porém eficiente.

A cada novo dia que me coloco a escrever, sinto como se estivesse sendo a minha própria terapia, enquanto me noto engajado e satisfeito em estar prestando algo de bom pros outros, como sempre fiz em todas as minhas iniciativas na vida. Escrevendo, conversando, ensinando, trabalhando, produzindo arte ou simplesmente dividindo meus momentos com outras pessoas, a intenção por trás sempre foi de deixar uma marca positiva de camaradagem, honestidade, entusiasmo pelas boas coisas, curiosidade, mistério, diversão, cultura, sabedoria, verdadeira amizade, verdadeira ajuda, compreensão e empatia.

Apesar de parecer fácil estar aqui com toda essa frequência, a verdade é que manter um blog ou qualquer outra mídia, dentro ou fora da internet, é sempre um esforço contínuo. Embora seja gratuito o espaço inicial no WordPress, manter-se minimamente visto pelo público requer um esforço consideravelmente maior do que se tivesse estabelecido em um plano pago, onde há suporte pra outros recursos. Além disso, os temas aqui abordados nesse projeto dos 600 temas, quase sempre alfineta muitas bolhas e pode deixar algumas pessoas desinteressadas de ler tais realidades. São temas que provocam reflexão ao invés de permitir o conformismo com os problemas e erros.

Quando escrevo, busco sempre construir e entregar algo que realmente faça sentido, que seja bem escrito não só em termos de língua, mas em termos de argumentação e fluidez. Me preocupo em tentar escrever as frases com o máximo de clareza possível, por vezes, editando trechos, em tempo real ou na revisão posterior, pra que a experiência do leitor seja agradável o suficiente pra que ele queira estar diante daqueles temas. Em qualquer expressão de conteúdo, seja arte ou não, é importante estarmos alinhados com certas premissas, pra tornar nossos objetivos viáveis. Por aqui, meu objetivo é conectar pessoas a pensamentos autônomos, mudanças de paradigmas, reflexões pessoais, sociais, políticas e até mesmo sobre questões um pouco mais abstratas da vida e das relações humanas. Para se chegar nessa conexão, é preciso traçar um caminho eficiente como trilha conhecida para cada vez mais pessoas.

Sempre que vocês interagem com as publicações, deixando seus comentários, curtindo os textos ou compartilhando em espaços onde mais pessoas possam acessar pra ler, isso ajuda a concretizar esse objetivo e dá razão de existência para tal iniciativa. Sou ciente de que, com tantos textos que já escrevi neste e em tantos outros blogs e mídias, frequentemente os novos contatos ainda não tiveram oportunidade de ler tudo que há. Mas não posso deixar de escrever pra esperar que as pessoas completem a visita a todos os demais conteúdos. Embora não seja algo tão personalizado a ponto de segurar um indivíduo por vez e conduzi-lo até a sua plenitude, esta mídia ainda pode cumprir equivalente benefício a cada um, dependendo do modo como ele mesmo se engaja no proveito do material já publicado anteriormente.

Com alguns poucos minutos diários, é perfeitamente possível percorrer algumas publicações na página principal ou buscar algo específico na caixa de pesquisa do blog e agendar sua leitura para aqueles momentos em que você está com maior tempo livre. O hábito da leitura também é uma terapia, abrindo espaço pra que sua mente interprete essa rotina como algo fácil de se fazer. Tudo que nosso cérebro exerce por mais de 30 dias configura um hábito e uma facilidade para o indivíduo. A leitura deste ou de qualquer outro conteúdo, desde que observadas as premissas de utilidade e reflexão sincera, são as portas atemporais para absorção de conhecimento e mudança, mesmo quando nosso pensamento é aberto para outras ideias diferentes das apresentadas inicialmente. A reflexão é justamente a ferramenta neutra que lhe permite entender os pontos de um contexto e extrair alguma conclusão pessoal daquilo. A cada vez que você lê e absorve conteúdos diferentes, você amplia seus parâmetros de realidade, permitindo estar mais acurado nas suas deduções ou interpretações, tanto dos textos quanto da própria realidade. Sabedoria, em última análise, é isso. O conhecimento sozinho, não transforma, mas o que fazemos com ele, sim.

Por tudo isso, o agradecimento é também a todos os leitores que acompanham minhas publicações e que me motivam a continuar escrevendo. Estão por vir novos projetos em torno da literatura e da ação social, mas, pra não queimar largada, anunciarei na ocasião mais oportuna, quanto tudo estiver corretamente encaminhado. A propósito, aqui continua sendo um espaço aberto em que vocês podem indicar temas, comentar suas opiniões, sugerir melhorias, etc. Aproveitem e entrem no grupo de leitura do Facebook, onde vocês podem falar sobre livros, blogs e todas as formas de literatura e escrita em geral, estudar e interagir em diversos idiomas, dividindo amizades e oportunidades com pessoas sintonizadas com este meio.

A propósito, conferi o setor de pesquisas e, em breve, concretizarei alguns textos com base nos temas procurados pelas pessoas. Você também pode solicitar temas pela guia ‘contato’ do site.

Gratidão,
Rodrigo Meyer

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Seu futuro pode ser diferente do seu passado.

Existe, infelizmente, uma crença de que estamos condenados a nossa realidade do momento. Mas, as coisas não são assim. Esse pessimismo e/ou imediatismo é um equívoco diante das possibilidades reais. Inclusive, quem mantém esse pensamento equivocado está apenas dificultando que coisas novas e melhores aconteçam no futuro.

A sociedade brasileira e tantas outras, em similar ou pior situação estão acostumadas que tudo piora e nenhum benefício chega até as pessoas que mais precisam. E alimentam-se de esperança apenas quando algo positivo significativo acontece. Valorizar as possibilidades apenas quando estamos em vantagem não é útil se quisermos viver bem e termos melhores chances pra nós mesmos.

Mas, lembre-se que a proposta não é que você forje ilusões sobre o futuro, nem mesmo sobre o presente, como fazem os otimistas. Não devemos ser nem otimistas, nem pessimistas. Acompanhar as realidades já é suficiente pra que possamos decidir quais opções seguir, pois veremos elas à nossa frente, tal como de fato são ou o mais aproximado possível. Já falei em outro texto sobre a importância da postura realista.

Por pior que tenha sido nosso passado, com as mazelas da vida, as dores, os medos, os traumas, os rompimentos emocionais, eventuais situações de doença física, pobreza material ou experiências desconfortantes, temos sempre que lembrar que tudo isso não é garantia de que sempre será assim. Não significa que um toque mágico vai brotar e fazer tudo mudar, mas significa que, suas ações podem eventualmente te tirar dessas condições. E claro, não são nenhuma garantia também, afinal o que fazemos está dependendo do que podemos fazer, do que temos coragem de fazer, do que temos condições, vontade, visão, capacidade, etc.

Não existe fórmula pro sucesso, mas em tudo que pudermos aprender melhor sobre nós mesmos e sobre a realidade que nos cerca ajudará pra sairmos das situações que não desejamos que continuem. É sempre importante estar de olhos abertos, mente aberta e acreditar cada dia mais em você mesmo e no potencial que pode desenvolver ao longo do tempo. Frequentemente, dependendo da sua situação, será necessário abrir os braços e aceitar ajuda de quem puder lhe oferecer. Não há nada de ruim nesse ato e só demonstra que você está pronto para as mudanças e soluções que poderão vir a seguir.

