Quem são os apoiadores de Bolsonazi?

Inicialmente, antes das eleições do final de 2018, o quadrilheiro saiu do anonimato e ganhou fama, em especial pela repugnância e polêmica de suas afirmações em uma ou outra mídia, com ajuda de uma gangue de crianças de não mais que 13 ou 15 anos de idade. A imaturidade de todos, inclusive do referenciado, uniu essas pessoas em uma ideia em comum que era a de autoafirmação diante da sensação de serem completos imbeciloides diante da vida séria, adulta, etc. Enquanto adolescentes de 13 anos tentavam se sentir adultos, fracassavam tanto quanto seu bandido de estimação, Bolsonazi.

As afirmações racistas, machistas, homofóbicas, de incentivo ao crime, violência, milícia, extermínio de pobres, ódio de classes, ridicularização de vítimas, somaram-se com aquele aspecto patético de pseudo-masculinidade atrelado a armas e bandidos fardados do Exército e da Polícia Militar, culminando numa fácil aceitação por esse público de adolescentes mal resolvidos com a puberdade, com inconsistência / fraqueza mental, covardia, insegurança psicológica e uma criação social moldada por famílias desestruturadas, cheias de vícios de conduta, de ética e outras mazelas. Não demorou muito pra que essa sopa de desgraça, alimentasse a mídia onde esses adolescentes improdutivos mais gastavam tempo: a internet.

Por muito tempo, essa catástrofe midiática foi vista apenas como uma moda patética. Mas foi justamente a visibilidade ao trágico e cômico que deu espaço pra que uma figura que era anônima na política há quase 30 anos, ganhasse repercussão. Passou a figurar em mais programas de televisão, em notícias, memes, etc. Uma vez famoso por todo lixo que proferia em palavra e conduta, chamou atenção de um novo público que se juntaria à ele: adultos conservadores, bandidos fardados, racistas, neonazistas, milicianos, quadrilheiros, estupradores, traficantes, estelionatários, burgueses corruptos e qualquer um que se sentisse representado pelos crimes que ele enaltecia.

A cada vez que ele elogiava um bandido fardado em qualquer mídia, essa classe se sentia finalmente protegida e acolhida, com respaldo de alguma figura pública famosa. Isso dava a certeza de que poderiam aumentar e perpetuar seus crimes e condutas com a chance de ainda serem condecorados, melhor pagos, enaltecidos em mídias e normalizados como o padrão de realidade. Se antes tinham que se esconder nas intervenções nas favelas pra cobrar propina, pedágio, traficar armas e drogas, assassinar inocentes, forjar cenas de tiroteio pra justificar assassinatos de inocentes, agora poderiam simplesmente fazer isso em qualquer lugar, de qualquer maneira. E fizeram, como mostra o episódio em que o exército disparou 80 (oitenta) tiros contra um carro de uma família inocente, seguido do comentário do Bolsonazi de que o exército não havia feito aquilo.

Não demorou nada pra que parentes e cônjuges cúmplices desses bandidos fardados entrassem em defesa daquele idoso fétido que discursava em favor do crime, sob a fachada falsa de repúdio ao que eles chamavam (e apenas chamavam) de crime em si. Enquanto defendiam a invasão pesada nas favelas, sobre o pretexto de combater o tráfico, na verdade encobriam o fato de que as próprias UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), na verdade eram os próprios controladores do tráfico de drogas local, tanto na parte do dinheiro, das armas, quanto das drogas, movimentando fortunas gigantescas simplesmente pela facilidade que o cargo lhe conferia. Uma estratégia comum entre os frouxos e covardes, que precisam se esconder atrás de um colete a prova de balas, uma viatura, um distintivo / cargo / profissão, um pseudo-aval do governo para terem acesso a algum poder sobre os outros, por meio do crime, corrupção, violência e patetice. Munidos não só de balas e armas, tinham também um salário oficial seguido de uma fortuna paralela vinda da corrupção da própria “profissão”. Enquanto isso as elites continuavam a traficar com seus helicópteros com meia tonelada de cocaína ou, como vimos mais tarde, pelo próprio avião da FAB (Força Aérea Brasileira), levando cocaína para o exterior junto com a comitiva do “presidente” Bolsonazi.

Tal realidade sempre existiu e, com o passar do tempo, foi citada e homenageada. A cada crime cometido por um destes bandidos fardados, Bolsonazi ou um de seus familiares, logo se pronunciava em admiração e proteção, tentando criar uma imagem social de que ser bandido era o ápice da grandeza de um indivíduo. Aquela visão falha, frouxa e tragicômica de masculinidade que nunca figurou além de pseudo-masculinidade. A insegurança nesse quesito foi o alicerce pra construir um modelo imaginário que atingisse ainda mais apoiadores, por meio de afinidade com o problema. Agora já não precisava ser apenas bandido fardado pra se sentir pertencente ao grupo de “valores” que Bolsonazi protegia. Se ele figurasse ao lado de amigos condenados por estupro, por exemplo, logo atiçava os olhos de estupradores para se sentirem parte do time. Se ele saía à público pra humilhar mulheres, os machistas erguiam as mãos em saudação à um similar. Se a humilhação fosse pra gays e lésbicas, os homofóbicos (muitos deles, homossexuais não assumidos publicamente e muito mal resolvidos com o tema) batiam a mão no peito de orgulho por ver que alguém os ajudava a encobrir essa condição deles.

Quando figuravam nas notícias as ações de extermínio, estupro, assassinato e desova de corpos, de forma massiva e aleatória por parte dos bandidos fardados da “polícia” e “exército”, uma classe burguesa aplaudia simplesmente por ver que pobres e negros estavam sendo eliminados do planeta. Pouco se importavam que o ideal racista deles fosse um crime triplo de racismo, assassinato e apologia ao crime. Sentiam-se livres pra falar, afinal, dejetos similares já foram falados publicamente em todo canto, repercutindo nas redes sociais. O Brasil se sentiu finalmente bem representado, por uma figura que enaltecesse a elite corrupta, a classe média corrupta que almejava ser rica como a elite e uma classe pobre corrupta, que, enganada pela classe média e pela burguesia, eram a força motriz de suas próprias mortes e desgraças. Nasceu o tragicômico “pobre de direita”, a figura que acreditava que a miséria em que ele estava inserido era culpa apenas dele e que ele poderia sair dessa condição, apenas se esforçando. Ironicamente, nenhum deles saiu da condição de miséria, senão pela corrupção ou outras formas de crime, tal como o exemplo dado por seus exploradores acima.

A elite branca, composta de todo tipo de inúteis que jamais trabalharam na vida, alimentados pela exploração do capital e da força de trabalho alheia, receptores de heranças (incluindo as gordas heranças de militares e antigas famílias beneficiadas por doações de terras pelos governos corruptos das épocas de ditadura militar e monarquia), agora tinham uma marionete útil que lhes servia facilmente. Montados em grandes mídias de pseudo-jornalismo, rádios, canais de televisão e outras empresas de fachada pra extensa e contínua lavagem de dinheiro, puderam investir esse excesso de dinheiro, contra os seus opositores, controlando como e quando as peças do jogo seriam movidas por essa regra mundialmente difundida, chamada ‘poder financeiro’. Cada vez mais tinham a possibilidade do dinheiro comprar decisões favoráveis na “Justiça”, de abafar delatores, de comprar o assassinato de seus opositores, de comprar espaços nas mídias para inserção de seus pontos de vista, de fundar instituições de lavagem cerebral (e também de dinheiro) como as pseudo-Igrejas, que em inúmeros casos estavam atreladas ao tráfico de drogas e armas, evasão de dinheiro pro exterior, acobertamento de estupradores e/ou pedófilos e todo tipo de banditismo esperado por um grupelho de pessoas que viram no Brasil o potencial para montarem em cima da população otária, para usurpar dinheiro e outros benefícios, sem precisarem sequer se esforçar pra isso, já que os próprios explorados estavam cada vez mais mergulhados na chamada ‘Síndrome de Estocolmo’, onde passam a admirar e proteger seus próprios opressores.

Com tamanha facilidade da perpetuação do crime, com o tempo a realidade foi se tornando saturada e insustentável, uma vez que todo o massacre gerou também um risco de reação explosiva de resistência. Então encontraram uma solução emergencial que foi o golpe político na democracia, para controlar de vez tudo e todos. Eliminaram a primeira resistência a todo esse entulho, ao inventar um crime para atribuírem à presidente da época, Dilma Rousseff. Sendo claro a inexistência do crime, tiveram que forjar uma análise jurídica do caso, sob os votos comprados na Câmara e dos acordos políticos de bastidores, como sinalizado no áudio vazado das conversas que se tornaram meme na internet falando de “estancar a sangria” por meio de “um grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”. Tempos depois pudemos perceber a aplicação prática disso, ao ver como as estâncias de julgamento do ex-presidente Lula o tiraram da elegibilidade das eleições de 2018, sob a alegação de crime, por meio de uma denúncia forjada, um julgamento comprado e manipulado por interesses políticos, sem nenhum alvo real e concreto em termos de crime e provas, mas que, por meio de um teatro midiático e o apoio da quadrilha Bolsonazi, ficaram validados e cimentados pela corrupção de mídias, políticos, instituições públicas, delatores comprados, delegados e juízes assassinados, além do caso histórico do extermínio de Marielle Franco que, justamente, denunciava a ação criminosa dos bandidos fardados. Pudemos constatar o ocorrido, quando veio à tona recentemente os vazamentos das conversas do “juiz” Sérgio Moro, conhecido como Marreco de Curitiba, forjando o processo e a condenação de Lula por meios de acordos. Graças a mídia “The Intercept”, pudemos ter acesso a essas conversas vazadas comprovando a corrupção que já sabíamos mas aina não tínhamos provas.

