Crônica | Pitada de esperança.

Um tom desbotado começava a tomar conta do clima da casa. Do lado de fora, a sensação de que alí já não tinha vida. Do lado de dentro, um vazio igual ou pior. O cansaço não permitia pensar de maneira organizada sobre o que fazer com aquilo. Por sorte, o minimalismo ajudou a reduzir as opções. A cada dia que passa, a casa torna-se, cada vez mais, apenas paredes. Quando completamente vazia, será motivo de festa. Talvez eu possa comemorar, talvez eu não esteja mais por aqui. Enquanto o futuro não chega em definitivo pra me dizer, eu sigo acordando e dormindo, sentindo o cheiro de tempero na comida da vizinha. Me parece alguém que gosta de cozinhar. Às vezes dá vontade de me auto-convidar para um momento desses, especialmente nos dias em que está mais frio. Nas outras casas do bairro, tudo parece tão enfadonho e monótono que chego a pensar que por lá nem comida se faz. Quando eu me mudar, quero voltar a cozinhar. Algo tão simples e com um significado tão importante.

Rodrigo Meyer

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Onde estão as pessoas noturnas?

Sou uma pessoa noturna e fico me perguntando onde estão as outras. Embora eu consiga lidar bem com as atividades diurnas quando elas são necessárias, desde nascença eu fui noturno e essa tendência nunca sumiu. Eu gosto da noite e é o horário que naturalmente me sinto mais disposto e interessado em interagir e trabalhar. Por ser autônomo, muito do meu horário é definido por mim mesmo e, caso eu não precise fazer nada durante o dia, eu simplesmente opto pela noite imediatamente.

Na fase embrionária de diversas mídias que eu estou alavancando, a presença diária pra intervir manualmente em alguns detalhes me fazem ter uma certa rotina diurna, o que, muitas vezes, me tira a liberdade de dormir tarde e acordar tarde. É basicamente isso que faz muita gente que, em teoria, são noturnas, terem um estilo de vida moldado ao padrão diurno, por conta de estudo, trabalho ou socialização. A média das pessoas está mais ativa durante o dia, provavelmente como resultado de uma convenção social global que, desde os primórdios da humanidade, fixou-se no período de maior incidência de luz para gerir as atividades, deixando a noite para o sono e descanso, já que nesse período pouco poderiam fazer no ambiente.

Nas sociedades que se desenvolveram de lá pra cá, estabeleceu-se até mesmo um certo padrão de horário pra se acordar e trabalhar, funcionando como uma faixa de tempo em comum para as pessoas poderem fazer comunicação e trabalho de maneira mais abrangente e efetiva. A padronização dos horários tem muito que ver com um modelo onde tenta-se aproveitar o máximo possível da atenção das pessoas em um bloco só. Porém, nem assim os noturnos sumiram. Muitas pessoas, assim como eu, escolhem o modelo autônomo de trabalho, justamente pra desfrutar da noite. Assim como tem gente ativa de noite pra desfrutar, tem gente trabalhando pra atender essa parcela de pessoas também. Os comércios noturnos ou até alguns ’24 horas’, estão presentes em cidades grandes ou pontos turísticos.

Apesar de tudo parecer o paraíso, a diversidade de opções não é tanta assim. Uma loja de conveniência aqui, um posto de gasolina alí, talvez uma padaria e alguns bares, mas nada muito mais que isso. As casas noturnas, apesar do nome, por vezes, terminam mais cedo do que muitos gostariam, mas elas refletem uma realidade dos próprios frequentadores, que, depois de suas noitadas dançando e bebendo, ainda terão que estar ativos pra estudar e/ou trabalhar no dia seguinte. Soa como se o melhor da vida estivesse no potencial da noite, porém a sociedade e as exigências desse modelo nos priva desse benefício em troca da nossa busca automatizada por trabalho, dinheiro, socialização e até por encaixe em padrões e expectativas alheios.

É verdade que ser noturno destoa o suficiente pra nos vermos descriminados em alguns aspectos. As pessoas olham com maus olhos aqueles que levam suas vidas fora dos horários convencionais. Já chegaram a me perguntar se eu nunca tomo sol e até mesmo a deduzirem que eu sequer trabalhava. Ser noturno nunca me impediu de trabalhar e minha vitamina D está em dia justamente porque tomo sol sempre. Mesmo que eu esteja ativo de noite, o dia tem 24 horas e pelo menos metade dele tem incidência de sol. Ainda que eu não goste de fritar no calor e prefira curtir um ar-condicionado geladinho, eu acabo tendo a grata oportunidade de ver o dia nascer várias e várias vezes, já que eu sigo acordado madrugada a dentro. Além disso, nem sempre é possível levar uma rotina noturna e, então, acabo pegando até os horários de pico de sol.