Se você está vivenciando desemprego, por exemplo, não significa que não poderá estar trabalhando em breve. Se está enfrentando superação de traumas ou depressão, tem um caminho pela frente de tentativas que vão te levar para condições melhores. Embora estejamos sempre ansiosos pelas soluções de problemas grandes assim, não podemos fixar o pensamento na urgência do tempo, porque essas situações podem levar tempos diferentes pra serem solucionadas, dependendo de cada caso. A combinação entre a situação e a pessoa vão formar particularidades na equação e que, inclusive, podem se alterar ao longo do processo todo.

O mais importante pra que nosso amanhã seja melhor que nosso presente é entendermos quais são os problemas que temos ou que nos cercam. Uma vez que saibamos disso, temos que tentar apontar valores, condutas ou iniciativas que nos levem pra escolhas de transformação, de ajuda ou superação. Às vezes o acolhimento junto à algum parente de confiança, um profissional da área médica ou psicológica, um terapeuta, um advogado ou, dependendo da sua situação, um agente de Serviço Social.

Muitas pessoas que hoje estão tranquilas e bem-sucedidas, já passaram por situações difíceis no passado. Lembro-me sempre que o ator Keanu Reeves, que muitos admiram e conhecem pela trilogia de filme ‘Matrix’ e tantos outros, já teve a experiência de ser morador de rua. Apesar de todo sucesso, ele se mostrou uma pessoa simples, dividindo o metrô com os demais, sem extravagâncias. Pode ser que o contato com a dificuldade junto à outros moradores de rua tenha contribuído pra uma conduta mais assertiva diante da fama, mas sabemos que isso não é nenhuma regra, afinal várias outras personalidades que vieram de situações difíceis, às vezes compensam o passado, ostentando riqueza ou até mesmo esnobando as pessoas abaixo. Tudo vai depender do estado psicológico de cada indivíduo e de como ele superou ou não os problemas do passado.

Algumas pessoas se sentem tímidas ou envergonhadas de irem de uma situação melhor para uma pior. É como se estivessem deslocadas de si mesmas, pois se acostumaram a viver num padrão de vida ou em uma situação pessoal mais confortável e, de repente, se veem, de certa forma, humilhadas por terem que se submeter a situações mais difíceis de vida. Acontece muito isso com quem perde o emprego e é obrigado a rever toda sua realidade de hábitos, consumos e até mesmo de socialização.

Andando pelas ruas de São Paulo e também de algumas outras cidades, conheci muito morador de rua. Em cada um deles, situações diferentes. Embora todos eles aparentemente na mesma situação, no momento, cada um teve um passado diferente. Já conheci gente que foi pras ruas depois de serem trapaceados pela família em troca de dinheiro, músicos profissionais, intelectuais, poliglotas e vários outros que, por uma razão ou outra, acabaram sem nada e tendo que se render às ruas. Mas, tendo vindo de baixo ou de cima, o fato é que pro momento presente, encontram-se pelas ruas e, a partir disso, cabe a cada um fazer as possíveis escolhas a cada dia que surge.

Para pessoas em situação de vício com drogas, pode ser ainda mais complexo, pois é difícil até mesmo controlar as opções que se tem ao redor, por questões do momento, do tempo, das reações psicológicas diante da droga ou mesmo da limitação social que existe, por conta do afastamento que as pessoas tem diante desse meio. É muito mais comum vermos, por exemplo, alcoólatras serem melhor recebidos do que dependentes químicos de outras substâncias. A classe média e alta empanturrada de remédios controlados é muito mais aceita socialmente do que os entorpecidos de classes sociais abaixo.

As barreiras pelas frente serão geralmente essas. Preconceito social, restrição de oportunidades de trabalho e socialização, a própria limitação física, alimentícia e psicológica diante do modelo de vida e questões ao redor disso, como abrigo, ocorrências isoladas do convívio diário e até mesmo alguns detalhes sobre as políticas públicas sobre as pessoas nessas condições e a cidade no geral.

O que será do nosso amanhã é, porém, a somatória de nossas ações junto com as oportunidades que o meio nos dá. Se unirmos a superação psicológica dos problemas com a iniciativa da busca de ajuda, já teremos quase todo caminho percorrido rumo à transformação. Eu sou especialmente grato pelo momento em que fui alavancado da depressão no passado por quem me enxergou como alguém e teve paciência e vontade de permanecer do lado até que eu estivesse bem. Eu tive momentos incríveis de muita diversão, prazeres físicos e psicológicos de todo tipo e satisfações na vida como a concretização de estudos, aprendizado de idiomas, autovalorização como pessoa e como potencial profissional, entre tantas outras coisas. Passei de derrotado e sem esperança pra alguém que cultivou uma visão melhor sobre a vida e sobre si mesmo.

O grande salto na transformação dos nossos dias está em como lidamos com o que temos ao nosso redor. Eu fui suficientemente flexível pra aceitar possibilidades. E, por isso mesmo, as possibilidades que existiam ao meu redor surgiram. Tive a oportunidade de me tornar fotógrafo profissional, tendo experiências únicas durante o curso de Fotografia que não teria em nenhum outro curso atual, em razão das ocorrências que são próprias do momento. E isso me fez perceber que muitas portas estão abertas ao nosso redor, mas frequentemente não as vemos, porque não as entendemos como portas para aquilo que achamos que precisamos no momento. Temos que mudar nosso entendimento da equação pra sermos mais bem-sucedidos nas nossas tentativas de se erguer.

Às vezes as pessoas acham que a única porta válida pra quem está desempregado é uma oferta de emprego em um cargo em que ela já gostaria de estar pro resto da vida. Se esquecem, assim, que às vezes o mero contato com uma pessoa, em uma situação que não está diretamente relacionada à essa vaga de emprego desejada, pode ser o elo indispensável pra que a pessoa se aproxime da meta principal. A vida não é uma linha entre dois pontos, mas sim uma complexa teia de relações. Você não pode, nunca, descartar as oportunidades que surgem sem antes estar aberto ao potencial delas. Claro que você não precisa atuar em tudo que surge pela sua frente, mas precisa, sobretudo, conhecer e estar aberto pras possibilidades.

Se eu não tivesse conhecido as pessoas que conheci, no momento em que as conheci, da forma que as conheci e pelo intermédio das outras pessoas que tínhamos em comum, nada na minha trajetória teria sido como foi. Os cursos que fiz, os aprendizados que iniciei, os livros que li, as conversas que tive, as viagens que realizei e até mesmo as decisões mais cotidianas sobre meus hábitos e vontades, me levaram onde eu estou hoje. Controlar essa navegação pode não ser tão simples quanto vislumbrar um horizonte ou destino e decidir seguir pra lá. Lembre-se, não estamos vivendo em uma linha reta entre dois pontos.

Você se surpreenderia em quantas pessoas superaram a depressão a partir de um simples ‘sim’ que deram pra oportunidades totalmente desvinculadas com tratamento de depressão. Você se surpreenderia em quantos fotógrafos foram formados a partir de um ‘sim’ para uma amizade despretensiosa. Se surpreenderia em quantas pessoas ganharam a tão desejada credibilidade e valorização apenas por se colocarem em uma postura mais aberta e receptiva diante de momentos. Seu próximo trabalho pode estar atrás daquele emaranhado de conexões de um conhecido que tem um amigo do primo da vó do funcionário de uma outra pessoa, que, essa sim, vai te apresentar pra um projeto que não tem absolutamente nada a ver com seu trabalho pretendido, mas que em certo momento, vai ser dividido pelo amigo do vizinho que finalmente é o seu elo final pra solução que você buscava desde o começo.

Resumindo: esqueça essa crença de que o futuro não tem solução e que as portas que você encontra pela frente não te servem de nada. A vida é feita de interações. Quanto melhor for seu networking, melhor serão suas possibilidades. Esteja sempre em contato com tudo e com todos e verá como surgem coisas tão diferentes de cada conexão. A diversidade nos leva para novas possibilidades pois cada pessoa tem um universo dentro de si e milhares de outras novas conexões distintas que vão alterar, a cada vez, a trilha que percorremos entre todas essas mais de 7 Bilhões de pessoas que existem no mundo.