O desgoverno chegou ao “poder” e cumpriu o esperado pelos seus idealizadores e financiadores. Entregou o país para os americanos, privatizando tudo o que fosse possível, desvalorizando e vendendo em troca de nada, conferindo um lucro astronômico para acionistas e burgueses de dentro e fora do Brasil, atrelados a esse modelo corrupto de fascismo, conservadorismo, ódio de classes, racismo, neonazismo, machismo, incitação ao estupro, veneração ao banditismo militar e tudo aquilo que cansamos de ver e saber estar atrelado a essa classe que toma de assalto os espaços políticos e públicos pra ganhar uns anos a mais de vida nadando na fortuna que nunca tiveram competência, mérito e coragem de conquistar por meio de trabalho e inteligência. Basicamente um atestado de frouxidão nunca visto antes. O clássico clichê (redundância proposital) da estupidez humana, que, na ganância por dinheiro fácil e diante da barreira de um Q.I. estrondosamente insuficiente para as ações cognitivas mais simples, tiveram que se render ao crime, ao fascismo e a violência para se apossarem do que queriam.

Passaram-se alguns poucos dias da “posse” do desgoverno atual em 2019 e o nível de desemprego aumentou pra números recordes, junto com a taxa de suicídio. A criminalidade disparou, os casos de corrupção aumentaram não só em número de casos, mas em volume de dinheiro envolvido. Somente alguns desses casos já conseguiram atingir o patamar dos trilhões em corrupção. Somados todos, o número seria incalculável para a noção média atual. O Brasil é recordista em arrecadação de impostos, em corrupção, em pobreza, em lavagem cerebral, em sonegação de impostos, em lavagem de dinheiro, em exploração do trabalho, em usurpação do dinheiro em instituições pseudo-religiosas, no tráfico de droga e armas e em qualquer outro crime que você quiser incluir na lista. Somos um pseudo-país, fazendo pseudo-política, para que uma porcentagem minúscula de frouxos seja beneficiada.

Atualmente nossa alimentação está tomada por 269 novos venenos adicionados na agricultura, entre eles diversos que são altamente letais e cancerígenos. Esse veneno está presente inclusive nas torneiras das casas, segundo o mapa da água e tem como objetivo claro e direto, o extermínio da população mais pobre, seguido da oportunidade de lucro fácil em cima de um problema que nunca existiu, exceto como barreira pro banditismo da burguesia. A aposentadoria não será mais possível aos brasileiros úteis, que terão que trabalhar até o dia da morte, já que a idade média de longevidade é inferior à idade estabelecida pela reforma da previdência. Diversas classes especiais de beneficiários da previdência foram simplesmente removidos, mas não por que falta dinheiro para mantê-los e sim porquê o objetivo é explicitamente matá-los depois de escravizá-los ao máximo possível pelo trabalho, com um salário indigno sem direito a nenhuma aposentadoria, enquanto todo esse montante arrecadado pela instituição, é direcionado pra engordar os benefícios já gordos da classe que menos paga impostos no país: políticos, militares, banqueiros, grandes mídias e burgueses em geral. Enquanto o modelo prático é o do dinheiro fácil tirado à força da massa pobre, incitam a população idiotizada a repetir o discurso da meritocracia, a mesma meritocracia que eles nunca irão seguir, até porque sabem tanto que não existe e não funciona, que tiveram que desistir de tentar e se envolver com o crime pra obter qualquer “vantagem” financeira e política.

E é tão somente por toda essa afinidade com o crime, violência, opressão, machismo, homofobia, fraqueza mental, insegurança, masculinidade frágil, Q.I. limitadíssimo e falta de perspectiva pessoal e social, que uma parcela podre da população brasileira apoiou e segue apoiando a quadrilha Bolsonazi, assim como todos os demais grupos sociais que fazem parte, direta ou indiretamente, dos “benefícios” que a quadrilha os concede, por meio de acordos criminosos nos campos políticos, midiáticos, financeiros, militares, etc. Se você, ingenuamente, achou que era por combate à corrupção o ódio dessas pessoas contra as figuras como Dilma, Lula (frequentemente avaliados como Centro-Esquerda ou até mesmo apenas Centro) ou a qualquer figura posicionada no espectro da Esquerda ou em posição qualquer que seja que se oponha à quadrilha Bolsonazi, então lamento pela sua ingenuidade. Não existe bandido ideologicamente convicto que seja contra a criminalidade ou corrupção. Basta ver que, durante o teatro tragicômico que foi a chegada do desgoverno Bolsonazi em 2019, o que não faltou foi notícia de eleitor assumido do quadrilheiro “eleito”, figurando em crimes de tráfico de drogas, assassinato, estupro, sonegação de impostos, desvio de verbas, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e o que mais você quiser listar como crime. Basicamente a realidade é uma só: se foi eleitor de Bolsonazi é bandido ou admira e faz apologia ao banditismo, o que dá no mesmo. Se uma figura que se declara e/ou se alia com neonazistas, homofóbicos, racistas, machistas, milicianos, estupradores, traficantes, estelionatários e afins, discursa na mídia abertamente e atrai o interesse de voto de um indivíduo, então esse indivíduo não se opõem aos crimes por ele praticados, mencionados, aplaudidos, abafados, homenageados, elogiados, ostentados, perpetuados e normatizados. O eleitorado de uma escória desse tipo, torna-se igualmente criminoso por endossar os crimes e por ter uma mente completamente voltada para a validação desses ódios, preconceitos, violências, crimes e fraquezas. O eleitorado que se sente representado por uma escória, vê na figura da escória um espelho, uma identificação.

A boa notícia é que ninguém precisa estagnar a mente e pode melhorar o Q.I. e a conduta, aprimorando sua reflexão, sua moral, sua percepção da realidade, etc. Alguém que passou a vida passando vergonha tentando contornar as fraquezas e incompetências por meio da violência, dinheiro e criminalidade, pode, agora, se quiser, tentar conquistar uma realidade positiva e estável pro coletivo, tentando ser alguém decente, com pensamentos e condutas decentes. O Brasil, na era do governo Lula chegou a ser a sexta maior economia do mundo e agora, somos uma piada internacional, listados abaixo de 250 no ranking. O Brasil não ganhou nada, perdeu tudo e talvez tenha perdido o mais importante: a possibilidade de reverter o quadro à tempo. Os desfechos tristes na economia, no trabalho, na educação, no meio-ambiente, no clima, na previdência, na democracia e na estabilidade mínima social, deram um golpe letal no país que, finalmente, conforme alguns países gostariam que fosse, está sem governo, sem projeto de nação, sem resistência, sem oposição, pronto pra ser entregue e sugado. Sempre que uma ditadura é instaurada no Brasil (mesmo as que são maquiadas de democracia), tenha certeza de que quem financia ela são os Estados Unidos com ajuda dos burgueses do Brasil. É assim que eles chegam no objetivo financeiro e de poder, pra continuarem controlando esse quintal (talvez um mero banheiro de beira de estrada), chamado Brasil, onde eles podem vir, levar todo ouro, petróleo, ciência, tecnologia, recursos naturais, dinheiro advindo da mão-de-obra escrava altamente lucrativa e voltar sem esforço nenhum, sem precisar morar nesse buraco trágico e insustentável.

Pra você que se opõem a quadrilha Bolsonazi e a todo esse modelo sujo e frouxo, cabe a você a ação direta. Nada menos que a ação direta será eficiente ou suficiente. Tudo menos que a ação direta será mera piada entra os cochichos da própria quadrilha que pouco se importa com a repercussão dos estragos feitos e que, com orgulho, ainda anunciam que estão só começando. Se você for passivo demais a ponto de baixar cabeça pra essa escória, então você será parte do problema. Converta seu cansaço dessa situação asquerosa em ação direta engajada, inteligente, consistente, contínua e inegociável. Faça o seu melhor ou sua vida será a pior possível. Uma frase do ativista negro Martin Luther King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

Organize-se em favor da liberdade.

Rodrigo Meyer – Author

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A receita do caos e a esperança.

A imagem que ilustra esse texto é uma adaptação de uma fotografia de 7 de Maio de 2006 feita em um evento de Democracia Direta, em Glarus, na Suíça.

É difícil não falar de política quando tudo na vida do homem em sociedade é política, querendo ou não. Ao falar do ser humano, temos que, necessariamente, falar sobre política. Mas, engana-se quem pensa que política é somente aquilo que compõem a esfera das ideologias partidárias, dos planos de governo, das eleições e das decisões e repercussões dos assuntos ministrados pela classe dos chamados ‘políticos’.