Ser noturno me abre inúmeras possibilidades, mas também fecha muitas portas. Quando eu mais quero fazer as coisas, as pessoas estão indo dormir ou simplesmente já estão cansadas ou preguiçosas demais pra fazer qualquer coisa significativa. É de noite que eu tenho energia e concentração pra escrever, desenhar, editar foto, gravar um áudio, um vídeo, ler ou cumprir algum projeto de trabalho. Mas e quanto a dividir o tempo com outras pessoas? Onde estão as pessoas noturnas pra podermos conversar, dar umas risadas e compartilhar a presença? Acaba sendo uma condição um tanto quanto solitária. A menos que eu molde as atividades noturnas para os ambientes de bares e casas noturnas, provavelmente não verei gente ao redor.

Aqui por onde moro, felizmente, tenho acesso a uma loja de conveniência onde às vezes gosto de fazer uma pausa nas minhas atividades e ir tomar um café e respirar um ar novo, ver rostos e observar um pouco da realidade. Mas, mesmo assim, não é um ambiente com o qual eu possa e/ou queira dividir tanta interação assim. As pessoas que geralmente se agrupam por estes meios, estão lá em um estilo de vida que não reflete meus interesses. Ficam com o som do carro ligado no último volume dos amplificadores pra chamar a atenção a todo custo, tomando algumas latas de cerveja aguada e quente na tentativa de diversão. Eu, tomo meu café e sigo de volta pro meu ambiente privado.

Na minha casa ou mesmo andando pela cidade ouvindo alguma música ou curtindo o movimento ocasional de carros e luzes, vou arquitetando uma sutil e importante poesia que me mantém um pouco mais satisfeito em estar acordado, apesar de não ter muita reciprocidade com aqueles que gostaria. Cruzar a noite sozinho não é um problema em si, sendo até muito prazeroso, mas tem dias em que queremos contar alguma coisa a alguém, ser ouvido, poder olhar nos olhos ou simplesmente ter uma agradável visita, mesmo que virtualmente. Tem momentos específicos que sinto falta de uma mensagem, uma voz, um movimento no vídeo ou mesmo os mimos presenciais que surgem da interação com pessoas e ambientes, como os perfumes, as texturas, os toques, o passar do tempo, os olhares, o desenrolar das situações de forma um pouco mais imprevista, entre outras coisas.

Não sei onde estão os noturnos e nem sei quantos são. Muitos escolhem a noite por falta de opção, seja pela insônia ou por uma vaga de trabalho. Eu, escolhi a noite por gosto e por inevitável característica de nascença. Me interesso pelo aspecto silencioso da noite, contemplando a lua e as estrelas, sentindo o vento no rosto enquanto olho pra lugar nenhum naquela escuridão que permeia os telhados mal iluminados da cidade. Saturei meu físico e minha disposição por longos anos em casas noturnas, bares, apartamentos de amigos, festas, ensaios musicais, shows e uma coletânea paralela de sonos interrompidos ou mal cumpridos. Mas, também, muitas compensações ao descansar nos dias subsequentes a todas essas agitações.

Acredito, inclusive, que existe uma enorme relação entre a vida noturna acordado e o apreço por dormir. O mundo dos sonhos é aquele mundo onde o irreal é possível e tudo tem um componente intrigante, misterioso, que embora pareça realista, é uma grande fantasia, por assim dizer. Na vida real, acordado durante a noite, sinto que o mundo se torna um lugar fantástico, onde as coisas podem ser mais do que normalmente são. As pessoas se tornam outras pessoas, a cidade tem outra aparência e até os becos mais descuidados ficam recobertos de uma beleza clean pela ausência de detalhes. Onde falta realidade, há espaço de sobra pra imaginarmos o que quisermos e, então, sermos personagens em cenários idealizados. Uma cidade pode se tornar palco para criarmos uma história um pouco mais agradável de se exercer, já que seremos obrigados, até o fim da vida, a sermos protagonistas e diretores desse espetáculo. Que seja algo bom, então.

Quando muitos estão se despedindo, eu estou me apresentando, chegando, tomando um banho, vestindo meu coturno, tomando um café e começando minhas tentativas de fazer sentido no mundo. Às vezes dá certo e posso notar um ou outro noturno perdido na multidão de dorminhocos que levantam a mão pra acenar que estão acordados, sinalizando uma interação em uma postagem na internet ou deixando uma mensagem. Nesses momentos, sinto como se estivesse em uma praia deserta e, de repente, visse alguém acendendo uma lanterna em uma ilha distante. Dá uma sensação de que ainda estou vivo, que ainda sou visto, que ainda existo e que há mais gente na mesma situação. Talvez haja um pouco mais de identificação entre os noturnos, justamente por não serem maioria na sociedade. Mas é preciso lembrar que, mesmo em minoria, o número de noturnos é significativo e seria muito bom se as pessoas tivessem um pouco mais de olhos pra esse nicho de realidade. Várias vezes quis exercer atividades que simplesmente não podia, porque não havia nenhum suporte na cidade que contemplasse esse estilo de vida.