Se você despreza a teia, está contrariando a própria matemática da vida e está se boicotando diante do seu próprio sucesso e benefício. Se você começar a desenvolver amor-próprio e se abrir pra situações que te beneficiam, terá as melhores chances de vencer e se dar os melhores resultados possíveis na vida conforme suas realidades gerais. A todo momento eu estou passando e estendendo as mãos, mas, infelizmente, muita gente se fecha e acaba deixando as oportunidades passarem. Eu me sinto grato em perpetuar esse ciclo de transformações por ter entendido o potencial e necessidade de tudo que foi feito pra mim e, depois, por mim. Viveremos melhor se ajudarmos uns aos outros a subir.

Em todo lugar que você estiver, seja grato pelas coisas todas que te beneficiaram ou que podem vir a te beneficiar. Esteja em contato com as pessoas numa relação transparente, seja lá quais forem seus problemas pessoais. Quem tiver mérito pra estar do seu lado, apesar dos seus problemas, estará e quem não estiver, felizmente, irá embora deixando o caminho livre. Não se menospreze pelo modo como você está hoje, porque estar e ser são coisas diferentes. Estamos sempre em constante transformação e o que somos hoje, poderemos não ser amanhã.

Rodrigo Meyer

Ter conteúdo é sua salvação.

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Ter conteúdo não exige necessariamente ter escolaridade, estar envolvido em mil projetos ou “grandes” profissões. Ter conteúdo não significa nada além de ter algo interno que possa compartilhar. Quando uma pessoa é rasa demais, isso falta e ela encontra uma barreira que ela mesma criou e que impede a conexão com as coisas e pessoas de maneira mais profunda. A vida torna-se muito desagradável quando as pessoas tentam socializar e essa diferença se coloca no meio.

Quando conhecemos alguém, esperamos desenvolver uma relação, seja de amizade, trabalho, professor e aluno, pais e filhos,  ou mesmo um romance. E pra que isso flua bem, as pessoas envolvidas precisam estar alinhadas em pelo menos alguns objetivos em comum. Se alguém está buscando uma boa conversa, vai ser difícil traçar uma conexão se o outro lado não tiver conteúdo pra adicionar. As boas relações vivem de trocas.

Mesmo se alguém for um aprendiz numa profissão, por exemplo, poderá ter inúmeras outras coisas que troca nessa experiência com quem lhe ensina a atividade. É preciso que as pessoas consigam expor suas vontades, seus interesses e transmitir boas histórias, memórias, opiniões que fazem a diferença, ter conhecimentos gerais e um mar de outras coisas. Por muitas vezes, temos que mudar o rumo de conversas ou mesmo desistir do ensino de certos temas e profissões, quando as pessoas do outro lado não possuem cultura geral mínima pra absorver aquilo que pretendemos passar. E esse game over é triste.

Todos nós que temos acesso frequente à internet, temos a obrigação moral de fazer bom uso dela, pois é um desperdício ofensivo ter essa poderosa ferramenta e não utilizá-la bem, enquanto outros que sequer podem acessá-la penam pelo impacto da falta de informação e socialização em suas vidas. Compartilhar conhecimento, claro, não é feito apenas pela internet, mas esta é, com certeza, uma das ferramentas com maior potencial, pois permite usarmos vídeos, textos, fotografias, animações, links, além de podermos compartilhar diretamente com um grande número de pessoas e deixarmos isso disponível pra qualquer horário que quiserem acessar. Não dá pra negar que tudo isso é muito mais poderoso do que as demais formas de comunicação.

Mesmo assim, a internet não é (e não deve ser) o único meio de aprendizado, senão corremos o risco de definhar nossa própria compreensão do que é aprender. E conteúdo interno é, sobretudo, nossas experiências, nossa visão crítica, nosso humor, nosso jeito diferente de ser e pensar os assuntos, toda a bagagem que coletamos ao longo da vida e os rumos que damos para nossos relacionamentos através disso tudo.

O vocabulário de um indivíduo, por exemplo, cresce à medida em que ele mesmo se coloca diante da leitura e de novas conversas, pois não se pode conhecer palavras novas se nunca for exposto à elas. Ler o dicionário não é nenhum ato absurdo e deve, sempre, ser uma opção pra quando não temos muito traquejo para nos comunicar. Evite, porém, usar excessivamente as palavras que acabou de aprender como se já dominasse o extenso significado e contexto delas, senão corre o risco de parecer artificial e/ou pretensioso demais.

Uma professora da época de faculdade nos propôs de lermos uma certa quantidade de vocábulos do dicionário por dia e ao final do curso de Comunicação Social estaríamos bem distantes de onde começamos, apenas com esse simples ato. Sendo feito de pouco em pouco, diariamente, esse aprendizado não pesaria e como seria fracionado ao longo do curso todo, mesmo se interrompêssemos a prática, teríamos absorvido pelo menos algumas palavras à mais no começo da tentativa. Só tínhamos a ganhar.

Mas, conhecimento não se resume a conhecer palavras. Essas você pode ter facilmente a qualquer momento que quiser, perguntando à alguém ou consultando-as na enciclopédia, na Wikipédia, em um dicionário convencional impresso ou mesmo no Google. O que conta mesmo é o que você faz com as palavras. Mas para fazer algo com elas, é preciso conhecê-las, inevitavelmente. Lendo e escrevendo você pode refletir através de textos, poemas, frases, ou qualquer que seja o formato de conteúdo. E isso não é um mero capricho. Isso é sua vida, são suas chances, sua realidade, suas chaves e também a diferença entre derrotar-se ou ter meios para vencer. E isso se aplica em qualquer setor da vida.

Você pode, eventualmente, estar buscando um emprego novo, um namoro, bons amigos ou mesmo dividir um pouco do seu tempo com familiares ou desconhecidos em uma festa. Não há outro meio de se traçar conexões coerentes e mais profundas se não for através do seu conteúdo e a habilidade que tem de compartilhá-lo. Certa vez me apresentaram a ideia de que se pudéssemos ler as mentes uns dos outros, seríamos todos solitários e deprimidos. E mesmo no modelo de realidade onde não lemos as mentes de ninguém, podemos acabar chegando em similares situações apenas pelo que as pessoas expressam.

Com exceção da timidez, ninguém deveria ter dificuldades em se expressar. Com exceção dos naturalmente misteriosos, ninguém deveria ser confuso em suas expressões e intenções. Com exceção dos afetados por químicas, ninguém deveria perder a lógica ou a cadência em uma ideia proposta. Com exceção dos que não podem fazer mais por si mesmos, ninguém deveria ficar restrito ao vazio da falta de conteúdo.

Aquilo que somos por dentro é nossa salvação. É lá que habitam as trocas fundamentais para um aprendizado, uma conversa, uma análise de nós mesmos, da vida, da filosofia por trás das coisas, do sentido de nascermos ou morrermos. Está também no interno de cada um, as vontades, as ambições, os impulsos criativos, os pensamentos abstratos ou de outros tipos. São eles que nos fazem chegar à conclusões que mudam nossas vidas de uma só vez a cada vez. São essas grandes possibilidades que nos colocam em atividades maiores e melhores. Sem conteúdo interno não teríamos jamais inventado a internet, os computadores, as sociedades e suas culturas. O que expressamos adiante é fruto do que temos dentro de nós. Não há como dividir com o mundo aquilo que não se tem. As relações envelhecem melhor quando estamos cientes de que temos a melhor conexão.