Em verdade, todo ser é um ser político e não apenas os engravatados que ocupam cargos oficiais em um governo. Quisera eu não precisar falar de política, um dia após o 1º Turno das Eleições brasileiras. Seria tão mais fácil e agradável seguir a vida pensando no próximo livro, na próxima ilustração, no trabalho, na companhia dos amigos, nas viagens e nos prazeres adiados a tanto tempo. Mas, por isso mesmo, é importante erguer os punhos e direcionar um pouco mais de energia, mesmo sabendo o quão desgastante é lidar com a situação do Brasil.

Desde o “descobrimento” do Brasil, com a invasão dos portugueses, a tomada de nossos bens, a destruição e/ou apropriação da cultura indígena e dos negros, em paralelo a escravização destes, até os momentos ditos ‘modernos’, que de modernos não possuem nada, ficamos em situações vergonhosas, desastrosas e incompatíveis com qualquer sonho de progresso que atribuímos aos chamados ‘países de primeiro mundo’. O Brasil tentou por muitas vezes reverter sua própria condição, apostando em iniciativas que nasceram de baixo pra cima, das gerações de pessoas empobrecidas pela exploração, netos dos netos de muita dor e pouco respeito recebido. O Brasil se formou, basicamente, pelo trabalho de quem sobreviveu ou deu a vida por uma esperança de mudança. As pessoas que mudaram esse país, goste você ou não, não foram os banqueiros, nem as pessoas que sistematicamente receberam heranças de nobres, que por sua vez, só se tornaram assim ricos (porque nobres mesmo nunca foram), pela exploração das pessoas. Tempos depois, ainda vemos isso acontecer, sob outros métodos e cenários. Agora, relativizam até mesmo os direitos e salários conquistados, na busca por um retorno à época em que as pessoas tinham o que comer, mas eram escravizadas. Estamos em um país quebrado financeiramente, mas mais do que isso, quebrado moralmente.

Mas, por hoje, não vim falar exatamente desse tipo de política, muito menos sobre economia e mercado. Embora seja verdade que isso tudo é importante, porque é a consequência atual que vivemos, temos que compreender, antes, como chegamos no caos. E pra entender isso, precisamos lembrar de tudo que tentam omitir ou apagar diariamente.

Há alguns dias eu lia o depoimento de um rapaz que quando adolescente sentia orgulho de apoiar um determinado pensamento, chegando a admirar uma figura de liderança desse meio na política brasileira. Os anos se passaram e ele despertou de uma imensa ilusão. Não foi tão simples quanto esperar o tempo passar. Foi necessário que ele tivesse a decência de se valorizar o suficiente pra se desvencilhar de falácias e má informação. Teve que estudar História, Política e se empenhar na sua própria compreensão, descobrindo os motivos que o faziam ter falta de empatia e uma conduta e/ou pensamento simplista demais para os problemas do mundo. Tal rapaz discursava em seu depoimento de arrependimento como um pedido de ‘mea culpa‘, se retratando sobre o seu passado e explicando o erro cometido que culminou na atual mudança de postura.

É bonito ver que uma pessoa, sozinha, por assim dizer, apenas com a ajuda de sua própria curiosidade e força de vontade, conseguiu refletir sobre si mesmo, seus erros, a causa de seus pensamentos equivocados, seus transtornos, seus medos, suas inseguranças e seus preconceitos sobre o mundo. Munido de informações sobre si mesmo, ele percebeu que o melhor caminho era munir-se também de informações aprofundadas sobre o mundo. Eis que nasce alguém novo, disposto a aprender ao invés de replicar bordões e ilusões. Eis que nasce alguém questionador que pensa sozinho e não depende de ninguém ditando o que ele precisa fazer ou pensar. Eis que surge alguém que realmente tem potencial de transformar o mundo.

Observando esse caso isolado de transformação, logo podemos notar que as mudanças são possíveis, mas depende de um esforço sincero. Quando você busca a liberdade de entender mais daquilo que não conhecia, você transforma preconceitos em conhecimentos, ilusões em dados realistas. O inverso disso, sendo a estagnação pura ou o retrocesso, aniquila o potencial humano de se lapidar, de melhorar, de progredir, de evoluir, de adquirir conhecimento e de quebrar os preconceitos. O Brasil chegou num estágio de sufocamento social onde corremos o risco de tristes novos desmembramentos dos fatos que ocorreram, principalmente, de 2014 pra frente. Durante estes anos recentes, o Brasil se viu em uma guerra de corrupção imensa, onde até os que deveriam ser responsáveis pelas prisões, figuraram em crimes de corrupção e prisão (vide o caso do apelidado ‘Japonês da Federal’, pra citar apenas um das centenas de envolvidos). Cruzamos por um processo fraudulento de Impeachment, com votos comprados entre os políticos, recoberto com a certeza de que a corrupção continuaria ainda mais vigorosa, apesar da ‘Operação Lava Jato’. Áudios vazados mencionavam que a corrupção só conseguiria seguir adiante se houvesse “um acordo com o Judiciário, com tudo.”. De lá pra cá, nunca se viu tanta parcialidade, hipocrisia, corrupção e banalização da vida. Viciados em corrupção e dinheiro, os políticos aproveitaram o caso generalizado pra agir ainda mais, já que era tanta confusão, que ninguém teria tempo pra discernir todas as falcatruas que estavam ocorrendo em paralelo.

Enquanto o brasileiro assistia entusiasmado pelas cenas dos próximos capítulos nas sagas diárias dos telejornais ou dos sites de notícias na Internet, os políticos riam em dobro, matando delatores, juiz e até mesmo o delegado que investigava a morte deste juiz. Em uma sucessão de crimes pra queima de arquivo, o recado foi dado: após o aval dos corruptos na Justiça e na Política, todos estariam segurando seus ossos de forma incondicional, tivesse ou não que matar alguns pra isso. Com o juiz, Sérgio Mouro, o mesmo que recebe ilicitamente salário acima do teto permitido por lei, diversos casos convenientemente foram ignorados por ele. Em se tratando de seletividade e hipocrisia, esse parece ganhar de muitos outros. Abraçou de forma notória o partidarismo e fez todo o possível pra inventar um cenário que corroborasse com a teoria que ele e sua turma escolheram pra pintar a caveira de certas figuras políticas. Tanto fez e tanto recebeu respaldo da mídia, que conseguiu não só forjar a condenação de Lula, como mobilizar um mar de incautos a expandir a semente do ódio que nutriam pelo PT.

Tais pessoas, enviesadas pela ideia de que o Partido dos Trabalhadores (PT) representava automaticamente uma ideia ou consenso abraçado por todos os políticos que ali estavam inscritos, formaram um grande número de brasileiros que não tinham disposição de aprender ou discutir verdadeiramente os assuntos políticos, criaram um muro de ignorância, exatamente ao sentido real de ignorar algo. Ignoraram fatos, ignoraram a manipulação política que sofreram, ignoraram as pendências internas de si mesmos, ignoraram as falácias cometidas, o ódio pregado e até mesmo as ‘fake news’ criadas e compartilhadas massivamente pela internet e até mesmo pelas mídias ditas ‘convencionais’. O brasileiro aprendeu de forma completamente distorcida e limitada, que bastava ter ódio à um monstro imaginário e tudo ficaria bem. Foi exatamente esse cenário desastroso de desafeto pelo estudo e reflexão da política que cultivou uma plateia sedenta por manipulação, por discursos de ódio compatíveis, por uma plantação ostensiva de falácias e conceitos pré-fabricados que levasse o eleitor a ficar tão indignado com o cenário desenhado por alguns ao ponto de começaram a achar válido ideias descabidas como, por exemplo, dar voz, poder e espaço pra figuras completamente despreparadas e mal intencionadas como a do candidato à presidência de 2018, Jair Bolsonaro.

Mas, engana-se novamente, quem pensa que esse espaço nasceu simplesmente da repetição sistemática dos discursos de ódio contra os governos anteriores. Esta repetição foi, se muito, apenas o embrulho de um contexto prévio muito maior que estava sendo gestado no brasileiro. Descobrimos em 2018 um abismo aparentemente sem precedentes, composto de um número grande de pessoas abertamente cegas sobre valores e dignidade humana, adeptas de um discurso aberto de xenofobia, racismo, machismo, homofobia, ódio de classes e uma alusão fictícia e pré-fabricada de um suposto combate aos regimes totalitários comunistas. Muito se nota disso, quando se percebe que essas pessoas desconhecem até mesmo que Comunismo nunca se resumiu aos citados regimes totalitários que visualizamos na União Soviética ou em outros exemplos similares. As pessoas que apontam ódio ao Comunismo, tentam, em vão, alçar do fundo da História um cenário que não tem nenhuma conexão com os ideais abraçados pela diversificada esquerda no Brasil e em vários povos do mundo. Independente de qual seja seu posicionamento ideológico, é um poço de ignorância acreditar que é suficiente pautar seus discursos e pensamentos em algo que você simplesmente desconhece e, mais do que isso, replica um discurso se posicionando ardorosamente sobre, sem nem mesmo poder ter coerência ou respaldo de fatos. E quem sai perdendo com isso, além de você mesmo, são todos os demais na sociedade que vão ter que mastigar as consequências da falta de informação, das mentiras e preconceitos plantados, do ódio gerado e, claro, da manipulação ainda mais feroz dos corruptos e sedentos por poder, em cima, justamente, desses que nada sabem sobre aquilo que os está explorando e manipulando no campo da política (pra dizer o mínimo).