É raro encontrar onde se possa comer de madrugada e, mais raro ainda, achar algum comércio noturno que não seja estritamente de comida e bebida. Se eu quiser comprar roupas, pagar meus boletos, visitar um museu de arte ou assistir um filme no cinema, estou obrigado a escolher horários convencionais ou simplesmente não fazer nada disso. Assim, a vida noturna torna-se um pouco mais difícil por falta de opções. Por outro lado, enquanto pouca coisa acontece, abre-se espaço pra uma experiência mais lúdica e minimalista, com pouco ou nenhum trânsito, quase tudo apagado, pouca gente circulando e, dependendo do lugar e do bom senso das pessoas, um silêncio agradável.

Aqui onde eu moro atualmente, infelizmente, não desfruto dessa paz, já que, sabe-se lá como e porquê, uma trupe sempre ocupa as ruas próximas para berrar, “conversar” e pesar na terra, apesar do horário tardio em um bairro estritamente residencial com grande parte de idosos e enfermos. O que eu faço, então, sempre que posso, é ir pra bem longe daqui e andar pela cidade, pensando em assuntos e contemplando pequenas coisas. Quando não posso, desabafo e tento fugir desse caos desnecessário, com headphones e boa música. Nem sempre é eficiente, porque é difícil competir com os decibéis dos imbecis, mas sigo tentando, pois não tenho opções melhores por enquanto.

Fico me perguntando se melhoraria ou pioraria estar em uma cidade que, embora tivesse mais tranquilidade pros meus ouvidos, fosse tão inativa durante a noite que me deixasse desmotivado em estar lá. Já viajei pra vários lugares incríveis e passei vários dias e noites fotografando e apreciando o lugar, com pouca ou nenhuma interação com as pessoas, sem depender tanto dos comércios, exceto vez ou outra pra comprar comida e bebida. Talvez esse próximo passo para uma vida cada vez mais minimalista possa ser viável, mas exige também um postura diferente das atividades profissionais, pois, onde tem pouca agitação, tem também outro modo de se levar a vida e o trabalho. Adoraria sentar à mesa e desenhar, escrever, ler, conversar ou sair pra fotografar. É uma pena que, pra coisas simples como essa, precisamos de um mínimo de estabilidade financeira pra bancar as contas da casa e a pequena estrutura de um computador e câmera fotográfica. Além disso, se vamos precisar trabalhar pra sustentar esse pequeno contexto, ocuparemos boa parte do nosso tempo fora das atividades idealizadas, a menos que consigamos unir trabalho e prazer em uma atividade só. E é esse plano mirabolante que eu tenho tentado arquitetar noite após noite.

Atualmente, depois de muito conquistar e aprender coisas importantes pro meu crescimento pessoal, ainda há um grande buraco no crescimento financeiro. Sinto falta de estar unido a outros noturnos que possam formar uma rede de apoio em vários sentidos. Idealizar mudanças para uma vida minimalista e noturna, passa, muitas vezes, pela necessidade de conquistar autonomia financeira suficiente pra financiar esse lifestyle de ausência dos horários convencionais de trabalho, ausência dos espaços e modelos convencionais de socialização e também uma visão diferente sobre o que é viável de se exercer com qualidade, eficiência e prazer, como, por exemplo, poder concretizar essa lacuna de ser um escritor ou artista visual. Tentei a Fotografia, por outro viés, por longos 17 anos e foi cansativo. Atualmente tenho investido meu tempo na execução de mídias e conteúdos, o que me dá chance de estar satisfeito e ser útil ao mesmo tempo. Resta esperar que isso seja também viável financeiramente e que eu possa finalmente me tornar um noturno de sucesso. Bom dia pros diurnos e boa noite pros noturnos!

Rodrigo Meyer

O que aprendi jejuando?

Adiei muito em escrever esse texto, até encontrar a maneira mais apropriada de se falar positivamente sobre jejum em um mundo onde muita gente passa fome por falta de opção. É evidente que são situações completamente diferentes e, nem de longe, a ideia é romantizar a abstinência de comida. Mas, quero dividir a minha experiência nesse tema e fazer alguns comentários sobre sociedade, consumo, padrão de vida e alimentação.

Esse é um tema delicado que envolve inúmeros dramas para muitas e muitas pessoas. Falar de alimentação, acesso a alimentos, jejum, desnutrição ou alimentação precária é ainda um grande problema no mundo, apesar de termos várias vezes mais alimentos produzidos do que a necessidade de consumo dos seres. Isso ocorre porque existe um enorme desperdício de alimento que vai ao lixo como sobra do que não foi consumido por quem planejou uma compra desproporcional de alimentos.

Na minha família, cozinhar e comer era um evento tão importante que o que mais haviam eram festas e reuniões entre parentes e amigos como pretexto pra se cozinhar e comer sempre mais e mais. Como se pode prever, coletamos disso um vício e diversos problemas de saúde. Era um excesso de comida aliado ao prazer de comer e tendo como gatilho ou origem os dilemas psicológicos. O convívio familiar incentivava que esse modelo se perpetuasse com facilidade, já que bastava estar ali para surgirem pratos maravilhosos todos os dias.