Eu não estou dizendo que o conteúdo interno anula ou inferioriza as conexões emocionais. Mas, mesmo elas, são geradas e sustentadas por causa do conteúdo interno. Tudo que somos como pessoa e tudo que construímos de forma subjetiva entre seres, lugares e coisas, está relacionado ao que conseguimos enxergar para traçar um significado maior, mais profundo e, muitas vezes, intraduzível.

As pessoas rasas frequentemente se assustam ou se incomodam com qualquer quantidade que seja maior do que estão acostumadas a lidar. Uma bandeja suporta muito menos líquido que um balde. Se vertermos apenas metade da água de um balde cheio nela, ela transborda de imediato. Tudo que for vertido em excesso será um incômodo, um atropelo ou até uma angústia. As pessoas não querem sentir que estejam afogadas em coisas das quais elas não podem ou não querem lidar. Isso às faz perceber que são rasas e imediatamente ativam o possível complexo que possuem sobre isso. E se, por outro lado, voltarem a esquecer desse contato, tudo se normaliza e elas voltam a lidar apenas com as gotas de seus interesses. Mas, inevitavelmente vão se deparar com novas situações semelhantes e podem acabar defendendo a ideia de que baldes são excessos. Perigo à vista!

Não serei eu a impedir alguém de mergulhar em tais escolhas, mas o prejuízo pessoal de quem assim escolhe é imenso. Em um aparente benefício, essas pessoas buscam o caminho mais curto e fácil, mas passam a vida toda andando em círculos e chegam a lugar nenhum, enquanto outros, por andarem em linha reta com propósitos e objetivos, chegam mais longe. A velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete não anula a necessidade de ter que lidar com isso mais tarde e ainda amplia o problema, pois é mais fácil varrer umas migalhas por dia do que ter que carregar caçambas delas de uma só vez. No caso das pessoas rasas, o acúmulo é de vazios, que pesam mais que toda matéria do Universo.

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Rodrigo Meyer

Quando estiver saturado, pare de absorver e comece a criar.

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As rotinas e os hábitos nos levam para coisas boas e ruins, mas nos levam a repetições. E, por isso, estamos sujeitos a nos sentirmos saturados, cansados de uma determinada situação, coisa ou pessoa. Às vezes são nossas memórias que nos assombram ou um vício, um costume ou tendência. Se não estamos satisfeitos com algo, precisamos parar de absorver essa realidade e dar nova função para nós mesmos.

Se estiver insatisfeito com os vídeos do Youtube, por exemplo, seria uma boa hora de começar a fazer seus próprios vídeos. Se o que anda lendo não te agrada, foque-se em escrever textos melhores. Se as músicas não parecem tão boas, torne-se o próximo músico a produzir algo interessante. Você pode sempre transformar a mesmice ao redor em algo que lhe engrandeça e, de quebra, ainda leva algo potencialmente bom para mais pessoas que também estavam buscando novidades.

Eu estou sempre em busca de algo que me surpreenda em qualidade ou estilo. Quero ver o diferente, o incomum. Nem sempre veremos pela frente aquilo que queremos. Se a realidade está desinteressante, podemos recriar a realidade, escrever histórias, inventar personagens e cenários, fazer um desenho, montar uma tirinha de gibi, viajar e explorar outras possibilidades, em outras cidades, com outras pessoas.

Temos as ferramentas na mão e quando não temos muito talento, temos a chance de aprender e desenvolver algo até nos tornarmos melhores. Esse engrandecimento pessoal é não só uma ocupação da mente, mas também do espírito. Dentro de nós pulsa essa força que nos exige oportunidades constantes de expressão. Precisamos abrir as janelas e deixar que as manifestações ocupem seus espaços.

A melhor forma de combater tudo que nos parece saturado, seja na mente ou na sociedade, é colocarmos nossas próprias expressões, com nossas próprias regras e valores. Você é convidado constantemente a cobrir de cores os muros cinzas, dar contraste nos papéis, reunir novas ideias e letras, dar outros sentidos para a internet e os relacionamentos. O que tem feito de seus dias, suas histórias, seus sentimentos e emoções? Como está lidando com o fato de estar livre para um novo dia amanhã? E o que tem feito sobre o dia de ontem que já passou e não volta mais? Está realmente construindo algo no momento presente?

Eu estou em busca dos meus talentos e do empoderamento de qualquer outro ser que queira desenvolver seus próprios. A cada vez que vejo alguém produzindo, sinto que temos solução à caminho. Se alguém me surpreende e me joga uma poesia fora dos velhos moldes ou me conta uma história improvável, meus olhos e ouvidos correm avisar meu cérebro de que portões estão abertos. Me vem um impulso de sorrir e os olhos até chegam a brilhar. Me dá uma vontade de sair pelas ruas, comemorando minha própria esperança pela humanidade.

A diversidade é importante e só é plenamente exercida se todos estiveram manifestando aquilo que gostariam de ver no mundo. O espaço que cada pessoa ocupa dá sentido indispensável para o mosaico que é o todo. A humanidade não se forma por conceitos de afunilamento, pois isso estrangula o próprio conceito de convivência. Quanto mais utilizarmos nossa essência individual para interagir com o coletivo, mais satisfeitos estaremos com nós mesmos.

Eu, por exemplo, quando noto que os grupos do Facebook estão entregando mesmice e banalidade, me coloco em modo de ação automaticamente e busco chacoalhar o meio com alguma piada, com um alguma informação nova, uma poesia, uma gentileza, um jeito novo de apresentar uma imagem ou até mesmo desistindo do grupo e abrindo outro grupo, com outras pessoas, para outros propósitos.

Essa oxigenação que fazemos nos ambientes e situações é também uma oxigenação de nós mesmos, de nossa mente, nossa vontade, nossa esperança , nossos pensamentos, nossos desejos. Isso nos permite reavaliar a vida, a felicidade e nosso bem-estar geral. Acredito que tenha sido Freud que disse que antes de nos diagnosticarmos com depressão, devemos ver se não estamos apenas cercados de idiotas.

É mais ou menos isso que entendo dos contatos gerais. Se as coisas nos parecem ruins demais talvez precisemos repensar o que estamos absorvendo. Você pode passar por todos os lugares e escolher o que de bom extrai de cada um deles. Se você não tem conseguido ver muitas coisas úteis, talvez esteja nos meios errados, cercado de idiotas, como sugere a frase. Talvez os conteúdos ruins, os hábitos ruins e as pessoas ruins sejam, juntos, a combinação fatal que nos adoece o espírito, nos rouba a paciência, nos tira o prazer, nos planta a ansiedade, nos leva embora a vontade de nos expressar. Se o excesso de lixo ocupa demais nossa mente, ficará difícil termos espaço livre para nossas próprias expressões.

Ao absorver qualquer coisa, não acumule. Use a transformação útil que pode ter daquilo e siga para o próximo momento. Fazendo uma analogia com a internet, ao abrir um link no navegador, aproveite o conteúdo e feche o conteúdo logo após. Faça a reflexão pelo tempo que for necessário e depois liberte-se desse peso. Converta em coisas novas como ações. Não deixe que isso fique plasmando insatisfação ou culpa em sua memória. O tempo passa e só você se prejudica com algo que carrega e não vê utilidade. Se você se obriga a carregar algo, talvez esteja supervalorizando uma ideia, lugar ou pessoa. E se não te faz bem, será que realmente lhe vale tanto?