Perceba que é natural e sensato as pessoas terem pensamentos diversos, desde que estejam sempre almejando conhecer ao invés de reduzir preconceituosamente uma suposta oposição que desconhecem. Na vida política, em espaços democráticos, por exemplo, vê-se algo em comum com modelos de diferentes vertentes políticas, que é justamente a concordância em se fazer uso dos mecanismos políticos em comum pra preservar, antes de tudo, o direito de todos terem espaço possível na política, restringindo, paralelamente e automaticamente, as opções que derrubam e ameaçam a democracia, como é o caso do fascismo. Por essa simples razão, vertentes ideológicas até mesmo fora do campo da democracia, ainda encontram sintonia com os democratas, no sentido de manterem, pelo menos, o antifascismo como requisito. Não tarda muito pra que as pessoas olhem estas informações apontadas e fiquem assustadas ou receosas sobre o que isso possa significar. Tantas e tantas vezes já se foi feito o discurso depreciativo sobre a auto-gerência ou o Anarquismo, que as pessoas já se esqueceram de que é exatamente nestes modelos que você tem liberdade e autonomia, inclusive pra pensar por conta própria. Ser livre exige muita responsabilidade e, se você recusa ou minimiza o valor de uma ideia que prega justamente a liberdade, você está minando a sua própria liberdade e sua própria coerência. Ao se pautar pelo cerceamento do seu próprio pensamento, você está admitindo um encurtamento de seus potenciais de reflexão, de decisão de sua própria vida e da sua capacidade em ser quem você realmente quer ser.

E onde quero chegar com isso? Gostaria, se possível, conduzir os passos desse texto até o ponto em que você possa perceber que, ter se prestado ao papel sórdido de marionete não fará ninguém ser realmente alguém com potencial de transformar sua própria vida em algo melhor, incluindo nisso, claro, a transformação do seu país. Aqueles que verdadeiramente querem ver uma solução para os problemas do país, precisam, antes de tudo, estarem munidos da autonomia necessária pra pensarem sozinhos, por conta própria, sem apoio de muletas oportunamente criada por manipuladores que vão sugar sua moral, sua índole, seu dinheiro, sua força, seu poder de discernimento, sua educação, sua empatia, seu senso de percepção sobre a aproximação de problemas e até mesmo sobre a percepção do grau dos problemas ao redor. Não seja essa pessoa que cresce sendo levado pelas ideias de qualquer um, espumando seu ódio em discursos rasos que não podem sequer ter comprovação ou respaldo da realidade. Não seja a pessoa que passa vergonha desnecessária na internet e nas conversas de mesa, tentando ensinar a História que nem mesmo você teve paciência de estudar. Faça como o citado sujeito do depoimento que teve a grandeza de rever seus equívocos e começou a estudar política com seriedade, justamente por não aceitar continuar na cegueira, na manipulação, no prejuízo causado pela corrupção dos políticos e nas mentiras e iniciativas nefastas criadas por aqueles que exploram sua mente, seu trabalho, sua família, sua esperança, sua dignidade, sua individualidade e seu valor como ser humano.

Nos próximos momentos, chegaremos ao 2º Turno das Eleições 2018, onde as pessoas precisarão deixar um pouco mais claro aquilo que elas não aceitam pro futuro de si mesmas. Infelizmente, em um cenário como o atual, não tenho como ficar feliz em descrever ou apontar as opções, justamente porque sei que temos opções rivalizadas demais pra conseguir flexibilizar. De um lado temos o que deveria ser inaceitável: um candidato que representa os absurdos do fascismo, com apoio aberto ao horror da Ditadura, tendo como discurso, a homenagem à torturadores, o preconceito violento contra negros, gays, mulheres, índios e minorias em geral. Fosse este qualquer outro candidato de direita concorrendo às eleições, não teria erguido em grande parte da população (não só do Brasil) um repúdio automático expresso em manifestações ao redor do mundo. Você pode achar que essa rejeição é mais um plano mirabolante conspirado por um político opositor, um partido ou um grupo de viés ideológico, mas engana-se duas vezes. E é por não se permitir compreender a fundo quem são as pessoas que expressaram claramente a não aceitação do fascismo como opção política, que você acaba manipulado mais uma vez pelo seu próprio opressor. Ainda que você simpatize ou solidarize com algumas das supostas ideias pregadas ou discursadas por Bolsonaro, precisa, antes de tudo, entender o que te levou a esse desespero que te jogou à um equívoco na interpretação da realidade, no aprendizado sobre fatos históricos, no que é benéfico ou eficiente pra transformação da corrupção do país ou até mesmo no que é útil pra aproximação da sua ideologia na vida até você. Se hoje você pode pensar com liberdade sobre todas essas questões, é porque livros não foram queimados, rasgados ou confiscados, ideias na internet, no rádio e em outras tantas mídias, não foram censuradas, espetáculos de música ou teatro não estão controlados, etc.

Uma figura tão polarizada como a deste candidato do PSL, ao lado de outra figura que tem sido vista como um mascote do Partido dos Trabalhadores (PT), fez com que os ânimos ficassem aflorados. O Brasil conseguiu cair em um contexto de anti-PT muito grande, onde até mesmo a figura de um ex-prefeito que cumpriu resultados na sua gestão, tem sido visto com maus olhos por muitos que aderiram aquela ideia fácil de seguir o vento dos discursos de ódio que pressionaram os últimos presidentes do Brasil. Esse tipo de polarização impensada, coloca na balança figuras com pesos completamente diferentes. Você pode até mesmo não achar ideal o potencial do candidato do PT à presidência e suas propostas de governo, mas o que você não pode negar é que, entre as opções que restaram, ele é o único que pode lhe assegurar a continuidade da sua própria liberdade de escolher próximos candidatos em próximas eleições. Feliz ou infelizmente, em 2018 passamos por eleições atípicas neste primeiro turno e seguirá sendo uma eleição atípica no segundo turno. Diferente de outros anos de eleição, o atual momento nos colocou pra escolher algo muito além do que planos de governo ou até mesmo de ideologia partidária. Estamos diante de um cenário que pode comprometer gravemente a democracia, extirpando ela à força ou maquiado de meios “legais”. Um candidato que não reconhece a legalidade e a democracia, que acredita que pode resolver problemas da grandeza do país por meio da violência, não é só uma pessoa violenta e sem empatia, mas alguém que desconhece sobre como as coisas realmente funcionam. O Brasil já vive um caos generalizado desde a colonização e tudo tem se agravado dia após dia, por falta de investimentos suficientes nas áreas que realmente importam. Negligenciar a base e a causa dos problemas não vai resolver os problemas existentes, vai ampliá-los e ainda trazer novos problemas. Esse é o perigo que muita gente notou e quis distância de forma incondicional.

Você tem nas mãos a oportunidade de tolerar um governo que não aprecia tanto, mas que será tua opção possível na democracia, pra rejeitar o fascismo embutido na única figura que restou como concorrente deste. Infelizmente, quando o mundo fica polarizado, as pessoas ficam apenas com duas opções e isso é desastroso. Queira pra si, sempre, ter todas as opções possíveis e imagináveis. Isso é liberdade, isso é, até mesmo, ser liberal e ter a possibilidade de definir e discutir ideias. Lembre-se que, por mais que você pense pelo ódio, quando você, eventualmente, descobrir que se arrependeu, talvez não encontrará mais as portas abertas pra sair de onde você nunca quis ter entrado. Pense nisso e lembre-se que eu dediquei meu tempo escrevendo tudo isso, justamente porque nenhum dos dois candidatos que figuram no 2º Turno, são alinhados com os meus valores e ideais, mas, certamente, entre estes dois há um deles em que escolho tolerar e esperar pelas próximas Eleições e o outro eu não concordo de maneira nenhuma em ter que engolir, sem opção, fruto de um eleitorado manipulado que venceu pelo ódio e não pelas ideias, pela disseminação das ‘fake news’ que rodeiam a internet há muito mais tempo do que a candidatura de ambos. Eu escrevi esse imenso texto, por me opor sistematicamente ao fascismo e à qualquer porta aberta para tal. Escrevi, porque acredito que boas ideias e ações honestas valem mais do que corrupção e violência. E, finalmente, escrevi tudo isso, porque estudei, porque me permiti pensar sozinho e porque não aceito nada menos que a minha liberdade. Almejo continuar, vivo, respeitado, com espaço para pensar, escrever, refletir, discutir, mudar, evoluir, construir o que possa ser melhor não só pra mim, mas também pra você. Se a sua estrela não brilha, por favor, não tente apagar a minha. Eu prefiro me dispor a ajudar a fazer a sua estrela brilhar também. Liberdade é onde todos tem a oportunidade de vencer, horizontalmente. Opressão é onde um “vence” os demais verticalmente.