No começo da minha infância eu gastava muita energia e era uma pessoa magra. Depois, gradualmente, fui sentindo os efeitos da depressão se agravarem e, junto com isso, um aumento substancial do consumo de comida. O isolamento e a procrastinação foram dando espaço para um pessoa que via o ato de comer como uma fonte de prazer temporária. Dividir uma refeição com alguém ou mesmo comer algo bem saboroso sozinho de fato pode ser gratificante. Na minha família, infelizmente, o motivo da refeição, pra mim, era tão somente a comida. As reuniões familiares em torno da mesa eram sempre conturbadas e acredito que isso tenha impactado na degradação do psicológico e colocado mais força nesse ato de descontar tudo na alimentação compulsiva.

Em alguns anos da minha adolescência eu comecei a perder o controle sobre minha aparência e peso, virando uma certa bola-de-neve. Estar gordo me fazia comer e comer me fazia estar gordo. Equação óbvia que leva muita gente a uma progressão letal. Essa é uma realidade que vi com meus próprios olhos entre algumas pessoas do meu convívio. Impactado por isso, sempre tentei reverter a minha condição e até consegui. No começo da vida adulta, tinha uma aparência satisfatória e me sentia muito motivado em fazer inúmeras atividades, especialmente com o recente resgate pra fora do poço da depressão. Com um relacionamento promissor, frequência e sintonia no sexo, a tal ‘química’ em estar apaixonado e todo organismo agradecendo, o resultado foi conseguir estar estável fisicamente, mesmo tendo um consumo significativo de comida. Energia gasta e metabolismo ativo faziam tudo parecer fácil de se controlar, sem nenhum esforço.

Mas, depois dessa fase e com as decepções que me levaram de volta ao isolamento e a depressão, entrei pra um consumo desproporcional de comida e álcool, especialmente na fase da faculdade, o que me fez estar tão diferente da imagem que eu tinha de mim mesmo, que não me reconhecia no espelho. A pessoa que eu aparentava ser, não representava a personalidade ou o ideal que eu tinha como identidade interna. Esse conflito também gerou um efeito bola-de-neve de mais comida e bebida e, por fim, minha saúde se degenerou tanto que eu tinha episódios indescritíveis, quase que todos os dias, achando que seria minha hora de morrer. Em alguns períodos mal tinha o contorno do rosto separado do pescoço, por conta do sobrepeso. Mas, de forma geral, levando em conta minha estrutura, eu não estava tão exagerado. Diríamos que passava desapercebido na média das pessoas. Mas, pro meu caso em específico, era um sobrepeso suficiente pra comprometer a saúde.

Muito provavelmente por conta da adição frequente do álcool, acabei em um estado que, se não fizesse nada para mudar drasticamente os hábitos, poderia ser surpreendido por um infarto. Então, resolvi cortar o consumo de álcool quase que totalmente, deixando a prática pra momentos especiais em uma ou outra época do ano. Troquei a diversidade de tipos de bebidas por algumas poucas opções e comecei a me planejar pra uma transição de hábitos alimentares. Apesar disso, nunca tinha passado pela minha cabeça que jejuar fosse uma opção saudável ou interessante. O que eu fiz, na verdade, foi uma redução gradual do volume de comida, especialmente quando o dinheiro se tornava cada vez mais escasso. Se formos comparar, por exemplo, a compra em um restaurante por quilo, eu praticamente reduzi pela metade meu consumo logo de cara e depois, com mais confiança, vi que podia reduzir pela metade da metade. Mal sabia eu que esse domínio na reeducação alimentar me deixou tão condicionado, que nunca me senti privado de comida, mesmo quando comia até menos que isso ou nos dias em que simplesmente esquecia do horário de ir almoçar. Por hábito, desde estas mudanças, eu passei a somente almoçar. Não faço refeições na janta, nem no café-da-manhã.

Passei por umas situações difíceis nos últimos tempos, com a transição de mais de 17 anos de trabalho na Fotografia pra uma volta ao Design Gráfico. Me encaixar profissionalmente em um período da vida que coincidiu com a minha mudança de casa e de parte do meu estilo de vida, me fez decair bastante no controle financeiro e, não tenho vergonha nenhuma em dizer que, por várias vezes, por falta de dinheiro, estive sem ter condições de comer coisa nenhuma. No começo, o jejum forçado foi bastante desagradável. Me sentia tão transtornado em estar a dias sem comer que estava praticamente andando de um lado pro outro dentro de casa, em claro sinal de ansiedade. Dormir me ajudou bastante a superar e me reposicionar nesse contexto. De fato, como dizem, um período de sono ajuda a enganar a fome.