Claro que, às vezes, não estamos devidamente prontos para receber as coisas de que precisamos e, então, nos sentimos engasgados, como uma rua apertada que não tem espaço para muitos carros ou pessoas. Às vezes queremos dar fluxo para muitas coisas em nossas vidas, mas travamos porque somos estreitos demais. Nesse caso, somos nós que precisamos nos alargar. Sente em frente ao espelho sem pressa e sem resistência e responda pra si mesmo se você está cansado de comer ou seu estômago que encolheu demais? É a luz, por si só, que te incomoda os olhos ou é você que estava tempo demais na escuridão? Os estímulos e cobranças sociais são pressões ou você que está fragilizado demais pra corresponder à eles? Será que somos realmente tão melhores que aquilo que vemos ao redor? Precisamos saber, seja lá qual for a resposta.

Se eventualmente suas reflexões te levam a sonhar mais e a buscar ajuda pra concretizar isso, então parece que o bem-estar vai predominar. Mas se você constantemente se refugia nos mesmos hábitos e nas mesmas pessoas que, claramente, não te levaram à nenhum lugar relevante de satisfação pessoal, psicológica, social, familiar, intelectual ou artística, então parece que o bem-estar não virá disso. Permita-se conversar consigo mesmo e responda essas perguntas. Tente se encontrar e veja quais caminhos te ajudam a subir e quais são apenas a velha tática de varrer tudo pra debaixo do tapete e futuramente ter um entulho pesado pra limpar, pela negligência acumulada ao longo dos meses e anos.

Para ir pra frente, pode contar comigo.

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Rodrigo Meyer

De quem é a culpa pelos rumos de um país?

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A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia de Marc Schlumpf, tirada em 3 de maio de 2009 do “Landsgemeinde”, uma das mais antigas formas de democracia direta que ainda são praticadas em lugares na Suíça.

Ainda que governos interfiram no andamento das coisas em um país, quem permite a existência ou permanência desse governo, é o povo. Mesmo em situações de invasão e golpes, o desfecho de qualquer país está diretamente relacionado com o quanto somos permissivos. Se nos recusarmos a manter certos tipos de políticos no governo, estaremos protegidos de outros oportunistas.

Na Islândia, o Partido Pirata conseguiu reverter uma situação inaceitável, tendo o povo como núcleo da transformação. Reunidos em defesa de si mesmos, demitiram todo o governo, sem nenhuma exceção. Simplesmente se livraram de tudo que ali existia. Além disso, prenderam cerca de 26 banqueiros. Essa decisão que muitos países acham incrível e impraticável, aconteceu por lá como resposta à corrupção. Uma vez que não aceitavam aquilo, uniram-se e tomaram uma iniciativa curta e direta, sem meios termos.

Mas porque outros países não fazem o mesmo? A diferença crucial está na população. A Islândia não é composta de brasileiros, nem de americanos. Ela é formada de islandeses. De onde vem esse engajamento e união dos moradores da Islândia? Vem de tudo aquilo que construíram ao longo do tempo pra si mesmos. Cultura entre as pessoas e valorização do indivíduo, dentro das escolas, das famílias e da sociedade em geral. Houve um esforço sincero de avanço nas questões sociais e psicológicas de cada pessoa e uma infinidade de avanços sociais como resultado de todo o verdadeiro interesse em construírem um ambiente bem-sucedido, onde todos se sintam interessados em continuar apoiando os benefícios e, portanto, apoiando a si mesmos.

O Brasil, contudo, é o inverso disso. Aqui o individualismo reina e nada temos em investimentos de psicologia, sociologia, educação, cultura e afins. O paraíso da Islândia não é um acaso, não é sorte e não é algo mágico que sempre existiu firme e forte. Países como a Holanda estão fechando presídios por ausência de presos. A criminalidade some e como consequência o controle social torna-se menos necessário. Qual é a mágica? Países como a Noruega, por sobrarem tantas vagas em presídios, chegam a importar presos, como forma de contribuir com outras comunidades ao mesmo tempo em que dão alguma serventia pras estruturas que já existem.

Mas a obtenção desses benefícios sociais não depende exatamente dos políticos ou governos. Quem dá abertura pra que essa realidade seja planejada e desenvolvida é a população, que determina aquilo que aceita ou não nos postos de trabalho, na sociedade ou fora dela. Unidos entre eles mesmos, eles decidem o que querem pra todos. Debates e conversas abertas entre todos os interessados vão apontar à eles se devem investir na raiz dos problemas ou se devem enxugar gelo, como muitos outros países fazem.

Certos países se beneficiam de um paraíso que eles mesmos se determinaram a construir. Já se perguntou quais são os países que possuem menos presídios, melhores escolas, índice zero em analfabetismo e fome? Quais são os países que estão derrubando corrupção e fechando presídios? Porque estão fazendo isso? Como estão conseguindo chegar nesse nível de solução social? Seria mágica? Será que demandou muito dinheiro? A verdade é que quando você para de enxugar gelo, você não joga dinheiro no lixo comprando pano toda vez que ele encharca. Investir certo da primeira vez economiza dinheiro ao invés de demandar mais gastos. Mas, os corruptos e exploradores querem continuar a vender panos para países como o Brasil, que passam a vida enxugando gelo e continuam na mesma situação há séculos. E é a população que permite que esses exploradores existam.

Entendo que boa parte dos brasileiros e da população mundial geral não possuem noção de potencial próprio, de união ou de cultura. Não há como esperar que estes desejem imitar a Islândia, por exemplo. Falta em muitos por aqui, infelizmente, vontade de honestidade própria ainda. Como poderemos, então, cobrar que os políticos sejam honestos? Que sentido teria um brasileiro corrupto querer demitir um governo corrupto? Que moral possui um brasileiro desse tipo pra cobrar qualquer coisa em seu próprio país? Onde se aceita o erro, não se cobra a correção. A equação não é mais complexa que isso. O povo é, portanto, o responsável pela situação de seu próprio país.

Claro que podemos nos dar as mãos, nos ajudar e começar a reverter isso. Podemos, se quisermos, repensar valores, repensar a ética, repensar os dramas psicológicos, as estruturas familiares, o desempenho educacional, o interesse pelo aprendizado, as transformações individuais e coletivas por meio de acompanhamento, apadrinhamento, amizades positivas, engrandecimento dos acertos, empoderamento das pessoas, valorização do indivíduo, inserção das pessoas nos meios sociais, reintegração das pessoas por meio de reabilitação física, emocional, psicológica, social, intelectual, funcional, entre tantas outras coisas.

Há muito trabalho pra se fazer e não serão os governos corruptos que terão interesse de ajudar nesse progresso. Muito pelo contrário. O que eles puderem fazer pra ampliar a miséria e a desigualdade social, farão, pois isso ajuda alguns poucos em termos de poder e dinheiro. A miséria dá lucro, a violência dá lucro, a ignorância dá lucro. Um país derrotado e afundado como o Brasil é uma mina de ouro pra uns poucos, na velha prática de se enxugar gelo.

Claro que as saídas não ocorrem da noite pro dia, mas isso não é uma deixa pra você voltar ao conformismo ou a desistência do tema. Pelo contrário. Sabendo que há muito pela frente, você precisa ser duas vezes mais engajado na transformação das pessoas. Pegue uma pessoa da sua família, do seu círculo de amigos, do seu meio social, do seu trabalho ou colégio e plante suas sementes. Você tem o potencial de fazer algo para alguns e deve se juntar à mais gente que faça o mesmo. Juntos estarão transformando multidões. A progressão matemática da união é a diferença entre gotas tentando lavar um quintal com lama em comparação com gotas unidas, formando uma enxurrada de água. Separados somos frágeis e pouco eficientes, mas juntos somos poderosos.