Rodrigo Meyer – Author

Honestidade na Segurança Pública?

No Brasil, assim como na maioria dos países do mundo, as instituições de polícia são sinônimo de crime. A diversidade e intensidade de crimes cometidos é tanta que é praticamente indissociável o nome das corporações e dessas profissões em si com tudo o que é abominável. Mas, como também somos um país minado por falta de Cultura e Educação, por aqui também figura uma massa gigantesca de pessoas que sequer sabem discernir entre realidade e ficção ou entre realidade e falácia, ainda mais quando as mídias e os grupelhos políticos usam a própria população como marionetes para assumir um determinado pensamento no lugar destes que não tem autonomia para pensar. É por essa razão que surgem, por exemplo, discursos do tipo “Nem todos são assim. Tem policial honesto.”. Então deixa eu esclarecer algumas coisas bem primárias pra quem ainda é leigo no assunto ‘Segurança Pública’ ou pra quem acha que não é leigo, mas está afundado em equívocos e cegueiras. Falaremos, já de início, de dois tipos de desonestidade. Quais são:

Desonestidade consciente

Primeiro vamos estabelecer que uma parte dos indivíduos dessas instituições já se enquadram automaticamente na desonestidade clássica, por figurarem conscientemente em atos criminosos. Casos não faltam pra exemplificar e, inclusive, muitos registros até se perdem, tanto na vida real quanto na internet, por conta da própria tentativa destes de ocultar os resultados. Mas quem vive o suficiente em torno da realidade, repudiando crime e fascismo, está sempre antenado com o que está ocorrendo dia após dia.

Desonestidade (talvez inconsciente)

Seja por ignorância ou simplesmente por hipocrisia, alguns podem não chegar a ver a extensão da realidade sobre o que são e no que se envolvem. É possível ver figuras se exaltando de raiva ao verem dedos apontados em suas caras, depois de passarem uma vida iludidos na ideia de que eram honestos. Mas será que sabem o que é honestidade? Primeiro, se uma pessoa se classifica como honesta e é contrária a desonestidade, a premissa básica dessa pessoa precisa ser, necessariamente, não compactuar, não ser conivente, não participar e não divulgar aquilo que é desonesto. Partindo desse princípio simples de lógica, que até uma criança pode entender, comecemos esclarecendo algumas coisas:

O ingresso nesse tipo de atividade é facultativo, inclusive no Exército, onde, apesar de haver a obrigatoriedade de se apresentar à Junta de Alistamento, é permitido se recusar a servir por motivo de objeção de consciência. Se é facultativo o ingresso nesse tipo de atividade, então é claro e simples que todo e qualquer indivíduo que entra, faz porque quer, afinal, outras atividades remuneram igual ou melhor e não oferecem os riscos e as corrupções atrelados, majoritariamente, a essa atividade.

Outro aspecto importantíssimo nessa equação é que ninguém que de fato seja honesto tem interesse em entrar pra um sistema, grupo, instituição, organização, atividade ou qualquer outra coisa, depois de estar ciente de que o conjunto está contaminado por corruptos. Seria como entrar pra SS Nazista e ser ingênuo o suficiente pra achar que você vai descumprir ordens desonestas ou abusivas, denunciar superiores ou outros membros da corporação, apenas porque você é o tal ‘honesto sobrevivente’ naquele contexto. Tenho pena de quem pensa raso assim. Provas disso, por exemplo, foi quando a policial militar Andreia Pesseghini (reveja o caso aqui) denunciou 18 outros policiais militares por assaltos a caixas eletrônicos e terminou assassinada junto com o resto da família. Não foi diferente quando Marielle Franco (veja o caso aqui), na função de acompanhar e denunciar os assassinatos, abusos e irregularidades na intervenção em Acari – RJ, cumpriu seu papel e foi executada. A munição estava registrada em nome da Polícia.

É fácil ver que em um ambiente que está tomado por corrupção e impunidade, o crime reina e quem ousa remar contra a maré, corre o risco de ser silenciado. Além disso, inúmeras outras pessoas são rebaixadas de cargo ou simplesmente ignoradas nas suas tentativas de denúncias contra as próprias corporações. Existe até mesmo a premissa em certas instituições de que não se pode denunciar um superior. Com esse pretexto de hierarquia e uma corregedoria falha e muitas vezes intimidada, somente os ingênuos acham que estarão dentro do círculo de criminosos sem serem cúmplices ativos ou passivos dessa criminalidade.

Dentro dessas instituições floresce uma horda de neonazistas assumidos, racistas, assassinos, traficantes de armas, traficantes de drogas, estupradores e todo tipo de bandidagem. E não há nada pra nos surpreendermos com isso, uma vez que a realidade, tanto na própria ação das polícias quanto na imagem gerada socialmente, suscita uma conexão imediata entre crime, fascismo e os desejosos por isso. Mas não são quaisquer criminosos que se enveredam por esse meio, mas sim os que, especificamente, reconhecem-se tão covardes e frouxos que precisam se esconder atrás de um salário, uma farda, uma viatura, uma arma, um colete a prova de balas, uma corporação e uma “licença” artificial plantada para perpetuar poder e opressão sobre as pessoas, como se fosse um cidadão de classe especial ou de melhor valor. Tudo isso lhes confere uma certa segurança e praticidade que eles jamais teriam se fossem bandidos comuns.

E para manter o status quo da criminalidade interna junto com a criminalidade social em geral, os desonestos conscientes manipulam os desonestos inconscientes para atingir os próprios objetivos. Portanto não há como ser honesto e ao mesmo tempo estar sendo parte da engrenagem que movimenta a desonestidade. Um exemplo claro disso é esta notícia:

1. Traficantes mandavam em patrulhas, escalas e transferências de PMs.

Quando as pessoas que mandam no seu trabalho são criminosas e você acata as ordens, você está sendo um desonesto passivo, além de completamente inútil em sua função primária. Na ocasião em que tiveram a ideia de colocar as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), certamente riram da cara da ingenuidade do brasileiro, pois não demorou a surgir a notícia de que isso foi apenas uma ótima oportunidade pra se gerar ainda mais crime, onde rendia mais de R$ 100 mil reais por mês de corrupção, como uma espécie de pedágio. Difícil á saber a quem denunciar, pois fardados e não fardados inúmeras vezes trocam de posição na hierarquia prática da criminalidade. E aqui vão alguns exemplos:

2. Sargento do Exército é preso por fornecer armas ao tráfico.

3. Homem preso com 19 fuzis no Rio é militar do Exército.

4. Ex-Comandante de UPP no Rio recebia R$ 60 mil Reais em propina, pra facilitar o trabalho de outros criminosos.

É tragicômico ver que muitos dos que se consideram honestos dentro dessas instituições são apenas subordinados numa hierarquia, seguindo ordens. Na Polícia Militar, por exemplo, greves são proibidas e o próprio sistema que constitui a “formação” dos policiais é vergonha pura com muita humilhação e violência, justamente pra deixar claro aos que ingressam, que ali eles estão pra servir aos superiores e não a população. Aquele que entra pra uma instituição sabendo disso e não escolhe a imediata saída, é cúmplice dessa desonestidade. E, por isso mesmo é que figuram em casos icônicos de espancamento e prisão de inocentes em manifestações populares e também nas manifestações de professores. Quem se vê obrigado a baixar a cabeça pra ordens como essas (ou se sente compelido a fazer com ou sem ordem dada), é um desonesto. Difícil é dizer que alguém esteja inconsciente de uma decisão ou ato desse tipo, uma vez que é preciso de muito sendo de realidade pra escolher, cegar alguém com bala de borracha, matar alguém asfixiado por gás lacrimogênio vencido, atropelar manifestantes ou simplesmente forjar um crime qualquer para o pretexto de prender alguém.

Enquanto alguns preferem o conforto de escolher uma profissão desnecessária nos moldes em que ela se apresenta atualmente, o restante da quadrilha agradece pelo reforço dado. Assim é na Polícia Militar, na Polícia Civil, na Polícia Federal, no Exército e também na chamada “Guarda Municipal” ou “Guarda Metropolitana”. Na Polícia Federal, o chamado ‘Japonês da Federal’, ao mesmo tempo em que fingia trabalhar para o combate de crimes, figurava ele mesmo em crimes e acabou preso.

