Crônica | Sou meu próprio presente.

Acordei sem dor. Sinal do corpo se adaptando. Foi uma ótima noite de sono. Sonhei como geralmente sonho: boas realidades intensas. Eu gosto muito mais é de sonhar. Lá as coisas são mais vivas. Acordado, mesmo na melhor das situações, é tudo sem sal, sem moral, sem aquele toque de mistério, de perspicácia. Meus sonhos são ocorrências inteligentes. Não sei se isso depende da minha inteligência ou se simplesmente sou contemplado com algo maior e melhor que eu. O que eu sei é que eu sempre fui muito grato aos meus sonhos. Aproveitei a oportunidade e sentei na cadeira pra escrever. Essa é a rotina que todo autor deveria ter. Hoje me sobra tempo, mas ainda não estou pleno. Sinto falta de me aconchegar com um café sobre a mesa e criar. O que liberta e dignifica não é o trabalho, mas o apreço por trabalhar. Em um mundo onde a maioria é infeliz com o trabalho obrigatório em uma atividade que detesta, eu prefiro a fome do que um tapa na minha dignidade. Prioridades.

Rodrigo Meyer

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