Não incentive as pessoas que batalham pela desistência da luta. Essa luta delas é, muitas vezes, fruto de más reflexões ou até mesmo ações coordenadas por quem quer dissuadir as pessoas da ação de transformação. Quando alguém tenta montar coletivos de transformação social, empoderamento e similares, logo isso começa a deixar corruptos inseguros, pois se muita gente fica consciente e engajada, podem acabar varrendo pra fora o entulho do país. A Islândia fez isso e quase nenhum país ou mídia teve interesse de anunciar o fato. Não houve nenhuma discussão sobre uma das ocorrências que considero mais relevantes no mundo moderno.

Pessoas ao redor do mundo estão fazendo seus papéis, conforme o poder de união que conseguem entre as pessoas. O brasileiro, enquanto for pouco receptivo para a ajuda, se verá longe da solução de seus próprios problemas. A cada vez que alguém estende as mãos, passa pelo Brasil toda uma oportunidade de surpreendermos o mundo. Não adianta ficar acomodado, esperando as coisas mudarem sozinhas ou pela ação dos outros. A sua ação é tão indispensável quanto a dos demais. A equação que funciona não é alguns fazendo e outros olhando. É preciso que todos façam seu papel e aceitem a interação proposta. Só assim você verá seu esforço ser revertido em algo que efetivamente funciona.

Em todos os textos, estou aqui estendendo minhas mãos em muitos sentidos. Através dos contatos que estamos traçando dentro e fora da internet, com os mais variados tipos de pessoas, nas mais variadas situações de vida, vamos construindo uma teia, uma rede de contatos. Sei que grande parte das pessoas sequer poderão acessar a internet para desfrutar dos textos, mas para os que podem, cabe o compartilhamento dos aprendizados, levando tudo isso ao maior número possível de pessoas.

Já escrevi em textos anteriores, sobre a importância de iniciativas no trabalho e nos estudos, promovendo acesso e função para nossos trabalhos e habilidades. Precisamos fazer algo mais de nossos talentos e conhecimentos, permitindo que eles sejam também ferramentas de transformação social. É muito mais interessante viver na Islândia do que no Brasil. Então façamos do Brasil uma Islândia ou qualquer outra coisa que entendermos como um ideal para nosso povo.

Somos mais de 200 milhões de pessoas atualmente. Você se pergunta quantas dessas pessoas tem condições e vontade de habitar espaços livres? Quantas delas buscam status e dinheiro como forma de se isolarem dos demais ao invés de buscarem a equalização da qualidade de vida pra todos? Quantos estão preferindo morar encarcerados na própria casa, por falta de interesse de resolver os problemas sociais pela raiz? Querem enxugar gelo a vida toda ou querem desfrutar do bem-estar da Holanda, Islândia, Noruega e afins? Pense diferente, pense melhor, pense pra frente, pense que você pode ser a diferença na equação. Mude a si mesmo e o mundo ao redor magicamente abre alguns caminhos bem tranquilos para retribuir.

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Rodrigo Meyer

O dinheiro te liberta ou te prende?

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Considerando as dificuldades sociais que a maioria da população passa, é compreensível que busquem por mais dinheiro. As pessoas querem melhores condições de vida, mais saúde, que não lhes falte comida, conforto, prazer. Mas será que lidamos bem com o dinheiro? Saberíamos usá-lo corretamente se tivéssemos mais? Podemos descobrir isso avaliando o que já fazemos com o pouco dinheiro que temos. O modo como enxergamos dinheiro acaba sendo o mesmo, independente da quantidade.

Se, por exemplo, vivemos por aparência e status, nosso dinheiro acaba indo embora rapidamente, mesmo que não seja tão pouco. Um salário some se o modo de vida inclui comprar marcas apenas pelo status ao invés de comprar produtos pela sua finalidade real. Você poderia comprar dezenas de produtos ao invés de comprar apenas um que promove status. Se seu dinheiro vai embora em bobagens assim, então o dinheiro não te liberta, apenas te prende.

Costumamos dizer, por humor ou verdadeira crença, que dinheiro traz felicidade. E pode até ser que seja verdade, em certo sentido, pois na sociedade atual o dinheiro compra certas facilidades pra nossa vida e nos permite fazer mais coisas. Embora isso possa nos trazer alguns prazeres, será que ele nos faz feliz de fato? Há diferença entre prazer e felicidade? Há sim. Um dia você acabará colidindo com o termo “hedonista fatigado”. O hedonismo é caracterizado pelo prazer como filosofia de vida, mas até um hedonista pode se ver cansado disso em algum momento. A razão pra tal é que prazer e felicidade não são a mesma coisa e mesmo rodeado de supostos prazeres, podemos nos encontrar sem felicidade. Pode-se especular, então, que esses prazeres não são prazeres reais.

O dinheiro pode te comprar uma cadeira melhor e seu corpo agradece. O dinheiro pode comprar uma casa maior onde os moradores não fiquem o tempo todo se esbarrando e tenham privacidade. O dinheiro compra viagens, comidas mais elaboradas, eletrônicos, cursos, móveis, artes, cirurgias e o que mais listarmos como importante pra uma vida que se avalie como sendo de qualidade. Mas qual é o limite entre qualidade de vida e escravidão perante o dinheiro?

O dinheiro te prende quando você começa a ter o que não precisa, comprar por impulso e até atropelar outras pessoas para obtenção de mais dinheiro ou ainda usar o dinheiro que tem pra controlar pejorativamente a vida de outro(s). O dinheiro te prende quando você começa a pensar que não consegue viver bem, apesar de já ter todo tipo de conforto. O dinheiro te prende quando você se torna uma pessoa que usa da ascensão financeira pra compensar suas fraquezas psicológicas, seus medos, seus complexos, sua raiva e assim por diante.

Existem casos onde um indivíduo passa a juventude toda em condições sociais ruins e ao conseguir algum dinheiro posteriormente, ostenta como forma de dizer ao mundo que agora é a vez dele de ter poder, de ter tudo aquilo que ele não tinha antes. Mas ostentar ultrapassa o limite do conforto e passa a ser uma conduta fraca e adoentada onde uma pessoa se enterra em um mar de coisas desnecessárias. Isso acontece como reação quase que automática do complexo que essa pessoa sente. Ela se sentia inferiorizada e com pouco valor na sociedade e transfere para os bens materiais toda a compensação disso. Como vivemos numa sociedade que superestima os bens materiais, o dinheiro e o status, esses elementos se tornam a ferramenta mais comum de “compensação” para as fraquezas humanas.

É assim que um cordão de ouro pra fora da roupa passa a ser mais importante que um cordão de aço por dentro da roupa. Mostrar que custou caro e deixar que todos vejam que você está usando porque tem poder de compra, é a tal compensação pretendida para quem tem complexo de seus passados. E isso precisa ser analisado e equilibrado, porque não beneficia ninguém, nem à você mesmo. E, da mesma forma que muitos tiveram juventudes difíceis financeiramente, a ostentação não ajuda a mudar essas realidades para outras pessoas. Ao contrário, quando alguém ostenta um cordão de ouro (ou diversos deles), faz as pessoas pobres sentirem-se tristes, menosprezadas, inferiores, incapazes. Também tira a oportunidade dessa realidade mudar, pois ao invés dessa fortuna ajudar pessoas a saírem da pobreza, converte-se em coisas sem função real, como cordões de ouro.

Tão mais interessante ao se ganhar dinheiro é buscar coisas reais, com função e, dentro das possibilidades, ajudar quem precisa sair das situações em que julgamos indignas pro ser humano. Estender uma mão quando se tem dinheiro, traz uma inabalável felicidade. Devemos tentar, mesmo que nossa “fortuna” seja pouca como um trocado que não nos pesa e que pode servir como refeição pra quem passa fome e frio pelas ruas. O seu dinheiro ajuda a quem? Se está escravo dele, não ajuda nem à você mesmo.