5. Japonês da Federal é preso em Curitiba por facilitar contrabando.

Mas, como nesse meio o crime não é impedimento para “trabalho”, tente não rir ao saber que, mesmo assim, ele segue na atividade:

6. Japonês da Federal, usando tornozeleiras de preso, volta a escoltar presos.

Se você achava que já era difícil denunciar comparsas de dentro dessas quadrilhas, agora sabe que, com ou sem denúncia, eles estão rindo da sua cara. Para eles o crime parece compensar. Você saberia dizer quem realmente está alimentando o crime na sociedade? Serão os criminosos comuns ou será que existe uma guerra inventada para justificar contingente nessas funções? A equação é simples: Se não houver uma sensação de crime na sociedade, por ausência de ocorrências, as polícias se tornam mais figurativas do que necessárias. Mas quando as próprias polícias (incluso o Exército) traficam armas e drogas, alimenta-se um cenário de crimes que justifica uma ação contínua, uma grande circulação de dinheiro, jogos de interesse, disputa de poder e, claro, crimes derivados dessa alimentação. Mas note que, na prática, presídios não são para estes, já que estão lotados apenas dos que cometeram crimes banais.

Tente pensar em como a realidade seria diferente, se as pessoas simplesmente parassem de fabricar crimes na sociedade pra depois fingir que estão a combatê-los, apenas como pretexto pra cometer ainda mais crimes. Seria o paraíso. E alguns países sabem bem disso.

Países como a Islândia, pela primeira vez na história do país, dispararam os 2 únicos tiros, em 2012. E não é a ausência milagrosa de criminalidade que permitiu essa marca excelente, mas justamente por que ao invés de enxugar gelo, a Islândia investiu primeiro nas pessoas e nunca em polícia repressiva ou opressiva, muito menos em matança e fascismo. Aliás crime por lá você não vê nem na polícia, afinal, ninguém gosta de atirar no próprio pé e perder o benefício de se viver em paz. Eles sempre preferiram privilegiar a massa cefálica, a sociologia, psicologia, etc.

Outro caso é a Inglaterra, uma das grandes economias mundiais e com a polícia menos violenta do planeta. Só pra constar, a Inglaterra tem basicamente o tamanho do Estado de São Paulo. E dinheiro não é uma desculpa, afinal o Estados Unidos chafurda em dinheiro e é um país extremamente violento, enquanto que a República Tcheca, que mesmo não sendo uma potência financeira, figura em 6º lugar na lista de países mais pacíficos do mundo. O segredo? Todos esses países que conquistaram esse feito de segurança pública, conseguiram isso com uma chave poderosa chamada “Direitos Humanos”, o mesmo que muitos ignorantes criticam por achar que é aliviar para a criminalidade, quando, na verdade, é a forma mais eficiente de se eliminar a criminalidade. Que curioso não? Não pra mim que estudei o suficiente pra poder falar do tema com tranquilidade, ao invés de repetir bordões falaciosos de gente corrupta, violenta, racista, machista, fascista, opressora, ignorante e sem um pingo de interesse em sentar e ouvir qualquer grama que seja de alguma coisa que lhes possa ensinar a viver melhor.

Fora do hanking dos 10 países que figuram como os mais pacíficos, se você realente quiser fazer diferença no mundo e ajudar pessoas ou servir a sociedade, eu te digo que essas atividades policiais, atualmente, não são, nem de longe, o jeito de se fazer isso. Aliás, é, inclusive, importantíssimo dar o exemplo e deixar de pertencer ou enaltecer esses nichos apodrecidos, pra que some ao time dos que querem ver a Segurança Pública se tornar um assunto real e não só um termo técnico pra mascarar melindres e crimes. Um bom começo pra isso será quando a Polícia Militar no Brasil se desmilitarizar, para que o crime possa ser compreendido e reduzido, ao invés de ser só um fábrica de mais crimes e um clube pra centralizar bandidos. O Brasil é um dos poucos países a ainda arrastar uma polícia militarizada.

7. A Polícia Militar de São Paulo mata mais que criminosos.

8. Em APENAS 5 anos, só a PM de São Paulo matou mais que TODAS as polícias dos Estados Unidos juntas.

9. Conselho da ONU recomenda o fim da Polícia Militar no Brasil.

Pensar em Segurança Pública de verdade exige seguir a receita de sucesso dos países que lideram esse assunto: investir em polícia investigativa e não em polícia repressiva. Investir em Educação, Sociologia, Psicologia e Cultura. Qualquer remendo que não seja na base, será só ‘enxugar gelo’.

Se você não vai ter tempo, disposição, saúde, segurança, estrutura e poder de investigação, pra denunciar e barrar 100% (ou pelo menos a maioria) dos membros corruptos de um grupo, simplesmente não entre pra esse grupo e faça todo seu esforço pra combatê-los do lado de fora. Não se alie àquilo que não faz jus ao ideal da honestidade e do bom-senso. Já existe um número massivo de pessoas nessas atividades e muito poucos do lado contrário, tentando resolver a causa dos problemas ao invés de ser só mais uma peça do problema.

A imagem ruim que as polícias tem no mundo diante da sociedade não é por mero acaso. A estrutura exposta aponta que, seja lá de que tipo você for, lá dentro você é só uma peça desonesto do quebra-cabeça. Isso sem falar na associação direta entre instituições policiais e o conceito de controle, repressão, vigilância. Tudo isso piora quando entende-se que no sistema atual, as polícias não servem ao cidadão comum, sendo praticamente exclusivas a políticos, empresas, ricos, celebridades e, claro, aos bandidos (desde que aliados, com ou sem farda). Com a corrupção consciente, fica ainda mais evidente esse protecionismo seletivo, quando você assiste manifestações onde neonazistas são recebidos e protegidos pela própria polícia ao invés de serem presos. isso também pode ser visto no modus operandi das ações do dia-a-dia, quando a premissa é tratar negro e pobre como imediato suspeito, por vezes, humilhando, torturando, prendendo ou matando. Nas favelas, o game da matança neonazista é ainda mais ativo, justamente porque é uma área que está, geralmente, escondida das grandes mídias e acaba por ser uma forma fácil dos covardes agirem. A própria execução recente de Marielle Franco, depois de ter denunciado essas matanças e irregularidades nas intervenções de Acarí, no Rio de Janeiro, mostra como a tentativa de frear a máquina do crime é indesejada pelo sistema.

Quer pensar em Segurança Pública? Comece pensando que não há espaço pra denúncias e reformas em um lugar onde quem incomoda com a honestidade é apagado pra não voltar a incomodar. O que existe, inclusive é uma premiação pela corrupção. Não é em vão que os policiais que arrastaram o corpo da auxiliar de serviços gerais, Claudia Silva Ferreira (2014), pelo asfalto com a viatura em movimento, não só estão soltos, como ainda um deles foi promovido. A fonte está aqui. Os dois policiais envolvidos nessa ocorrência (Rodrigo Medeiros Boaventura e Zaqueu de Jesus Pereira Bueno) não foram julgados, seguem “trabalhando” normalmente e desde quando o crime aconteceu, já se envolveram, juntos, em mais 8 mortes. Quando um destes, na época tenente, foi promovido a capitão, ficou a imagem de que o crime parece compensar, bastando que você esteja na quadrilha certa. Não é preciso desenhar. Quem tem olhos, vê.

Quando quiser deixar um legado social sobre combate a criminalidade e melhora da condição humana, faça como Marielle Franco, socióloga (formada em Ciências Sociais com mestrado em Administração Pública), feminista, militante dos Direitos Humanos, política eleita e, atualmente, símbolo de resistência contra o caos generalizado no Brasil, inclusive aos olhos internacionais. Pela vida difícil de quem foi cria da favela, é louvável e gratificante o percurso que teve. Mas, como se sabe, no Brasil, honestidade tem um preço caro. Contudo, honestidade não é algo que se escolhe ter ou não ter. Quem tem, tem e exerce, mesmo que isso seja repreendido cedo ou tarde. O que não se pode é ser um covarde que fica atrás de desculpas pra não fazer o necessário. É preciso ter muita coragem pra ser honesto e não se dobrar às opressões, ao fascismo, às corrupções, às pessoas nefastas e aos modelos sujos de convivência na sociedade.

Pra recusar esse modelo de atividade e também essa contribuição nefasta ao sistema é preciso desenvolver autonomia de pensamento. Honestidade e coragem exige se abster de falácias e começar a argumentar com fatos. Se enraivecer por ter uma verdade apontada não vai tornar ninguém melhor ou mais correto nas ideias e nas condutas, mas apenas vai reforçar o idiotismo, o despreparo e a decadência do próprio coletivo que o gerou. Quem se sente saturado do modelo nocivo e falho das polícias e do Exército no Brasil e no mundo, tem a fácil oportunidade de escolher fazer qualquer outra coisa. Enquanto alguns lutam por mais dignidade no trabalho dentro dessas corporações de polícia, outros lutam por mais dignidade humana, apenas pra poderem sobreviver ou viver, sem pobreza, sem matança, sem violência, sem repressão, sem execução. Por aqui a gente não quer que casos como o de Amarildo (veja aqui.) se tornem esquecidos, pra que nenhum outro inocente acabe morto pela polícia e descartado em um caminhão de lixo, rumo ao lixão. Se as pessoas não se importam nem mesmo de matar inocentes, você acha mesmo que elas estarão preocupadas em matar culpados ou os que elas acham que são culpados? É preciso acordar e estudar.