A cada nova vez que eu tinha restrições financeiras, estava um pouco mais preparado para a chegada do inevitável jejum. Pela terceira ou quarta vez em que esses períodos ocorreram, eu já estava bem mais “conformado” e “confortável”, por assim dizer. Se anos atrás eu esquecia o horário de ir almoçar, atualmente chego a esquecer e passar dias sem comer. Não é que eu me force a não comer, mas apenas que estou tão tranquilo na mente que não me veem nenhum desespero por conta do tempo estar passando sem eu ter feito uma refeição. É como se a fome estivesse sob controle e só soasse um sinal quando fosse realmente necessário. Depois de uns 3 ou 4 dias começa a brotar uma vontade um pouquinho diferente de comer alguma coisa. Contudo, já passei por vários episódios onde, em cada um deles, estive mais de 30 dias consecutivos em jejum. Queria, então, dividir o que eu aprendi jejuando.

Quando eu me apercebi do volume de comida que eu consumia quando mais novo e como isso degradou minha saúde, eu percebi o quanto aquilo era desproporcional a minha necessidade. Conforme eu fui mudando de hábito, pude notar que era possível se adaptar facilmente a redução do volume e da frequência da alimentação, desde que se fizesse disso um hábito. E, por fim, se era possível reduzir, um jejum também poderia vir a ocorrer de maneira similar, como vim a descobrir nos últimos anos. Aprendi que jejuar não é a garantia de um incômodo e nem é algo tão extremo se você já tiver preparado fisicamente e emocionalmente pra essa restrição. As experiências anteriores e a aceitação do contexto, principalmente depois de ter superado com sucesso as crises, me ajudaram a ver o jejum de maneira neutra, sendo ele, pra mim, um ótimo aliado quando eu preciso fazer alguma contenção de gastos para contornar a dificuldade financeira.

O jejum me ensinou que eu sou mais resistente e capaz do que imaginava e que, mesmo com um mar de gente ao redor com muito mais posses e dinheiro a disposição, eu não preciso do mesmo tanto que eles pra concretizar minha vida de maneira muito mais estável, digna e satisfatória. É evidente que eu seria feliz dividindo bons momentos em uma refeição ou até mesmo tendo conforto financeiro pra não precisar pensar se vai ser possível comer ou não, pagar as contas mínimas ou seguir devendo novamente. Porém, na ausência deste ideal, tenho conseguido lidar muito bem com o meu cenário atual, enquanto muitos outros não conseguiriam passar 1 dia no meu papel, enfrentando as coisas que enfrento nas diversas áreas da vida.

Ter passado por essa experiência me fez sentir bem, apesar de confirmar o abandono social e familiar, destacando, consequentemente, o nível deplorável dos indivíduos que supostamente tinham algum elo.  Família e sociedade são termos desgastados pra realidade prática dessas entidades. Sorte de quem tem uma verdadeira, pois, para a maioria das pessoas, esses termos são nomes de meras lendas. Família, de verdade, independe de parentesco sanguíneo, uma vez que é tão somente a soma de pessoas que realmente estão interessadas umas nas outras por elos de afeto e empatia, pessoas as quais pode-se contar quando for necessário. Qualquer coisa diferente disso é só convenção social inútil. Família, tal como é para casais na famosa frase do juramento de casamento, tem que ser “na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença.”. Os revezes da vida, me mostraram com quem eu podia contar e tudo que eu vi foi que eu só tinha valor e utilidade para os demais enquanto tinha alegria, dinheiro e saúde. Na tristeza, na pobreza e na doença, as pessoas simplesmente se distanciaram, da noite pro dia.

O jejum me ensinou que eu hipervalorizava a comida e, muitas vezes, ironicamente, dava pouco valor a ela quando tinha em excesso. Aquilo que temos com muita facilidade, podemos não reconhecer o valor, até perdermos aquilo. Mas depois de ter aprendido o valor da comida, entendi algo ainda melhor: que ela não é tão necessária quando eu imaginava. Resolver meus problemas com outras ferramentas, também foi uma das consequências automáticas. Na ausência da fuga dos problemas pelo caminho da comida, eu tive que buscar alternativas, querendo ou não.

Assim que a cabeça centrou, pude olhar com mais tranquilidade pras coisas e entender melhor e mais profundamente algo que eu sempre acreditei a vida toda: que a média do ser humano valoriza coisas amplamente superficiais e desnecessárias, num modelo de vida de consumo contínuo e desenfreado, mergulhado em dívidas e servidão no trabalho, para sustentar uma busca, quase sempre infrutífera, de objetivos ocos. Acreditam estar subindo na vida, conquistando uma realidade cheia de entulhos, mas, na verdade, trazem tantos problemas pra suas vidas que, depois da metade dos consumos desnecessários, buscam na outra metade soluções pros efeitos colaterais adquiridos com a primeira metade. A grosso modo, resumindo, é como se estivessem usando metade do tempo e do dinheiro de suas vidas pra quebrarem suas pernas e com a outra metade do tempo e do dinheiro investindo no remendo das pernas quebradas. Esse é o exemplo mais explícito de dano desnecessário e vício em equívocos.