Progredir na vida é o que todos nós devemos almejar. E nem sempre isso é sinônimo de se obter mais dinheiro. Qualidade de vida não tem, necessariamente, relação direta com isso. Os padrões sociais e os modelos de política que adotamos pra gerir os grupos de pessoas em uma sociedade são escolhas e diversos modelos podem levar à um bem-estar coletivo. Não deixe de olhar as possibilidades e entenda que ser feliz é a prioridade do jogo.

Às vezes escuto pessoas especulando o que fariam se ganhassem o prêmio da loteria. Chega a ser engraçado de tão trágico. Há tão pouca noção do potencial do prêmio que as pessoas pensam naquele montante gigantesco como a oportunidade de comprar um carro, uma casa, quando na verdade o prêmio permitiria comprar uma frota inteira de carros e quase um bairro todo de casas. E, claro, ninguém precisa de 200 carros e 200 casas. Então o que farão com o dinheiro que sobra depois de comprar uma ou duas casas e os carros que pretende efetivamente usar? Será que gastariam tudo em chicletes e pizzas? Falta percepção da grandeza numérica, mas também falta noção do poder social que o dinheiro tem. As pessoas não conseguem prever a imensidão de vidas que o dinheiro pode salvar ou ajudar a crescer.

É plausível, porém, os momentos em que pessoas que tiveram ascensão financeira, dedicam-se à ajudar organizações de saúde, de combate à pobreza, de apoio à vítimas de abuso ou simplesmente abrindo possibilidades diretas pra que as pessoas deixem o cenário da pobreza. Quem tem dinheiro, tem poder. E o poder deve ser usado para, entre outras coisas, melhorar o ambiente em que vivemos e as relações que traçamos. É muito mais agradável viver numa sociedade em que as pessoas todas podem ter acesso à ensino de qualidade, comida saudável, roupas confortáveis, segurança física e emocional, lazer, cultura, espaço para desenvolver seus talentos e vontades. E se abrirmos essas oportunidades pra mais gente, certamente elas retribuirão isso quando elas mesmas também estiverem em uma condição melhor.

Todos podemos estar lado a lado e vencer igualmente. Existe um termo que vem se popularizando no mundo que é “ubuntu”. Refere-se ao conceito de união, de vencer junto pelo esforço coletivo ao invés da disputa egoísta. Lembro-me de uma anedota onde um fotógrafo viajou pro exterior para uma comunidade onde haviam muitos problemas sociais, fome e miséria. Tentando agradar e preencher o tempo até seu horário de viagem de volta, ele pegou um punhado de doces e propôs uma brincadeira com as crianças. Aquela que chegasse primeiro em uma certa árvore distante, ganharia todos os doces. Para surpresa do fotógrafo, as crianças se deram as mãos e foram andando calmamente até a árvore. Chegaram todas juntas, sem cansaço, sem brigas, sem problemas. Todas elas, por direito, chegaram primeiro e repartiram todos os doces que ganharam. O fotógrafo, viciado pelo conceito de disputa nas sociedades, aprendeu o termo “ubuntu”. Leve isso consigo ao pensar o valor do dinheiro e das coisas na vida. Felicidade pode ser tão simples quanto fazer a coisa certa do modo certo. Dizem que uma felicidade dividida é uma felicidade ampliada.

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Rodrigo Meyer

Não dependa da sorte.

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As pessoas que passam por dificuldades na vida, podem contar com muitas ferramentas para tentar mudanças, mas não devem ficar dependentes da sorte. Isso significa que você pode incluir a sorte no pacote, mas não deve depender dela pra desenvolver sua vida, mesmo porque além de relativa pra muitos, se ela vem, não é sempre e nem pra todos. Então, deixe essa inconstância e imprevisibilidade de lado e se concentre nas coisas que está efetivamente fazendo para mudar sua situação.

Se você anda triste, sem motivação ou até mesmo se enfrenta um caso de depressão, você precisa conhecer um pouco mais do seu problema, de si mesmo e das origens dessa situação. Não adianta esperar que as coisas simplesmente se resolvam magicamente com o tempo. Se você esperar sem fazer nada, o tempo irá agravar seus problemas.

Se você enfrenta algum problema de saúde ou está tentando alterar seu peso ou aparência, ações precisam ser tomadas. Você deve rever suas práticas, hábitos e se engajar em contextos que sejam indicados pra sua situação. Reclamar não ajuda, com certeza e, por vezes, o estímulo pra se fazer mudanças está em nós mesmos, mediante a forma como enxergamos nosso valor, nosso potencial e o quanto realmente estamos prontos pra começar a revolução que precisamos pra nós.

A sorte não conta muito na hora de fazer uma prova, um exame, um teste, uma visita ao médico. A sorte não influi quando a realidade está negligenciada. Se você não está tentando proporcionar as condições certas para os seus objetivos, eles possivelmente não vão tocar a campainha da sua casa como num filme de ficção. Mas isso não é motivo pra desanimar. É exatamente se colocando no papel da realidade que você começa a aceitar o espelho, ver com clareza os seus pontos fracos e fortes e tomar decisões em termos de ação.

Evite andar em círculos, sempre deixando de lado aquelas coisas que supostamente são importantes pra você: seus sonhos, suas vontades, seus desejos, seus ideais, suas alegrias, suas amizades.

Quando nos tornamos preparados pra caminhar, temos que estar cientes de quem somos e que potencial temos. Será que vamos mesmo andar ou vamos desistir mais uma vez? Eu me vi desistindo tantas vezes no passado e a única coisa que coletei disso foi desprazer e arrependimento. Hoje eu jamais me deixaria na mesma situação. Não importa o que os outros digam, a falta de apoio que recebo ou mesmo as barreiras que se colocam diante das situações. Eu digo sim pra mim e faço mesmo quando não estou no cenário ideal. Essa perseverança e motivação própria é fruto de estar psicologicamente pronto para se engajar nos próprios planos. Essa determinação é, sobretudo, amor próprio.

As pessoas tentarão te colocar pra baixo, porque a luz ofusca quem está na escuridão. Desacostumados pelas coisas boas, tudo que floresce parece vivo demais. Mas eu não me importo mais. Não se deve viver procurando agradar os descontentes. O que se pode fazer por eles é deixar seu exemplo, seu sorriso, a lembrança de seus momentos. Você pode ajudar muita gente a subir, mas apenas se você mesmo não tornar a cair. E, por isso, nunca aceite que a vida seja menos do que o entusiasmo que você sente em fazer as coisas.

Acorde no seu horário preferido sempre que puder, faça as escolhas que pode, na direção do que ambiciona. Se você gosta de arte e te recriminam por seus gostos ou escolhas, troque de sintonia, mude de ares, mude de pessoas. Ambientes melhores e maiores estão por vir, se você realmente tiver vontade de existir. Eu não posso garantir jamais que tudo será fácil e rápido. Geralmente é sempre o inverso, mas isso não é problema pra quem está buscando de verdade.

Eu não pude contar com a sorte. Ela nunca esteve presente. Respeito muito mais a observação dos cenários, das pessoas, do mundo, das realidades. Respeito a transformação pessoal, a educação, a sintonia entre as pessoas, a mudança de hábitos e o esforço de cada um. Até mesmo quando esperamos que alguém venha nos ajudar, precisamos estar aptos pra receber essa ajuda. Eu mesmo, carrego um lema pra vida: só ajude quem quer ser ajudado.