Por todos esses motivos, as próprias polícias, o Exército e os corruptos do governo e das empresas não tem o menor interesse que a criminalidade acabe. Dá muito lucro continuar enxugando gelo, porque é um trabalho infinito onde cada vez mais poder, dinheiro e contingente é colocado em jogo. E quem não tem amor-próprio nenhum pode acabar achando incrível lutar por essa ilusão que é só um esquema de colocar ingênuo pra morrer na linha de frente, enquanto outros, confortavelmente sentam na cadeira e contam o dinheiro dessa corrupção. Quem participa dessa patifaria, seja como desonesto ingênuo ou como desonesto consciente, é um cúmplice. E cumplicidade ao crime é crime também. Onde está aquela tal de honestidade tão falada por alguns?

A bem da verdade, o ideal está num futuro muito muito distante, quando se fala em Brasil. Há países que sequer possuem Exército e a polícia tem um papel mais figurativo do que ativo. Brasil não está apto pra esta etapa e ainda vai se queixar muito da própria desgraça que cultivou. Países como a Holanda estão fechando presídios, faz tempo, por ausência de presos. Há até mesmo o caso de importação de presos de outros países, como forma de tentar desafogar os presídios lotados de determinados países e dar alguma função para os presídios vazios de países onde a criminalidade é quase uma lenda.

Prestar um serviço de utilidade para a população contrasta com a realidade do Brasil onde mulheres estupradas, por exemplo, geralmente não denunciam o ocorrido, porque não querem passar pelo dissabor de serem culpadas nas delegacias, ofendidas pelos policiais, ignoradas, agredidas ou, mais uma vez, assediadas. Essas instituições já não possuem nenhuma credibilidade perante a população comum e isso tende a sumir. O brasileiro já se acostumou a todo tipo de situação e praticamente boceja enquanto o mundo gira. Para alguns locais, dirão que não há viatura disponível, mas mude o discurso e pode ser que, magicamente, brote 20 viaturas em menos de 3 minutos no local. Tudo é uma questão de interesse. Trabalhar, para alguns, depende do contexto. Se não fizer nada for causar uma repercussão grande na mídia e na corporação por negligência básica que gere vexame noticiado e suje ainda mais a imagem imunda da corporação, então aí eles escolhem brincar de trabalhar. Mas se o trabalho for pra algo que facilmente irá ser ignorado por se tratar apenas de um cidadão comum, então dane-se o cidadão e que continue a soneca.

Boas lembranças das aulas de Sociologia, onde, à época, falava-se da realidade de que apenas 14% da favela tinha algum histórico ou conexão com atos ilícitos. Em resumo, favela e crime não tem nenhuma relação direta, exceto na mentalidade idiotizada de racistas e preconceituosos de classe. Ser pobre nunca foi sinônimo de criminalidade. Mas, frequentemente, ser rico, aponta pra incontáveis casos de crime. Agora adivinhe onde os governos e os “líderes” das instituições policiais querem que você atue de forma opressiva? Acertou se disse na comunidade mais pobre e negra do país. Lá onde não há nada pra se combater em criminalidade, é onde eles precisam inventar que há muito a se fazer. Assim podem, por exemplo, ter pretexto pra inserir uma UPP (Unidade Policial Pacificadora) corrupta pra sugar R$ 100 mil reais por mês de corrupção ou mesmo pra alimentar alguns traficantes com armas, pra justificar uma guerra social e dar a oportunidade de neonazistas fardados subirem os morros da favela pra brincar de exterminar negro, mesmo que sejam crianças. Feito um game, são recompensados por matar, por gerar mais corrupção, mais crime e mais lucro. Um lucro temporário, restrito, ilícito, às custas das vidas de todos os demais, que nunca trará segurança pública ou qualidade de vida a ninguém, nem aos próprios corruptos que dormem e acordam ansiosos, sem saber quando vai ser a hora deles de cair.

O mais próximo da honestidade que eu já vi nessas instituições policiais, foi quando um deles, na contramão de todos os demais, tirou o cabresto e resolveu se demitir, por ver que tava lutando do lado errado. Me fale de honestidade quando estiverem em luta pra prender de verdade toda aquela corja que infestou os prédios de Brasília, em golpes, corrupções, acordos com Judiciário, matanças por queima de arquivo, etc. Um cenário que, pra Islândia não é um sonho, mas uma conquista, quando prenderam 26 banqueiros, demitiram todo o governo e seguiram comandando o país de forma exemplar pela própria população. Raramente você verá alguém tocar nesse assunto em outros cantos do mundo, pois isso pode suscitar a vontade de mudança e paraíso, o que, certamente, acabaria com a mamata que os criminosos tentam sustentar.

Me fale de honestidade quando essa honestidade não tiver preço e alguém aceite trabalhar com qualquer outra coisa digna, ganhando igual, menos ou até mais, apenas pra não se dobrar ao que é errado. Não me venha falar de salário, pois a maioria da população ganha um salário indigno e nem por isso escolheram o caminho fraco do crime. E outros, em pobreza pior (senão na miséria), continuam honestos, apesar de tudo. Isso é simplesmente não ter a honestidade vendida, por ter ela como princípio. E princípio não se relativiza, nem fica em segundo plano, por isso chama ‘princípio’, pois sempre vem primeiro.

Eu escolhi não dar tiro no meu próprio pé. Mas todos aqueles que escolheram atirar aleatoriamente ao resto do mundo, já atiraram uma bomba atômica no próprio pé e levaram junto todo o resto da sociedade em uma onda de degeneração da segurança, da qualidade de vida, da dignidade, da esperança, do bom senso, da educação, etc. Longe dessas instituições tem gente corajosa que não se importa se vai viver ou morrer por falar verdades, porque morrer vamos todos nós. É gente que se importa em deixar legado, ser útil a sociedade até o talo. E isso eu faço até com os braços amarrados. Aos inconformados com fatos, podem chorar livremente, mas se tiverem alguma noção, chorem na Cantareira, em São Paulo, pois a seca reina por lá, por culpa do corrupto agronegócio que destruiu a Amazônia e, por isso, os chamados “rios voadores” já não trazem a umidade para regiões como a de São Paulo. Que outros temas você quer debater? Tempo eu tenho.

Pegue mais um link de presente: Gregório Duvivier fala sobre Direitos Humanos.

Rodrigo Meyer

Crônica | Miséria e Luxo.

Na frente da loja de conveniência, um morador de rua sentado. Aos desavisados, parece não esperar nada, mas pra quem vive fora da bolha, eis alguém que decaiu não só pra rua, como pro consumo de droga pesada. Não faz mal a ninguém. A comunidade em torno o conhece e o respeita. É educado mesmo quando não está sóbrio. A droga não transforma, ela só potencializa a essência do indivíduo. Alí está um homem que tinha vergonha da sua condição, de pedir dinheiro, de estar entre os demais. Um dia lhe disse que não precisava ter vergonha de nada daquilo, pois muitos de nós já se encontrou sem saída e o importante é tentar tirar o melhor proveito dos dias. Lágrimas do lado de lá, de alguém que lembrava, claramente, que nunca tinha ouvido ninguém se solidarizar. As pessoas passam reto, não olham nos olhos, mal chegam perto. As madames com seus carros pretos de luxo, abrem a carteira e tentam encontrar alguma nota de baixo valor, quando lhes pedem alguma moeda. Moeda elas não possuem e talvez a menor nota delas seja só de R$ 10 ou R$ 20 reais. “Mendigo inoportuno que não tem máquina de passar cartão de débito”, devem pensar. Ele, sempre volta; elas, raramente. Elas preferem o conforto de casa, como um bunker, trancadas e inseguras, por conta dos monstros que elas mesmas fabricaram. Ele, pede porque não tem; pede porque a abstinência cobra o consumo da droga; pede porque, muito antes, foi esquecido pela sociedade; pede porque, se a vida estivesse, antes, estável, não teria que pedir coisa alguma; pede porque uma minoria da sociedade não abdica dos luxos herdados, dos privilégios e até da corrupção, quando notam que é mais fácil ser egoísta e inútil, do que reconhecer que não tem mérito nenhum aceitar como certo o que foi dado errado. Não trabalharam duro, apenas lapidaram um diamante bruto herdado. E, geralmente, um diamante roubado.

Rodrigo Meyer

Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

Crônica | O homem invisível.

Entrei pela porta de vidro, senti o ar-condicionado. Não havia como eu não ser notado. Mais de 5 câmeras de vigilância e funcionário pra todo lado. No refrigerador, bebidas geladas. Peguei uma e paguei. Do lado de fora, mais gente, mais olhos presentes. Entrei no carro, voltei pra casa. No caminho, as pessoas pela calçada e os escravos da ronda armada. Dentro de casa, os barulhos da porta de entrada se abrindo e da porta do quarto se fechando, avisam os vizinhos que eu voltei. Eu não queria ser notado por ninguém, mas assim como eu os notei, me notaram também. A privacidade não existe. Viver em sociedade é viver observado e julgado. Posso até mesmo me esconder atrás de cortinas e paredes, mas até a minha ausência de imagem vai ser estímulo para lembrarem que eu ainda não saí de casa. Quando eu não quero que me notem, lembram de mim todo dia, mas se eu precisar de silêncio ou ajuda, aí eu consigo finalmente ser invisível.