Dessa sociedade doente eu não faço parte. Meu foco, há muitos e muitos anos, é a ideologia do minimalismo. Meu lema ao longo do tempo tem sido uma frase que repito muitas e muitas vezes pra mim e pros outros: “reduzir, reduzir, reduzir.”. Comigo eu só quero aquilo que realmente for necessário e útil; o resto eu dispenso. Provavelmente, nesse modelo de vida, o jejum se encaixou muito bem, em uma época oportuna pro meu histórico particular. A minha experiência serve para o meu contexto e para os meus objetivos. Comparar a minha situação, por dentro e por fora, com a de qualquer outra pessoa no mundo, não seria justo pra podermos dizer que há algo único e verdadeiro que possa e/ou deva ser espalhado como ideal de prática ou pensamento.

O que as pessoas precisam entender é que, em diversos assuntos na vida, o que pra alguns é difícil ou utopia, pra outros é pura facilidade e satisfação. A transformação interna de um indivíduo depende muito mais dele mesmo do que de qualquer outro fator ou contexto do entorno. Aquilo que cabe somente a nós entender e resolver, não há pessoa no mundo que possa assumir essa responsabilidade em nosso lugar. Isso não significa, porém, que a sociedade não está adoentada e cheia de práticas ineficientes pra lidar com a própria abertura de pensamento e bem-estar dos seus membros e nem que a sociedade não construa barreiras reais que atrapalham a vida das pessoas. Quando os indivíduos estão adoentados, eles formam uma sociedade igualmente adoentada, já que sociedade nada mais é que a soma desses indivíduos. A expressão de um coletivo de pessoas egoístas, gananciosas, viciadas, ansiosas, preconceituosas, cheias de complexos e desvios psicológicos, só gera um ambiente conturbado onde todos estão em constante conflito por questões e detalhes que nem eles mesmos entendem e não possuem disposição para aquietar, refletir e absorver o necessário pra solução de si mesmos. Nesse sentido, eventos drásticos podem ajudar as pessoas a se colocarem no lugar delas, chacoalhando-as pra que notem o óbvio e comecem a priorizar as coisas certas, valorizando pessoas ao invés de dinheiro e/ou posses e respeitando princípios básicos de convivência, não pra ser um pônei colorido da caridade passiva, mas pra rever em si mesmas, quais são as condutas e pensamentos desnecessários e equivocados que estão fazendo pra si mesmas, no claro exemplo do chamado ‘tiro no pé’. Assim que um indivíduo se apercebe que está errando com ele mesmo, ele tem condições, se quiser, de entender como ele esteve errando com os demais, eventualmente.

Rodrigo Meyer

Você é rápido ou afobado?

Muita gente não sabe a diferença na prática. Geralmente uma pessoa afobada tenta justificar sua conduta alegando pressa ou falta de paciência. Mas, ironicamente, a pessoa afobada é, frequentemente, aquela que demora mais tempo pra concretizar algo, justamente porque quebra a cara nas tentativas afobadas de fazer tudo de forma não planejada, por atalhos equivocados, entre outras coisas.

Ser rápido pode ser uma vantagem, mas não é algo simples de se conseguir ser. Se tudo que conseguimos é aumentar a velocidade e não o controle, então não estamos sendo mais rápidos de fato, pois, acabaremos barrados, parados, perdendo mais tempo com o desfecho dessa pressa descontrolada. Então, ser rápido, no final das contas, é saber controlar a situação. E, sabe-se que pessoas afobadas ficam incapacitadas de controlar bem qualquer situação. Então, é hora de rever pensamentos, crenças, posturas e tentar corrigir aquilo que te impede de ter o que você quer. Se você quer chegar mais rápido, então pare de ser afobado, senão não chegará mais rápido.

Só pra ilustrar que não é imaginação, vamos a alguns exemplos práticos. Imagine uma pessoa afobada, que tem preguiça de ir até a lixeira descartar um resíduo. Ao invés de dar 5 passos, atira à distância tentando acertar dentro, mas erra. A falta de controle a obriga a gastar os mesmos 5 passos recusados inicialmente e um esforço adicional pra catar o resíduo do chão e colocá-lo novamente na lixeira. Por vezes, pela chateação da falha, perde o controle pela segunda vez ao tentar depositar o resíduo e erra novamente. É cômico e bem comum. Conclusão: se o objetivo era não perder tempo, foi na direção contrária do objetivo. Em uma situação diferente, menos comum, a pessoa desenvolve o controle para poder acertar a lixeira à distância. Tal controle envolve prática, contexto e, mesmo sob controle, nem sempre será viável a conduta mais rápida, por questões de educação, por exemplo, entre outros motivos.