Não adianta esperarmos sentados pela iniciativa de fora, se a nossa própria conduta e pensamentos estão impedindo as melhoras. Se você está passando por qualquer dificuldade na vida, saiba estar aberto a receber. Isso significa que você precisa transformar-se minimamente ao ponto em que as pessoas possam chegar até você, possam te conhecer, possam entender seu problema, estender uma mão, oferecer uma oportunidade e te encaixar em algo que seja apropriado pra ambos.

E a sorte não vem se você fecha as portas e tinge tudo com um tom de desconfiança, desprazer e arrogância. As relações humanas devem ser simples. E se você não for igualmente simples, acabará espantando as mãos mais generosas. Aprende-se muito em atividades de Serviço Social (que inclusive é um curso universitário), tomando contato com as pessoas nas mais diferentes situações de necessidade de ajuda. Isso demonstra a importância que é fazermos alguma coisa diante das situações próprias e alheias, tomar uma iniciativa fora do campo das ideias e ir principalmente para a ação, para a mudança.

Escolher agir ao invés de se cobrir de atalhos, simbolismos e outras firulas pode ser um bom modo de levar a vida. E tudo bem se você não souber no momento como começar as suas transformações. A vida está aí pra ser dividida e as conversas serem feitas, as informações serem aprendidas e as portas ficarem mais abertas e mais bonitas. Há opções pra quase todos os problemas e até para os problemas sem solução pode-se fazer alguma coisa boa, como por exemplo, aceitar, superar e mudar o foco e a visão.

Eu sei que queremos tudo pra ontem e estamos muito cansados de vivenciar os desprazeres. Todos nós queremos trabalho, conforto, carinho, dinheiro, conhecimento, prazer e tempo livre que não seja tédio e agonia. Sei que todos nós queremos o melhor pra nossas vidas, mas a sorte não sabe e não faz muito por nós. Ela gosta mesmo é de chegar vez ou outra pelo acaso, sem muita regularidade. Bom mesmo é confiar no nosso esforço, traçar boas conversas, boas amizades, estar entre as melhores oportunidades. Precisamos engrandecer a qualidade de nosso pensamento, nossos hábitos e nossos momentos.

Eu desperdicei tanto tempo nos lugares errados e com as pessoas erradas que jamais me permitirei perder meu maior tesouro: o próprio tempo. Hoje, se eu pudesse recriar meu passado, faria tudo mais cedo e recusaria de cara todas as superficialidades nas relações, nos estudos, na diversão. Desprendemos muita energia e sentimento por situações que não valem tudo aquilo. Tiramos o foco da nossa própria saúde e acreditamos que só nos resta determinadas opções. E estamos, claro, repetidamente errados.

Comecei a me ver acertando, quando eu larguei de vez os velhos pensamentos pessimistas, as reclamações sobre a vida. Me foi mais valioso estar sozinho do que mal acompanhado. Me livrar das pessoas que nada queriam, nenhum propósito tinham e só estavam vagando pela vida, feito zumbis, tirando nossa atenção em busca de nossa energia. E sem perceber, você gasta mais da metade da sua vida toda sem nunca se permitir conhecer quão alto você realmente alcança. Os sonhos são pequenos porque as mentes sonham pouco. E param de sonhar com tanta frequência, que já não acreditam muito que viver é coisa boa. Tudo em que tocam ganha um ar amargo e esquisito que não nos motiva nem mesmo a encerrar a vida. Ficamos presos entre a dor e a morte e nem pra isso podemos contar com a sorte.

Temos que ser agradecidos pelas pessoas que seguram nossa mão com firmeza e prometem dar toda força que puderem pra tentar nos levantar. Temos que ser gratos e também retribuirmos isso com nossas atitudes. Esqueçam essa ideia de que dinheiro resolve tudo, porque isso é, na verdade, o motivo de tanta gente se ver entristecida pela vida. O que resolve mesmo é estarmos envolvidos com sinceridade uns com os outros, dando aspecto de família pra sociedade e formando amizades além daquela fina camada superficial.

As pessoas já não se permitem mais conversar, abraço saiu de moda e, se for apertado, chega a constranger. As pessoas tem medo de acordar e dizer ‘bom dia’, medo de parecerem idiotas ou ingênuas. E tudo querem da vida, mas nada querem dar. Elas querem que caia do céu uma fortuna todo dia, mas quando é a vez delas, elas não podem te ajudar. Essas inverdades cobram da gente um preço amargo e às vezes sem volta. Se você se deixa contaminar por essas pequenas coisas hoje, amanhã elas se tornam normais e você piora um pouco mais. Se não breca suas fraquezas com ação, em pouco tempo seu mundo fica viciado, cheio de falácias e desculpas pra continuar acomodado.

Eu não estou dizendo que você conseguirá tudo sozinho. É exatamente o contrário. É juntando-se aos demais, com sinceridade, que você conseguirá extrair algum retorno das suas tentativas. Os dilemas pessoais podem continuar sendo pessoais, mas você pode, eventualmente, sentir-se animado a trabalhar sozinho por inspiração de um abraço que recebeu, um sorriso que viu, uma memória agradável ou a certeza de que pode contar com alguém na hora do aperto. Essas facilidades da vida são construídas por cada um de nós, se assim quisermos, se assim permitirmos. Elas não vem do acaso, não são trazidas pela sorte. Não são anjos que batem na nossa porta oferecendo amizades, embora diversos amigos possam ter papéis tão dignos e relevantes que chegamos a vê-los como seres especiais.

Mas, quer saber? Essa especialidade que enxergamos em quem nos ajuda não é da pessoa. Exageramos nossos elogios e nossa visão admirada por algo que não vemos todos os dias. É verdade que você não encontra essas pessoas aos montes. E é sobre isso que precisamos por nossos olhos. A escassez dessas pessoas é reflexo de como estamos levando nossas vidas humanas. A inação que nos compete está tomando forma todos os dias e formando uma sociedade que não admiramos. Deixamos de ser “anjos”, porque escolhemos ignorar por completo tudo aquilo que poderíamos fazer por alguém o mesmo tanto que poderíamos receber. Viver em sociedade é, sobretudo, troca. E se as relações não forem profundas e sinceras o suficiente, as trocas também não serão. Quem perde com isso? Você, eu e todos nós, mesmo que não tenhamos nada a ver com isso.

Se você prometer que vai mudar eu te apoio. Mas se você demonstrar ação, eu te abro um sorriso, estendo a mão. Eu estou querendo ser surpreendido pelas pessoas. Quero ver quem vai poder dizer que a vida está injusta. Se você me mostrar que tem valor e que o fracasso veio apesar de você ter tentado, aí sim eu estarei do seu lado. Posso não ter todas as soluções que você precisa e nem pretendo, mas estarei lá com o pouco que eu tiver. Estou blindado apenas aos oportunistas e gente que só quer facilidades. Eu quero é gente disposta, que esteja pronta pra qualquer proposta. Quero por perto, gente que queira superar os problemas, dar tchau nas asneiras e solidificar o mundo. Eu não quero gente que busca dinheiro, mas pouco se importa com o que está fazendo. Eu não quero desperdiçar meu estoque de risadas com alguém que vai trocar esses dias por um status, um nome na placa do puteiro, um crachá de prata, uma vaga de emprego.

Aprendi que esse tipo de gente dá azar. Esses tiram nossos tesouros, em todos os sentidos, em todo lugar. Essas pessoas não criam, se apropriam. Elas não vencem, compram vitórias. Elas não aprendem, fingem saber e, acima de tudo, não querem mudar, pois pra ser um pouco melhor do que ontem é preciso mais do que teoria e dinheiro, é preciso ação. E como sabemos, ação não dá em qualquer lugar.

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Rodrigo Meyer