Rodrigo Meyer

Especial | Outros mundos pra se visitar.

A imagem que ilustra esse texto é parte de uma fotografia da Galáxia Andrômeda.

Escrever é uma atividade antiga minha, que deve ter começado lá pelos 7 anos de idade. É algo que eu adoro, mas, nunca consegui ser apenas de uma área só. Além de ser um curioso nato por todo e qualquer assunto, sempre fui hiperativo e, pra mim, estar ocupado e produzindo é quase que um vício. Por isso, hoje trago um pouco mais sobre outras atividades minhas. Cada tópico é um link clicável que direciona para outros blogs dessas outras realidades que eu desenvolvo. Não vou listar todos, porque são muitos, mas estes são os principais:

1. Rodrigo Meyer – Photo

Fui fotógrafo ao longo de 17 anos, desde que cursei Fotografia no SENAC. De lá pra cá foram muitos momentos gratificantes criando e comunicando e meus principais segmentos foram: Ensaio Fotográfico, Retrato, Landscape, Arquitetura, Cobertura de Evento, Fotografia Conceitual. Sempre que possível estive também em manifestações, comunicando a essência e cobrindo os fatos. Pelo blog você pode acessar a guia ‘Portfólio’ do menu e escolher entre as categorias para ver um resumo bem pequeno desses 17 anos de Fotografia.

2. Rodrigo Meyer – Design

Minha outra atividade foi e continua sendo o Design Gráfico. Cruzei pelo curso técnico de Comunicação Visual na EPA e depois fiz a faculdade de Comunicação Social – Publicidade & Propaganda na FMU. Tenho desenvolvido Identidade Visual para mídias digitais e impressas, naming (planejamento de nomes de marcas ou projetos), branding (desenvolvimento de marcas), além de ilustrações, arte gráfica, diagramação de sites, flyers, e muito mais. Também atuo na área da Comunicação em si, orientando e gerindo estratégias de Comunicação de pequenas empresas, ONGs e projetos, pra que sejam assertivas e tenham retorno ao lidar com o público. Parte desse trabalho envolve o suporte e administração de redes sociais como Facebook, Instagram, etc., com base nos algoritmos e regras de cada plataforma, pra alavancar projetos e ter o melhor retorno possível.

3. Rodrigo Meyer – Sound

O contato com as mídias e com a música em si, me colocaram também neste caminho. Comecei a aprender música, piano e órgão, desde uns 11 anos de idade, aproximadamente. Com a dificuldade em ter um piano próprio, acabei transferindo essa necessidade de expressão para a música digital ou a edição de áudio. Criando jingles e vinhetas para vídeos, comecei a resgatar o contato com a música. O blog ainda está pouco alimentado, mas o canal no Youtube tem um pouco mais de conteúdo e há planos de retomar a frequência de publicações em breve. Lá pelos vídeos você encontra letras de música narradas e algumas vinhetas.

4. Rodrigo Meyer – Cine

Junto com o desenvolvimento da Fotografia também me habilitei na criação de vídeos. Saltar dessa atividade pro Cinema em si foi uma das tentativas mais entusiasmadas que tive. Durante todos os anos exercendo a Fotografia, escrevi centenas de roteiros pra filmes de curta-metragem. Contudo, pelas exigências técnicas e financeiras inerentes a esta atividade, ainda estão por concretizar. Espero que algum dia haja a oportunidade de colocar em práticas estas ideias. Enquanto isso não ocorre, a edição de vídeos comuns para mídias próprias ou de terceiros tem sido uma das atividades paralelas. Pelo blog vocês pode aguardar por várias dessas dicas de comunicação e edição em vídeo, linguagem audiovisual, pré-produção, produção e pós-produção pra filmes autorais ou comerciais, além de comentários e resenhas de filmes.

5. Rodrigo Meyer – Art

Junto com a escrita, a arte visual também sempre esteve comigo desde o começo. Desenhar e pintar eram as minhas atividades preferidas. Cheguei a me aperfeiçoar o suficiente pra conseguir pintar quadros à óleo de paisagens durante a adolescência, com boa autonomia. Adentrei pra cursos de desenho a lápis e depois desenvolvi outras técnicas no curso de Comunicação Visual da EPA, como nanquim, por exemplo. Desenvolvi centenas de criações tradicionais (papel e tela), mas quando me vi distante das minhas telas à óleo me bateu um certo arrependimento e acabei me distanciando da arte um bom tempo. Foi somente na transição para o digital que retomei essa conexão. Há alguns anos concretizei diversas pinturas digitais dos mais variados estilos, indo do abstrato ao realismo. Porém, devido a escassez de tempo, me sinto enferrujado em relação aos anos anteriores. Enquanto eu não monto um álbum de portfólio no próprio blog, tenho mantido essa apresentação no Behance como uma pequena amostra do meu potencial. No Youtube você consegue acessar alguns vídeos de speedpainting com algumas ‘anotações visuais’ de ideias que tive, mas em breve o canal terá surpresas mais profissionais.

6. Rodrigo Meyer – Author

Esse é um dos espaços onde eu concentro uma parte do que eu escrevo e produzo em literatura. Por aqui você pode acompanhar, no momento, publicações diárias (sempre que possível) de artigos que compõem um projeto de cunho social iniciado a pouco tempo, onde mais de 600 temas foram predefinidos e quase 250 textos já estão no ar pra serem lidos. Da infância até hoje, escrevi muitos e muitos poemas, contos e até mesmo alguns livros. Com tamanho apreço pela literatura, tentei ser útil com ela por toda mídia e plataforma que passei. Caminhei pela expressão pessoal, análise social, filosofia e artigos temáticos para mídias próprias e de terceiros, sendo não só um hobby como também uma atividade profissional. Há livros novos pra serem lançados futuramente, mas, por enquanto, você pode acompanhar as novidades pelo blog. Depois deste projeto dos 600 temas, provavelmente, estarei postando minhas poesias, contos, prosas e outros tipos de literatura. Se você gosta de ler e que ter a chance de ganhar livros à sua escolha, entre pro grupo de Facebook ‘Para Ler‘.

7. Foto A

Esse projeto é a versão recente e modernizada de uma longa batalha tentando ensinar Fotografia para outras pessoas. Depois de deixar de lecionar presencialmente, comecei a adaptar os conteúdos para o modo texto. A versão antiga, continha até mesmo vídeos no Youtube com aulas e, provavelmente, todo esse material vai ser reformado para ser apresentado novamente tanto no Youtube quanto no blog. Além de aprender Fotografia, você fica por dentro de notícias, reviews e curiosidades no tema.

8. Arte em Frente

Outro projeto de utilidade pública para os que gostam de conhecimento e cultura, onde garimpo artes e artistas, apresentando não só suas criações, mas suas histórias e peculiaridades. Indo de artistas clássicos do passado até os contemporâneos, em todos os estilos e tipos de arte visual, como pintura à óleo, pintura digital, desenho, graffiti, modelagem 3D, tatuagem e qualquer outro conteúdo de arte. Tem havido uma certa demora em trazer novas postagens, devido a transição de conteúdo de uma antiga plataforma para a atual. Dentro do possível, no tempo livre, apareço com algum post novo. A página no Facebook vem crescendo nos últimos tempos e lá você encontra coisas surpreendentes pra contemplar e compartilhar. Há possibilidade do projeto se expandir para o Youtube também e isso só depende da demanda e engajamento de vocês.

9. Bruxaria 24 Horas

Projeto que já tem muitos anos, com centenas de conteúdos publicados. Com a transição da plataforma antiga para esta atual, o blog já está com todos os textos no ar, mas os posts ainda estão sem imagens de capa, por enquanto. Embora isso não comprometa em nada a qualidade dos conteúdos, em breve serão atualizados com as imagens. Por lá você encontra textos de ocultismo, cultura antiga, paganismo, história, magia e espiritualidade. Um projeto de grande sucesso que  alcançou mais de 9 mil inscritos no Facebook e, caso haja tempo e condições, poderá se expandir pro Youtube.

Outros Projetos

Existem inúmeros outros blogs, páginas, canais de Youtube e outras mídias e atividades que desenvolvo, porém deixarei pra citá-los em outra oportunidade. São conteúdos temáticos em Viagens, Cultura Mundial, Cultura Underground, Astronomia, Psicologia, Sociologia, Ativismo & Causas Sociais, Idiomas, Dança e muito mais.

Sempre que as pessoas ficam cientes desse mar de conteúdos e atividades em que estou envolvido, expressam um ar de surpresa como se fosse um louco exagero de minha parte. A realidade é que me sinto confortável em criar e gerenciar tudo isso, porque há duas coisas em que sou completamente apaixonado: adquirir conhecimento e ser útil ao mundo. E se me pagar um café que seja, já me disponho a fazer muito mais.

Se você está lendo esse texto estritamente pelo reader (leitor) do WordPress, clique aqui para ser redirecionado ao post original e desfrute do conforto e outros benefícios de se estar, de fato, dentro do blog.

Rodrigo Meyer