Querer chegar nos resultados, todo mundo quer, mas não são todos que estão dispostos a fazer o necessário pra tal. As pessoas desejam que tudo aconteça magicamente pra que elas possam desfrutar só da parte boa, sem ter que passar pelo esforço. Esse é o pensamento padrão de uma pessoa afobada e, com garantia, não vai resultar nos objetivos imaginados. A vida ensina, cedo ou tarde, que as pessoas precisam entrar no ritmo de suas capacidades e da própria realidade do mundo, ou não exercerão suas capacidades nem conseguirão se relacionar bem com a realidade. Pra evitar frustrações, dores de cabeça e uma gastrite (pra citar só coisas leves), é preciso saber viver e, sobretudo, saber ser. Mesmo em um mundo onde as informações estão acessíveis, muita gente passa reto delas ou, mesmo ao absorvê-las, ignoram a prática daquilo. Mais um exemplo de como pessoas afobadas sabotam a si mesmas.

Quando observo a média das pessoas, me lembro da analogia de um liquidificador ligado sem a tampa. Tudo gira muito rápido, mas voa líquido pra todo canto fora da jarra. Um perfeito exemplo do que não se fazer na vida e na cozinha, a menos que o objetivo seja causar um desastre. Isso está presente entre todo tipo de atividade e lugar. São as pessoas acelerando em vão o carro por ruas onde o trânsito está congestionado, as pessoas que primeiro abrem um negócio e só depois estudam como abrir um negócio, as pessoas que compram um eletrônico antes mesmo de saber se de fato precisam daquilo ou até mesmo as pessoas que comem justamente nos momentos onde possuem menos controle sobre os excessos ou a qualidade do que comem.

Tudo isso são momentos de afobação. Algumas pessoa estão afobadas e outras pessoas são afobadas. Vez ou outra é normal estarmos menos comedidos ou controlados pra traçar a postura ideal nas situações, mas se isso se repete todo dia e em todo tipo de coisa, então já se tornou característica da pessoa e não um momento isolado. Quem são essas pessoas e porque agem assim? De onde vem essa pseudo-pressa de cumprir as atividades? Será mesmo que estão com pressa ou só estão tentando esconder de si mesmos a realidade? Quase tudo de doentio na conduta humana, segundo a Psicologia, aponta uma contradição. Indivíduos nessas condições estão sempre tentando obter resultados, mas sempre do modo oposto ao que seria eficaz. E não se pode dizer que seja falta de conhecimento. É falta de prática mesmo. Para uma prática se tornar automática, é preciso exercitar. O hábito transforma algo aparentemente complexo em algo tão fácil que fica imperceptível. É o caso, por exemplo, de quando usamos o mouse do computador depois de nos acostumarmos a ele. Ninguém que tenha o hábito de usar o mouse fica olhando pro equipamento pra controlar o movimento dele na mesa. Apenas o move instintivamente com a mão.

Entendida a necessidade do controle e da prática para a transformação de si mesmo, é hora de observar quais são as situações em que você se vê andando em círculos, enxugando gelo ou batendo a cabeça em busca de resultados. Comece a se assistir, a se analisar e se julgar, pra entender quem você é e quem você gostaria de ser. Muita gente descobre que seus objetivos são outros ou que seus equívocos iniciais são barreiras desnecessárias. Seja lá onde você se descubra depois disso, terá todas as ferramentas pra cuidar de si mesmo nessa temática. Decidir o que fazer, como e em que ritmo, vai depender dos seus objetivos, seu controle eficiente e o contexto sensato onde tenta atuar. Faça valer sua vida, sua pessoa, sua personalidade, suas ideias, seu potencial e mergulhe no mundo pra criar mais, ser mais, entender mais. Não se limite com autossabotagem, pois esse tipo de tombo não há quem possa ajudar, exceto você mesmo.

Rodrigo Meyer

A receita é estar em dia.

Sobreviver com disposição diante do excesso de estímulos está muito relacionado em como você organiza e gerencia o mundo, antes que ele te invada descontroladamente. Com tantas pessoas, tantos ruídos, placas, sons, luzes, carros, comércios, produtos, links, vídeos, livros, ideias, memórias, nossa mente acaba se saturando pelo excesso e tende a falhar. Às vezes a mente humana lida com os excessos buscando simplificações, reduzindo o tempo de atenção ou a complexidade em algo.

Em placas de trânsito, por exemplo, busca-se reduzir o máximo possível da complexidade das formas e cores, já que os motoristas terão pouco tempo pra processar cada uma delas. Pra que facilite ao cérebro do motorista compreender o que fazer nas ruas e estradas, as placas sintetizam imagens e encurtam informações de texto, se posicionando com uma certa margem de distância para que o movimento do carro seja compensado. Além disso cores ajudam a interpretar mais rapidamente o conteúdo, uma vez que nos habituamos a estas combinações. No restante da vida, nem sempre haverão planejamentos a nossa disposição, então teremos que fazer nosso próprio controle das situações.

Quando se abre o navegador do computador, por exemplo, começamos visitando um site, mas logo nos deparamos com um link, uma foto, uma conversa e, mais sites começam a abrir em paralelo com aquilo que gostaríamos de ver ou guardar pra um momento mais oportuno. Em pouco tempo, aquela tela minimalista com um único site, se torna uma biblioteca bagunçada de conteúdos. Às vezes as pessoas mantém aberto até mesmo um conteúdo já visitado, pela praticidade de tê-lo ali pra uma conferência, um compartilhamento futuro, etc. Sem perceber, elas se afogam em uma malha confusa de dados que não as ajuda a ir pra frente. Ficam com os pés presos nessa malha e estão quase sempre irritadiças por isso.

Este tipo de situação pode ocorrer em diversos setores da vida. O grande segredo pra se livrar dessa tensão gerada pelo acúmulo é, exatamente, não permitir o acúmulo. Assim que fizer proveito de um conteúdo, você já pode descartá-lo para ir ao próximo momento, próxima tarefa. Estar em dia com cada um desses conteúdos, te faz perceber que, na verdade, você ganha mais tempo. Torna-se mais eficiente em criar, pensar, interagir e viver, pois dedica menos tempo mental e/ou físico em cada uma dessas atividades. Quando você percebe que está completando uma tarefa com menos tensão e menos esforço, seu cérebro sente-se recompensado por aquela atividade e permanece em um estado melhor para a próxima tarefa. Isso se torna uma sequência de bem-estar associada a sua produtividade e é isso que você vai adorar ter ao lembrar do quanto você tem feito por você mesmo, diante da imensidão de coisas que existem ao redor.

Para muitas pessoas a satisfação pessoal advém do cumprimento dessas metas. E para que as pessoas possam chegar felizes em seus objetivos, elas precisam limpar o caminho para não tropeçar na desorganização ou na desmotivação que isso causa. Um ambiente favorável é aquele onde não temos que nos preocupar com excesso de estímulos para serem processados. Neste tipo de ambiente clean pode-se perceber um aumento substancial do seu bem-estar físico e mental. Não é uma garantia de que você vá se tornar uma pessoa feliz, mas com certeza vai concretizar melhor suas tarefas e isso pode ser um ponto valioso pra te entusiasmar a fazer mais e/ou melhor. Para muitas pessoas, isso ajuda a tornar-se mais satisfeito e feliz.

Para se estar em dia com as coisas, é preciso entender que não teremos como abraçar o mundo de uma vez só e que está tudo bem, afinal essa premissa é a mesma para todo ser humano. Temos que ser conscientes de que o volume de estímulos tende sempre a ser maior do que cada pessoa é capaz de gerenciar. Então, é preciso filtrar o máximo possível com base na necessidade e qualidade. Elimine do seu campo aquilo que não está em uso no momento. Feche as abas de navegador depois de visualizar o conteúdo; procure manter-se desconectado de sites e aplicativos que emanam alertas de mensagens ou atualizações; desligue o celular durante uma tarefa de criação ou concentração; limpe sua mesa de trabalho e guarde tudo que não for utilizar na sua próxima tarefa; mantenha seus livros guardados com algum critério, para que sejam fáceis de encontrar futuramente; mantenha suas tarefas domésticas em dia, como a louça e roupas lavadas, a arrumação do quarto, etc. Enfim, faça seu cérebro perceber um contexto simples na vida, pra que você possa dedicar seu esforço no progresso de outras atividades, ao invés de dispersar energia com o que costumeiramente fica sem ser resolvido.

A mente consciente não percebe grande parte das coisas, mas a mente inconsciente sabe que determinado objeto está em cima da mesa, que determinado livro não terminou de ser lido, que as roupas no varal não foram recolhidas, que a louça ainda não foi lavada e que aquelas abas do navegador ainda permanecem ativas, mesmo que você sequer possa ver todas no estreito espaço da sua tela. Tudo isso acaba perturbando a mente e enfraquece nossa disposição em ser e fazer.

Através do minimalismo, conquistei muito progresso pessoal. Quando não tive mais que me preocupar com um quarto cheio de objetos, uma casa cheia de móveis e uma vida cheia de estímulos desnecessários, minha mente finalmente focou naquilo que era importante pra minha vida. Essa mudança trouxe, inclusive, um bem-estar e facilidade em cumprir as tarefas secundárias de menor importância, como lavar a roupa, a louça, se programar pra ir pagar as contas ou almoçar. Quando tudo isso se torna organizado e simplificado, não se torna uma obrigação chata, mas apenas um momento rápido e fácil. E se sua mente vai bem ao longo dessas centenas de pequenas situações, seu dia se torna um bloco de sucesso. É basicamente isso que te dá tempo e motivação pra fazer algo um pouco maior, já que agora sua vida e sua mente possuem espaço. Mente zen, vida zen. Quando você reduz o tamanho do mundo, formigas podem se tornar gigantes. Crescer como pessoa e progredir em suas atividades, seja trabalho, arte, hobby, estudo ou relacionamentos, está muito relacionado com as suas prioridades e em como você está tranquilo para gerenciar as coisas menores ao redor. Começar a desenhar em uma folha em branco é muito mais fácil do que ter que apagar uma folha primeiro pra só depois poder reutilizá-la.

Rodrigo Meyer